00:00Na história da humanidade, já houve uma verdade mais óbvia do que a frase
00:07Todos nós vamos morrer?
00:10Uma vida inteira.
00:12Quanto tempo ela deveria durar?
00:17O sofrimento é algo que é transmitido de uma geração para outra,
00:22como flexibilidade, beleza ou daltonismo.
00:26Como tá indo o livro?
00:27Péssimo.
00:27Você acha que meu auge passou? Já tô chegando no final de uma carreira irrelevante?
00:32Tô vendo que não perdeu seu talento pra fazer drama.
00:34Elf, você tá bem?
00:36Sim, eu tô bem.
00:40E olha...
00:42a sua irmã.
00:44Ela tentou se matar.
00:50Nossa mãe me mostrou sua carta de suicÃdio.
00:53Obrigada por me colocar nela.
00:55De nada.
00:55Eu tava quase no final da lista, parece que só lembrou de mim depois.
00:58Não queria que ficasse com isso na cabeça.
01:00É claro que não.
01:01Isso não foi um erro.
01:02Não, nada disso parece um pedido de ajuda.
01:04No hospital ela perguntou se eu faria como Tomás de Aquino.
01:07Ela queria saber se eu a perdoaria.
01:10Ela planejou bem.
01:11Eu discordo disso, afinal ela ainda tá viva.
01:13Sim, diferente do seu pai.
01:15Ficamos sabendo que a Elfrida expressou um desejo de sair da comunidade para estudar música.
01:20Se ela for, vai ter ideias.
01:21Mas é para isso que serve a universidade, não é?
01:24Você pode me levar pra SuÃça?
01:26Eles têm clÃnicas lá.
01:27Onde morrer é legal.
01:28Você sequer tá pensando em todos os motivos pra ficar viva?
01:31Você já pensou que eu também perdi meu pai num suicÃdio e tenho muita dificuldade pra superar isso?
01:37Talvez você esteja aqui por um motivo que é de ser uma irmã pra mim.
01:40Eu não entendi nada!
01:41E você entende?
01:44Isso é quase demais, mãe.
01:46É quase.
01:51Nossa época é essencialmente trágica.
01:53Então nos recusamos a encará-la tragicamente.
01:58Não há mais um caminho suave para o futuro.
02:01Precisamos viver.
02:05Não importa quantos céus desavem.
02:09Eu não quero morrer sozinha.
02:13Eu não quero que você morra nunca.
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