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Transcrição
00:00A coisa do galã, ela se transforma para o ator numa pecha.
00:18O Plínio Marcos definiu é muito bem novela.
00:20É alguém que quer transar com alguém, tem alguém que não deixa.
00:22Contracenei com quase todas as pessoas, com quase todos os colegas,
00:28que na minha época de adolescência e juventude tinham esse lado de estarem lá em cima, endeusados.
00:34O exercício, o sucesso e o fracasso, traz uma melhor administração para o sucesso.
00:44Nasci em Curitiba em 1951.
00:48Minha infância foi muito boa, foi excelente.
00:50Muito futebol na rua, muita brincadeira de rua, morei muito no interior.
00:55E Curitiba também é uma cidade pequena.
00:58Então as brincadeiras eram brincadeiras muito gostosas, muito criativas.
01:02Não tinha essa coisa de jogo que tem hoje.
01:05E era uma farra.
01:07O fato do meu pai ser comunista e ser militante do partido,
01:10nós tínhamos, por exemplo, na nossa casa, reuniões clandestinas a cada mês.
01:15Eles revezavam cada vez a reunião clandestina do Partido Comunista.
01:19Era a casa de um dos dirigentes do partido.
01:23Meu pai fazia parte da direção do partido.
01:24E, ao mesmo tempo, meu pai tinha toda uma preocupação com a cultura.
01:30Com a cultura de uma maneira geral.
01:32Literatura.
01:33Ele botava livros para a gente ler.
01:35Ele selecionava livros.
01:37Ele acompanhava os livros que ele estava lendo.
01:39Ele nos fazia ir ao teatro quando ia a peças para Curitiba.
01:42Ele tinha essa preocupação cultural.
01:44E, evidentemente, por ideologia, a preocupação social que nós arrastamos.
01:48Eu trouxe para mim, até hoje, eu tenho essa preocupação social, tenho a preocupação com os povos que passam fome,
01:54as pessoas que passam fome, com a miséria, com essa diferença enorme social que existe, principalmente no Brasil.
02:02Eu trago isso para mim, comigo até hoje, como uma questão a ser vista de frente, encarada de frente e sempre a ser questionada.
02:09Eu era muito ligado ao meu pai, eu gostava muito dele, eu morava com ele.
02:15E, para mim, foi um choque muito grande.
02:16Um dia ele chegou para nós e falou, olha, eu, meu irmão e meu irmão de criação, éramos três.
02:21O papai provavelmente vai ser preso.
02:24Como assim?
02:26Por causa de política, você já sabe, vocês acompanham.
02:28Ele era muito claro com tudo, com a gente.
02:31Guardado as proporções dos segredos que precisava ter para não ser preso.
02:35Mas agora teve um golpe, os militares tomaram o poder, eles são contra os comunistas e talvez eu seja preso.
02:41Eu vou me esconder por um tempo para ver quanto tempo eu estico.
02:44E sumiu.
02:46Sumiu durante 20 dias.
02:4720 dias depois ele voltou e eu falei, o que foi, pai?
02:50Não adianta eu ficar fugindo.
02:51Eu vou continuar, vou voltar para o meu trabalho.
02:53Um dia eles vão me prender e vou deixar acontecer, porque eu vou ficar na clandestinidade e não vou.
02:59E aí ele voltou ao trabalho, o terceiro dia foi preso.
03:02E o que eu fazia?
03:04Eu ia até o DOPS, pegava autorização para visitar meu pai.
03:07Era de um lado da cidade, o presídio era no outro lado da cidade.
03:10Pegava a minha bicicleta, ia até o DOPS, pegava autorização, ia até o presídio e levava comidinha para ele.
03:15E eu era muito afetivo com meu pai.
03:18Eu ia todos os dias.
03:20Eu fazia esse périplo todos os dias.
03:21Pegava autorização no DOPS, ia visitar, levava comidinha.
03:24E foi ali que comecei, na Escolinha de Arte do Colégio Estado do Paraná.
03:27De repente apareceu meu irmão em casa falando assim, estou em uma peça, estou em uma peça lá.
03:32Vamos lá, vamos lá.
03:32O que é isso?
03:33O que é isso?
03:33Teatro, teatro.
03:34Vamos lá, vamos lá.
03:35Fui lá.
03:36Meu irmão que me levou.
03:38E chegando lá, estava faltando elenco.
03:41O diretor me encaixou.
03:42Quer?
03:42Eu falei, não sei se quero.
03:44Vai lá, vai lá, vai lá.
03:45Eu fui, fui indo, fui indo, fui indo.
03:46Consegui gravar uma cruz no começo.
03:48Aí um dos atores precisou sair por algum motivo.
03:51Me botaram no lugar dele e comecei ali com 15 anos na Escolinha de Arte do Colégio Estado do Paraná.
03:57Minha mãe já morava em São Paulo.
03:58Então, durante as minhas férias, eu morando em Curitiba ou no interior, eu vinha para São Paulo.
04:05Também ela morou no Rio, algumas vezes no Rio.
04:08Vinha para o Rio, vinha para São Paulo nas férias.
04:10Então, eu tinha esse contato com o Rio e São Paulo.
04:12Quando eu resolvi o problema militar, que eu digo de servir o exército,
04:17eu já tinha programado na minha cabeça que eu ia fazer teatro em São Paulo.
04:23Já tinha feito muita coisa no Paraná, teatro experimental, teatro colegial, teatro amador.
04:28Eu não parei.
04:29Quando eu comecei com 15 anos na Escolinha de Arte, eu não parei, continuei fazendo teatro.
04:33E então, já tinha a meta, já tinha o foco.
04:34Eu vou para São Paulo para fazer teatro, porque lá o movimento é muito maior do que o Curitiba.
04:40E realmente fui, fui para São Paulo.
04:41Mas aí tinha aquela questão, mas teatro não dá nada para ninguém.
04:45Essa coisa de ator não sustenta ninguém, a família, os amigos.
04:49Então, eu continuei fazendo teatro, nunca parei, mas entrei na faculdade de economia da USP.
04:55Entrei na PUC, entrei na USP e escolhi a USP.
04:58Mas o grupo de teatro que estava disponível, que estava forte na época, era da PUC.
05:04Então, eu fazia economia na USP e teatro de noite na PUC.
05:08Naquela época, eu estava topando qualquer coisa.
05:10Eu queria entrar no mercado, eu queria conhecer as pessoas.
05:13E eu estava tendo o privilégio de entrar no mercado profissional com o Antunes Filho.
05:17E com um grupo fantástico, que tinha a Lélia Abramo, o Juca de Oliveira, Edwin Luizzi,
05:21que é meu amigo, meu colega, meu companheiro até hoje, companheiro de cena até hoje.
05:26Tinha gente muito boa e um cenário magnífico, figurinos, uma peça, um classicão, o Ricardo III.
05:33Foi um começo, embora meu papel fosse pequeno, mas é um começo em que eu engolia aquilo, tudo que estava acontecendo nos ensaios, no palco,
05:41as discussões teóricas sobre Shakespeare, e o Antunes forçando uma interpretação verdadeira.
05:50Foi uma aula, foi uma escola para mim, foi muito bom para a minha vida toda.
05:54Antunes Filho, Flávio Rangel, o Luiz Carlos Mendes Ripper e o Plínio Marcos.
05:59Eu tenho essa trupe da qual eu me orgulho, que faz parte da minha formação em teatro.
06:04E fiz também teste para televisão, eu precisava sobreviver.
06:07Larguei minha empreenda em economia, eu estava indo bem em economia, eu estava ganhando salário, já era chefe de sessão.
06:12Embora estivesse no segundo ano de economia, já era chefe de sessão.
06:14Larguei tudo para fazer teatro, para seguir no teatro, agora profissionalmente, e fui fazer teste na TV Tupi.
06:22Fui aprovado com um papel pequenininho na novela O Alienista.
06:27Não, desculpe, O Alienista é o título original.
06:29A novela chamava-se A Vila do Ar.
06:32E essa era uma novela do Sérgio Jockmann, adaptando O Alienista, do Machado de Assista, para a televisão.
06:37Eu fazia o Costa.
06:38O Costa era um papel bem pequeno, dono do bar.
06:40Eu não servia para nada, não sei se servia uma bebidinha no bar, para as coisas acontecerem no bar dele.
06:45Mas foi o meu primeiro papel com fala em televisão.
06:49O Walter Avancini viu o meu trabalho, os imigrantes do Benítez do Rui Barbosa iam ser feita, seria a próxima novela.
06:56E o Walter Avancini me chamou para fazer o papel.
07:00Até teve uma briga interna de que eu não era muito conhecido, de que eu não conseguiria fazer o papel, que eu não tinha experiência.
07:06Aí eu fui falar com o Walter Avancini e ele falou, não, é você, faz e fala só italiano de agora em diante.
07:13Eu falei assim, mas como que eu vou falar italiano?
07:15Não, fala italiano, mas eu não sei.
07:16Se vira, se vira, fala só italiano, vai procurar.
07:20E eu fui procurar.
07:21Ligaram para a coxia, telefone para você, a sua peça não tinha começado ainda e era a Globo me chamando.
07:38E aí a Globo começou a me chamar e eu não podia abandonar a peça.
07:41Eu não podia, eu falei, não posso, eu tenho que vir aqui para o Rio e ficar aqui fazendo a novela.
07:45Eu não posso abandonar a peça, eu sempre tinha uma coisa muito forte com o teatro.
07:48Mas até que assim, deu certo.
07:51E chamaram por elas, por elas.
07:53E o Cassiano Delos Mendes, que eu achava um gênio da televisão, eu fazia o quê?
07:58Um galã, naturalmente.
07:59E foi a minha entrada na TV Globo.
08:03Guerra dos Sexos eu tive uma pequena dificuldade no começo, principalmente.
08:08Porque Guerra dos Sexos era uma tentativa de uma grande comédia em televisão, coisa que inovela, coisa que não era usual.
08:16Desde Beto Rockefeller não se tinha feito uma novela com todo aquele humor, com toda aquela picardia que tinha o Beto Rockefeller.
08:30E acho que a volta para a comédia na novela foi Guerra dos Sexos com Silvio Diabel.
08:36Agora, a emissora não apostava muito nisso.
08:38A Globo tinha medo de você botar uma comédia na novela da Sete.
08:44Novela é uma coisa de amor.
08:46O Príncipe Marcos definiu é muito bem novela.
08:48É alguém que quer transar com alguém, tem alguém que não deixa.
08:51Porque novela resuma a isso.
08:52E é mais ou menos isso mesmo.
08:54Quer dizer, não é um resumo muito simplista, mas é isso mesmo.
08:57E ali era muita comédia.
08:59Fugia um pouco dos padrões de novela.
09:01Então, o que eles fizeram?
09:02Eu fui descobrir isso muitos anos depois.
09:04Eles fizeram todo o núcleo de comédia, mas deixaram à parte um núcleo de novela normal.
09:13Galã, galoa, quem vai namorar quem, etc.
09:17E eu não sabia disso.
09:18Eu estava fazendo uma comédia, então eu queria tentar fazer comédia.
09:21E o Jorge Fernando falava assim, não, você não.
09:23Mas eu não, por que eu estou numa comédia?
09:24Não, você não.
09:25Mas não me explicava direito, eu também não sabia perguntar direito.
09:29E aí fui fazendo a novela meio aos trancos e barrancos e depois eu tá.
09:32Ah, então tá, eu não tenho comédia, eu sou eu, tenho que fazer bonitinho aqui, conquistador e tal.
09:36Então eu levei um tempo pra me adaptar.
09:38Claro.
09:45Ok, Luiz, descansa.
09:51Oi.
09:52Eu acho que nenhuma mulher ia gostar de ver o seu marido rodeado de outras mulheres o dia inteiro.
09:56Ah, Manoela, você não viu até aqui o estúdio pra discutir comigo, né?
09:59Qual é?
10:00Onde é a Cissa? Ela não vinha com você?
10:02Eu deixei ela brincando no parquinho lá embaixo.
10:04Por quê?
10:04Porque eu não quero que ela veja o pai dela no meio dessas mulheres todas e fique pensando
10:07que a mãe dela é uma boba.
10:09Ih, você tem cada uma, hein?
10:11A coisa do galã, ela se transforma pro ator numa pecha, né?
10:16Quer dizer, pode ser, o galã, existe alguma coisa que carrega a palavra galã,
10:24que tem que ter a ver com também lembra o mau ator e lembra um cara sem inteligência.
10:31Galã lembra isso.
10:34Eu sempre fui fazer meu teatro e sempre estudei muito minhas coisas.
10:37Então, eu tinha um certo medo de cair nesses dois estereótipos que não são bons estereótipos.
10:46Eu sei que ser chamado de burro, de mau ator, pro ator é péssimo, né?
10:50Mas, com o tempo, eu fui tirando isso de mim e fui aproveitando.
10:56Se é o papel que me dão, eu vou assumir esse papel.
10:59É galã?
10:59Tá ok.
10:59É vilão?
11:00Vilão bonitão?
11:01Ok, vou fazer.
11:02Quando eu parei de questionar esse tipo de coisa, e quando eu deixei esses pruridos de lado,
11:09eu comecei a curtir mais.
11:10É gostoso fazer um vilão, é gostoso fazer um galã.
11:13Você tem que fazer um treinamento de galã pra não fazer o mesmo que você fez da última vez.
11:18Então, é um desafio, é difícil.
11:20Não pode repetir o mesmo galão o tempo todo, senão você fica um ator repetitivo, né?
11:24O vilão também não pode repetir o vilão, senão fica tudo igual.
11:29E acabou isso sendo um desafio gostoso.
11:30Você pode ir curtindo isso.
11:32No meu teatro, eu diversifico, faço outros papéis e pronto.
11:35E vou levando na volta.
11:39Tá linda, não tá?
11:40Tá.
11:42Eu gosto de te ver olhando pra ela.
11:45É como ver um menino olhando pro sonho.
11:48Um sonho que começa a se realizar hoje.
11:52Que horas são?
11:54Quase dez.
11:55Eu tendo pra loja.
11:57Ele já deve ter começado a demolição.
11:58O fracasso traz pra gente toda uma...
12:02Eu pedi pra ele me ligar assim que começasse.
12:04Uma visão humilde.
12:06Porque a gente se coloca, principalmente o ator.
12:09Acho que todo mundo, mas principalmente o ator, se coloca no centro do mundo.
12:13Eu sou o centro do mundo.
12:14Tudo gira à minha volta.
12:16E não é verdade.
12:17Mas a gente tem essa tendência.
12:19O nosso pensamento, a nossa vida, a nossa família.
12:23A gente tem um lado ególatra.
12:26E o ator muito mais.
12:27Quando você faz um fracasso, você percebe que não é assim bem que a banda toca.
12:33Você pode errar.
12:34Você pode errar profundamente.
12:36O trabalho que você está fazendo é um trabalho midiático, que envolve tanta gente.
12:40E tantas milhares de pessoas assistindo não significa exatamente que você seja alguma coisa maior do que apenas um ser humano.
12:50Eu acho que esse exercício, o exercício do fracasso e do sucesso são exercícios muito interessantes.
12:57De colocar a gente no lugar que a gente realmente tem.
13:01Acho que isso é o mais importante de tudo.
13:03E também você renovar para um próximo e não fracassar de novo.
13:07Mas o exercício da humildade, eu acho muito forte.
13:21O sucesso é gostoso.
13:23O sucesso é bom.
13:24O sucesso é alegria.
13:27Embora o sucesso seja uma coisa que trabalha o ego,
13:31Eu acho que o exercício sucesso e fracasso traz uma melhor administração para o sucesso.
13:40Quando você já fracassou algumas vezes,
13:42Quando você tem a experiência não só do fracasso, mas do mais ou menos,
13:47O sucesso, aí a gente bebe com mais gosto, com mais prazer.
13:51Porque a gente sabe que ele é fugaz, a gente sabe que ele é temporário,
13:55Ele não é para sempre.
13:56Por mais que você estabeleça uma carreira sólida, que tenha uma continuidade bacana,
14:03Você pode cair de novo no fracasso, porque não depende só de você.
14:06Depende de uma estrutura, depende de um autor, depende de um elenco,
14:10Depende de uma direção e de você também.
14:12Partido Alto foi uma novela que foi, eu acho que o Aguinaldo e a Glória estavam não começando,
14:18Já tinham começado, já tinham feito coisas, mas foi a primeira novela que eles eram titulares,
14:22Só que eles eram titulares juntos, Glória Pérez e Aguinaldo Silva.
14:26E me deram um vilãozão.
14:29E eu adorei fazer o vilão, eu era parado na rua, me chamavam de ladrão na rua,
14:33Assassino, ladrão, meu filho pequeno Pedro, que agora está com 34 anos,
14:36Vai, você é ladrão, vai, eu levando ele para a escola, vai, você é ladrão.
14:41E me marcou muito, era o Sérgio Mota.
14:43Será que você não consegue entender, Sérgio?
14:45Entendeu o quê?
14:46Entendeu o quê?
14:47Que você vai começar agora a participar de festinhas de escritor, de lançamento de livro.
14:52E quer saber uma coisa?
14:53Olha aqui, o que eu faço com isso?
14:59Você está maluco.
14:59Se você tem o direito de fazer o que quiser, eu também tenho.
15:04O Paulo Biratá me chamou para fazer reação doce, pintei o cabelo de loiro
15:07E fui para a Ferreira de Noronha fazer lá o marido da Vera Fischer
15:12E perder a Vera Fischer com o Riccieli, que era o pescador novo.
15:20E acho doce.
15:25Eu não tenho mais nada para fazer aqui.
15:32Eu vou arrumar minhas coisas e vou embora.
15:34A felicidade foi forte, foi marcante.
15:37Eu fazia, eu competia com o Tony Ramos
15:39Pela, pelo papel da Miss do interior, que era uma iteproença.
15:45Casa comigo.
15:47Eu amo você.
15:50E sei que posso fazer você feliz.
15:55Um dia nosso amor vai ser possível.
15:58E eu sei que vou fazer você feliz.
16:00É isso, Helena.
16:06Eu estou te pedindo em casamento.
16:13Renascer foi uma coisa muito especial na minha vida.
16:16Eu adorei fazer renascer.
16:18Foi a minha volta a Benedito Rui Babosa.
16:21Ô Mariana, olha aqui.
16:22Eu faço questão que você se sinta aqui na sua casa, viu?
16:26Obrigada, coronel. Obrigada.
16:28Cara, cara.
16:29E assim a Helena também tem aí uma boa companhia
16:32para quando eu estiver fora.
16:33E o Benedito tem uma característica muito interessante
16:35que é o seguinte.
16:36Ele consegue escrever o sotaque no texto.
16:39Você lê o texto do jeito que está, o sotaque vem.
16:41Não precisa ficar trabalhando o sotaque.
16:43Está ali.
16:45É, Damião.
16:47Coronel, diga.
16:48Quer dizer, eu não digo que você
16:50marque seus encontros com ele aqui na minha casa.
16:53Quando o Luciano Carvalho chama, a gente vai correndo.
16:56Praticamente não quer nem saber qual é o papel.
16:57Um pouco, vamos lá.
16:59Ele é uma marca, ele é uma assinatura muito forte de TV e diferenciada.
17:03Coronel está deixando Mariana sem graça.
17:07Oxê.
17:08Sem graça por causa de quê?
17:10Se ela largou do marido dela para ficar com o sujeito?
17:12E a novela é isso.
17:13É glamour, é amor, é ciúme, é inveja, é ódio, é rancor, é traição, é vilão.
17:22Essa coisa da novela, que é um novelo que tem que desenrolar, é o que a gente tem que fazer.
17:30E o diretor está imbuído disso, está todo mundo imbuído disso.
17:34E a Globo tem uma coisa que é fantástica.
17:36Ela tem muita estrutura para fazer bem feito novela.
17:39Então a gente está lá num navio que não está à deriva.
17:44O navio está indo para a direção que tem que ir.
17:47Não fique assim não, meu amor.
17:53Olha esse marzão besta aí.
17:55Tropicalente foi muito marcante.
17:58Primeiro essa coisa de fazer um pescador de lagosta.
18:02Quinze dias, Serena, quinze dias trabalhando de sol a sol, jogando filame, levantando...
18:08Volta e Negrão estava brilhante, né, na confecção do texto.
18:13E foi marcante, foi gostoso, foi ensolarado, com muito sol, muito queimado, barba por fazer,
18:20cabeludo, de short o dia inteiro, sem camisa.
18:23Era um sonho, tropicalente foi um sonho, né, para a torre, assim.
18:28Uma brincadeira gostosa.
18:33Olha que quando você começa nessa ladainha, eu sei que eu tenho que sair correndo,
18:38arrumar a estrada, porque está na hora de botar o pé na estrada, não é?
18:42Eu contraccionei com todos os, com quase todas as pessoas, com quase todos os colegas
18:48que na minha época de adolescência e juventude tinham esse lado de estarem lá em cima,
18:53em deusados, né, a gente jamais, eu jamais imaginaria.
18:57E eu fui, a gente fica com aquela saia justa, né, estou contraccionando com Regina Duarte,
19:03como também, teve uma época, estou contraccionando com a Eva Vivinha, com a Eva Vilma.
19:08Um dia eu recebi um elogio da Eva Vilma em teatro, eu fiquei em estado de choque, né,
19:13uma coisa deliciosa.
19:15Então foram realizações de sonhos, né, vou ser ator, será que um dia vou contraccionar?
19:22Estou, acabei contraccionando com todos, é muito gostoso.
19:25Bom, eu de ter a matéria de uma forma bem seca.
19:28Também a gente não pode fazer nada, né, Chico?
19:30Essa é a nossa função, a função da imprensa é informar, ué.
19:33Não, de qualquer maneira, obrigada, Chico.
19:37Não deixar a Selma em paz, né?
19:41E afinal a gente está aqui porque ela nos salvou.
19:46Terminou sacrificando a própria vida pela gente.
19:50Marília, Marília Pera, cobras e lagartas, foi muito bom, é muito bom contraccionar com a Marília.
19:55Oh, meu amor, assim, olha, meu coração não aguenta.
19:58Milu, você tem um minuto e meio para dizer o que quer.
20:01Eu digo, em um segundo, eu quero você.
20:07Ela é muito empenhada, ela sabe tudo do personagem e da cena.
20:13Então isso faz com que a gente tenha também uma alta exigência muito grande.
20:17Eu estou indo para contraccionar hoje com Marília Pera.
20:20Eu não posso chegar lá sem saber direito o que eu estou fazendo.
20:23A Marília eu chegava tentando saber mais do que ela, querendo me mandar o melhor de mim.
20:29E isso é muito bom, isso sobe o nível da cena, né?
20:33Ela puxa a cena para cima, em termos de nível mesmo, de interpretação, de qualidade de trabalho.
20:41Então, é tudo de bom.
20:43Pensa que eu esqueci do jeito que você me tratava quando eu estava por baixo, Milu.
20:47Das vezes que você me escorraçava, feito um cachorro sarampo, um homem, não esquece disso não, viu?
20:52Mas é que o amor é assim mesmo, o amor é feito de loucura.
20:58O amor é feito de destempero, de insensatez.
21:02Em Sensato Coração, eu voltei ao vilão.
21:05E aí foi um vilão do Gilberto Braga.
21:08E o Gilberto Braga é um dos nossos mestres da dramaturgia, escreve bem pra caramba.
21:14Junto com o Ricardo Linhares, que também é outro, que é fantástico.
21:16É bom o restaurante em Carcaçone? Recomenda para turistas brasileiros ou não?
21:22É bom sim, o restaurante é muito bom, mas está fora do alcance de gentalha como você.
21:28Eu tive o prazer e o privilégio de trabalhar com uma garotada muito boa, uma nova geração de televisão.
21:35Humberto Carrão, meu amigo, o Pigosi, Pigosi também, e as meninas, a Charlotte, a Fernanda.
21:49O seu arrependimento, se é que ele é sincero, não te absolve da gravidade dos seus atos.
21:57Veja bem, uma coisa é bondade, a outra é justiça.
22:00Minha volta para o Manuel Carlos, eu adorei fazer esse comandante, gostei muito de fazer.
22:05Me empenhei bem para fazer uma coisa bem romântica e, ao mesmo tempo, um cara muito, mas muito do bem.
22:18Você sabe que eu lembro que ela decidiu tudo sozinha e foi em frente.
22:24Não me perguntou nada, não me consultou nada, nada.
22:28Um dia, vim trazer ele em casa, ela me pediu para subir, me mostrou o apartamento já todo reformado, adaptado, pronto para nos receber.
22:35Vou fazer uma chapa de pulmão como exame pré-operatório de uma lipoaspiração para poder fazer Jesus Cristo.
22:46E o exame pré-operatório deu um câncer de pulmão, que é a Suzana que pegou o resultado, Suzana médica,
22:53e ela que me encaminhou, ela que cuida de mim, até hoje ela cuida de mim.
22:58E fiz a cirurgia e estou curado.
23:02E está tudo bem.
23:03E foi ela que conduziu tudo.
23:05A Suzana é minha companheira, minha parceira, minha paixão, minha amante, minha amiga, minha esposa.
23:12Você se depara com a morte mais próxima.
23:15Então, o pensamento em cima dela existe.
23:18Não fiquei obsessivo, graças a Deus.
23:21Pelo contrário, fiquei prático.
23:23Vamos resolver os assuntos.
23:24Então, a conta do banco, eu tenho que botar no nome dos dois, porque se acontecer alguma coisa, você tem como tirar.
23:30O carro já está assinado aqui o documento.
23:32Eu fui nas coisas práticas.
23:34Mas, acaba sendo uma coisa de um pensamento constante.
23:40É só não deixar ser obsessivo.
23:42Nem neurotizar isso.
23:43E, pelo contrário, transitar isso com, até se possível, com um pouco de alegria.
23:49Eu tiro um de sarro em casa.
23:50Falo em morte e eles falam, meu Deus, meu Deus, não.
23:52Vai acontecer.
23:55E acaba que você, eu não sei, eu me senti mais maduro, me senti mais tranquilo, me senti mais leve com esse assunto, inclusive.
24:04E mais leve no resto, no encarar os problemas, nos relacionamentos, mais leveza.
24:13Eu sempre fui muito afetivo, mas fiquei até mais amoroso.
24:17Tenho cinco filhos.
24:18Bom, a Laura, que tem 36 anos, já me deu uma netinha, que é a Marina, ela é bióloga e trabalha com meio ambiente.
24:26Aí, o segundo é o Pedro, Pedro Freire, filho da Malu, a Laura é filho da Márcia, o Pedro é filho da Malu, que é um diretor de cinema, formado em Cuba.
24:37Aí, com 17 anos, tem o Lucas, que está agora terminando o ensino médio, não sabe ainda o que fazer, mas ele acha que precisa ser canalizado para as áreas exatas, matemática, etc.
24:50A Luísa, que tem 13 anos, que já é atriz desde os seis, faz tablado desde os seis, já protagonizou duas peças com a gente, já fez cinema com a tia, Mônica Martelli, e já fez televisão também, um programa do Didi.
25:06Então, ela quer ser atriz e, por enquanto, está firme em ser atriz.
25:09E a Sofia, que a gente não sabe o que vai ser.
25:12E a Sofia é muito mimada, é muito mimada.
25:16Os irmãos da Luísa, que está com 13, e o Lucas com 17, passam o dia no quarto dela, dando beijinho e falando, ai, que fofa.
25:25Então, a minha casa está uma alegria só.
25:28Eu me acho realizado.
25:30Eu me acho realizado pessoalmente e profissionalmente.
25:35Eu estou muito satisfeito com a minha vida.
25:38Eu agora já sei passar cafezinho também, já sei fritar ovo, tá vendo?
25:42Deixa eu fritar ovo pra você, Otaviano?
25:46Deixa eu fritar ovo pra você?
25:47Não, não, não, não, não, não faz assim não, não, não faz comigo não.
25:52Otaviano, faz assim não, olha o que eu trouxe pra você, a malícia.
25:56Não, Otaviano, vem cá, deixa eu ficar com você, filho, eu amo você, eu sou louca, vou...
26:01Otaviano, Otaviano, vem cá, filhinho, Otaviano, olha o que eu trouxe pra você, Otaviano.
26:08Otaviano, Otaviano, coloca ovo pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro pro
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