- há 8 meses
- #grandesatores
- #canalviva
#grandesatores #canalviva
Categoria
📺
TVTranscrição
00:00Desde menino, eu brincava de atuar.
00:17Eu falei, meu Deus do céu!
00:19Aí me deu um branquinho ali na minha cabeça, assim, me deu uma tensãozinha nesse momento.
00:24E eu acho que é uma das coisas fundamentais, se não é fundamental, é a história que vai ser contada.
00:30Foi o grande corno, na época, assim, do país, que aquela coisa parou.
00:39Meu nome não é Cássio, meu nome é Cassiano Sanches Mendes, que é o Sanches da minha mãe e o Mendes do meu pai.
00:47Porque, na realidade, em casa, desde garoto e na escola, claro que me chamavam de Cassiano,
00:55mas em casa, por causa do meu pai, eles começaram a me chamar de Cássio, para diminuir, em vez de Inho.
01:03Começou Cássio, Cássio, Cássio, Cássio, Cássio, e ficou Cássio, em casa, antes de qualquer coisa.
01:09Isso não foi um nome artístico, ele é, sim, mas ele é muito antes que qualquer movimento artístico que eu podia participar.
01:20Desde menino, eu brincava de atuar.
01:23Eu me lembro de garotinho, eu brincava sozinho de atuar.
01:28O que eu fazia?
01:29Eu imitava, às vezes, uma cena de alguma coisa que eu estava vendo.
01:36Então, eu até me fantasiava, de repente, sabe?
01:40De época, botava umas botas, eu me lembro, e fazia sozinho, eu brincava sozinho disso.
01:45Eu não sei se eu nasci com a vontade de fazer, ou se eu aprendi, durante o começo da vida, a gostar do processo.
01:59Porque, na verdade, o que, em casa, o que minha mãe e meu pai sempre priorizaram, sempre foi estudar.
02:08Então, nunca houve um incentivo sempre para o que eu quisesse fazer, para o que eu me interessasse, mas estudando.
02:18Então, não houve, diretamente, sabe, uma tendência explícita a você seguir aqui o que nós fizemos, ou a família fez.
02:32Isso não.
02:34Então, isso foi bem marcado para mim.
02:38A prioridade foi sempre os estudos, infelizmente, eu confesso que eu nunca fui um grande aluno.
02:47Em casa, o meu pai era diretor da TV Tupi, artístico, no teatro.
02:53Eu passeava com, ficava na coxia com o Luiz Gustavo, que é irmão da minha mãe, que é meu tio.
03:00Então, eu nasci, meio que, já um pouco participando, vendo as coisas, já dentro ali do processo.
03:09E foi...
03:11Então, isso foi uma coisa que vem de família, né?
03:14Foi assim que começou a acontecer.
03:17Que tal, hein?
03:20Não estou mal.
03:22Quer saber essa história?
03:23Bem...
03:23Olha, são dois jovens franceses, entendeu?
03:26Eles marcaram um encontro aqui, nesse jardim, em Paris.
03:30Ele é o responsável, com certeza, por eu estar aqui, esse momento aqui com o Torel Parvelo.
03:39Faça apenas um esforço de imaginação.
03:41Foi realmente a referência, assim, da minha vida.
03:47Além de ser meu pai, né?
03:48Quer dizer, foi meu guru, né?
03:53Até onde ele pôde.
03:54A nossa relação, além de pai, a gente sempre foi muito próximo, a nossa família ali, enfim.
04:02Meu irmão, etc, minha mãe.
04:05Mas a minha relação com o meu pai era muito próxima.
04:08E era de amigo muito poderoso, assim.
04:12Então, a gente convivia...
04:16Ia no campo de futebol, ia no cinema, ia jantar.
04:20Tinha a relação dele com o trabalho, comigo com o trabalho, a nossa relação.
04:29Aí virava um pouco a relação do pai com o filho.
04:35Às vezes que a gente acontecia de estar junto e falar sobre o assunto, claro que se falava sobre o assunto, evidentemente,
04:43sobre o trabalho, o que está acontecendo.
04:45Sempre se conversou sobre isso.
04:47Mas, quando estava acontecendo algum trabalho, que eu estava participando do trabalho dele, etc.
04:54E, principalmente, no iniciozinho, às vezes, assim, eu batia de frente.
05:00Porque era negócio de pai e filho.
05:01Aquela coisa do santo de casa, né?
05:05Quer dizer, faz milagre, sim.
05:07No meu caso, fez milagre.
05:09Eu estou dizendo...
05:09Mas, às vezes, eu...
05:10Peraí, pô, mas não é assim.
05:12Não, ele ia com cuidado e tal.
05:14Então, não se discutia muito.
05:17O que ele tinha era muito uma...
05:23Era uma visão de alguns caminhos.
05:28De como tratar isso.
05:32Como tratar a sua profissão.
05:33Como tratar as pessoas.
05:39Como observar isso.
05:41Como você tem que ouvir, prestar atenção nas coisas.
05:44A gente tem uma união muito grande, sempre na família.
05:47E a gente tem uma ligação muito poderosa, muito forte também.
05:54Então, a gente troca muito ideias e conversa muito, sempre que pode estar junto.
05:59E isso é muito bom para a profissão e para o bem-estar da gente.
06:06Que a gente se gosta muito e é um prazer muito grande.
06:10Morreu muito cedo.
06:14Mas, meu pai está no meu coração, está todo dia junto comigo.
06:17Isso aí...
06:19A gente se fala todo dia.
06:21Com certeza.
06:22O Elas por Elas foi a primeira novela na TV Globo.
06:26E aí foi indo, o dia a dia e toda essa aproximação.
06:32E você vai aprendendo.
06:35Foi a primeira vez que eu tive esse dia a dia profissional mesmo.
06:41Isso.
06:44Que foi marcante.
06:46Sempre...
06:47Todo começo é muito marcante, né?
06:49É muito especial.
06:50Quando você está no começo, você não tem muito o senso da responsabilidade, no sentido
06:55de enxergar a importância do personagem.
07:00Isso é bom.
07:02Porque você fica mais solto.
07:04E depois vem uma sequência de emendas.
07:07Isso me deu...
07:09Começou a me dar uma segurança.
07:11Sabe o que eu faço para não chorar?
07:13Eu imagino que aqui, aqui, assim, aqui dentro, o que sai daqui é gasolina.
07:18E como a gasolina está muito cara, eu realmente sei, né?
07:20Sabe como é que isso me faz com isso?
07:27Ô, seu bobo...
07:31Ai, entregue.
07:33Meu Deus, vocês homens...
07:35Teu pai também é assim, ele também tem vergonha de chorar.
07:43Não, eu acho que não.
07:44Eu já vi o olho dele se perdendo.
07:48Gustavo é um...
07:51Eu acho que é um dos principais atores que a gente tem na história, né?
07:56E vai ter sempre.
07:58E tem.
07:58Eu tive...
08:03Eu aprendi muito com ele.
08:06E tive...
08:07Porque realizei uns dois, três trabalhos direto com ele, assim.
08:12Então, eu acho ele um professor.
08:16Ele tem o seu estilo.
08:18Mas ele tem um domínio e um carisma muito grande.
08:22Então, quando você tem a possibilidade de contracenar.
08:26E logo no início de carreira.
08:29Começando.
08:30Quando você tem essas pessoas.
08:34A chance de contracenar.
08:36De conviver e contracenar com essas pessoas.
08:40É fundamental na sua formação.
08:43E isso também é outro privilégio.
08:45Eu quero que ele morra.
08:46Que ele morra, não.
08:47Sabe o que eu quero?
08:48Eu quero que ele fique pobre.
08:50Entendeu?
08:50E vai trabalhar lá na José Paulina.
08:52É isso que eu quero.
08:52É que é aquele outro que estava fazendo.
08:55Já que ele.
08:55Já queimou.
08:58Bem que você podia arrumar alguma coisa com ele, né?
09:01Nunca, meu filho.
09:03Essa não.
09:04E quem precisa, pai?
09:05Pai?
09:06Não quero saber.
09:07Olha, conheço esse vigarista há não sei quantos anos.
09:09E o Titi foi realmente uma...
09:11Uma pessoa na face da tela que eu queria pedir um favor.
09:13Entendeu?
09:13Um momento...
09:14Esse seu orgulho...
09:15Ainda foi uma tarde...
09:15Que era uma novela muito poderosa.
09:17Muito forte.
09:18E foi na época, inclusive, que eu fazia com o Luiz Gustavo.
09:26Eu fazia o filho dele, do Vitor Valentim.
09:29Foi um momento, eu acho que foi dali que a coisa...
09:33Subiu uns dois degraus, assim, vamos supor, de, se a gente pode colocar assim, de experiência
09:40e de segurança.
09:42Uma roda de fogo interessante que eu...
09:44Eu me lembro de um dia que me marcou.
09:46Que ainda estava...
09:47Tinha isso.
09:48Um dia que eu me vi uma cena...
09:50Que tinha o Tarcís...
09:53Tarcísão...
09:55O Paulo Goulart, nosso querido...
09:57Tinha mais um ator poderoso em cena.
10:03Teve uma hora no ensaio...
10:06E eu falei, essas pessoas são muito grandes, eu sou baixinho, né?
10:08E eu falei, meu Deus do céu...
10:11Aí me deu um branquinho ali na minha cabeça, assim, me deu uma tensãozinha nesse momento.
10:16Isso é uma das coisas que eu me lembro do Rada de Fogo.
10:18Que aí começava a responsabilidade que já vinha do Titi, mas...
10:23Começava esse peso.
10:26Peso nesse sentido.
10:27Quer dizer, eu estou com essas pessoas aqui.
10:32E eu estou contracenando com o Tarcísio Meira, com o Paulo Goulart, com o Sércio D.
10:40E aí veio o Bregu Chique, sim, que também foi um momento muito especial.
10:47Porque foi uma composição, assim, que foi bem legal.
10:52Não era do meu pai, era do meu pai, era do meu pai.
10:54Era do meu pai, era do meu pai.
10:54Não tem porquê.
10:56Mas é importante, precisava fazer.
10:57Essa é a altura do campeonato, esse tipo de coisa, mas...
11:01E esse núcleo que a gente usava aqui, que era o Dênis Carvalho, era muito interessante.
11:09Com a Patrícia Travasso, assim, era uma relação muito boa.
11:13Eu acho que o ator tem que ser muito generoso sempre com o outro em cena.
11:30E isso é fundamental.
11:33E eu, graças a Deus, por sorte, eu não me lembro, principalmente no meu início, de ter tido o contrário.
11:44Então, eram pessoas extremamente delicadas e generosas, mesmo naquele ritmo que te dá a experiência da televisão,
11:54que tem que ter aquele ritmo mesmo, aquele ritmo de empresa, evidentemente, que é uma arte que a gente está realizando a nossa profissão.
12:03Mas, ao mesmo tempo, você tem que ter aquele ritmo.
12:06E eu acho que quanto mais generosos os atores estão se trocando ali, isso facilita muito.
12:16Eu me lembro de momentos importantes, assim, de solidariedade até.
12:36Tem uma coisa engraçada, que eu estava vindo de São Paulo para o Rio um dia com meu irmão.
12:40Meu irmão fazia uma autonovela, não me lembro o que era.
12:42E eu, eram cinco horas da manhã, a gente via, veio de carro, porque ia ficar um carro no Rio, enfim.
12:48E a gente parou num posto, na entrada da Dutra, cinco e meia da manhã, seis horas da manhã.
12:53Era meio escuro, vazio.
12:55Aí, parou um carro do lado, assim, botar a gasolina também.
13:00E meu irmão estava dirigindo, estava aqui do lado.
13:03E eu parei, eu estava quase junto aqui, a bomba aqui.
13:08E um cara, sozinho, ele olhou para mim, falou assim, olhou para mim.
13:12Ele viu que era eu, que estava do lado, né, o carro dos dois carros.
13:16Na janela, eu parado, ele fez assim para mim.
13:24Ele foi extremamente solidário, naquele momento.
13:28E estava, eu falei para o Tatá, a Fé Maria, olha aí.
13:31Está vendo?
13:32Olha o que está acontecendo.
13:33Mas ele foi extremamente, nunca vou esquecer disso, extremamente solidário.
13:36Eu sei que as aparências estão todas contra mim, mas eu posso te explicar, Afonso.
13:49O César Ribeiro me chamou lá no apartamento para fazer chantagem.
13:53E aí você tirou a roupa.
13:54A foto dele com a Solange que você roubou da Tumoro para plantar no álbum.
14:11O garoto que você pagou no estacionamento do shopping.
14:19Para quê?
14:20Para fingir que tinha visto os dois juntos.
14:22E aquele flagrante que vocês dois amaram?
14:30Aquela coisa ridícula?
14:32Ei!
14:32Para quê?
14:34Para eu achar que o seu gigolosinho tinha um caso com a coitada da Solange?
14:39Oh, meu Deus!
14:43Fui o grande corno na época, assim, do país.
14:48Porque era muito forte o trabalho, né?
14:52Então, eu fiquei muito grifado.
14:54Eu queria ficar muito grifado.
14:54O meu amigo, parceiro que eu adoro e admiro sempre.
14:59Eu sou grato, muito grato.
15:04E me oferecer para cuidar dela do teu lado.
15:09Eu juro que eu sou capaz de tratá-la como se fosse minha própria filha.
15:22Me chamaram para fazer...
15:23Convidaram para fazer uma arte pra mim.
15:26Era o Pássifa.
15:29E...
15:30Finalzinho isso.
15:31E as coisas aconteceram.
15:33E...
15:33Estamos até hoje.
15:37Juntos aí.
15:38É...
15:39Uma vida inteira, praticamente, que você pisca.
15:46Já são mais de 20 anos, né?
15:48Quer dizer...
15:49E é muito bom, né?
15:50Quando você tem uma parceira dessa, companheira.
15:55Que você...
15:58Tem nesse longo espaço todo de vida.
16:01E que, de alguma forma...
16:03De uma forma...
16:03De uma forma, não.
16:05De todas as formas, conhece muito bem.
16:09Melhor do que eu, como funciona o que é a nossa profissão.
16:14Então, é muito bom de a gente estar juntos.
16:17Tieta foi um trabalho também, que é um dos trabalhos que eu mais gosto de ter feito.
16:25É difícil, porque, tá vendo?
16:28A gente vai conversando, eu vou fazer assim...
16:31Eu me sinto totalmente privilegiado.
16:34Quer dizer...
16:35Porque você, às vezes, consegue...
16:37Tem uma linha de trabalho, a televisão tem uma coisa...
16:40Que não é culpa das pessoas, é uma culpa do ritmo da televisão.
16:45Que você, às vezes, fica rotulado.
16:48Até o público que você começa...
16:49Se você não tem a oportunidade, a chance de você ir por uns caminhos, personagens que
16:56te oferecem, pra você caminhar diferente, você tá sempre no caminho pra você ser...
17:03Você tem um rótulo de alguma coisa ali, por vários anos.
17:07Do Gilberto veio o Anos Rebeldes, né?
17:31Que foi um momento muito especial.
17:33Esse livro que você tá escrevendo, é sobre o quê?
17:35A minha história na luta, Luiz.
17:39Saudade.
17:40Eu acho que é importante contar, né?
17:42A classe dominante não mudou.
17:46Interessante, é marcante.
17:48Isso foi pra mim...
17:49Foi um presente, mas um presente do Gilberto, né?
17:53Que eu me lembro que quando eu recebi...
17:57Eu me lembro de como ele me convidou.
17:59Como eu fui convidado pra esse trabalho.
18:02A gente tem a obrigação de divulgar.
18:08Pra que isso nunca mais aconteça.
18:12E quanto mais gente souber, melhor.
18:17O Gilberto me ligou.
18:18Eu falei, ô Gilberto, tudo bem.
18:23Tudo bem.
18:24E eu queria só te convidar.
18:28O Gilberto tem um jeito peculiar.
18:31Eu queria só te convidar pra você fazer o meu protagonista no Anos Rebeldes.
18:39Assim como é que é?
18:41Eu nunca me esqueço disso.
18:43Não sei se você aceita, se você quer ler, se eu quero que eu mande.
18:49Eu falei assim, lê o quê?
18:53Você pode mandar.
18:54Não, manda porque eu tô curioso pra caramba.
18:56Não é que...
18:57Eu não tenho o que te responder.
18:59Eu já estou dentro.
19:00Não tenho a menor dúvida.
19:02Eu não sei se foi exatamente a minissérie que levou ao negócio dos caras pintados, né?
19:24Aquele movimento todo do colo, do impeachment, etc.
19:27Mas que foi na mesma época.
19:29E foi, no mínimo, foi uma grande coincidência.
19:33Ou algum incentivo.
19:36Por quê?
19:36Porque também chamou a atenção, a primeira vez que chamou a atenção,
19:41dessa menina e da geração nova que estava acontecendo, que não tinha ideia daquilo.
19:45Eu entendi uma coisa, Adem.
19:48Aqui também, ninguém sabe que existe seringueiro.
19:51Ninguém consegue entender o que é um seringueiro.
19:58Mas não sei se era assim, bom.
20:02Aí ele falou assim, a gente quer te perguntar pro Chico Mendes.
20:08Eu falei, o que que é?
20:12Como é que é?
20:14É, eu cheguei na floresta.
20:17Pra cair a ficha demorou uns dois dias.
20:19Sabe que eu sempre vi aqueles ambientalistas lá, que andam no Acre,
20:25achavam que eles só estavam preocupados com o Matinho e os borboletas.
20:29Mas hoje eu entendo diferente.
20:33Tem um ponto de aliança entre a gente, que é a floresta.
20:39Foi uma das experiências pessoais, artísticas, sem dúvida nenhuma.
20:48Mas pessoais, uma das mais importantes na minha vida.
20:51Eu tive a oportunidade de conviver e viver em um determinado momento com uma realidade muito longe da minha.
21:00Aí quando eu fiz uma vivência no Acre, eu fui a Chapuri, eu fui a casa dele.
21:05Nós ficamos, eu fui pro meio do mato com pessoas da mata.
21:11Foi uma vivência, foi uma experiência impressionante.
21:15Maravilhoso, desejo proibido.
21:17Negrão, meu amigo, fiz várias novelas dele, sempre muito legais, né?
21:22E esse personagem é uma delícia que a gente fazia.
21:28Mas dá por falar nisso.
21:31Onde está a Maria Augusta que eu não vi ainda?
21:33A Magu?
21:35A Magu, ela deve estar brincando com os amiguinhos dela.
21:39Nossa, que amiguinhos?
21:40Ai, fecheu, fecheu.
21:42Fecheu?
21:43É mesmo?
21:44Tá sentindo?
21:45Lado a Lado foi uma novela, uma das mais bonitas que eu vi.
21:50Foi a chance o Denis e o João, quem me deu a primeiro, que eu me lembre assim, o primeiro vilão.
22:01Eu tive a oportunidade de fazer vários caminhos.
22:03E eu ficaria muito magoada.
22:04Era o primeiro vilão, eu falei assim, meu Deus, você me dá isso?
22:08Mas você sabe.
22:08Muito obrigado.
22:10Você foi o único homem.
22:11E foi, foi muito bom de fazer.
22:13Foi especial.
22:14Nunca houve outro homem além de você, Bruno.
22:16Por ser o primeiro vilão, é nojado e curioso.
22:21Por acaso o seu nome tem alimentado conversas de salão?
22:26Alguns rumores na sociedade, sim.
22:28Eu sou lá, homem de espalhado aço.
22:30Você é o rei da intriga.
22:32De cunho político.
22:33Eu acho que a primeira coisa, onde você começa a se identificar e se apaixonar e gostar,
22:39e eu acho que é uma das coisas fundamentais, se não é fundamental, é a história que vai ser contada.
22:47A partir daí, você vende informações de um perfil do próprio autor que desenhou esse personagem,
22:57que criou esse personagem, que fez nascer esse personagem.
22:59Aí você vai trazer para você e adaptar do seu jeito, da sua forma de atuar,
23:06de que caminho eu vou tomar para realizar esse personagem que essa pessoa criou para essa história que é tão boa.
23:14Eu tenho umas manias, umas pequenas manias aí.
23:18Tipo, eu não sei se eu sou muito organizado, mas a minha bagunça é organizada.
23:27Quem mexe na minha bagunça, ela me desorganiza.
23:30Entendeu?
23:31Não sei se isso...
23:32Eu acho que é um pouco da característica do virginiano.
23:35Quer dizer, isso não significa...
23:39A bagunça está feita, mas não significa que não é organizado.
23:43Porque só eu sei onde está uma bolinha de gude que eu quero.
23:48Não, ela saiu daqui.
23:50Se ela foi para aquele canto da mesa ali, eu ia falar...
23:54Aí me dá um pouco de mau humor.
23:56Porque eu te diria que também, porque eu perfi um pouco do virginiano.
24:00Antigamente eu assistia mais.
24:02Hoje em dia, eu praticamente não assisto na hora de fazer.
24:08Antigamente, é mais difícil por causa do ritmo também.
24:11Mas, antigamente, eu corria para ver a revisão.
24:14Quando você acabava uma cena, você ia para o suíte para ver a revisão da cena.
24:19Eu quero ver, quero ver...
24:21Hoje não.
24:21Hoje eu já tenho de tempos para cá...
24:24Falei, mas assim, nada que ficar vendo na hora.
24:29Vê quando você for assistir, estiver no ar, você vai e assiste.
24:33Não vai que você vai se aborrecer.
24:35Você vai se aborrecer com você.
24:37É uma coisa especial que a profissão tem.
24:41E isso é apaixonante, porque cada vez, cada história é diferente.
24:45Cada dia você vai poder participar de uma história tão bacana,
24:49com uma história...
24:50Parabéns.
24:51Com um personagem diferente, uma outra idade, uma outra situação.
24:54E essas mudanças todas, Ana, que a nossa profissão permite...
24:59Foi ela que mudou de tudo, nos mínimos...
25:01Ela é meio única.
25:02Desculpa, Tereza.
25:04Mas como é que você chama a Beatriz?
25:07Filha, claro.
25:08Claro, não havia.
25:10Embora lá já fosse uma adolescente, quando a Estela e eu resolvemos viver juntas.
25:15A minha emoção, esteja certa, é a emoção de uma mãe, dentro de uma filha que se casa.
25:21É.
25:22Ela merecia mais.
25:24Nós optamos por um casamento mais discreto.
25:27É que é viúveis recente, não é?
25:29É.
25:30Sem dúvida.
25:31Fizeram a opção certa.
25:32Natália Tímbia, uma deusa que eu tive a oportunidade, algumas vezes, de trabalhar diretamente.
25:39No caso do Vale Tudo, no Tititi, o próprio Tititi, com a idade que ela está, com esse amor
25:51que ela tem com a profissão, que competência, que concentração, que história, né?
25:57Que exemplo do gosto pelo que faz, do amor pelo que faz, Natália Tímbia, entre outras,
26:09mas, enfim, mostra claramente isso.
26:12Radical, Céline.
26:13O que é isso?
26:16Gente da maioria dos maridos, o que eles fariam numa situação dessa?
26:21Eu não tenho um ano, nesses 33 anos, fora do ar.
26:25Quer dizer, pode ter sido uns meses, aqui, mas nenhum ano.
26:31Isso é, isso mostra o quê?
26:35Mostra que, primeiro, de se sentir requisitado, quer dizer, de se sentir com vários diretores,
26:44com vários autores, vários momentos, que isso é de um motivo de orgulho muito grande,
26:51de se sentir capacitado na sua profissão.
26:54Pode ser que, daqui a alguns anos, você falasse, pô, eu estou tão...
26:58E você vai diminuindo o ritmo.
27:00Eu te falei, isso pode acontecer, mas parar, é só se arrancar a minha cabeça e...
27:08Minhas pernas, enfim, não é difícil, é complicado, não dá, não.
27:12Ser ator é uma parte muito importante dentro de mim.
27:28Estou sempre procurando ela.
27:30Aprender a respeitar todos eles, não é?
27:35Eu sei, eu sei, eu sei, mas a gente não podia estar preso aqui dentro.
27:40Eu quero saber o que está acontecendo lá fora.
27:43Amanhã, seu Emílio, amanhã o seu bolso vai ficar alegre.
27:46Amém.
27:47Amém.
27:48Amém.
27:49Amém.
27:50Amém.
27:51Amém.
Comentários