00:00Explorando esse contexto do STF, o ministro Luiz Roberto Barroso também resolveu se manifestar.
00:05Ele afirmou que a tarifa anunciada por Donald Trump de 50% sobre as exportações brasileiras
00:11se baseia em uma compreensão imprecisa dos fatos ocorridos nos últimos anos no Brasil.
00:17Ainda segundo ele, são diferentes visões de mundo, não dão direito a ninguém de torcer a verdade
00:24ou negar os fatos concretos que todos viram e viveram.
00:27E que, aliás, escreveu como as demais instituições do país, o judiciário está ao lado dos que trabalham a favor do Brasil
00:35e está aqui para defendê-lo.
00:37Mano.
00:38Olha, apesar de não discordar de nada especificamente, eu discordo da pertinência do Supremo Tribunal Federal
00:46se manifestar por meio de nota.
00:48Precisava dessa manifestação?
00:49Não, não precisava.
00:50O Brasil é autônomo e soberano e não precisa ficar se debatendo e prestando contas para Donald Trump.
01:01Então, por que que a Suprema Corte, o presidente da Suprema Corte brasileira,
01:07precisa emitir uma nota para falar de uma nota do presidente americano?
01:12Não precisa.
01:13O juiz deveria se manifestar por meio dos autos de processos.
01:20A gente, no Brasil, vem normalizando há muitos anos uma ideia de ter ministro da Suprema Corte
01:26quase como comentaristas de qualquer assunto.
01:30Não é assim que deveria funcionar um Estado democrático de direito.
01:34E num contexto em que nós temos uma percepção, que pode ser legítima ou não,
01:40de boa parte da população a respeito de uma politização do judiciário,
01:46a exposição de notas públicas só aumenta a tensão polarizante
01:53em relação ao judiciário, que deveria ser visto como imparcial.
01:59Então, na minha visão, o Brasil precisa que o judiciário tenha o exercício
02:04da autocontenção do seu poder.
02:06E, portanto, falar menos e fazer mais por meio das decisões em si.
02:13O juiz tem que falar nos autos e não com nota de repúdio.
02:18Rodolfo.
02:18Eu queria fazer uma pergunta para o Mano em cima da reflexão que ele fez.
02:21Na verdade, eu estou construindo um pensamento aqui,
02:23queria compartilhar com você a sua opinião sobre isso.
02:25porque, se a gente pegar de 2000 até agora, são 25 anos, né?
02:31E nós não tínhamos um poder judiciário com tantos holofotes assim.
02:37Só que a política mudou, o mundo mudou, se globalizou.
02:41As crianças hoje estão muito mais espertas do que era na nossa época.
02:45A alfabetização está diferente, sabe?
02:47Existe um mundo diferente, mano.
02:50Você não acha que é uma situação nova?
02:52E eu não estou fazendo defesa, não, tá?
02:53Eu estou construindo um pensamento longe de mim aqui,
02:56porque eu, como operador do direito, que serei, né, doutora Priscila?
03:00Volta a boca.
03:02Doutora Priscila me apoia muito.
03:04Inclusive, um abraço para a Bacrim.
03:06Eu fico imaginando como que fica a questão do judiciário,
03:10porque é tudo muito novo.
03:13Eles só podem ser...
03:14Eles só podem falar ou se manifestar
03:16se, de fato, eles forem...
03:19Se eles forem falar que a justiça, o judiciário é inerte, né?
03:23E precisa ser provocado para que haja ali uma resposta.
03:26E eu vejo uma provocação diária ao STF.
03:30Tendo em vista agora, por exemplo, não a nossa pódroma,
03:32mas falar do IOF,
03:34que foi recusado na bancada por 383 votos,
03:37mas o STF foi provocado.
03:39E aí o STF tem que se meter nessas questões do IOF.
03:42E o STF foi provocado pela carta de Donald Trump.
03:45Então, a gente não vê como uma resposta.
03:48Mas a carta não ingressou com ação no Supremo, né?
03:52Então, a provocação aí,
03:53a gente está lidando com a mesma palavra,
03:56com dois sentidos muito diferentes.
03:58Porque uma coisa é a provocação jurídica,
04:01onde alguém ingressou com uma ação...
04:04Onde é a fofoca, né?
04:05Exato.
04:06Outra coisa é a fofoca.
04:08Publicou uma nota na rede social
04:10e parece que a gente tem tido
04:12cada vez mais dificuldade de separar
04:14separar o que é a institucionalidade,
04:18o que é aquilo que precisa guiar
04:19o Estado democrático de direito,
04:22do que é o mundo da rede social.
04:24Onde todo dia tem uma polêmica nova
04:26e parece que o juiz agora
04:28tem que ser comentarista de polêmica.
04:30Não é assim.
04:31Então, na minha visão,
04:33esse é um fenômeno, de fato,
04:34que não é exclusivo do Brasil.
04:36Acontece em outros lugares do mundo.
04:38No Brasil, a gente viu um aceleramento disso
04:42nos últimos 20 anos,
04:44muito também no contexto ali
04:46que começa com o mensalão,
04:47quando a gente tem o julgamento transmitido,
04:51todo mundo ali acompanhando,
04:53Joaquim Barbosa naquele voto,
04:55quase como um herói nacional,
04:58ao condenar corruptos.
04:59Ficando com o João Marmendes.
05:01É uma grande discussão com os dois lá, meu.
05:03Exatamente.
05:04E esse processo que aí teve
05:05a criação da TV Justiça,
05:08que criou mais visibilidade
05:10para os processos,
05:12tem até estudos...
05:13O CCJ, que foi criado nesse meio caminho também.
05:15Exato.
05:16O CNJ, né?
05:17O CNJ.
05:18A Federação Nacional de Justiça.
05:19Tem até estudos que mostram
05:20que a criação da TV Justiça
05:22aumentou o tamanho dos votos dos juízes.
05:25Ou seja, o juiz que tem o voto transmitido,
05:28ele fala por mais tempo
05:30do que o juiz que não tem o voto transmitido.
05:33Então, é claro que a sociedade de espetáculo,
05:36a sociedade de massas,
05:38o mundo de redes sociais
05:39está influenciando o comportamento do judiciário.
05:43Mas a minha reflexão aqui é
05:45eu acho que a gente precisa amadurecer como país
05:47para separar as dimensões.
05:50O que está no âmbito da rede social
05:52tem que ser debatido na rede social.
05:54Juízes deveriam focar nos seus processos.
05:58E aí
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