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#grandesatores #canalviva

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00:00Eu não sei aonde foi que eu vi o Chaplin, eu não sabia o que era aquilo, mas ele me passou uma emoção que eu falei, eu quero fazer isso.
00:21Acho que a cabeça do ator é achar que ele é protagonista, ele aparecer mais ou menos na história, isso é um problema do cara que está escrevendo.
00:29Não é teu, de hoje é feriado, então vai de short e sandália, mas não deixa de trabalhar não, a gente é assim lá, a gente trabalha mesmo.
00:38Eu acho que dá até um exemplo, sabe? Eu gosto, eu tenho orgulho.
00:43Eu decidi ser ator quando eu tinha, eu lembro de ter oito anos de idade, muito precoce e ruim também, porque você aos oito anos de idade, quando você decide ser ator, você quer largar a escola, você quer ajudar teatro.
01:03E você tem todo um processo para passar, estudando ciência, química e biologia, eu falei, gente, eu não vou usar isso, estou perdendo aqui meu tempo fazendo isso, eu tenho que estudar teatro.
01:15E preso ali, eu lembro que aos seis anos de idade eu queria ser bombeiro, porque a gente fez uma excursão de escola para um corpo de bombeiros e aí eles fizeram as demonstrações e toda criança, todo mundo queria ser bombeiro aquele dia.
01:32E aí depois de dois anos, eu não sei aonde que foi que eu vi o Chaplin, eu não sabia o que era aquilo, mas ele me passou uma emoção que eu falei, eu quero fazer isso.
01:43Eu me senti muito, eu me identifiquei muito com o que ele fazia, eu não sabia o que era, eu não sabia que aquilo ia ser ator, não sabia, bom, aquilo ia ser palhaço, aquilo ia ser diretor, aquilo.
01:57E aí que começou, e nunca, nunca pensei em outra coisa, porque eu comecei em tablado com 11 anos de idade, eu era muito, mas muito tímido.
02:09E a minha mãe me levava toda terça e quinta para ter aula no tablado, e ela me deixava ali na porta do tablado, ia para o shopping, passear para depois me buscar.
02:20Eu era muito tímido, eu quase não subia no palco, tinha aquela turma meio do, não sei se era uma turma do Rio de Janeiro, mas aquela, 11 anos de idade,
02:31um menino de Niterói, se não é extrovertido, já vai ser difícil se misturar com aquela turma, e eu não me misturava de jeito nenhum.
02:40Eu torcia para que terça e quinta demorassem bastante para chegar.
02:49Mas era engraçado o quanto que eu sabia que era aquilo que eu queria para a minha vida, porque eu acho que ali eu poderia ter desistido da profissão.
03:01Eu acho interessante entender como que isso não me afetou, porque dali eu saí, eu fiz um curso de teatro no Abel,
03:11e sou em Niterói, conheci o Valnei Fernandes, nessa época eu tinha 14 anos de idade,
03:19e ele supostamente era um cara muito mais velho, ele não tinha nem 20.
03:22E a gente combinou, ele era muito extrovertido, aquele cara que no primeiro dia ele faz amizade,
03:33e a gente combinou de estudar na Cal.
03:38Nossa, Niterói era uma hora e meia só para estudar teatro, ida e volta,
03:45era um ônibus até o centro da cidade, depois barca, e depois um outro ônibus para as Laranjeiras.
03:55Três horas da minha vida, eu ia e voltando, naquela época eu sabia até que barca que era mais rápido.
04:02A gente geralmente estava atrasado ali, é barca e cara aí, essa leva mais dez minutos do que, sei lá, a Engar.
04:10Meu pai, eu acho que ele fez a gente rir muito, era muito engraçado o meu pai, era muito...
04:23Outro dia mandaram uma foto dele no Natal, uma foto com mais umas coisas que ele se pintou,
04:31ele fazia umas coisas, a gente criança, a gente achava aquilo o máximo.
04:34E a gente foi desenvolvendo, somos quatro irmãos.
04:37Então, lá em casa, foi uma dureza para a minha mãe, quer dizer, cinco homens contra ela.
04:43E tinha muito humor, tinha muito humor dentro de casa.
04:46Então, eu não sei, até agora, eu acho que com certeza o humor é uma coisa que nasce com você,
04:52mas ele pode ser refinado, ele pode ser aprimorado ou não.
04:56Mas eu acho que é isso, você depende também de ter uma inspiração perto de você,
05:05um humor perto de você, para desenvolver o seu humor, sabe?
05:09Eu acho que é isso, o humor é uma criança que você tem que dar comida, você tem que...
05:13Para ele crescer, senão ele fica... ele fica lá pequenininho.
05:17A Ferida foi a minha primeira novela, eu estava fazendo Oficina da Globo,
05:22que era uma coisa nova na época.
05:24Quando eu entrei naquele estúdio, naquele cenário, eu vendo aquela riqueza toda que é a Globo,
05:33aquela riqueza de detalhe, você entrar num estúdio, eu nunca tinha entrado num estúdio.
05:37O teste, eu entrei num estúdio pequeno, preto, eu com uma câmera só.
05:41Eram quatro câmeras voltadas para um cenário, tudo iluminado, aqueles profissionais andando para lá e para cá.
05:47E aí, na hora que eu fui falar a frase, eu dei uma gaguejada,
05:50e o diretor falou, isso é bom para o personagem.
05:52Aí eu fiz ele gago, mas na realidade eu estava tão nervoso que eu gaguejei,
05:57porque eu era muito gago também na época.
05:59Mas a gente atuando, a gente não gagueja, né?
06:02Tá bom, é isso que eu estava tentando de explicar.
06:08Ainda bem que a senhora entendeu de prima.
06:11Eu lembro muito de ver os filmes do Al Pacino e do De Niro,
06:18porque era muito difícil ver aqueles filmes naquela época.
06:23E aí eu via o Torindo Marvel do De Niro,
06:28depois eu via o Scarface do Al Pacino,
06:32mesmo o Michael Corleone.
06:34E é um trabalho de composição que me interessa muito,
06:37porque é outro personagem.
06:39Quando você descola, você não vê o Murilo Maggi, né?
06:46E a cada ano que passa, isso se torna mais difícil de fazer.
06:51E é o que eu me proponho a fazer, porque eu estou há 20 anos já na Globo.
06:55E aí é muito difícil as pessoas dissociarem eu do personagem, né?
07:03Porque eu já sou um cara que eu estou fazendo há muitos anos isso.
07:05Então, isso é cada ano que passa, eu sinto mais dificuldade.
07:09Mas eu acho que o objetivo sempre é esse,
07:12é você fazer o espectador esquecer que sou eu.
07:17E acreditar numa viagem, acreditar num personagem.
07:21Eu gosto muito de compor, eu sou...
07:22Eu não sei se foi minha escola, não sei se foi o que me inspirou na época,
07:34os atores que me inspiravam na época eram atores de alta composição,
07:39acho que isso pode ter vir.
07:42Ou não sei até se é por uma defesa do Murilo,
07:46que é um menino tímido.
07:49Isso na época, né?
07:50Hoje em dia, a gente já sabe lidar com a timidez,
07:53a gente já sabe falar com as pessoas.
07:54Naquela época, ainda tinha...
07:56Então, eu investia muito na composição de personagem.
08:00Eu soube que o Luiz Fernando ia fazer o remake de Irmãos Coragem,
08:04aí eu liguei para o Carlinhos Araújo, que é diretor.
08:08Ele fazia A Fera Ferida, essa novela que eu tinha feito.
08:13E aí eu falei, cara, se tiver alguma coisa, me chama o que eu quero fazer.
08:17E aí eles me chamaram para fazer o Juca-se-Pó.
08:20Paga um recado do meu patrãozinho, doutor Pedro Barros.
08:24Que recado?
08:25Tem gringo na cidade, japonês.
08:28Doutor Pedro Barros manda prevenir que quem vender diamante para ele vai se dar mal.
08:32Diga, seu doutor, quem vai se dar mal é ele.
08:34Nós vendemos nossos pedaços para quem quiser.
08:36Calma, Jerão.
08:39Esse garimpo aqui é nosso, seu Juca-se-Pó.
08:43Doutor Pedro Barros manda lá no garimpo dele.
08:45Mas nós de vender as pedras, você tem que vender para ele.
08:49Nós sempre vendemos.
08:51É, e ele aproveita, paga a miséria.
08:54Mas o dia que nós quiser vender para outro, nós vendemos.
08:57Por causa que nós é livre, seu Juca-se-Pó.
08:59Eu acho que a cabeça do ator é achar que ele é protagonista.
09:07Ele aparecer mais ou menos na história, isso é um problema do cara que está escrevendo.
09:11Não é teu.
09:13Mas a sua vida, você é o protagonista.
09:16Se você está fazendo uma pessoa, você não vai fazê-la menor porque ela aparece menos.
09:20Eu acho que é isso que faz as pessoas notarem, eu acho, o seu empenho no trabalho, a sua disposição, a sua vontade de fazer.
09:39Eu acho que isso que te impulsiona.
09:42Porque, por menor que seja, quando você faz com muito carinho, com muita vontade, é perceptível.
09:49Uma casa com cheiro de casa.
09:58Você é aqueles pulguentos para lá e para cá, pulando o nosso colo, lambendo a gente, babando.
10:03Agora eles estão no sítio, vivendo a liberdade deles.
10:07Não tem mais aqueles pelos aqui.
10:11Saúde!
10:12Eu fiz também a Chocolate com Pimento, que era uma delícia de novela.
10:17Era uma novela do Valsir Carrasco.
10:19Uma novela da R6.
10:21Aninha.
10:25Me perdoa.
10:29Ele nunca mais vai embora.
10:31Por amor, por amor, uma grande novela do Manuel Carlos.
10:36E...
10:37Que também era um papel, que não era o protagonista, mas era um papel de uma certa importância.
10:46E era uma novela muito boa.
10:48Eu acho que também o que ajuda muito a carreira de um ator é encontrar outro ator.
11:08Onde eu estava jantando com o Vladimir Brista, porque eles são muito próximos, né?
11:16Ainda mais, quando teve a Avenida Brasil, a gente ficou muito próximo.
11:20Eu, a Débora, a Adriana e o Vladimir.
11:21E ele é muito engraçado.
11:25Ele me matou de rir, que ele estava falando, de ator tatame.
11:30Eu falei, o que é ator tatame?
11:32Ator que quer disputar a cena com você.
11:34Ele quer ganhar a cena de você.
11:35Ele não sabe que ele, com você, fará uma cena melhor, tanto para você quanto para ele.
11:40E é engraçado isso.
11:43Eu acho que também isso impulsiona muito um ator.
11:45Quando o ator encontra outro ator, em cena.
11:48E aí a troca é muito boa.
11:51Branca, o que está acontecendo?
11:54O que é isso?
11:55O que você está fazendo?
11:56O que é isso?
11:58Ficou louca, Branca.
11:59O que é que eu disse?
12:00Branca!
12:01Ah, gatilho!
12:08O que você fez com a sua mãe, Léo?
12:15Todos os meus grandes sucessos, com certeza, tinham um parceiro muito bom do lado.
12:24Eu era tão fã do Luiz Gustavo, por isso que eu acho que é um ato irresponsável.
12:28Então, ele fazia personagens e que acabava a novela, pegava um personagem e fazia série
12:35de tão bons que eram os personagens dele.
12:38E aí, eu particularmente, acho que foi uma das últimas novelas que eu lembro da minha
12:45mãe gritar da varanda e eu parar pelada na rua e sair correndo e sentar no chão suado,
12:52que não podia no sofá, que estava todo suado, para assistir o Luiz Gustavo.
12:57E aí, quando falaram, vamos fazer de novo, eu falei, o que eu quero?
13:02Sabe, um pouquinho mais carinhoso.
13:04Mulher gosta de elogio.
13:06Perdona, minha senhora, pero não pode ser o que me pide.
13:09Sabe, você não necessita disso, cara, fantasia de carnaval.
13:15Não, tira tão linda lá a cara, porque esta pessoa que te ilumina e que te acredita,
13:20não se te compara.
13:22Aí elas ficam todas derretidas.
13:24Onde você aprendeu esse espanhol?
13:29Foi uma delícia fazer.
13:30Ainda mais quando o Luiz entrou para estar com a gente.
13:33Aí são esses momentos raros assim, que é muito gostoso.
13:42Assim que você fala assim, puxa vida, esse momento aqui que eu estou tendo.
13:45Vou saborear ele, porque ele é histórico.
13:48Mais uma vez, de coração, eu lhe agradeço essa oportunidade.
13:54E depois eu já volto.
14:01Ele é que devia estar fazendo o Vitor Valentim.
14:03Assim, eu acho que eu estar vestido de Vitor Valentim,
14:10contrassenando com o Luiz Gustavo,
14:12vestido de Vitor Valentim, que no final da novela ele se vestiu também,
14:15aquilo ali para mim é histórico.
14:19Para mim, eu vou levar para sempre.
14:20Eu acho que é um privilégio chegar na Globo outro dia,
14:35você chega àquela empresa gigantesca, monumental,
14:39e que faz tudo o que fez até hoje.
14:4320 anos, nunca atrasaram nem meia hora o meu pagamento.
14:48É uma empresa séria.
14:50Eu acho que é a única empresa no Brasil,
14:54pelo menos que desde a estreia, nunca fechou.
14:59Eu acho que a gente precisa disso no Brasil.
15:02Aquela roleta lá do Projac,
15:05não tem dia ou não tem hora da noite,
15:08que você não passa o seu cartão e entra.
15:11E está tudo funcionando.
15:12Tem gente editando, tem gente não sei o que.
15:14Eu acho que o Brasil precisa disso.
15:15O Brasil precisa de...
15:18Ah, hoje é feriado?
15:21Então vai de short e sandália.
15:22Mas não deixa de trabalhar, não.
15:24A gente é assim lá, a gente trabalha mesmo.
15:26Eu acho que dá até um exemplo, sabe?
15:29Eu gosto, eu tenho o maior orgulho.
15:33A empresa que você resolveu estar trabalhando,
15:36em 20 anos, ela fez vários sucessos,
15:40mas dois fenômenos.
15:41E eu estive nos dois, por sorte.
15:44Que foi o clone e foi a Avenida Brasil.
15:46Não, o Lucas queria ter uma cara só pra ele.
15:49Queria mesmo, acho um saco esse gêmeo.
15:52Eu curto de montão.
15:54O Tufon é aquele que assiste.
15:59Então é aquela coisa que você...
16:01A gente tem que ver tudo no teu olho.
16:03Porque ele não...
16:05Ele não age, ele é um cara passivo.
16:09Já me falando que era uma roubada do personagem,
16:13um cara difícil, não sei o quê.
16:14Um cara passivo, ainda mais um cara que é traído.
16:19Que...
16:19Aquilo tudo acontecendo em volta dele.
16:22Aí que vem o humor, né?
16:24Que eu falei, não.
16:25Esse cara...
16:28E a gente também...
16:30Eu gosto muito do Zeca Pagodinho.
16:34Aí eu fui muito no...
16:36No astral do Zeca.
16:37Porque eu acho que o Tufon é um cara muito popular.
16:43Tipicamente brasileiro, né?
16:46Do povo.
16:48E é um vencedor.
16:50Então eu fiz ele assim, eu fiz assim.
16:51Ele não interessa o que acontece do meu lado.
16:54Eu sou um vencedor.
16:55Eu vim aqui te pedir em casamento, garota.
16:57Você aceita ou não aceita?
17:00Aceita!
17:01Aceita!
17:02Silêncio!
17:02Silêncio!
17:02Silêncio!
17:03Silêncio!
17:04Silêncio!
17:04Vamos ouvir a resposta.
17:06E a Ludmila em Cancun?
17:07Mas você não queria conhecer o México?
17:09Cancun no México?
17:10Olha, não.
17:11A gente leu a primeira vez.
17:14Na Avenida Brasil.
17:15E aí eu tava olhando assim.
17:17Eu falei, olha...
17:18A gente tem que fazer duas coisas nessa novela.
17:22O diálogo é muito engraçado.
17:24Se a gente fizer graça em cima disso, vai ficar ruim.
17:27Não é assim, Ivana.
17:28Também não é assim, não, viu?
17:28Era só o que faltava, Tufa.
17:31Depois de tudo que ela fez, tu ainda vai defender a Carminha?
17:33Difícil de acreditar, Ivana, mas se não fosse a Carminha, a gente não tava aqui.
17:37Como assim?
17:38Não?
17:38Ela salvou a nossa vida.
17:40A minha do seu irmão.
17:42Eu sou um cara que muda o texto.
17:44Não é?
17:45E o João gosta.
17:47É o primeiro autor que gosta.
17:50Ele escreve e fala, mas fala do jeito que você quiser.
17:52Porque eu acho que o ator, ele tá cuidando só de uma pessoa.
17:58O autor tá cuidando de 30 quando não é 50.
18:02Então, com certeza, chega uma hora em que o ator tem até mais propriedade do que tá sendo dito do que o autor.
18:08E ele sabe disso.
18:10As pessoas mudam?
18:12É ou não é?
18:13Você não mudou de lado também?
18:16Então.
18:17Eu tinha acabado de fazer um personagem terno e gravata.
18:20Quem ia fazer o Dodd era o Fábio Assumpção.
18:23Quando eu cheguei lá, a paleta já tava feita de roupas dele.
18:28Já tava tudo escolhido.
18:30Aí eu olhei aquilo e falei, não, gente, eu acabei de usar isso na última novela.
18:35Era terno e gravata.
18:37Eu falei, não, vamos fazer uma maluquice.
18:42Esse cara é um cara que se deu bem na vida.
18:46Esse cara tá aqui infiltrado na família.
18:47Aí eu botei um tubarão desse tamanho, feio, que eu vi no braço do Brad Pitt num filme.
18:57Eu olhei aquele tubarão e falei, nossa, que tubarão feio, eu vou botar isso no meu braço.
19:01Porque o cara que tem um tubarão desse, você já imagina qual é a história dele.
19:05Ele usava umas camisas meio de seda, meio aberta, assim, com terno.
19:10Que indicava que ele era um cafajeste.
19:13Eu acho que aí que eu entendo porque o João ficou chateado.
19:17Porque ele falou, esse cara não vestiria essa roupa dentro dessa casa.
19:22Mas aí já era tarde demais.
19:24Depois a gente foi comprar outras coisas na mesma loja.
19:27A loja tava vazia.
19:29Vendeu tudo.
19:31Engraçado, né?
19:32Fez o maior sucesso que ela jogou para o Zorro.
19:35Mas eu concordo com ele, tava errado.
19:38Mas fez muito sucesso naquela roupa.
19:42E era boa a novela.
19:43Eu gostava muito.
19:45As fotos eu te dou amanhã na sua mão, aqui, nesse mesmo horário.
19:48E trago a dor na tela, vocês vão se ver pessoalmente.
19:52Isso aí, doutor.
19:53Alegria, alegria.
19:54Com confiança que se leva à vida.
19:56Até amanhã.
19:56É um privilégio tão grande você viver do que você gosta.
20:03Não é?
20:04E aí, eu acho que a gente tem que saber disso o tempo inteiro.
20:09Quem foi e contou?
20:11Qual o nome da pessoa que disse?
20:13Vocês também sejam acreditando em tudo que falam pra vocês, é isso?
20:16Quem falou foi um garimpeiro que trabalhou com o pai, Tião.
20:19E ele tava na hora que aconteceu o acidente.
20:21Mas ele ia conhecer o pai?
20:23Amores roubados foi a barba.
20:26Eu falei, eu quero fazer essa barba.
20:28Foi uma briga.
20:30Pra eles deixarem aquela barba.
20:32Era uma barba meio doida.
20:33Era um barbão, assim.
20:36E que era meio raspado aqui o cabelo.
20:38Então, aqui era maior do que aqui.
20:41Era uma coisa até moderna.
20:43Porque é moderno, não é?
20:45Era uma coisa meio...
20:47E aí, eu briguei paca.
20:48Porque aquilo me levava pra uma outra coisa.
20:52A gente ficou muito tempo em Petrolina.
20:54Paulo Afonso.
20:57São lugares lindos, mas são lugares áridos.
21:00São lugares...
21:02Muito quente e longe de casa.
21:07Eu, depois que eu tive filho, eu tenho uma dificuldade enorme de ficar longe de casa.
21:12E isso tudo...
21:12Mas a gente acaba que usa também tudo isso, né?
21:16Mas se ator não é bobo, ele usa tudo de ruim.
21:20Ele transforma, ele recicla pra uma coisa melhor.
21:23É a esposa do doutor.
21:24Bom, da próxima vez, você combine.
21:26Senão eu vou descontar do teu salário e dar uma advertência na sua carteira.
21:30Entende?
21:31Claro que entendo, doutor.
21:32A grande escola é a vida.
21:34Quanto mais experiente você fica, mais recursos você tem pra chegar no resultado que você quer.
21:42Eu me sinto quase que obrigado a ser um pai parecido com o que o meu pai foi pra mim, sabe?
21:47Então, eu acho que eu devo isso a ele.
21:54Acho que tudo que eu vivi com o meu pai e com a minha mãe, eu acho que eu devo isso a eles.
22:01Então, assim, nada é mais sagrado do que sexta-feira à noite.
22:08Os meus filhos sabem que a gente vai pegar o carro e vai pra fazenda.
22:11E lá a gente vai encontrar todos os meus irmãos que todo mundo sobe.
22:14e a gente passa o final de semana juntos em família.
22:19E eu acho que lá eles estão tendo a infância deles.
22:22Como eu tive a minha infância na Serra de Friburgo,
22:26agora eles estão tendo a mesma infância.
22:28Sando a cavalo, brincando de esconde, estão no galheiro o tempo inteiro, não sei o que lá.
22:32Terra e bicho, não sei o que lá.
22:34Tudo que eu tive, eu tento passar isso pra eles e viver com eles, né?
22:39Eu acho que tem uma coisa na vida que a gente tem que entender.
22:42o que é básico, eu acho.
22:47Um é disciplina e o outro é moderação.
22:53Disciplina e moderação estão em tudo.
22:55Então, disciplina de você fazer as suas coisas.
22:57E moderação, tanto da forma que você trabalha, quanto da forma que você se diverte.
23:02Você tem que ter tempo pra tudo, né?
23:05Eu não posso ser só um bom ator.
23:07Quero ser um bom ator, eu quero ser um bom namorado, eu quero ser um bom pai, eu quero ser um bom filho.
23:13Eu quero, sabe, completar essas etapas.
23:18Eu não quero...
23:19Eu escuto muito...
23:22Muita gente dizendo,
23:23Puxa vida, sabe, cresceu tão rápido e eu...
23:27Trabalhando tanto, tanta coisa eu perdi.
23:30Eu não perco nada.
23:31Eu acho que a gente tem que ter isso desde cedo, tem que saber que a família é muito importante, o trabalho é muito importante.
23:42Mas tudo é muito importante, até você.
23:47Às vezes eu pego sozinho, vou pro cinema.
23:50Às vezes eu gosto de estar sozinho e falo,
23:52Não, sozinho, vou sair sozinho, vou me namorar.
23:57Eu acho que você tem que dar esse...
24:00Arrumar a sua vida pra que isso aconteça.
24:03Quando a gente pede os pais, eu acho que...
24:09Eu acho que é a primeira vez que você realmente...
24:15Eu acho que bate assim, a vida não é pra sempre.
24:18Você sabe que vai morrer, mas você meio que não acredita.
24:24E quando acontece isso, eu acho que é muito grande o baque.
24:31Assim, a gente quase que acha que não vai mais fazer as pazes com a vida.
24:37Eu não queria que você soubesse que eu não tá sozinho aqui, não.
24:40Eu queria que você soubesse que eu tô contigo.
24:50Eu tô com uma pessoa que, de alma, é muito parecida comigo.
25:05Ao mesmo tempo, sendo muito diferente.
25:09A vida da Débora é completamente diferente da minha vida.
25:12E ao mesmo tempo, a gente tem uma alma idêntica.
25:17Isso é muito bom.
25:18Eu não abro mão de qualquer outra pessoa no mundo do que aquela pessoa que me faz rir.
25:26Eu acho que a pessoa que te faz rir é um remédio, assim, diariamente.
25:30O meu filho maior...
25:34Tá fazendo 18 anos, o Antônio é...
25:38É o melhoramento da espécie.
25:40Eu vejo ele e falo, gente, ele é muito melhor do que eu fui.
25:43Ele tem uma paciência com ele.
25:44Brinca com o irmão o tempo inteiro.
25:45Eu que ficava jogando, batendo nos meus irmãos, aquela brigalhada.
25:51Aí você vê isso, aí você fala, é o melhoramento da espécie.
25:55Aí eu fico muito orgulhoso.
25:56Eu vejo os dois juntos, vejo quanto que o Pietro é vidrado no irmão.
26:00Eu acho que a infância devia durar 20 anos.
26:03É a única reclamação que eu tenho.
26:06A infância é muito rápida.
26:08Eu fico olhando as crianças, brincando.
26:10Cada ano faz tanta diferença para eles.
26:13Eu acho que a infância devia levar 20 anos.
26:16É tão...
26:17É tão bom aquela...
26:20Falta de...
26:21De...
26:22De...
26:24De problema para pensar, a falta de tudo.
26:26Ontem eu estava gravando, estava...
26:28Do nosso lado, assim, uma...
26:30Uma olimpíada de escola.
26:32Aquela bagunça, todo mundo com a goa vermelha, branca, amarela.
26:36Toda escola é assim, bandeira branca, bandeira...
26:39Aí eu falo, que época boa é essa, né?
26:42Eu acho que aos...
26:4443 anos de idade agora, eu acho que eu tenho que...
26:51A minha preocupação é...
26:53É...
26:54Produzir, é fazer os meus projetos, né?
26:58Eu acho que chega uma hora que você não pode mais abrir mão de você mesmo.
27:03Então, fazer os meus projetos...
27:07E...
27:08Proporcionar isso para...
27:10Para...
27:11Para os filhos e...
27:12Para a namorada.
27:13E uma vida...
27:15Uma vida...
27:16Boa, uma vida gostosa, uma vida...
27:18Produtiva e...
27:20Passar...
27:22Isso tudo para eles.
27:24Ser ator é...
27:25Eu acho que é acreditar numa brincadeira.
27:34Eu acho que é isso.
27:36Sim, a sua...
27:37Minha mulher, Carmen...
27:39O senhor quer que eu fale alguma coisa para a sua mulher?
27:41Carmen, Lúcia, Moreira de Souza.
27:43Eu vou cuidar dela, eu vou proteger ela.
27:45Eu prometo que eu cuido da sua mulher, vem comigo.
27:47Eu tenho dinheiro, eu tenho muito dinheiro.
27:50Eu prometo que eu vou cuidar dela.
27:52Eu vou cuidar dela.
27:53O que?
27:56Pois...
27:57Então, vamos ter...
27:58Dep argentino...
27:59Depertando...
28:01Suédures...
28:04E aí
28:05Peguei Ate...
28:05Vai...
28:07Vindo...
28:08Vindo...
28:08Vindo...
28:10Queיעis...
28:10Vindo...
28:12Vindo...
28:12Vindo...
28:14E aí
28:15Vindo...
28:19E aí
28:20Die die...
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