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#grandesatores #canalviva

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TV
Transcrição
00:00Fui fazer teatro no colégio para soltar essa timidez.
00:18Eu posso errar, mas eu acho que o que você fala para um ator que está começando?
00:25Eu falo, desista. A minha realização sentia não parar de trabalhar.
00:30Carioca da Gema.
00:34Na minha infância, eu lembro que eu comecei na Gávea, onde tudo começou,
00:38na Casarão, depois fui morar no Maitá.
00:40Lembro, anos 70, na macia do Sobrinho, que é uma ladeira que tem no Maitá,
00:46e a gente botava parafina em madeira e descia a ladeira com a parafina desliza no asfalto,
00:55que era o Paralelepípedo, e a gente descia aí os amigos da cidade.
00:59Era o tempo que as crianças brincavam na rua, né?
01:03Era uma paz, né?
01:05Quer dizer, assim, eu vivi uma infância muito plena nesse sentido,
01:09de poder jogar bola, jogar bola de gude, né?
01:12Assistia muito TV, né?
01:14Isso da época que tinha que levantar do sofá para mudar de canal, né?
01:19Ficava muito na Globo, ficava muito em desenho, gostava de desenho.
01:21Adorava ver o Pica-Pau, por exemplo.
01:26E eu via muito os irmãos Marques, né?
01:32Abo de Costelo, o Gordo e o Magro.
01:35Fizia muito isso.
01:37E era muito apaixonado por Chaplin.
01:39Adorava Chaplin.
01:41Vi tudo de Chaplin nessa época.
01:43Adorava os Trapalhões.
01:46Eu ria muito com o Mussum e com o Zacarias.
01:48Eu era um cara extrovertido, assim, no começo da minha infância.
01:54E depois, na adolescência, eu fiquei um cara mais tímido.
01:57E aí eu fui fazer teatro no colégio
01:59para soltar um pouco essa timidez.
02:03Também ficar perto das gatinhas, né?
02:05A gente tinha esse lado de poder ficar perto das meninas.
02:08E eu me lembro que eu estava na escola Parque.
02:10Tinha um negócio que a gente tinha num cipó.
02:12E aí caía num barranco e ralava a bunda.
02:16Ralava a bunda mesmo e eu chegava em casa todo lá, ralava.
02:20E eu falava, eu ralava a bunda.
02:22Ralava a bunda, birunda, birunda, ralava.
02:24Eu não sabia falar bunda, eu não conseguia falar bum, bum, birunda.
02:27Aí virou, ah, o cara que rala a bunda é o birunda.
02:30Foi isso.
02:31Birunda por causa disso.
02:34Engraçado.
02:36E aí tem umas pessoas que conviveram comigo,
02:38minha infância, que lembra disso.
02:39Bom, birunda, beleza.
02:40E eu nunca tive problema com isso,
02:41que é um apelido normal como qualquer outro, né?
02:44Eu fiscal, né?
02:44Fiquei na Cal um bom tempo, fiz preparatório.
02:48Depois fiz um ano.
02:50Foi uma escola que me abriu muita...
02:55Ali eu tive certeza do que eu queria quando eu entrei na Cal, né?
02:57Falei, pô, é isso que eu quero fazer da minha vida.
03:00Eu dei aula de teatro uma época e eu falo...
03:02O meu discurso é igual ao da Fernando Montenegro.
03:05As pessoas falam, o que você fala para um ator que está começando?
03:08Eu falo, desistam.
03:08Desistam enquanto é tempo.
03:13Essa profissão é...
03:15Vai, vai fazer outra coisa, cara.
03:17O que você quer ser ator?
03:18O que você quer ser ator?
03:19Para quê?
03:22Aí ela fala uma coisa muito bonita, que eu acho muito interessante,
03:24que é...
03:24Se você estiver em casa com febre,
03:26se for uma coisa muito...
03:28Muito barra pesada, você não consegue viver sem isso.
03:32Aí você vai.
03:32Minha família não queria.
03:33E meu pai e minha mãe falam, vai virar viado, né?
03:35Claro, né?
03:35Vai virar viado na primeira...
03:39Virou a esquina, já está rebolando, né?
03:41Aquela coisa dos anos 80, né?
03:43Comecei a ser ator dos anos 80, virar viado.
03:45Eu usava uma bolsa peruana e brinco.
03:47É viado.
03:48É viado de cara.
03:50E a família tinha um pouco essa coisa assim.
03:53Depois que eu comecei a fazer sucesso, tudo mudou, né?
03:55Apareceu na televisão.
03:56Nossa, Marcelo.
03:58Aí é o cara.
04:00Como é uma coisa normal?
04:02Uma coisa normal.
04:03Hoje em dia, ainda quanto...
04:04Hoje em dia, um pouco menos.
04:05Meu filho vai ser ator.
04:07Olha, meu filho vai ser ator.
04:08Vai trabalhar com a Fernanda Montenegro, com o Tonio Fagundi.
04:11Pegar dinheiro, fazer televisão.
04:13É uma coisa muito complicada.
04:15Eu dei aula no teatro, que é uns três anos atrás, e parei de dar.
04:18Perdi um pouco a vontade.
04:20As pessoas só queriam se aproximar de mim para poder ver se eu indicava para a televisão,
04:24e algum papel.
04:25Então, isso não é ser ator, né?
04:28Ator é outra coisa.
04:29E eu acho que tem pessoas que nascem atores.
04:31Por exemplo, o Matheus Natergário, para mim, nasceu já com a cabeça do Hamlet,
04:35se eu não sei a questão, sabe?
04:37O cara nasceu com isso.
04:38Eu não.
04:38Eu fui desenvolvendo, eu não sabia o que eu queria.
04:41Eu era muito ruim quando eu comecei.
04:43Muito ruim.
04:44Hoje eu vejo, assim, cenas minhas de quando eu comecei, com ator na televisão, por exemplo.
04:47Eu era péssimo.
04:48Nossa, como eu era ruim.
04:50E, assim, é engraçado você.
04:53E as pessoas falam, não, você não era tão ruim.
04:55Eu falo, não, não, eu não quero...
04:57A opinião do outro em relação a isso não me importa.
05:00O que eu acho...
05:02Claro que me importa a opinião, eu estou falando em relação a isso.
05:04Eu tenho uma consciência hoje de que, assim, eu fui 80% inspiração, transpiração, né?
05:13Eu queria tanto uma coisa, eu falei, não, eu tenho que melhorar, eu tenho que melhorar, eu tenho que...
05:17Eu fui para o teatro.
05:18O teatro me salvou, de uma certa maneira.
05:21Ele me salvou, ele me botou num lugar, ele me deu o quê?
05:24Me deu uma coisa chamada segurança.
05:30Em cima da insegurança.
05:31Mas me deu um tônus, sabe?
05:33Me deu um...
05:35Me deu base, né?
05:36O teatro me salvou quando eu fui trabalhar com o Zé Celso, Martínense Corrêa.
05:40Fui para São Paulo, fiquei um ano trabalhando com ele.
05:42Hamlet.
05:43Fiz aqui no Parque Lágio, lindo.
05:45Fazia o forte embrace no final, falando em inglês.
05:48Go, captain, from me, greet the Danish king.
05:51Tell him.
05:52E falava com sotaque britânico e contracenava com o ator falando espanhol, né?
05:56Era uma coisa maluca.
05:58Cinco horas de espetáculo.
05:59Mas ali, eu aprendi uma coisa interessante, que foi...
06:03Que eu podia errar.
06:05E que eu não tinha problema em errar.
06:07O Zé Celso, ele...
06:08Ele pegou o Marcelo Cerrado e virou o Marcelo do avesso.
06:12Um dia eu fui entrar em cena, eu falei...
06:14Por que que eu falo, Zé?
06:15Ele falou...
06:16Você vira, cara.
06:17Olha no meu olho.
06:18Olha no meu olho e vai.
06:20Se joga.
06:22Aprendi a me jogar com ele.
06:23É lógico que a Cal, o Tablado, que foram as escolas que me formaram, me deram um pouco isso, nessa intuição.
06:30Mas eu não tinha isso...
06:31Eu não tinha essa base, essa essência, né?
06:34E fui aprendendo uma porrada mesmo.
06:38E eu virei o trator.
06:40Ali foi um divisor de água na minha vida.
06:41O Zé Celso Martins Correio tem uma importância enorme na minha vida.
06:44Enorme.
06:45Que eu acho que nem ele tem a ideia.
06:49E aí logo depois disso eu fui fazer o Retrovisor.
06:51Foi uma peça que foi um grande sucesso.
06:53Um grande sucesso.
06:54A gente foi pra Paris, pra Portugal.
06:55Ficamos quatro anos em cartaz.
06:57Eu e Otávio Milha.
06:58Que foi um encontro com o Otávio na minha vida também.
07:00Um grande encontro, um grande parceiro.
07:01Até hoje.
07:03Me dirigiu no Fantástico agora.
07:04Um quadro meu no Fantástico.
07:05Mulher na minha vida.
07:06Mulher da sua vida.
07:07Era a direção do Otávio Milha.
07:08Sua vida vai mudar a partir de um novo pilar.
07:12Esse pilar é você.
07:14Você encontra todo tipo de gente quando você trabalha com gente.
07:18Tem que quer impressionar o coitado, o que ostenta e o maluco beleza.
07:22Que é o mais fácil de atender.
07:24É só ser gentil e sorrir.
07:28Você tá super bem vestido.
07:30Você vai levar o livro?
07:31Eu tava pensando em levar você pra jantar.
07:34Eu vi o que é minha...
07:35Eu tava fazendo aula com a Luiz Cardoso no tablado.
07:38E aí o Wilker me chamou.
07:40Eu tive...
07:40Foi engraçado porque eu vi que foi o primeiro cara que me deu a oportunidade.
07:43E o último trabalho do Zé Wilker.
07:45Quando a gente faleceu, foi comigo.
07:46O Rayman que ele me dirigiu.
07:48Que, a meu ver, foi a coisa mais interessante que eu já fiz em teatro na minha vida.
07:52Mas, que eu falo assim, eu tenho certeza que eu fiz um bom trabalho.
07:56Ali eu tava pleno.
07:58Eu fui indicada a prêmio.
08:01Eu sabia que ali eu era...
08:02Eu tava realmente pleno.
08:05Eu vi que foi um elo nisso aí.
08:08Engraçado isso.
08:11Mas ele me deu a primeira chance.
08:15No Corpo Santo foi uma manchete, né?
08:18E que aí tudo começou.
08:20Mas, depois eu fui pra Globo.
08:23Fiz o...
08:23Acho que a primeira coisa que eu fiz foi pacto de sangue com o Ebaldo Santo.
08:26Foi o cara que me deu uma chance também.
08:28O equilíbrio, a ordem, as verdadeiras bases de uma verdadeira justiça e bem-estar.
08:35Ora, meu pai...
08:36Exato.
08:37O equilíbrio e a ordem.
08:39Você não acha?
08:40Quando há ordem, pois não, meu pai.
08:42Pois ao que me consta, enquanto houver escravidão não haverá equilíbrio.
08:46E, consequentemente, não haverá ordem.
08:48E, consequentemente, não haverá justiça.
08:50Está claro.
08:50Depois, acho que eu fiz alguns bons trabalhos.
08:52O Kidindo, o Desejo, foi um bom trabalho.
08:56O Dono do Mundo, acho que foi um trabalho legal.
08:58Quem sabe...
08:59Amanhã você não me paga esse copo d'água.
09:03Eu prometo não beber nenhum copo até amanhã, lá pelas oito da noite.
09:09Está bom pra você?
09:10Ótimo.
09:12Você me dá o número do seu telefone?
09:14Claro.
09:15Você tem um papel pra anotar?
09:17Eu decoro.
09:17Se fosse o Desejo, foi um encontro bacana com o Gilberto também, né?
09:21Eu fazia o...
09:23Manda chamar o Mariano.
09:24O meu personagem é Mariano.
09:26E tinha um tempo todo alguém que falava, manda chamar o Mariano.
09:28Eu era médico.
09:29Manda chamar o Mariano.
09:30Virou um bom borrodão.
09:32E tinha momentos que eu contrassinava com o Fábio Assunção e com o Celta Almeida,
09:34que são grandes atores, amigos.
09:37E tinha essa cor de riso frouxo.
09:38Eu não podia olhar no olho dele.
09:39Então, eu olhava na testa.
09:40Eu comecei a contrassinar olhando na testa.
09:42O Fábio olhava no nariz do...
09:44Era muito...
09:45No final da novela era isso.
09:46A gente não conseguia se olhar, assim.
09:47Uma novela muito divertida.
09:49A gente só tinha amigo fazendo.
09:51Os dois, como o Cacá, o Cláudio Abreu, o Malu, o André Barbos, que depois virou diretor.
09:57Essa novela foi um grande prazer.
09:59Vitório.
10:00Na noite da morte do meu pai, quem mais o Vitório poderia ter mandado entregar o bilhete?
10:05Eu só tinha estado na fazenda da dona Cândida Castro Ribeiro e...
10:08E logo em seguida na aventura.
10:12A maior prova da...
10:13Pra libertar esta ideia seria descobrir o verdadeiro assassino.
10:16Fiz muita coisa com o Gilberto Braga depois, né?
10:19Fiz Dono do Mundo, fiz Anos Rebeldes, fiz Labirinto.
10:23Cinco anos sem notícia!
10:24Uma parceria grande com o Gilberto.
10:29Eu devo muito a ele e ao Denis Carvalho.
10:30São pessoas que me ajudaram muito.
10:33Mas eu queria poder trabalhar com essas pessoas hoje em dia, né?
10:36Poder atribuir o que eles me deram, porque eu estou mais sólido hoje em dia.
10:39Liga segunda-feira, tá?
10:51Que garota incrível.
10:52A gente pode dividir.
10:53Então tá.
10:54Você fica com o pai, eu fico com ela.
10:56Vamos brigar por causa disso, Edgar.
11:00Tchau.
11:00Ela me tratou com frieza.
11:03Fui pra Londres, morei em Londres um tempo.
11:05Também foi uma coisa importante pra mim, a bagagem, assim.
11:08Tudo, eu acho que a vida, ela vai te...
11:11A vida vai te trazendo essas coisas todas, né?
11:16Você ser um ser humano melhor, um ser humano mais...
11:19Tá ligado.
11:20A nossa arte, ela tá ligada com a vida.
11:24Falou que eu podia levar quem eu quiser.
11:28Quatro por quatro.
11:29Danilo.
11:30Foi um convite do Ricardo Washington.
11:32Eu fazia o...
11:33Danilo, o Dandan, fazia um cara que era tarado.
11:36E tava 128 dias sem transar, sem ejacular.
11:40E o esperma subiu pra cabeça e ele ficou louco.
11:43Só isso, eu já adorei a sinopse.
11:44Que, velho, você é maravilhoso, né?
11:46O cara ficou louco que o esperma subiu pra cabeça e estourou na cabeça dele.
11:49E ele começou a ficar louco porque ele não transava com ninguém.
11:52Essa aí não pensa em outra coisa, rapaz.
11:53Já aleou o ralador.
11:55Sabe o que ela faz?
11:56Me faz trabalhar meio expediente pra eu estar sempre aqui disponível, rapaz.
11:59O lema é o seguinte, ralador.
12:01Dan, dan livre.
12:02Você acha que aguenta?
12:03Aguenta, aguenta.
12:04Alô?
12:09Ah, tá bom, meu amor.
12:11Calma, calma.
12:12Não, perra.
12:13Tá?
12:14Tô indo, tô subindo.
12:15Tô subindo.
12:16Ah, pra você também.
12:18A Vacine foi um grande cara terrorista.
12:22Terrorista, assim.
12:23Entrava com um texto no estúdio.
12:25Ele disse, ralador, tira o texto.
12:28Não vai entrar com o texto.
12:28Eu falei, pô, Vacine, só uma cena.
12:29Não, não, não, não.
12:31Pô, eu tenho 20 cenas hoje.
12:32Não vai entrar não com o texto, não.
12:35Aí, tinha que me virar.
12:39Mas sabia tudo.
12:40Foi como eu digo, eu fazia um personagem que vinha da favela e foi um dia comigo na favela
12:44em São Paulo, a gente começou a conversar.
12:45Aí, eu fui gravar o primeiro dia com ele, de gravação.
12:49Dei o texto.
12:49Aí, ele falou, você vai fazer assim?
12:52Eu falei, pô, Vacine, você vai dar essa inflexão?
12:56Eu falei, pô, a gente falou sobre o personagem.
12:59Ele falou, faz o seguinte, esquece tudo que a gente começou.
13:01Esquece tudo.
13:02Você tá armado, você tá...
13:04Esquece tudo.
13:05Fala o teu texto.
13:07Fala, joga fora.
13:08Joga fora.
13:08Fala.
13:09Fala, não.
13:09Fala como se estivesse conversando comigo.
13:11Aí, comecei a falar com ele.
13:12E, ok, rodando.
13:13Aí, eu ia pegando, pegando, pegando.
13:17É porque eu fiquei muito armado, o que ele falou.
13:19Tinha muita experiência, né, também.
13:22Mas, eu fui entendendo ele.
13:23No final, a gente se deu bem.
13:25Ele quis me levar pra Globo.
13:27Acabei que eu não fiz a novela dele.
13:28Chamada O Cravo e a Rosa.
13:30Queria dirigir.
13:31Ele me chamou pra fazer.
13:32Não fiz por um outro motivo, mas...
13:35Ele queria trabalhar comigo de novo, né?
13:36A gente tentou se encontrar.
13:38Tudo.
13:38Ele faleceu.
13:40Uma perda...
13:41Acho que um dos maiores artistas que a televisão já teve.
13:46Luiz Fernando foi um cara que me...
13:47Ele, depois do sucesso que eu fiz do personagem do Crow,
13:50ele me chamou pra trabalhar com ele.
13:51Pra fazer um Graciliano Ramos.
13:54Um especial de filme de um chamado Alexandre de Outros Heróis.
13:56Eu e Neila Torraca.
13:57Mais quatro grandes atores só.
13:59Fomos pro sertão, Alagoana.
14:01Ficamos três meses ensaiando aqui.
14:03E foi incrível.
14:04Experiência incrível.
14:04As pessoas me viam e falavam,
14:06Quem é esse ator?
14:07Era eu.
14:08Não há mais nada de novo sobre o sol.
14:10Está na Bíblia.
14:12Sois ateu.
14:13Sois herésimo.
14:14Dessa área.
14:16Prazo de café com a ranhaguela.
14:17Que questão dessa natureza.
14:19Exige tirosínio praticante.
14:23Equilíbrio emocional.
14:25Vamos cá, meu Deus.
14:26Vamos cá.
14:26Um dia você tá aqui.
14:31Um dia você tá aqui.
14:32Um dia você tá aqui.
14:33Então...
14:35O cara que pira com sucesso...
14:36É muito fácil você pirar com sucesso.
14:37Mas a caída é muito rápida.
14:41Então você tem que estar em um momento de saber que é tá aqui, tá aqui, tá aqui.
14:43Então...
14:44Fica pleno.
14:45Fica muito tranquilo.
14:46Porque as coisas são...
14:48É uma pressão de ups e downs, né?
14:51E...
14:51Mas quando você consegue um respeito, é muito bacana.
14:54Você consegue um respeito dos seus colegas, né?
14:57Da...
14:57Da...
14:57Da...
14:58Da...
14:59Da...
14:59Da mídia, da imprensa, do próprio público, né?
15:02Que quer te ver, que quer te abraçar, né?
15:04As pessoas já te olham meio que rindo, né?
15:06Te encontram, já veem...
15:08Ó, cara.
15:09Isso é muito legal, né?
15:11Você se sentir abraçado pelo povo.
15:12Eu sou muito hoje em dia do que eu peguei de cada um, o bom de cada um, sabe?
15:28Eu sou muito do Zé Celso, sou muito do Avancini.
15:32Sou um pouco do Maurinho Mendonça, um pouco do Alexandre Avancini, um pouco do Luiz Fernando Carvalho.
15:38Eu peguei muito de cada um, assim, cada um me trouxe, o Abujamra, e aí o Marcelo foi surgindo, entendeu?
15:45Essas pessoas me ajudaram muito, assim, me...
15:48Me fizeram enxergar a arte de uma maneira muito plena.
15:53É a Eduarda que tá precisando de você.
15:56É agora, nesse momento, que você tem que dar valor à nossa amizade.
16:00Ninguém nunca vai saber se é essa.
16:01Vamos cá.
16:06Uma novela por amor, né?
16:08Foi uma novela muito marcante, do Manoel Carvalho.
16:11E a troca dos bebês, ela entrou como um ícone da televisão brasileira, né?
16:15É o personagem trocando os bebês junto com a Regina Duarte.
16:18Ela batia na minha cara, ela batia em trocar os bebês, né?
16:21Eu era apaixonada pela filha dela, pela Eduarda, né?
16:23Gabriela Duarte.
16:25Ali foi uma cena muito marcante.
16:26Eu me lembro quando você fazia a novela, o Daniel Filho falou pra mim.
16:28Pô, você é o cara que tem a carta da novela.
16:31A carta quer dizer, o segredo da novela tá com você.
16:33Mas uma hora dessa eu tenho que pensar na minha filha.
16:35É um grande personagem.
16:38Eu faço a troca.
16:39Eu arrumo tudo.
16:41E depois você dá pra arme e toma as providências necessárias.
16:47Vai precisar trocar as bolseirinhas.
16:50Vai precisar trocar as bolseirinhas.
16:52Por causa do meu nome e do nome da Eduarda.
16:54Vai buscar.
16:54Pelo amor de Deus, vai buscar.
17:03Então, assim, eu arrisco na minha profissão.
17:05Eu posso errar, mas eu vou arriscar.
17:08Eu acho que foi o trabalho que é um turning point, né?
17:13O Marcílio Moraes é um grande autor.
17:17E eu ganhei o APCA, que é o prêmio mais importante da televisão brasileira, né?
17:20Eu acho, pra o meu ver.
17:23E dividi o prêmio com o Wagner Moura.
17:24O Wagner Moura tava fazendo uma novela na Globo.
17:26A gente dividiu o prêmio de melhor autor.
17:27E esse personagem foi muito forte.
17:40E eu brincava com ele, entendeu?
17:42Eu brincava, eu improvisava, eu...
17:44Eu falava pro cara, não corta.
17:45Eu falava pro diretor.
17:46Era o Marcílio, ele era malandro, ele viu que tinha como personagem.
17:49E o Marcílio adorava meus cacos.
17:50Eu brincava, eu improvisava, eu falava coisas que não estavam no texto.
17:54E aí eu peguei o personagem pra mim.
17:58Alá!
17:59Tá maluco, rapá?
18:01Cansei de tratar com jogo de palavras.
18:03Quero mais isso não.
18:05Vê que tá porrada, eu dou, rapá.
18:07Tá maluco?
18:08E aí foi um estouro.
18:10E aí eu tive a sorte do Agnaldo me ver nesse personagem.
18:15Por isso que eu falo, falo pra qualquer ator.
18:17Você tá em qualquer lugar que você esteja, tenta fazer você melhor.
18:20Que pode ser que alguém lhe veja.
18:24E o querido Agnaldo Silva, realmente eu devo muito a ele.
18:30Papai do Céu me ajudou e ele viu essa novela.
18:34E me viu.
18:36E me bancou.
18:37Falou, não, eu quero o Marcelo Serrado.
18:38Não, Marcelo Serrado, não.
18:39Que isso?
18:40Marcelo Serrado, não, não, não.
18:42Eu quero o Marcelo Serrado.
18:44Ok, se você quer, muito bem.
18:45Me aposta que você quer fazer.
18:47Ela tá me chamando.
18:59Foi pra redes sociais, né?
19:02Eu fui desfilar na São Clemente com 200 ativistas vestidos de cro.
19:06As pessoas no Carnaval, alas vestidas de cro na rua, né?
19:11As pessoas se fantasiavam do meu personagem.
19:13Ele tinha uma coisa de desenho animado.
19:14Volta o desenho animado lá atrás, lembra?
19:17O desenho animado que eu vi, o Scooby-Doo, o pica-pau.
19:21O cro era um desenho animado, né?
19:23Mas ele tinha essência, ele tinha alma.
19:26Por quê?
19:27Eu encontrei um cara chamado Sérgio Pena.
19:30Que é um preparador de ator, de elenco.
19:32Rodrigo Santoro, meu amigo, me indicou ele.
19:36Fez o Bicho de Sete Cabeças com o Rodrigo.
19:38Eu falei, quero esse cara pra mim.
19:40Esse cara foi em várias boates.
19:41Esse cara viu um filme chamado Santiago, do João Moreira Salles.
19:44Que era um personagem que falava com as mãos.
19:47Era o mordomo.
19:49Então, tudo isso...
19:50O cro foi uma coxa de retalhos.
19:51Um dia eu dei uma festa em casa só pra atores.
19:53Dez atores.
19:55Que o Sérgio Pena, era o amigo Sérgio Pena.
19:58E eu fui recebendo as pessoas de cro, vestidos de cro.
20:00Não tava começando a gravar.
20:01Fiquei sete horas representando.
20:04Tudo gravado.
20:05Fazendo o cro.
20:07O cro é surgindo assim.
20:08As pessoas contracionavam comigo.
20:09Então, cro.
20:11Você tem um namorado?
20:12Você tá feliz?
20:13Eu não tinha nem texto ainda na novela.
20:15Mas eu sabia que ia fazer novela.
20:17Então, fiz muito laboratório pra achar o cro.
20:20Então, quando o personagem aconteceu,
20:22ele tinha uma base sólida.
20:25Como o do Marcelo.
20:28Ele tinha essa base.
20:30Então, eu acredito nisso.
20:30O que você acredita nisso?
20:32Pelo amor, Cleópatra.
20:34Nunca escondi nada de você, hein?
20:36Você não!
20:38Senhora!
20:40Eu sou sua patroa.
20:41Tinha uma mulher com câncer.
20:43E eu fui até fazer uma matéria no Fantástico sobre isso.
20:45A única alegria dela é que quando ela ligava a TV, ela me via.
20:50E ela ria muito comigo.
20:52E o prazer, ela começou a melhorar a saúde dela.
20:56De tanto me ver.
20:57Depois eu fui encontrar.
20:58O Rei de Globo fez um encontro meu com essa senhora, Angela.
21:00Chorei.
21:01Ela se emocionou.
21:01A gente se abraçou.
21:02Ou seja, eu pude, de uma certa maneira, com a minha arte, levar alguma coisa pra uma pessoa
21:07que estava enferma.
21:08Isso não tem preço, né?
21:10Quando é que um lugar que eu ia conseguir um negócio desse?
21:13Isso é incrível.
21:14Isso pra mim é...
21:15Já valeu tudo.
21:17Já tá tudo...
21:19Tô bem, já.
21:19Poder Paralelo, incrível.
21:21Querido Lauro César Muniz.
21:24E Paloma Duarte, eu aprendi muito com a Paloma.
21:26Ela fazia o que eu contracenava comigo.
21:27Um dia a Paloma, assim, ela falou pra mim assim,
21:28Encerrado, vamos ensaiar a cena e vamos gravar de outra.
21:32Vamos ensaiar de uma maneira e gravar de outra.
21:34Falei, beleza.
21:35A Paloma ensaiava de uma maneira.
21:37Na hora do gravando, ela mudava uma intenção.
21:39Ela fazia uma coisa.
21:40Falei, nossa!
21:42Que atriz!
21:42É uma grande atriz.
21:44Aprendi muito com ela.
21:44Aí, logo depois do Poder Paralelo, eu fui fazer o CRO.
21:47Eu peguei um pouco...
21:48Eu nunca falei isso pra ela.
21:49Eu nunca falei isso numa entrevista.
21:51O sucesso do CRO também se deve um pouco à Paloma Duarte, porque...
21:54Eu pegava muito essa coisa que ela tinha, que eu tinha trabalhado com ela na novela,
21:59e botei isso no CRO.
21:59Às vezes, no CRO eu fazia de uma maneira, mas...
22:03Os câmeras riam muito, porque eu improvisava.
22:05Na hora eu fazia de outra, entendeu?
22:07Às vezes eu falava o texto todo cantando.
22:08Eu estou tão feliz de vir aqui, lá, lá, lá, lá.
22:11Você entendeu?
22:12Cantando, como uma ópera.
22:13Às vezes eu fazia a cena toda...
22:17É...
22:18Sei lá, eu mudava a cena.
22:19Eu fazia...
22:20A cena tinha que ser séria, eu fazia a cena toda rindo.
22:24O Rufo Maia também me ajudou muito.
22:26Ele falava uma coisa.
22:27Quando a Cristiane Torloni...
22:28Falar no agudo, joga no grave.
22:31Quando ela fala no grave, joga no agudo.
22:32Então tinha um diapasão ali.
22:34Fica aqui.
22:36Fica aqui nessa época.
22:38Fica aqui.
22:40Posso pegar mesmo?
22:41Ou você prefere que eu jogue na sua cara?
22:43Obrigado.
22:52O Tônico Baixo.
22:53O Tônico Baixo, para mim, foi um prazer.
22:55Foi um personagem muito difícil, porque eu tinha acabado de fazer o CRO.
22:58Recebi o convite do Valcia Carrasco com o Maurinho.
23:01No momento eu disse não.
23:02Não, eu disse sim.
23:03Eu pedi para o Maurinho para fazer.
23:04Eu liguei para o Maurinho, quero fazer o Tônico Baixo.
23:06O Fulvio Stefanini, cara, quero fazer.
23:08Aí quando ele me chamou, eu falei não.
23:10Eu pirei, né?
23:11Como é que eu vou dizer não?
23:12Aí depois eu disse sim de não.
23:13Falei não, cara, quero fazer.
23:14A Globo foi muito querida, me mandou lá para a Fernanda Noronha, para descansar.
23:18Mas eu estava com o CRO ainda, eu falava assim ainda, com gesto.
23:21Então se você vê o Tônico Baixo, o Tônico Baixo, no começo, ele tinha uma...
23:25Eu botei essa coisa do mal-nombrando, mas ele tinha a mão mole do CRO, né?
23:29Então era um personagem completamente maluco.
23:31Depois, no décimo capítulo, eu tirei a mão e aí o Tônico Baixo aflorou.
23:37Pisaram a linha, tá livre?
23:39Não sabe quem anda de chamei com aquele topo, com o nazivo?
23:42Tô lá no quarto os dois.
23:44Mas não tem nenhuma chance de eu conversar com ela por fora.
23:48Eu sou doido por aquela Sérgio Pana.
23:51A vida é muito breve, para a gente ficar se prendendo ao sucesso, ao nos achar, não, agora...
23:57Não, você não tá nada, cara.
23:59Você não tá nada.
24:00Você tá vivendo um momento, que esse momento vai passar.
24:04Entra numa novela, substitui você por outros.
24:06Depois você volta, entendeu?
24:07Mas você é substituído.
24:10Você é momentâneo.
24:12Agora, quando você alcança uma coisa bacana, se é o público quer te abraçar, o público te abraça, o teu teatro lota, né?
24:19Isso é muito legal.
24:20Poder sobreviver da minha profissão, poder dar o melhor para os meus filhos, para a minha mulher.
24:24Realmente, isso não tem preço.
24:27Poder viajar a qualquer lugar do mundo, poder viver bem.
24:32Mas eu trabalho muito, trabalho muito.
24:34Às vezes, as pessoas, eu não tô no ar, fazendo alguma coisa, mas eu tô, eu não paro.
24:39Não paro porque eu não posso parar.
24:40Eu viajo praticamente todo fim de semana.
24:42Ou eu tô fazendo filme, eu tô fazendo peça, eu tô fazendo meu quadro no Fantástico, eu tô bolando alguma coisa, entendeu?
24:48Eu não paro.
24:51Os filhos são um papel fundamental.
24:53Fundamental na minha vida.
24:54Eu virei um ator mais interessante depois do nascimento dos meus filhos, da minha filha, que tem nove anos, dos meus meninos.
25:02Você fica mais sensível, você fica mais...
25:05As coisas, às vezes, começam a ter um peso menor para você, sabe?
25:09Certas coisas que antes teriam...
25:12Pra que isso?
25:13Procuro sempre mentalizar uma coisa positiva.
25:15Saber que, às vezes, tem um revés ali, mas vai ter uma coisa boa ali na frente.
25:23A minha realização é o seguinte, eu não parar de trabalhar.
25:26Fazer minhas coisas.
25:27Realmente, essa é a minha realização.
25:28Fazer coisas bacanas.
25:30Cada vez mais coisas que me movam.
25:34E como a Eva Véu me falou, né?
25:36Poder viver da minha profissão, ser fundamental.
25:40Poder errar.
25:41Poder errar, saber que eu vou errar ali, mas eu vou acertar ali na frente.
25:43Mas nunca, sem esquecer meu foco, que é, na minha profissão, arriscar sempre.
25:51Isso eu não vou...
25:52Isso eu não largo mais.
25:55Essa é a pergunta mais difícil, né?
25:56Ser ator é...
25:59Não cair na mesmice, se arriscar.
26:04E...
26:05É lindo ser ator.
26:07Eu agradeço todos os dias da minha vida de poder trabalhar nessa profissão que me abraçou.
26:13E saber que cada dia, cada dia que eu vou representar pode ser diferente e que eu posso me jogar num abismo e...
26:22E se eu cair vai ser lindo.
26:24Não tem problema nenhum.
26:26Isso é a tua, é isso.
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