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  • há 7 meses
Mario Sabino e Diogo Mainardi estão na Reunião de Pauta.
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00:00Gente infiltrada, como vai? Tudo bom?
00:05Você viu, só era um monte de gente infiltrada.
00:09Todo mundo.
00:10Todos os manifestantes eram infiltrados ali.
00:15A manifestação era só democrática.
00:18E aí, coitado Bolsonaro, você viu diante desse agente pedindo AI-5,
00:24fechamento do STF, fechamento do Congresso.
00:27É um coitado mesmo.
00:30Ele estava no meio de inimigos que saíram do quartel para acompanhá-lo em carreata.
00:36E a BIM não descobriu quem era essa gente antes de revisar?
00:40Já se avisaram do presidente.
00:42Estavam todos nos quartéis.
00:46É estranho que a BIM não soubesse desses infiltrados.
00:52Esse truque do Bolsonaro já está tão manjado.
00:56Quer dizer, ele faz a coisa, aí ele desmente.
00:59Aí ele planta um negócio na imprensa, a imprensa acaba e depois ele diz que é fake news.
01:05Geralmente é assim, é culpa da imprensa.
01:08Nesse caso não deu muito certo.
01:10Ele teve que falar que infiltrados acabaram apresentando uma mensagem
01:18que não correspondia à realidade de que ele quer o AI-5, fechar o Congresso, fechar o STF, pelo menos da boca para fora.
01:29Esse é o discurso dele.
01:30E aquele post no Twitter, aquela postagem no Twitter, aquele tweet do Carlos Bolsonaro, com um monte de gente disparando arma,
01:44também deve ter sido infiltrado no Twitter do Bolsonaro.
01:49Bem, o Carlos Bolsonaro está infiltrado no Twitter do Jair Bolsonaro há um bom tempo.
01:54É uma coisa...
01:58Ali é o seguinte, cruzou a linha vermelha, né?
02:03É, a gente está fazendo piada, mas é sério para cacete esse troço, né?
02:07Não pode, não dá.
02:08O presidente da República, com o coronavírus ou sem coronavírus, não pode fazer discurso em caminhão, em picape, sei lá onde ele estava,
02:22para uma gente que está pedindo o fechamento do Congresso, o fechamento do STF, AI-5 e tudo mais.
02:29Veja, isso não significa que...
02:31Vamos lá, duas coisas diferentes...
02:33Só um pouquinho confuso, fica confuso na cabeça das pessoas.
02:40Ninguém precisa gostar deste STF que nós temos, nem do Congresso, das pessoas que compõem ambas as instituições.
02:50Eles fizeram um monte de besteira, rasgaram a Constituição algumas vezes, nós estivemos entre os primeiros a dizer.
02:57Mas coisa muito diferente é fechar STF e fechar Congresso.
03:05Porque a alternativa é sempre pior.
03:08Sempre pior.
03:10A história mostra que é sempre pior.
03:14Então, é preciso diferenciar as coisas.
03:17Quando a gente começa a não diferenciar essas coisas, aí fica complicado.
03:22Aí fica realmente muito difícil.
03:23E nesse caso, ainda mais com uma mentira flagrante, já que os tais atos foram convocados com esse propósito,
03:32na convocação dos atos, a gente acho que nem publicou, mas a gente já tinha recebido vários...
03:39Pelo WhatsApp, vários folhetos de convocação para esse ato, todos eles repetiam a mesma coisa.
03:49É para trazer de volta o AI-5, fechar o Congresso, fechar o STF contra a imprensa.
03:57E esse era...
03:57Não era a túnica.
03:59Esse era o...
04:00O propósito dessa cagreata era só esse, defender essas pautas.
04:05O Bolsonaro pode fazer essa palhaçada de se apresentar a meia dúzia de fanáticos ali na frente do Palácio da Alvorada
04:13e dizer que, na verdade, havia infiltrados.
04:18Mas ele está numa situação...
04:20Ele está apertado, né?
04:22Está na cara que o cara...
04:23Ele fez uma aposta na matança generalizada e não caiu bem.
04:31A população não...
04:32Olha, a população não está muito satisfeita com essa opção bolsonarista.
04:38Hoje mesmo ele repetiu, 70% dos brasileiros vão ser contaminados por esse vírus.
04:46Se a gente considerar 70%, com a mortalidade de 1%, a gente já está falando em um milhão e meio de brasileiros
04:54que vão morrer.
04:58É evidente que isso é inaceitável.
05:01Ele diz que eu vou mentir aqui, eu não vou mentir para você.
05:04É uma loucura.
05:06É uma loucura.
05:07A Merkel falou que 70% dos alemães vão ser infectados.
05:13E vão mesmo.
05:14E 70% dos brasileiros também serão infectados mais dia, menos dia.
05:20Não é este o ponto.
05:21O ponto é que...
05:22O ponto é sempre é este, Diogo.
05:27Você já chamou atenção para isso várias vezes.
05:30A questão é apenas o colapso da saúde pública.
05:35Não que as mortes não importem, nada disso.
05:37Não pode todo mundo ser infectado ao mesmo tempo.
05:41Não, porque daí todo mundo morre.
05:42Aí todo mundo morre.
05:44Não haverá hospital para todo mundo.
05:46Não, daí a taxa de letalidade vai para 10%, 12%.
05:51É isso.
05:52No decorrer dos anos, muito provavelmente...
05:56Espera-se que a gente consiga uma imunização do rebanho por meio de vacina.
06:03Porque essa teoria dos 70% também foi desmentida pelos fatos neste país aqui, na Itália, onde ele...
06:13Não, ele falou de maneira mais...
06:15Não, eu sei.
06:16Mas é algo que se levava em conta até recentemente, mas agora que estão fazendo pesquisas aqui e testes, mais ou menos em massa, da população,
06:30estão falando que 10% da população italiana contraiu o vírus, que é muito pouco.
06:36Quer dizer, a gente está muito, mas muito distante de qualquer tipo de imunização do rebanho.
06:42Então, mantendo a coisa desse jeito, conseguindo sufocar os focos assim que eles surgirem, nós não chegaremos aos 70%, que são uma catástrofe,
06:52porque a quantidade de mortos...
06:57Naturalmente, naturalmente, naturalmente, naturalmente, na história das pandemias, das epidemias, se você deixa a coisa correr...
07:08Lógico, lógico, mas a gente não vai deixar...
07:11É um grau de 70%, 50%, 70%.
07:14Isso, e daí você estabelece uma imunização.
07:17E estabelece uma imunização geral, tal da imunidade...
07:20Não pode deixar isso acontecer.
07:21Não pode acontecer agora, é obviamente que nós dispomos de vacina, vai dispôr de algum tipo de vacina, né?
07:31Essa vacina, provavelmente, a gente já cansou de dizer, vai ser uma vacina, pelo que os cientistas estão dizendo, os pesquisadores,
07:39será uma vacina como a da gripe, que terá que ser renovada a cada ano, porque a imunidade da vacina deve durar um ano, né?
07:47Então, provavelmente, isso entrará para o calendário de vacinação obrigatória nos países desenvolvidos, também no Brasil.
07:58Aqui já estão falando até numa vacina meia-bomba, que consiga imunizar parcialmente as pessoas, como ocorre em várias doenças.
08:07E você, pelo menos, você evita o cenário pior, mais catastrófico, né?
08:14Agora, assim, eu escrevi e eu acho isso mesmo.
08:19Ninguém está muito preocupado, e olha, nenhum lado aqui está preocupado.
08:23De fato, a prioridade não é salvar a vida.
08:26A prioridade é se dar bem, a prioridade é não sofrer desgaste eleitoral, a prioridade...
08:31Então, vamos esquecer que existe gente muito legal aqui, porque não tem, não, né?
08:38Não tem.
08:38Está cheio de infiltrado.
08:40Está cheio de infiltrado.
08:42Agora, aqui, como a gente estava conversando mais cedo, eu acho que aqui vai acabar por decreto essa pandemia, né?
08:52Vai chegar um momento que todo mundo, os que estão contra, os que estão a favor do isolamento, vão se unir,
08:57porque o país vai quebrar se continuar desse jeito.
09:00E vamos no rastro do que vai acontecer na Europa e nos Estados Unidos, que tende a acalmar,
09:06que vão soltar todo mundo.
09:09Eu espero que as pessoas tenham responsabilidade individual e as empresas também, para evitar que haja um maior contágio.
09:17Eu já acho, esse decreto, que eu estou usando uma imagem, evidentemente,
09:21o decreto se baseará em subnotificações, que já estão ocorrendo, né?
09:28Já estão ocorrendo.
09:29Não que os isolamentos já feitos não tenham tido algum efeito, algum efeito eles obtiveram.
09:36Mas eu tendo a crer que, pelo andar das estatísticas aqui...
09:41A gente vai chegar aqui no meio termo...
09:48Olha, posso estar errado, mas vai chegar no meio termo aqui,
09:53em que um lado vai poder dizer que era exagero,
09:56e o outro lado vai dizer que só obtivemos esses dados,
09:59porque o isolamento foi feito.
10:03É, e essa tua previsão representa uma falência também para a imprensa, para o jornalismo,
10:12porque o nosso papel, neste momento, incrivelmente,
10:15pode até ser de permitir que se salvem vidas dizendo a verdade,
10:21falando as coisas como elas estão...
10:23Não se trata de verdade, Diogo.
10:25Sabe o que é? Não se trata de verdade, ou não verdade.
10:28É óbvio que o nosso papel é dizer a verdade.
10:29A questão é que as pessoas...
10:33Tem um mecanismo psicológico de negação,
10:37especialmente no Brasil.
10:39Então, ontem nós demos, por exemplo, uma nota,
10:43o nosso repórter que cobra essa área de televisão,
10:46mostrando que o coronavírus faz com que está fazendo agora...
10:53com que as emissoras percam audiência.
10:57As pessoas se cansam de determinados assuntos.
10:59Os brasileiros são volúveis.
11:01Mesmo coisas muito sérias, como é o caso dessa pandemia.
11:06Então, assim, tudo contribui...
11:09Quer dizer, você tem governantes...
11:10Eu não nego nada disso, não nego nada disso.
11:14Uma falta de interesse, uma falta de interesse...
11:16A gente não fala ao mesmo tempo e o meu áudio vai para o saco.
11:21Eu não estou ouvindo.
11:22Não, só deixa eu terminar.
11:24Isso tudo compõe um quadro.
11:27Eu quero dizer o seguinte.
11:27O Brasil é um país diferente e diferente para o ruim também.
11:33Que é esse aspecto.
11:34A população cansa muito mais depressa do que deveria
11:39a respeito de determinados assuntos.
11:41Existe essa emergência econômica, que é mundial,
11:44mas aqui se traduz em fome.
11:46Você tem essas subnotificações, que eu acho que já estão aí, está muito claro.
11:56Porque até o momento, depois de um mês, a gente não teve a empenada
12:01que se imaginava que teria, do ponto de vista estatístico.
12:06E você tem os governantes que nós temos.
12:09Então, assim, isso tudo compõe um quadro que tende a achatar a curva artificialmente.
12:18É isso que eu quero dizer.
12:19Não, não, eu concordo com você.
12:21Independentemente da verdade, da importância.
12:22Eu concordo com você, mas como são todas elas práticas criminosas, todas essas,
12:28assim como durante a ditadura, achatavam também a inflação.
12:31Mas são práticas criminosas.
12:33Porque quando você, por exemplo, achata a curva artificialmente,
12:37a população fica menos atenta ao comportamento virtuoso
12:43de manter o distanciamento, por exemplo.
12:45Você impede que pessoas que sofreram danos com a epidemia, perdas humanas,
12:53possam, em primeiro lugar, se resguardar e se proteger.
12:57E, ao mesmo tempo, obter indenizações ou algum tipo de ajuda do Estado.
13:04Acho que desresponsabiliza também o Estado na ajuda das pessoas.
13:08Então, são todas práticas que a gente tem que, como jornalistas,
13:13a gente vai ter que desmontar.
13:14Mas isso não é o ponto.
13:15Por quê?
13:16Mas qual é o ponto?
13:17Eu estou falando o contrário?
13:18Não estou falando o contrário.
13:19Eu não estou falando contra você, Mário.
13:21Estou falando em geral.
13:23Estou falando do que a gente tem que fazer.
13:25Sim, mas a gente vai continuar fazendo.
13:26O que eu quero dizer é o seguinte.
13:28É que existe uma questão sociológica e econômica no Brasil, sei lá,
13:34que leva que a gente acabe negando certas realidades.
13:38É só isso.
13:40Mas, como a gente não nega, como a gente não nega,
13:43isso é uma reunião de pauta, como a gente não nega,
13:47o nosso trabalho vai ser insistir, vai ser martelar esses fatos
13:52para ver se entra na cabeça de alguém,
13:56quer dizer, se infiltra na cabeça de alguém,
13:58porque eu acho que nós não vamos aceitar esse estado das coisas evidentemente.
14:05Não é uma questão de aceitar ou não aceitar?
14:07A gente vai fazer o papel dela e acha que deve fazer.
14:10Eu também acho.
14:11Se a gente vir que tem um monte de covas sendo abertas,
14:15o Império Popular, tudo bem, vamos lá, vamos ver o que está acontecendo.
14:21Mas, mesmo as democracias mais consolidadas,
14:28você vê que tem os Estados Unidos,
14:30ali também já começa a ocorrer.
14:32O Trump já mudou de posição.
14:34tem um monte de gente dizendo que precisa libertar os Estados agora.
14:39É, não é exatamente um monte de gente.
14:42É, mas começa a ter essa coisa.
14:44Aqui você tem...
14:45Digamos que o Trump fez uma...
14:47Ele estabeleceu, pelo menos,
14:49algumas regras para a abertura
14:51que facilitam...
14:52Isso tem de ser feito,
14:54isso está sendo feito no mundo...
14:56O mundo todo está estabelecendo regras para a abertura do comércio,
15:02da economia, a retomada da economia,
15:04em todos os lugares do mundo.
15:06O Brasil está fazendo isso na marra com o Bolsonaro,
15:10sem que tenha havido ainda grande onda da epidemia,
15:14porque ela ainda não chegou, ela está chegando.
15:16A gente está longe desse pico,
15:18não chegou ao pico da epidemia no Brasil.
15:20E a gente está...
15:22Antes dele chegar,
15:24a gente, o Bolsonaro,
15:26que é o presidente da República,
15:27está sabotando a quarentena imposta pelos Estados.
15:33Não se sabe por quê.
15:35Porque quando você começa a raciocinar...
15:38Vendo racionalmente essa sabotagem,
15:43ela produz um dano para o próprio governo
15:45e para o próprio Bolsonaro.
15:46A gente vai ter que fechar dez vezes.
15:48e por um período muito mais longo
15:50se os cadáveres começarem a ser jogados na rua,
15:57nas calçadas.
15:59Então, isso não vai acontecer como o Equador.
16:02No Brasil, curiosamente,
16:05eu acho que, pelo menos,
16:06isso não vai acontecer.
16:07Agora, o que pode acontecer é isso.
16:10Vai morrer um monte de gente,
16:12só que elas vão morrer de epidemonia,
16:15diabetes, doença cardiovascular,
16:17você entendeu?
16:18E, no entanto, ninguém vai fazer o teste,
16:20testar os mortos,
16:22para ver se foi Covid mesmo.
16:24Isso pode ocorrer.
16:26Então, assim, tem um...
16:26Mas, fazendo isso,
16:27morre mais gente ainda, né?
16:29Não, mas...
16:30Morre mais gente.
16:31Eu não estou justificando nada.
16:33Eu estou dizendo só o seguinte,
16:33o Brasil é um país em que a vida...
16:36O que eu estou falando é que é criminoso isso.
16:39Quando você, por exemplo,
16:41quando uma pessoa morre de Covid,
16:43e você fala para o coveiro,
16:45você fala para o coveiro,
16:46ou para a família do morto,
16:48olha, você pode velar o teu morto,
16:50pode dar um beijo na testa dele.
16:51Entendeu?
16:52Isso não está acontecendo.
16:54Não, mas se as pessoas começarem a morrer de gripe,
16:57não de Covid,
16:59segundo a versão oficial,
17:01você está sacrificando essas pessoas,
17:03você está matando elas.
17:04Neste momento,
17:05as pessoas estão tendo velório no Brasil.
17:09As pessoas estão...
17:10Não importa a causa da morte.
17:12Sim, sim.
17:12Não está certo?
17:13Não sei até que ponto,
17:15até quando isso ocorrerá.
17:17Então, isso não está acontecendo.
17:19Agora,
17:19eu acho que é criminoso,
17:21qualquer coisa é criminosa.
17:22Dengue, por exemplo,
17:23é uma coisa criminosa.
17:24A gente achar,
17:25normalizar uma coisa como a dengue.
17:26Não estou comparando, hein?
17:28Não estou comparando.
17:28Eu sei qual a diferença
17:29da problemática toda.
17:32Porém,
17:33é isso que eu digo.
17:36O Brasil não valoriza a vida.
17:39É que é a verdade.
17:39Você vê essa gente fazendo carreata
17:42no meio da rua,
17:43você vê com todas as campanhas
17:45que estão sendo feitas,
17:46as pessoas continuam na rua
17:48e muitas vezes não é para trabalhar, não,
17:51porque está tudo fechado.
17:52É para fazer churrasco,
17:53é para passear e tudo mais.
17:54E gente de todas as classes sociais,
17:57todas as classes sociais.
17:58Por exemplo,
17:59ontem o calçadão de Ipanema
18:01estava cheio.
18:03Aquela gente não tem informação?
18:05Aquela gente não tem poupança?
18:07Aquela gente não pode viver
18:08dois, três meses sem salário?
18:09Claro que pode.
18:10Estava todo mundo na rua.
18:12As carreatas usaram o pretexto da Covid,
18:16porque, na verdade,
18:17eles estavam pedindo
18:17o fechamento do Congresso,
18:18o fechamento da STF,
18:19a censura à imprensa.
18:22Tinha gente na rua
18:25para pedir a volta da ditadura,
18:28que é de trato,
18:29e tinha gente na rua passeando
18:31e você viu o número de pessoas,
18:3539% só das pessoas
18:38que estavam em quarentena.
18:40Existe essa outra discussão
18:42que, a meu ver, não cabe,
18:44que é curioso,
18:45porque a mesma gente
18:46que vai pedir a ditadura
18:47está falando em prol
18:49das liberdades democráticas
18:50e tudo mais,
18:51da liberdade de ir e vir
18:52e tudo mais.
18:53Como se o interesse coletivo
18:57não se sobrepusesse
18:58ao interesse individual
18:59na Constituição Federal.
19:02Está lá.
19:03Então, é uma questão
19:04de saúde pública.
19:05O direito de ir e vir
19:07não pode sobrepor
19:08ao direito coletivo
19:10de quem está dentro de casa
19:12e que está tendo justamente
19:13a sua liberdade de locomoção
19:15restringida por uma doença epidêmica.
19:20Então, é uma discussão.
19:23Há um choque constitucional,
19:25só que no choque constitucional,
19:27segundo eu ouvi,
19:29alguns constitucionalistas,
19:31o interesse coletivo prevalece,
19:34como está ocorrendo na Itália,
19:36na França, na Europa democrática.
19:38Na Europa democrática,
19:39Estados Unidos.
19:40Digamos que é uma suspensão provisória
19:43de determinadas liberdades
19:47a fim de combater o inimigo maior,
19:50que é o vírus.
19:51Assim como nós nos sujeitamos
19:54a abdicar de algumas liberdades
19:56para combater o terrorismo,
19:58a gente também vai fazer isso
19:59no caso da...
20:01Temporariamente.
20:03Temporariamente.
20:04É temporário.
20:05É nos limites possíveis.
20:09Quer dizer,
20:10há discussão,
20:11não que ela não exista,
20:12não é que ela seja uma questão
20:13de só menos,
20:14desde que seja temporária.
20:15Não preciso vigiar ninguém.
20:16Por exemplo,
20:17na França,
20:19o que está acontecendo?
20:20Eles estão programando a saída,
20:22o início de maio já começa
20:24a voltar as escolas e tudo mais,
20:26e estavam já falando,
20:27o governo já estava falando,
20:28que os idosos seriam os últimos
20:31a sair da quarentena.
20:33Houve um protesto geral
20:34por parte dos idosos,
20:36porque eles não querem ser tutelados
20:37a este ponto pelo Estado.
20:39Bom,
20:39nós somos cidadãos,
20:41todos disseram,
20:41a maioria nós somos cidadãos,
20:44como qualquer jovem,
20:45então nós também teremos
20:46o direito de sair.
20:47Você não pode criar duas categorias
20:48de cidadãos,
20:50mesmo numa situação como essa.
20:51Caberá, evidentemente,
20:52a cada um
20:52resguardar individualmente.
20:55Se não quisesse resguardar,
20:56ele que faça o que quiser.
20:58Aqui, por exemplo,
20:59na Itália,
21:00nós seremos rastreados
21:01por um aplicativo de celular,
21:04mas ele é voluntário.
21:05O governo pede,
21:07por favor,
21:08para que a gente baixe
21:09esse aplicativo,
21:11preencha com dados corretos
21:13o tal do aplicativo,
21:14eles imaginam
21:16que 75%
21:17da população
21:18italiana
21:19vai
21:20fazer,
21:23vai aderir
21:23a essa proposta.
21:25Eu, por exemplo,
21:25vou aderir,
21:27vou baixar
21:27o meu aplicativo,
21:28eu,
21:29a família inteira,
21:30e
21:31com isso,
21:33a ideia
21:33é
21:34agir
21:35tempestivamente
21:37quando
21:37surgir
21:38um foco
21:39da doença
21:40em algum lugar,
21:41para que não se repita
21:42que aconteceu
21:43nos últimos
21:45dois meses.
21:46Essa é a ideia.
21:48Para resumir
21:49o meu pensamento,
21:50a minha visão,
21:51é essa,
21:51quer dizer,
21:52os países
21:53mais avançados
21:54terão que conviver
21:56com esse vírus
21:58durante algum tempo
21:59até que se encontre
22:00um remédio,
22:01até que haja
22:02uma certa imunidade
22:03de rebanho
22:03em algum momento,
22:04que não seja
22:05uma coisa tão traumática,
22:06porque os vírus
22:06também podem
22:07enfraquecer-se.
22:10Em geral,
22:11demora mais tempo,
22:12né?
22:13Demora mais tempo,
22:14mas eu digo assim,
22:14ao longo do tempo,
22:16então haverá,
22:17a gente vai ter que
22:18conviver com isso.
22:19Só que no Brasil,
22:20além de conviver
22:20com o vírus,
22:21a gente vai ter que
22:21conviver com o Brasil,
22:22né?
22:23E o Brasil
22:23é esse Brasil aí
22:25que eu descrevi no início,
22:26né?
22:26O que não é um
22:27exatamente muito original
22:29da minha parte,
22:29é uma constatação
22:31de que nós temos
22:32a tendência
22:32de negar a realidade,
22:34nós temos
22:34uma população
22:35imensa
22:37de gente
22:37muito ignorante,
22:39né?
22:40Nós temos
22:41a tendência
22:43também não ter o controle
22:44sobre a saúde pública
22:45quanto ela vai,
22:49né?
22:49Em termos de
22:50notificação
22:51e tudo mais.
22:53A questão é,
22:54a questão
22:55política
22:57é até quando
22:58nós vamos ter que
22:59conviver com o vírus
23:00autoritário
23:01do coronarismo, né?
23:03Essa vai ser
23:03outra questão
23:04que vai ter de ser
23:05enfrentada
23:06pelas instituições,
23:09pela população,
23:10pela imprensa,
23:11até quando
23:12a gente vai
23:15tolerar
23:16esse tipo
23:18de discurso
23:19e o que há
23:21para se fazer
23:23para
23:23extirpar
23:25esse corpo
23:26deletério
23:28do sistema
23:29democrático.
23:30o ruído
23:31é que
23:32incomoda
23:32muito,
23:33o ruído
23:33pode ser
23:33muito danoso
23:35também, né?
23:37O volume
23:37de decibéis, né?
23:39Porque do ponto
23:39de vista
23:40mesmo
23:40institucional,
23:43obviamente,
23:44não existe
23:45a menor chance
23:46nem político,
23:49todos os golpes
23:50no Brasil,
23:51todos,
23:52foram feitos
23:53com,
23:53não é assim
23:55o soldado
23:56que chega
23:57e fecha
23:58com um cabo
23:59o STF,
24:00não é assim,
24:00você precisa ter
24:01o apoio
24:02da classe média,
24:04da elite econômica,
24:06e dos generais.
24:07E dos generais.
24:08Então, assim,
24:09essas três coisas,
24:10sempre foi assim,
24:11desde a proclamação
24:12da república,
24:13passando pelo Estado
24:15Novo,
24:16em 1964,
24:17se você não tem
24:18o apoio
24:19da classe média,
24:20você não tem
24:21o apoio
24:22inclusive político
24:24do próprio congresso
24:25para se dar um golpe,
24:28você não faz golpe.
24:30E neste momento aqui,
24:32o que você tem
24:33é meia dúzia
24:34de aloprados
24:35que estão na rua
24:36gritando umas besteiras,
24:37só que você tem
24:38um presidente
24:39da república
24:40que serve
24:41com eles.
24:42E aí,
24:42realmente,
24:43fica complicado,
24:44é uma situação
24:44muito inusitada.
24:47Neste momento,
24:48só cria um ruído,
24:49que é muito ruim,
24:50muito ruim para o Brasil,
24:52até porque o Brasil
24:52enfrenta essa crise sanitária
24:54e enfrentará
24:56uma crise econômica
24:57muito brava
24:58depois disso.
24:58Monstruosa.
24:59É, monstruosa.
25:01É muito ruim.
25:03Por isso mesmo,
25:04eu me pergunto
25:05até quando
25:06vai durar
25:08esse ruído?
25:09É, esse ruído,
25:10esse ruído,
25:11porque é aquilo,
25:12o sujeito,
25:13o Bolsonaro,
25:14ele fica modulando,
25:15ele está achando
25:15que está enganando
25:16a plateia, né?
25:18Quando vai
25:19para frente
25:19dar apoio,
25:21depois diz,
25:21não,
25:22é gente infiltrada,
25:23que estava ali,
25:24um democrático.
25:26E no parlamento
25:27não tem ninguém bobo,
25:28né?
25:28A gente viu pelo Mandetta,
25:29por exemplo,
25:30o episódio do Mandetta
25:31que deu uma rasteira
25:32bem dada
25:33no Bolsonaro,
25:35o pessoal
25:35sabe se mexer também,
25:37né?
25:37Quando precisa,
25:38eles se mexem,
25:40o pessoal do STF
25:41também
25:42é bastante vivo,
25:44então,
25:44o Bolsonaro
25:45que se cuide,
25:46porque ele não...
25:48É,
25:48ele está criando
25:49um caldo ruído.
25:51Esse ruído
25:52que é muito,
25:53muito alto
25:54e muito perigoso
25:56é um discurso
25:58absolutamente inaceitável dele.
26:01E um discurso inaceitável,
26:03repetido diariamente,
26:05com medidas
26:05que agravam
26:07a situação econômica
26:08e provocam mortes,
26:12aí a coisa fica
26:14muito perigosa
26:16para o país
26:17a ponto de despertar
26:20em muita gente
26:21o desejo
26:22de se livrar
26:23desse infiltrado
26:25autoritário
26:26que ocupou
26:27o nosso voto,
26:29o nosso voto,
26:30não meu,
26:31o voto dos brasileiros
26:33no Palácio do Planalto.
26:35É,
26:35como ficou demonstrado
26:39mais de uma vez,
26:41da última vez,
26:42foi em relação ao PT,
26:44o voto
26:45não é passe livre.
26:48Não.
26:49Quando o eleito
26:50recebe voto,
26:50não é que ele pode
26:51fazer tudo.
26:52Não.
26:53Porque não é assim,
26:54o eleitor
26:55dá,
26:57chancela
26:58toda e qualquer
26:59atitude
27:00que o eleito
27:01venha a tomar.
27:02Não é assim
27:02que funciona.
27:05Não.
27:05Não é testado
27:07de...
27:09Mas salva o conduto,
27:10não é nada disso.
27:11Os eleitores
27:13mudam de ideia,
27:14os eleitores
27:15mudam de opinião.
27:16E hoje em dia,
27:17ao que consta,
27:19boa parte
27:20dos eleitores
27:21do Bolsonaro
27:21que votaram nele
27:23por falta de opção,
27:26já não estão
27:27com ele.
27:29Não.
27:29Ele fez
27:30o que o Lula
27:31fez com o MST
27:32e com a CUT,
27:33que sindicalizou
27:36essa base
27:36de apoio dele.
27:38Bolsonaro fez a mesma coisa
27:39com essa espécie
27:41de tenentismo,
27:42quer dizer,
27:43essas baixas patentes
27:45dos quartéis,
27:47fazendo uma reforma
27:48da Previdência
27:49que privilegiou
27:49os militares.
27:50e já que ele
27:53sempre foi
27:54o sindicalista
27:55dos militares
27:56e agora
27:57ele consolidou
27:58esse papel.
27:59Então,
27:59ele pode contar
27:59com essa
28:00grande massa
28:02de pessoas
28:04e além
28:05dos evangélicos
28:06que estão
28:06do lado dele,
28:07os pastores,
28:08sobretudo,
28:09os chefes
28:09da igreja,
28:10os televangelistas.
28:13Mas,
28:13fora disso,
28:15é difícil
28:16encontrar
28:18muita gente
28:18disposta
28:19a engolir
28:20o discurso dele
28:21e
28:22se submeter
28:24às vontades
28:25dele,
28:27sobretudo,
28:27quando envolvem
28:28a preservação
28:29da vida.
28:32É isso.
28:34Abraço.
28:35Até a próxima.
28:36Abraço.
28:37Tchau.
28:37Tchau, tchau.
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