- há 11 meses
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DiversãoTranscrição
00:00Vamos, Celinha! Vamos, minha gente. Se é pra ir, vamos de uma vez, senão fica tarde.
00:04Mamãe, você tem certeza que a boca diurna foi legalizada?
00:08Eu tô achando isso tão esquisito.
00:10Tá liberada.
00:11Isa disse que leu no Diário Oficial.
00:13E além da Isadora, alguém mais nessa casa leu o Diário Oficial?
00:17A Isa disse que leu a notícia numa edição para colecionadores.
00:21Numa edição de luxo do Diário Oficial.
00:23Ela falou que foram editados só três exemplares e que dois se perderam no Grande Incêndio.
00:28Aí sobrou um, né? O de Isadora já considerado a horaridade daí.
00:32Mas que grande incêndio.
00:33Eu não sei, mas se eu soubesse, eu não era empregada aqui servindo vocês.
00:36Eu estava nem professora, né?
00:38Eu não sei não, viu? Eu tô achando essa história muito esquisita.
00:42Não tem nada de esquisito.
00:43E ainda mais, é chegada a hora de eu dar o voto de confiança e apoio a minha filha.
00:47Foi até Celinha quem me propôs isso, não é, amor?
00:49Ô, pai, então aproveita o embalo e vê se me dá alguma confiança também.
00:52Eu mereço algum crédito.
00:53Não, agora não posso. Estou incapacitado porque eu estou focado no problema de Isadora.
00:58É impressionante como o sangue chama, o sangue fala.
01:01Na hora do vamos ver, a família se une.
01:03E eu sei que Isadora também estará do meu lado.
01:05Eu se fosse você, não teria tanta certeza, não.
01:08Ai, vocês acham que ela pode se vingar da gente se a gente não fizer a boca diurna?
01:13Nós só estamos fazendo porque é legal, né?
01:15Quer dizer, ela diz que agora é legal.
01:19Eu acho melhor a gente ligar pra um advogado e perguntar.
01:21E se ela se sentir traída?
01:23Não, porque a maioria dos pais faz boca diurna quando seus filhos são candidatos.
01:27E eu também vou fazer.
01:28Vou fazer.
01:29Vou mostrar a Isadora que eu sou um pai dedicado.
01:32Vou me expor pra ajudá-la.
01:33E tua mãe, dona Rita, não vai mais poder dizer por aí que eu nunca fui um pai presente.
01:38Presente?
01:39Até que você sempre foi.
01:40Mas foi um presente de grego.
01:42Eu posso ter cometido lá meus pecadinhos, mas a verdade é que eu sempre acalentei o sonho de levar a Isadora a Bariloche.
01:51Mas nunca levou.
01:53Marujo, você não foi um mau pai.
01:55Você foi omisso, distante, impaciente e pão duro.
01:59Mas tudo isso com muito amor, né?
02:01Com muito amor.
02:05Isso sem falar que todos os presentes que o papai nos dava eram sempre pra ele.
02:09Isso é mentira.
02:10Mentira.
02:11Você me deu uma loção de barba quando eu fiz seis anos.
02:15E no mesmo ano você deu pra Isadora quatro pneus novos pro carro.
02:19Isa me confessou que você deu pra ela um pacote de cigarros, Mário Jorge, sem filtro, quando ela tinha dois anos.
02:26Garota mau caráter.
02:28Já eu soube que o senhor lhe deu um tênis de número 42.
02:31Ela tinha cinco anos daí.
02:33E quando foi trocar, trocou por um número ainda maior.
02:35É, porque eu tava atravessando nesse momento um período muito difícil.
02:40Célinha.
02:42Hã?
02:42Será que ela vai nos perseguir se for eleita?
02:44Mário Jorge, nós seremos perseguidos como se fomos cristãos na época de Nero.
02:49Ai, que época maravilhosa, meu Deus.
02:52As roupas em Roma naquela época eram curtas e transparentes.
02:57E ninguém usava nada por baixo.
02:59O que é isso?
02:59Mamãe, eu não acho que esse seja o momento ideal pra você começar a falar de sexo.
03:05Mas, mas, eu não posso evitar.
03:07Eu já fui testada, Célinha.
03:10De cada minuto eu gasto 40 segundos pensando em sexo.
03:15E os outros 20 segundos?
03:17Prefiro não comentar.
03:19Gente, será que dava pra vocês entenderem o meu ponto de vista, o meu modo de olhar a vida?
03:25Pra mim, o mais bonito no sino é o badalo.
03:30Tinha um homem lá em Pato Branco que gostava de mostrar o badalo daí.
03:35Ficou conhecido por Zé do Sino.
03:37O homem andava por aí com uma capa preta e quando a gente menos esperava, abria a capa e mostrava as intimidades.
03:42Um dia eu fui preso e lá na delegacia descobriram que na verdade ele era mulher daí.
03:46Como, Bozena? Que loucura é essa?
03:48Como que uma mulher ficava mostrando o badalo?
03:50É isso que eu nunca consegui entender.
03:51Cala a boca, hein!
03:52Você hoje cala a sua boca.
03:58O problema é tua mãe.
04:00O problema é Rita.
04:01É Rita que joga a Isadora contra mim.
04:04Tá bom?
04:04Pode dizer pra tua mãe que eu sei que ela fala horrores de mim por aí.
04:08Fala.
04:08A mamãe espalhou pelo prédio que o Arnaldo é 15 anos mais novo que você.
04:12Diz que você tá beirando os 70.
04:14Então é por isso que cada vez que eu vou descer a escada o Sabará tenta me ajudar.
04:21Falou pra mim, ó, seu Mário Jorge, cuidado que na sua idade quebrou e fica difícil grudar de novo.
04:27O senhor já não tá mais tão novo quanto pensa que tá, né, seu Mário Jorge?
04:30Sabe qual é o teu problema, polaca?
04:34É que te deixaram de molho muito tempo.
04:37Tu branqueou, mas esgarçou.
04:40Cavalo!
04:42Galera, se é pra ir, vamos nessa.
04:44Vocês vão gostar.
04:46Eu garanto.
04:47Rola de tudo no dia de eleição.
04:49Como o pessoal não pode beber, desconta no resto.
04:53Mamãe, por favor, hoje é dia de eleição.
04:55Tem um pouco de cidadania.
04:56Ué, o vereador Isadora prometeu que em seis meses meu salário vai ser triplicado daí.
05:02E quem vai ser o mané que vai triplicar o teu salário, Bozena?
05:05O país daí.
05:06Mas que país?
05:07A Suíça, Mário Jorge, a Suíça.
05:10Bom dia, bom dia.
05:12Bom dia, bom dia.
05:15Finalmente chegou o grande dia.
05:18Vamos ver se Isadora vai conseguir se eleger, né?
05:21Ai, nossa filhota, Mário Jorge, que diria, né?
05:24É, outro dia um bebezinho indefeso, hoje poderosa vereadora.
05:32Nós fomos bons pais, não fomos?
05:38Não sei, Rita, não sei.
05:40Bom, já eu sou o padrasto ideal, não é?
05:42Eu tenho Isadora, comigo é só coração.
05:45O amor que eu sinto por Isadora é uma coisa assim que me dá até angina.
05:50Não me dá angina, Rita?
05:51É, nós não temos certeza se é realmente angina, né?
05:54O médico diz que podem ser gases, né?
05:58Não, olha, Isadora pra mim é mais que uma filha.
06:01São duas e ambas têm mau caráter.
06:06Mas olha, eu tenho certeza absoluta que tudo que eu podia dar a uma filha, eu dei.
06:11Só não deu o principal, né, Rita?
06:13Teu leite.
06:15Nunca amamentou a menina com medo dos peitos caírem?
06:17É verdade.
06:18É porque a linha está coberta de razão.
06:20Você nunca deu o peito pra Isadora.
06:22Isadora, desde pequena, foi lubridiada.
06:24Lubridiada, Mário Jorge?
06:25É, que seja.
06:27Foi enganada.
06:28Ela mamava numa ama de leite postiça, achando que era você.
06:32Mas ela ali, a linha tinha leite de primeira naqueles peitos, entendeu?
06:36Um leite grosso, achocolatado.
06:38Aviso aos navegantes.
06:43Eu estou muito nervosa.
06:45Eu não sei se devemos fazer boca de urna.
06:48Não, não, não, não, não.
06:50E a senhora, então, prefere enfrentar a vingança de Isadora?
06:53Acho que devemos fazer boca de urna.
06:57Então, gente, então, vamos embora de uma vez.
07:00E seja o que Deus quiser.
07:02Deixa Deus fora disso, pai.
07:04Deixa Deus fora disso.
07:05Vamos embora, vamos embora.
07:07É Isadora.
07:09É Isadora.
07:10É Isadora.
07:20Toma, Mário Jorge.
07:22Toma, que isso aqui vai te ajudar.
07:24A dor aí no seu ombro, toma.
07:27O cara quase quebrou meu braço, você viu?
07:30Isadora, que garota mau caráter.
07:32Não disse um ai.
07:33Na hora da confusão, disse para os homens que não me conhecia.
07:39Disse que tinha ficado órfão aos três meses de idade
07:42e como Tarzan tinha sido criada por uma família de macacos.
07:47E como é cínica, né?
07:49Isadora faz a gente desacreditar de tudo.
07:52Depois de ouvir um discurso dela, a plateia toda toma comprimidos contra a ansiedade.
07:56Eu vi.
07:57Mas Isadora é tão mau caráter
07:58que ela fingiu estar indignada com o fato da família dela estar fazendo boca de una nas costas dela.
08:03Nas costas dela?
08:05Ora, nós fomos coagidos, isso sim.
08:07Ela mandou a polícia me bater porque eu era pobre.
08:12Disse que pobre gostava de apanhada, hein?
08:15Mas eu reagi.
08:16Opa!
08:17Opa!
08:18Que eu não deixei barato, entendeu?
08:20Como reagiu?
08:23O detetive lhe deu duas bofetadas que eu vi.
08:27Mas não deu a terceira.
08:28Não deu.
08:29Foi bastou o meu olhar, pra ir que congelou o gesto dele no ar.
08:34Congelou nada.
08:35Desviou de você e acertou na minha cabeça.
08:39Em vez de te dar a terceira bofetada como era de direito, me deu um casco.
08:44Já eu apanhei pouco.
08:46Não é porque o policial que me prendeu, ele era muito gentil, muito simpático.
08:52Teve uma hora até que eu tive que perguntar para ele.
08:55Mas o senhor não vai me bater?
09:00Eu ainda olhei no olho da garota e perguntei se ela achava certo mandar bater na própria família.
09:06O que é que ela disse?
09:07Que achava justo.
09:09Isadora nos traiu de uma maneira vil e covarde.
09:12Mas agora ela arrancou a máscara e está mostrando quem ela é.
09:17Sabe?
09:17Mas Deus é grande e a derrota nas urnas será implacável.
09:21Eu só espero que você, amado Jorge, espero que você, Rita, não mudem de opinião
09:26quando ela vier pedindo perdão com o rabinho entre as pernas.
09:29E aí?
09:31Olha lá.
09:31Olha lá.
09:32Mal caráter.
09:34Garota do olho junto.
09:35Você nos traiu, você nos negou.
09:37Neguei, neguei sim, neguei 333 vezes.
09:41Foi muito pior do que isso.
09:42Você nos acusou.
09:43Você disse que eu tinha roubado essa roupa.
09:45Diz que eu tinha roubado essa roupa de vocês, Isadora.
09:47Muito pior foi comigo.
09:49Disse para os homens que eu tinha várias identidades falsas, que eu era o chacal.
09:52Ah, e de mim?
09:54Diz que eu era o dentista do filme Exorcista.
09:57Que dentista tem nesse filme, maluca?
09:59E o que a polícia tem a ver com a minha vida?
10:02Você contou meus problemas pessoais para um detetive.
10:04Diz que eu era só, que eu era carente.
10:07Falou para o delegado que eu não tinha feito operação de fimose.
10:09E disse que eu era nordestina, que eu era uma estelionatária de Campina Grande
10:15e que tinha passado um cheque sem fundo para Elba Ramalho daí.
10:19Ela disse também que eu disfarço, não é?
10:24Que eu finjo que estou exercitando as pernas, assim, assim.
10:29E, na verdade, estou urinando na piscina.
10:33Estava tudo ali nos autos, viu, garota?
10:37Mamãe, o que aconteceu com você, mãe?
10:39Na hora da confusão, ainda tentei te puxar pela mão,
10:42mas eu senti assim um puxão e fui obrigada a largar.
10:44É que sempre que tem confusão com a polícia,
10:49eu escolho o policial que vai me prender.
10:52Porque eu tenho medo que, na hora da confusão,
10:55caia para mim alguém que não me agrade.
10:58Então, eu vi um morenaço sentando o caceto em uma galera,
11:02caí dentro.
11:04Corri para ele, foi ele que me algemou.
11:07O Cabo Dutra, uma loucura.
11:08Mas ele não te bateu, Coppelha?
11:12Bateu, mas tapinha de amor não dói, né, Rita?
11:15Não dá.
11:16Estamos todos indo para o Porco Fumado,
11:18onde Isadora vai fazer pela primeira vez
11:21o seu discurso como vereadora eleita.
11:26Não, não, eu não vou a lugar nenhum.
11:28Já chega o que nos aconteceu aqui,
11:30com a conivência aí dessa menina.
11:33Nós fomos brutalizados.
11:34Fizeram horrores conosco.
11:36Mas, peraí, o que foi que você disse, Daisy?
11:39Que Isadora arrasou nas urnas.
11:41Só deu ela.
11:43Foi a mais votada disparada.
11:45Viu?
11:46Para tudo, é uma razão.
11:48Pedro negou Cristo três vezes e foi o primeiro Papa.
11:51E eu neguei todos vocês
11:53e fui a vereadora mais votada.
11:56Peraí, peraí, peraí.
11:57Você foi eleita, Isadora?
11:59Tudo que é estranho, esquisito e torto,
12:01votou nela, Rita.
12:03Não tem pra ninguém.
12:05Isadora tá por cima da carne seca.
12:08E a partir de agora,
12:10ninguém mais fica em cima do muro.
12:13Ou você é contra Isadora,
12:15ou você é pró-Isadora.
12:18E aí?
12:19O que vocês são?
12:21Pró-Isadora!
12:23Pró-Isadora!
12:25Pró-Isadora!
12:27Pró-Isadora!
12:28Pró-Isadora!
12:29Pró-Isadora!
12:30Pró-Isadora!
13:00Pró-Isadora!
13:00Pró-Isadora!
13:01Porta a porta o amor fala entre si
13:04Falsa calma e aí o temporal
13:07Um relevo baixo, retrato escolar
13:11Do amor no país do carnaval
13:14Tu entra ca já e sai ca que
13:20Casamento hoje é isso aí
13:23Toma lá da cá
13:25E no rola rola
13:27Celinha, desde que eu fui nomeado assessor do gabinete da Isadora
13:32Todo dia eu boto um terno, mas nunca tomei posse
13:35Tudo bem, Mário Jorge
13:36Você fica lindo de terno
13:38Obrigado, mas o que adianta ficar lindo se a câmara não pode me admirar?
13:43Isadora te achou com a pele muito seca
13:46E resolveu te dar umas férias, cara
13:48Mas será que não fica mal eu sair de férias logo depois da nomeação?
13:52Eu também fui nomeada
13:53Fui nomeada assessora aqui minha nomeação
13:55Tô onde?
13:56Tô na câmara?
13:57Não, tô na cozinha limpando o peixe
13:58Pois eu como relações públicas da vereadora tenho trabalhado muito
14:02Isa montou um escritório pra mim
14:06Num hotel que tem lá na subida do povo
14:09Caraca!
14:10É o entra e sai que vocês não podem imaginar
14:13Eu posso imaginar, mamãe
14:15Você tem uma noção um pouco distorcida do que significa relações públicas
14:19Mas o nome já diz
14:21São relações em público
14:24Mas mesmo se eu estiver no Everest e se a campainha tocar
14:34Eu tenho que vir do Himalaia pra abrir ninguém e você mexe
14:36Ah, você pode me explicar, Bozina
14:42Por que foi que você não colocou água na forminha de gelo?
14:45Porque não sou sua escrava daí
14:47Vocês nunca enchem as forminhas de gelo
14:50Estão sempre esperando que eu encha
14:51Pois quem encheu fui eu
14:52Enchi, daí não encho mais
14:54É, e qual é a sua desculpa por não ter feito a minha omelete?
14:58Por acaso a sua geladeira é galinha porque o ovo que eu sabe ela não bota
15:01Ô Senar, por que você não comprou os ovos com o seu dinheiro?
15:07Meu Deus do céu, depois eu acertava com você
15:09A senhora não ia acertar comigo
15:11A senhora ia acertar em mim
15:13Quem ia ficar no benço depois era eu daí
15:15É isso que nós ganhamos por sermos humanos
15:18Patadas
15:19Pelo menos o senhor ganha as patadas, né?
15:21É porque eu não recebo nada salário
15:22Então nem pensar
15:23Não tente mudar de assunto
15:25Um dia eu vou sumir, viu?
15:30Eu tô avisando, vocês vão chamar Bozina, Bozina
15:32Daí, Bozina sumiu
15:33Reunião de gabinete, reunião de gabinete
15:38Estou sendo sordidamente perseguida
15:41E quem foi que você ofendeu dessa vez, mau caráter?
15:44Eu estou sendo injustamente perseguida pela vereadora Solângela
15:48Que é a presidente interina da comissão de ética da Câmara
15:51E você tem sido ética, minha filha
15:54Vamos lá, diz
15:55O que é que você fez pra essa vereadora Solângela?
15:57É, fale, Isadora, fale
15:59Você está em família
16:00O que que aconteceu?
16:01É dinheiro, Isadora?
16:02Você por acaso roubou o dinheiro da carteira da vereadora Solângela, Isadora?
16:06Eu não preciso roubar nada, tá?
16:08Nada
16:08Solângela compete com Isadora
16:11Porque Isadora é muito mais bonita que ela
16:14O problema é que Isadora confunde a Câmara com concurso de miss
16:17Minha filha, minha filha, bota a cabeça no lugar
16:20Você nomeou como seus assessores, sua família, sua empregada, a síndica do prédio
16:25O marido da síndica, dona Deise
16:28Isso sem falar no ratão do porco fumado
16:31Ai, mas eu estou tão arrependida de ter aceito o cargo
16:35Desde que a vereadora foi nomeada e me colocou aqui
16:39É que eu não consigo mais dormir
16:40Toda noite, eu sonho com Maria Antonieta
16:45O meu medo também é esse, viu?
16:48A guilhotina
16:49Cuidado, hein, garota?
16:51Vê onde é que você está nos metendo, Isadora?
16:53Isadora, isso se chama nepotismo
16:56Tio? Que tio? Tio de quem?
16:58Eu, hein?
16:59Olha só, sei muito bem o que eu estou fazendo da minha vida, tá?
17:02Só se for agora
17:02Porque durante toda a sua existência você nunca teve noção do que fez
17:06Já eu temo o desprezo popular
17:09Eu também
17:09Mas essa não é a hora de vocês ficarem lamentando
17:12Tô precisando de ajuda da minha família, dos meus amigos
17:15Ontem à noite, Maria Antonieta gritou para mim
17:19Álvaro
17:21É tão bom perder a cabeça
17:25Gente, eu confesso que já perdi a cabeça várias vezes
17:32Mas ela sempre voltou
17:34Eu acho que depende muito da cabeça, não é?
17:37Ô, Isadora, por que você está precisando da gente?
17:41Nós nunca fomos trabalhar no seu gabinete?
17:44Ora, como não?
17:46Eu mesma fui à posse de todos vocês
17:48Mas não éramos nós, Isadora
17:50Eram pessoas parecidas conosco
17:53Como?
17:55Eles eram iguais a vocês?
17:56Sim, tinham seus nomes, suas identidades
17:59Isadora
18:00Isadora
18:00Você não acha muita coincidência?
18:03Nossas carteiras terem sido roubadas ao mesmo tempo?
18:05É que, minha filha, nós nunca recebemos nossos salários
18:09Então, tem alguém recebendo por vocês
18:13Mas quem?
18:14Mas quem?
18:15Quem?
18:16Se estiver presente aqui nessa sala, agora aponte com o dedo
18:20Vocês, por acaso, estão achando que eu contratei vocês como funcionários fantasmas
18:26Para me apoderar do salário de vocês?
18:28Estamos, estamos
18:30Vocês estão achando que eu coloco o salário de vocês na minha conta corrente?
18:34Pois eu digo que esse não é o momento para acusações fúteis
18:41Isadora tem razão
18:42O momento, o momento agora é de união
18:46Eu não quero saber de encrenca nessa família, hein?
18:49Falei claro?
18:50Ô, dona Deise, a Isadora está nos arrastando para a lama
18:53É, mas caranguejos também andam na lama, se arrastam na lama
18:57Eu já vi você comendo caranguejo, hein, Loura?
18:59Ih, Celinha
19:00Eu já fiz papel de caranguejo
19:02Aonde? Numa peça infantil?
19:04Numa ogia, Celinha
19:06Eu só trabalhava com as piensas
19:09O fato é que Isadora está precisando do apoio de vocês?
19:13Que história é essa?
19:15Você está precisando de nós, Malcaráter?
19:17Sim, muito
19:18Estou desesperada
19:19Vai custar caro
19:20Pois eu pago
19:22Queremos nossos salários
19:23E todos eles têm que ser divididos irmamente
19:27Não, não deve haver briga
19:29Fala logo, Isadora
19:30O que você quer de nós?
19:32Mas fala devagar
19:33Para a gente ir absorvendo o choque aos poucos
19:35Sentem-se todos
19:36Eu quero
19:37Eu quero
19:37Rápido
19:40Parece uns paspalhos
19:42A partir de agora
19:44Essas
19:46São as suas novas certidões de nascimento
19:49Nascimento?
19:50Casamento
19:51E óbito
19:52Por enquanto
19:54Todos vocês serão filhos do meu pai
19:57Que é o meu assessor
19:58Está bem?
19:59Pronto, foi
20:00A gente diz aqui nessa certidão
20:02Que eu sou filha do Mário Jorge
20:04Quer dizer, além de ex-mulher
20:06Eu sou sua filha?
20:08Espera aí
20:08Espera aí
20:09Só um instantinho
20:09Eu sou seu irmão Rita
20:11Filho de Celinha
20:12Então eu pequei duas vezes
20:14Com a mãe e com a irmã
20:15Isso é verdade
20:17Esse é o Mário Jorge
20:18Sou sua filha
20:20Nunca recebi uma palavra de carinho do senhor
20:23Que foi, Número?
20:25Que foi, Número?
20:26Deita essa linha
20:26Deita essa linha
20:27Deita essa linha
20:27Calma, calma, calma
20:28Respira, respira
20:29Respira
20:29Eu morri
20:30Eu morri
20:31Me mataram
20:33Essa aqui é minha certidão de óbito
20:35Deixei um dinheirão de seguro pro Mário Jorge
20:38É verdade
20:39Está escrito aqui
20:40Eu sou viúva e rico
20:42Celinha me deixou uma
20:43Cadê meu dinheiro, mau caralho?
20:47Eu morri, jovem
20:49Fui atropelada por três caminhões
20:53Eu morri
20:56Seja lá quem for, entra, tá aberto?
21:01Eu também morri
21:02Eu era pai da parenta
21:05Mas se eu era filho do Mário Jorge
21:07E a parenta era minha filha
21:09Então eu sou neta do Mário Jorge
21:11E da minha própria filha
21:16Nem
21:16Eu sempre achei
21:18Que eu era mais jovem
21:19Do que você
21:20Olha só
21:21Sou irmão do meu padrasto
21:23E filho da minha irmã
21:25É isso aí
21:25A partir de agora
21:27Essas certidões vão valer
21:29Eu tive alguns problemas com auxílio e educação
21:33E eu estou precisando provar que meu pai tem muitos filhos
21:35Então se alguém aparecer por aqui
21:37Perguntar alguma coisa
21:39Vocês mostrem essas certidões
21:40E você, Celinha
21:41Por favor, se finja de morta
21:43Eu já disse que não quero encrenca nessa casa
21:54Nessa família
21:55Eu levei a pior
21:56Porque eu agora sou a filha do seu ladir
22:00Mas o Isadora
22:05Pra você conseguir o auxílio
22:07A gente tem que estar matriculado num colégio particular
22:09Estão
22:11Estão todos matriculados
22:13No Educandário Santa Rita de Arnaldo
22:15Peraí
22:16Santa Rita de Arnaldo
22:17Que colégio é esse?
22:19Esse colégio existe, Isadora?
22:21Prefiro não comentar
22:22Arnaldo, você já leu os jornais?
22:32A Isadora enlouqueceu
22:33Aqui está dizendo que ela está aterrorizando essa vereadora Solângela
22:36Parece que Isadora colocou um helicóptero em cima da casa da mulher
22:39Não, não, mas não há provas
22:40A testemunha Rita vira um ratão no mesmo helicóptero
22:44Fazendo gestos obscenos pra mãe da vereadora
22:47E ratão, você sabe muito bem, não é?
22:50É capanga da Isadora
22:52Essa menina perdeu a cabeça
22:53Boa tarde
22:55Eu sou a vereadora Solângela
22:58Presidenta
22:59Interina
23:00Bom, interina como querem alguns
23:03Presidenta interina da Comissão de Ética da Câmara
23:07Odeio que terminem minhas frases
23:11Se as frases são minhas, eu é que devo terminá-las
23:14Já tem toda a razão
23:16Arnaldo, para de emendar as frases da digníssima vereadora Solângela
23:20A senhora é dona Rita, mãe da vereadora Isadora, supõe?
23:26Exatamente
23:27Ah, ótimo
23:29Então talvez a senhora goste de saber que no registro civil
23:32Há uma certidão de casamento em seu nome
23:36E do senhor Mário Jorge da Soinho
23:39Da Soan
23:40Da Soan
23:41O senhor Mário Jorge da Soan
23:43Que, segundo a sua certidão, é seu pai
23:47A senhora se casou com seu pai?
23:49É, ela ficou presa, reclusa num purão por muitos anos
23:53O caso, inclusive, teve repercussão internacional
23:57O senhor abstenha-se de deboche
24:00E o senhor doutor, doutor, doutor Álvaro
24:04Arnaldo
24:05Arnaldo
24:06Arnaldo Moreira
24:08Diretor responsável do educandário Santa Rita de Arnaldo
24:14Mas que santa é essa?
24:15É uma santa...
24:16Olha, vereadora Solângela, se a senhora está atrás de respostas
24:20Eu vou lhe dizer onde é que a senhora pode encontrá-las, não é?
24:23Por favor, a campainha a ser tocada
24:26Por aqui, por favor
24:27É aquela
24:28Do apartamento em frente
24:29Por favor
24:30A situação é muito mais grave do que se poderia supor
24:35Porque há pessoas que constam dos altos
24:37E que nem sequer estão presentes aqui nesta sala
24:41Lá de Miranda, por exemplo
24:44Para o natural de Nanook, Minas Gerais
24:46Ora parece nos altos como homem
24:48Ora como mulher
24:49É que meu marido, Ladir Miranda, ele tem problemas
24:56Nunca neguei
24:58Seu Ladir vem a ser pai da Deise
25:01Se não me engano
25:03Então a dona Deise é sua filha?
25:06É
25:06É, quero dizer
25:09Mas eu não falo mais com minha filha não, viu?
25:12Vereadora, porque minha filha gosta de mulher
25:17Mas eu sou um fruto de um lar problemático, vereadora
25:21Erro
25:21Eu tenho sido maltratada
25:24Eu tenho sido invadida
25:27Pela vereadora Isadora e sua quadrilha
25:30Esses cabelos
25:32Esses cabelos são testemunho vivo
25:35Do inferno que eu tenho vivido, eu e minha família
25:38Um helicóptero
25:41Que é da vereadora Isadora
25:43Passa dia e noite em cima da minha casa
25:46É popopopopopoo
25:48O senhor tem noção da ventania
25:53Que aquelas hélices provocam?
25:55Vereadora, vamos com calma
25:59Vamos com calma, não é?
26:01Pra começo de assunto, a senhora aceita uma fatia de bolo cremoso de chocolate?
26:07Aceito, obrigada.
26:08Pois é, não tem.
26:12A senhora não avisou que vinha.
26:15Gosta de um brioche quentinho com manteiga derretendo?
26:19Adoro, já tô com água na boca.
26:21Mas também não tem.
26:22Quando for assim, a senhora avise antes pra não nos pegar de surpresa.
26:26E o senhor é viúvo?
26:30Sou.
26:32Minha esposa, Celinha, foi atropelada por três caminhões.
26:36O primeiro pegou, o segundo passou por cima, o terceiro jogou longe.
26:41E essa que atende por Celinha é quem?
26:45Ah, eu sou Célia Regina.
26:47A falecida é Celinha.
26:48Eu adoro o nome Célia.
26:51Eu não posso escutar que eu gamo na hora.
26:53E o senhor tem quantos filhos?
26:57De seis a doze.
26:59Mas como?
27:00Que absurdo.
27:01O senhor não tem certeza de quantos filhos o senhor tem?
27:03Certeza, certeza não tem.
27:05Ah, pois eu tenho aqui uma declaração da vereadora Isadora atestando que o senhor é
27:14pai de santo e sessenta e três filhos.
27:17Eu nunca contei, vereadora.
27:19Eu sempre saí de casa muito cedo pra trabalhar e voltava exausto à noite.
27:25Mas há suspeitas de que a vereadora Isadora esteja recebendo no mínimo cento e sessenta e três auxílios de educação em seu nome?
27:35A verdade é que o meu dinheiro vai todo.
27:38Agora a senhora pode imaginar, alimentar, vestir e educar cento e sessenta e três mau caráteres não é bora.
27:46O senhor então afirma que o senhor tem cento e sessenta e três filhos?
27:50Todos com a mesma mãe.
27:53Sim.
27:53E que escola eles estudam?
27:57Numa escola tradicional de nossa cidade, o educandário Santa Rita de Arnaldo de propriedade dele.
28:03Mas essa santa não existe.
28:06Nunca existiu.
28:07Ninguém conhece essa santa.
28:09Não conhece porque ela é nova.
28:13Foi canonizada ontem.
28:16É natural de uma vila no interior do Piauí.
28:21No século XVIII, ela tentou catequizar os piauienses, mas eles se rebelaram.
28:28Foi a xincalhada, apanhou, levou chutes, tiraram-lhe os olhos e a língua.
28:33É milagre, é viva, Santa Rita de Arnaldo de aí.
28:38Ó, ó, parar, ó, pode parar com essa palhaçada.
28:42Eu vou pedir a prisão preventiva de todos vocês, porque isso não vai ficar assim, não.
28:51Não vai ficar assim.
28:53O que vocês estão pensando?
28:54É um escândalo.
28:56Isso não vai terminar em pizza, tá ouvindo?
28:59Não vai.
29:00Palavra de Solange.
29:02Falou e disse, vereadora, falou e disse.
29:06Celinha, que tal pedir uma pizza agora?
29:09Silêncio!
29:14Silêncio, que eu ainda não terminei.
29:16Aqui.
29:17Antônio Carlos D'Asoninho.
29:20D'Asona!
29:21Não, eu já sei que é D'Asona, não sou ignorante.
29:24Antônio Carlos D'Asona é Adonis Moreira.
29:28Quem são?
29:29Eu sou Antônio Carlos.
29:31E eu, Adonis Moreira.
29:33Hã?
29:34O quê?
29:34O senhor Adonis?
29:36É pai de Copélia Rocha?
29:38Como isso é possível?
29:41Papai foi um ator mirim de grande sucesso, vereadora.
29:47Depois o sucesso lhe escapou e ele parou de crescer.
29:51Foi psicológico.
29:53E a senhora, antes de ser assessora da vereadora Isadora, fazia o quê?
30:00Rosetava.
30:01Hã?
30:01O que a senhora quer dizer com isso?
30:03Dá licença.
30:08A senhora não tem vergonha nessa cara?
30:11Nem na cara, nem em parte alguma.
30:13Quer que eu fique nua na sua frente?
30:15Quem é isso que eu tenho que copelhar?
30:16Chega, chega, chega, né?
30:18Chega.
30:19Ô, vereadora, dona Solângela, se a senhora quer nos indiciar, a senhora faça isso, por favor,
30:23mas legalmente.
30:25Minha casa não é casa da sogra pra senhora invadindo assim.
30:28Faça o favor, com licença.
30:30Eu vou, mas diga à vereadora Isadora que eu não vou sossegar enquanto ela não for
30:36caçada.
30:38Passar bem.
30:39Meu Deus do céu, meu Deus do céu, gente do céu, nós vamos ser presos.
30:43Eu vou morrer de vergonha com que cara que eu vou olhar os vizinhos?
30:46Com a única que você tem, você sempre foi mãe da Isadora.
30:49E você, filha da Copélia?
30:51E eu, filha de seu Mário Jorge e de Dona Celinha.
30:56Eu o tempo todo achando que eu era de pato branco.
31:00Como é que eu fui parar no Paraná?
31:02Vocês me deram pra adoção?
31:04Não surta, Mocena.
31:05Não surta.
31:07Mal caráter.
31:09Garota infeliz de olho junto.
31:11A tal da vereadora Solângela, popopo, popopo, popopo, está nos ameaçando.
31:16Ela disse que vai nos prender.
31:17Sei.
31:20Vou levar um papo com ela.
31:21Ver se eu arrumo alguma composição.
31:23Se não, em último caso, eu deixo ela na mão do ratão mesmo.
31:26Olha, Isadora, você me desculpe, mas você vai ser caçada, hein, garota?
31:31Isso só o tempo dirá, Arnaldo.
31:33Só o tempo dirá.
31:35Arnaldo, popopo, essa mulher agora escreveu, não leu, tá aqui dentro de casa.
31:59Não é falar nada?
31:59Não é, vou falar o quê?
32:02Depois eu vou jogar a bola lá na quadra, ela vem com aquele pesão e entra com tudo em cima de mim.
32:06Pô.
32:08A Daisy já quebrou a perna de um morador.
32:12Já.
32:12Tamanha violência da entrada.
32:15Cruzes.
32:17É.
32:17Dona Daisy, está esperando alguém?
32:22Isadora, hoje saiu o resultado da cassação dela.
32:26Ela não vai ter nenhuma chance.
32:29Isadora não vai ter chance.
32:30Nenhuma.
32:32Pelo menos ela teve a decência de nos demitir, não é?
32:35Não só nos demitiu, como nos matou, né?
32:37Foi.
32:38Eu fiz questão de guardar a certidão de óbito de todos nós.
32:40Mas eu continuo viva e filha do seu ladir.
32:44Agora eu vou com Isadora até o final.
32:47É.
32:47Tem uma revista que disse que me paga se eu der uma exclusiva contando tudo.
32:51Não acredito.
32:52Tô pensando seriamente em aceitar.
32:56E aí, alguma notícia daquela mau caráter?
32:58Ela deve estar sendo achincalhada na câmara a essa altura.
33:02Disso eu não teria tanta certeza não, mãe.
33:04A Isadora tem seus trunfos.
33:06E eu pretendo expô-los nessa entrevista que talvez eu possa dar.
33:11Olha aqui, ó.
33:12Se citar o meu nome, aviso logo, vai ter que pagar.
33:15O meu não adianta citar.
33:18Isadora me matou duas vezes.
33:20Minha presença nesse plano físico não se explica hoje em dia.
33:25Ó, eu não vou dar nada pra ninguém, tá?
33:27Eu preciso do dinheiro, eu vou ser pai.
33:29E eu, que já sou pai há anos, eu tenho direito, então, a retroativo.
33:34A princesa Grace me deu uma carreira lá no parque aquático.
33:39A cachorra perdeu o respeito por mim, mas também, não é?
33:43Depois do que o escândalo de educação saiu no jornal,
33:46estão pensando seriamente em processar Isadora.
33:50Não faça isso, dona Álva, por muito menos ela acabou comigo.
33:54Gente, gente, liga a televisão rápido, que a coisa tá pegando fogo.
33:58Numa virada sensacional, a vereadora Isadora da Swan,
34:02cujo polêmico mandato vem ocupando as páginas dos jornais,
34:05recuperou hoje o seu direito ao cargo numa conturbada sessão no plenário da Câmara.
34:09A vereadora Solângela, grande inimiga política de Isadora,
34:12retirou todas as queixas e declarou que tudo não passou de um mal entendido.
34:16A nossa reportagem conversou com a vereadora Isadora da Swan logo após o anúncio de sua vitória.
34:21Eu queria dizer que eu estou muito feliz e que em nenhum momento eu guardo mágoas da minha companheira Solângela.
34:27Agora é bola pra frente e o mais importante é comemorar a minha vitória com um grande churrasco
34:33na comunidade que eu represento, o Morro do Porco Fumado.
34:37Ela conseguiu, ela conseguiu. Eu sabia.
34:40Agora eu já posso deixar de ser a filha do seu ladinho.
34:44Ai, garoto, ai!
34:47Ai, graças a Deus, não aguentava mais essa monstra me chamando de mamãe, mamãe!
34:54Como é que você conseguiu se safar dessa mal caráter do olho junto?
35:00Investigando, pai, descobri que Solângela era sócia de uma agência
35:05cuja especialidade eram pacotes turísticos para mulheres desacompanhadas.
35:10Solângela arrebanhava mulheres atraentes
35:13que queriam conhecer a Espanha e o Oriente Médio.
35:18Ela não teve escolha.
35:20Ou fechava a boca ou dançava na mão dos homens.
35:23E aqui o documento para vocês voltarem a ser quem vocês eram
35:26antes dessa confusão toda começar.
35:30Graças a Deus, me dá o meu.
35:32Não sei se eu quero continuar a ser o mesmo.
35:34Eu estava gostando.
35:36Poxa, eu estava gostando desse filho do seu Mário Jorge por um tempo.
35:39Muito embora não tenha me dado nada, né?
35:41Nenhum abraço me deu.
35:42Ô, doutor Arnaldo, está afim de ser meu pai por um tempo daí?
35:47Deus me livre, tá maluca?
35:48Eu não quero nada, não.
35:50Eu só quero voltar a ser uma pessoa normal.
35:52Me dá aí minha identidade que eu quero pendurá-la no peito aqui feito uma medalha.
35:56Mas eu não achei a minha.
35:57Ih, olha só, você e a Copélia vão ter que esperar um pouco.
36:00Hum, quer dizer que eu continuo sendo a filha do seu ladir?
36:03Deise, agora eu e você somos irmãs e netas do seu ladir.
36:08Netas?
36:09Vovó!
36:09Vovó!
36:11Ai!
36:12Mário Jorge, eu não quero nem saber, hein?
36:15Você vai se virar e vai me levar pra tirar umas férias.
36:18Só eu e você.
36:20Sem filho, sem vizinho, sem ex-marido, sem ex-mulher.
36:24Só nós dois.
36:25Mas de que jeito, meu bem?
36:26Eu não tenho custão.
36:27Hum, já sei.
36:29A vereadora Solângela está fretando um avião pra levar a sogra à Europa.
36:33E disse que quer vocês todos na comitiva.
36:36Então, estão todos convidados e é só fazer as malas.
36:39Todo mundo junto?
36:40Uhum.
36:41Não, muito obrigado.
36:42Ah, eu também prefiro ficar aqui daí.
36:43Já vou até raspando o gelo do congelador, assim eu fijo que é neve daí.
36:46Olha, eu também não me arriscaria a entrar num avião com todos vocês, sinceramente, sabe?
36:54Ih, mãe, olha só.
36:56Ela não está convidando os vivos, está convidando os mortos.
36:59É, mas os mortos, às vezes, dizem não.
37:03Sabe, Isadora?
37:04Às vezes, eles dizem não.
37:08Ué, eu não entendi.
37:10Eu também não entendi, mas isso é um bom motivo pra acabar com essa história.
37:13Chega.
37:14Por hoje, chega.
37:15Boa noite, chega.
37:16Acabou o espetáculo.
37:16Boa noite.
37:17Pode me aplaudir, gente.
37:19Pode me aplaudir.
37:19Obrigado.
37:21Obrigado.
37:21Vem, vem.
37:23Me aplaudem aí.
37:24Olha só que maravilha.
37:25Que eles gostam de mim, né?
37:27Olha que gente maravilhosa.
37:28Olha só.
37:29Obrigado, gente.
37:31Olha, o aplauso hoje é só pra mim.
37:34Obrigado.
37:34É um prazer.
37:35Obrigado.
37:36Obrigado.
37:36Obrigado.
37:36Obrigado.
37:36Obrigado.
37:36Obrigado.