00:00E o presidente do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, Gilberto Kassab, afirmou que se a eleição presidencial fosse hoje, Lula sairia derrotado.
00:11Kassab deu a declaração nesta quarta-feira durante evento em São Paulo. Abro aspas para ele.
00:15Se fosse hoje, o PT não estaria na condição de favorito. Eles perderiam a eleição. Os partidos de centro estão criando uma alternativa para 2026.
00:23Não vejo articulação para reverter. Piora no cenário. Não vejo hoje nenhuma marca boa, como teve Fernando Henrique Cardoso e Lula nos primeiros mandatos. Fecho aspas.
00:35Olha, até aí, a declaração do Kassab é descritiva, é analítica.
00:43Quer dizer, esses elementos estão sendo apontados no noticiário, estão sendo apontados pela análise.
00:49É uma análise que vai concatenando os fatos e vai traçando algumas distinções.
00:54Não chega a ser uma crítica tão opinativa.
01:00Ele está mostrando qual é o cenário.
01:02De fato, a gente não vê aí uma marca grande desse governo Lula.
01:07Aliás, Duda Teixeira sempre lembra que o governo Joe Biden nos Estados Unidos acabou sem nenhuma grande marca.
01:13Qual é o motivo pelo qual o Biden ficou marcado durante essa presidência para depois ser lembrado?
01:22Nenhum.
01:23O governo Lula vai caminhando numa direção bastante parecida.
01:28O Kassab já fez...
01:31Eu estou falando tudo isso antes de falar sobre a próxima declaração dele.
01:34Ele já fez declarações em entrevistas que a gente repercutiu aqui e fizemos entrevista com ele,
01:38inclusive no Papo Antagonista, mostrando que a esquerda ficou refém do Lula.
01:43Quer dizer, ele foi o presidente de partido que mais elegeu prefeitos em todo o país.
01:50Então, fala como quem faz a leitura do cenário político.
01:55Isso é uma coisa.
01:56Outra coisa é você estabelecer uma crítica direta a integrantes do governo.
02:00E o Kassab criticou o trabalho de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda.
02:05Abra o aspas para ele.
02:06O sucesso da economia precisa de ministros da economia fortes.
02:11Já tivemos FHC, Henrique Meirelles, Paulo Guedes.
02:14Eles comandavam.
02:15Hoje existe uma dificuldade do ministro Haddad de comandar.
02:19Haddad não consegue se impor no governo.
02:22Um ministro da economia fraco é sempre um péssimo indicativo.
02:26Feche o aspas.
02:28Olha, é claro que se pode considerar isso também uma descrição, uma análise.
02:34Mas, quando a gente vê o comportamento tradicional do Kassab e de outras lideranças, de centro ou centrão,
02:42a gente vê um certo cuidado.
02:45Eles evitam, muitas vezes, criticar pessoas específicas, porque, eventualmente, se aliam a elas.
02:52A depender do desgaste, da popularidade, etc.
02:56Então, o Kassab era conhecido por ser aliado ao Lula em esfera federal e ser aliado ao Tarcísio em esfera estadual aqui em São Paulo.
03:08Então, ele vai sentindo a temperatura.
03:11E o fato de o Kassab estar, vamos dizer assim, aumentando um pouco o tom da crítica,
03:17ele tem uma análise descritiva que mostra a esquerda com diversos problemas para o futuro.
03:24E com desgaste em segmentos importantes da população.
03:27Mas ele está aumentando um pouco.
03:29Ele está falando que o Fernando Haddad, ministro da economia, é um ministro fraco.
03:32Que o governo Lula não tem marca.
03:35Quer dizer, são declarações que começam a avançar um pouquinho.
03:39E isso acontece na esteira do resultado da pesquisa Genial Quest, que a gente divulgou, repercutiu aqui, dias atrás.
03:47Que mostra uma queda na aprovação do Lula de 5 pontos.
03:51A desaprovação superou a aprovação pela primeira vez nos últimos tempos.
03:57Então, é o que eu estava falando na pauta anterior.
04:01O Centrão vai sentindo o clima, vai aumentando o tom.
04:05E se não for recompensado pelo governo Lula, Ricardo Kertzmann, aí pode crescer para cima do governo.
04:13Mas, em geral, é recompensado.
04:15Quando o Lula sente que o desgaste está grande, ele começa a oferecer mais ministérios.
04:20E a turma do Centrão adora.
04:23Você estava destacando ontem, a gente estava analisando a notícia de que o Arthur Lira gostaria de ter o Ministério da Saúde.
04:30Aqueles com orçamentos maiores são aqueles favoritos do Centrão.
04:35Diga aí, o que você destaca?
04:38Felipe, são palavras muito duras, palavras assertivas.
04:42Eu diria incontestáveis.
04:45Me chama a atenção, porque é um tom um pouco acima do normal para um político da estatura eleitoral e da influência do Gilberto Kassab.
04:55Como você mesmo acabou de falar, estamos falando do líder do partido que hoje é responsável pelo maior número de prefeituras em todo o país.
05:05É responsável pelo maior número de prefeituras em São Paulo, que é o principal estado da nação.
05:11É o maior colégio...
05:11PSD. Só para deixar claro para o pessoal, o partido Kassab é o PSD.
05:14PSD.
05:17Isso, perfeito.
05:19É o partido com o maior número de prefeituras, no maior estado da nação, no mais poderoso estado da nação, no maior colégio eleitoral da nação.
05:26Então, não estamos falando de qualquer pessoa.
05:30Eu acho que tem um componente aí, e eu concordo com você.
05:33O Kassab é um cara que tem uma visão política, um faro político, talvez hoje no Brasil seja o maior de todos.
05:42E aí, talvez ele esteja começando a farejar o enfraquecimento sem retorno do governo Lula e começa a desembarcar desse governo.
05:52Quando ele fala do Fernando Haddad, também é incontestável.
05:56Quando ele diz que é um ministro fraco, é verdade.
05:59E olha, Felipe, tem muita gente que fala que a culpa é do Lula, que é o Lula que oprime o Fernando Haddad.
06:06Olha, você gosta assim como eu, sei que você gosta muito de psicologia, e a gente sabe que para todo oprimido, para todo opressor, aliás, há a figura do oprimido.
06:18A pessoa só se deixa ser mandada, ser oprimida se quiser.
06:22Então, por algum motivo, pode ser cálculo eleitoral, pode ser comodismo, pode ser temperamento, não importa.
06:27O Fernando Haddad deixa ser mandado pelo Lula, atende as vontades do Lula, atende as vontades da parte mais filiológica do PT.
06:38Ele sempre perde nos cabos de guerra.
06:40Então, a culpa é dele, a culpa não é do Lula ou do PT, ele que se coloca nessa situação.
06:46Enfim, eu acho que o Haddad descreveu um cenário muito, muito claro.
06:51Mas eu repito, são palavras muito duras para um político que costuma ser mais comedido nessas críticas.
06:59É só um disclaimer, porque às vezes a gente fala uma coisa num contexto e as pessoas eventualmente tiram do contexto.
07:04Então, o Ricardo falou que a pessoa só é oprimida se ela se deixa oprimir, principalmente quando leva muito tempo.
07:10Isso, claro, num regime supostamente democrático, em pessoas que têm liberdade de escolha.
07:15A gente não está falando sobre ditaduras em que as pessoas são oprimidas à base da força, com armas e elas ficam escravizadas e exploradas, etc.
07:25O Haddad, ele está lá nessa função, que é muitas vezes chamada de poste e ele não gosta, por livre e espontânea vontade.
07:36Ele supostamente defende um ajuste mais rígido de gastos.
07:40Muita gente acredita nisso, embora ele seja um petista, e o governo não consegue entregar esse equilíbrio fiscal,
07:50mas ele continua lá.
07:52Ele continua lá dando sinais claros de enfraquecimento, de submissão.
08:00Então, o que eu ia só especificar é que quando o Ricardo fala que a culpa é do Haddad,
08:05a gente está falando da culpa individual da pessoa que escolhe ficar naquela posição.
08:11É do ponto de vista psicológico, como bem colocou o Ricardo.
08:15Agora, a culpa pelas escolhas do governo é do chefe, é do líder, é do Lula.
08:20É que não se pode tirar a culpa do Haddad.
08:24É essa distinção que a gente está fazendo, certo, Ricardo?
08:28Quer dizer, ele escolhe estar ali, ele fica visivelmente enfraquecido, ele é responsável também por esse estado de coisas
08:37que está sendo descrito pelo Kassab.
08:39E está sendo bem descrito.
08:41A gente não está discordando.
08:42A gente está apontando que, olha, para uma figura política, um cacique, como o Kassab,
08:48falar algo assim publicamente é porque está farejando a impopularidade, o desgaste, o sangue, como a gente diz, metaforicamente.
08:56Mas, se o governo não mudar em alguma coisa, vai ficar difícil manter uma base de apoio.
09:04Pode não ter tempo para um impeachment, mas para uma alternativa eleitoral em 2026, o caminho fica mais aberto.
09:12Certo, Ricardo?
09:14Certíssimo, Felipe.
09:15A culpa dele, do Haddad, é pela própria fraqueza.
09:19É a analogia que eu fiz desse campo da psicologia do oprimido do opressor é essa.
09:23Ele se coloca nessa situação.
09:25Não, a culpa é dele.
09:27Agora, obviamente, que a culpa pelo processo inteiro, pela ruína econômica que a gente está em vigor,
09:34é de quem manda ele fazer o oposto do que deveria ser feito.
09:38É o presidente da república, claro.
09:40O que eu fiz de que
09:53darf?
09:53Obrigado.
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