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00:00Ricardo descobre o secreto prohibido de Pia.
00:02No capítulo mais tenso de La Promesa,
00:05os secretos do passado saem à luz com consequências devastadoras.
00:10Mientras Catalina e Martina sigam enfrentadas por a amenaza do varão de Valladares,
00:16Leocadia se entromete com uma proposta inesperada.
00:19Está buscando paz ou poder.
00:22Pia, acorralada por os chantajes de Santos, já não pode mais.
00:25Mas é Ricardo quem rompe a barreira do medo e descobre o maior secreto de sua amada.
00:32Poderá sua amor resistir a verdade que Pia ha escondido durante anos?
00:37Toño organiza um picnic para conquistar a Enora,
00:40sem imaginar que suas boas intenções poderiam exponerlo ao ridículo.
00:45E quando Catalina se entera do castigo contra Lope,
00:49se enfrenta ao novo maiordomo, decidida a impedir uma injustiça.
00:52Por sua parte, Vera e Teresa comienzan a sospechar sobre a misteriosa desaparição do padre Samuel.
01:02Quando Maria Fernandes e Petra deciden falar,
01:06a verdade resulta mais perturbadora do que ninguém imaginava.
01:10Uma rede de mentiras, traiciones, amores impossíveis e passados enterrados
01:15estalla em um episódio que marcará um antes e um depois no palácio.
01:19Estás preparado para conhecer a verdade?
01:23O aire na promesa se havia vuelto denso, quase irrespirable.
01:28Não era só o calor sofocante de um julio que se negava a dar tregua,
01:33mas uma pesadez que emanava de as paredes,
01:35dos passinhos silenciosos e das miradas furtivas que se cruzaban no serviço e nos salões nobres.
01:40A calma, essa visitante esquiva e anhelada,
01:46parecia haver feito um pacto para não voltar jamais a pisar os dominos dos Luján.
01:52Cada dia traía consigo uma nova grieta nos cimentos da família,
01:56uma nova tormenta que amenazava com derrubar o todo.
01:58A brecha mais recente, e talvez a mais virulenta,
02:04era a que se havia aberto entre Catalina e Martina.
02:08Não era uma simples disputa familiar,
02:11mas um cisma que representava duas visões do mundo,
02:14duas formas de entender o honor e a supervivência.
02:18A amenaza do barão de Valladares,
02:21respaldado por uma veintena de nobres resentidos,
02:23pendia sobre suas cabezas como a espada de Damocles,
02:27e a gestão de essa amenaza as havia convertido em inimigas íntimas.
02:32Se encontraron na biblioteca,
02:35um lugar que normalmente invitava a reflexão e ao sosiego,
02:38mas que essa tarde parecia um campo de batalha.
02:42A luz dorada do atardecer se filtrava por os altos ventanais,
02:46iluminando as motas de polvo que danzaban no ar e o rosto encendido de ambas.
02:50Não pode ser tão ingenua,
02:54Martina,
02:55se se o Catalina,
02:57sua voz um látigo de frustração.
03:01Sostenia uma carta com o sello do barão,
03:03arrugando-la ligeramente em seu puño.
03:06Isto não é um jogo de sociedade.
03:09Este homem quer destruirnos,
03:11quer ver a nosso padre humilhado e a a promesa em la ruina.
03:15E a sua única resposta é apelar a uma hidalguia que ele claramente não posee.
03:20Martina,
03:21de pé junto à la gran mesa de caoba,
03:23irguiu a espalda.
03:26Su vestido de seda crujou com o movimento,
03:28um sonido delicado em meio da tensão.
03:32O que tu chamas ingenuidade,
03:34eu o chamo decência,
03:36Catalina.
03:37O que propones é...
03:39É uma rendição vergonzosa,
03:42ceder a sua chantage,
03:43oferecerle prebendas,
03:44acasso não entende que isso só demonstrará nossa debilidade?
03:48Nos tendrá em sua mão para sempre.
03:51Tem que enfrentá-lo com a cabeça alta,
03:54recordar-lhes a esses 27 nobles
03:56quem são os Lujã.
03:57Os Lujã estão a ponto de perderlo todo,
04:02replicou Catalina,
04:04dando um passo ao frente.
04:06O olor a cuero e papel viejo de a biblioteca parecia intensificasse.
04:11Tu cabeça alta não pagará as deudas
04:13nem calmará a nossos acreedores.
04:17Mi plan,
04:18por muito vergonzoso que te parezca,
04:20nos dá tempo.
04:21Nos permite negociar desde uma posição de aparente control,
04:24dividir a seus apoios,
04:26buscar suas debilidades.
04:28Tu plan nos leva directamente ao abismo,
04:31envueltas na bandera do orgulho familiar.
04:35É o orgulho o único que nos queda,
04:38exclamou Martina,
04:39sua voz temblando por primeira vez.
04:42Has cambiado,
04:44Catalina,
04:44desde que te ocupas de las fincas,
04:46só ves cifras e balances.
04:49Has olvidado o que significa nosso apellido.
04:52Te estás convirtendo
04:53en uma das as mulheres de negocios
04:55de as que a gente murmura por Madrid,
04:57sem escrúpulos,
04:58sem alma.
05:00A acusação golpeou a Catalina
05:02com a força de uma bofetada.
05:04Retrocediu,
05:05sua rostro perdendo o color.
05:07O dolor em seus olhos era profundo,
05:11uma herida aberta.
05:12E tu,
05:13susurrou,
05:14a voz rota,
05:15sigues vivendo em um conto de hadas
05:16que se desmoronou há muito tempo.
05:18Crees que o mundo se rige
05:22por reverencias e bailes de salão.
05:24Mas aí fora,
05:26Martina,
05:26há lobos.
05:28E o varão de Valladares
05:30é o líder da manada.
05:31Mientras tu te preocupas
05:33por o que dirão,
05:34eu tento evitar que nos devoren.
05:35O silencio que siguió
05:39foi pesado,
05:40cargado de palavras não dicas,
05:42de anos de afeto
05:42agora corroídos
05:43por o medo e o resentimento.
05:46Se miraron,
05:48não como prima e sobrina,
05:49mas como duas estranhas
05:51que compartilham
05:51um apellido
05:52e uma catástrofe inminente.
05:53A guerra não era
05:56só contra o varão.
05:58A guerra havia começado
05:59dentro dos muros
06:00da promesa.
06:03Ajena a esta batalla,
06:04pero librando
06:05a uma muito mais silenciosa
06:06e perversa,
06:07estava Leocadia.
06:10A donceira personal
06:12de a marquesa
06:12se movia por o palacio
06:14como uma sombra,
06:15seus olhos escuros
06:16registrándolo todo,
06:17seus oídos
06:18captando cada susurro,
06:19cada inflexão de voz.
06:21Não era uma simples
06:24trabalhada,
06:25era uma instituição,
06:26uma guardiana
06:27dos secretos da família,
06:28e como tal,
06:29sentia a inestabilidade
06:30como um temblor
06:31sob os seus pés.
06:33A disputa
06:34entre as jovens Luján
06:36não era um assunto trivial,
06:37era uma fractura
06:38no núcleo do poder,
06:39e uma casa dividida,
06:41como bem sabia,
06:42é uma casa condenada.
06:45Não podia permitirlo,
06:47sua própria segurança,
06:48sua posição,
06:50dependiam da fortaleza,
06:51de os Luján.
06:53Com uma determinação férrea
06:55que ocultava
06:56tras uma máscara
06:57de servil solicitud,
06:58tomou uma decisão.
07:01Não falaria com as mochinhas,
07:04falar com elas
07:04seria como tentar
07:05apagar um incendio
07:06com um abanico.
07:09Havia que ir a a fonte,
07:11ao único homem
07:12cuya palavra
07:12ainda podia,
07:14talvez,
07:14imponerse sobre a tormenta,
07:16o marquês de Luján.
07:17O encontrou em seu despacho,
07:22absorto em
07:22a contemplação
07:23de um mapa
07:23de suas tierras,
07:24aunque sua mirada
07:25estava perdida,
07:26como se viera
07:27em ele
07:27não a extensão
07:28de suas posesões,
07:29mas o mapa
07:30de seus fracasos.
07:31Sr. Marquês,
07:34com sua permissão,
07:35disse a Leocadia,
07:36sua voz suave
07:37como o terciopelo,
07:38desde o umbral.
07:41Alonso levantou a vista,
07:42seus olhos cansados
07:43refletindo
07:44uma profunda melancolia.
07:46Adelante,
07:47Leocadia.
07:48Ocurre algo
07:50com a marquesa?
07:51A senhora marquesa
07:53descansa.
07:54Gracias a Deus,
07:55respondeu ela,
07:56adentrándose
07:56na estancia
07:57e cerrando
07:58a porta
07:58com um cuidado
07:59exquisito.
08:01Sou eu
08:02quem se atreve
08:03a importunar-le.
08:04É um atrevimento,
08:05o sei,
08:06senhor,
08:07mas sirvo
08:07a esta casa
08:08desde antes
08:09de que a senhora
08:09Catalina
08:10nascera.
08:12E me duele
08:13em alma
08:14ver o que está
08:14sucedendo.
08:15O marquês
08:16frunciou
08:16o ceño.
08:18A que te refieres?
08:20Leocadia suspirou,
08:21uma atuação
08:22magistral
08:22de congoja
08:23e lealtade.
08:24A senhora
08:24Catalina
08:25e a senhora
08:26Martina,
08:27senhor.
08:29Su enfrentamento
08:30já não é
08:30uma diferença
08:31de opiniões,
08:32é uma herida
08:33que se encona.
08:36As eu ouço,
08:37suas palavras
08:37são dadas,
08:38se estão destrozando
08:39e, com elas,
08:41estão desgarrando
08:41o coração
08:42de esta família.
08:45Alonso
08:45se passou
08:46uma mão
08:46por o rosto,
08:47o peso
08:47do mundo
08:48sobre seus hombros.
08:49São jovens
08:50e testarudas.
08:53Ambas
08:53creen
08:53ter a razão.
08:55
08:55passará.
08:56Não,
08:56senhor
08:56Marquês,
08:57com todo
08:58o respeito,
08:59acho que
08:59esta vez
08:59não passará,
09:00insistiu
09:01e a senhora
09:14A Sra. Catalina, em seu afão por proteger o patrimônio, está disposta a sacrificar
09:20principios que a Sra. Martina considera sagrados.
09:24E a Sra. Martina, defendendo o honor, poderia levar a casa à bancarrota.
09:32Não há ponto meio, fez uma pausa, deixando que suas palavras calaran.
09:36E o pior, senhor, é que há quem se beneficia de esta divisão.
09:41Esta última frase foi a clave, o dardo envenenado que buscaba um blanco preciso.
09:47O marquês la mirou fixamente.
09:50—¿Qué queres dizer?
09:51Un palacio dividido é um palacio débil, continuou Leocadia,
09:55bajando a voz até convertirla em um murmúio confidencial.
09:59Os inimigos de fora, como esse varão, se frotam as mãos.
10:04E os de dentro, bueno, sempre há quem prefere pescar em rio revuelto.
10:08—No acuso a nadie, senhor, lejos de mí.
10:13Só digo que a desunión é a peor de as consejeras.
10:17—Usted é o marquês de Luján.
10:19Su voz é a única que pode traerlas de volta a la razón.
10:23Antes de que seja demasiado tarde, antes de que o daño seja irreparable,
10:28se retirou com uma leve inclinación, deixando ao marquês sumido em seus pensamentos.
10:32—Habia sembrado a semilla de a urgencia e a sospecha.
10:38Su objetivo não era só a reconciliação das primas.
10:42Su objetivo era recordar ao marquês a sua própria autoridade,
10:46incitarle a exercerla, a reafirmar o controle.
10:51Porque em um palácio firmemente governado por Alonso,
10:54sua própria influência, através da marquês, se mantenia intacta.
10:58Leocadia não mediava por a família, mediava por o poder.
11:03E naquela partida de ajedrez, acabava de mover uma peça crucial.
11:09Mientras em os salões nobles se librava uma guerra de estratégias e orgulhos,
11:13em as entrañas da promesa, na zona do serviço,
11:16se desenvolveu um drama mais visceral,
11:19uma tortura psicológica que tinha a Pia Adarre como vítima.
11:22Desde que Gregorio havia sido encerrado e Santos,
11:27o filho do conde de Ayala,
11:28havia chegado como um ciclão de malevolência,
11:31a vida de Pia se havia convertido em um infierno a camara lenta.
11:37Santos poseia uma crueldade refinada.
11:39Não precisava gritos nem golpes.
11:41Su arma era a humilhação constante,
11:44a sonrisa ladina, o susurro venenoso ao passar.
11:47Desfrutava viéndola encogerse,
11:51vendo o medo parpadear em seus olhos,
11:53e sobre todo,
11:54desfrutava blandindo o secreto que havia descobrido,
11:57a espada que pendia sobre o frágil equilibrio de a vida de Pia.
12:02Aquela tarde, Pia pulia a plata no office,
12:06suas mãos moviéndose com uma precisão mecânica
12:08que sua mente não acompanhava.
12:12Estava agotada.
12:13O pequeno Dieguito havia passado mal a noite,
12:15e ela apenas havia dormido,
12:17acunada por pesadillas em que a cara de Santos
12:20se superpunia a la de seu antigo torturador,
12:22o varão de linaja.
12:26Vaya, vaya,
12:27mas se é a virtuosa senhora Adarre,
12:29a voz de Santos resonou a sua espalda,
12:32untuosa e burlona.
12:35Pia se tensou,
12:36mas não se deu a volta.
12:37Trabajando duro,
12:39sempre tão diligente,
12:40é uma qualidade admira em uma mulher com
12:42Tantas coisas que ocultar.
12:45Pia apretou a mandíbula.
12:47Por favor,
12:48deixe-me em paz.
12:49Deixar-te em paz.
12:50Riu-el,
12:51acercándose.
12:54Pia podia oler su loción cara,
12:56um aroma que se le antojaba nauseabundo.
12:58Mas se só estamos conversando.
13:02Me pregunto que pensarían todos aqui,
13:04en esta casa tan decente,
13:06se supieran la verdade.
13:08Se supieran de donde vienes realmente.
13:11Se supieran que tu apariencia de mártir
13:13é só uma fachada.
13:16Se inclinou até que a sua boca
13:17estuvo perto de seu oído.
13:19Me pregunto que pensaría o Sr. Ricardo,
13:21ese homem que te mira como se fueras uma santa.
13:23O nome de Ricardo foi como uma aguja
13:28em o coração de Pia.
13:29Era seu único ancla,
13:31seu único refugio em essa tormenta.
13:34A ideia de que ele supiera a verdade,
13:37toda a verdade,
13:38a terrorizava.
13:39Não sabe de o que fala,
13:40susurrou ela,
13:42sua voz unílo.
13:45Oh,
13:45creo que sim,
13:46replicou Santos,
13:47seu tono volvendo-se gélido.
13:49Sé mais do que imaginas.
13:51E cada dia que pasas aqui,
13:54desafiándome con tu silencio,
13:56mi paciencia se agota.
13:58E quando se agote,
14:01esta plateria será lo único que brille en tu vida,
14:03porque o resto será pura oscuridade.
14:07Te lo garantizo.
14:09Se enderezou,
14:10contemplando sua obra.
14:11Pia estava temblando,
14:13seus nudillos blancos por a força
14:15com que agarraba un candelabro de plata.
14:16A victoria de Santos era verla así,
14:21rota e aterrorizada.
14:22Con unha última sonrisa de suficiencia,
14:25se marchou,
14:26deixando-la sola con o eco de sus amenazas.
14:29Pero non estaban solos,
14:31Ricardo,
14:32o ex-mayordomo,
14:34agora relegado a tareas menores,
14:35pero sempre con un ojo puesto
14:37en o bienestar de Pia,
14:38había presenciado a escena
14:39desde o outro extremo do pasillo.
14:41Non había ouído as palavras exactas,
14:46pero non necessitaba facerlo.
14:47Había visto a postura depredadora de Santos,
14:50a forma en que se cernía sobre Pia.
14:53Había visto o terror en o rostro de ella,
14:56a forma en que su corpo se había contraído
14:58como se esperara un golpe.
15:01E unha furia fría,
15:03unha rabia primigenia,
15:05comenzou a hervir en su interior.
15:07Había tolerado a arrogancia de Santos.
15:08Había soportado su presencia
15:12por el bien de la paz en el servicio.
15:14Pero isto era diferente.
15:18Isto era unha cacería,
15:19e ele non iba a quedarse de brazos cruzados
15:21mentre o lobo acorralaba
15:22a a única persona
15:23que había logrado derretir
15:25o hielo de su corazón.
15:27Su oportunidade chegou pouco despues.
15:30Encontrou a Santos en la bodega,
15:32sirviéndose unha copa de vino del marqués
15:34como se fuera o dueño e señor de la casa.
15:38La arrogancia del joven era ilimitada.
15:41Santos,
15:42la voz de Ricardo fue baja,
15:44pero cortou el aire como un cuchillo.
15:48Santos se girou lentamente,
15:49unha ceja arqueada.
15:51Si, Ricardo,
15:52vienes a limpiar alguna mancha imaginaria?
15:55He oído que ahora te dedicas
15:56a esas labores tan
15:57humildes.
16:00Ricardo ignorou la provocación.
16:02Se acercou,
16:03su cuerpo bloqueando la única salida.
16:07Aléjate de pía,
16:08no te le vuelvas a acercar,
16:10no le vuelvas a dirigir la palabra.
16:13Santos soltou unha carcajada,
16:15unha risa genuina e despectiva.
16:17Me estás dando órdenes tú a mi?
16:18Un lacayo venido a menos?
16:20Es conmovedor,
16:21de verdad.
16:23Tu instinto protector es,
16:25adorable,
16:26pero estás muy equivocado
16:27si crees que puedes decirme
16:29lo que tengo que hacer.
16:31No es una orden,
16:33es una advertencia,
16:34replicou Ricardo,
16:36sus ojos clavados en los de Santos,
16:38dos trozos de acero oscuro.
16:41No sabes con quien te estás metiendo.
16:43Oh,
16:43creo que el que no sabe nada aquí eres tú,
16:46se burlou Santos,
16:47dando un sorbo a su vino.
16:51Dejou la copa con un chasquido,
16:53tu ves a una viuda frágil,
16:54a una pobre mujer maltratada por la vida.
16:58Pero yo sé lo que hay debajo,
17:00y te aseguro que no es ninguna santa,
17:03cierra la boca.
17:04Gruñou Ricardo,
17:05dando un paso más.
17:08La tensión en la bodega era asfixiante,
17:10o que,
17:11me vas a pegar?
17:12Lo retou Santos,
17:13disfrutando del momento.
17:16Una chispa de pura maldad brillou en sus ojos,
17:19quería herir a Ricardo,
17:21y sabía exactamente cómo hacerlo.
17:25Quería destruir esa imagen idealizada que el mayordomo tenía de pía.
17:29Pregúntale,
17:30pregúntale a tu preciosa pía por qué tiembla cada vez que me ve.
17:33No es solo por mí,
17:35es por lo que yo sé de ella.
17:37He dicho que te calles,
17:39explotó Ricardo,
17:41empujándolo contra una barrica de roble.
17:42Las botellas tintinearon peligrosamente.
17:48Santos,
17:48enfurecido por el contacto físico,
17:50se revolvió.
17:53La rabia le hizo perder toda precaución,
17:56todo control.
17:57Quería demolerlo.
17:59Pregúntale por el niño.
18:00Gritó,
18:01su voz rebotando en las paredes de piedra.
18:03Pregúntale por el bastardo que abandonó para salvar su propio pellejo.
18:08Pregúntale por el fruto de su pecado con el hombre que la tenía encerrada.
18:12Esa es tu santa,
18:14Ricardo,
18:15una mujer que dejó morir a su propio hijo.
18:18El mundo de Ricardo se detuvo.
18:21Las palabras de Santos cayeron en el silencio de la bodega como piedras en un pozo sin fondo.
18:25Niño,
18:28bastardo,
18:29abandonó,
18:30dejó morir,
18:31cada palabra era un martillazo en su cráneo.
18:36Miró a Santos,
18:37que ahora respiraba con dificultad,
18:39con una expresión de triunfo salvaje en el rostro,
18:42y luego su mirada se perdió,
18:44buscando algo que no estaba allí.
18:48Soltó a Santos bruscamente,
18:50como si quemara,
18:51dio un paso atrás,
18:52luego otro,
18:53la furia había desaparecido,
18:54reemplazada por un vacío helado,
18:57una confusión tan profunda que le robó el aliento.
19:01Se giró sin decir una palabra más y salió de la bodega,
19:05dejando a un Santos triunfante pero inquieto.
19:10Ricardo caminaba por los pasillos como un autómata.
19:13Los sonidos del palacio,
19:14las voces de los otros criados,
19:16el chirrido de una puerta,
19:18todo le llegaba como un eco lejano.
19:22Su mente era un torbellino,
19:23no podía ser verdad,
19:25tenía que ser una mentira vil,
19:27una invención de un miserable como Santos para hacerle daño.
19:31Pero una parte de él,
19:33una parte fría y lógica,
19:35recordaba el terror genuino en los ojos de Pía.
19:39Su miedo no era el de una simple intimidación,
19:42era el miedo de quien guarda un secreto terrible.
19:45La encontró en la cocina de servicio,
19:49donde ella había buscado refugio.
19:51Estaba sentada en un taburete,
19:53pálida como la cera,
19:55mirando un punto fijo en la pared.
19:56Cuando él entró,
20:00ella levantó la vista y lo supo.
20:02Supo que él sabía,
20:03no sabía cómo,
20:04pero la expresión de su rostro,
20:06esa mezcla de dolor y desconcierto,
20:09se lo dijo todo.
20:09Ricardo,
20:13susurró ella,
20:14él cerró la puerta,
20:15el silencio entre ellos era un abismo.
20:19Ricardo la miró,
20:20y por primera vez,
20:21no vio solo a la mujer que amaba,
20:23sino a una extraña con un pasado
20:25que él desconocía por completo.
20:29Pía,
20:29dijo él,
20:30y su propia voz le sonó extraña.
20:33Le costaba respirar,
20:34he hablado con Santos.
20:37Ella cerró los ojos,
20:38una lágrima solitaria
20:39deslizándose por su mejilla.
20:41Era una confesión silenciosa.
20:45Me ha,
20:45me ha contado algo,
20:47continuó él,
20:48la voz quebrada.
20:49Necesito,
20:50necesito que me digas que es mentira.
20:54Mírame a los ojos
20:55y dime que es un mentiroso.
20:57Pía abrió los ojos,
20:58y la devastación que Ricardo vio en ellos
21:00fue peor que cualquier confirmación verbal.
21:04Estaban llenos de una pena
21:05tan antigua y profunda
21:06que le partió el alma.
21:08No puedo,
21:08susurró ella.
21:12Ricardo sintió que el suelo
21:13se abría bajo sus pies.
21:15Se apoyó en la mesa,
21:16necesitando un soporte físico.
21:19Un niño,
21:21Pía,
21:21¿de qué niño hablaba?
21:23Y entonces,
21:23el dique se rompió.
21:25Pía,
21:26que había soportado la humillación,
21:28la amenaza
21:28y el miedo en silencio,
21:30se derrumbó.
21:32Los sollozos la sacudieron,
21:34violentos y desgarradores.
21:36Eran los sollozos de años
21:37de dolor reprimido,
21:39de culpa y de una pérdida inenarrable.
21:43Ricardo,
21:44a pesar de su propia conmoción,
21:46reaccionó por instinto.
21:47Se acercó y,
21:49torpemente,
21:50la rodeó con sus brazos.
21:53Ella se aferró a él,
21:54su rostro enterrado en su pecho,
21:56y lloró hasta que pareció
21:57que no le quedaban más lágrimas.
21:59Cuando por fin pudo hablar,
22:02su voz era un murmullo roto,
22:04apenas audible.
22:06Fue hace muchos años.
22:09Antes de venir a la promesa,
22:10yo servía en casa del varón de linaja.
22:13El nombre salió de sus labios
22:14como un veneno.
22:17Él,
22:17no era un buen hombre,
22:19era un monstruo,
22:20me tenía,
22:21a su merced,
22:21nadie sabía lo que pasaba
22:23en esa casa.
22:23Ricardo la apretó más fuerte,
22:27su corazón encogiéndose
22:28de ira y compasión.
22:30Me quedé embarazada,
22:31continuó Pía,
22:32cada palabra una tortura.
22:36Estaba aterrorizada.
22:37Él me dijo que si alguien se enteraba,
22:39me mataría,
22:40a mí y al niño.
22:43Me obligó a ocultarlo.
22:44Cuando llegó el momento del parto,
22:46fue en secreto,
22:47en una cabaña abandonada en el bosque.
22:51Sola,
22:51fue un niño,
22:52Ricardo.
22:53Un niño precioso.
22:55Hizo una pausa,
22:56ahogada por el recuerdo.
22:59El varón apareció,
23:01me lo arrebató de los brazos,
23:03me dijo que se desharía de él,
23:05que era una vergüenza
23:06que debía ser borrada.
23:09Yo le supliqué,
23:10le rogué,
23:11pero él se río.
23:12Me dijo que el niño había nacido débil,
23:14que no sobreviviría a la noche,
23:16y que era mejor así.
23:18Me dejó allí,
23:20sangrando,
23:21creyendo que mi hijo había muerto.
23:22Ricardo cerró los ojos,
23:24una imagen de pesadilla formándose en su mente.
23:28La crueldad del mundo le pareció infinita en ese momento.
23:32Huí de allí esa misma noche,
23:34concluyó Pía,
23:35su voz vacía.
23:38Llegué a la promesa,
23:39enterré ese recuerdo tan hondo como pude,
23:41Ricardo.
23:42Me convencí a mí misma de que mi hijo estaba en el cielo,
23:45de que era un angelito.
23:48Era la única forma de seguir viviendo.
23:51Durante años,
23:52he vivido con esa culpa,
23:54con esa pena.
23:57Pensando que estaba muerto,
23:59levantó la cabeza y lo miró,
24:00sus ojos rojos e hinchados,
24:02pero con una nueva y terrible luz en ellos.
24:04Pero Santos,
24:08él lo sabe,
24:09su familia era vecina del varón.
24:11De alguna manera,
24:12se enteró.
24:14Y me dijo algo que ha destrozado mi mundo de nuevo.
24:18Ricardo la miró,
24:19expectante,
24:20el corazón en un puño.
24:23Me dijo,
24:24susurró Pía,
24:25que el varón mintió,
24:26que mi hijo no murió,
24:28que se lo entregó a unos campesinos,
24:30o a un hospicio,
24:31no lo sé.
24:31Me dijo,
24:35que mi hijo está vivo.
24:36El secreto más oscuro de Pía,
24:38no era sólo que había tenido un hijo,
24:40en circunstancias terribles.
24:42Era que había pasado años,
24:44llorando a un niño muerto,
24:45que,
24:46quizás,
24:47en algún lugar del mundo,
24:48seguía vivo.
24:50La amenaza de Santos,
24:52no era sólo revelar su pasado.
24:54Era usar la esperanza,
24:55más increíble y dolorosa,
24:57como un arma de tortura.
25:00Ricardo la miró,
25:01y toda la confusión,
25:02toda la conmoción,
25:04se disolvieron,
25:05reemplazadas por una emoción abrumadora y feroz.
25:08Una oleada de protección tan intensa
25:10que lo dejó sin aliento.
25:13Ya no veía a una extraña.
25:14Veía a Pía,
25:15a su Pía,
25:16una mujer que había sobrevivido al infierno
25:18y que ahora se enfrentaba
25:20a una encrucijada imposible.
25:24No había juicio en su mirada,
25:25sólo una determinación inquebrantable.
25:28Pía,
25:29dijo,
25:29su voz firme por primera vez.
25:31No estás sola en esto.
25:34Te lo juro por mi vida.
25:36No volverás a estar sola nunca más.
25:39El secreto no los había separado.
25:41Los había unido de una forma
25:42que ninguno de los dos
25:43habría podido prever.
25:46La batalla de Pía era ahora su batalla.
25:49Y Ricardo,
25:50el hombre silencioso y reservado,
25:52estaba dispuesto a ir a la guerra por ella.
25:54Lejos de esa tormenta de pasiones y secretos,
26:00otra historia,
26:01mucho más tierna y frágil,
26:02intentaba florecer.
26:03Toño,
26:04el lacayo de buen corazón y sonrisa fácil,
26:09se había propuesto una misión que le parecía más intimidante que servir una cena para la realeza.
26:15Conquistar el corazón de Enora.
26:16La joven doncella era un enigma,
26:21un jardín cerrado con muros altos.
26:23Era eficiente,
26:24silenciosa y mantenía una distancia cortés pero firme con todos.
26:28Pero Toño había visto atisbos de algo más tras esa fachada.
26:33Una chispa de humor,
26:35una sombra de tristeza,
26:36una inteligencia aguda.
26:40Y se sentía irremediablemente atraído por el misterio.
26:43Decidido a romper esa barrera,
26:45concibió un plan de una sencillez abrumadora.
26:48Un picnic.
26:50No había nada como el aire libre,
26:53un poco de buena comida
26:54y una conversación sin las paredes opresivas del palacio
26:57para que dos personas se conocieran de verdad.
27:01Pasó la mañana nervioso,
27:03reuniendo los elementos con el cuidado de un general preparando una campaña.
27:09Consiguió que Lope le preparara una tortilla de patatas perfecta,
27:12jugosa y dorada.
27:16Añadió un trozo de queso curado,
27:18un poco de chorizo,
27:19una hogaza de pan crujiente
27:21y dos manzanas rojas y brillantes.
27:22Lo envolvió todo en un paño de lino limpio
27:27y lo guardó en una cesta de mimbre.
27:29Abordó a Enora en el pasillo del servicio,
27:32su corazón latiendo con fuerza contra sus costillas.
27:34Enora, dijo, tratando de que su voz sonara casual.
27:40¿Tienes un momento?
27:41Ella se detuvo, su expresión neutra, expectante.
27:46Dime, Toño, verás, he pensado.
27:49Balbuceó él, sintiéndose un completo idiota.
27:52El tiempo está agradable esta tarde,
27:54una vez que baje el sol.
27:55Y, bueno, he preparado algo de comida.
28:01Me preguntaba si, si te gustaría venir conmigo.
28:04A la colina que hay junto al río.
28:07Para, bueno, para comer algo y charlar.
28:10Un picnic.
28:12Enora lo miró durante un largo segundo.
28:14Toño contuvo la respiración.
28:16Esperaba una negativa educada,
28:18una excusa sobre el trabajo.
28:19Para su inmensa sorpresa,
28:22una levísima curva se dibujó en sus labios.
28:25Casi imperceptible,
28:26pero sin duda una sonrisa.
28:29Un picnic, repitió ella,
28:32como si saboreara la palabra.
28:34Hace mucho tiempo que nadie me invita a un picnic.
28:38Hubo una nota de algo parecido a la melancolía en su voz.
28:41Luego, lo miró directamente a los ojos.
28:45Me gustaría mucho, Toño.
28:48Gracias.
28:48El alivio que sintió Toño fue tan grande
28:51que casi se tambaleó.
28:54Fantástico, digo, estupendo.
28:57¿Después de que terminemos nuestras tareas, entonces?
29:01Después de terminar las tareas,
29:03confirmó ella,
29:04y con un leve asentimiento,
29:05continuó su camino,
29:07dejando a Toño con una sonrisa tonta en el rostro
29:09y la cesta de mimbre en la mano
29:11como si fuera el trofeo más preciado del mundo.
29:14El lugar que eligió era idílico.
29:16Una suave colina cubierta de hierba
29:19que descendía hacia el río Guadaira,
29:21a la sombra de un viejo roble.
29:22El sol de la tarde teñía el cielo de naranjas y púrpuras
29:28y una brisa suave traía el aroma del campo.
29:30Extendieron el mantel sobre la hierba y se sentaron.
29:36Al principio,
29:37el silencio era un poco incómodo,
29:39solo roto por el sonido de los grillos
29:41y el murmullo del agua.
29:44Pero la sencillez de la comida
29:45ayudó a romper el hielo.
29:47Lope es un artista,
29:48dijo en hora después de probar la tortilla.
29:50Esto está delicioso,
29:54se lo diré,
29:55se pondrá muy contento,
29:57respondió Toño,
29:58agradecido por el cumplido como si fuera suyo.
30:02No eres de por aquí, ¿verdad?
30:04Tu acento,
30:05es diferente.
30:07En hora negó con la cabeza,
30:08su mirada perdida en el río.
30:12No,
30:12soy del norte,
30:13de un pueblo pequeño cerca de la costa.
30:16Debe ser muy diferente a Andalucía.
30:17Lo es,
30:21dijo ella,
30:21allí todo es más verde,
30:23y huele a sal,
30:24a veces lo echo de menos.
30:27Fue la primera vez que Toño la oía hablar de sí misma
30:29de una forma tan personal,
30:31¿y por qué viniste tan lejos?
30:33Se atrevió a preguntar él con delicadeza.
30:37La expresión de en hora se cerró un poco,
30:40como una flor que se repliega al anochecer.
30:45Las circunstancias de la vida,
30:46a veces uno no elige su camino,
30:49simplemente lo anda.
30:52Toño entendió que había tocado un tema sensible
30:54y cambió de rumbo.
30:56Bueno,
30:57yo soy de aquí al lado.
31:00Mi familia tiene una pequeña huerta.
31:02Mi padre siempre dice que tengo más maña
31:04para servir platos que para plantar lechugas,
31:07dijo con una sonrisa autocrítica.
31:11Supongo que tenía razón.
31:13Hablaron de cosas sencillas,
31:14de sus tareas en el palacio,
31:16de las manías de los señores,
31:18de los pequeños cotilleos del servicio.
31:22Toño le contó anécdotas divertidas,
31:24y para su deleite,
31:25consiguió arrancarle a en hora un par de risas genuinas,
31:29un sonido claro y cristalino
31:30que le pareció la música más bonita del mundo.
31:32Ella, a su vez,
31:36demostró ser una observadora increíblemente perspicaz.
31:40Hablaba con una inteligencia y una madurez que lo sorprendían.
31:45No era sólo una cara bonita y silenciosa,
31:47había un mundo entero dentro de ella.
31:50Cuando el crepúsculo dio paso a las primeras estrellas,
31:53recogieron sus cosas.
31:54Mientras caminaban de vuelta a la promesa en la penumbra,
31:59sus manos se rozaron accidentalmente.
32:02Fue un contacto fugaz,
32:04eléctrico.
32:05Ninguno de los dos dijo nada,
32:07pero algo había cambiado.
32:09El hielo no se había roto por completo,
32:12pero sin duda,
32:13había aparecido una primera grieta.
32:15Toño no sabía qué tristezas ocultaba en hora,
32:20pero por primera vez,
32:21sentía que quizás,
32:22algún día,
32:23ella le permitiría asomarse a su jardín secreto.
32:27El intento no había sido en vano,
32:30había sido el comienzo de algo.
32:32Catalina,
32:33todavía dolida por su enfrentamiento con Martina,
32:35encontró una nueva causa
32:37en la que volcar su energía combativa.
32:40La noticia le llegó a través de Simona y Candela,
32:44las cocineras,
32:45que hablaban en susurros angustiados.
32:47Cristóbal,
32:48el nuevo y estricto mayordomo
32:49que había reemplazado a Ricardo,
32:51estaba considerando degradar a Lope.
32:56Devolverlo a su antiguo puesto de Lacayo.
32:58La razón era simple y burocrática.
33:01Lope había sido contratado como Lacayo,
33:03y su ascenso a cocinero
33:04fue una solución temporal que,
33:06para un hombre tan apegado a las normas como Cristóbal,
33:09era una irregularidad que debía ser corregida.
33:12Para Catalina,
33:15esto era inaceptable.
33:16Lope no era solo un cocinero.
33:18Era un talento,
33:20un artista culinario
33:21que había elevado el nivel de la cocina de la promesa.
33:24Y lo que era más importante,
33:27era un buen hombre
33:27que se había ganado el respeto y el cariño de todos.
33:30Degradarlo no era solo una injusticia,
33:34sino una estupidez.
33:36A pesar de la tensión con su padre y su prima,
33:38y sintiendo que todo a su alrededor se desmoronaba,
33:41se negó a quedarse de brazos cruzados.
33:46Luchar por Lope era una forma de luchar por la cordura,
33:49por la meritocracia frente a las reglas absurdas.
33:51Encontró a Cristóbal en el despacho de mayordomía,
33:57revisando unos libros de contabilidad
33:59con una concentración casi monacal.
34:02El hombre era la antítesis de Ricardo.
34:05Mientras Ricardo gobernaba con una autoridad tranquila
34:08y un profundo conocimiento de las personas,
34:11Cristóbal lo hacía con el libro de reglas en la mano.
34:13Cristóbal, necesito hablar con usted,
34:17dijo Catalina, entrando sin llamar,
34:20su tono directo y sin rodeos.
34:24Cristóbal levantó la vista,
34:26sus ojos pequeños y analíticos
34:27tras unas gafas de montura fina.
34:31Señorita Catalina, ¿en qué puedo servirla?
34:34He oído un rumor que espero que sea falso,
34:36fue directa al grano.
34:39¿Qué está pensando en devolver a Lope
34:41a su puesto de la calle?
34:42El mayordomo no se inmutó.
34:46Cerró el libro de contabilidad con parsimonia.
34:49No es un rumor, señorita.
34:51Es una reorganización necesaria.
34:55El joven fue contratado como lacayo.
34:57Su puesto en la cocina fue
34:58una anomalía permitida por mi predecesor.
35:03Mi deber es restaurar el orden
35:04y la estructura apropiada en el servicio.
35:07¿Orden?
35:08¿Estructura?
35:09Replicó Catalina, incrédula.
35:12¿Llama orden a desperdiciar
35:14el mayor talento culinario
35:15que ha pisado esta casa en años?
35:18Lope es un cocinero excepcional.
35:19Los propios marqueses han alabado sus platos.
35:24Ha demostrado con creces su valía.
35:27Devolverlo a servir copas sería un insulto
35:29y una pérdida para todos.
35:30Con el debido respeto, señorita,
35:35sus habilidades culinarias
35:37no son el punto en cuestión.
35:38Argumentó Cristóbal con una calma exasperante.
35:42El punto es la disciplina
35:44y el cumplimiento de las funciones
35:46para las que cada miembro del servicio
35:47fue contratado.
35:50Si empezamos a hacer excepciones,
35:53se crea un precedente peligroso.
35:55Pronto los mozos de cuadra
35:56querrán ser jardineros
35:57y las doncellas, cocineras.
36:00Pero esto no es una excepción,
36:03es reconocer el mérito,
36:04insistió Catalina,
36:06apoyando las manos en el escritorio de él.
36:10Lope se ha ganado ese puesto.
36:12Ha trabajado, ha estudiado,
36:14ha demostrado ser mejor
36:15que cualquier otro cocinero
36:16que pudiéramos contratar.
36:18¿Qué clase de mensaje envía a los demás
36:21si el esfuerzo y el talento
36:22no son recompensados,
36:24sino castigados en nombre
36:25de una regla absurda?
36:27No es un castigo,
36:30es una reasignación,
36:31corrigió él,
36:32impasible,
36:34llámelo como quiera.
36:35Es una injusticia,
36:37concluyó Catalina,
36:38su voz vibrando de pasión.
36:42Le pido,
36:43no,
36:43le exijo,
36:44que reconsidere su decisión.
36:46Hable con mi padre
36:47si es necesario.
36:50Pero no cometa este error,
36:52Lope se ha ganado
36:52el respeto de todos,
36:54desde el último lacayo
36:55hasta los señores.
36:57Y ese respeto
36:59debería valer más
37:00que una anotación
37:00en un libro de contratación.
37:02Se dio la vuelta
37:03y salió del despacho,
37:05dejando a Cristóbal
37:05en silencio.
37:08No sabía
37:08si sus palabras
37:09habían servido de algo.
37:10El nuevo mayordomo
37:11era un muro de piedra,
37:13un hombre que parecía
37:14tener más fe en la tinta
37:15y el papel
37:16que en las personas.
37:19Pero la batalla
37:20estaba declarada.
37:21Lope se había convertido
37:22en otro símbolo
37:23en la guerra de Catalina
37:24contra un mundo
37:25que se negaba
37:25a regirse
37:26por la lógica
37:26y la justicia.
37:30Y ella no pensaba rendirse.
37:32Mientras tanto,
37:33en otra parte del palacio,
37:35una preocupación
37:35de naturaleza
37:36muy diferente
37:37comenzaba a tomar forma.
37:41Hacía días
37:41que nadie veía
37:42al padre Samuel,
37:43el sacerdote,
37:44que se había convertido
37:45en una presencia
37:46constante
37:47y reconfortante
37:48en la promesa,
37:49había desaparecido
37:50sin dejar rastro.
37:52Al principio,
37:54nadie le dio importancia.
37:55Se suponía
37:56que habría ido
37:57a visitar
37:57otra parroquia
37:58o que estaría
37:59en algún retiro espiritual.
38:02Pero los días pasaban
38:03y su ausencia
38:04se volvía
38:05cada vez más extraña.
38:06Fueron Vera
38:07y Teresa
38:07quienes primero
38:08verbalizaron
38:09la inquietud
38:09que flotaba
38:10en el aire.
38:13Se encontraron
38:14mientras tendían
38:14la colada
38:15en el patio trasero,
38:16bajo un sol
38:17que ya empezaba
38:17a declinar.
38:20Teresa
38:20comenzó Vera
38:21doblando
38:22una sábana
38:23con cuidado.
38:24¿Tú has visto
38:24al padre Samuel
38:25últimamente?
38:28Teresa frunció
38:29el ceño,
38:30deteniéndose
38:30con una pinza
38:31de madera
38:31en la mano.
38:32¿Ahora
38:33que lo dices?
38:35No,
38:35hace días
38:36que no lo veo.
38:37Pensé
38:37que estaría
38:38de viaje.
38:39Yo también,
38:39asintió Vera,
38:40pero es extraño
38:41que no se despidiera
38:42de nadie.
38:45Siempre
38:45era tan atento
38:46y la madre
38:47superiora
38:47del convento
38:48de Luján
38:48preguntó
38:49por él ayer.
38:50No saben
38:52nada.
38:53La semilla
38:54de la preocupación
38:54comenzó
38:55a germinar.
38:56Un sacerdote
38:57no se esfuma
38:58sin más.
39:00Su ausencia,
39:01que antes
39:01era un simple hueco,
39:03ahora adquiría
39:03un matiz
39:04siniestro.
39:05¿Le habría
39:06ocurrido algo?
39:07¿Se habría
39:07puesto enfermo
39:08o algo peor?
39:10Su conversación,
39:12llevada por la brisa,
39:13llegó a oídos
39:14de María Fernández,
39:15que pasaba
39:16por allí
39:16con un cubo
39:17de agua.
39:17Al oír el nombre
39:20del padre Samuel,
39:22se detuvo en seco,
39:23su rostro
39:24una máscara
39:24de tensión.
39:26Y no era la única.
39:28Petra,
39:29la doncella
39:29más leal
39:30de la marquesa
39:31y enemiga jurada
39:31de María Fernández,
39:33salía de la despensa
39:34en ese mismo instante
39:35y también
39:36se quedó paralizada.
39:39Durante un instante,
39:40las dos mujeres,
39:41adversarias
39:42por naturaleza,
39:43intercambiaron
39:44una mirada.
39:46Una mirada
39:47cargada
39:48de un significado
39:49secreto,
39:50una mezcla
39:50de pánico
39:51y determinación.
39:54Vera y Teresa,
39:55al ver sus reacciones,
39:56se dieron cuenta
39:57de que ellas
39:58sabían algo.
39:59¿Vosotras
39:59sabéis dónde está?
40:01Preguntó Teresa
40:02directamente,
40:03acercándose a ellas.
40:06María Fernández
40:07abrió la boca
40:07para negar,
40:08para inventar
40:09una excusa,
40:10pero la mirada
40:11de Petra
40:11la detuvo.
40:14Era una mirada
40:15que decía,
40:15se acabó,
40:16no podemos seguir
40:17con esto.
40:18La situación
40:19se había vuelto
40:19insostenible.
40:22El secreto
40:23que compartían,
40:25el pacto
40:25forjado
40:25en la necesidad
40:26y el miedo,
40:27pesaba demasiado.
40:30La extraña
40:30alianza
40:31entre la doncella
40:32revolucionaria
40:32y la sirvienta
40:33más conservadora
40:34del palacio
40:35había sido
40:35un milagro
40:36nacido
40:36de la desesperación.
40:39Pero cada mentira,
40:41cada evasiva,
40:42las hundía más.
40:43Petra
40:44dio un paso
40:44al frente,
40:45su rostro
40:46adusto
40:46y pálido.
40:49Sí,
40:49dijo,
40:50su voz
40:50sorprendentemente
40:51firme,
40:52sabemos dónde
40:53está.
40:54Vera
40:54y Teresa
40:54las miraron,
40:55atónitas.
40:57Pero la mayor
40:58sorpresa fue
40:59ver a María
41:00Fernández
41:00a sentir,
41:01colocándose
41:02junto a Petra,
41:03formando un
41:04frente unido
41:04e impensable.
41:07Dos enemigas
41:08acérrimas,
41:08unidas por
41:09una verdad
41:09oculta.
41:10Tienen que
41:11prometernos
41:11que lo que
41:12vamos a contar
41:12no saldrá
41:13de aquí,
41:14dijo María
41:14Fernández,
41:15su voz baja
41:16y urgente.
41:18La vida
41:19del padre
41:20Samuel
41:20podría depender
41:21de ello.
41:22El ambiente
41:22se cargó
41:23de una
41:23expectación
41:24casi eléctrica.
41:26¿Qué podía
41:27ser tan
41:28terrible
41:28como para
41:29forjar
41:29una alianza
41:30entre el
41:30agua
41:30y el
41:30aceite,
41:31entre Petra
41:32y María
41:32Fernández?
41:33¿Qué le
41:34había ocurrido
41:35realmente
41:35al sacerdote?
41:36Petra
41:38respiró
41:39hondo,
41:39como si
41:40se preparara
41:40para
41:40zambullirse
41:41en aguas
41:41heladas.
41:43Miró
41:43a María
41:43Fernández,
41:44quien le
41:44devolvió
41:45un gesto
41:45de asentimiento
41:46casi
41:46imperceptible.
41:50Habían
41:50llegado
41:50al punto
41:51de no
41:51retorno,
41:52era hora
41:52de que
41:53la verdad,
41:53por peligrosa
41:54que fuera,
41:55saliera
41:55a la luz.
41:58La
41:58verdad,
41:59comenzó
41:59Petra,
42:00su voz
42:00resonando
42:01en el patio
42:01silencioso,
42:03es que
42:03el padre
42:03Samuel
42:04no ha
42:04desaparecido.
42:06Hizo
42:07una pausa,
42:08y en ese
42:08instante
42:09de silencio,
42:10el destino
42:10de muchos
42:11en la
42:11promesa
42:12pareció
42:12pender
42:12de un
42:13hilo.
42:14La
42:15verdad,
42:16es que
42:16el padre
42:16Samuel
42:17está aquí,
42:17en la
42:18promesa,
42:19escondido,
42:19y está
42:20gravemente
42:20herido.
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