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Conheça projeto no Rio de Janeiro em que velejadores levam pessoas com deficiência para velejar, onde sentir é mais importante. #BECBand #EsporteNaBand

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00:00Então agora eu vou falar de outro assunto, uma experiência sensorial de vida.
00:05É um projeto de velejadores super experientes que leva deficientes visuais e auditivos para o mar.
00:13O resultado é incrível.
00:17Ver e ouvir.
00:22Verbos que só fazem sentido se estivermos abertos a sentir.
00:27Ação que esses legítimos aventureiros se permitem há um bom tempo.
00:33Eu já pratiquei corrida de rua, corrida de montanha.
00:36Skate pra mim já é tudo.
00:40Já saltei de paraquedas, já fiz ciclismo.
00:43Fazer uma parada diferente também é maneiro.
00:45A parte de baixo aqui, a quilha do barco.
00:48Corrida de aventura e hoje eu sou montanhista.
00:50A limitação quem faz é a gente, não são as pessoas à volta.
00:53Vamos, eu velejar, já acabou, eu filmar e já vou.
00:55Tem um projeto para tentar ser o primeiro deficiente visual da América do Sul a escalar sete maiores montanhas dos continentes.
01:02O deficiente visual pode fazer o que quiser.
01:04Nando conheceu Bia e a levou para o mesmo caminho.
01:08Hoje eles formam um casal que compartilha tudo na vida.
01:12Com 18 anos eu perdi a visão.
01:15No começo foi difícil, né?
01:17Ingrassei na faculdade de serviços sociais, fiz teatro.
01:20E hoje estou aí com o skatista cego, ajudando o que é preciso.
01:24Também é preciso silêncio.
01:27Pés descalços para sentir o barco.
01:29A voz é o norte.
01:31Agora eu tenho mais um degrau aqui.
01:33Ah, é, boa.
01:34Pode aloiar isso.
01:36Pode sentar também se quiser, Bia.
01:38E o cenário faz todo sentido.
01:40Marina da Glória.
01:41Palco do ouro de Martini Grael e Caena Kunze na Rio 2016.
01:45O Brasil é ouro na vela!
01:54Nove anos depois, a equipe da bicampeã olímpica Martini,
01:58que compete na categoria dos veleiros mais rápidos do mundo,
02:02promoveu uma grande expedição inclusiva.
02:05Deficientes visuais e auditivos puderam desbloquear mais um verbo de ação.
02:11Velejar.
02:12A gente se desafiar um pouco dentro de limites de segurança,
02:17mas se desafiar, ela leva a gente para um outro lugar.
02:19Primeiro começou com bate-papos ao vivo, online,
02:23com várias pessoas do Brasil, com diferença de deficiência,
02:26aberto a todo o público.
02:27Fomos então para as aulas de vela, de fato, na Baía de Guanabara,
02:30onde os participantes ganharam uma certa autonomia de compreensão do barco,
02:35da navegação, do vento, uma confiança com o time.
02:38Aprendemos os principais nós, que são os fundamentais.
02:44Usamos bastante o tato.
02:45A gente teve uma maquete na sala de aula, quase igual o que a gente está aqui agora.
02:50Então a gente pôde tatear ele todo,
02:53para quando a gente chegou na prática, a gente já conhecia o veleiro mesmo.
02:57Aqui introduzimos uma nova tripulante, Maria, a única deficiente auditiva da embarcação,
03:04que descobriu o diagnóstico perto dos 50 anos de idade.
03:09As pessoas reclamavam de mim, brigavam, que eu falava alto e eu nem entendia.
03:14Eu não via televisão, porque eu não escutava,
03:16eu pensava que as pessoas baixavam a televisão para eu não ouvir.
03:19Hoje estou tendo essa experiência, senhor capitão.
03:23O vento está entrando aqui, por Borege, tá?
03:26E eles navegaram por mais de quatro horas.
03:29Águas cariocas adentro.
03:31Para isso, o Nando era responsável por uma tarefa importante.
03:35A minha função foi subir a vela, né?
03:38É maneiro que a gente consegue sentir a vela subindo, consegue sentir tudo.
03:44Não precisa, assim, dar visão para a gente navegar, sentir o vento.
03:48É com os outros sentidos.
03:50Entender como é que funciona um barco com a vela.
03:52A sensação é incrível.
03:53Nossos exploradores passaram por várias paisagens.
03:57Pão de açúcar, Copacabana e Panema.
03:59E o destino final, escolhido para a expedição, não poderia ter sido melhor.
04:04Esse conjunto de ilhas é um ponto de esperança para o mundo.
04:08Aqui temos uma grande biodiversidade que precisa ser preservada,
04:13fundamental para a conservação da vida marinha.
04:16É o tipo de experiência que explora todos os nossos sentidos
04:20e atinge todas as pessoas, inclusive aquelas que não podem ver e quem não consegue ouvir também.
04:28É um lugar que já tem muita vida.
04:30É um lugar de ninhais de aves como atobás, fragatas.
04:33É um lugar onde passam animais marinhos também, como golfinhos, baleias, baleias de barte, baleias de bride.
04:40É um lugar de muita, muita biodiversidade, fora e embaixo d'água, né?
04:44Então esse é o ponto de esperança.
04:45E quem sabe é um ponto de esperança aí para uma sociedade mais inclusiva, mais acessível,
04:50para que todos possam se encantar com esse, que é o ecossistema mais importante do planeta,
04:54e com essa cidade maravilhosa que a gente pode audiodescrever e eles podem sentir.
04:58Eu acho que isso é muito especial.
05:00É a melhor coisa do mundo.
05:01Estou sempre no social, entendeu, com as pessoas,
05:05mas esse curso de vela foi o melhor que eu já vi na minha vida.
05:09Aqui a gente veio e pôs a mão na massa.
05:12No começo eu fiquei muito insegura, porque é algo totalmente novo,
05:17e eu costumo dizer que o mundo é muito visual.
05:19A Juliana é doidona, né?
05:21Vem cá, pega aqui, esse aqui, ensinou as técnicas.
05:25Como que vai ser?
05:26Só vou ficar lá sentadinha, sentindo um ventinho no rosto,
05:30mas foi totalmente diferente do que eu imaginei que fosse.
05:35Essa iniciativa faz parte do SeioGP,
05:38campeonato que é uma espécie de Fórmula 1 da vela,
05:41com barcos que chegam a mais de 100 km por hora.
05:45Nossa equipe é representada pela Martini,
05:48primeira mulher da história a ser capitã do torneio,
05:51e conta também com o irmão dela, Marco Grael,
05:55ambos filhos da lenda Torben Grael.
05:58Menos uma regata é mais um show,
06:00e a maneira que eles encontraram foi trazer os barcos mais rápidos
06:04que a gente poderia ter, botar isso muito perto do espectador,
06:07e a maneira de fazer isso é você comprimir os barcos
06:09numa raia muito pequena.
06:11A consequência disso é que a dificuldade para o velejador aumenta muito.
06:14O que você vê é um espetáculo onde muitos dos velejadores
06:17que têm muita experiência ainda cometem muitos erros,
06:21com isso tem as ultrapassagens,
06:23e é o que a torcida quer ver.
06:26Inclusive, a primeira vitória brasileira
06:28veio em uma das regatas da etapa de Nova Iorque,
06:31agora em junho.
06:32É de arrepiar, bicampeão olímpica, Martini Grael,
06:36bandeiras brasileiras agitadas em Nova Iorque, que show!
06:41Além da competição no mar, um torneio paralelo
06:44é disputado pelas mesmas equipes,
06:47e tem como objetivo a preservação do meio ambiente.
06:51Isso não adianta só performar dentro d'água,
06:52eu sempre falo essa frase, né?
06:53A gente também tem que fazer bonito fora d'água.
06:55A liga, hoje ela promove a liga de impacto,
06:57que é uma liga para o planeta,
06:58é você correr também para um pódio do planeta,
07:00e não só o pódio de performance.
07:02Então hoje a gente tem todo o cuidado,
07:03o consumo de plástico, quantas pessoas viajam para cada etapa,
07:06a dieta dos atletas,
07:07todo um consumo inconsciente e descarte adequado de resíduos dentro da base.
07:11E nessa disputa, o Brasil também faz bonito.
07:15Venceu a primeira etapa das áreas de impacto,
07:18retirando mais de quatro toneladas de lixo da Baía de Guanabara,
07:22sem o auxílio de máquinas.
07:24Na segunda fase, agora apresenta esse belo projeto de inclusão,
07:29chamado Velejando com o Sentido.
07:31E se depender dos participantes, essa história deve seguir.
07:35Quem sabe, né, em algum momento aí,
07:38a gente não faça aí o primeiro grupo a dar a volta ao mundo,
07:42com a Juliana, super master, blaster, velejadora,
07:48e ela possa ser gaiada aí para rodar o mundo em um veleiro.
07:52Nada é impossível, Edu.
07:54Afinal, antes de toda e qualquer ação,
07:57é necessário sentir primeiro.
07:59E disso eles sabem muito bem.
08:02A gente pode sentir com as mãos,
08:03a gente sentir igual aqui no mar, a gente sente com o rosto.
08:06Antes da gente fazer qualquer coisa, a gente tem que sentir.
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