Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Diárias do Gui: jovem viraliza ao limpar casas de família que vivem em meio a lixo #MelhorDaTarde

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Esse jovem que nasceu em Manaus, começou a trabalhar aos 17 anos, fazendo faxinas e hoje reúne milhões de seguidores nas redes sociais.
00:08Se você ainda não conhece as diárias do Gui, eu tenho certeza que você vai se encantar.
00:13O Gui formou uma equipe com cerca de 20 funcionários e se destaca como Clean Influencer,
00:18que é um termo que combina limpeza, que é o clean, com influenciador, que é o influencer, o nome em inglês.
00:24Ele influencia através do seu trabalho, desse trabalho que é gratuito, com a limpeza de casas de pessoas com transtorno de acumulação.
00:33Gente, são cerca de 10, 15 solicitações por dia para ajudar em casos críticos.
00:39E o Gui atua aí com voluntários, familiares e financiamento via vaquinha também em campanhas.
00:45Não é isso, Gui? Seja muito bem-vindo.
00:47Isso. Obrigado, Pamela. Boa tarde para vocês, boa tarde para quem está em casa nos acompanhando.
00:52Então, hoje é um trabalho que eu faço que eu estou tomando uma dimensão agora, né?
00:59É algo que eu não esperava do que eu estaria fazendo hoje, mas graças a Deus estou conseguindo mudar a vida de muita gente.
01:07Como é que começou essa história, né, Gui? Porque você já trabalhava ali com eventos, não é isso?
01:12E aí, como é que veio essa ideia de fazer esse movimento de ajudar pessoas, de fazer faxina na casa das pessoas?
01:17Ó, eu sou virginiana, então sempre gostei de limpeza, já nasceu aqui no sangue.
01:24Então, eu sempre gostei de fazer serviços de dorméstico em casa mesmo.
01:27Eu ajudava tias, ah, limpa a minha geladeira, te dou 15 reais.
01:32Boa.
01:32Até capinar quintal, gente, já fiz isso.
01:34Sim.
01:35Então, sempre gostei disso.
01:37Aí veio as dificuldades da vida, eu vim de uma família muito humilde e eu não tinha nem condições de estudar.
01:42Sim.
01:42E eu queria cursar jornalismo, só que não tinha condição de pagar a faculdade.
01:47Então, quando eu terminei o ensino médio para ir para a faculdade, veio todas as dificuldades, a pandemia também, algo novo no mundo, assim, que ninguém estava entendendo o que estava acontecendo.
01:56Então, as dificuldades que eu já enfrentava, eu passei a enfrentar mais ainda.
02:01Sim.
02:01Então, eu comecei a fazer faxina para as pessoas próximas a mim ali, no intuito mesmo de pagar meus estudos.
02:07Sim, de gerar uma grana, né?
02:09Aí comecei a fazer faxina para a minha prima, depois para uma amiga, sem prevenção nenhuma.
02:15Eu criei, inclusive, o Diários do Gui, era um perfil de prestação de serviço.
02:19Para contratar a sua faxina.
02:20Exatamente, não era para ser um influenciador.
02:23Sim.
02:23Aí criei o perfil ali para divulgar meu trabalho e tudo, e isso viralizou de uma forma lá em Manaus, né?
02:29Aí comecei a mostrar meu dia a dia, dar voz para esse público dessa profissão que é tão desvalorizada, infelizmente, e mostrar.
02:38Eu falei, gente, você pode mudar a sua vida também fazendo faxina.
02:42E eu provei para as pessoas que eu consegui.
02:45Sim.
02:45Mas o que era para ser só uma fase se tornou hoje o meu grande trabalho.
02:51Olha aí.
02:51Aí comecei a fazer as faxinas, a sair do país, comecei a crescer, assim, ganhar um público nacional.
02:59Aí foi quando eu conheci os acumuladores.
03:00Os acumuladores vieram através do meu trabalho.
03:03Tá.
03:03Por exemplo, você contratava o meu serviço, eu ia na sua casa, mas quando eu chegava ali,
03:08eu me deparava com uma situação totalmente diferente do que eu já estava acostumado.
03:12Sim.
03:13Só que eu sou muito curioso, né?
03:17Então, eu sempre quis saber o porquê disso.
03:20Eu não entendia, eu não sabia o que...
03:22Porque aquelas pessoas acumulavam tanto, né, Gui?
03:24Exatamente.
03:24Eu não sabia o que era a síndrome de acumulação compulsiva.
03:27Sim.
03:27E nem essa doença.
03:28Aí eu fui pesquisando, entendendo, aí eu falei, ah, então essa situação do lado físico da casa,
03:35ela é simples, perto do que é a história da pessoa.
03:40Olha essas imagens, gente.
03:42Isso é a casa de uma pessoa.
03:44Foi uma dessas faxinas que o Gui com a sua equipe fez.
03:48Vocês têm noção?
03:49E as pessoas julgam, né, falando, mas como é que chegam a esse ponto?
03:52Gente, é uma doença, é uma questão patológica mesmo, né?
03:55Exatamente.
03:55É uma síndrome, né, Gui?
03:56É um assunto muito sério.
03:58E aí tem muito a ver com a questão da saúde mental dessas pessoas.
04:01Não é só porque, ai, não tem dinheiro pra fazer uma faxina e foi acumulando.
04:05Não, é uma questão mesmo de saúde mental, né?
04:07Então é um projeto que chama a atenção por causa disso, né?
04:11Porque acaba trazendo esse lado social também, de resgate de vida dessas pessoas, né, Gui?
04:17Exatamente.
04:18A casa, ela é o reflexo do que a gente... de como a gente tá por dentro, né?
04:22Totalmente.
04:23Um ambiente sujo, carregado como esse, ele não tem boas energias.
04:28Mas essas pessoas não chegaram a esse ponto porque quiseram.
04:32Existe um histórico, né?
04:34É sempre uma perda familiar, um relacionamento traumático, sofrimentos assim no qual a gente não imagina.
04:42E essas pessoas que estão por trás dessas paredes, elas têm histórias, assim.
04:46Essa foi a casa de Suzano?
04:48Não, essa é a casa da Penha.
04:49Essa é a casa da Penha.
04:50Da Lucie.
04:50Porque a gente tem...
04:51Ah, o caso da Lucie, que é bem emblemático também, gente.
04:54Porque a Lucie, ela, quando chegaram lá pra fazer a faxina, ela parou.
05:01Ela não queria mais que mexessem nas coisas dela, né?
05:04Ela entrou num certo conflito pessoal, né, Gui?
05:06Exatamente.
05:07O caso da Lucie, ele é um caso não resolvido há 10 anos.
05:10Olha isso.
05:11Diversas tentativas de ajudar a Lucie, assim, toda a parte ali da Prefeitura, dos órgãos públicos,
05:17tentaram fazer o possível pra ajudar, só que não conseguiram.
05:20Aí eu entrei no caso da Lucie, consegui entender mais o lado humano dela.
05:25E fiz com que ela confiasse no meu trabalho.
05:28Ela aceitou, me ajuda.
05:30A gente passou ali nove dias tirando o lixo da casa dela.
05:32Meu maior caso até agora, inclusive, foram 28 caminhões, mais de 120 toneladas de lixo.
05:38Nossa, 28 caminhões, gente, de lixo, de objetos quebrados, velhos, acumulados dentro de uma casa.
05:47Uma mulher, a Lucie, né, que vive com esse acúmulo extremo de objetos dentro de casa, né?
05:53E aí, teve um momento que ela pediu pra vocês saírem, Gui?
05:56Isso, no último dia.
05:57Ela pediu pra mim pra participar de todo o processo.
05:59Foi a primeira vez que um acumulador se torna presente nisso, nesse processo.
06:04E foi difícil.
06:05Eu tive que lidar com as emoções da Lucie durante nove dias.
06:09Raiva, tristeza por estar vendo as coisas irem embora.
06:11Fazia cinco anos que ela não entrava dentro da própria casa, porque ela dormia fora.
06:17Porque, assim, ela acumulou e foi empurrada pra fora de casa.
06:21E depois ela acumulou fora.
06:22Então, teve esse sentimento de voltar dentro da própria casa depois de cinco anos.
06:27E ela estava ali durante esse tempo todo.
06:29Então, eu lidei com todo o lado da emoção da Lucie.
06:33E no último dia, pra aceitar o tratamento, pra eu poder fazer a reforma da casa dela, ela desistiu.
06:39Porque, pra mim, não é interessante mudar só uma casa.
06:42Não é só fazer uma faxina, uma limpeza, né, Gui?
06:44Porque eu posso ir lá, reformo, coloco os móveis, mas eu preciso que aquela pessoa mude também.
06:48Senão, não adianta de nada.
06:49Meu trabalho...
06:50Vai acumular de novo, né?
06:51Muito provavelmente.
06:52Entra nesse ciclo, né?
06:53Agora eu fico me perguntando, Gui, a sua missão de transformar a vida dessas pessoas.
06:58Mas quando a gente lida com um propósito desse, a gente também é transformado, né?
07:02Ah, sim.
07:03É muito gratificante.
07:04Como que você e a sua equipe, como vocês compartilham também isso, de ao mesmo tempo
07:08em que vocês estão transformando vidas, vocês também estão sendo transformados de alguma forma?
07:14Pra mim é um sentimento muito grande, né?
07:16A gente poder chegar em casa, principalmente caso com crianças, e colocar a cabeça no travesseiro
07:21e saber assim, ah, hoje essas crianças vão ter uma vida digna, né?
07:25Voltaram a ter dignidade, vão dormir agora numa cama limpinha, poder comer, porque eu acho
07:33que todo ser humano, assim, deve ter o básico pra dignidade.
07:36E essas famílias, de fato, não tem nem pra beber água.
07:39Então, eu acho que é uma forma da gente também se ajudar como humano.
07:44A Lúcia é uma pessoa que me ensinou muito.
07:46Claro, com certeza.
07:46Ela foi uma escola de aprendizado pra mim, porque eu pude enxergar outros pontos da vida
07:51de uma forma diferente.
07:53Às vezes a gente tá focado só no nosso nariz, né?
07:56Ali no dia a dia, da correria do dia a dia, e a gente esquece da dificuldade das pessoas
08:00que estão do nosso lado.
08:02Exatamente.
08:03E aquela coisa também, né, Bruno, de você não julgar o outro, né?
08:06Porque no primeiro momento, olhando a casa, eu ia falar, nossa, mas como que essa mulher
08:10deixou chegar a esse ponto?
08:12Mas que, né?
08:13É o que as pessoas pensam.
08:14Pois é.
08:14Teve algum momento que você sentiu, se sentiu impotente?
08:18Que mesmo você tendo feito, tendo mudado tudo isso, mas a pessoa continuou nesse quadro?
08:24Porque é uma depressão, né?
08:25Sim.
08:25Nesse quadro de depressão.
08:26Existe uma frustração, né?
08:28Eu me frustrei como, ah, não só como um guio profissional, mas...
08:34Falar, será que eu falhei em alguma coisa?
08:36Só que a gente tem que enxergar também que, pra você mudar de vida, não depende só
08:41do suporte psicológico, da força.
08:43Você tem que querer também.
08:44Você tem que estar aberto a isso.
08:46Porque senão você não muda de vida.
08:49E a Luciana...
08:49A pessoa tem que querer, né, Gui?
08:51Pode vir toda ajuda que for.
08:52Verdade.
08:53Se a pessoa não quiser a mudança, infelizmente ela não vai acontecer.
08:56E aqui eu digo também de um lugar, sabendo que é difícil querer, né?
09:00Porque muitas vezes a pessoa reconhece, mas não tem ainda força suficiente pra querer
09:05a mudança.
09:05A pessoa não consegue ver uma luz.
09:06Exatamente.
09:07Uma luz, né?
09:08E a depressão, ela meio que cega essas pessoas, né?
09:12A dor é tão profunda, é tão dolorosa aquela dor que ela não se importa mais com o que
09:17tá acontecendo.
09:18Pra ela é tranquilo.
09:20Eu sempre falo pras pessoas que isso aqui é lixo.
09:23Pra mim, pra vocês, aqui é lixo.
09:24Mas isso traz um conforto pra essas pessoas.
09:27Desculpa te interromper, Gui, porque olha esse depois, gente, da casa.
09:30Olha esse antes e depois.
09:32Olha isso.
09:33Isso é dignidade, né, da pessoa ter o direito de viver uma vida confortável, né?
09:40Minimamente ali, dentro de casa, debaixo do teto, ter uma cama pra dormir, ter uma panela
09:46pra cozinhar.
09:47A gente tá falando sobre dignidade humana, de um trabalho voluntário, mas de um trabalho
09:51também que é social e que tem funcionado com a ajuda de pessoas de vários lugares
09:56do Brasil.
09:57Porque você começou a fazer as vaquinhas, né?
09:59Pra conseguir, porque gasta-se dinheiro, né, Gui, pra poder fazer esse movimento.
10:03Caminhões, equipe, né?
10:04Pessoal pra fazer a faxina.
10:06E você começou a pedir essa grana na internet, fazer essas vaquinhas, né?
10:10Quando eu comecei, eu comecei eu mesma, tirando do meu próprio bolso pra fazer.
10:15Então, era só as limpezas.
10:16Só que o meu público maravilhoso, assim, começou a abraçar isso junto comigo.
10:21Eu abro, às vezes, vaquinhas de 150 mil e, assim, a meta bate em menos de uma hora.
10:27É muito rápido, assim, essa mobilização que...
10:30Essa comunidade que eu criei na internet.
10:32Então, hoje, tudo que a gente faz é graças ao meu público, assim, porque fazer isso
10:37aqui, além do cansaço físico e mental, gasta muito dinheiro.
10:42E as pessoas não têm essa noção, né?
10:44Porque tudo é dinheiro.
10:45As outras prestações de serviço, a gente tá ali como voluntário.
10:48Claro!
10:49Mas os caminhões não é, existe a parte de alimentação, transporte, as reformas,
10:55as mobílias, tudo isso é dinheiro.
10:57E você fez um diário virtual, que são as diárias do Gui, né?
11:00A gente vai mostrar um pouquinho desse trabalho.
11:03Roda aí.
11:03Faz exatamente dois anos que ela não consegue entrar dentro da própria casa.
11:08Ela já não entra mais dentro de casa também.
11:12Ela dorme aqui, ó.
11:14Junto com o seu bichinho aí, ó.
11:16Oi, neném.
11:17Tudo bem?
11:18Eu não vou machucar você, tá bom?
11:20Eu vou estar chegando aí perto, tá?
11:22Ela dorme aqui, ó.
11:23A entrada da casa dela é ali, ó.
11:26Mas não tem como entrar mais, ó.
11:28De tanto de coisa.
11:29Então ela fica aqui.
11:31Eu tô com medo só do cachorro, gente.
11:34Mas olha só.
11:35Não dá pra entrar.
11:38Tá pedindo, tá?
11:40Ela fica aqui do cachorrinho dela.
11:42E essa é a situação.
11:49Quando eu penso que eu já vi de tudo na vida.
11:54Ai, meu Deus.
11:57Esses casos vão chegando pra mim.
11:59Que situação difícil.
12:02Que história difícil.
12:07Qual foi a coisa mais inusitada que você já encontrou, Gui?
12:10Qual foi a coisa que mais já te chamou a atenção?
12:12Tipo, por exemplo, o bicho morto.
12:14O que é que mais te chamou a atenção nessas faxinas?
12:16A gente fez um caso no Rio de Janeiro
12:18que a gente encontrou um cachorro que havia falecido.
12:21E como a casa tava naquela situação
12:23e a família não queria expor,
12:26colocaram no frizz da casa.
12:28Caramba.
12:29A gente encontra de tudo.
12:30Essas casas, assim, é uma caixinha de Pandora.
12:33Abre e sai de tudo, né?
12:35Sai de tudo.
12:36Desde uma mangueira de bombeiro pra uma chupeta,
12:38pra um carrinho de supermercado,
12:41pra coisas assim que a gente fala,
12:42meu Deus, como é que essa pessoa trouxe isso pra cá sozinha?
12:44Sim.
12:45É muita...
12:45A casa da Lucie, por exemplo,
12:46a gente tirou toneladas e toneladas,
12:48diversas geladeiras,
12:50grandes, pequenas,
12:52carrinhos de compras,
12:53carrinho de mão.
12:54Sim.
12:56Antena.
12:57Caramba, é.
12:58É tudo.
12:59Realmente é um caso de...
13:00De saúde mesmo, né?
13:02Saúde pública, né?
13:03A gente até olha pra essas imagens
13:05e fica se perguntando em relação a doenças, né?
13:07Como que essas pessoas vivendo ali com quantidade de lixo.
13:11E, Gui, eu fico me perguntando também
13:13se a gente consegue,
13:14olhando pra todas essas diárias que você já fez,
13:16traçar um perfil dessas pessoas,
13:19se foram atendidas mais mulheres,
13:21homens,
13:22se você conseguiu chegar em alguns dados,
13:25assim, pra gente ter um perfil
13:26em relação a essas pessoas
13:28que, infelizmente, estão nesse estado.
13:30Hoje, são diversos casos, né?
13:34Mas, assim, são...
13:35Os casos é mais por mulheres
13:37e, principalmente, idosos, né?
13:39Porque existe também a questão do abandono,
13:43da negligência da família de algumas partes, assim.
13:46Mas a gente atende muitos casos
13:48de mulheres, mães novas,
13:50não tem mais uma idade.
13:51Sim.
13:51Quando eu comecei,
13:52eram muitos idosos,
13:53mas hoje, assim,
13:54são mulheres novas de 30 anos,
13:5737 até 40 anos,
13:59homens também.
14:01Mas os casos dos homens
14:02é muito específico, né?
14:04Até agora, a gente não viu
14:05um caso de um homem diferente.
14:07Sempre é dependente químico,
14:10um alcoólatra,
14:11mas as mulheres, assim,
14:13é sempre de um...
14:14Sair de um relacionamento traumático,
14:17sofrer bastante perda de uma mãe,
14:19de um pai.
14:20Às vezes sofrem violência, né?
14:22Bastante.
14:22Esse caso, por exemplo,
14:23que a gente estava mostrando
14:24do Diadema,
14:26ela saiu de um relacionamento traumático,
14:28tem uns filhos,
14:29foi abandonada,
14:30apanhou bastante
14:30durante o relacionamento.
14:32Então, imagina o psicológico
14:33dessa mulher.
14:34É, minha gente,
14:35a realidade de muitas pessoas
14:36aí por esse Brasilzão,
14:38viu?
14:38Uma triste realidade,
14:39mas que também,
14:40por outro lado,
14:41tem trabalhos,
14:42assim como o do Gui, né?
14:43Que fazem a gente
14:44ter mais esperança,
14:45acreditar no ser humano,
14:46acreditar na empatia,
14:47que eu falei no início do programa, né?
14:49Que é possível, sim,
14:50a gente conseguir também
14:51transformar a vida
14:53da outra pessoa, né?
14:54Você recebe até hoje
14:55cerca de 10, 15 solicitações
14:57por dia, Gui.
14:57Todos os dias.
14:58Você tem algum projeto
14:59acontecendo agora?
15:00Quando é que vai acontecer
15:00o próximo?
15:01Como é que funciona?
15:02A gente estava no Dalocir,
15:03só que encerrou semana passada,
15:05a gente teve que parar,
15:06porque ela não aceita mais ajuda,
15:08mas já tem novos casos
15:09para a gente atender.
15:10E, assim,
15:11é uma velocidade
15:12que nem a minha equipe
15:13consegue mais acompanhar.
15:14É o Brasil inteiro, assim,
15:16nessa situação.
15:16São casos, assim,
15:17que você fala,
15:18ah, esse vai ser o pior caso,
15:20mas depois vem o outro, assim,
15:21que você fala,
15:22não é possível, gente.
15:23Mas como que acontece?
15:24Por exemplo,
15:24você recebe uma solicitação,
15:25você escolhe uma casa.
15:28Como é que funciona
15:28esse critério de escolha
15:30e, a partir daí,
15:31como é que você faz
15:32para levantar uma grana
15:33para contratar outros, né,
15:35os serviços,
15:35a prestação de serviços
15:36para começar o trabalho?
15:38Lá na Mia Bill
15:39tem um link
15:39que tem um contato
15:40e e-mail de produção.
15:41A pessoa manda o caso
15:43para a equipe,
15:44a equipe vai lá,
15:45faz o levantamento,
15:46faz algumas perguntas básicas,
15:48assim,
15:48e a equipe faz
15:49uma visita de produção
15:50para conhecer a história,
15:52saber se de fato
15:52aquilo é verdade,
15:53porque hoje em dia
15:54a gente está propício
15:55até mesmo ser lesado, né,
15:57que as pessoas se aproveitam
15:59da boa vontade
15:59de muita gente,
16:00então eles vão lá,
16:01fazem uma pré-produção.
16:03Aí passam essa história
16:04para mim,
16:04aí depois eu faço
16:05essa visita
16:06para conhecer mais profundamente
16:08a história da pessoa,
16:09a falar,
16:10a gente consegue ajudar.
16:11Aí eu subo essa história
16:12nas redes sociais
16:13que é a parte 1,
16:14a gente,
16:15é a introdução do caso,
16:16ó,
16:16tem essa pessoa
16:17que vive nessa situação
16:18por isso,
16:18por isso,
16:19por aquilo,
16:19criou a vaquinha dela,
16:21em 3 dias a gente começa a casa.
16:22Então para cada caso
16:23tem uma vaquinha?
16:24Exato.
16:25Qual foi o máximo de dinheiro
16:26que vocês já conseguiram
16:27arrecadar na vaquinha?
16:27Ah, de Suzana agora,
16:29200 e,
16:30acho que 270 mil,
16:32assim.
16:32Caramba!
16:33A segunda vaquinha,
16:34que eu já tinha criado a primeira,
16:35que era 80 mil,
16:36de,
16:37para começar o caso
16:38e depois
16:39o público escolheu,
16:40eu dei três opções,
16:41gente,
16:42só reformar a casa
16:42ou a gente demolir a casa
16:44e construir uma nova.
16:45Aí eu falo,
16:46acho que o público vai
16:47só reformar,
16:48o que é mais simples.
16:49Nada, né?
16:49Não,
16:50coloca essa casa no chão
16:51e bora construir uma nova.
16:52E a gente colocou a casa no chão
16:53e está construindo uma casa nova
16:54para essa senhora.
16:55O trabalho todo
16:56dura quantos dias,
16:57em média?
16:58Ó,
16:58depende.
16:59Tem casos que duram
16:5910 dias de remoção de lixo,
17:01tem casos que demoram
17:02um dia,
17:02dois dias,
17:03mas o período
17:04de reforma,
17:06mobília,
17:07entrega,
17:08dois,
17:08três meses.
17:09Caramba,
17:11é tempo, né?
17:12É tempo,
17:13é dedicação,
17:14é esforço coletivo.
17:16Perder a vida social também.
17:19E também quero saber
17:20de retorno
17:21dessas pessoas.
17:22Depois de um tempo,
17:23ali,
17:24digamos que vocês fizeram
17:25essa diária,
17:26reconstruíram ali
17:27a vida daquela pessoa
17:28em relação à casa dela
17:30e aí daqui a alguns meses
17:31essa pessoa entrou em contato.
17:33O que você já teve
17:33de retorno
17:34de gente que
17:34a vida se refez
17:36mesmo
17:37depois dessa limpa
17:39em casa?
17:39É uma curiosidade
17:40muito grande
17:41para quem acompanha
17:42o trabalho,
17:43porque,
17:43por exemplo,
17:44eu se eu ajudei
17:45numa vaquinha
17:46um caso específico,
17:47eu quero saber
17:48como é que essa pessoa
17:48está depois,
17:49né?
17:49E todo mundo
17:50me pergunta isso,
17:51inclusive.
17:52A nossa equipe
17:53mantém um contato
17:56com algumas famílias,
17:57a gente segue ali
17:58nas redes sociais,
17:58então a gente vê
17:59que houve uma mudança
18:00de fato.
18:01Eles postam foto,
18:02recentemente a gente
18:03recebeu um feedback
18:04de um dos casos
18:05com crianças,
18:06que as crianças
18:07estão na escola,
18:08ela está trabalhando,
18:10eles vão para a igreja,
18:11aí eles postam foto,
18:13aí aparece a casa de fundo
18:14e a gente vê
18:14que agora é normal.
18:16Existe a bagunça
18:17ali do dia a dia?
18:18Claro, sim.
18:18Até na nossa existe, né?
18:20Mas a situação
18:20que eles viviam antes
18:21é diferente.
18:23Com certeza.
18:23E a casa em movimento
18:24com vida, né?
18:25Exato.
18:25Uma vida saudável, né?
18:27Com certeza.
18:27Tem acompanhamento
18:28psicológico também?
18:29Não entendi.
18:29Tem acompanhamento
18:30psicológico?
18:31Tem também.
18:31Acho que é o principal, né?
18:33Mudar a casa
18:34sem mudar a cabeça
18:36não tem como,
18:36a pessoa vai voltar
18:37para aquela vida.
18:38E a gente não está falando
18:39de uma casa apenas
18:40bagunçada, né?
18:41Olha essas imagens.
18:42Exato.
18:42A gente está falando
18:43de uma síndrome
18:44de acumuladores,
18:45são pessoas que têm
18:45uma questão
18:46de saúde mental
18:47e que não conseguem
18:48se desfazer
18:49e que vão acumulando
18:50objetos que não são usados,
18:51enfim, lixo mesmo,
18:53muitas vezes material orgânico,
18:55enfim,
18:55é um problema
18:57muito sério,
18:58esse trabalho é um trabalho
18:59que vem feito, inclusive,
19:00até por outros influenciadores,
19:01eu estou vendo
19:02esse movimento
19:02na internet também
19:03de outras pessoas
19:04também fazendo projetos
19:06parecidos e eu estou
19:07na torcida de que cresçam,
19:08cada vez mais surjam
19:09pessoas aí com esse propósito
19:11de ajudar as outras pessoas,
19:13de se dedicar um pouco
19:14na sua rotina de trabalho
19:16para fazer um trabalho
19:17voluntário, social, né?
19:18Porque eu acho que é isso
19:19que também nos transforma, né,
19:21Gui?
19:22Como a Regina falou,
19:22isso acaba também
19:23nos transformando,
19:25nos transformando
19:25em pessoas mais sensíveis, né,
19:28às questões sociais
19:30nesse Brasil
19:30que ainda é muito desigual,
19:33gente.
19:33Gui, me fala
19:34de arroba diárias do Gui,
19:36não é isso?
19:36Isso.
19:37Para quem quiser ajudar,
19:38para quem está nos assistindo,
19:40marcas, parceiras, empresários
19:41que queiram juntar com você
19:43nesse projeto,
19:45só chegar, né?
19:45São bem-vindos.
19:46Bem-vindos.
19:47Sim.
19:47Tchau.
Comentários

Recomendado