00:00Seguinte, quando você pensa em Salvador, Bahia, o que que vem na sua cabeça em primeiro momento?
00:06Vai, vamos lá, talvez carnaval de Salvador, tudo bem.
00:09Mas com certeza vai chegar o seu pensamento aí daquele acarajé, do abará, da comida baiana que é tão especial e que ganhou o mundo inteiro.
00:20Confesso pra vocês, eu cheguei aqui em Salvador no sábado, comi quatro acarajés.
00:25Mas juro pra vocês, sem mentira nenhuma, foram quatro acarajés.
00:30Tudo bem que não foi o original grande, foi aquele acarajé de festa, um pouco menorzinho, mas foram quatro, viu?
00:36Porque eu tava morrendo de saudade.
00:37Claro que tem baianas de acarajé fazendo esse quitute aí pelo Brasil inteiro, inclusive em São Paulo, mas não posso negar que o de Salvador é especial porque é o original.
00:48Então eu dei uma missão pro nosso repórter Edu Alves, que ele andasse pelas ruas de Salvador, conversando com as pessoas sobre qual é a comida que mais representa, que mais lembra Salvador, quando vocês pensam aqui na capital da Bahia.
01:04Vamos ver?
01:05E aí eu quero fazer uma provocação.
01:07Se vocês fossem embora da nossa cidade amanhã, qual comida lembraria Salvador na hora?
01:13Cravinho, uma bebida.
01:13Ele tem um gosto, não sei, é assim, muito marcante. A gente veio ontem aqui pro Poilourinho e aí voltamos hoje pra experimentar de novo.
01:20Acarajé, né? É muito tradicional, muito bom. E tem abará, né? Também, muito bom.
01:27Caruru pra mim é maravilhoso.
01:28A comida baiana, a nossa tradição, que leva o dendê, pimenta, então é uma comida que lembraria totalmente a Bahia.
01:37Acarajé, acarajé. Sempre acarajé, que eu adoro acarajé e compro muito acarajé.
01:41Tudo gostoso, o camarão, a mistura do feijão com dendê, com vatapá, tudo isso é uma delícia.
01:51Tá vendo muita gente falando do acarajé, né? É verdade.
01:55Deixa eu perguntar pros nossos convidados aqui. Ana Mameto, você que é também atriz, então viaja bastante.
02:01Quando você viaja, qual é a comida que você sente mais saudade de Salvador?
02:05O acarajé, eu sou filha de Ansan. Filha de Ansan, o acarajé tá aqui na cabeça, no corpo.
02:09E uma coisa interessante pra falar pra vocês, não é...
02:13Você não chega na Bahia, na casa das pessoas e a gente faz acarajé, não é?
02:17Porque muita gente acha que vai chegar aí na casa, ah, eu vou visitar Ana, aí Ana vai fazer um acarajé.
02:22Não.
02:23É uma alquimia, é uma iguaria muito específica, né?
02:28A pessoa tem que estar ali, tem que ser filha de Ansan, não é?
02:32Tem que ser filha de Ansan pra fazer um bom acarajé.
02:34E não é fácil, não é?
02:36Mas eu não sei fazer acarajé.
02:37Não sei fazer acarajé.
02:39Os telespectadores do Melhor da Tarde já estão sabendo que a cozinha não é lá minha especialidade.
02:45Ai, não acredito.
02:46Mas de comer eu entendo e adoro.
02:49E olha, já que a gente tá na casa do Rio Vermelho, na casa de Jorge Amado e Zélia Gatay,
02:53Jorge Amado era também um apreciador da culinária baiana.
02:57A Zélia Gatay era uma cozinheira de mão cheia, minha gente.
03:00E hoje, agora, a gente tem aqui a participação dela, que é uma mulher muito especial,
03:06uma quituteira, uma cozinheira conhecida no Brasil inteiro e que era amiga de Jorge Amado.
03:13Mas deixa pra Edu Alves apresentar pra gente com quem que ele está hoje.
03:18Conta pra gente, Edu.
03:22Pois é, boa tarde, Pamela.
03:24Boa tarde pra todo mundo que está acompanhando a gente.
03:26É isso mesmo.
03:26Como você bem falou, Jorge era um apaixonado pela cultura baiana, pela nossa culinária,
03:33sobretudo pela força das mulheres daqui.
03:36Como bom contador de história, ele levou essa nossa cultura pro resto do mundo.
03:40E Dadá, dona desse sorriso largo, maravilhosa, é a prova viva de que Jorge sempre foi um defensor da culinária baiana.
03:50Afinal de contas, ele frequentou muito o seu restaurante, né?
03:54Eu digo que pai não frequentou. Pai era dono do restaurante, né?
03:58Pai, mãe e a família e os amigos, Caribejo, Jorge Amado, Calazães, Zélia.
04:05Eram os donos do tempero da Dadá, do Edu Alves, das Pombas ao Pelourinho.
04:09E, minha vida, eu escolhi eles como meus pais.
04:14Porque fez parte, porque me ajudou, que fez ser a Dadá do Conde pra Dadá, Audacir e Dadá do Mundo.
04:20Que relação linda. E tem uma história muito curiosa.
04:23A primeira vez que a senhora visitou a casa de Jorge e foi recebida com as portas abertas.
04:30E com todo o carinho e admiração que a família sempre teve por você, né?
04:36É, eu me lembro que esse momento foi o momento mais lindo da minha vida.
04:40E que eu agradeço a Deus até hoje, né?
04:42Eu digo que pai não morreu, nem mãe.
04:44Pai, é duas estrelinhas, duas luzes brilhantes que estão no universo e ao lado da gente todos os dias.
04:51Eu digo a minha irmã Paloma, quando às vezes ela está triste, eu estou triste.
04:54Digo, minha irmã, porque eles estão vendo a gente, eles estão tomando conta da gente.
04:58Então, num lugar assim que eles estão lá, eu tenho certeza, achei que me arrepiado.
05:01Porque eles estão vendo a gente, estão vendo essa história, essa mesa linda.
05:04Que negão gostava disso aqui, Bahia Negona.
05:06Era pernil de porco, tinha xinxera, sarapatel, o arroz de alçá, muqueca.
05:13Tinha aquela mistura de axé e de loucuras de sabores.
05:17Pois é, minha gente.
05:18Quando eu cheguei aqui no restaurante da Dada, que fica aqui no Centro Histórico, né?
05:22Um dos cartões postais da nossa capital baiana.
05:24Ela já estava muito emocionada com essa mesa que vocês estão vendo.
05:28Porque ela montou exatamente da maneira que Jorge gostava.
05:33E, sobretudo, com os pratos, que ele era muito apaixonado.
05:37A gente falou aqui do sarapatel, tem também o arroz de alçá, tem a farofa, o bacarajé.
05:42Tudo isso ele gostava muito, né?
05:43É, negão, é.
05:44Isso aqui só está faltando o pernil de porco.
05:47Mas a próxima vez eu tenho certeza, pai e mãe, eu vou fazer o pernil de porco, sim.
05:52Tem a caipirinha que não podia faltar, os drinks, aquela coisa, negão.
05:56E a energia, o astral, a simplicidade.
05:59Então, falar de pai para mim, de Jorge Amado, Isélia Gatais, é como se estivesse falando grandes diamantes do nosso universo.
06:08Pois é.
06:09Minha gente, eu queria muito que vocês pudessem sentir o cheiro que está isso aqui.
06:13O arroz de alçá está ali no fogo à lenha.
06:16E, claro, que ela vai montar esse arroz para a gente da maneira que ele gostava.
06:21Os ingredientes são esses que a gente está vendo, né, Dada?
06:24É, sim.
06:25Nós temos aqui a carne, a charque desfiada.
06:28Essa charque já foi tirada do sal e frita.
06:33Soneide, me dá, por favor, essa carne aí.
06:36Me dá uma colher, mamãe.
06:38Uma colher de melhora.
06:38Está cheirando muito, minha gente.
06:39Tem farofa, tem camarão, tem banana frita.
06:42E a carne que já está frita, está vendo, meus amores?
06:45A gente vai rodear toda.
06:46O arroz de alçá já está feito com leite de coco.
06:51Leite de coco.
06:52Cozinha o arroz com leite de coco.
06:54Um pouquinho de açúcar.
06:57E uma pitadinha.
06:59O arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o arroz com o
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