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00:00Eu fazia um jardineiro e eu gostava porque era roupa única, não precisava ficar tocando de roupa,
00:19porque é muito chato ficar tocando de roupa. Eu entrei na escola de teatro para fazer tragédia.
00:24Eu era muito ingênuo, porque tragédia é muito difícil, mas eu queria só fazer tragédia,
00:28eu vi que eu não podia mais ficar dependendo dos convites, porque ou eles não vinham, ou quando vinham você não podia escolher.
00:37Na época em que eu era jovem, nenhum ator achava que ia ser milionário, nem que ia comprar carro, nem apartamento, hoje é uma loucura.
00:46Eu nasci em Recife em 1948, mas fiquei pouco tempo na cidade, porque em seguida eu tive que acompanhar meus pais,
00:54claro, já aos quatro anos eu fui para Caldecipó, na Bahia, meu pai gerenciava um hotel,
01:01e depois fui para Manaus, depois fui para Belo Horizonte, e por fim cheguei aqui no Rio, e isso foi em 1958.
01:09Essas viagens eram interessantes porque, de alguma maneira, já era um mundo meio teatral, um mundo meio fictício,
01:17porque os hotéis não eram nossos, meu pai gerenciava, e eu convivia nos hotéis, e também tínhamos os hóspedes,
01:27que eram os personagens, tínhamos a celografia, que era o próprio hotel, de alguma maneira,
01:32era um primeiro encontro com essa fantasia, com a ficção, vamos dizer assim,
01:39embora a minha realidade fosse bastante atuante, porque era filho do gerente do hotel,
01:44e aí eu comecei a observar melhor, muitas pessoas passando, muitas pessoas indo, cada um com temperamento,
01:51desde cedo eu fui percebendo as emoções das pessoas, cada um de um jeito, a maneira de se comportar,
02:01a maneira de falar, a maneira de se vestir, criança é muito curiosa, e isso tudo me despertava atenção.
02:10A representação surgiu inesperadamente, porque eu não tinha ainda atinado para o fato de representar,
02:21de ser ator, não tinha, mas algumas coisas me jogaram para isso, sem que eu tivesse conhecimento,
02:29por exemplo, minha mãe me levava a uma missa das 11 horas, na igreja aqui do Rio de Janeiro,
02:36de Santa Terezinha, ali no pé do Túnel Novo, e isso era os sábados.
02:44Paralelamente a isso, existia um grupo amador, não amador, mas um grupo mambembe, de teatro infantil,
02:51no salão da igreja que faziam peças ao sábado e domingo, comecei a me turmar com eles,
02:58enquanto esperava a hora da aula, depois que saía da aula.
03:02E ali eu conheci o Pedro Paulo Rangel, que é meu amigo, o conhecimento nosso foi ali,
03:08e depois disso nós descobrimos que existia uma escola de teatro, fizemos o vestibular para a escola,
03:19passamos, passamos a escola de teatro.
03:23Eu entrei na escola de teatro para fazer tragédia, eu era muito ingênuo, porque tragédia é muito difícil,
03:29mas eu queria só fazer tragédia, nem grama eu queria.
03:32Mas, lá pelas tantas, no primeiro ano ainda, a gente fazia umas provas fechadas, né?
03:42Para o próprio grupo, o professor de interpretação escolhia umas cenas, e você fazia lá a prova.
03:55Aí eu recebi uma incumbência, que era fazer Júnior e o Pavão, uma peça do Alcayze,
04:04que é um drama, mas tem um papel cômico.
04:09É uma comédia dramática, o drama cômico.
04:13Aí eu fiquei revoltado, fui falar para o professor, mas não me imponho para fazer isso.
04:20Não, não tinha jeito, fiz.
04:23Fui fazer a peça, aí eu vi os colegas rindo, e eu achei que era pessoal, achei que eles estavam debochando-se,
04:31mas não era, eles estavam gostando.
04:33Aí eu depois falei, meu Deus, não sabia que eu tinha essa veia.
04:37Em seguida, conheci mulher, aí conheci a comédia, né?
04:41Conheci a comédia, me apaixonei pela comédia.
04:43A comédia é incrível, adoro a comédia, que é muito leve.
04:46Mas eu gosto muito do drama também, eu gosto de variar.
04:49De fazer, não só variar nos estilos de dramaturgia, mas também nos estilos de interpretação, né?
04:59Porque você no palco é uma coisa, na televisão é outra, no cinema é parecido da televisão, mas ainda é outra.
05:06Uma cidade que não respeita seus mortos, não pode ser respeitada pelos rivos.
05:11Temos urgência, urgentíssima de um campo santo.
05:16Queremos um cemitério!
05:18Queremos um cemitério!
05:19Quem ama, quem gosta, e por que não dizer, quem idolatra a sua terra, deseja nela descansar.
05:27Em nossa cidade infeliz, ninguém pode realizar esse sonho.
05:31Ninguém pode dormir o sono eterno no seio da terra em que nasceu.
05:36Sucupira, até quando assistirás teus filhos emigrarem atrás do sono eterno?
05:43Eu imaginava que quando você entrava assim para uma peça, adulto, vamos dizer, que você estava dentro de uma espécie de confraria, entendeu?
05:52Que você não teria mais problemas de emprego, nem nada disso.
05:57Bom, foi cruel o destino porque eu saí do emprego que eu tinha, que era num banco, que eu nem sei por que me aceitaram, porque eu não sei fazer conta, mas eles tinham boa vontade comigo.
06:09E, dali, eu fui viver só de teatro, passei uma época difícil e tal.
06:16Foi quando eu comecei na televisão, nesse período, talvez 68, se não me engano.
06:24E eu fui fazer uma procuração que eles precisavam, uma procuração especial porque era uma novela de capa-espada e eles precisavam de jovens que esgrinissem a ponte dos suspiros, com Carlos Alberto, Ana Magalhães, etc.
06:44E o que nós fazíamos? Nós íamos lá, botávamos uma peruca, lutávamos, morríamos, voltávamos, mudávamos de roupa, ia lá de novo, morria ou matava.
06:56Quem nos treinava nas lutas, para a gente lutar no estúdio, era o Dari Reis, que era ator e também esportista, ele sabia esgrimir, e ele fazia as combinações de luta para a gente gravar.
07:15Mas, por uma coincidência, ele conhecia a Dersi Gonçalves, a mulher dele trabalhava com a Dersi Gonçalves.
07:23E, nessa época, a Dersi tinha a opção de dois atores para substituir os que iam sair.
07:33Foi pós-graduatória, porque a Dersi era realmente única, tinha um carisma incrível.
07:40Nessa época, ela, inclusive, tinha dois programas de televisão, um ao vivo e outro gravado.
07:46E ela botava o público na mão e fazia loucuras.
07:50Porque o texto, ela mudava toda hora, era uma época de censura, os censores iam assistir e ela brigava com os censores.
08:04Uma vez, ela distribuía os textos para todo mundo e falou, tem uns caras aí, não sei o quê, então tem que falar o que está escrito.
08:11Mas, só que o que estava escrito, a gente nunca tinha escrito.
08:15Aí, ela falava uma coisa e disse, é você agora.
08:18Não sei o quê que eu falava.
08:21Aí, daí, ela botou para correr os censores.
08:26Preferiam não enfrentá-la do que entrar no barraco lá do escândalo que ela fazia.
08:33Bom, mas isso, eu fiquei um ano com ela.
08:36Depois, Marília Pereira me chamou para fazer A Vida Escrachada.
08:40A Vida Escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato era um musical sobre uma verdade e um gangster.
08:45Também do Braulio Pedroso.
08:47Foi aí que conheci o Braulio.
08:48Depois, o Braulio, quando foi para a TV Globo, escreveu esse papel para mim.
08:53Marília incentivou e o Daniel Filho também aceitou.
08:56Foi assim que eu entrei no ramo da televisão.
09:01Faz de conta que é uma simples viagem.
09:04Que eu volto no Natal para lhe desejar boas festas.
09:10É, de qualquer forma, nunca nos separamos.
09:18Tive também a sorte do Ari Fontoura, um grande amigo meu.
09:23Me acolheu na casa dele e me empregou.
09:31De algum jeito, me indicou para o Milton Carneiro, que era um comediante e que trabalhava em teatro também.
09:38Era empresário, levava peças pelo Brasil, num esquema bem Mambembele.
09:44Então, eu viajei o Brasil com o Milton Carneiro por duas vezes.
09:49E a gente viajava em condições muito precárias.
09:55A gente ia de ônibus daqui até Natal, por exemplo.
09:59O ônibus daqui até Fortaleza ainda reclinava um pouco.
10:02Mas de lá para cima não reclinava nada.
10:07Era um ônibus de carreira, às vezes dez horas.
10:09E muitas vezes atolava, as estradas eram de terra, atolava, vinha trator.
10:17Depois viajamos com uma Kombi.
10:23Fizemos esse trajeto.
10:26Foi em 70 que eu comecei a fazer televisão com mais assiduidade.
10:33Aí as coisas começaram a melhorar para mim.
10:40Estou aqui perto de você.
10:45Mas você está longe.
10:49Na época em que eu era jovem, nenhum ator achava que ia ser milionário,
10:56nem que ia comprar carro, nem apartamento.
10:58Hoje é uma loucura.
11:00Hoje todo mundo tem que ter alguma coisa.
11:03Mas eu, naquela época, nenhum ator pensava nisso.
11:08E é muito inseguro.
11:10É uma vida que você já sabe que ela é insegura.
11:13Que ela não é...
11:16Assim, você não pode acreditar que vai estar sempre empregado.
11:19Depende muito.
11:20Em seguida, o primeiro amor.
11:23Que era com o Sérgio Cardoso, que morreu durante a novela.
11:30Ficamos amigos também.
11:31Fazia filho dele.
11:32Ficamos amigos e...
11:35Um dia eu fui gravar com ele.
11:38Nós gravamos a última cena do dia.
11:42Eu fui fazer uma peça que eu estava fazendo ali na lagoa.
11:46No teatro que tinha ali.
11:49E quando eu saí do teatro, tinha um monte de gente esperando.
11:52Da televisão, cheio estranho, era ele que tinha morrido.
11:56O primeiro amor.
12:00Uma história que vai superar todas as novelas que você já viu.
12:05Eu cheguei no apartamento dele.
12:27Ele não estava no caixão, não era nada disso.
12:30Mas no enterro eu também fui.
12:31Eu nunca mais ia em enterro nenhum.
12:32Porque foi uma selvageria.
12:35Foi uma coisa assustadora.
12:37Porque o público...
12:38Derrubavam as coroas de flores, empurrava, empurra, empurra.
12:43Foi uma loucura.
12:44E eu ouvi um comentário também chocante.
12:48Porque a Dalva de Oliveira estava mal no hospital nessa época.
12:53E aí eu vi uma...
12:55Uma fã, vamos dizer isso, falando para a outra.
12:59Ah, que pena.
13:01Está acabando o enterro, imagina.
13:03A outra disse, não se incomoda não, porque a Dalva de Oliveira daqui a pouco vai.
13:06Eu falei, meu Deus, que mundo é esse?
13:09Não podia imaginar que o mundo ia piorar muito mais até hoje.
13:12Carinhoso é um papel pequeno, mas era muito...
13:14carismático.
13:15Eu fazia um jardineiro.
13:18E eu gostava porque era roupa única.
13:20Não precisava ficar trocando de roupa, porque é muito chato ficar trocando de roupa.
13:22Mas ele fazia esse jardineiro faísca.
13:25A gente tem que fazer uma coisa mais direta por ela, Donana.
13:27O que, hein? Faísca.
13:29Sei lá.
13:34Quem estragou tudo foi aquela mulher ali.
13:40Se a gente pudesse fazer alguma coisa pela Cecília.
13:43O prazer de interpretar, para quem é ator, é enorme.
13:49Você dar vida e ter a emoção de um personagem.
13:54E acompanhar esse personagem, o desenvolvimento dele,
13:58em uma trama como a novela, que é aberta, é muito interessante.
14:03Em 1979, eu vi que eu não podia mais ficar dependendo dos convites.
14:20Porque ou eles não vinham, ou quando vinham, você não podia escolher.
14:24Então, eu arranjei um jeito de começar a produzir.
14:28Para ter mais liberdade de ação.
14:32Faltava ainda uma pessoa experiente de produção, que gostasse de produção.
14:40E descobri agora o meu sócio.
14:42Há muitos anos já, o Fernando Libonacci.
14:44Eu acho que essa pessoa aí foi aí.
14:46Aí sim, com o encontro com ele, eu pude fazer uma carreira mais sólida como produtor.
14:53E depende muito da produção.
14:56Porque senão as coisas não andam.
14:58E eu só gosto de fantasia.
15:00Produção é realidade.
15:02Então, é muito chato para mim.
15:03O mistério de Irma Vap, uma peça que foi um fenômeno.
15:17E nós ficamos 11 anos fazendo essa peça.
15:20Você não gosta de mim, Jane.
15:21Eu não odeio a senhora.
15:23Eu sei, eu sei, eu sei.
15:27Espero que não.
15:28Mas seria uma coisa horrível se você me odiasse.
15:30Uma peça que, por exemplo, fazia sucesso, e o Neila Torraca fazia comigo, era meu sócio.
15:37A gente separava sempre uma verba para ajudar as pessoas.
15:40Quanta coisa deu certo.
15:41Alguém precisasse.
15:42Eu ajudava assim, sei lá, organizações, pessoas com câncer, pessoas com AIDS ou orfanatos.
15:52Sempre a gente separava alguma coisa assim.
15:55Mas eu sentia muita falta de fazer eu pessoalmente.
15:58E eu estava procurando uma sala de ensaio.
16:04Descobri uma sala de ensaio que era...
16:07Mas eu não queria zona sul, não queria nada.
16:09Eu queria um lugar bem estranho.
16:10Eu achei.
16:12Ele achou, Fernando.
16:14Que era na Gamboa.
16:15E hoje, enfim, nós temos aulas de Muay Thai, aula de Jiu-Jitsu para criança e adolescente.
16:24Temos yoga para terceira idade.
16:26Temos ainda cursos de teatro.
16:30Temos uma companhia da terceira idade que faz cursos de teatro.
16:34E também nós temos a nossa sala de ensaio.
16:38Porque é muito prático.
16:40Porque essas últimas produções que eu fiz, eu entro lá, ensaio.
16:46Tudo é feito ali mesmo, né?
16:49Até a finalização de cenário e tudo isso é feito ali.
16:53Eu monto o espetáculo todo ali com luz, com roupa, com tudo.
16:57E dali é que eu vou para um teatro.
16:59Breg Chique aconteceu que...
17:01Eu fui o último ator pensado para fazer o personagem.
17:09Até o Ney foi chamado também.
17:11Não quis fazer.
17:13Eu entrei e falei, bom, não deu tempo nem de fazer aqueles encontros que eles tinham, sabe?
17:18Eu cheguei meio de paraquedas.
17:21Eu pensei assim, eu vou fazer então um tipo bem retraído, porque...
17:26Para eu ficar quieto.
17:27E isso acabou acontecendo que o personagem foi ficando assim.
17:31Ele era muito gentil, muito formal, o personagem.
17:34Então, ele foi tomando esse jeito e foi criando também a empatia minha com a Marília na novela.
17:43Ela era muito grande.
17:43A gente brincava muito, a gente improvisava e tal.
17:46E o papel foi crescendo e ficou um dos papéis mais importantes.
17:52Eu estou com um papinho aqui, está vendo?
17:57Papinho?
17:58Isso não é verdade, gente.
18:01Olha que estranho.
18:02Meu Deus!
18:03O que foi?
18:03Eu também estou, Rafaela.
18:05Olha aqui.
18:06Meu Deus.
18:07Tem uma papada aqui também.
18:09Que coisa horrorosa, sabe?
18:12Eu fiz algumas novelas, não fiz muitas.
18:14Eu acabei depois fazendo TV Pirata, que foi uma inovação na época, no humor e tudo mais.
18:25Eram dez atores de teatro que faziam o TV Pirata, utilizando sua bagagem de atral, o que pudesse ser para a época.
18:33E tive a sorte de encontrar o Guel Arraes, já no TV Pirata, que me abriu as portas para um outro tipo de interpretação na televisão.
18:46Porque eu fiquei muito sendo um rapaz bonzinho, simpático.
18:51E eu falei, meu Deus, eu não vou sair disso nunca.
18:53E o que você aconselha para os telespectadores machos?
18:56Eu, na verdade, comecei a fazer mais sucesso, assim, depois dos 40 anos.
19:22Até então, eu não creio que eu tivesse importância, talvez dentro do métier, que as pessoas conhecem e tudo, também, porque eu fiquei sempre trabalhando e me apresentando.
19:42Sempre esperei muito, com muita paciência, porque é melhor uma coisa solidificada do que uma explosão rápida.
19:51É isso. Gente, nessa altura eu já queria que ela tivesse desistido, que não viesse mais, que o carro tivesse quebrado, que a estrada tivesse caído, que o mundo tivesse acabado.
19:59Para de fricote. Para de fricote e para de andar também. Para de fricote que eu estou doida para fazer minha neta.
20:06Minhas ruas de merda, não pode me ver assim. Eu estou me sentindo duro.
20:09O auto-compadecida era complicado para mim, porque ele era um personagem composto, né?
20:16Assim, como eu entrava muito pouco em cena, assim, o cangaceiro em si, ele era bem composto.
20:27Eu tinha, assim, uma lente de vidro, duas perucas e uma roupa que pesava sete quilos.
20:37Isso me deixava de mau humor, porque eu ficava sempre incomodado com aquela coisa de...
20:43Era uma lente de vidro branca que me cegava.
20:46E, então, perdia a noção da geografia dos lugares, barrava nas coisas, a roupa carregava metade.
20:54Eu fui ficando mau humorado e as pessoas começavam a me dar um gelo, né?
20:57Me deixavam assim, lá, deixa aquela pessoa mau humorada, né?
21:01Eu fiquei.
21:03Mas o personagem era maravilhoso, assim, valia a pena.
21:06Valia a pena porque ele tinha material para se transformar, para ser um grande personagem.
21:13E assim foi.
21:18Rodei a cidade toda vestido de esmolé e não encontrei nenhuma polícia.
21:23Mas também não teve nenhum cidadão para me dar uma esmola.
21:25É por isso que eu roubo.
21:26Eu não gosto de roubar, não.
21:28Quando a pessoa pede, não lhe dão.
21:29Mas foi até bom que eu ganhei mais raiva desse povo.
21:32Eita, aqui desse jeito não vai escapar ninguém, tá peruá.
21:36Vai ser mais fácil do que dar tapa em beba.
21:38Eu construo os personagens, não só para a televisão, mas qualquer um deles, com muita pesquisa.
21:47Eu gosto muito de pesquisar, acho a parte mais divertida.
21:50É a pesquisa.
21:51Pesquisa de tudo, qualquer coisa.
21:53Antigamente não tinha Google na internet, não era disso.
21:58Então eu ia de museu em museu para ver se tinha o tema que eu queria.
22:03Agora não.
22:03Você digita e você acha um monte de coisa.
22:06Pelo menos acha muito caminho para se aprofundar mais tarde.
22:09Eu faço uma pesquisa de imagem, faço uma pesquisa de texto.
22:15E fico pensando sobre emoções, sobre como dosá-las.
22:21Vou construindo um caminho para eu executar depois.
22:27O nó da questão está em executar, porque enquanto você imagina, tudo pode.
22:31Quando você vai fazer, é uma exposição muito grande.
22:34Você tem que conviver com pessoas que sejam chegadas, que sejam íntimas.
22:42Porque você, enfim, fica ridículo.
22:44Um adulto fingindo que é outra pessoa, a princípio é ridículo.
22:50E é necessário que seja.
22:52É necessário que seja, porque você vai apresentar isso para o público.
22:55A homofobia ou o racismo ou qualquer tipo de violência com relação às personalidades das outras pessoas
23:06é um problema bem sério.
23:11Eu talvez ache que está havendo muitos personagens femininos feitos por homens.
23:18Ele vai banalizar um pouco, tira um pouco.
23:21Mas não me incomoda também, não.
23:23Mas a homofobia tem que ser em lei.
23:27Você tem que ter uma lei contra a homofobia.
23:29Essas humilhações porque passam jogadores por causa da cor da pele, por serem negros.
23:36Eu acho isso uma ignorância horrorosa.
23:37Você não vai para lugar nenhum com esse tipo de raciocínio, de mentalidade.
23:44Você fica atarracado, tacanho.
23:47Não respeitar o ser humano, o próximo, é um espelho.
23:53Você acaba se desrespeitando.
23:54Porque se você tira a liberdade de uma criatura, você também está se podando de algum jeito.
24:01Porque é esse crítico ignorante.
24:03Não estava proibido sair da casa?
24:06Nós vamos abrir uma exceção para as pessoas da terceira idade.
24:08Você é da terceira idade?
24:10Não.
24:10Não é? Então, senta aí e fica quieto.
24:13Bom, dando prosseguimento à nossa reunião, eu quero informar que este ano fica proibido agregados na festa.
24:21O Natal será apenas para os parentes próximos.
24:24Ouviu isso, nenê?
24:25Mas quem que disse que eu ia convidar alguém?
24:27Ah, se o ministro do planejamento, o Natalino, não quer que convide, quem sou eu para desobedecer?
24:33Ótimo.
24:34Visto isso, vamos dar início agora ao sorteio do amigo oculto.
24:37Cada um tira o seu amigo oculto sem falar pro outro, porque senão o amigo oculto não vai ser mais amigo oculto.
24:43Ô, Nenê, todo mundo sabe como é que esse troço funciona.
24:45Vamos, vai.
24:46Abelardo?
24:47O que é isso?
24:48Bé, Abelardo, Bençola.
24:50Sim, eu sei que é o Bençola.
24:51Quero saber por que o nome do Bençola está aí dentro do sorteio do amigo oculto.
24:55Nenê!
24:55Ô, Linê, o irmão, você não disse que era pra convidar as pessoas próximas?
24:59Parente próximo, Nenê, parente próximo.
25:02Eu vou avisar pela última vez.
25:04Este ano nós não vamos receber ninguém.
25:07A grande família, nós íamos fazer, me parece que, seis capítulos.
25:11Era uma minissérie de seis capítulos.
25:16Dos seis foram para doze.
25:19Dos doze foram para dezenove e lá se vão quatorze anos e quatrocentos e oitenta e nove capítulos gravados.
25:28Foi um fenômeno também, né?
25:30Que a gente não sabe explicar por que é que um fenômeno acontece, mas aconteceu com a grande família.
25:35E mesmo agora, com o fim dela, eu ouço muita queixa de espectadores que acham absurdo.
25:45O que é que eu vou fazer na quinta-feira?
25:46Como assim, pai?
25:47Que novidade é essa?
25:48Que novidade?
25:49E o meu tem lá novidade?
25:50Vai contar o quê?
25:50Confiscou aí uma calacinha de pamonha?
25:52Não, Agostinho!
25:54Eu fui promovido!
25:56É!
25:57Ai, meu Deus!
25:59Ai, meu Deus!
26:01Calma!
26:02Calma que a novidade não acabou!
26:04E meu novo cargo é em Brasília!
26:08Não é ótimo?
26:10Eu não tenho muita perspectiva para o futuro, não porque o futuro é muito incerto, não sabe o que vai acontecer, né?
26:16Se ficar com muito... imaginando, querendo, eu prefiro que as coisas aconteçam normalmente.
26:23Como aconteceu a Gamboa para mim, a Gamboa foi depois dos 60 anos que eu fiz, e aqui entrou a Gamboa.
26:28Eu não podia saber que eu ia encontrar um mundo tão diverso, tão interessante como o que a Gamboa me traz.
26:35Uma outra coisa que também aconteceu junto com isso é que eu comprei um sítio na montanha.
26:42Então, o contato com esse silêncio, com a natureza, vai ser muito rico para mim também.
26:47Então, você vai descobrindo as coisas de meio por acaso.
26:49Se você planejar muito, pode dar errado, né?
26:53Aí eu deixo ir.
26:55E vou...
26:56Aí eu usufruo.
26:57Quando dá certo, eu usufruo.
26:59Estou em paz.
27:01Sou feliz e estou em paz.
27:04Não é tudo cor-de-rosa.
27:07Mas viver é isso.
27:08Ser ator, o que é ser ator?
27:11Ser ator é representar o próximo.
27:15Ou seja, é você servir de espelho para o espectador.
27:19Representar as suas emoções, interpretar seus raciocínios e ideias.
27:23Se comunicar com o próximo.
27:24É uma maneira de ter afeto pelo ser humano, pelo outro cidadão.
27:29Não chore, Carolina.
27:34Eu estou muito feliz
27:35com o seu casamento com o Augusto.
27:43Felizmente, tudo acabou bem.
27:44Felizmente, tudo bem.
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