00:00A gente lembra que a edição da Cruzoé já está disponível para acesso hoje e essa edição da
00:20Cruzoé ela vem recheada como sempre de boas matérias, artigos de opinião e análises. Hoje
00:27a gente vai falar um pouco sobre a matéria de capa da Cruzoé que ela traz um retrato de um Brasil
00:32endividado, um Brasil pagando juros, um Brasil no vermelho. Quem aí está nessa situação? Me diz,
00:41é você? Escreve lá no chat como é que está a sua situação financeira. Vamos ter, não sei se a gente
00:47vai ter boas surpresas, mas enfim. Otávio Augusto é quem assina essa matéria de capa e eu estou com ele
00:52aqui também para falar sobre essa matéria. Qual é o raio-x do Brasil financeiro hoje? Tudo bom,
01:00Otávio? Ei, Júlia, boa tarde para você, boa tarde para quem nos acompanha. Olha, a situação é crítica,
01:07ela tem aspectos muito duros para quem está pagando esses juros, essas contas e a perspectiva
01:13não é boa, não. Tu já vem numa sexta-feira com essas notícias todas assim na lata, Otávio? Como
01:19assim? Me explica, a situação é crítica, quer dizer então que a gente está de fato com o Brasil
01:24pagando mais juros e mais endividado, é isso?
01:29É isso, Júlia. O que acontece? Desde a pandemia o brasileiro perdeu renda e quando se perde renda
01:35ou você faz cortes para tentar equilibrar o orçamento e mesmo quando isso não é suficiente
01:40você começa a se endividar. Hoje, a cada dez famílias, sete estão endividadas e uma parcela
01:46grande dessas famílias, quase quatro famílias, estão inadimplentes. O que é isso, gente? É
01:51quando se deixa, é quando se perde a capacidade de pagar a dívida, de se honrar o que se está
01:57devendo. O que ocorreu? O salário foi encolhendo, a inflação foi diminuindo o poder de compra,
02:03lembrando que a inflação é o quê? O encarecimento geral de bens e serviços, a inflação foi corroendo
02:09com o poder de compra, o salário diminuindo. Esses dois fatores fez com que a torneira pingasse
02:14menos aí no nosso bolso. Com isso, as pessoas precisaram continuar comprando, consumindo e foram
02:20se endividando. Por que a gente está abordando esse assunto nessa edição da Cruzoe? Porque está se
02:26discutindo a taxação, a diminuição do juros rotativo, do cartão de crédito, que é a principal
02:32fonte de endividamento do país, cartão de crédito. O governo quer diminuir esse rotativo, o presidente
02:39do Banco Central, Roberto Campos Neto, defendeu que seja diminuído, mas também não pode afetar o
02:44comércio. Então está aquela briga ao como vai se mexer, como vai se entrar num acordo. Fato é que as
02:51pessoas não estão conseguindo pagar suas dívidas, o governo lançou o programa Desenrola, as pessoas
02:56estão renegociando mais de 8 bilhões, já foram movimentados nessas renegociações, 5 milhões de pessoas
03:03foram desnegativadas, mais de 1 milhão e 300 contratos firmados para tentar agora sim ajustar o compasso
03:09de pagamentos de dívidas, mas o Brasil ainda enfrenta um problema muito sério com o endividamento, que deve
03:14se arrastar por mais algum tempo. Então, pelo que você está dizendo, o governo fez algumas tentativas, mas até
03:21agora nenhum resultado que a gente possa alardear com números mais positivos, é isso?
03:27É isso, Júlia. As confederações que monitoram o endividamento, elas mostram que mais de 75% das
03:35pessoas estão endividadas, tem algum tipo de dívida. É um número muito alto, mostra que as pessoas ainda
03:41estão tentando consumir, estão tentando comprar, que existe algum tipo de aquecimento na economia, mas é
03:46muito perigoso quando esse aquecimento vem de um mundo vazio. Por que eu digo mundo vazio? As pessoas
03:52compram, mas elas não têm como honrar, elas não têm como injetar o dinheiro onde precisa ser injetado,
03:58então fica aquele buraco, aquele rombo, e cai no cartão de crédito, cai nos juros do rotativo. A discussão
04:04primordial agora, gente, é essa alta taxa do rotativo, ela ultrapassa 437% ao ano, e a discussão é como baixar.
04:12O governo pediu aos bancos, a Febraban, que apresente uma solução em até 90 dias. O presidente do Banco Central,
04:20Roberto Campos Neto, defendeu a senadores outra coisa, não pagou o cartão de crédito, vai direto
04:26para o parcelamento, que hoje o que acontece? Quando a gente não consegue pagar a fatura inteira,
04:30a gente vai para o rotativo, que é aqueles juros compostos, os juros sobre os juros. Por isso que a
04:34dívida cresce tão rapidamente. No parcelamento direto, cairia a um patamar de 181% ao ano, seria mais ou menos
04:429% ao mês. Seria semelhante aos juros do cartão do cheque especial, do final do cheque especial, que é de 8% ao mês.
04:51Então, reduz muito o endividamento, de 437% ao ano, para 181%, que ainda é alto, que ainda pesa no bolso,
05:00mas ali você diminui bastante a margem de endividamento da população.
05:04Pois, pelo jeito, então a gente está um pouco uma sinuca de bico, financeiramente falando.
05:10Otávio, obrigada de novo. E para quem está assistindo a gente, fica aí a dica para ler essa matéria e depois diz aí
05:16o que achou e como é que está a sua vida financeira. Você está dando exemplo ou está escondendo os cartões de crédito?
05:25Olha, Júlia, eu me controlo bastante, viu? Porque é muito triste quando a gente entra naquela bola de neve.
05:31Quantas vezes a gente conta em reportagens aqui no Antagonista e vê também em outros lugares,
05:36pessoas contando que estão endividadas, que não conseguem sair dessa bola de neve realmente,
05:44porque os juros compostos são muito maldosos. É aquela coisa que começa a crescer e você não sabe aonde vai parar.
05:51Uma dívida que era desse tamaninho fica enorme. Eu tento sempre pagar tudo no débito quando é possível.
05:57Maravilha. Obrigada de novo, Otávio. Bom final de semana para ti.
06:02Bom final de semana, Júlia. Bom final de semana a todos.
06:05Cruzoé, uma ilha no jornalismo.
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