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TVTranscrição
00:00Música
00:00Até o Pantanal eu era o playboy carioca, o malandro carioca, né, sei lá.
00:17E depois que a Julia nasceu eu choro qualquer coisa.
00:20Eu vim de parindo, de aparindo, eu vim de ouro, transando.
00:25Não dá pra ter frescura, não dá pra ter, sabe, nós somos carpinteiros.
00:29Nosso negócio é porque a gente vai ganhando uma estrutura e daqui a pouco o cara, né,
00:33você só quer até o 5 estrelas, você só quer estar no... e às vezes não dá pra ter isso.
00:40Eu nasci, né, minha casa foi sempre um set de filmagem, né,
00:45eu já nasci no meio da efervescência do Cinema Novo,
00:48meu pai filmando ali com o Glauber, aquela figura excêntrica, né, em casa, né,
00:53o Glauber sempre muito espaçoso e muito carinhoso com a gente.
00:58Meu pai produzindo muita coisa, meu tio, Chico Anísio, também,
01:02num momento incrível na televisão.
01:04Eu lembro que eu era aquele sobrinho que ficava,
01:06imita fulano, imita fulano, imita fulano.
01:08Tinha, né, a gente fazia muito teatro em casa,
01:10eu, minha irmã dirigia,
01:12e eu era sempre o protagonista com meus primos todos em volta,
01:16que nessa época era Anísio, Lug,
01:19eram os primos mais velhos, né.
01:21E engraçado que meu tio, Chico, por incrível que pareça,
01:26todo mundo da família era o único que me dava uma luz concreta,
01:30os outros todos, que hoje eu vejo que foi bom, assim, né,
01:33eu não me tornei uma criança, não fui um menino ator, né,
01:37eu fui optar por ser ator já mais maduro.
01:40Eu lembro que o tio Chico, depois, contando,
01:42que ele via nas peças que a gente fazia,
01:44ele falava, pô, eu tenho que explorar o Marquinhos,
01:46aí pedia pra minha mãe, a mãe falava,
01:48não, ele tem que estudar, ele tem que estudar e tal,
01:49e que foi uma coisa até positiva, porque depois,
01:52em 74, eu fazia teatro na escola com o Carlos Wilson,
01:56o Damião, era o diretor,
01:58que foi o cara que tinha uma paciência comigo incrível,
02:01e ele me levou pra televisão,
02:02ele me levou pra fazer um programa na TV educativa,
02:07na época, dirigido pelo Flávio Santiago,
02:10chamava o Menino Atrasado,
02:12era o Tote Bronde, fazia o Menino Jesus,
02:14Tote lourinho, cabelo todo cacheteado, olhos azuis,
02:17e aí, naquela época, eu fui contratado pela TV educativa
02:20pra ser exclusivo, criança exclusiva,
02:22em 74, eu tinha 11 anos,
02:24que um dia eu falei, mãe, diz que eu não posso continuar,
02:28que eu tenho que estudar,
02:28eu não quero ficar decorando texto,
02:30eu quero jogar bola, eu quero fazer outras coisas,
02:32jogar ping-pong, sei lá,
02:34eu era uma criança,
02:36engraçado que foi, eu acho que isso foi muito positivo pra mim,
02:38se eu tivesse começado ali com 11 anos,
02:40eu não sei se eu teria aguentado
02:41esses anos todos como ator,
02:43é uma profissão que exige muito,
02:47exige uma dedicação, tempo,
02:49você não é só você estar no set,
02:51é você decorar texto em casa,
02:52você trabalhar em casa,
02:54a preparação,
02:55e aí eu fui viver a minha vida,
02:56nesse período,
02:57meus pais nunca,
02:58sempre fazendo teatro amador,
03:00fiz com o Damião,
03:01depois fiz com o Almir Teles,
03:02uma época,
03:04no São Vicente,
03:05depois voltei a trabalhar com o Damião,
03:07acho que o Damião foi o grande
03:08construtor da minha carreira,
03:11de uma certa forma,
03:11da minha estrutura artística ali,
03:14num período que era eu,
03:15Malu,
03:16Felipe Camargo,
03:17era uma turma,
03:19Drica,
03:20Kiki Dias,
03:22enfim,
03:22foi uma fase,
03:23mas o que eu acho bom em relação à minha família,
03:26que se eles não influenciaram efetivamente assim,
03:28nem de me impulsionar,
03:31de me dar trabalho,
03:32nem de me proibir,
03:34foi que eles realmente nunca proibiram,
03:35eu não era um bom aluno academicamente,
03:37repeti de ano,
03:38mas eles nunca colocaram o teatro como um problema,
03:41eles nunca disseram,
03:42então você vai sair do teatro,
03:44nunca,
03:44nunca houve essa repressão ao teatro,
03:47mas o que me trouxe como ator,
03:49na verdade,
03:51porque eu fazia teatro amador,
03:52eu não sabia o que queria,
03:53meu pai filmou o filme Terra dos Índios,
03:55e ali eu conheci os índios,
03:57tive meu primeiro contato com os índios do Brasil,
03:59com o Chavante,
04:00e eles me chamaram para ir para a aldeia,
04:01eu fui,
04:02fiquei dois meses na aldeia,
04:03por um período,
04:04eu tinha 17 anos,
04:05quando eu voltei de lá,
04:06eu queria trabalhar com índio,
04:07aí consegui um trabalho no Museu do Índio,
04:09era o Carlos Moreira,
04:10que era um antropólogo,
04:11que era o presidente do Museu do Índio,
04:13meu pai estava muito envolvido com o Darcy Ribeiro,
04:16com o Carlos Moreira,
04:17com vários antropólogos e tal,
04:19eu fui trabalhar com o CES Têndrio,
04:20os Carlos Saldanha,
04:22num laboratório de fotografia,
04:24descobriram,
04:25encontraram uns índios no meio da Amazônia,
04:26no Pará,
04:27índios remanescentes,
04:28que nunca tinham tido contato com o branco,
04:31e aí,
04:32vocês querem ir lá,
04:33topam ir lá,
04:33isso era o final da ditadura,
04:35nós falamos,
04:36vamos registrar isso,
04:37e aí foi uma experiência incrível,
04:39eu vim índio aparindo,
04:41eu vim índio transando,
04:44eu me senti,
04:45cara,
04:45eu chorava,
04:46eu tinha uma coisa,
04:47antes de ter filho,
04:48eu tinha muita dificuldade de chorar,
04:50a coisa emocional,
04:51eu acho que até me prejudicava um pouco como ator isso,
04:53era um sentimento de amor o tempo inteiro,
04:55entendeu?
04:55Então,
04:56eu ficava,
04:56eu estava dentro da OCA lá,
04:58aí eu via os índios na rede,
05:00de repente a índia pulava para a rede do índio,
05:02mexia,
05:03e aí eu ficava meio sem graça,
05:04e de repente ele abaixava a cabeça,
05:05olhava para mim,
05:06fazia uma,
05:07tipo me sacaneando,
05:09eu comecei a ver,
05:10eu vi muito do brasileiro,
05:11desse espírito do humor brasileiro,
05:12dentro,
05:13no meio dos índios,
05:14foi muito rico,
05:14assim,
05:15no final da tarde,
05:16eles tomavam lá uma bebida,
05:18eu tomava com eles,
05:19mas para quem é acostumado com cachaça,
05:21não era uma coisa,
05:22era uma coisa mais espiritual do que o efeito alcoólico,
05:25e tinha uma magia,
05:26rolava uma magia ali,
05:27e aí eu botava eles todos sentados assim na aldeia,
05:31e eu ficava em pé mostrando como é que era meu dia a dia,
05:34cara,
05:34eu lembro isso claramente,
05:35meu dia a dia na cidade,
05:36eu no carro,
05:37estressado,
05:37xingando,
05:38fazia uma,
05:39não sei o que eles entendiam disso,
05:41mas eles riam,
05:41mas rolavam,
05:42aí eu fazia o meu dia a dia de acordado,
05:44dormindo,
05:44como é que era com a coberta,
05:45tudo diferente do que eles faziam,
05:47escovando o dente,
05:48aí depois,
05:49quando eu acabo,
05:50quando eles,
05:50depois,
05:51sei lá,
05:51eu ficava falando durante uns 40 minutos,
05:53aí um deles se levantava,
05:55eu sentava e eles começavam a me contar,
05:57aí vinham três,
05:57e eles começavam a fazer um teatro pra mim,
05:59contando como é que foi o primeiro contato com o branco,
06:01como é que foi,
06:02isso sem falar uma palavra de português,
06:04aí eu voltei,
06:05fiz a cal,
06:07foi aí que eu entrei na cal,
06:08fui da primeira turma da cal na época,
06:11me formei pela cal,
06:13e toquei a minha vida,
06:15mas sempre fazendo muito teste,
06:17teste, teste,
06:18meu negócio era fazer teste,
06:19meu negócio era fazer teste,
06:20eu não tinha muito,
06:21eu nunca tive muita paciência pra coisa acadêmica,
06:24hoje eu até sinto um pouco de falta,
06:25de uma experiência mais universitária,
06:28mas eu sempre fui muito de fazer,
06:32uma coisa muito empírica,
06:33eu lembro que o João das Neves,
06:34também quando acabou a cal,
06:35falou,
06:35Marquinhos,
06:36se você levar a sério,
06:37você tem um potencial muito grande,
06:39mas você,
06:40porque tudo meu era na brincadeira,
06:41eu só queria brincar,
06:42eu tava em cena,
06:43no teatro,
06:43meu negócio era virar de costas pra plateia,
06:46e sacanear os outros atores,
06:47pra botar todo mundo pra rir,
06:48entendeu,
06:48não tinha muita,
06:49meu negócio,
06:50e depois,
06:51só que engraçado,
06:52chegou um momento que eu acho que eu encaretei,
06:53e eu acho que agora eu tô voltando,
06:56é engraçado isso,
06:56eu passei por esse,
06:57aí eu comecei a fazer novela,
06:59aí não sei o que,
07:00eu acho que eu dei uma encaretada,
07:01engessei alguma coisa,
07:03que eu incorporei,
07:04e aí de 10 anos pra cá,
07:06eu resolvi dar uma reinvestida,
07:08aí fui trabalhar com a Miradade,
07:09e aí voltei a ter o prazer,
07:12o frescor,
07:13o descompromisso,
07:15como é que eu entrei na Rede Globo,
07:18como é que eu fui parar na Globo,
07:20eu gostava de televisão,
07:21sempre gostei,
07:22sempre fui de ver novela,
07:23meu pai trabalhou muito tempo,
07:24dirigiu muito tempo,
07:25meu tio,
07:26ele dirige os Conis,
07:28uma época,
07:28o programa dele,
07:30e aí quando eu fiz a Cal,
07:32aí eu liguei,
07:33falei,
07:33se tiver alguma coisa pra fazer com você lá,
07:37eu faço,
07:38ele falou,
07:39Marquinhos,
07:39nós estamos no meio do ano,
07:40mas vai ter umas pontas,
07:42você vem e fala,
07:42tipo,
07:43cartas para o senhor Alberto,
07:45dona Eulália,
07:47a senhora sabe onde fica a farinha,
07:49eram coisas muito rápidas,
07:52e aí um dia,
07:54era o Stepan que dirigia o programa,
07:56ele falou,
07:57vou lançar um programa chamado TV que se vê,
07:59pro próximo ano,
08:01e enfim,
08:02contou um pouco do programa,
08:03mas a princípio não tinha papel pra mim,
08:04aí o ator que ia fazer,
08:05uma bicha,
08:07no dia eu faltou,
08:08lá na Cined,
08:09e eu vi,
08:09eu estou vindo,
08:10cadê o ator?
08:11Eu sou ligado em produção,
08:12eu sempre fui,
08:13eu nessa época já tinha feito alguns filmes,
08:15eu sempre trabalhei muito nos bastidores,
08:17fiz produção,
08:17fui assento de produção,
08:18assento de direção,
08:19fui técnico de som,
08:20só não fui,
08:22só não fiz fotografia,
08:23o resto tudo eu fiz,
08:24montagem,
08:25tudo,
08:26que me ajudou muito,
08:27aí eu sou ligado em 360,
08:29o que está acontecendo,
08:30eu sei,
08:31não tem jeito,
08:32é um ambiente que eu conheço,
08:34e aí eu estou vendo aquele,
08:35o ator não veio,
08:36cadê o ator que vai fazer a bichinha,
08:37cadê o ator que vai fazer a bichinha?
08:38Falei,
08:38olha a minha oportunidade,
08:39eu não queria queimar o cara,
08:40eu fui deixando,
08:41o ator não veio,
08:43quem vai fazer?
08:43Eu,
08:44Estepan,
08:44não,
08:45peraí Marquinhos,
08:45cadê o ator?
08:47Estepan,
08:48não,
08:48peraí Marquinhos,
08:49liga para o cara,
08:49chama o outro,
08:50não pintou na hora,
08:52eu falei,
08:52cara,
08:52deixa eu fazer,
08:54deixa eu fazer,
08:55aí ele,
08:56na verdade,
08:57estavam todos me dando uma força,
08:58porque era o sobrinho de escuanismo,
08:59eu percebia isso,
09:01mas não foi uma coisa que eu também nunca me preocupei com isso,
09:03eu queria cavar o meu espaço,
09:06aí foi,
09:07fiz o personagem,
09:08gravei,
09:10num jeito,
09:10foi engraçado,
09:10meu tio no estúdio,
09:11ele,
09:12aquela coisa machista,
09:13me abraçou,
09:13ele falou,
09:14não,
09:14isso aqui é meu sobrinho,
09:15não sei quem é mais homem,
09:16eu falei,
09:16tio,
09:17relaxa,
09:17tudo certo,
09:18porque eu ia fazer o papel de uma bichona,
09:19nossa senhora,
09:21Clisares,
09:22tudo maquiado,
09:24nossa,
09:25eu estou,
09:27eu estou,
09:28eu sinto uma saudade dele,
09:29sai do meu cercado,
09:31cabra radios,
09:32não incorporou isso e te passar o rouge,
09:34vai ficar lindo,
09:35painho,
09:36vamos maquiar tudo na base do nago,
09:39fala que eu vou tentar que maquiar os filhos de grande,
09:41meu Deus do céu,
09:41Clisares,
09:43pega uma tabaca,
09:44que eu estou sentindo um tremor,
09:45Clisares,
09:46eu vi chuveiro,
09:47eu vi relampiar,
09:49mas mesmo assim o céu estava azul,
09:53Clisares,
09:54você conta,
09:55a gente está com a vibração muito forte,
09:57foi a minha primeira oportunidade,
09:58depois daquele programa lá atrás,
10:01na TV Educativa,
10:03aí,
10:04vou para casa,
10:04me liga,
10:05o produtor,
10:05Marquinhos,
10:06você tem coragem de fazer uma bichinha durante um ano?
10:09Eu falei,
10:09meu irmão,
10:10tem coragem,
10:10faça ela até durante 10 anos,
10:12se for o caso,
10:13aí fui lá,
10:14voltei na produção,
10:15aí me liguei para o meu tio,
10:16e falei,
10:16pois é,
10:17não estou sabendo,
10:17aí fui na casa dele,
10:18falei,
10:18pô,
10:18que legal,
10:18ele falou assim,
10:19como é que a gente vai dar o nome para essa bicha?
10:20Fala de um professor,
10:21você quer sacanear alguém?
10:22Não sei o que,
10:23eu não queria sacanear,
10:24aí ele botou o nome de um professor dele de infância,
10:26Clisares,
10:28professor Clisares,
10:29ele botou,
10:30e foi,
10:30eu fiquei um ano fazendo essa bichinha na TV que se vê,
10:33e o tio Chico tinha uma coisa assim,
10:34a câmera estava nele,
10:35ele fazia,
10:36quando a câmera vinha para mim,
10:37ele dava o ponto para mim,
10:39e aí eu fazia,
10:40ele fazia,
10:42tipo,
10:43um pouquinho menos,
10:45aí eu começava,
10:45aí eu ia fazendo,
10:47aí ele pode fazer de novo?
10:47ele pedia,
10:48vamos fazer mais uma?
10:49Vai Marquinho,
10:49vai mais uma,
10:50aí eu fazia,
10:51aí quando eu estava bom,
10:52ele, sabe,
10:53ele ia me dando um tom,
10:54ele foi costurando o meu,
10:56ele foi me dando um diapazão ali,
10:58foi me dando um tom de entendimento,
11:00que a gente vem com muita foda,
11:01você quer representar,
11:03o ator chegando no teatro,
11:03então é tudo dramático,
11:05a voz é alta,
11:07você esquece que o microfone está aqui,
11:08então essa foi a minha grande escola,
11:10aí fiz com ele esse tempo,
11:11no Esco Anísio,
11:12foi ótimo,
11:14aí fui fazer mandala,
11:15exatamente,
11:15saí para fazer mandala,
11:16era eu,
11:16o Julagan,
11:17chegando,
11:18todas as páginas de jornais,
11:19bombando a atriz,
11:20que veio do Antunes,
11:22eu quero todo mundo tranquilo,
11:27não há motivo para preocupação,
11:30essa aqui é uma prisão de rotina,
11:32eu tenho certeza que amanhã ou depois,
11:34eles vão ter de me soltar,
11:36foi uma experiência,
11:38como a gente aprende também com os cocos,
11:40a nossa escola também são os colegas com quem a gente trabalha,
11:42aí fui fazer Vale Tudo,
11:44que foi ótimo,
11:45eu passei o dia inteiro fazendo teste com várias atrizes,
11:47foi a minha grande entrada,
11:48trabalhar com o Demis,
11:52e quem está aí?
11:54Sô,
11:55eu queria te pedir desculpa,
11:57aquele meu ataque de ontem foi,
11:59ciúme né Mário Serra,
12:01que besteira né?
12:03E aí depois fiz Desejo,
12:05quando acabou Desejo,
12:06eu soube que o Jaime Monjadinho ia filmar,
12:09ia fazer o Pantanal na Manchete,
12:11eu tinha,
12:13aí a Globo,
12:14eu estava meio,
12:15a Globo,
12:15me chamaram para fazer uma outra novela,
12:17acho que era Bamboleia e tal,
12:19mas eu fiquei nessa coisa,
12:20eu estava fazendo teatro,
12:21nessa época com o Estrada,
12:22eu passei ele com a Marieta,
12:23ligações perigosas,
12:25aí eu falei,
12:27pô,
12:27eu acho que eu vou lá,
12:28me oferecer para fazer o Pantanal,
12:30pô,
12:30já me deixou fazer,
12:31eu falei,
12:31Marquinhos,
12:32olha o teu sotaque,
12:33tu é carioca demais,
12:34você,
12:34porque eu tinha isso,
12:35até o Pantanal eu era o playboy carioca,
12:38o malandro carioca,
12:39sei lá,
12:39fui para o Pantanal,
12:40fiquei enfiado lá cinco meses direto,
12:42fiz laboratório,
12:43com os caras,
12:44e aí foi engraçado,
12:45que a primeira crítica do Pantanal,
12:46é como é que eles tinham arrumado,
12:49um Pantaneiro,
12:50que conseguisse ser a toa,
12:52era o peão do Pantanal,
12:55então isso para mim,
12:56foi a minha maior crítica,
12:57e realmente ali,
12:59foi onde todo mundo,
13:00e eu não tinha noção,
13:01porque como a gente ficou dentro do Pantanal direto,
13:02a gente não tinha relação com o sucesso da novela.
13:04Você falou com ele?
13:07Falei pai,
13:09ele me cercou no meio do caminho,
13:11fez a piada do animal,
13:12e me convidou para uma prosa,
13:15a gente conversamos um tempão,
13:17me fala,
13:19cegou você,
13:20vocês prosearam?
13:22Ele falou que eu sou neto dele,
13:25pai,
13:26que eu sou neto do amor.
13:29Eu sou um ator que participo,
13:32eu não sou o ator de ficar ligando para o autor,
13:34para ficar pedindo coisa,
13:35mas se eu tiver alguma ideia,
13:36que eu acho que é importante,
13:38por exemplo,
13:38no Pantanal,
13:39eu descobri que os funcionários,
13:40os trabalhadores do Pantanal,
13:41todos,
13:42nenhum deles tinha carteira assinada,
13:43e eu ia embora da fazenda do meu pai,
13:46o personagem da Deu,
13:47falei,
13:48quem sabe a gente não bota agora,
13:51o meu personagem cobrando do meu pai,
13:53os direitos que ele não teve a vida inteira,
13:55que ninguém aqui tem,
13:56porra,
13:56é isso,
13:57aí criou um atendimento,
13:57eu falava,
13:58eu nunca sou a minha carteira,
13:59eu sempre trabalhei,
14:00não sei o que,
14:01de graça,
14:01sabe,
14:02essas coisas assim,
14:02que eu achava que eram importantes.
14:04Aí vim fazer com o Luiz Fernando Carvalho,
14:17Renascer,
14:18vim para o horário nobre da Rede Globo,
14:21trabalhando com o Luiz Fernando Carvalho,
14:22que é aquela potência artística,
14:25um cara que eu realmente,
14:26a gente teve,
14:27criou uma sinergia,
14:28era Luiz Fernando,
14:29Maurinho Mendonça,
14:30Carlinhos Araújo,
14:32Zé Luiz Vila Marim,
14:33tinha um grupo,
14:34nessa novela,
14:35já muito forte,
14:36de diretores,
14:37em Anacelo.
14:45Quem vai lhe punir,
14:47Jequitibá?
14:51NINGUÉM!
14:54E aí,
14:55depois dali,
14:56eu fui fazer Irmãos Coragem,
14:58se eu não me engano,
14:59Luiz Fernando também,
15:00e aí começa,
15:02vem tudo paralelo,
15:03opa,
15:04já protagonizou aqui,
15:05aí a conversa já muda,
15:06você começa a criar uma certa raiz,
15:09porque é uma carreira muito instável,
15:10no Brasil,
15:11a gente tem milhões de atores
15:12sensacionais,
15:13que não conseguem trabalhar.
15:14Tô com 51 anos,
15:39mas eu tenho o mesmo espírito de amador,
15:43eu faço,
15:43semana passada eu fiz um teste para um filme,
15:45eu não tenho problema,
15:47eu sei que você tiver um roteiro muito bom,
15:48eu te li,
15:49eu falo,
15:49irmão,
15:50se tiver um papel para mim,
15:51eu vou lá,
15:51eu quero trabalhar contigo,
15:52vou fazer um teste contigo,
15:53se precisar,
15:54eu não perdi esse fresco,
15:57para mim é tudo sempre um fresco,
15:59eu estar aqui no estúdio,
16:01eu tenho a lembrança da primeira vez que você entra no estúdio,
16:04tudo é muito vivo para mim,
16:07e hoje trabalhando com o Tony Ramos,
16:09por exemplo,
16:10eu vejo como isso é presente nele,
16:12como o Tony Ramos vibra,
16:13como o Tony Ramos pulsa uma criança ali dentro,
16:16do frescura,
16:19isso é fundamental para nós atores,
16:22não dá para ter frescura,
16:23não dá para ter,
16:24nós somos carpinteiros,
16:26nosso negócio,
16:27é porque a gente vai ganhando uma estrutura,
16:29que daqui a pouco o cara,
16:30você só quer o Tel 5 estrelas,
16:31você só quer estar no,
16:32e às vezes não dá para ter isso,
16:34às vezes o conforto vem de outra forma,
16:37vem pelo carinho que você recebe,
16:38vem pela atenção,
16:40vem pelo set que é montado,
16:41vem pela alimentação no set,
16:43vem pelo lugar que você tem para repousar,
16:44às vezes basta ter uma cadeira confortável,
16:46para o que você está esperando,
16:48não dá para ter um lugar que não tem banheiro
16:49para a dona Laura Cardoso,
16:51isso é muito mais importante
16:52do que ela estar em um hotel 5 estrelas,
16:54então são coisas que eu fui,
16:56que eu sempre tive muito presente,
16:58e aí fiz irmãos Coragem e fui indo,
16:59aí eu passei a ser protagonista,
17:02realmente,
17:02irmãos Coragem,
17:03aí fiz irmãos Coragem,
17:05eu era o protagonista absoluto,
17:06era o João Coragem,
17:07eu tinha um revólver 38 que dava 80 tiros,
17:10não existe,
17:11era maravilhoso,
17:11não acabou,
17:13eu falei,
17:13gente, eu preciso fazer um take,
17:15daí eu trocando as balas,
17:16eu lembro a gente fazendo,
17:17eu na torre da igreja,
17:19eu falei,
17:19porra Luiz,
17:19me importa trocando as balas,
17:20só para dar uma enganada,
17:21dizer que eu tenho algumas balas,
17:23eu falei,
17:23é verdade,
17:23aí eu fazia trocando as balas,
17:24porque o relógio dava 80 tiros,
17:26pá, pá,
17:27foi sensacional aquela novela,
17:29e aí depois disso,
17:31eu fui fazer Torre de Babel,
17:32se eu não me engano,
17:33que era o Alixane,
17:35que era um advogado,
17:36com o Silvio de Abreu,
17:37direção a Denise Saraceni,
17:39eu acho que eu também,
17:40eu tenho transitado por muitos diretores,
17:43vários núcleos,
17:44Denis,
17:45Denise,
17:46Luiz Fernando,
17:48o Jaime,
17:50o Wolf,
17:51e eu me sinto muito confortável em todos eles,
17:53sabe,
17:54eu levo a minha carreira de uma maneira muito tranquila,
17:56assim,
17:57eu não sou dono de nada do que eu adquiri,
17:59entendeu,
18:00assim,
18:00eu me aproprio disso,
18:02para usar como ferramentos de trabalho,
18:04mas eu,
18:05eu estou o tempo inteiro aprendendo,
18:06eu tenho sempre um olhar novo,
18:08eu tenho o maior respeito pelos atores,
18:10eu sei como é que é um ator novo no set pela primeira vez,
18:13entendeu,
18:14eu sei que esse cara precisa de uma atenção,
18:16eu lembro da minha primeira vez em Vale Tudo,
18:19quando eu estava contrariando com a Regina,
18:20e eu pegava o copo,
18:21e eu não conseguia,
18:24aí eu ficava,
18:24continuava,
18:25e eu falava,
18:25pô,
18:26eu preciso dar um gole em algum momento,
18:27porque eu estou falando com ela,
18:27porque eu pedi a bebida,
18:28sabe,
18:29na cena de,
18:29aí eu ia pegar o palco,
18:30não dava,
18:33aí eu lembro que o Ricardo,
18:35o que é Marquinhos,
18:36está nervoso,
18:37de frente,
18:38diante da deusa,
18:39pelo talkback,
18:40foi a primeira vez que eu ouvi um talkback,
18:41eu,
18:42vamos de novo,
18:44aí eu saí para a coxia,
18:45para fora de cena,
18:47que na televisão não tem coxia,
18:48mas saí para fora,
18:49para entrar em cena de novo,
18:50a Regina falou,
18:51botou a mão no meu,
18:51falou,
18:51calma,
18:52calma,
18:52assim mesmo,
18:53calma,
18:54relaxa,
18:54tranquilo,
18:55então eu tive essa sorte,
18:57sabe,
18:57dessas pessoas que foram carinhadas,
18:58e isso foi muito importante para mim,
19:00de repente eu era um ator do Gilberto Braga,
19:01de repente eu fui convidado para ser o protagonista do Gilberto Braga,
19:04com a Malu Mader,
19:05e é engraçado,
19:07porque foi essa novela,
19:08era ótima a novela,
19:11mas ali eu me vi muito engessado,
19:15eu acho que ali eu não dei para o Gilberto,
19:18talvez,
19:19o que ele poderia estar querendo me oferecer,
19:21é uma coisa muito sutil,
19:23eu acho que eu nunca falei disso,
19:26mas eu estava na coisa do galã,
19:30enfim,
19:30não rolou para mim,
19:32a artística minha,
19:33a novela era,
19:34as pessoas adoravam,
19:36a ideia da novela era incrível,
19:37era já um prenúncio do que foi se tornando a coisa da celebridade,
19:42os bebês da vida,
19:43por que você vai comer mais vezes isso?
19:46não sei filho,
19:46talvez porque as vezes as pessoas melhoram,
19:47as pessoas crescem,
19:49eu vou voando encontrar com a Maria Clara,
19:52essa fita pode representar a liberdade da Clara,
19:54então vai lá cara,
19:55vai!
19:55quando acabou aquela novela,
19:58eu me senti,
19:58eu caí num vazio,
20:00eu nunca nem conversei com o Gilberto sobre isso,
20:02não sei nem o que ele pensa disso,
20:04eu falei,
20:04pô,
20:04eu não,
20:04foi difícil,
20:07eu me contrastar com a Malu,
20:09e a minha amigona,
20:10mas não rolava,
20:11com as cenas com a Débora Hebre,
20:13com o Bruno Gagliasso,
20:13que era meu filho,
20:14ainda rolavam coisas,
20:16mas o romance,
20:18alguma coisa ali minha,
20:19não estava legal,
20:19eu fui fazer HBO,
20:22e fui trabalhar com a Miradade,
20:24no teatro,
20:26e aí foi uma desconstrução mesmo,
20:29foi uma coisa de sair da carcaça,
20:31que a gente vai se colocando milhões de carcaças,
20:33e você não vai percebendo,
20:35de repente quando você vê,
20:36você está ancorado naquilo ali,
20:37se defendendo, sabe?
20:39E o que é verdade daquilo ali?
20:40Qual é o tempo de ouvir e falar?
20:44Até que ponto aquele texto
20:45está sendo realmente entendido
20:47do que está sendo dito?
20:48Eu me via meio quase que
20:50um automático,
20:52e aí fui fazer o Mandrake,
20:54foi ótimo para mim,
20:55foi uma experiência incrível,
20:56me levou ao M.
20:59O que é, Vex?
21:01Está chateado comigo?
21:01Qual é o buziris?
21:03O que você acha?
21:03Você está exagerando.
21:05Exagerando?
21:06Você acha que eu gosto
21:06de ficar mendigando o trabalho
21:07com esses advogadinhos de fralda aí?
21:10E quem é você para dizer
21:11o que eu posso
21:11que eu não posso fazer?
21:13Já estou com o saco cheio
21:14com essa tendinite aqui,
21:15você chegando tarde,
21:17bebendo no almoço,
21:18e acabou de ofender
21:19um bom cliente.
21:21Um bom cliente
21:21que oferece uma merreca dessa?
21:23É, mas a gente está precisando
21:24dessa merreca.
21:26Você se esquece
21:26que foi enganado
21:27por aquela tal alma nigre
21:29e pelo marido
21:30que saiu por aí
21:30difamando a gente
21:32no mercado.
21:32Cheio de charme,
21:33um personagem
21:34totalmente diferente
21:34que eu adorei,
21:35que era o Sandro,
21:36o malandro,
21:36muito inspirado.
21:37Ali foi como se eu tivesse
21:38trazido toda a carga
21:39de chicoanismo,
21:41da genética,
21:41dentro de mim.
21:42Fui fazer humor
21:43no personagem loucaço,
21:45que era aquele Sandro,
21:46maluqueiro,
21:48figurado adorável,
21:49com rigodão.
21:50Eu estou trabalhando,
21:52estou ganhando
21:52minha grana,
21:53morou?
21:54Virei até herói
21:55do borralho.
21:57Eu não estou feliz,
21:58não, neguinha.
21:59Sempre é tudo
22:00do meu lado.
22:01Fiz o cano da sereia,
22:02que foi sensacional,
22:04quatro capítulos.
22:05Não.
22:07A Marina não vem.
22:10Por quê?
22:12Sei não.
22:14A tia Celeste ligou
22:15e disse que ela não está bem.
22:17Dá licença.
22:18Sou um cara
22:18preocupado com justiça social,
22:20preocupado com sustentabilidade,
22:22com meio ambiente,
22:23com qualidade de vida.
22:24Eu não penso em mim primeiro,
22:26quer dizer,
22:26eu não tenho que beneficiar primeiro.
22:29Acho que o benefício
22:30tem que ser do grupo,
22:32entendeu?
22:32Sou um cara disposto
22:33a abrir mão de coisas,
22:35para que todos tenham acesso
22:36a essas coisas.
22:37Mas a gente vê que no Brasil,
22:38na verdade,
22:39também não é questão
22:40de abrir mão,
22:41é questão de dividir melhor.
22:43Acho que o problema do dinheiro
22:44não é a falta do dinheiro,
22:45é a má distribuição.
22:46Como o problema do alimento
22:47não é a falta do alimento,
22:48é a má distribuição do alimento.
22:50E a Júlia carrega um pouco
22:51essa genética das duas famílias.
22:53Ela é muito bem-humorada,
22:55feliz.
22:56Ela é uma graça.
22:58Ela tem uma capacidade
22:59de pensar coisas.
23:02Ela faz poesia.
23:05Ela é toda lúdica.
23:07A vida dela é toda no lúdico.
23:09Eu sou separado da mãe dela,
23:11mas a gente tem uma relação
23:12bastante civilizada.
23:13E a gente consegue,
23:14os dois,
23:15administrarmos uma criança
23:17bastante feliz.
23:18É muito importante.
23:20Ela mudou uma coisa básica
23:21na minha vida.
23:22Eu tinha uma dificuldade
23:23de chorar muito grande.
23:25Era uma travação minha.
23:27São aquelas coisas
23:28que a gente vai encarcar,
23:29que a gente vai incorporando.
23:30Eu tinha dificuldade de chorar.
23:31Tem uma cena ridícula
23:32no Réveillon,
23:33com os amigos,
23:34os dois abraçados.
23:36Beto Bruno e Edgar
23:37e eu abraçando os dois.
23:38Eles chorando.
23:38Eu falei,
23:39pô, eu não consigo chorar.
23:40Eu não consigo chorar.
23:41E eu só me preocupava com isso.
23:43E eles chorando.
23:43Talvez se eu não tivesse me preocupado
23:44com isso,
23:45eu teria que chorar.
23:45pela emoção de estar ali
23:47entre os amigos e tal.
23:49E depois que a Júlia nasceu,
23:50eu choro por qualquer coisa.
23:51Eu acho que isso,
23:53por isso talvez como ator,
23:55eu tenha melhorado nesse sentido.
23:56Eu acho que eu me limpei
23:57de alguma coisa.
23:58Mas é uma limpeza para fora.
24:00Sabe quando alguma coisa saiu,
24:02fica mais fácil de entrar.
24:04Quando você deixa sair.
24:05Com 17 anos,
24:07eu, essa questão dos índios,
24:08eu não queria estudar,
24:10ia fazer teatro profissionalmente.
24:12Eu passei a ser um problema na família.
24:14Eu tenho, meus pais são intelectuais,
24:16minha irmã é intelectual.
24:17Fui formou em sociologia com 19 anos.
24:20Super jovem.
24:21Fui fazer cinema depois.
24:22E aí fomos fazer análise
24:23para tentar me entender.
24:25Minha mãe foi dar aula no São Vicente.
24:26Minha mãe era um professor universitário.
24:28Fui dar aula para a secundarista
24:29para tentar entender.
24:31E fomos fazer a terapia.
24:32Nós quatro, temos sete anos.
24:33E quando eu entro na terapia,
24:35aí pipoca.
24:36Isso, a agricultura orgânica
24:37mostra um pouco disso.
24:38Não existe praga.
24:40Existe desequilíbrio.
24:41No que me levaram para a terapia.
24:43Eu sendo a praga,
24:44quando chegou lá,
24:45meu irmão,
24:45a praga não era uma praga.
24:47Tinha um desequilíbrio familiar enorme.
24:49E foi muito rico isso.
24:50Porque a gente começou...
24:51Para os meus pais foi mais difícil.
24:52Porque para os pais é difícil você
24:54ver coisas daqui para trás.
24:57A gente estava vendo daqui para frente.
24:59Meu pai não tinha mais o que...
25:00Ele só falava,
25:00gente, desculpa se foi isso
25:01que deu a impressão que deu,
25:02foi essa.
25:03A coisa da informação,
25:05da comunicação.
25:06Os pais, às vezes,
25:07falam mais coisas para os filhos,
25:07a gente registra uma outra coisa.
25:09E você não externaliza isso na hora.
25:11Você fica com aquilo 10 anos
25:12achando que teu pai queria dizer um negócio
25:14e não era.
25:15Então a análise foi um momento muito rico
25:17para nós quatro.
25:18Eu acho que dali...
25:19Minha irmã também aflorou como diretora,
25:21foi fazer os trabalhos dela.
25:23Meu pai e minha mãe hoje
25:24são pessoas que fazem terapia também.
25:25Ajudou eles nesse sentido
25:27da gente encurtar caminhos,
25:28da gente tentar sermos pessoas melhores.
25:31Acho que essa é a grande busca
25:32o tempo inteiro.
25:33mas foi muito rico.
25:35Foi interessante essa coisa.
25:36Deu ser o problema
25:37e de repente inverteu.
25:39E ao contrário,
25:40eu acho que hoje
25:40eu sou dos que mais agregam ali.
25:42Eu sou essa rede,
25:44eu faço a rede em casa.
25:46Quando tem um problema em casa,
25:47vamos resolver.
25:48O diplomata sou eu.
25:50Eu até quis fazer psicologia na época,
25:52mas eu era tão vagabundo
25:53que eu deixei de fazer a prova
25:54porque eu tinha uma pelada
25:55para jogar em Itaipala,
25:56que era um campo de 11,
25:58uniformizado.
25:59Eu falei,
25:59não vou perder essa pelada.
26:01Realmente,
26:02eu vou te contar.
26:02Ser a tua
26:03é a capacidade de emocionar
26:06sem necessariamente
26:07estar emocionado.
26:12Mãinha?
26:16Eu lhe chamar a mãinha?
26:20Mãe,
26:20eu tirei ela, pãinha?
26:22Tá tentando me confundir.
26:25Durante o dia,
26:25eu fui na lavanderia
26:26conversar com a Lourdes,
26:27sua governanta.
26:29E percebi que tava faltando
26:30um botão
26:30na manga de um dos seus casacos.
26:33Aliás,
26:33um botão não.
26:35Esse botão.
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