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  • há 6 meses
Transcrição
00:00E agora sim, o Olhar Digital News recebe ao vivo Tiago Aureliano, que é pesquisador da Universidade Regional do Cariri
00:09e primeiro autor do estudo que nós vimos na reportagem sobre os dinossauros. Vamos lá?
00:16Deixa eu colocar aqui o Tito na nossa tela para conversar conosco um pouco.
00:22Olá, boa noite, Tito. Seja muito bem-vindo ao Olhar Digital News.
00:26Opa, opa, só um minutinho, Tito. Não abriram aqui seu áudio aqui para mim.
00:33Pronto, agora sim. Agora sim, boa noite.
00:38Boa noite, obrigado pelo convite aqui para a gente bater papo sobre dinossauros.
00:43Sim, vamos lá, Tito. Nós vimos aí na reportagem, mas antes até de entrar no assunto pesquisa,
00:49eu queria que você falasse um pouco como era o Brasil no tempo dos dinossauros,
00:54ou seja, quais são as espécies que viviam por aqui?
00:59Olha, cada vez mais a gente está descobrindo mais espécies de nordeste a sul do país,
01:06até o final do Mato Grosso.
01:09Então tem mais de 80 laboratórios com mais de 800 pesquisadores ativos e descobrindo mais.
01:17Então eu não vou conseguir listar aqui para vocês todos, tá?
01:22No geral, a gente pode falar que o Brasil era muito mais...
01:25O mundo era muito mais quente e tinha muito mais oxigênio
01:29e tinha bem menos vegetação onde hoje é o Brasil.
01:32Então era um ambiente árido, desértico mesmo.
01:37A região aí do interior de São Paulo até Minas Gerais
01:41era deserto de duna, feito boa parte das dunas do Saara hoje.
01:47Então era muito quente mesmo, tá?
01:49Era um ambiente inóspito.
01:51Agora é interessante, porque nós nunca falamos sobre isso aqui no nosso programa
01:55e é muito curioso.
01:56Agora, Tito, como que foi feita a pesquisa de vocês?
02:00Como é possível chegar a essas conclusões precisas
02:04analisando os fósseis dos dinossauros?
02:07Conta pra gente.
02:08A gente compara com as manifestações dessas diferentes doenças
02:14que ficam marcadas no esqueleto.
02:17Infelizmente, com esses dinossauros muito antigos,
02:19a gente só consegue encontrar fragmentos de esqueletos.
02:23Então a gente só consegue saber das doenças que marcam o esqueleto.
02:26Então, tendo todo esse arcabouço para a gente comparar
02:31da medicina, da medicina veterinária, da biologia,
02:34a gente sabe, a gente pode tentar interpretar como evoluíram essas doenças
02:40do passado muito remoto, de cem milhões de anos atrás,
02:44como elas se manifestavam em outras espécies
02:47e comparar com outros grupos ao longo do tempo,
02:53antes mesmo da humanidade surgir.
02:55Então é uma oportunidade, é uma janela que a gente tem de entender.
02:58Eu estou falando aqui de doenças como o câncer, doenças infecciosas,
03:03estou falando de artrite, artrose.
03:06Todas essas doenças que atingem a humanidade hoje,
03:08a gente tem boa parte delas sendo manifestadas ali
03:1280 milhões de anos atrás, 65 milhões de anos atrás.
03:17Muito curioso.
03:19Agora, como esse trabalho, Tito, pode ajudar a entender melhor
03:23a história do Brasil, o passado do país com esse levantamento de dados?
03:30Sim.
03:31Quando a gente estuda doenças infecciosas,
03:33o Brasil hoje é uma referência no estudo de doenças tropicais.
03:36A gente tem o Instituto Oswaldo Cruz,
03:39que é de ponta aí no mundo inteiro.
03:41A gente tem problemas com doenças que são transmitidas por mosquitos,
03:45como leishmaniose, a gente tem estudos com tripanossoma cruzi,
03:50a dengue, zika.
03:52Então tem várias doenças que são transmitidas com vetores.
03:56A gente não pode dizer ao certo que essa doença que atingiu os dinossauros
04:02neste Brasil muito antigo também foi por vetores.
04:06A gente não encontrou um fóssil de vetor na região,
04:10mas existem muitas características em comum com doenças que são transmitidas.
04:15doenças que são afetadas por infecções de bactérias,
04:20de fungos, de protozoários e até alguns tipos de vírus.
04:25Essa doença atinge os ossos pela medula dos ossos e se espalha,
04:31rompendo osso e gerando caroços.
04:34parecido quando a gente vê aqueles filmes da Idade Média que tem aquela peste que deu em um monte de gente,
04:41ficava com aqueles calos e tal, com aquele aspecto meio de zumbi.
04:45É muito triste de ver.
04:47Tem muito cachorro de rua que pega doenças parecidas hoje porque não tem tratamento.
04:53Então você imagina no mundo animais selvagens ali que não tinham tratamento.
04:57É interessantíssimo da gente pesquisar que tipo de vegetação eles tinham ali disponível.
05:03Era um ambiente árido, especificamente nessa região de Ibirá.
05:07Não tinha bosque de grande porte.
05:11Alguns estudos similares com outros tipos de doença,
05:14lá na América do Norte, por exemplo,
05:16indicaram que alguns tipos de vegetação, mesmo natural, bosque natural,
05:21podiam facilitar o surgimento de neoplasias, de tumores, de câncer,
05:27em alguns grupos de dinossauros que viviam nesses bosques ali na fronteira dos Estados Unidos para o Canadá.
05:32A gente tem que continuar desenvolvendo essas pesquisas aqui nessa região do sudeste do Brasil
05:37para tentar entender se alguma coisa ambiental especificamente ali
05:42estava facilitando a contaminação dessa osteomelite nessa população de dinossauros que viviam ali.
05:49E qual é a continuidade a partir desse estudo?
05:54Conta um pouquinho para a gente, Tito.
05:57É um processo contínuo.
05:58A gente está tentando descobrir e delinear melhor como eram esses parasitos.
06:04E se tinham parasitas vetores, a gente está tentando entender melhor isso.
06:11Então a gente teve uma parceria com um acelerador de partículas do Sincroton, o Sirius,
06:15e no início do ano a gente levou várias amostras desses dinossauros para tentar procurar esses parasitas
06:21dentro dessas lesões.
06:23Eu não posso falar ainda resultados e tal, mas são as próximas pesquisas que a gente está fazendo.
06:28E continuam indo fazer escavações rotineiramente nesse mesmo sítio,
06:35nossos colegas que estão envolvidos com esse trabalho e com os outros trabalhos,
06:38para ver se a gente consegue pegar melhores peças ali que possam ajudar a resolver esse mistério.
06:46Quem são os parasitos que estavam transmitindo essa osteomelite nesses dinossauros?
06:53Tá certo, bom.
06:54Muitíssimo interessante.
06:56Então desejamos um ótimo trabalho para você.
06:58E esperamos poder encontrá-lo aqui outras vezes no nosso programa
07:01para contar um pouco mais dessas curiosidades aqui para a gente.
07:04Muito obrigada, Tito.
07:05Muito obrigado.
07:08Boa noite.
07:09Boa noite.
07:10Tá aí, pessoal.
07:12Espero que vocês tenham gostado.
07:13Curioso isso, não?
07:14Nós conversamos com Tito Aureliano, que ele é pesquisador da Universidade Regional do Cariri.
07:20Muito interessante, não?
07:21Espero que vocês tenham gostado também.
07:23Beleza.
07:27Quais vocês tenham gostado?
07:27Beleza.
07:30Beleza.
07:33Beleza.
07:33Beleza.
07:34Macri.
07:34Beleza.
07:35Beleza.
07:35Beleza.
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