00:00O Centro Amazônico de Herpetologia hoje, ele é um zoológico privado e um serpentário
00:26produtor de veneno de Geraraca da Amazônia voltado à indústria farmacêutica.
00:31O propósito do Centro Amazônico é estudar a biodiversidade de herpetofauna local e outras
00:38exóticas do bioma amazônico para tentar criar junto com o governo ferramentas para a conservação
00:44de várias espécies, como o caso da periquitambóia, com o propósito de levar a educação ambiental
00:51na prática para as crianças, jovens e adultos, para poder ensinar para eles a importância
00:57desses animais no ecossistema.
00:58Sem dúvida, esses animais são muito temidos pela população por falta de conhecimento.
01:06O homem destrói e tem medo daquilo que não conhece.
01:09O efeito do toque no animal desse de forma guiada e profissional, assistida por nós profissionais,
01:15sem dúvida leva ao entendimento real do animal.
01:19Perde muito a mística, aquele medo que é imposto desde criança, aquele nojo, tudo
01:26isso se perde.
01:27A pessoa passa a admirar esses belos animais.
01:30São animais de extrema importância para o meio ambiente, fazem parte da cadeia alimentar
01:50que nós aprendemos na escola, aqui na prática a gente entende um pouco sobre isso.
01:54Nós estamos agora na reta final de execução das obras no shopping Metrópole, Ana Nideua,
02:00para levar uma exposição de répteis, para a população ficar mais próxima, para aqueles
02:05que não têm locomoção própria, para poder estar com esse contato, com essa experiência
02:10mais de pé.
02:11A gente vai iniciar com serpentes e lagartos.
02:14A gente vai falar do risco da bioinvasão das espécies exóticas no norte do Brasil.
02:20O risco de estar competindo com as espécies locais e introduzi-las em nosso hábitat.
02:28No caso, o mais emblemático são as pítons.
02:32Nós fazemos a extração da peçonha da jararaca para venda para laboratórios que produzem
02:38o medicamento na Ásia, que regulam problemas relacionados a distúrbios de coagulação sanguínea.
02:45No Brasil, é feito soro antiofídico apenas com espécies, o veneno do sul e do sudeste.
02:53Não entra na produção do soro o veneno das espécies locais, que sem dúvida iria trazer
02:59uma grande melhoria na qualidade do soro e evitar amputações e mortes que ocorrem na região.
03:07Um dos grandes sonhos nossos é esse, é fazer uma fábrica de soro antiofídico aqui no norte
03:12do país, para atender a população ribeirinha especial.
03:16O laboratório de petologia se dedica a estudos de ofígios e répteis, que inclui os lagartos,
03:43as serpentes, as sapos, rãs, pedaretas.
03:47São, na verdade, o que a gente tem aqui na Amazônia brasileira.
03:53São 400 e pouquinhos espécies de anfíbios, uma diversidade de espécies parecida com a
03:58diversidade de mamíferos e quase 400 espécies de répteis na Amazônia brasileira.
04:05Então, a gente se dedica ao estudo desses grupos, tanto na área de sistemática, que
04:15envolve a descrição de espécies, estudos de relação de filogenia, de parentesco entre
04:21as espécies, e estudos de ecologia, conservação, como essas espécies respondem a alterações
04:28ambientais, distribuição geográfica, biologia reprodutiva, alimentação, vários aspectos
04:36da biologia desses grupos.
04:38É importante não só a geração do conhecimento, como também a comunicação, a divulgação,
04:46a publicação e a divulgação até do público leigo sobre a importância desses animais,
04:52tanto na natureza, a importância que eles têm nas cadeias tróficas, como alimentação,
05:00como alimento de muitos outros animais, ou como predadores, controlando as populações
05:05de invertebrados, principalmente, os invertebrados também.
05:12Eles têm importância também em estudos para desenvolvimento de medicamentos, como os anfíbios
05:19dos mesmos serpentes, e também têm o interesse, principalmente no caso das serpentes, por poderem
05:27provocar acidente por envenenamento.
05:31Então, a gente sempre colabora, a gente faz aqui algumas atividades de comunicação para
05:40o público externo, no sentido de divulgação dessas características desses grupos.
05:50Aqui a gente tem trabalhado bastante com a descrição da biodiversidade.
05:56Na Amazônia tem, então, muitos estudos que envolvem a descrição de espécies novas,
06:02de anfíbios e répteis, mas também estudos, aí a gente tem colaborado em termos de conservação,
06:14na elaboração de listas de espécies ameaçadas, em estudos de análise de paisagem, de modelagem
06:23de distribuição geográfica, agora que a gente está aí lidando com questões de mudanças
06:29climáticas, por exemplo, a gente tem estudos já desenvolvidos mostrando como os diferentes
06:38cenários de possíveis mudanças climáticas vão afetar a diversidade, por exemplo, de
06:43lagartos na região aqui do centro do indenismo verde de Belém, por exemplo, que é uma região
06:49mais alterada da Amazônia Brasileira, então, é importante destacar que esses animais são,
07:04por exemplo, no caso dos anfíbios também, que os anfíbios não têm proteção na pele,
07:09não têm escamas, não têm pênios, têm a pele permeável, então, eles dependem de
07:14condições climáticas favoráveis de umidade, então, eles podem ser os primeiros animais
07:20a sofrerem com mudanças, com alterações, por exemplo, de clima, né? Então, eles também
07:26têm uma importância aí também como indicador de qualidade ambiental. Sim, a gente pode ter
07:32perda de espécies, a gente pode ter diminuição da biodiversidade, a gente pode ter algumas espécies
07:40que elas vão deixar de ocorrer em determinadas áreas e isso vai, certamente, provocar um desequilíbrio
07:47porque na natureza a composição de espécies está equilibrada, né? Qualquer perda de um elemento
07:56vai causar alteração em toda a comunidade.
08:00Na verdade, a gente tem várias áreas que a gente tem trabalhado, tem buscado cobrir lacunas
08:15de amostragens, né? Áreas que antes não eram conhecidas porque nunca foram amostradas,
08:21então, a gente tem nos últimos anos nos dedicado aí, se dedicado aí a buscar essas áreas, por exemplo,
08:30na região da Calha Norte, são as zonas, né? Principalmente no estado do Pará, Amapá, que eram áreas
08:40pouco conhecidas, né? Como também na região da Terra do Meio, na região de Caixão, inclusive onde tem
08:48algumas dessas áreas são áreas de unidades de conservação estabelecidas aí pelo Sistema Nacional
08:56de Unidades de Conservação, então é bastante importante a gente saber o que a gente está conseguindo
09:02proteger dentro dessas unidades, qual é a biodiversidade, as espécies que a gente está conseguindo
09:09proteger dentro dessas unidades.
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