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Em entrevista ao Money Times Brasil, Ralf Germer, CEO da PagBrasil, analisou os efeitos da derrubada do decreto que aumentava o IOF e seus impactos na economia brasileira e no setor de pagamentos digitais. Ele fala sobre como a mudança afeta as empresas, consumidores e o mercado de pagamentos internacionais, além da visão sobre o futuro do Brasil e os desafios para os investidores.

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Transcrição
00:00E a Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram então nessa quarta-feira, né, já falamos sobre isso, a derrubada do decreto que aumenta o imposto sobre operações financeiras do IOF.
00:08Com isso, as alíquotas antigas voltaram a ser aplicáveis e com isso também o governo perde a arrecadação estimada em 10 bilhões de reais.
00:17A gente vai falar sobre os impactos dessa decisão no bolso dos brasileiros, no setor de pagamentos digitais.
00:23O papo agora é com o Ralf Gemmer, que é CEO da PagBrasil, e já está com a gente aqui no estúdio do Money Time.
00:28Seja muito bem-vindo, Ralf. Prazer, viu?
00:30Prazer.
00:31O Felipe Machado, nosso analista, vai participar da nossa conversa também.
00:34Como é que você está vendo em toda essa situação? O que isso está sinalizando para o mercado e como é que você imagina as coisas daqui para frente, Ralf?
00:43Olha, é muito falado no mercado sobre o impacto político, né, que é muito grave dessa derruba do aumento do IOF.
00:50Mas eu vejo isso como empresário e do ponto de vista econômico de outra maneira, né.
00:56O IOF é um imposto que é contra-produtivo economicamente, né, porque tributa o movimento do dinheiro, né.
01:05E o que a gente precisa no Brasil não é tributar o movimento do dinheiro, né, que é contra-produtivo contra investimentos, inovação e crescimento da economia, né.
01:16Vou dar um exemplo, né, o que acontece, né.
01:19Imaginamos uma empresa, uma indústria que produz algum produto, fabrica algum produto aqui no Brasil, né.
01:24Então, essa empresa precisa comprar matéria-prima.
01:27E para isso, normalmente, empresta dinheiro, né.
01:30E então, para emprestar esse dinheiro, vai pagar IOF sobre crédito.
01:33Depois, ela talvez precisa comprar alguns insumos, algumas peças fora do Brasil e para isso precisa fazer uma transferência de pagamento para fora do Brasil, paga IOF sobre transferências internacionais.
01:49Depois, ela fabrica o produto e tem que transportar o produto até o distribuidor, né.
01:55Então, pega um, contrata um seguro e paga IOF sobre o seguro.
02:00E o comprador, o distribuidor, né, que vende o produto ao cliente final, depois, também tem que financiar essa compra, empresta dinheiro e paga imposto IOF sobre o crédito.
02:12E isso encarece em toda a cadeia de produção e de comércio o produto.
02:20E isso faz o Brasil menos competitivo, né.
02:22Porque em outros países não existe esse tipo de imposto em toda a cadeia e o produto sai mais barato e sai mais competitivo.
02:32Perfeito. Felipe.
02:33Alvio, boa tarde.
02:35Alvio, você como um empresário aqui no Brasil, né, saindo um pouquinho dessa questão do IOF, claro que tem a ver, mas de uma maneira mais ampla.
02:43Como é que você está vendo a economia brasileira nesse momento?
02:46Há uma discussão no Congresso, né, o Congresso está dizendo que a economia, o Congresso é um Congresso mais de oposição.
02:51Está fazendo muitas críticas ao governo e os números do governo, se a gente olhar friamente, são números positivos.
02:57Uma inflação razoavelmente controlada, o desemprego baixo, enfim, o PIB também com bons números.
03:06Como é que você vê, de uma maneira geral, sem o viés político, né, por ser uma pessoa, por um empresário, como você vê a economia brasileira hoje?
03:13Por um lado, a economia está indo bastante bem, né, como você já comentou, né, que está com um crescimento, a inflação está um pouco mais alta do que deveria ser, mas está não astronômica.
03:28E existe investimento, existe comércio, né, a economia está robusta, né, também no lado do emprego, a gente consegue ver isso no mercado, né.
03:38O que me mais preocupa é a visão no longo prazo, né, investimentos, né, e uma medida como essa de aumento do IOF, que aconteceu em maio, no 22 de maio, né,
03:47é uma medida que não dá confiança aos investidores, tanto no Brasil como de fora, né, e a economia brasileira precisa de investimento, investimento nacional.
03:58Então, uma economia onde um tributo surge de um dia para o outro, né, e não dá segurança tributária e jurídica aos investidores,
04:07temos uma situação que não favorece investimentos estrangeiros, né.
04:12Eu sou alemão de origem, eu estou muito na Europa e também nos Estados Unidos e vejo como o Brasil é visto de fora, né.
04:20E aí, muitas vezes, esse tipo de coisas não se entende, né, porque nessas economias temos normalmente, nos Estados Unidos,
04:28talvez nesse momento também não temos mais essa situação, mas na Europa, ao menos, ainda temos uma grande estabilidade, né,
04:34que, e nós estamos, os investidores não estão acostumados com essas altas e baixas de impostos.
04:42Idas e vindas também, né.
04:44Idas e vindas, isso mesmo.
04:45E agora, então, conta pra gente, né, como é que estava esse mercado, esse setor, especialmente a sua empresa,
04:51até ontem, né, com essa coisa ainda em dúvida, como é que fica daqui pra frente, em relação ao IOF?
04:58É claro, isso nos impactou já no aumento do IOF, né, porque não, a gente, claro, no momento que foi aumentado,
05:06a gente teve que aplicar isso a todos os nossos negócios, mas houve clientes estrangeiros nossos, né,
05:11que processam pagamentos com a gente, que receberam menos dinheiro que eles pedavam, né,
05:15e isso é muito impactante, né, porque a gente não transfere instantânea cada transferência de pagamento,
05:19a gente acumula e transfere uma vez por semana, uma vez por mês, uma vez cada duas semanas,
05:24e esses clientes receberam menos, né, agora, talvez vão receber um pouco mais do que esperavam,
05:31mas também nós sabemos como acaba toda essa história, né, então existe incerteza.
05:36Tem empresas estrangeiras que pararam vender ao Brasil depois do aumento do IOF,
05:40porque não é tão fácil assim de mudar os preços e os sistemas e tudo, né,
05:46então, houve empresas que pararam, vamos ver o que essas empresas vão fazer agora, né,
05:51E, claro, alguns produtos têm impacto direto, né, a gente tem um produto que chama PIX Internacional,
05:57que permite aos brasileiros pagarem com PIX no estrangeiro, quando viajam para fora,
06:02e aí, até ontem, cobrávamos 3,5% do IOF e agora podemos voltar a 0,38% do IOF,
06:11então, os brasileiros agora, outra vez no estrangeiro, podem pagar com PIX e não sai mais econômico,
06:17pagando com PIX lá fora, por causa do IOF, que é mais barato que no Catone Credit,
06:22mas também já o produto de PIX é mais econômico em si, então, é uma vantagem para quem viaja para fora,
06:29agora pode, outra vez, ter um câmbio muito melhor.
06:32Certo. Felipe, mais uma sua.
06:34Ralf, você falou que os investidores estrangeiros, enfim, que processam pagamentos do exterior,
06:40ficaram surpresos com essas mudanças e tudo mais, agora, de uma maneira geral, né,
06:44com exceção dessa questão do IOF, como é que é visto o Brasil lá fora?
06:49Como é que você, a percepção do governo brasileiro, não só do governo brasileiro,
06:52mas da economia brasileira como um todo, como é que é vista lá fora pelos seus clientes,
06:57pelos seus parceiros, enfim, colegas estrangeiros?
07:00Eu tinha muita expectativa que o Brasil atraísse mais investimentos, né,
07:05porque, a nível geopolítico, no mundo inteiro, temos muita instabilidade, temos muita incerteza,
07:13e isso, normalmente, faz que os investidores buscam destinos estáveis, né.
07:20Mas a gente não conseguiu transmitir tanto isso para fora, né.
07:24Claro, a nível diplomático, o Brasil fez um trabalho, um bom trabalho,
07:29mas, no ponto de vista econômico, não é visto como o destino seguro,
07:36ou o porto seguro para investimentos, né, e aí a gente ainda tem que trabalhar,
07:41e, claro, com...
07:43Eu acho que é importante também, olhando para esse projeto do IOF, né,
07:47que tem que ter um plano a longo prazo para o país, né,
07:52e, em base nesse plano de longo prazo, tem que tomar decisões de tributação, né,
07:58de aumentar, de baixar, de mudar, de reorganizar,
08:01mas tem que ter um objetivo para a sociedade e para a economia, né,
08:05em base nisso tem que fazer essas coisas, e não só agora falta um pouco de dinheiro,
08:08vamos aumentar algum imposto, né.
08:10E isso, o Brasil é visto através dessas ações lá fora, né,
08:16por isso é tão importante não atuar dessa forma.
08:20O Ralf, conta mais para a gente, da empresa mesmo, o PagBrasil,
08:25quem são os principais clientes, né, em quem que vocês miram,
08:28e quais os produtos que acabaram sendo mais impactados
08:31e que ficaram nesse limbo com a história aí do IOF?
08:34Sim.
08:35A PagBrasil é uma empresa de tecnologia de pagamentos digitais,
08:38a gente processa pagamentos para empresas e para pessoas.
08:43E temos uma grande parte dos nossos clientes,
08:45são empresas brasileiras, comércios brasileiros,
08:48que processam pagamentos digitais online no site, por exemplo,
08:51e aí não impacta diretamente porque não existe o IOF nessas transações, né.
08:57Existe sim na antecipação dos recebíveis,
08:59aí as empresas podem pagar IOF, né, agora também impactou com esse aumento,
09:04e depois a gente tem clientes no mundo inteiro, né,
09:06a gente tem empresas que vendem da Ásia, da Europa, dos Estados Unidos,
09:10até regiões como África, ao mercado brasileiro.
09:15E essas empresas todas pagavam antes 0,38% do IOF,
09:19e com o aumento do IOF acabaram pagando 3,5%,
09:23e agora vai voltar outra vez para 0,38%, né.
09:26E temos dois outros produtos, que é o Pix Internacional,
09:29que já mencionou, que permite aos brasileiros pagarem no estrangeiro,
09:32e outro produto que a gente chama Pix Roaming,
09:34que permite aos estrangeiros pagarem com Pix no Brasil, né,
09:38que é cada vez mais importante, porque tem na praia,
09:41às vezes só aceitam Pix e dinheiro, e para dinheiro não tem troca,
09:45e tem lugares onde tem desconto pagando com Pix,
09:48e os estrangeiros ficam fora disso, assim, não tem acesso ao Pix.
09:51Então a gente tem uma plataforma que conecta com os bancos lá fora,
09:55e as pessoas, os estrangeiros turistas que vêm ao Brasil
09:58podem usar o seu aplicativo do banco, que usam já no país de origem,
10:03e pagar o Pix como se estivesse em casa,
10:05e o dinheiro é descontado na moeda local deles, na conta deles, né.
10:08E aí, também, claro, o UF, nesse caso o UF não foi aumentado, né,
10:15para dinheiro que entra no Brasil, mas mesmo assim,
10:18esperamos que continue assim, porque é importante também para os estrangeiros.
10:22Felipe.
10:23Ralf, gostaria de te fazer uma pergunta um pouco pessoal.
10:26O seu português é muito bom, eu queria saber como é que você veio
10:29se tornar um empresário brasileiro aqui,
10:32como é que foi o seu caminho dessa trajetória profissional
10:35até criar essa empresa no Brasil?
10:37Muito obrigado, primeiro, pelo meu português,
10:39eu tento, vou aprendendo todos os dias e melhorando,
10:43mas eu, quando era jovem,
10:45meu pai trabalhava numa empresa alemã, Bosch,
10:49e toda a família foi para o Brasil.
10:50Estudei num colégio alemão brasileiro aqui em São Paulo,
10:53e depois de finalizar o colégio, eu voltei para a Alemanha, né,
10:56fiz faculdade lá de engenharia, economia,
10:59mas sempre mantive o laço com o Brasil, né,
11:03viajei muitas vezes para o Brasil.
11:04E 15 anos atrás eu morava em Barcelona, na Espanha,
11:08e tinha uma empresa que vendia software no mercado brasileiro.
11:11E precisava de uma empresa que processasse pagamentos localmente no Brasil,
11:16em reais, com boleto e outras formas de pagamento.
11:19E nessa época não existia, né, isso foi em 2007, 2008.
11:22Então eu decidi criar essa empresa.
11:24Mais tarde me juntei com o meu sócio, Alex Hoffman,
11:27de Porto Alegre, gaúcho,
11:28e a gente criou a PagBrasil e com isso, né,
11:32e depois de um tempo eu me mudei de volta para o Brasil, né,
11:35agora moro aqui em São Paulo 100% de novo e estou feliz com isso.
11:38Ah, muito legal, né?
11:39Muito legal.
11:40Que interessante a gente saber, né, dessa história por trás.
11:43E para a gente finalizar,
11:44bom, então vocês, né, tem o core de vocês,
11:47a gente está falando de pagamentos digitais, né, Ralph?
11:49E com essa situação do Brasil, que não é uma coisa de hoje, né,
11:53dessa incerteza, insegurança jurídica, fiscal e etc.,
11:57e mudanças frequentes na tributação,
12:00quais são as estratégias que vocês adotam?
12:02O que você pode deixar, né, de sugestão para a nossa audiência também,
12:05para alguém que também sofra com isso?
12:07É, pensa, primeiro, todo empresário brasileiro precisa ter um negócio
12:11que dá uma boa rentabilidade, né,
12:13porque existem muitos riscos e, de repente, você paga mais aqui
12:18ou tem um prejuízo aqui.
12:19Então, tem que ter, tem que ser um modelo de negócio robusto,
12:22senão não funciona nesse país, né,
12:23e todos os empresários brasileiros sabem disso.
12:27E, por outro lado, a gente está num segmento tecnologia, né,
12:30que é muito dinâmico, né,
12:31as coisas mudam, mudam por inovação tecnológica,
12:35mudam por concorrência que vem lá de fora,
12:38mudam por regulamentação do Banco Central.
12:41Então, a gente está num ambiente muito dinâmico,
12:45constantemente nós temos que adaptar, né,
12:47isso tem que estar no DNA da empresa, né,
12:50de todas as pessoas que trabalham na empresa.
12:52Temos que sempre aprender e nos adaptar às situações do mercado.
12:58E nós, como empresa, buscamos agregar valor em tudo que a gente faz.
13:05Então, nós fazemos um produto que todo mundo faz, né,
13:08fazemos, criamos soluções inovadoras, únicas no mercado.
13:14E, com isso, a gente consegue agregar valor no mercado para o cliente,
13:17para o comerciante e ganhar dinheiro com isso também como empresa.
13:20E, mesmo com todos esses desafios, o setor de tecnologia bancária,
13:23especialmente do Brasil, é exemplar, é referência, é reconhecido fora daqui, né?
13:27Sim.
13:28Dinâmico, muito inovador.
13:29Correto, né, como eu falei, eu viajo muito para fora e o Brasil é reconhecido no setor bancário
13:35e agora com o PIX mais ainda, né, porque é uma tecnologia que é única no mundo.
13:41Existem coisas similares, né, mas o sucesso do PIX é único a nível mundial.
13:46E ainda estamos no começo com essa viagem, agora com o PIX automático,
13:50que foi lançado no 16 de junho.
13:52Temos uma tecnologia que, existe alguma coisa na Índia,
13:57mas do resto do mundo não existe uma tecnologia.
13:59E é muito superior a tudo que existia no Brasil e em outros países no mundo, né,
14:06para processar pagamentos recorrentes.
14:08Então, a gente está num bom caminho no setor fintech,
14:12no setor bancário aqui no Brasil e de pagamentos.
14:16Só ficar de olho no IOF agora, então.
14:18Muito obrigada, viu, Ralf, já é MCO da Pag Brasil pela participação com a gente.
14:22Boa tarde, volto sempre.
14:23Muito obrigado, Natália.
14:24Obrigado, Ralf.
14:25Obrigado, Ralf.
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