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Em entrevista ao Agora, Carlos Honorato, economista da FIA Business School, analisou a suspensão da produção de carne para os EUA após a tarifa de Trump. O setor esperava dobrar exportações em 2025, mas agora vive incerteza e risco de prejuízo.

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Transcrição
00:00Mariana Almeida, porque agora nós vamos voltar a falar do tarifácio de Donald Trump aos produtos brasileiros,
00:06porque já está afetando os setores produtivos do país.
00:09Os frigoríficos de Mato Grosso do Sul, por exemplo, suspenderam a produção de carne destinada aos Estados Unidos
00:15após Trump anunciar essa tarifa de 50% sobre o Brasil.
00:19E nós vamos conversar agora com Carlos Honorato, que é economista e professor da FIA Business School.
00:25Oi, Carlos, muito bom dia para você. Seja bem-vindo aqui ao Agora.
00:30Apesar desses problemas, tudo bem?
00:32Tudo bem, né? Estamos aí num tumulto generalizado com essa questão das tarifas do Trump,
00:38mas vamos enfrentar o desafio, né? Não tem jeito.
00:41Tá certo, então. Eu e Mariana Almeida, nós vamos bater um papo com você agora.
00:45Agora, Carlos, no primeiro semestre deste ano, o Brasil embarcou mais um pouquinho de 180 mil toneladas de carne para os Estados Unidos.
00:55E a expectativa era de dobrar esse valor até o fim do ano.
00:58Já está comprometido este dado?
01:02Olha, a gente está num processo de ajuste desses dados, dessas exportações, desses volumes,
01:09porque aquela coisa que a gente tem conversado muito sobre a política do Trump,
01:13que é muito errática, vai e volta.
01:16Então, tem uma expectativa de que as negociações fluam, apesar do componente político, né?
01:22O Brasil hoje é o país mais competitivo em termos de carne.
01:26Quer dizer, ele consegue vender, a gente conseguia vender nosso produto por...
01:31Nosso custo é quase metade, quase um terço, vamos dizer assim, do custo americano para a produção da carne.
01:37Só que com o tarifaço, esse impacto está na faixa de quase 76%, porque as tarifas são acumulativas, né?
01:45Então, você teve mais 50% sobre o que a gente já tinha de tarifa.
01:49Isso praticamente inviabiliza, num primeiro momento, a competitividade da carne brasileira.
01:54Só que os Estados Unidos é um país que precisa de carne, né?
01:57Ele é o maior produtor de carne, o Brasil é o maior exportador.
02:00E sem o mercado brasileiro, o custo da carne americana também vai ficar muito caro.
02:06Então, é um jogo bastante complexo aí, que a gente tem que acompanhar,
02:12mas a princípio, do jeito que está colocado hoje, né?
02:14Que a gente tem que trabalhar com hoje, a gente vai ter que realocar isso,
02:18vai ter uma realocação tanto da importação americana como da nossa exportação.
02:24Falando aí sobre a questão do vai e vem, do zigue-zague para tomada de decisão, né?
02:30Ou seja, que não estamos pisando nunca em solos muito rígidos, né?
02:35E isso, para o produtor, afeta muito o produtor no campo agrícola, principalmente,
02:39porque tem timing para fazer as análises.
02:42Essa suspensão agora, essa decisão de vou parar a produção,
02:47isso é uma antecipação, você acha, de alguma coisa?
02:50Ou que vai ser mais uma questão mesmo de compasso de espera?
02:53Ou seja, será que é uma parada para já reorganizar, já diversificar?
02:57Tem que pensar em alteração de produção para pensar em outros mercados?
03:00Ou não, só vai parar para esperar um pouquinho esses próximos dias aí?
03:03Como é que você vê esse impacto no produtor mesmo?
03:06Porque isso acaba, eu fico imaginando, eu não sou produtora,
03:08mas é um período difícil para você que trabalha com o mercado externo
03:12tomar suas decisões, onde o risco realmente cresceu muito
03:15no pacote aí das análises que se faz aí na planilha de retorno, né?
03:20É, pense o seguinte, nós não estamos falando de um software, né?
03:23Nós estamos falando de gado, quer dizer, é uma criação, tem um crescimento,
03:28tem um acompanhamento, tem vacinação, tem tudo isso, né?
03:31E depois da mate a carne é perecível, né, Carlos?
03:35Exatamente, a carne é perecível, tem mais isso.
03:38E tem um componente complexo que é o seguinte,
03:40a gente está falando aqui, ah, vamos exportar para a China,
03:43exportar para a Europa e tudo mais,
03:46mas você não faz esses ajustes de exportação da cadeia
03:50do dia para a noite, certo?
03:51Quer dizer, é uma coisa que você precisa de rever contratos,
03:55rever contatos, certamente quem está importando a nossa carne lá
03:59também está sofrendo com isso, porque ele está olhando,
04:02falou, eu não vou poder comprar mais do Brasil,
04:04que é um país competitivo, vou ter que procurar de outro lugar, né?
04:08Então, eu acho que essa parada inicial é um compasso de espera, sim,
04:12é um olhar para ver o que vai acontecer, readequar isso,
04:16enquanto certamente toda a parte ali de negociação internacional,
04:20de busca de outros mercados está caminhando,
04:22mas não é uma coisa que você faz do dia para a noite,
04:24você tem contratos, você tem logística, tudo mais, né?
04:27Até uma parte dessa produção pode vir para o mercado interno brasileiro,
04:33tem gente que está com expectativa de que pode ter uma queda de preços,
04:36isso nunca é muito imediato,
04:38mas eu acho que a afirmação que foi feita é bem essa mesmo,
04:42quer dizer, é um pouco do compasso de espera
04:44para evitar aí de você ter uma superprodução
04:47ou você ter até perda de produto,
04:49como foi muito bem falado aí pelo cliente.
04:52Boas, o Brasil não é o principal exportador para os Estados Unidos
04:57e também não é o principal mercado da nossa carne, né?
05:00Que é a China o primeiro.
05:01A gente exporta, me corrija se eu estiver errado,
05:0322% de toda a produção
05:05e desses 22%, 12% vão para o mercado norte-americano, né?
05:11E também não há uma concorrência com a carne australiana, né?
05:14A Austrália é o primeiro vendedor, né?
05:17O que mais vende carne para os Estados Unidos,
05:20porque os australianos vendem diretamente,
05:22se eu não me engano, para os supermercados
05:23e o Brasil vende para a indústria lá.
05:26Com tudo isso,
05:28não dá para absorver esses 12% no mercado interno,
05:31realocar ou os Estados Unidos vão precisar comprar essa carne
05:35à indústria norte-americana
05:37e vão ter que pagar a mais?
05:40Olha, o mercado americano é muito grande, né?
05:43Quer dizer, qualquer coisa que a gente fale
05:45nessa questão do tarifácio,
05:47de que dá para substituir os Estados Unidos imediatamente,
05:50isso não é fácil,
05:51isso não é natural, né?
05:54A gente fala do mercado da carne,
05:56a gente tem comentado muito a questão dos aviões da Embraer,
05:58quer dizer, você tem o mercado americano,
06:01que é ainda a maior economia do mundo, né?
06:04É um grande mercado consumidor de produtos,
06:07então você tem aí um desafio que é o quê?
06:09Quer dizer, a indústria americana precisa disso, né?
06:13A gente tem visto alguns dados de inflação,
06:16que a inflação americana está subindo
06:18e todos esses movimentos aí,
06:20que a gente ainda não sabe o que dá, né?
06:22Porque tanta tarifa para lá e para cá,
06:23mas muito provavelmente diversos economistas,
06:27prêmio Nobel de economia,
06:30têm informado de que a inflação americana vai subir.
06:34E a hora que isso começar a pegar lá no hamburguinho do americano,
06:37a hora que ele tiver que pagar mais caro pelo sanduíche dele,
06:41a pressão sobre o governo vai aumentar.
06:44Então, achar que a gente vai conseguir realocar
06:47esse produto imediatamente,
06:49ou que o mercado interno brasileiro vai absorver,
06:51isso não é verdade.
06:53Quer dizer, você vai ter que administrar e por um tempo,
06:56a gente vai ter uma realocação,
06:58só que o mundo é demandante.
07:00Então, você tem China, você tem a Oriente Médio,
07:03você tem Europa,
07:05você tem lugares em que você pode deslocar isso.
07:07E aí é um perigo para os Estados Unidos,
07:09porque se eles começam a perder
07:11essa cadeia global de suprimento,
07:15eles terão um problema lá.
07:16Então, é muito um jogo de negociação,
07:19de entender o próximo passo que cada um dá.
07:22Agora, tem um grupo de pessoas que acho que fica exatamente
07:25nesse fio possível de que no fim vai bater lá
07:29e alguém vai pressionar e talvez vai voltar tudo ao normal.
07:33Vou colocar aqui um entre aspas normal.
07:35Tem algumas pessoas que ainda ficam nessa expectativa do retorno,
07:39como se todo esse movimento Trump pudesse ser apagado.
07:42mas fato é, na minha opinião,
07:45de que a possibilidade de um Donald Trump chegar e fazer essa bagunça,
07:50ela não se apaga tão fácil da memória.
07:53Em que medida que esse movimento,
07:55ainda que depois não aconteça de fato,
07:57que seja minorizado,
07:59que tenha depois um reajuste,
08:00em que medida que isso, na tua opinião,
08:02muda a mesma distribuição de cadeia
08:04e o pensar para o futuro do agro,
08:07em particular da cadeia da carne,
08:08mas outras também que você possa comentar aqui para a gente.
08:13Olha, a gente tem esse novo acrônimo,
08:16falando Trump always chicken out,
08:18que ele sempre volta atrás,
08:20sempre se acovarda.
08:21O problema é que ele volta atrás,
08:23mas ele deixa um estrago gigantesco lá na frente.
08:27Então, o que eu acho que foi muito interessante
08:29que você comentou,
08:30de voltar ao normal,
08:32o pessoal já está comparando aí o Trump e a pandemia.
08:36Então, a gente voltaria a um novo normal,
08:38que foi um termo muito usado ali na pandemia.
08:41Então, nós vamos ter um novo normal pós-tarifácio.
08:44O fato é que o Trump é muito hábil em manter a agenda.
08:49ele sempre no foco da agenda.
08:53Então, se a gente observar esses últimos dois meses,
08:55teve tarifácio, teve Irã, Israel,
08:58agora a Rússia, Brasil.
09:00Então, esse movimento deixa todo mundo
09:02um tanto quanto perplexo e desorientado.
09:06O fato é que isso para o Brasil pode ser muito bom,
09:09porque, primeiro, vai tirar a gente de uma acomodação.
09:11Então, nós vamos ter que realmente procurar novos mercados,
09:15ser mais ativo,
09:16pensar que o parceiro americano nos Estados Unidos
09:19não é mais o que era.
09:21E, principalmente,
09:22a gente tem que olhar para o nosso umbigo,
09:24olhar para dentro e fazer reformas,
09:27cortar gastos,
09:28agir como uma nação que está preparada
09:30para impactos como esse.
09:32Porque a gente tem hoje déficit público,
09:34a gente tem uma questão fiscal complicada,
09:36a gente esquece um pouco disso,
09:38mas é uma economia saudável
09:40que vai nos preparar para choques internacionais.
09:43Então, a gente não sabe como isso vai estabilizar,
09:46certamente vai estabilizar de um jeito diferente do que era.
09:49As relações internacionais estão mudando com tudo isso,
09:53mas o grande fato é que a gente precisa fazer a lição de casa
09:55dos nossos problemas internos.
09:57Carlos Honorato, queria muito agradecer a sua participação aqui no Agora.
10:03Bom ouvi-lo,
10:04colocar essa perspectiva do setor frigorífico,
10:08do setor de carnes,
10:09num momento tão delicado e importante da economia brasileira
10:13e também da economia global.
10:15Obrigado mais uma vez,
10:16uma ótima quarta-feira.
10:18Um grande prazer sempre falar com vocês,
10:20uma ótima quarta-feira para todos.
10:22Um grande abraço.
10:22Um abraço, obrigado.
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