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  • há 1 ano
Situada em Planaltina, no Distrito Federal, a sede da Embrapa Cerrados conta com um inusitado jardim japonês. É por lá que estão depositadas as cinzas do pesquisador Masato Kobayashi.

Desconhecido no Brasil, Kobayashi foi o líder da missão da JICA, a Agência Japonesa de Cooperação Internacional, em um dos projetos mais revolucionários já empreendidos no Brasil.

Ao contrário do mito descrito na carta do descobrimento de que por aqui "em se plantando tudo dá", o Brasil passa longe de ser um país abençoado pela natureza.

Nossos problemas geográficos são diversos, não por coincidência, 60% da nossa população vive na região costeira.

Temos desde rios que correm para dentro, como o Tietê que nasce há 22 km do mar, mas percorre um caminho de 1136 Km até finalmente encontrar o oceano Atlântico, como também solos impróprios para o cultivo agrícola.

E foi justamente nesse segundo ponto que, em 1977, a Embrapa e a agência japonesa decidiram atuar.

Por meio dessa cooperação, o Brasil superou os desafios geográficos, incluindo pesquisa científica e técnicas de produção que permitiriam ao país explorar a atual região de maior produção agrícola no país, e que nos rende o autoapelido de "celeiro do mundo"

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Transcrição
00:00E trouxemos também ao Meio Dia em Brasília, ele entrou ali no Meio Dia mais cedo,
00:04mas a entrada dele agora, nesse momento, Felipe Hermes,
00:07que é colunista da Cruzoé, também especialista em mercado financeiro.
00:11Tudo bem, Felipe Hermes, seja bem-vindo ao Meio Dia em Brasília.
00:14Opa, tudo bem que isso, é um prazer voltar aqui,
00:17sempre um prazer falar com vocês, com seu público bastante qualificado,
00:21gosto desse tipo de discussão, sempre útil.
00:25Sem dúvida, Felipe, você já é membro de carteirinha aqui do Meio Dia em Brasília.
00:30E, Felipe, o que aborda essa coluna sua?
00:33O que você fala em relação ao agro brasileiro?
00:36E também trazendo essa vertente aí para o MST,
00:38já que há toda essa ofensiva do MST em cima dos produtores,
00:43em cima do pessoal do agro, tem esse embate aí que está acontecendo,
00:47que a gente está acompanhando.
00:48Qual é a análise que você faz no seu artigo, na sua coluna, Felipe?
00:52Bom, eu acho que, se eu pudesse resumir a ideia do artigo,
00:58é trabalhar um pouco no setor de produtividade.
01:00A produtividade brasileira está estagnada desde 1980,
01:06a riqueza média produzida por cada trabalhador não cresce.
01:10E a gente sabe o tanto que isso causa de problema,
01:14porque, na medida em que o trabalhador brasileiro
01:17ele não produz mais riqueza,
01:20a gente vive numa luta para distribuir a riqueza que já é produzida.
01:25Então, a gente vai ter essa discussão por aumento de salário mínimo,
01:29a discussão pelo salário de homens e mulheres,
01:32porque, em boa medida, o salário das pessoas não cresce.
01:38Você tem um estudo do IPEA, por exemplo,
01:41que mostra que, entre 1986 e 2017,
01:47o salário médio no setor privado,
01:50quando considerado a inflação, ele caiu 4%.
01:53Ou seja, os trabalhadores,
01:56em quase 40 anos,
01:57ou pouco mais de 30 anos,
02:00passaram a receber menos no Brasil.
02:03E isso gera problemas imensos,
02:07além de favorecer um populismo por parte do governo,
02:11na medida em que a população passa,
02:13se torna mais necessitada de auxílios,
02:17enfim, todas as questões que a gente vê no Brasil hoje.
02:21E, dentro dessa situação,
02:23eu busquei trazer um pouco daquilo que funciona,
02:27de fato, no Brasil,
02:29daquele setor que cresce como nenhum outro no Brasil,
02:34que é o setor primário de agropecuária e extrativismo.
02:40Ou seja, a gente tem um setor primário bastante produtivo
02:44e que cresce sete vezes mais
02:47do que o setor industrial e setor de serviços no Brasil.
02:52E com algumas características próprias.
02:55Muitas pessoas vão dizer que o setor agrícola,
02:59ele cresce porque o governo subsidia
03:01ou porque o setor tributário favorece o agro.
03:08E, quando a gente olha
03:10para as causas fundamentais desse crescimento,
03:14o fato de o setor agrícola agregar bastante tecnologia
03:20e ter uma competição internacional
03:22que favoreça a sua produtividade,
03:25a gente vê que o governo tenta,
03:30de certa forma,
03:31se apropriar de um sucesso
03:32que não é propriamente dele.
03:35Porque todos os setores brasileiros,
03:38todo mundo que tem poder, dinheiro e voz
03:42para falar no Congresso,
03:44busca o seu próprio benefício tributário,
03:48sua desamoração fiscal,
03:51crédito favorecendo.
03:52Então, não é exatamente isso que torna
03:55um setor produtivo e desenvolvido.
03:59Não é o fato de ter um banco estatal ajudando,
04:02porque isso a gente tem em todos os setores.
04:05O agro tem essas características próprias,
04:09especialmente na competição internacional.
04:11O Brasil, desde 2000,
04:12ele apresenta um crescimento de produtividade maior
04:17do que outros países,
04:19como Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália,
04:22que são grandes produtores agrícolas também.
04:25O Brasil lidera em termos de produtividade.
04:28Então, acho que,
04:30fundamentalmente, a ideia do artigo é
04:32tentar entender por que a gente olha muito pouco
04:35para os nossos exemplos bem-sucedidos
04:38e foca naquilo que virou notícia hoje,
04:42por exemplo,
04:43em reativar pela sétima ou oitava rua,
04:47já me perdi nas contas,
04:49a nossa indústria naval.
04:50Então, por que a gente está discutindo
04:52o preço do carro popular no Brasil
04:57se a gente está, há seis, sete décadas,
05:01subsidiando a indústria automotiva
05:03e ela não se torna mais produtiva,
05:05o carro não se torna mais barato,
05:07a gente não consegue criar
05:08uma indústria naval brasileira.
05:11Então, a gente está olhando,
05:13repetindo erros do passado
05:15e ignorando os casos de sucesso
05:19que a gente teve na economia brasileira.
05:23Felipe Hermes,
05:24uma informação que eu acho
05:25que vale a pena a gente lançar aqui,
05:27você dá um...
05:30lança-luz sobre diversos temas,
05:31inclusive sobre a questão da tecnologia,
05:33o agro e tecnologia.
05:35E eu vou puxando aqui para um tema
05:38que a gente tem visto
05:39que o governo tem se esforçado
05:41para tentar fazer um aponte
05:42com o agronegócio.
05:44De hora ou outra,
05:45ele busca ali a proximidade,
05:47faz uma reunião e tal,
05:50tem feito esse esforço,
05:51mas em contrapartida,
05:52ele não larga o osso de apoio ao MST.
05:55Até que ponto esse jogo duplo
05:57que o governo tem feito,
05:59que especialmente o presidente Lula tem feito,
06:01de um lado afaga o agro,
06:04do outro também tenta acalmar os ânimos do MST,
06:07pode vir a prejudicar e, de fato,
06:10distanciar o agro do governo
06:12para a implementação de novos projetos
06:14em prol do setor?
06:15Eu acho que essa é uma tática
06:19que o Lula sempre fez.
06:21O Lula é o cara que vai no sindicato dos operários,
06:23fala mal dos bancos
06:24e depois vai na Febraban
06:26e fala que o país precisa disso
06:29e daquilo que, enfim,
06:31os banqueiros querem ouvir.
06:33Ele fala o que todo mundo quer ouvir.
06:35A diferença é que agora
06:36ele está fazendo isso
06:37numa época de redes sociais.
06:38Então, a gente sabe o que ele falou
06:40na conversa com o MST,
06:43a gente sabe o que ele falou
06:44na conversa com o agro
06:45e a gente vai chocar as duas falas
06:48e elas são incoerentes.
06:51Eu lembro, acho que durante a campanha mesmo,
06:55que o Lula foi falar com os petroleiros
06:57e teve um determinado momento
07:00em que ele ficou extremamente irritado
07:01porque as pessoas não paravam
07:02de gravar com o celular.
07:04E isso mostra muito
07:07essa visão do Lula
07:08de fazer política,
07:09tentando ser
07:12o grande conciliador de classes.
07:15Mas, respectivamente ao agro,
07:18eu acho que existe um entendimento
07:19bastante forte
07:22de base ideológica
07:23na formação do PT
07:24e de boa parte da esquerda,
07:27tem uma origem marxista também,
07:31de ver a indústria
07:33como o único setor capaz
07:35de levar ao desenvolvimento.
07:37dentro da teoria marxista
07:40em que tudo é robotizado,
07:43em que as horas de trabalho
07:44são computadas,
07:46existe muito pouco
07:47espaço e apreço
07:50por outras formas
07:51de produção
07:53que não aquela linha
07:54de produção tradicional
07:55da indústria.
07:57Dentro dessa lógica
07:59de valor do trabalho,
08:00isso passa para toda a base
08:02intelectual do PT,
08:05acadêmica do PT,
08:08e a gente fica preso
08:09nessa ideia
08:10de que a gente precisa
08:12ter uma linha de produção
08:13e uma indústria forte,
08:15uma indústria desenvolvida
08:16para competir
08:17com o resto do mundo,
08:19e a gente ignora
08:21outros exemplos
08:22bem-sucedidos.
08:24E, mais do que isso,
08:25a gente, quando olha
08:26para a indústria,
08:27entende muito pouco
08:28o que pode melhorar
08:30a indústria brasileira.
08:31A gente não pensa,
08:34nunca pensou,
08:35pelo menos durante
08:36o primeiro ou segundo
08:37mandato Lula,
08:38ou durante o mandato
08:39do primeiro governo Dilma,
08:42que foi um mandato
08:43bastante próximo
08:45da Fiesp,
08:46Dilma e a Fiesp
08:48fizeram uma tabelinha
08:50em boa parte
08:51do seu primeiro mandato,
08:56mas não atacou
08:57as causas
08:58da baixa produtividade
09:00da indústria brasileira.
09:01A gente nunca olhou
09:02para o fato
09:04de que a indústria brasileira
09:05importa pouco tecnologia,
09:07ela não compete
09:08com o resto do mundo,
09:09que é exatamente
09:10o que o agro faz.
09:11Então, durante
09:12o governo Dilma,
09:14a gente teve aquele
09:1411 de setembro
09:15no setor elétrico,
09:17que buscava diminuir
09:19o preço da energia
09:20em 20%,
09:21o que acabou
09:22gerando um prejuízo
09:23de 100 bilhões de reais.
09:26A gente teve fraude
09:27no índice de inflação
09:28por meio de congelamento
09:29de preço da Petrobras.
09:31A gente teve
09:31em diversas medidas
09:32o Programa de Sustentação
09:34do Investimento,
09:36carinhosamente
09:37apelidado
09:37de Bolsa Empresário,
09:39deixou 1,2 trilhão
09:41de reais
09:41as mil maiores
09:43empresas no Brasil.
09:44Mas a gente
09:45não pensou em...
09:47A gente teve também
09:48a desoneração da folha,
09:50que é um fator importante
09:51para a indústria,
09:52que, posteriormente,
09:53o estudo do ISPER
09:54mostrou que custou
09:56500 bilhões de reais
09:57e não gerou nenhum emprego
09:59a mais.
10:02Mas a gente não olhou
10:03para essa baixa intensidade
10:06de tecnologia,
10:08o fato de que é muito difícil
10:10para as empresas,
10:12para as grandes indústrias,
10:13importarem tecnologia
10:14do exterior.
10:16Então, por exemplo,
10:16se você olha
10:17para a reforma tributária
10:19do API,
10:20que é possivelmente
10:22aquilo que o Ministério
10:24da Economia,
10:24o Ministério da Fazenda,
10:25vai se empenhar agora,
10:28um dos pontos centrais
10:30é que ela desonera investimentos.
10:32Então, essa reforma tributária,
10:34você pega
10:34o que você gasta
10:36com máquinas e equipamentos
10:37e você usa na base de cálculo
10:39para deduzir o seu investimento.
10:41Se isso tivesse sido implementado
10:43há 15 anos,
10:46ao invés de o governo
10:47simplesmente enxurrar
10:48o mercado de crédito,
10:50a gente teria tido
10:51um impacto certamente
10:52muito mais positivo
10:54do que a gente teve
10:57com todas essas medidas
10:58que levaram ao governo Dilma
11:01a criar a grande depressão brasileira.
11:05Maravilha.
11:05Eu estou vendo aqui,
11:06estou dando uma lida
11:08no artigo do Felipe Hermes aqui,
11:10e ele fala um dado interessante
11:11aqui para vocês,
11:13é que embora todo esse contexto
11:15de nenhuma valorização ao agro
11:17e tudo o que o agro tem feito,
11:19as evoluções trazidas,
11:21o agro ainda segue crescendo
11:23e segue sendo o único setor
11:25a apresentar ganhos relevantes
11:27de produtividade.
11:28Está aqui no artigo do Felipe Hermes,
11:30a gente tem que ficar por aqui,
11:32Felipe, o horário já está avançado,
11:34mas agradeço muito
11:34a sua participação.
11:35O chat aqui,
11:36diversos comentários positivos,
11:38aí a você,
11:39a Neuza botou
11:40muito boas observações,
11:42a Patrícia botou
11:43excelente,
11:44a Nina também concordou com você,
11:46logo mais cedo,
11:47o Valdeci falou
11:47excelente programa,
11:49agradecendo você aí
11:50por essas contribuições
11:52e por trazer esses dados
11:53em relação ao agro brasileiro.
11:55Obrigada, Felipe Hermes,
11:57pela gentileza,
11:57obrigada pela participação
11:58no Meio Dia em Brasília.
12:00Muito obrigado
12:00e fico sempre à disposição
12:02para a gente falar
12:02desses assuntos divertidos.
12:06E a gente conta com você,
12:08sem dúvida.
12:09Obrigada.
12:20Obrigada.
12:21Obrigada.
12:22Obrigada.
12:23Obrigada.
12:24Obrigada.
12:25Obrigada.
12:26Obrigada.
12:27Obrigada.
12:28Obrigada.
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