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  • há 1 ano
Delegada Liliane Doretto fala ao vivo no Brasil Urgente, sobre investigações do caso Lucas, jovem que foi envenenado com um bolinho pelo padrasto.

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Transcrição
00:00O garoto Lucas, vocês acompanharam aqui no nosso jornal, que infelizmente morreu envenenado,
00:06comeu bolinho lá de mandioca, com chumbinho e tudo mais.
00:10A doutora Liliane e os policiais que ela coordena foram investigando, investigando, investigando
00:14e descobrindo um monte de coisa.
00:16Descobriram que além do garoto ter sido envenenado, eu não sei, eu vou falar pode, mas eu gostaria
00:22de ouvi-la melhor a respeito disso.
00:25Ele pode ter sido violentado durante boa parte da vida dele, assim como o irmão pode ter
00:31sido violentado e outras pessoas que tiveram convivência com aquele demônio, acho que
00:37é Admilson o nome do cara, Admilson, o padraço dele.
00:41Interessante saber também, ô doutora, como que vocês conseguiram extrair informações
00:47importantes desse canalha a ponto dele confessar?
00:51Olhar para vocês e falar, olha, eu realmente cometi o crime por isso, isso, isso, aquilo
00:56outro.
00:57Porque diferente do que muita gente imagina, a polícia com as técnicas que tem, avança
01:03nesse sentido.
01:04Vai avançando e fechando.
01:05O cara se vê ali, de repente, no mato sem cachorro.
01:09Ele fala, pô, estava preparado aqui para falar uma coisa para a polícia, só que a polícia
01:13tem tanta coisa aqui que eu não consigo seguir nesse caminho, eu vou ter que admitir o que
01:17a polícia está colocando para mim como prova.
01:19Vocês foram fechando o seco, né, doutora?
01:21Exatamente.
01:22Ele vai apresentando o álibi e você vai produzindo uma prova que é iverossímil e
01:27aí, mesmo assim, ele continua mentindo.
01:30E aí, a gente parte para a técnica, porque tem todo um contexto, né?
01:34O corpo, a gente costuma dizer que o corpo fala.
01:36E foi exatamente isso que aconteceu.
01:38Quando eu entrevistei pela terceira vez, o primeiro, só para você ter noção,
01:43o Joel, ele me descreve que quando viu o rapaz ali agonizando, que o menino, ele deitou
01:49no chão e repetiu a cena que ele viu.
01:52Ele fala que o menino estava vendo o celular e aí estava vendo uma matéria engraçada e
01:57de repente ele começou a espumar a boca, se jogou no chão, deu um pulo e começou
02:01a se debater.
02:02E com o passar das oitivas que eu fui refazendo, pegando uma oitiva, fechando, é um quebra-cabeça,
02:09Joel, só para você entender.
02:10É um quebra-cabeça.
02:12Quando eu confrontei com a pessoa que ele acusava que seria a autora do crime, aí ele
02:18começou a se cair contradições.
02:20E eu percebi que ele, ato falho dele, às vezes ele se referia ao enteado ou quando
02:27ele tinha algum motivo de ódio no olhar, ele falava Lucas.
02:31E aí vieram à tona os depoimentos dos familiares, dos irmãos caçulas e um deles relatou para
02:38mim, doutora, quando eu ainda com 9 anos, eu fui abusado até os 14, reiteradamente,
02:45e uma vez ali brincando na rua, uma menina falou que era apaixonado por mim.
02:49Ele ouviu isso, ele foi para dentro de casa, chorou compulsivamente e aí me deu uma surra
02:56que eu fiquei sem conseguir ao banheiro.
02:59Ele tinha paixão também?
03:00Ele tinha paixão.
03:01Então, ele traçava...
03:02Sim, ele tinha, doutora.
03:03Obrigado, você é de todo o país, você segue por aí e eu por aqui.
03:07Desculpe interrompê-la, doutora.
03:08Vamos lá.
03:09Aí ele fazia o quê?
03:10Ele tinha paixão.
03:11Ele elegia um dos meninos, passava a se envolver com aquelas crianças, geralmente no horário
03:19que a mãe não estava em casa, sozinho, ele fazia questão de dar banho nos enteados e
03:25aí durante o banho ele pedia que eles praticassem nele atos sexuais e esses meninos, eles não
03:32entendiam o caráter criminoso, se sentiam, como você disse há pouco, com vergonha de
03:38falar aquilo e ele sempre muito abusivo, afastava os familiares do convívio social e aí quando
03:45as crianças iam tomando consciência, porque vão para a escola, vem a adolescência, aí
03:50eles ficam confusos até pela opção sexual.
03:52Ele percebeu que aquilo era abusivo, aí quando a vizinha brincando na rua se confessou apaixonada
04:00de Milso, ouviu que ela estava apaixonada pelo aquele enteado que ele elegeu para ser
04:05ali o parceiro sexual dele.
04:07Ele se desesperou.
04:08Ele se desesperou, chorou, como eu descrevi, bateu tanto no rapaz que ele ligou para São
04:15Bernardo e pediu para a irmã buscá-lo em Minas.
04:17Eu não sei, esse cara parece que tem uns traços assim de psicopatia também, né?
04:21Porque eu não me lembro de ter visto um caso em que o sujeito violenta a criança, violenta
04:28o adolescente e ao mesmo tempo se apaixona por ela, aí vai e comete um outro crime, o
04:33mesmo crime com outra criança, com outro adolescente e se apaixona porque ele é outro adolescente.
04:39É algo assim, infelizmente, muito peculiar e terrível envolvendo esse sujeito que felizmente
04:44está preso.
04:45E deve pegar uma pena pesadíssima, né, doutora?
04:48Certeza.
04:48O inquérito está muito bem respaldado, nossos médicos legistas extremamente competentes,
04:58a equipe, só para você ter noção, Joel, foram 74 documentos produzidos em apenas um
05:03dia e meio.
05:04E quando confrontado, mesmo com o áudio da irmã dele dizendo que ele que havia ligado,
05:11pedido o bolinho e tudo mais, nós só descobrimos que o veneno não estava no bolinho, estaria
05:17num creme de leite, quando eu fui, você vê essa cena que eu fui buscá-lo, eu fui
05:21buscá-lo e eu falei, agora você vai parar de mentir.
05:24Quando o criminoso, que ele está acostumado a cometer crimes...
05:28Vem cá, a senhora foi na casa dele, é isso aqui.
05:30Foi, exatamente.
05:31A senhora chega na casa dele e aí?
05:33Eu chego na casa dele, ele é tão cara de pau, que eu já tinha pedido a prisão temporária
05:37dele, ele está dando entrevistas.
05:40Ele é certo de que se impune, que nada ia acontecer com ele.
05:44Quando me sai essa prisão temporária...
05:46Dando entrevista naquele ar de querer ajudar, estou aqui contribuindo e tal.
05:50De querer ajudar, que estava chateado, que estava indignado com a irmã dele ter tentado
05:56matar, até então tentado matar o Lucas.
05:59E aí quando eu chego para ele, eu falo assim, ô Admilson, leio os direitos constitucionais
06:03dele e falo para ele assim, agora você não tem para onde correr.
06:07Agora eu tenho provas, eu tenho escritas suas e tenho áudios de você.
06:13Mas ser dissimulado faz parte do perfil desse tipo de criminoso, a senhora concorda?
06:18Exatamente.
06:18Eu tenho visto isso em alguns casos.
06:21Eles são dissimulados, espertos e tal, fingem de tudo.
06:25Eles são atores.
06:25Dão a entender coisas completamente diferentes.
06:28À tua beira, ser um cara ali que tem capacidade de lidar muito bem com a de cênicas.
06:35Exatamente.
06:36E aí, como que eu fui juntando tudo isso?
06:38Eu percebi o perfil da mãe, que é a esposa dele, mãe do Lucas, do irmão.
06:43E ela, quando eu entrevistava, ela era quase que inaudível.
06:47E ela pedia com o olhar aprovação o tempo todo dele.
06:50Eu comecei a perceber que era uma família isolada.
06:52Quando ele acusa a irmã como sendo autora, eu falo para ele, ué.
06:56Mas ela queria matar porque ela pediu para ele executar um serviço de pedreiro e ele não fez.
07:02Não.
07:03Não está batendo.
07:04E eu falava o tempo todo para vocês, para a imprensa.
07:07Eu não tenho convicção ainda.
07:08Enquanto eu não tiver certeza e provas, eu não vou me manifestar quem é o autor.
07:14Porque é muito grave botar alguém na cadeia.
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