00:00Boa, Wilson. Vamos girar, então, com outra notícia de hoje, dessa sexta-feira, que a gente vai falar para vocês.
00:06É que hoje, inclusive, o Banco dos Brics anunciou a saída de Trojo e abrindo caminho para Dilma Rousseff,
00:15que deve ser indicada de Luiz Inácio Lula da Silva. O Marcos Trojo vai deixar a presidência do Banco dos Brics.
00:21Já no próximo dia 24, agora, a instituição fez esse anúncio hoje, na sexta-feira, e agora ele, que é ex-secretário especial de Comércio Exterior, o Trojo,
00:34está no cargo desde julho de 2020. E essa troca foi comunicada em meio a essa movimentação de Lula para indicar Dilma Rousseff para esse cargo.
00:44O novo presidente vai permanecer no cargo até julho de 2025. Então, Dilma Rousseff, se for confirmada essa indicação de Dilma Rousseff mesmo,
00:54ela permanece no cargo até julho de 2025. E vamos repercutir um pouco, então, dessa notícia com vocês?
01:03Graebi, quero começar contigo falando um pouco sobre essa possível já indicação de Dilma também para ir para o Banco dos Brics.
01:13Conta mais para a gente aí. Qual a avaliação que você faz sobre esse nome?
01:17Vamos lá. Só também, cinco segundos aqui, eu quero mandar um abraço para um chará meu, o Carlão.
01:22Ele me encontrou hoje no meio da rua ali e mandou um abraço para toda a equipe do Antagonista.
01:28Diz que assiste o programa todos os dias. Eu sou o Jeca Tatu para falar para o pessoal do chat e tal,
01:33mas não posso esquecer de mandar esse abraço para ele, tá bom?
01:37Boa. Salve.
01:38Olha só, a Dilma vai ganhar perto de 300 mil reais ocupando esse cargo aí do Marcos Trudio, né?
01:48Suponho que ele também ganhasse alguma coisa parecida.
01:51Se fosse para a Dilma ganhar essa grana toda e não fazer nada, eu estaria mais tranquilo.
01:59Estaria quase satisfeito.
02:00Mas eu não acho que é isso, não é esse o plano.
02:06Eu acho que o PT tem planos grandes para o Banco dos Brics.
02:14Essa indicação da Dilma, de uma pessoa afinada com o Lula e afinada com a política externa do PT para o Banco dos Brics,
02:25tem um significado que vai bem além de dar uma sinecura para a nossa ex-presidente.
02:32O PT, a gente sabe, na política externa, tem toda essa conversa de formar uma união dos países do Sul,
02:45um novo polo de poder que se contrapõe à hegemonia americana e europeia.
02:52Isso está em andamento.
02:59A face mais visível disso são as conversas que a gente vê acontecerem aqui na América do Sul.
03:05Mas lá nos Brics é que podem acontecer as coisas que vão ter maior repercussão.
03:12Tanto o Brasil quanto o China, Brasil com o governo Lula,
03:16quanto o China, quanto a Rússia, têm interesse, por exemplo,
03:21em criar uma nova estrutura de trocas comerciais que dependa menos do dólar.
03:29Essa é uma das coisas que tem no Banco dos Brics um dos centros,
03:34tanto de criação institucional, de ideação, quanto para pôr na prática mesmo.
03:44Afinal, a gente está falando de um banco, um banco que reúne todos esses países.
03:48Outra coisa, já tem uma conversa de trazer outros países para dentro dessa estrutura.
03:53De que países que a gente está falando?
03:55Arábia Saudita, Irã.
03:58Estamos falando de países, Irã, sobretudo, que se contrapõem aos Estados Unidos.
04:05Então, mais uma vez, é usar a ferramenta dos Brics
04:08para criar um suposto polo de combate à hegemonia americana.
04:15Então, a indicação da Dilma diz muito mais do que dar esse cargão para ela.
04:23É sinal de que as intenções de política externa do PT estão ali, andando.
04:31Eles querem fortalecer os links, os laços com a China e com a Rússia.
04:39E o problema, se fosse só uma questão comercial, vá lá.
04:46O problema é que a geopolítica do mundo, neste momento,
04:51significa também dar apoio à Rússia do Vladimir Putin,
04:55um país que está se mostrando imperialista, agressivo, violento.
05:01E a China, que a gente sabe o que é, um país autoritário,
05:05que também está dando suporte, talvez, em breve, até mesmo,
05:11suporte militar para a Rússia.
05:14Então, a gente não está só falando de uma aproximação comercial entre esses países.
05:19A gente está vendo o Brasil se aproximar de dois países
05:24que têm esse discurso muito anti-Ocidente.
05:29Não é um discurso pacífico, não é um discurso
05:32que a gente quer fazer um novo polo econômico.
05:34A gente quer fazer um novo polo político também
05:37e que tenha um traço autoritário,
05:41e mais ainda do que autoritário, agressivo,
05:46que é muito grave, é muito perigoso.
05:48Então, a indicação da Dilma,
05:52ela traz essas características que são preocupantes.
05:56São preocupantes.
05:58O Brasil querendo criar essa nova lógica comercial,
06:02mas que vai de carona
06:04nos interesses políticos de duas nações muito perigosas.
06:11Por quê?
06:13Por mais que você critique os Estados Unidos,
06:17só pensa nos interesses deles.
06:18Então, o fato é que o discurso da liberdade,
06:23da democracia, está muito mais ao lado dos Estados Unidos e da Europa
06:27do que da autocracia russa e da autocracia chinesa.
06:31Então, o Brasil está se aliando à gente perigosa.
06:34E a indicação da Dilma é um sinal muito forte
06:39do interesse de levar adiante essa agenda.
06:44Política barra comercial.
06:46E eu não sei o que é que vem em primeiro lugar.
06:48Se é o comércio ou se é a política.
06:52Wilson, vamos lá?
06:54É, você...
06:54Ô, Graebi, eu vou...
06:56Não é que eu vou discordar, não.
06:57Eu acho que talvez eu já tenha resposta para a tua pergunta.
06:59É política, amigo.
07:02Sabe por quê?
07:03Por um motivo muito simples.
07:05O governo PT, neste início de gestão,
07:08tem feito de tudo,
07:10tudo para fazer o que eles chamam de uma
07:13preservação histórica,
07:17para fazer de tudo,
07:18para fazer uma reparação histórica do nome de Dilma Rousseff.
07:22Sabe?
07:23O Lula tem que falar,
07:24toda vez que ele tem a oportunidade,
07:26fala que o impeachment de 2016 foi golpe.
07:29Impeachment foi golpe.
07:30Impeachment foi golpe.
07:32Nós, inclusive, demos aqui no Antagonista
07:34uma informação de que o governo
07:36pretendia apresentear a Dilma como embaixada,
07:38mas, na verdade, ela ficou com um emprego maior
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