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A diretora-geral da Audible no Brasil, Adriana Alcântara, explicou em entrevista ao Show Business como o serviço de audiolivros da Amazon pretende contornar a principal barreira para a leitura no país: a "falta de tempo". A estratégia é criar novos momentos de consumo de literatura, aproveitando horas do dia em que a leitura tradicional é impossível.
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Transcrição
00:00Olá, boa noite! Está no ar o Show Business, o mais tradicional talk show de negócios da TV brasileira.
00:07E no programa de hoje vamos receber Adriana Alcântara, diretora-geral da Audible,
00:13o serviço da Amazon que tem movimentado o entretenimento em áudio no país.
00:20Nós vamos receber também Yuri Gricheno, CEO da Insider,
00:24marca online que bateu mais de 400 bilhões de reais em vendas no ano passado.
00:31Eu sou Bruno Meier e seja muito bem-vindo ao Show Business que começa em instantes.
00:36Ela comanda uma companhia fundada nos Estados Unidos na década de 1990 e vendida depois para a Amazon.
00:57Aqui no Brasil, essa empresa tem mexido, levantado o entretenimento em áudio no país
01:05e esquentado um mercado que envolve desde narradores a técnicos.
01:12Nós vamos conversar neste bloco do Show Business com Adriana Alcântara,
01:17diretora-geral da Audible, o serviço de audiolivros, podcasts e outros conteúdos em áudio da Amazon.
01:25Adriana, obrigado pela presença aqui em nosso estúdio.
01:29Você tem ampla experiência quando a gente fala de audiovisual.
01:35Você já foi chefe de uma área da Apple, você já comandou uma área infantil da Warner
01:42e agora cuida de uma companhia que faz parte de uma gigante de tecnologia,
01:49aliás, uma das mais valiosas do mundo,
01:51mas focada não em vídeo, focada em áudio.
01:56O que mais chamou a sua atenção quando você recebeu o convite para liderar a companhia?
02:03Bom, primeiro de tudo, quero agradecer a oportunidade de estar aqui.
02:07Aprecio muito o teu programa, então estar aqui é um presente.
02:12Respondendo a tua pergunta, o que eu me perguntei é
02:15como é que vai ser o audiovisual sem o visual, né?
02:20E agora, o que me veio logo na cabeça é que eu comecei a minha trajetória como roteirista.
02:28Eu gosto muito de escrever.
02:30E aí, o escrever, ele é contar histórias, né?
02:33E eu acho que isso que os livros, na verdade, fazem, né?
02:37Eles contam histórias.
02:38Então, eu fui me conectar lá com o comecinho da minha carreira,
02:43quando eu fui roteirista.
02:45E foi uma surpresa porque, pela loucura do dia a dia,
02:50eu já estava numa dinâmica de ler muitos livros de autodesenvolvimento
02:54voltados para a profissão.
02:57E tinha largado um pouco a ficção, que a gente acaba despriorizando.
03:02Então, aceitei o convite com sorriso no rosto,
03:08uma oportunidade maravilhosa.
03:09Ainda mais quando você não está no começo de carreira,
03:13você ter essa oportunidade de liderar dentro de um outro segmento,
03:18é bastante raro, né?
03:20Então, tem sido uma jornada maravilhosa.
03:23E deixa eu chamar mais uma vez a atenção da nossa audiência
03:27sobre essa empresa, porque a Audible,
03:29ela foi fundada nos Estados Unidos por um jornalista.
03:32Você está falando que você era roteirista, né?
03:36Começou sua carreira como roteirista.
03:38Essa empresa foi fundada por um escritor e um jornalista
03:43e vendida depois para a Amazon de Jeff Bezos.
03:47Eu queria que você contasse, como boa roteirista,
03:50como nasceu essa empresa
03:52e o que você acha que chamou a atenção de Jeff Bezos
03:58para comprar essa companhia?
04:00Olha, esse jornalista adorava correr
04:03e você não consegue correr lendo um livro tradicional.
04:08Então, na época, a solução que ele teve
04:11foi escutar fitas, cassetes,
04:14e ele ficava extremamente incomodado
04:16que tinha que mudar o lado, né?
04:18E ele falou, nossa, eu preciso arrumar uma solução.
04:21E foi meio que nesse caminho
04:23que ele foi desenvolvendo
04:25e chegou-se no modelo que a gente tem hoje.
04:30O audiolivro, embora aqui no Brasil
04:33seja um segmento recente, né?
04:36Eu acho que a Audible chegou para desenvolver
04:38um catálogo em larga escala em português
04:41que não estava disponível para os brasileiros
04:43anteriormente, que pede investimento, enfim.
04:48E eu acho que o que ele viu foi isso.
04:51Era um segmento onde a Amazon ainda não atuava,
04:55com muitas sinergias dentro do grupo,
04:59como os próprios livros digitais,
05:01os livros físicos,
05:02que é um grande carro-chefe da Amazon,
05:06e faltava o áudio, né?
05:08Até porque toda a história da Amazon
05:10começa com o livro, né?
05:11Exatamente.
05:12Então fazia toda, tem uma sinergia ali
05:15extraordinária com a companhia
05:17que esse jornalista...
05:19Qual o nome dele?
05:20É...
05:21Don Ketz.
05:22Tá.
05:23É...
05:24Não, e sem dúvida também,
05:25acho que como um grande, né,
05:27empreendedor e com a visão que ele tem,
05:30você precisa dominar todos os formatos, né?
05:34E eu acho que é isso que a Amazon sempre fez, né?
05:37Foi olhar as oportunidades e, aos poucos,
05:39abrindo esses leques.
05:43Então, tendo a relevância que ela tem em livros,
05:47tanto digitais quanto físicos,
05:48o áudio era um passo muito importante.
05:52A áudio chegou no Brasil quando?
05:55Vamos fazer dois anos em outubro.
05:56Outubro de 23.
05:57Quer dizer, é uma entrada aí recente...
06:02Bastante.
06:03...no mercado brasileiro.
06:04Agora, a gente está falando essencialmente do mercado editorial,
06:09que tem grandes diferenças com o mercado americano.
06:13O mercado americano, o mercado editorial americano,
06:15é muito mais lucrativo, sempre foi, do que o mercado brasileiro.
06:21Simplesmente porque os americanos,
06:23e se você comparar, sobretudo, os franceses ou outros lugares,
06:27leem muito mais do que os brasileiros.
06:30Consequentemente, esse mercado ganha muito mais dinheiro.
06:33Como é que anda o mercado editorial no Brasil?
06:37As pessoas estão lendo menos?
06:40As pessoas estão lendo tanto quanto liam há 5, 10 anos atrás?
06:46Como está?
06:46Olha, de 2023 para 2024, a gente viu em pesquisas uma queda na leitura do modelo tradicional,
06:57do livro físico, principalmente.
07:00Porém, eu acho que para contrabalançar esse número,
07:05a áudio tem muito a contribuir.
07:07Porque a gente vem desse...
07:09Porque a principal, na pesquisa, a principal razão para as pessoas não lerem tanto
07:15é a falta de tempo.
07:17Então, todo mundo gostaria de ler mais, mas não dá tempo.
07:20Isso é uma realidade brasileira ou é uma realidade de outros países também?
07:26Eu acho que no Brasil, como o audiolivro ainda não era totalmente disseminado
07:32e com os títulos mais relevantes disponíveis e etc.,
07:37no Brasil isso aparece em pesquisa.
07:39Se a gente olha para os Estados Unidos, países da Europa onde a áudio opera,
07:44o áudio já está disponível há muito tempo.
07:47Então, tanto no hábito quanto na disponibilidade do catálogo.
07:51Então, um dos desafios que a gente tem e que a gente comunica muito
07:55é aonde que a áudio, de uma certa maneira, amplia as horas do seu dia.
08:01Porque enquanto você está dirigindo no trânsito,
08:03você não pode estar lendo um livro tradicional.
08:05Mas você pode escutar um livro da áudio, quando você está correndo,
08:09quando você está passeando com um cachorro, quando você está cozinhando.
08:13Então, a gente amplia essas horas de contato com a literatura
08:18com possibilidades diferentes.
08:20E é ali que vocês querem ganhar espaço.
08:23Exato.
08:23Tá.
08:24Exato.
08:24Eu queria que você falasse para a nossa audiência
08:27como é a operação de vocês, como é o dia a dia de vocês
08:31e, principalmente, como é que vocês ganham dinheiro?
08:35Olha, a Audible é um serviço que tem uma assinatura, a R$19,90.
08:40Nós temos, e com isso você tem acesso a 150 mil livros
08:44e 4 mil livros em português,
08:47o que é o maior catálogo já visto no Brasil, na nossa língua.
08:52Nós temos, obviamente, para que as pessoas possam experimentar,
08:59a gente tem 30 dias grátis e 3 meses para quem é Prime.
09:05E a gente rentabiliza através dessa assinatura.
09:10Fora a assinatura, a gente tem alguns livros que são vendidos à la carte.
09:14Então, é uma complementação desse modelo.
09:18E, na operação, nós temos contrato com as grandes editoras,
09:22continuamos em velocidade normal, fechando novos contratos.
09:27Então, a gente começa das maiores e seguimos com todas as editoras possíveis.
09:32A nossa ideia é um dia ter, em áudio, na Audible,
09:36tudo que nós temos disponível em livro físico e livro digital dentro da Amazon.
09:44Então, esse é o nosso foco.
09:46Agora, até chegarmos lá, nós temos aí um caminho de produção,
09:53que não é um trabalho fácil.
09:55Para você ter uma referência, normalmente, 3 horas e meia e 4 horas num estúdio,
10:02rendem uma hora de finalizada.
10:05Isso é uma curiosidade que eu tenho.
10:07Como se faz um audiolivro?
10:10Então, você chega, você tem um livro ali físico, você vai para um estúdio.
10:17Nesse estúdio, então, repete essa informação que você falou?
10:20A cada 3 horas, 3 horas de gravação, vira uma hora editada.
10:25Então, por exemplo, um livro que tem 10 horas editado,
10:30que você olha ali o tempo de escuta de 10 horas,
10:33provavelmente ele ficou entre 30 e 40 horas para ser gravado.
10:38É óbvio que a gente também grava, no máximo, 4, 5 horas por dia,
10:43porque tem toda uma questão de voz.
10:45E a gente segue produzindo na mesma velocidade.
10:48Eu imagino, você falou de voz, né?
10:50Eu imagino que faz parte do cuidado de um bom audiolivro
10:56a voz do locutor e do narrador.
10:58Porque não pode colocar uma voz, sei lá, uma voz muito fina,
11:06uma voz que faz o ouvinte dormir, né?
11:11É igual você ter uma rádio, né?
11:13Você tem que ter um locutor que funcione, né?
11:15Que funcione, exatamente, não é?
11:17Não, isso para a gente é, assim, muito importante.
11:24E até a sinergia desses locutores com a própria obra que eles vão ler.
11:29Então, nós temos algumas obras que são lidas por celebridades, né?
11:34Então, a gente tem Maite Proença, Denise Fraga, o Lázaro Ramos.
11:42E dentro desse catálogo, a gente normalmente fez uma lista
11:47do que a gente queria fazer com narração de celebridades.
11:52e nós conversamos e falamos, tá aqui a lista, qual você escolheria?
11:57Porque a gente gosta que o talento tenha uma relação pessoal.
12:03Então, ele vai ler aquela obra com o olhar dele, com o carinho, com a dedicação.
12:08E tem até um fato engraçado, porque a Denise Fraga escolheu Orgulho e Preconceito, né?
12:13Ela falou, nossa, o livro é lindo, maravilhoso e tal.
12:16E aí, quando ela foi ler, ela falou, nossa, por que que eu me coloquei nessa cilada?
12:23Porque o livro é escrito com uma narrativa invertida, com frases muito longas.
12:31Então, é um livro difícil de narrar, né?
12:34Então, ela falou, a gente estava até na Bienal, num painel,
12:38e ela falou, ela falou, não, eu achei que eu não fosse conseguir.
12:41E aí, eu falei, a gente queria pedir que você lesse um pedacinho no painel.
12:45Ela falou, eu vou fazer um desserviço se eu tentar aqui agora.
12:49Então, assim, é um trabalho muito específico.
12:52Claro que a gente tem ampliado as possibilidades de atores, locutores,
12:58que são profissionais que não atuavam nesse segmento e podem atuar.
13:04Então, é uma oportunidade também de desenvolvimento da própria cadeia criativa como um todo.
13:09Posso polemizar agora?
13:10Claro.
13:11Vocês não vão colocar a inteligência artificial para ler os livros, né?
13:15Para colocar, para ler como se fossem os autores, narradores, apresentadores.
13:22Então, tem muitas camadas nessa questão.
13:28Nós temos os livros narrados pelos autores.
13:32É uma das coisas que a gente faz quando o autor, quando faz sentido,
13:36quando o autor quer, funciona.
13:38Eu, pessoalmente, narrei o meu próprio livro em português e em inglês.
13:42Tem autores que a gente não faz isso.
13:46A gente não usa, nos Estados Unidos, hoje, nenhuma inteligência artificial para narrar.
13:53A gente tem narração humana, trabalha com mais de 23 estúdios.
13:57Para você ter uma ideia, até hoje, passaram mais de 600 vozes nos estúdios com os quais a gente trabalha.
14:05Então, são 600 atores, narradores, apresentadores, dubladores, que, pelas mãos da Audible, tem aí uma nova oportunidade, uma nova frente ali de trabalho.
14:22Nos Estados Unidos, a gente tem alguns testes acontecendo, mas não no sentido de você ter a voz de um autor e, com aquela referência, você ter uma voz de inteligência artificial.
14:37Então, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
14:40E a gente acredita que, eventualmente, essas duas opções vão coexistir.
14:47Para a Audible, o quesito artístico é muito importante.
14:51Mas, ao mesmo tempo, existem livros que são nichados e que, pelo modelo de negócio e o custo de uma gravação tradicional,
15:02eles jamais estariam disponíveis com uma narração humana.
15:06Então, a gente está falando, por exemplo, de materiais técnicos, estudos, pesquisa.
15:11Então, nesse caso, eu acho que a inteligência artificial, em algum momento, vai agregar valor para que esse catálogo se expanda.
15:20Mas não para os livros, digamos assim, mais comerciais e que, de fato, existe uma procura mais relevante.
15:29Então, vamos lá.
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