00:00E trouxemos também ao Meio Dia em Brasília, ele entrou ali no Meio Dia mais cedo,
00:04mas a entrada dele agora, nesse momento, Felipe Hermes,
00:07que é colunista da Cruzoé, também especialista em mercado financeiro.
00:11Tudo bem, Felipe Hermes, seja bem-vindo ao Meio Dia em Brasília.
00:14Opa, tudo bem que isso, é um prazer voltar aqui,
00:17sempre um prazer falar com vocês, com seu público bastante qualificado,
00:21gosto desse tipo de discussão, sempre útil.
00:25Sem dúvida, Felipe, você já é membro de carteirinha aqui do Meio Dia em Brasília.
00:30E, Felipe, o que aborda essa coluna sua?
00:33O que você fala em relação ao agro brasileiro?
00:36E também trazendo essa vertente aí para o MST,
00:38já que há toda essa ofensiva do MST em cima dos produtores,
00:43em cima do pessoal do agro, tem esse embate aí que está acontecendo,
00:47que a gente está acompanhando.
00:48Qual é a análise que você faz no seu artigo, na sua coluna, Felipe?
00:52Bom, eu acho que, se eu pudesse resumir a ideia do artigo,
00:58é trabalhar um pouco no setor de produtividade.
01:00A produtividade brasileira está estagnada desde 1980,
01:06a riqueza média produzida por cada trabalhador não cresce.
01:10E a gente sabe o tanto que isso causa de problema,
01:14porque, na medida em que o trabalhador brasileiro
01:17ele não produz mais riqueza,
01:20a gente vive numa luta para distribuir a riqueza que já é produzida.
01:25Então, a gente vai ter essa discussão por aumento de salário mínimo,
01:29a discussão pelo salário de homens e mulheres,
01:32porque, em boa medida, o salário das pessoas não cresce.
01:38Você tem um estudo do IPEA, por exemplo,
01:41que mostra que, entre 1986 e 2017,
01:47o salário médio no setor privado,
01:50quando considerado a inflação, ele caiu 4%.
01:53Ou seja, os trabalhadores,
01:56em quase 40 anos,
01:57ou pouco mais de 30 anos,
02:00passaram a receber menos no Brasil.
02:03E isso gera problemas imensos,
02:07além de favorecer um populismo por parte do governo,
02:11na medida em que a população passa,
02:13se torna mais necessitada de auxílios,
02:17enfim, todas as questões que a gente vê no Brasil hoje.
02:21E, dentro dessa situação,
02:23eu busquei trazer um pouco daquilo que funciona,
02:27de fato, no Brasil,
02:29daquele setor que cresce como nenhum outro no Brasil,
02:34que é o setor primário de agropecuária e extrativismo.
02:40Ou seja, a gente tem um setor primário bastante produtivo
02:44e que cresce sete vezes mais
02:47do que o setor industrial e setor de serviços no Brasil.
02:52E com algumas características próprias.
02:55Muitas pessoas vão dizer que o setor agrícola,
02:59ele cresce porque o governo subsidia
03:01ou porque o setor tributário favorece o agro.
03:08E, quando a gente olha
03:10para as causas fundamentais desse crescimento,
03:14o fato de o setor agrícola agregar bastante tecnologia
03:20e ter uma competição internacional
03:22que favoreça a sua produtividade,
03:25a gente vê que o governo tenta,
03:30de certa forma,
03:31se apropriar de um sucesso
03:32que não é propriamente dele.
03:35Porque todos os setores brasileiros,
03:38todo mundo que tem poder, dinheiro e voz
03:42para falar no Congresso,
03:44busca o seu próprio benefício tributário,
03:48sua desamoração fiscal,
03:51crédito favorecendo.
03:52Então, não é exatamente isso que torna
03:55um setor produtivo e desenvolvido.
03:59Não é o fato de ter um banco estatal ajudando,
04:02porque isso a gente tem em todos os setores.
04:05O agro tem essas características próprias,
04:09especialmente na competição internacional.
04:11O Brasil, desde 2000,
04:12ele apresenta um crescimento de produtividade maior
04:17do que outros países,
04:19como Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália,
04:22que são grandes produtores agrícolas também.
04:25O Brasil lidera em termos de produtividade.
04:28Então, acho que,
04:30fundamentalmente, a ideia do artigo é
04:32tentar entender por que a gente olha muito pouco
04:35para os nossos exemplos bem-sucedidos
04:38e foca naquilo que virou notícia hoje,
04:42por exemplo,
04:43em reativar pela sétima ou oitava rua,
04:47já me perdi nas contas,
04:49a nossa indústria naval.
04:50Então, por que a gente está discutindo
04:52o preço do carro popular no Brasil
04:57se a gente está, há seis, sete décadas,
05:01subsidiando a indústria automotiva
05:03e ela não se torna mais produtiva,
05:05o carro não se torna mais barato,
05:07a gente não consegue criar
05:08uma indústria naval brasileira.
05:11Então, a gente está olhando,
05:13repetindo erros do passado
05:15e ignorando os casos de sucesso
05:19que a gente teve na economia brasileira.
05:23Felipe Hermes,
05:24uma informação que eu acho
05:25que vale a pena a gente lançar aqui,
05:27você dá um...
05:30lança-luz sobre diversos temas,
05:31inclusive sobre a questão da tecnologia,
05:33o agro e tecnologia.
05:35E eu vou puxando aqui para um tema
05:38que a gente tem visto
05:39que o governo tem se esforçado
05:41para tentar fazer um aponte
05:42com o agronegócio.
05:44De hora ou outra,
05:45ele busca ali a proximidade,
05:47faz uma reunião e tal,
05:50tem feito esse esforço,
05:51mas em contrapartida,
05:52ele não larga o osso de apoio ao MST.
05:55Até que ponto esse jogo duplo
05:57que o governo tem feito,
05:59que especialmente o presidente Lula tem feito,
06:01de um lado afaga o agro,
06:04do outro também tenta acalmar os ânimos do MST,
06:07pode vir a prejudicar e, de fato,
06:10distanciar o agro do governo
06:12para a implementação de novos projetos
06:14em prol do setor?
06:15Eu acho que essa é uma tática
06:19que o Lula sempre fez.
06:21O Lula é o cara que vai no sindicato dos operários,
06:23fala mal dos bancos
06:24e depois vai na Febraban
06:26e fala que o país precisa disso
06:29e daquilo que, enfim,
06:31os banqueiros querem ouvir.
06:33Ele fala o que todo mundo quer ouvir.
06:35A diferença é que agora
06:36ele está fazendo isso
06:37numa época de redes sociais.
06:38Então, a gente sabe o que ele falou
06:40na conversa com o MST,
06:43a gente sabe o que ele falou
06:44na conversa com o agro
06:45e a gente vai chocar as duas falas
06:48e elas são incoerentes.
06:51Eu lembro, acho que durante a campanha mesmo,
06:55que o Lula foi falar com os petroleiros
06:57e teve um determinado momento
07:00em que ele ficou extremamente irritado
07:01porque as pessoas não paravam
07:02de gravar com o celular.
07:04E isso mostra muito
07:07essa visão do Lula
07:08de fazer política,
07:09tentando ser
07:12o grande conciliador de classes.
07:15Mas, respectivamente ao agro,
07:18eu acho que existe um entendimento
07:19bastante forte
07:22de base ideológica
07:23na formação do PT
07:24e de boa parte da esquerda,
07:27tem uma origem marxista também,
07:31de ver a indústria
07:33como o único setor capaz
07:35de levar ao desenvolvimento.
07:37dentro da teoria marxista
07:40em que tudo é robotizado,
07:43em que as horas de trabalho
07:44são computadas,
07:46existe muito pouco
07:47espaço e apreço
07:50por outras formas
07:51de produção
07:53que não aquela linha
07:54de produção tradicional
07:55da indústria.
07:57Dentro dessa lógica
07:59de valor do trabalho,
08:00isso passa para toda a base
08:02intelectual do PT,
08:05acadêmica do PT,
08:08e a gente fica preso
08:09nessa ideia
08:10de que a gente precisa
08:12ter uma linha de produção
08:13e uma indústria forte,
08:15uma indústria desenvolvida
08:16para competir
08:17com o resto do mundo,
08:19e a gente ignora
08:21outros exemplos
08:22bem-sucedidos.
08:24E, mais do que isso,
08:25a gente, quando olha
08:26para a indústria,
08:27entende muito pouco
08:28o que pode melhorar
08:30a indústria brasileira.
08:31A gente não pensa,
08:34nunca pensou,
08:35pelo menos durante
08:36o primeiro ou segundo
08:37mandato Lula,
08:38ou durante o mandato
08:39do primeiro governo Dilma,
08:42que foi um mandato
08:43bastante próximo
08:45da Fiesp,
08:46Dilma e a Fiesp
08:48fizeram uma tabelinha
08:50em boa parte
08:51do seu primeiro mandato,
08:56mas não atacou
08:57as causas
08:58da baixa produtividade
09:00da indústria brasileira.
09:01A gente nunca olhou
09:02para o fato
09:04de que a indústria brasileira
09:05importa pouco tecnologia,
09:07ela não compete
09:08com o resto do mundo,
09:09que é exatamente
09:10o que o agro faz.
09:11Então, durante
09:12o governo Dilma,
09:14a gente teve aquele
09:1411 de setembro
09:15no setor elétrico,
09:17que buscava diminuir
09:19o preço da energia
09:20em 20%,
09:21o que acabou
09:22gerando um prejuízo
09:23de 100 bilhões de reais.
09:26A gente teve fraude
09:27no índice de inflação
09:28por meio de congelamento
09:29de preço da Petrobras.
09:31A gente teve
09:31em diversas medidas
09:32o Programa de Sustentação
09:34do Investimento,
09:36carinhosamente
09:37apelidado
09:37de Bolsa Empresário,
09:39deixou 1,2 trilhão
09:41de reais
09:41as mil maiores
09:43empresas no Brasil.
09:44Mas a gente
09:45não pensou em...
09:47A gente teve também
09:48a desoneração da folha,
09:50que é um fator importante
09:51para a indústria,
09:52que, posteriormente,
09:53o estudo do ISPER
09:54mostrou que custou
09:56500 bilhões de reais
09:57e não gerou nenhum emprego
09:59a mais.
10:02Mas a gente não olhou
10:03para essa baixa intensidade
10:06de tecnologia,
10:08o fato de que é muito difícil
10:10para as empresas,
10:12para as grandes indústrias,
10:13importarem tecnologia
10:14do exterior.
10:16Então, por exemplo,
10:16se você olha
10:17para a reforma tributária
10:19do API,
10:20que é possivelmente
10:22aquilo que o Ministério
10:24da Economia,
10:24o Ministério da Fazenda,
10:25vai se empenhar agora,
10:28um dos pontos centrais
10:30é que ela desonera investimentos.
10:32Então, essa reforma tributária,
10:34você pega
10:34o que você gasta
10:36com máquinas e equipamentos
10:37e você usa na base de cálculo
10:39para deduzir o seu investimento.
10:41Se isso tivesse sido implementado
10:43há 15 anos,
10:46ao invés de o governo
10:47simplesmente enxurrar
10:48o mercado de crédito,
10:50a gente teria tido
10:51um impacto certamente
10:52muito mais positivo
10:54do que a gente teve
10:57com todas essas medidas
10:58que levaram ao governo Dilma
11:01a criar a grande depressão brasileira.
11:05Maravilha.
11:05Eu estou vendo aqui,
11:06estou dando uma lida
11:08no artigo do Felipe Hermes aqui,
11:10e ele fala um dado interessante
11:11aqui para vocês,
11:13é que embora todo esse contexto
11:15de nenhuma valorização ao agro
11:17e tudo o que o agro tem feito,
11:19as evoluções trazidas,
11:21o agro ainda segue crescendo
11:23e segue sendo o único setor
11:25a apresentar ganhos relevantes
11:27de produtividade.
11:28Está aqui no artigo do Felipe Hermes,
11:30a gente tem que ficar por aqui,
11:32Felipe, o horário já está avançado,
11:34mas agradeço muito
11:34a sua participação.
11:35O chat aqui,
11:36diversos comentários positivos,
11:38aí a você,
11:39a Neuza botou
11:40muito boas observações,
11:42a Patrícia botou
11:43excelente,
11:44a Nina também concordou com você,
11:46logo mais cedo,
11:47o Valdeci falou
11:47excelente programa,
11:49agradecendo você aí
11:50por essas contribuições
11:52e por trazer esses dados
11:53em relação ao agro brasileiro.
11:55Obrigada, Felipe Hermes,
11:57pela gentileza,
11:57obrigada pela participação
11:58no Meio Dia em Brasília.
12:00Muito obrigado
12:00e fico sempre à disposição
12:02para a gente falar
12:02desses assuntos divertidos.
12:06E a gente conta com você,
12:08sem dúvida.
12:09Obrigada.
12:20Obrigada.
12:21Obrigada.
12:22Obrigada.
12:23Obrigada.
12:24Obrigada.
12:25Obrigada.
12:26Obrigada.
12:27Obrigada.
12:28Obrigada.
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