00:00Durante a entrevista, Bolsonaro disse que só teme possíveis arbitrariedades
00:04por parte do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Vamos assistir.
00:09Olha, só possíveis arbitrariedades.
00:12Fora isso, eu não tive que temer ninguém nesse país.
00:15Nem ele é nós, nem nós é ele.
00:17Isso é uma democracia.
00:19Se você passar a intimidar as outras pessoas,
00:23daí realmente você está, não com uma, com dois pés fora das quatro linhas.
00:28Mas eu lamento hoje a prisão do Cid, por outro motivo.
00:33Dois outros assessores nele, bem como 250, quase 300, que eu tinha preso ainda.
00:40E quase que toda semana eu recebo vídeo de crianças que têm os pais presos,
00:47sem motivo, aparente.
00:50Até porque ninguém vai dar golpe no domingo, com cadeira vazia, desarmado,
00:54e sem uma pessoa para coordenar tudo isso aí.
00:58Muito bem, é mais do mesmo.
01:03Ele foi questionado por Graeb e Wilson a respeito de temer o Alexandre de Moraes.
01:11Ele diz que só teme arbitrariedades.
01:13Quer dizer, a única coisa que pode ser feita contra ele seria uma arbitrariedade,
01:18porque ele é limpinho, ele não fez nada de errado.
01:20É uma narrativa de defesa.
01:23É claro que a gente precisaria analisar cada caso específico.
01:26E a gente vai ter a oportunidade de fazer isso.
01:28já teve, em relação à ineligibilidade, como em relação a alguns outros processos,
01:34e vai ter ainda nos processos que ainda estão em curso.
01:37Wilson Lima, quer acrescentar?
01:41É, isso foi um daqueles momentos de sincericídio do ex-presidente da República.
01:46Eu confesso que nas outras entrevistas que ele deu, acho que ninguém fez uma pergunta tão clara nesse sentido.
01:52Se ele teme, se ele tem algum temor em relação ao Alexandre de Moraes, que foi o seu algoz.
01:56Então, tem esse contexto.
01:58Mas é bem isso que você falou, Filipe, quem não deve não teme, né?
02:04E ali tem muito, né? Você tem muita dívida, né?
02:07Você tem alguns...
02:10Você teve quatro anos aí de vários erros que agora começam a ser cobrados judicialmente.
02:16Não é um...
02:19É, de novo, não é uma situação confortável a do ex-presidente.
02:23E outra coisa que ficou clara aí, não é?
02:25Eu estou falando de bastidor, nessa conversa que durou aproximadamente uma hora e meia,
02:30é que ele evitou ataques muito incisivos aos seus algozes, né?
02:33Falou, evitou um ataque muito incisivo ao Lula, evitou um ataque muito incisivo ao Alexandre de Moraes.
02:39Mas, justamente, né, com esse receio, né, de tensionar ainda mais essas relações com os dois, com esses dois personagens, né?
02:47Afinal de contas, é bom lembrar que o ex-presidente já não tem mais o poder da caneta.
02:51Então, isso pesa, isso pesa muito, ainda mais em relação a um presidente da República e a um presidente de tribunal superior.
03:01Posso falar uma coisa?
03:02Eu acho essa frase do Bolsonaro maravilhosa.
03:07Ela é praticamente uma frase de manual sobre como deve funcionar uma democracia.
03:17Eu não temo eles, eles não me temem, isso é uma democracia.
03:23Quando alguém passa a intimidar, você está jogando fora as regras do jogo.
03:28É maravilhoso, é de uma clareza, de uma simplicidade, de uma correção exemplares.
03:34Então, eu fico me perguntando, é um exercício aqui de ficção científica, né?
03:44O que teriam sido os últimos quatro anos se essa máxima, né, que o Bolsonaro conseguiu expressar com uma clareza,
03:55a concisão, realmente exemplares, né, tivesse sido de fato praticada, praticada por ele, praticada pelo grupo de políticos que o cercavam, né?
04:09Se essa percepção de que o medo, de que o medo, a intimidação, a ameaça constantes, não devem ser um ingrediente da vida democrática, né?
04:25Teria sido um outro país, teria sido um outro país.
04:33O que fica, né, na cabeça, depois de ver ele expressando, volta a dizer, né, de maneira admiravelmente clara o raciocínio,
04:45é, será que isso é uma percepção que ele tem de agora?
04:50Será que é um recuo tático, como disse o Felipe no começo do programa?
04:57Será que é só por conveniência?
04:59Será que aprendeu alguma coisa depois desses quatro anos?
05:04Será que é só porque a perspectiva de uma condenação até criminal é real, que ele está dizendo isso?
05:12É muito triste perceber que o ex-presidente da República sabe articular a ideia, mas não a pôs em prática nos quatro anos em que ficou no poder.
05:25Não sei se vocês concordam comigo.
05:28Não, eu estava aqui, Graeve, você falando assim, será que é um recuo tático, como disse o Felipe?
05:33E eu, sim!
05:35Será que ele aprendeu alguma coisa?
05:37Não!
05:38É que ele não combinou, não deu.
05:40Será que é só por conveniência?
05:42Sim!
05:44Então, é muito nítida a mudança de tom do Jair Bolsonaro, de quando ele tinha poder e agora que ele não tem.
05:53Quando ele tinha poder, o que ele falava era acabou porra para o Alexandre de Moraes.
05:58Pois é.
05:58Agora ele fala, olha, eu temo apenas arbitrariedade, etc.
06:02Quer dizer, ele ainda tem um ressentimento, ele ainda tem uma vontade de dizer que essas pessoas cruzaram as linhas, etc.
06:17Mas ele diz, nesse tom mais moderado, mais ponderado, se for feita alguma coisa contra ele, que é tão bonzinho e tal, e que se comportou tão direitinho, ele será vítima de uma arbitrariedade.
06:33É o máximo onde ele chega.
06:35Tem aí um pouco de ruído ainda com o Alexandre de Moraes, mas é um ruído muito mais soft.
06:41Não, não, é isso, é muito triste, porque assim, ele mostrou que ele entende como o jogo poderia funcionar, mas não funcionou durante os quatro anos do governo dele.
06:55E o principal responsável por não ter funcionado desse jeito foi ele mesmo.
07:03Então, se ele sabe como o jogo pode funcionar, é mais perturbador ainda, você perceber, foi uma decisão consciente de se afastar disso aí que ele falou.
07:19Eu não te intimido, você não me intimida, é assim que funciona numa democracia.
07:33Obrigado.
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