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TVTranscrição
00:00Eu sou um criador com uma visão muito minha, não sou uma pessoa fácil não, não sou uma pessoa nada fácil.
00:20Eu faço questão absoluta de que haja um bom clima, aonde eu trabalho.
00:25Eu estou nessa carreira para fazer sucesso, eu quero ser bem sucedido, eu quero que as pessoas me amem e gostem do meu trabalho.
00:34Sou carioca da Ilha do Governador, fui criado entre a Ilha do Governador e São Cristóvão,
00:41que era a casa da minha avó paterna, que nós chamávamos de casa grande.
00:45Daí esse meu lado popular carioca, que eu busco incessantemente, preservar esse falar carioca,
00:58que no final das contas, graças à televisão, acabou se tornando meio que um código que todo mundo percebe e entende no Brasil inteiro.
01:09Minha mãe era professora de literatura francesa da UFRJ, meu pai era arquiteto e professor da Universidade da Teoria da Comunicação.
01:20Então, eu acho que eu não tinha muito por onde fugir, ainda que meu irmão seja de dinheiro químico.
01:26Eu sempre gostei da palavra, sempre gostei de ler, eu lia compulsivamente quando menino.
01:32E acho que fazer letras, na época do vestibular, escolher letras foi muito natural para mim.
01:40E, obviamente, me ajudou profundamente depois, no meu trabalho, não só como ator, como escritor, como autor.
01:50A faculdade de letras foi de vital importância para a minha formação e para a minha vida.
01:55Nós tivemos uma infância muito rica culturalmente, intelectualmente com eles.
02:00Eles não davam brinquedos, eles davam livros e nos faziam amar os livros.
02:05Então, isso não tem preço.
02:07Mas a minha formação veio muito porque nós morávamos na ilha, na Avenida Paranapuã, nós morávamos no Sobrado.
02:15E na mesma calçada, um pouco mais à frente, havia o Cine Itamar, que hoje em dia não existe mais, mas que era um cinema.
02:22E como nós éramos ali, a ilha do governador, nos anos 60, era uma cidade do interior praticamente, todo mundo se conhecia.
02:30Então, a gente, o cara do cinema sabia quem a gente era.
02:34Então, a gente entrava e saía daquele cinema como se fosse a nossa casa.
02:38Então, eu vi muita coisa legal em cinema.
02:40Eu vim morar com a minha tia em Botafogo, minha irmã da minha mãe, muito querida, e meu padrinho.
02:50E eu fui morar com eles.
02:52E no Andrius, eu aí entro na sala de Bia Nunes.
02:58E Bia Nunes já fazia tablado.
03:02E um dia ela falou para mim, você não quer ir para o Tablado?
03:06Era tudo que eu queria na vida, né?
03:08O Tablado é muito demais.
03:09E lá a Bia me levou e, enfim, eu acabei conseguindo uma vaga na turma da Maria Clara Machado.
03:17Eu fui a uma festa na casa da Rita Murtinho, na Gávea, e tinha um jardim.
03:26Sentei, fui lá fora fumar um cigarro, e senti no jardim.
03:30E tinha esse cara sentado, assim, conversando com ele.
03:34E aí fiquei contando as histórias, as minhas histórias, em Paris.
03:38Fiquei contando umas maluquices.
03:39Eu me lembro que ele ria muito das coisas que eu estava contando.
03:42Ele ria, ria, ria.
03:45E aí, no final, ele falou, eu sou o Roberto Talma, eu sou diretor de televisão, vou fazer uma novela.
03:52Você não gostaria de fazer?
03:55Eu falei, claro, claro, quero fazer.
03:57Ah, meu filho, só que você consegue me entender.
04:00Só você, só você.
04:02Preciso que você me ajude.
04:04E eu quero sair daqui, eu quero sair daqui.
04:06Meu filho, estou vacilada.
04:07Estou vacilada.
04:09É uma jaula.
04:10É uma jaula.
04:11Estou aqui, ó.
04:12É uma jaula.
04:13Eu tiro daqui, eu tiro daqui.
04:15Calma, mãe, calma, calma.
04:16Que isso, que isso?
04:17Eu vou te ajudar, vai.
04:19Tá tranquila, vai.
04:20Eu vou te ajudar.
04:22Vai, Ara Amaral.
04:23Por que você não deixa ela sair daqui?
04:24E Ara Amaral, grande, Ara Amaral.
04:25Grande atriz do Brasil, e Ara Amaral, que nós perdemos tragicamente no acidente do Batomus.
04:30Está dando remédio demais para ela.
04:31E Ara fazia minha mãe.
04:33Nessa primeira novela, eu era irmão do Marconi.
04:35Agora é você também?
04:36É você também?
04:37E é a tentativa de me lançar como galãzinho.
04:42E não aconteceu.
04:44Era uma novela do Manuel Carlos.
04:46Uma boa novela que acabou não se concretizando direito, porque o Jardel Filho morreu no meio
04:50da novela.
04:51A Globo meio que insistiu nisso.
04:53Eu volto fazendo um meio par romântico triângulo com o Tony Ramos e a Carla Camurati em Livre
04:58para Voar.
04:59E em Amor com a Amor se Paga, eu faço também um Lara, noiva da Julia Lemert, que tinha
05:07um problema de racismo, que ela era filha da Chica Xavier.
05:10E aí, entra a Chica Xavier na minha vida, no ano em que a minha mãe morre.
05:16Eu estou gravando, minha mãe ficou doente e durante as gravações de Amor com a Amor
05:23se Paga, a mamãe morreu.
05:27E eu me lembro que eu estava gravando e estava triste, não podia falar nada, não vou gravar.
05:36Quem era eu para dizer que eu não ia gravar.
05:38Então, fui lá, enterrei e fui trabalhar.
05:39e falei para a Chica e ela disse, eu vou ficar no lugar dela.
05:49E ficou.
05:51Espiritualmente,
05:55Chica Xavier era uma luz.
06:04Tem sido uma luz na minha vida.
06:06Sempre.
06:08Sempre.
06:09Uma mulher de uma beleza, de uma grandeza.
06:20Chica Xavier era.
06:23Chica Xavier está no meu pantel.
06:26E Fernando Torres, querido Fernando Torres,
06:31numa descida de Terezópolis, nós gravávamos uma novela em Terezópolis.
06:34E eu peguei uma carona com ele, tinha mais alguém, não me lembro quem estava no carro.
06:42E eu falando, tinha muito garoto, muito falante, muito exibido, e vim falando, e falando, e falando, e falando.
06:48Todo mundo ria muito no carro, e quando eu saltei em Botafogo, o Fernando Torres falou assim,
06:55rapaz, você parou para pensar que a gente está rindo de Terezópolis até o Rio de Janeiro, você parou, você não parou para pensar nisso?
07:05Eu falo assim, e daí ele falou, escreva.
07:09Escreva.
07:09Eu me lembro que um dia eu fui tentar alguma coisa na Globo, lá, pedi trabalho, ver se eu conseguia alguma coisa,
07:16porque eu estava desempregado, estava num perrengue danado, e nada.
07:20E passei o dia inteiro lá, batendo na porta, batendo na porta, e nada, nada, nada.
07:24E aí eu vim descendo a Lopes Quintas, era na velha emissora, não havia projeto.
07:28Eu vim descendo a Lopes Quintas, e na minha primeira novela eu era irmão do Tony Ramos.
07:34Eu dei de cara com o Tony, ele falou, Miguel, fala dela, aquele jeito dele, isto, e eu comecei a chorar na frente dele,
07:41porque eu estava tão cansado, estava o dia inteiro pedindo trabalho.
07:44E ele me levou para casa, Lidiane fez comida para mim, fiquei lá com eles, e eu disse para ele,
07:51só tenho um lençol, quando eu levo lençol, eu durmo sem lençol, isso é vida?
07:58Eu sou um homem inteligente, eu não preciso disso.
08:00E no dia seguinte tinham jogos de lençol, super elegantes, que ele mandou entregar na minha casa,
08:06e que eu nunca joguei fora, ficaram velhos, puídos, rasgados.
08:10Mas, para você ver, o carinho do Tony, e o Tony é um colega, para mim,
08:17que estava enfrentando o primeiro grande personagem numa novela das oito,
08:22e o Miro era um personagem chave.
08:24E, para mim, era muito difícil.
08:29Era um personagem difícil, era um malandro carioca.
08:31Claro que ele existia dentro de mim, o Avancini viu muito antes de mim.
08:36Por isso, era o Avancini.
08:38O Avancini viu o Miro em mim, mas eu não tinha visto.
08:42E eu me lembro que o Tony foi maravilhoso, e ele também, o Avancini era um grande diretor.
08:51Foi uma grande alavancada de vida, né, e de popularidade, né.
08:57De repente, eu fiquei um nome nacionalmente conhecido, que eu não era.
09:02Que tal a gente pegar uma ralabuxa um dia desse?
09:04Vou pensar no seu caso, meu bem.
09:07Então é de 90 e com mais.
09:09E você é muito oferecido, sabia?
09:11Marlene, mas esse convite é muito legal, uma gafieira numa noite dessas.
09:16Ai, meu Deus, faz tanto tempo que eu não arrasto o pé.
09:19Quem foi que te convidou?
09:20Eu fiquei 15 anos no video show, as pessoas almoçavam comigo.
09:24Então, eu tenho até hoje pessoas que falam comigo,
09:27ah, que saudade de almoçar com você, que saudade das coisas que você falava.
09:31Porque aí eu fui trazendo coisas minhas, pensamentos filosóficos,
09:34eu fechava o programa, o programa era uma revista, tinha um outro formato,
09:38era mais interessante, eu acredito.
09:39Eu deixo de ser uma celebridade de TV e vir um amigo das pessoas com o video show.
09:47Com o video show, as pessoas passam a ter uma relação de amizade comigo.
09:50Boa tarde, calma, calma que eu explico.
09:55É o video show sim, você não foi tragado pelo clima do tempo.
09:58É que quando o programa começou em 1983, essa era a abertura.
10:03Pois é, estamos completando mil programas.
10:06Já comemoramos a marca do Pelé.
10:09Eu digo, gente, meu coração não é um quarto de sala, meu coração é um castelo.
10:13As pessoas falam, você trabalha tanto, porque eu digo que eu tenho que ficar
10:16inventando trabalho para todo mundo, eu não posso ver meus amigos desempregados.
10:20Não gosto de ver.
10:22Não acho que seja esse o certo.
10:25E também, eu tenho uma visão muito particular da vida.
10:28Eu sou um criador com uma visão muito minha.
10:31Nem melhor, nem pior, diferente.
10:33Então, há toda uma turma de atores que, se eu não chamo para trabalhar,
10:38não vão trabalhar com outra pessoa.
10:39Porque não se encaixam em determinados padrões.
10:44Então, eu sou uma pessoa fiel aos meus amigos.
10:47É o único bem que eu valorizo efetivamente do fundo do meu coração.
10:52Minha mãe também era assim.
10:53Meus pais eram assim.
10:54A gente não foi ensinado a gostar de matéria.
10:58Mas, graças a Deus, eu aprendi a brigar para ser pago pelo meu trabalho.
11:06O que é diferente de você endeusar a matéria.
11:11Entendeu?
11:11Eu posso fazer uma coisa de graça, como eu já fiz várias.
11:15Entendeu?
11:16Faz o meu filme, faço.
11:18Não tenho um tostão.
11:18Faço com o maior prazer.
11:19Se eu gostar, não preciso pagar nada.
11:22Faço pelo prazer de estar trabalhando.
11:25Agora, faço questão de valorizar o meu trabalho com quem pode me pagar.
11:30E, Mário Jorge, justiça seja feita.
11:33Paga tudo em dia.
11:35Já teu marido...
11:36O que é que tem hoje, Celinha?
11:37O que é que tem eu, Celinha?
11:40Hein?
11:40Você vai ter a coragem de dizer que eu sou mau pai.
11:43Hein, Adonis?
11:45Responde, Adonis.
11:46Eu sou mau pai?
11:47Responde.
11:47Eu me reservo ao direito de ficar calado.
11:50Faz alguma coisa, Mário Jorge, por favor.
11:51Senão eles vão acabar se matando.
11:53Eu não teria tanta sorte, né?
11:55Lembro de Selva de Pedra.
11:57Selva de Pedra com Regina.
11:59E a primeira versão com Regina Duarte, Francisco Cuoco.
12:02E Arlete Salles, por quem eu sempre fui apaixonado.
12:06Eu sempre fui engraçado isso.
12:07Eu sempre, como a vida é curiosa, Arlete sempre foi a minha atriz favorita.
12:12Quando eu era moleque, tinha uns postas, né?
12:15Que a gente botava nos armários, né?
12:17E eu tinha um pôster da Arlete, assim, com franjinha e uma calça de franjas, assim,
12:22meia barriga de fora.
12:23Anos depois, Arlete é a minha grande companheira nessa viagem teatral.
12:32Então a televisão foi muito, muito importante na minha formação.
12:36As chanchadas da Atlântida todas passavam na sessão da tarde.
12:43Foi quando eu descobri Zé Trindade, de quem eu sou fã absoluto.
12:48E tento buscar a música dele, tento resgatar a música dele, de alguma forma.
12:53Aquela musicalidade do Zé Trindade, que é impossível de se reproduzir, mas que...
13:00Porque eu acredito que comédia se faz na respiração.
13:04Comédia se faz no enunciado, né?
13:07É chutar pra gol, né?
13:08Você dá piada como quem...
13:10Você não para pra pensar, né?
13:11O cara, o craque, ele sabe que a bola vai entrar.
13:15Quem é você pra falar de mim, cabeção?
13:18Quem é você, tabuleirão de xadrez?
13:22Uma mulher que foi presa pelo segurança da farmácia, com dois tubos de laquê malocados
13:27no porta-seios.
13:28Eu acho que quando eu...
13:29Quando eu faço na televisão um personagem popular, eu estou, na verdade, resgatando
13:36uma história do Brasil.
13:39Uma história que vem da burleta, que passa pela revista, dos cômicos populares, entendeu?
13:44Eu acho importante isso.
13:47Acho importante esse resgate.
13:50Desde muito novo, eu gostei de saber a origem das coisas.
13:56De onde é que nós...
13:57De onde é que não só metafisicamente, mas artisticamente, de onde é que eu vi.
14:04Quem foram aqueles que fizeram antes de mim e que legado eles me deixaram.
14:14Eu faço questão absoluta de que haja um bom clima, aonde eu trabalho.
14:24Você pode perguntar a todas as pessoas que trabalharam comigo.
14:26Eu dou pedido, dou sim.
14:28Não sou uma pessoa fácil, não.
14:31Não sou uma pessoa nada fácil.
14:32Mas eu sou uma pessoa de dificuldade breve.
14:41Breve.
14:42Porque efetivamente o que eu quero é que aquilo se resolva da melhor maneira possível
14:46e da maneira como eu o conceituei e idealizei.
14:49Então, se não é daquela maneira, aí eu fico furioso, fico irritado.
14:53Mas também passa da mesma maneira, porque eu não consigo sustentar por muito tempo o mau-humor e o...
15:04Já também, se for demais, eu viro as costas e vou-me embora.
15:07Mas, de um modo geral, e você pode perguntar, todo mundo trabalha comigo,
15:11eu imprimo um clima solar.
15:14Eu acho que a gente precisa ter um clima solar.
15:17Eu tenho horror de diretor que maltrata a toa.
15:20Horror.
15:20Já sofri muito bullying de diretor.
15:26Já ouvi barbaridades.
15:27Acho isso uma imbecilidade.
15:29Eu acho que o único caminho para efetivamente você tirar alguma coisa de um ator
15:33não é expondo as suas fragilidades.
15:36Muito pelo contrário.
15:38É amparando e fazendo o cara entender de que maneira ele pode driblar essas dificuldades.
15:47Entendeu?
15:47Tem muita gente tarada, né?
15:48Tem muita gente que é doente.
15:50E que vai ali, que se sente numa posição de poder e quer ver até onde...
15:57O ser humano é muito doentinho, né?
16:00Isso eu não admito.
16:02Não admito a toa ser maltratado.
16:05Não admito mesmo.
16:07Aí eu viro bicho.
16:08É muito difícil também você sair de um sucesso muito grande e muito longo, né?
16:14Muito longevo.
16:15O Sede Baixo foram sete anos.
16:17Então, se eu sou cacantibista até hoje, você imagina logo depois...
16:24Lembrando que o Daniel um dia falou, é alto, alegre, em bom som.
16:29E divirtam-se.
16:31O titio tá mal.
16:32E brinquem.
16:32Que o resto a gente corta.
16:34Que não puder vai ser cortado.
16:35Eu fui o mais sutil possível.
16:38É como um tijolo.
16:39Então, tio Vavá, ficou alegrinho.
16:42Seus dias de solidão acabaram.
16:44Agora vamos morar todos juntos.
16:45Vamos reerguer a sua vida.
16:47Vai ser como dizia o poeta, o mandorinha sozinha não faz verão.
16:51Daqui pra frente é um por todos e cada um por si, que eu não tô aqui pra babar o ovo de ninguém.
16:56O Viva fez uma coisa muito simpática.
16:59Não só nos chamou, como chamou toda a equipe do Sede Baixo.
17:04Então, foi muito emocionante voltar ao Procopio Ferreira com aquelas pessoas que trabalhavam conosco naquela época.
17:10Muitos a gente já não tinha mais vontade.
17:12Então, isso foi muito emocionante.
17:14Foi muito legal.
17:15Eu sou capaz de detectar de que região a pessoa vem apenas ouvindo o sotaque.
17:20Por exemplo, Aracy.
17:22Todos sabem que Aracy é da Armênia.
17:24Então, eu vou pedir que ela diga uma frase curta em armênio e vou identificar de que parte da Armênia ela vem.
17:30Repita comigo.
17:32Sirichiru Kosechibiu.
17:37Sirichiru Kosechibiu.
17:41Kosechibiu.
17:45Eu posso detectar que ela é original de Mato Grosso do Sul, de Campo Grande.
17:51Foi criada ao lado de uma sirieme de uma capivara.
17:55E aí, um dia, eu falei, eu vou escrever uma peça.
17:59E escrevi a partilha.
18:02E aí foi uma loucura.
18:05Aí, uma peça que eu escrevi sem a menor pretensão.
18:10Escrevi porque eu queria estar com aquelas amigas no palco.
18:13Quer dizer, poder dirigi-las.
18:15Eram quatro mulheres.
18:17Chamei a Tereza Pífer, que tinha sido minha aluna no Andrews, para fazer a mais nova.
18:23E, efetivamente, nós não tínhamos a menor pretensão com a partilha.
18:27Isso é o que eu acho fabuloso na vida.
18:30Nós não...
18:31Não foi um projeto.
18:33Vamos fazer um projeto para arrebentar.
18:36Não.
18:36A gente foi para o Cândido Mendes, que tem 130 lugares.
18:39133 lugares.
18:43E montamos a nossa peça ali, tranquilamente.
18:47E aí, virou um mundo.
18:50Foi uma confusão.
18:52Aí, ficamos cinco anos e tivemos um milhão e duzentos mil espectadores.
18:56Na história da partilha.
18:59E ela, atualmente, hoje em dia, ela já foi montada em 12 países.
19:03Era Rick Marti cantando na abertura.
19:06Um, dois, três.
19:07Para a salsa merengue, Maria.
19:10Um, três.
19:11Um passito para trás.
19:13Era muito divertido o salsa merengue.
19:15Um passito para trás.
19:19Ainda que eu não me considere um novelista,
19:21não acho que eu...
19:25Eu não tenho fôlego para a novela.
19:33Nenhum desmérito nisso.
19:36É uma questão de gostar.
19:39Eu gosto das coisas de menores.
19:44Eu fico muito preocupado com o texto.
19:48Porque, como eu sou ator, eu digo,
19:49meu Deus, eu não posso mandar um qualquer texto para os meus colegas.
19:53E isso acaba me tomando...
19:54Me rouba um tempo e uma energia brutal.
19:56Então, novela nunca mais.
19:57Eu já encerrei esse ciclo, mas encerrei feliz.
20:00Admiro os meus colegas novelistas.
20:02Acho que são realmente dignos do maior aplauso.
20:06Porque é um trabalho insano, inglório.
20:10Muito difícil.
20:13Escrever um capítulo por dia.
20:14E você, o tempo inteiro, tem que ficar contando a mesma história
20:20para que as pessoas entendam aquilo.
20:24E realmente não é um gênero que eu queira fazer outra vez.
20:27A Lua me disse foi muito bem.
20:28Salsa Merengue foi muito bem.
20:32Aquele Beijo foi muito bem.
20:35Aquele Beijo foi uma novela que resultou muito.
20:37Só que eu gosto da transgressão.
20:40E a transgressão não é muito bem-vinda.
20:43Não da maneira como eu vi os likes.
20:49Então, eu prefiro fazer meus seriados.
20:52Essa coisa do popular é muito lindo.
20:54Quando você efetivamente chega no coração do público.
20:59E você só chega no coração do público de verdade.
21:02Você só chega no coração do público de verdade.
21:07Eu ando na Lagoa, né?
21:08E os caras falam comigo na Lagoa.
21:10É impressionante.
21:11É maravilhoso.
21:12Eu fico tão encantado com isso.
21:14Eles falam como se eu fosse um companheiro.
21:17Fala do jogo, do problema da mulher, não sei o quê.
21:21Como se eu fosse o russo.
21:23Como se eu fosse ali.
21:25E o cara rompe essa barreira, entendeu?
21:27Não é o Fala Bela.
21:29Não, é o Fala Bela.
21:30É o Miguel.
21:30Me chamam de Miguel, chega aí.
21:33É muito legal isso.
21:35Isso é maravilhoso.
21:36E outra coisa que eu agradeço todos os dias a Deus pela comédia
21:40é que as pessoas passam por mim nas ruas e fazem assim.
21:44Falei a porra.
21:46O que mais eu posso pedir?
21:47As pessoas abrem um sorriso para mim.
21:49Então, isso é...
21:51Eu devo à televisão.
21:52Faço eu serviço.
21:54Porque eu posso até não chegar lá.
21:56Eu posso até não chegar lá.
21:57Mas eu vou morrer tentando.
21:59Eu vou morrer tentando.
22:02Eu sou um personagem muito legal.
22:04Eu vou ser o meu pai.
22:05Eu vou ser a minha grande...
22:07Meu grande reencontro com ele.
22:10Meu pai era cariocão, desses que arrastam chinelas.
22:13Negócio do fundo.
22:15Eu acho que, de certa forma, eu sempre cito o meu pai.
22:18Eles não aceitaram o meu diploma.
22:19Tu tinha razão.
22:20Nas minhas personagens.
22:22Não fica chateada, não.
22:24Vai ver, não era pra ser.
22:26Vai ver, tu e Alessandro, assim, acabar se metendo numa crapaça.
22:29Tu ia ser presa.
22:30Marília Pera é...
22:33É um momento raro.
22:36É uma...
22:37É uma alegria com os personagens.
22:40É uma alegria.
22:41Eu me sinto energizado com o meu trabalho.
22:46Tá melhor agora, vendo você, Russo.
22:51Eu vou ter isso.
22:56Eu acho que tava na hora de ter um programa engraçado, leve, negro.
23:01E com protagonistas negros e com uma visão lúdica, né?
23:09Não é o...
23:10Embora seja comunidade, não é...
23:12O cara não é tiro, não é ladrão, não é bandido, não é...
23:17São trabalhadores brasileiros, com milhares de trabalhadores brasileiros
23:23que são injustiçados cotidianamente, têm a sua cidadania desrespeitada cotidianamente.
23:30Faz uma fé no cavalo, nega.
23:32Tem dinheiro pra jogar fora, não, Big?
23:34Tem que ter razão.
23:35Não custa nada.
23:36Pera aí.
23:37Quanto é que a gente precisa jogar pra ganhar uns 15 mil?
23:41Pelo menos uns 500 reais, mas depende do jogo.
23:43As sementes, algumas caem em boa terra.
23:46E algumas germinam.
23:49E...
23:49Eu tô sempre semeando, eu tô sempre...
23:53E tô sempre ouvindo as pessoas, né?
23:56Eu acho que o segredo é gostar de gente.
23:58Fica cada vez mais difícil gostar de gente nesse planeta, mas eu ainda gosto.
24:03Eu sou completamente conectado.
24:05Eu não tenho nenhuma religião, entendeu?
24:07Não acho que você precise de nenhuma religião.
24:10Você precisa estar encharcado de religiosidade.
24:15Que, em última análise, é você em contato com você mesmo, com o cosmos, com o seu ecossistema, entendeu?
24:21Você ser parte daquilo e dar peso às coisas corretamente, é uma bobagem, né?
24:32Isso aqui é uma besteira, tá?
24:33Tô arrumadinho, porque eu quero estar bonitinho, né?
24:36O que a diferença faz?
24:38Se eu estivesse com uma camiseta aqui e uma bermuda, eu estaria igual.
24:43Entendeu?
24:43E os rapazes sempre têm grandes programas, né?
24:47Os rapazes têm uma vida divertida, nunca se sentem sós.
24:52Só as moças desquitadas é que têm direito a ficar tristes.
24:57Não é isso?
24:57Tom Jobim falava isso, que sucesso no Brasil é ofensa pessoal.
25:04Eu nunca tive problema com isso, entendeu?
25:06E eu sabia que, me expondo e que dizendo abertamente que eu queria fazer sucesso, sim.
25:14Claro, eu estou nessa carreira para fazer sucesso.
25:17Eu quero ser bem sucedido.
25:18Eu quero que as pessoas me amem e gostem do meu trabalho.
25:21Com certeza, trabalho para isso.
25:23Ninguém diz que ela foi restaurada.
25:31Garanto que ninguém dá valor a esse trabalho, né?
25:35Você sabe que não dá.
25:38Todo mundo reclama do preço.
25:40Quando eu digo quanto custa, muita gente desiste.
25:42Eu vim de uma geração em que fazer sucesso era horrível.
25:46Porque partia-se da premissa de que você algum pacto com o diabo tinha feito.
25:50Um velho e rançoso pensamento de esquerda.
25:54Eu sou filho de esquerdistas.
25:56Minha mãe foi uma sartreana, foi presa na Revolução.
26:01Mas minha mãe era outra praia.
26:04Era outra praia.
26:05Não era essa esquerda boba, ginasiana.
26:11Não, era na prática.
26:14Porque é na prática que a gente faz as coisas.
26:17Entendeu?
26:17Não é cagando regra, não é dizendo besteira.
26:19Minha mãe era isso e nos ensinou a ser assim.
26:24Então eu sabia que eu precisava empreender pra poder ajudar as pessoas.
26:28Que eu precisava gerar trabalho, gerar emprego.
26:32E é isso que eu sou, e é isso que eu gosto de fazer.
26:36Entendeu?
26:37Efetivamente, eu gosto disso.
26:40Eu tô um pouco me enxando pro resto.
26:41Eu gosto de ver gente trabalhando, gente criando, gente bem.
26:44Gente feliz e gente de todos os credos, raças, sexualidades.
26:51Agora tive uma neta chinesa no Pernacoba.
26:55Vou ter uma netinha chinesa.
26:57Então, que bom, né?
26:58É isso.
26:59A vida é assim.
27:01E não adianta.
27:02Não adianta lutar, porque é pra frente que a gente vai.
27:05E o que hoje parece absurdo, amanhã será perfeitamente aceitável.
27:13Ser ator é dar voz à multidão de gente que habita dentro de nós.
27:19Na certa foi seu cérebro, desacostumado a pensar, ele entrou em curto.
27:22Então, deve ter sido exatamente na hora em que eu tive uma ideia.
27:25Você teve uma ideia?
27:28Tive.
27:28Não.
27:29Sim.
27:30Caco, e se a gente procurasse o olho do Kunaré dentro do canguru perneta dinamarquês anão triplo múltiplo?
27:42Hein?
27:42Só nós dois?
27:44No quartinho.
27:45Sem o Jean Charla?
27:46Sem Jean Felipe.
27:47Vamos.
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