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No dia 21 de julho, o Instituto Casa Funk-Se e a produtora Mix Retrô promoveram uma celebração histórica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, marcando o Dia Nacional do Funk e os 55 anos do Movimento Funk no Brasil. O evento destacou a importância cultural e social do gênero. Josias Teófilo opinou sobre o assunto.
Apresentador: André Marinho
Entrevistado: Josias Teófilo
Comentaristas: David de Tarso, Gustavo Mesquita, Mano Ferreira e Priscila Silveira

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00:00Virando completamente a página aqui do nosso Morning Show,
00:02às horas e dez minutos, pessoal, olha só.
00:03Vamos jogar aqui luz nos principais acontecimentos culturais,
00:07com uma das línguas mais afiadas, ácidas, do debate público brasileiro,
00:11que eu já vou estar recepcionando muito em breve,
00:13mas eu faço questão aqui de já dar o enquadramento inicial,
00:15até porque no mundo cultural, pessoal,
00:17teve Dia do Funk no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
00:21e uma ópera sobre a história da vereadora assassinada Marielle Franco,
00:25que, pelo visto, estreou em Brasília, na verdade, né?
00:27Ninguém melhor que o nosso cineasta também e especialista aqui em cultura,
00:32Josias Teófilo, sempre pontiagudo aqui nos comentários.
00:35Bom dia, Josias.
00:36Seria o cenário político, portanto, e popular
00:40invadindo os passos da cultura erudita?
00:43Pelo menos é como alguns têm tentado pintar
00:46esses dois últimos empreendimentos que eu acabei de citar.
00:49Estou ansioso para ouvir a tua opinião.
00:53Oi, André. Olá, ouvintes da Jovem Pan.
00:56Então, é o seguinte, eu achei que, primeiro de tudo,
01:00eu acho que cada macaco no seu galho, entendeu?
01:02Eu não entendo por que essa necessidade de legitimação do funk
01:07no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
01:10Isso é uma coisa absurda.
01:12O estado do Rio de Janeiro e o município
01:16têm uma grande quantidade de equipamentos culturais
01:19mais próprios para isso.
01:21Eu não entendo a necessidade,
01:23essa necessidade que o funk tem de se legitimar
01:27dentro de um espaço como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
01:32E isso está acontecendo também no Teatro Municipal de São Paulo,
01:34como eu já havia falado aqui para vocês, né?
01:37E o Teatro Municipal, ele tem sido
01:40desconstruído como um espaço
01:43feito para a música clássica e a ópera, né?
01:46E isso é uma coisa que está ficando muito claro
01:50na gestão de Sustenidos,
01:53que é a OES que cuida do Teatro Municipal de São Paulo
01:56e que já fez manifestação do MST no meio da ópera.
02:01Já teve o coro gritando Palestina Livre
02:05no meio da ópera, da ópera Nabucco, né?
02:09De Giuseppe Verde.
02:11Já teve projeção do Borba Gato pegando fogo
02:15no meio da ópera também.
02:18Então, olha só, nós no Brasil,
02:21nós temos muito poucos espaços dedicados
02:23à ópera e à música clássica.
02:25Esse espaço deviam ser preservados para esse fim,
02:29porque todos os outros...
02:30Você está vendo aí o Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
02:32Esse é o único espaço de ópera
02:34que tem em todo o centro do Rio,
02:36todo aquele entorno.
02:38Tem o Teatro Municipal do Rio,
02:40tem a Sala Cecília Meirelles.
02:41São os únicos lugares,
02:43todos os outros lugares.
02:44Tem música popular, tem funk.
02:46Então, é preciso preservar esses lugares
02:48para as suas funções iniciais.
02:52Agora...
02:52Mas não tem como ter ópera 365 dias no ano
02:56com apresentações, né?
02:57Qual a tua visão?
02:58Ah, tem sim.
02:59Tem?
02:59Falar a escala de Milão, tem.
03:00Tem demanda para isso no Brasil?
03:04Tem.
03:04Olha, eu estava conversando com o maestro russo
03:07que veio reger ao Zesp,
03:09Vasily Petrenko.
03:11E ele disse que ele viu o...
03:14Valery Gergev, que é o maestro russo,
03:18reger três aidas num dia só.
03:20Então, imagina,
03:21se ele reger é porque teve três apresentações de aida
03:24num só dia em Moscou, na Rússia, não é?
03:27E São Paulo já foi um lugar muito, muito mais envolvido
03:33nessa parte de música clássica.
03:34E, na verdade, São Paulo e o Rio de Janeiro têm tradição,
03:37não é só no Brasil, não, na América Latina,
03:40em termos de ópera.
03:41Os principais cantores vieram,
03:44você vê, no Teatro Municipal do Rio,
03:45já veio Maria Callas, Toscanini,
03:48os grandes da ópera.
03:50E, entretanto, hoje as óperas são poucas,
03:52muitas são desfiguradas,
03:55como o Guarani,
03:56que foi totalmente alterada por Krenak.
03:59Ele cortou a ópera,
04:01inseriu os índios cantando suas músicas,
04:03que não tem nada a ver com a ópera no meio.
04:05Então, dá sim, dá para ter ópera todo dia.
04:09Aliás, eu escrevi um artigo,
04:11bom você ter me perguntado isso, mano,
04:13porque eu escrevi um artigo dizendo o seguinte,
04:15que tem gente que pensa que cultura é coisa de fim de semana.
04:19Entendeu?
04:19Isso é um erro,
04:22porque se você vai na Europa,
04:23se você vai no Kennedy Center em Washington,
04:27lá tem concerto todo santo dia,
04:30365 concertos por ano.
04:33Se você vai no Alaskara de Milão,
04:35tem ópera todo dia,
04:36tem duas, três,
04:38e isso poderia estar aqui
04:39se os gestores da cultura
04:41não investissem em coisas tão...
04:44E o Estado não precisa investir.
04:46Por exemplo, o funk,
04:48essas apresentações de funk,
04:50elas já existem naturalmente,
04:52isso com investimento privado já acontece.
04:56A Prefeitura de São Paulo está investindo,
04:57está fazendo festival disso.
04:59O Ministério da Igualdade Racial
05:01fez um edital nacional
05:06para financiar mulheres do funk.
05:09É uma coisa assim,
05:10se não gastasse dinheiro com coisas tão absurdas
05:14e desproposetadas,
05:15poderiam gastar com coisas importantes
05:17que têm um aspecto de formação cultural.
05:20Há um conflito simbólico claro
05:23entre a linguagem do funk,
05:25que é marcada por sexualização,
05:27ostentação e o apelo popular
05:29contra o imaginário estético
05:31ali consagrado dentro do teatro municipal,
05:34da ópera, do balé,
05:35da música clássica.
05:36Então, a gente vê sair Vila Lobos,
05:40Baryshnikov, Maria Callas,
05:42entrando Valenska Popozuda,
05:44Denis DJ e MC Marcelo.
05:45Queria saber se a profecia do Josias
05:48de que teremos o ouro ansinfônico
05:50vai se realizar.
05:52Eu não duvidaria nada.
05:53Mas e sobre essa iniciativa
05:55em torno da vereadora assassinada
05:57Marielle Franco em Brasília, Josias?
05:58Homenagem justa
06:00ou instrumentalização da memória dela
06:04para um palanque político,
06:06de alguma maneira,
06:06com dinheiro público envolvido?
06:08Como é que você viu?
06:09Olha só, qualquer tema,
06:12qualquer história, a princípio,
06:14pode dar uma boa ópera.
06:17E ainda mais uma história trágica,
06:20como a dela,
06:21poderia dar sim uma boa ópera.
06:25A questão é que,
06:26a impressão que eu tenho pelo histórico
06:29de obras que estão sendo feitas
06:31e ligadas à Marielle,
06:32é que vai ser mais uma obra
06:33de pura militância ideológica.
06:35Então, o que importa
06:36não é uma existência pessoal,
06:40uma história trágica,
06:42que tragédia tem tudo a ver com ópera.
06:44A princípio, não tem problema nenhum nisso.
06:47Mas, ao que tudo indica,
06:49o que vai ser mais um exemplo
06:51de militância identitária
06:52usando esse espaço de legitimação
06:55cultural?
06:57Então, infelizmente,
06:59me parece que é isso.
07:02Jogo jogado, justo.
07:03Delegado Gustavo Mesquita,
07:04alguma pergunta aqui também
07:06sobre esse tema particular aqui?
07:09É, a gente assiste atônito, né?
07:12Esse tipo de medida aí.
07:14Para mim, é claramente
07:15mais uma tentativa aí
07:16de lacração, né?
07:18de levar aquilo que é
07:20uma manifestação popular,
07:22cultural, até válida, né, Josias?
07:24Mas para um espaço
07:25que não foi concebido para isso.
07:26A própria acústica de um espaço
07:28como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro
07:30ou de São Paulo
07:30foi feito ali para receber óperas,
07:32músicas eruditas
07:33e para receber manifestações
07:36daquilo que representa
07:36a verdadeira elevação espiritual
07:39do ser humano, né?
07:40Que definitivamente não está no funk.
07:43sem tirar...
07:44Deixando de lado aí
07:45até a questão das letras
07:46que fazem apologia
07:47ao crime, às drogas,
07:48desrespeito às mulheres.
07:49Mas o funk,
07:50enquanto estilo musical,
07:51estrutura musical,
07:52é extremamente pobre, né?
07:54A gente não pode liberar,
07:55nivelar por baixo
07:57a nossa cultura.
07:58E é isso que me parece.
07:59Não sei se você tem
08:00dessa maneira também, Josias.
08:03É, sinto.
08:04Eu acho o seguinte,
08:05e eu acho que o problema
08:06não é nem as letras sexuais, viu?
08:08Porque na ópera
08:10tem muito dessa coisa
08:11da sexualidade também.
08:12Eu vi, por exemplo,
08:13aqui no Teatro Municipal
08:14de São Paulo,
08:15a ópera Maria do Buenos Aires
08:16que se passa num puteiro.
08:18E a história de uma prostituta...
08:20Aluga um.
08:22Essa...
08:22Não tem problema nenhum
08:23nisso também.
08:25O problema é que,
08:27por exemplo,
08:27você vê num...
08:28Você vai na Sala São Paulo,
08:30no Teatro Municipal,
08:31as cadeiras,
08:32a acústica,
08:33tudo é preparado
08:34para uma apresentação
08:36mais delicada.
08:37Se você chega...
08:39Se chega a gente
08:40se mexendo muito,
08:42eu estou sentando
08:43e levantando...
08:43Se for uma coisa
08:44muito bruxa,
08:44começa a precarizar
08:47o equipamento cultural.
08:49Então,
08:50não foi feito para isso.
08:51Tem tantos outros...
08:52Por que que isso está sendo feito
08:54no Teatro Municipal do Rio de Janeiro
08:55e no Teatro Municipal de São Paulo?
08:57Olha o que fizeram
08:58no Teatro Municipal de São Paulo.
08:59pegaram uma moto,
09:00fizeram uma apresentação lá,
09:01colocaram uma moto
09:02no meio do teatro,
09:04passando,
09:05e uma moto fazendo barulho,
09:07e aquela...
09:08Para mais uma apresentação
09:10que não tem nada a ver
09:11com música clássica,
09:12com ópera,
09:13para o qual aquele teatro
09:14foi feito.
09:15Então,
09:16a gente já é tão carente disso.
09:18Poucos lugares do Brasil
09:19você pode ouvir ópera.
09:20Lá no Recife nem tem.
09:22São pouquíssimas e amadoras.
09:24Aqui em São Paulo tem,
09:26mas poucas,
09:27e agora estão ocupando
09:30cada vez mais esse espaço
09:31com militância,
09:32infelizmente.
09:34É, meus amigos.
09:35E dinheiro público aí
09:36financiando essa canonização
09:38para confortar
09:39um lado de uma militância, né?
09:41Mas estranho seria
09:42se fosse diferente, né, Josias?
09:43A gente só mais um dia normal
09:45nesse Brasilzão.
09:46A gente agradece demais aqui
09:47sempre a sua franqueza.
09:49Fica a sugestão aqui,
09:50talvez de bordel,
09:51de prostíbulo para você
09:52para a próxima vez.
09:54Mas a gente aprecia muito
09:55sempre a tua contundência aqui.
09:57Só registrar que tem
09:58a ópera da UFPE, viu, Josias?
10:00Olha só, olha só.
10:01Josias está muito radical.
10:03As novinhas querem sentar,
10:04querem sentar no teatro.
10:08Me perdoe, Josias.
10:09Mas enfim,
10:09estamos juntos, cara.
10:10Obrigado demais aqui
10:11sempre agregando e muito.
10:14Obrigado.
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