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#grandesatores #canalviva

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TV
Transcrição
00:00Já pensou se ver meu nome aí nessa, né, nessa fachada iluminada aí?
00:18E eu era meio gordote, né?
00:20E ele fala assim, olha, você pode ser um galã, pode ser um ator, mas você tem que emagrecer.
00:25Eu gostaria de ver todo mundo bem, sabe?
00:27Porque me vem na televisão e alguém fala assim, ah, mamãe conheceu, a vovó conheceu, esse é o Francisco, é o Coco, é o Coco.
00:39É muito gostoso.
00:44Na verdade, eu nasci no Brás também, numa outra rua chamada Bering, bairro dos italianos ali, ligado ao pessoal do Bixiga, a Doneira Barbosa, aquela gente toda.
00:55E bairro bem operário assim, né, e nós morávamos num sobradinho lá no Brás, e eram três famílias que moravam nesse sobradinho alugado.
01:07Ah, sou eu de fantasiado de granadeiro aí, num carnaval, tinha charretinha, tinha cavalinho.
01:17Mas como era o gordinho, tá vendo?
01:18É, minha mãe, exatamente, é, é, a Grácia.
01:25Papai deixou de ser marceneiro e tudo que foi pra feira, feira livre, né?
01:32Montamos uma barraca de macarrão.
01:34É um trabalho pesado a feira, porque cada dia você vai pra um bairro, né?
01:38E você sai muito cedo, três e meia da manhã.
01:42E ainda era São Paulo da Garoa, então era muito frio.
01:46Às vezes eu tava chegando de alguma balada com a idade e tudo,
01:50e o papai já tava sentado no degrau da frente me esperando,
01:53porque o motorista às vezes não vinha.
01:56E eu com 14 anos já dirigi o caminhão, já sabia dirigir o caminhão.
02:00E como não podia perder a feira, porque é a férias do dia, né?
02:04E então eu levava o caminhão e depois deitava ali pra dar uma dormidinha
02:10quando a barraca já tava montada.
02:13Foi um tempo muito bom esse também de...
02:17Foi tão bom que depois eu abri, junto à barraca de macarrão,
02:22abri uma barquinha de queijo pro Lago do Pai Sandu,
02:27Avenida São João com Avenida São Luís.
02:29E ali era assim o Cine Marabá, o Cine Ipiranga,
02:33que exibia muito cinema nacional.
02:35E eu ficava meio que sonhando um pouco com aquilo,
02:38meio que tomado por aquilo, não sabia...
02:41Queria fazer, um dia eu falei pra minha irmã,
02:43poxa, deve ser interessante, né?
02:46Já pensou se vê meu nome aí nessa...
02:48Nessa fachada iluminada aí?
02:52Passam tantos filmes aí da Vera Cruz,
02:55eu preciso dar uma espiada.
02:57Eu falei, fui pra São Bernardo e cheguei lá na portaria
02:59e falei, eu queria conhecer.
03:03Eu falei, não, não, aqui não é assim.
03:04Aqui só entra quem trabalha aqui.
03:07Mas o que você quer?
03:08Não, eu queria conhecer, porque eu pretendo ser...
03:10Atuar, trabalhar.
03:13Eu falei, não, você tem que procurar agência de figurantes.
03:15Aí eu fui procurar em jornal e tudo,
03:19me inscrevi numa agência de figurantes.
03:21E aí tinha umas convocações, ficava todo mundo esperando,
03:24aqueles homens, rapaz.
03:25Acho que até hoje é meio assim.
03:27Ficava lá esperando, aí demorava, demorava,
03:29aparecia alguém assim, aparecia alguém pra...
03:32Aí, olhava, escolhia um, nunca fui escolhido.
03:37Acabei desistindo.
03:38E continuei perambulando um pouco pela cidade e tal.
03:43Olha o que é o destino.
03:44Aí um dia, passando por uma rua lá,
03:47eu vejo um teatro da prefeitura,
03:49exames públicos da Escola de Arte Dramática de São Paulo.
03:55Entrada franca.
03:56Fiquei animado, né?
03:59Eu falei, poxa, tudo isso ainda não precisa pagar.
04:02Eu entrei, eu fiquei fascinado com aquilo,
04:05porque já estavam acontecendo as coisas,
04:07entrei quietinho, que nem entrei aqui.
04:10E num dos intervalos, no saguão,
04:14eu fui perguntar, tinha os livretos assim,
04:18relatório do ano letivo, né?
04:19E aí tinha os nomes, tinha as matérias.
04:22Falei, como é que eu faço aqui?
04:23Você tem que procurar a escola na Rua Maranhão,
04:26o casarão lá e tal.
04:28Aí fui procurar, disse,
04:29você tem que arranjar uma peça pra fazer o exame,
04:31você tem que escolher o trecho.
04:33Falei, mas o que é peça?
04:34Onde é que eu encontro peças?
04:36Falei, não, na Livraria Teixeira,
04:38tem uns gavetões.
04:39E aí eu fui na Livraria Teixeira
04:43e procurando, aí dei de cara com o livreto assim,
04:46A Honra Ultrajada.
04:50Eu adorei, adorei.
04:53E aí peguei, copiei uma parte daquilo,
04:57eu fiz um trechinho da peça mais dramática,
04:59não me lembro o que era.
05:00E aí alguém da escola lia comigo lá e tava.
05:05E tinha uma banca examinadora.
05:06Você vai fazer Lázaro ressuscitando.
05:12A família católica, igreja, tudo.
05:15Falei, Lázaro era um lazarento, né?
05:18Tinha aquelas coisas todas e estava condenado e tal.
05:23E Jesus tocava ele e ele ficava bom.
05:25Aí eu peguei, pensei nisso, só assim, não deu muito tempo.
05:30Aí me chamaram, eu entrei, tinha um sofá velho assim no palco.
05:34Aí eu deitei no sofá, Lázaro.
05:38Fiquei quieto, Lázaro.
05:39Aí fui.
05:43Aí comecei a ver Jesus, né?
05:44Jesus, Jesus, me cure.
05:51Caí de joelhos.
05:52Jesus, obrigado, obrigado, meu Deus.
05:57Aprovado.
05:58Porque ali era uma coisa eliminatória,
06:00começavam uns 40 alunos no primeiro ano,
06:04no final sobravam 8, 7, né?
06:06Porque era toda noite.
06:10E a gente trabalhava, eu trabalhava na feira,
06:13depois eu arranjei um emprego,
06:16eu vendia filtros de óleo da Fran.
06:18Eu cheguei até a deixar a escola.
06:22Mas aí passaram-se uns dois ou três dias.
06:25E, se não me engano, a Fernanda que diz isso.
06:28Se você quer ser ator, né?
06:31É melhor que não seja.
06:33Desde que seja,
06:34comece a faltar o ar para isso, para você.
06:36Começa a ser muito, você começa a não dormir,
06:39começa a ir, você então corre atrás.
06:42E foi o que eu senti.
06:44E eu falei para o papai, para a mamãe,
06:45eu pedi a dispensa lá,
06:49porque eu tenho que pensar no meu futuro.
06:53Vocês vão envelhecer e talvez eu precise...
06:56Mas eu estou me sentindo assim,
06:59eu não estou dormindo,
06:59eu estou sentindo um vazio muito grande
07:02por ter deixado a escola.
07:04Aí o papai falou,
07:05então você volta,
07:05como é o nome do cara?
07:06Foi doutor Alfredo.
07:08Você fala então com o doutor Alfredo
07:09que você se arrependeu.
07:11Eu falei, não,
07:11mas eu tenho vergonha de fazer.
07:13Ele falou assim, não,
07:14é bom, é melhor você ficar uma vez amarelo
07:16do que cem vezes vermelho.
07:18Então, e assim eu fiz.
07:20Cheguei, eu estava descendo a escola.
07:22Doutor Alfredo, eu pedi desculpas,
07:24eu queria voltar, não sei se...
07:25Vai, vai para a aula da Chinita Uma.
07:31Depois eu vim para o Rio,
07:32porque o TBC tinha também um elenco
07:34que vinha para o Rio,
07:36lá no ginástico.
07:38E aí era muito difícil.
07:40Eu namorava a Carminha Brandão.
07:43A Carminha foi assim,
07:45ela me deu de comer.
07:46Ela, a gente se gostava,
07:49ela me amava muito
07:51e nós nunca moramos juntos,
07:53mas namoramos e...
07:55E foi uma ajuda incrível.
07:58A Morta Sem Espelho,
08:00do Nelson Rodrigues.
08:02Foi a primeira novela,
08:03o Nelson Rodrigues,
08:04e já era a direção do César Brito,
08:07que acho que a Fernanda Montenegro,
08:09claro, estava no elenco.
08:10Eu acho que a novela foi proibida
08:11no horário que ela estava
08:13e jogaram para as 11 horas,
08:14uma coisa assim.
08:16O Nelson, com aquele temperamento,
08:17ele ficou uma fera, né?
08:19O Roberto Freire,
08:21que escreveu Cléo e Daniel,
08:23ele era médico e psicólogo
08:24na escola em alguns momentos.
08:26E eu era meio gordote, né?
08:28E ele falou assim,
08:29olha, você pode ser um galã,
08:31pode ser um ator,
08:32mas você tem que emagrecer.
08:33Tem que...
08:35E aí, como é que eu faço?
08:36Aí ele deu umas indicações e tudo
08:38e eu consegui melhorar bem assim, né?
08:42E aí já na Excelsior, na Record,
08:46já tinha virado assim
08:48o biotipo do galã.
08:51Tinha feito três novelas na Record
08:54e de muito sucesso.
08:59Uma delas chamava Banzo,
09:02que é uma coisa da doença dos escravos,
09:05aquela coisa espiritual.
09:07Fiz uma outra chamada Renúncia,
09:11que era a Irina Greco,
09:13Felipe Caroni, Francisco Negrão.
09:16O que é que o senhor deseja de mim, major?
09:20Lúcio, eu não venho lhe fazer perguntas.
09:24Venho lhe dar um conselho.
09:27Tome cuidado, Lúcio.
09:29Não confie em ninguém
09:30e repita sempre a mesma história.
09:34Doutor Fernando, de Redenção,
09:38596 capítulos, eu creio,
09:41mais ou menos dois anos de alguma coisa.
09:44e aquelas coisas assim que teve uma coragem,
09:54um investimento da TV Excelsior,
09:56de fazer a primeira cidade cenográfica
09:59com a igreja lá,
10:00em São Bernardo do Campo,
10:03a igreja, as casas, a vendinha, o bar,
10:06as vizinhas aqui,
10:08a casinha de pão, de queijo.
10:10Era uma rua mesmo,
10:12configuração andando,
10:14aquela igreja lá,
10:16o pessoal indo à missa,
10:17sinos tocando,
10:19dobrando.
10:20O doutor Fernando está aí dentro.
10:22Fale com ele.
10:22A redenção
10:23me transformou num ídolo, né?
10:28O senhor não disse que mandaria a Diana
10:30vem em casa todos os dias
10:31para cuidar de meu pai,
10:32até que a gente encontrasse uma pessoa
10:33para fazer isso?
10:34Sim, Eduardo,
10:35acontece que hoje é o dia
10:36de atendermos os clientes mais humildes
10:37de redenção,
10:38e a Diana não vai poder,
10:39eu sinto muito.
10:40Aí eu fui fazer
10:41a primeira novela do Dias Gomes,
10:44que já era uma pessoa
10:45de teatro,
10:48com uma coisa politizada,
10:51contundente, interessante,
10:53fundamentada,
10:54porque ele discutia ideias também,
10:58não só sentimentos,
10:59discutia ideias,
11:00discutia o social,
11:02assim na terra como no céu.
11:04Foi lindo,
11:05aí eu trabalhei com a Renata Sorrar,
11:07com a Wanda Lacerda,
11:09Paulo Padilha.
11:11E aí,
11:13em 1973,
11:16com Selva de Pedra,
11:17outra vez uma explosão,
11:19assim,
11:19de um personagem
11:21idolatrado, né?
11:23Cristiano Bilhena
11:27também foi
11:28primo e irmão
11:29do Dr. Fernando,
11:31porque
11:31era um
11:35casal,
11:37a Regina,
11:39e tudo que estava
11:40em volta,
11:41Dina Sfad,
11:42100% de audiência,
11:48incrível.
11:53Simone,
12:01sou eu,
12:01Cris?
12:02O que é isso?
12:03Rapaz,
12:03você está ficando louco,
12:04ou você bebeu demais?
12:05O que é isso?
12:05Não,
12:05eu não bebi demais,
12:06não.
12:07Essa é Simone,
12:08minha mulher,
12:08eu tenho certeza.
12:09Mas corta essa,
12:10Cris,
12:10o que é isso?
12:11Você não está passando bem,
12:11rapaz?
12:12Simone,
12:13diga que é você mesma.
12:14Várias pessoas já me confundiram com Simone,
12:16ela era minha irmã.
12:17Desculpa,
12:18eu nunca ouvi dizer que Simone
12:19tivesse uma irmã.
12:20Mas tinha tanto,
12:21tinha que eu estou aqui.
12:21a Janete Clare,
12:26a Janete,
12:29era um templo do amor mesmo,
12:33sabe?
12:34O templo do amor,
12:35uma pessoa que,
12:36ela jogava amor,
12:39e recebia muito amor,
12:40né?
12:41E tinha esse dom,
12:44de falar com a maioria,
12:46com o povo,
12:46né?
12:47Sabia por onde,
12:49sem ser piega,
12:50sem ser,
12:50sabe?
12:51Uma dramaturgia aos pedaços e tudo,
12:56era tão,
12:57era tão certeiro,
12:58tão instintivo,
12:59porque me vem na televisão
13:01e alguém fala assim,
13:02ah,
13:03a mamãe conheceu,
13:04a vovó conheceu,
13:06esse é o Francisco,
13:07é o Coco,
13:08é o Coco.
13:09é muito gostoso,
13:12é muito bom e isso não me causa nenhum aborrecimento,
13:19pelo contrário,
13:19né?
13:20Eu fico,
13:21fico contente e procuro lidar com isso com a maior simplicidade também de,
13:28quando as pessoas falam isso ou não falam nada,
13:35eu sempre trato bem,
13:37porque eu acho que isso nunca é demais entre os povos,
13:43entre as relações onde você mora ou no mercado que você vai,
13:48a compra que você acabou de fazer,
13:50a menina botou na sacola,
13:52você diz muito obrigado,
13:53bom trabalho para você,
13:55quando eu desço do táxi também,
13:56olha,
13:56bom trabalho para o senhor,
13:57então,
13:58eu acho que é da minha natureza.
14:00o Carlão veio casualmente assim,
14:13não sei o que,
14:14acho que ela tinha talvez algum rascunho assim,
14:17mas nem,
14:18não tinha saído,
14:19né,
14:20das primeiras páginas,
14:21porque nós íamos fazer o Rock Santeiro,
14:26Rock Santeiro que foi,
14:28depois de 20 e poucos capítulos,
14:29de repente a censura não vai para o ar,
14:32a Globo ficou desesperada e com a mão do Boni,
14:36a mão do Daniel,
14:37a mão da Janete,
14:38de todo mundo,
14:40surgiu o Carlão,
14:41a Bete Faria,
14:42o Francisco e o subúrbio carioca,
14:47aquele motorista de táxi que de repente se dá conta
14:53que tem uma mala com dinheiro,
14:55que ele não sabe de onde veio,
14:57teve um posto de gasolina que explode,
14:59e lá estava o portador do dinheiro,
15:02o dono do dinheiro e aquela dúvida assim,
15:08como é que devolve o dinheiro,
15:09não devolve o dinheiro,
15:11tanto dinheiro,
15:12dinheiro voando,
15:13eu soube de uma história que o Daniel
15:16se comunicou com a Janete e falou,
15:18nós temos a oportunidade na mão de transformá-lo num ícone,
15:26num herói com a morte dele,
15:29e acho que ele conseguiu convencê-la,
15:32e ele foi para a rua para procurar uma locação para a morte do Carlão,
15:36que foi nas obras do metrô,
15:40ali na cidade,
15:41aquele buraco grande ali com os ferros e tudo,
15:45e lá que foi filmado isso tudo,
15:49e é uma cena que se repete,
15:53tudo, eu fico olhando,
15:55é,
15:55exatamente,
15:57ele correndo,
15:59aqueles bandidos atrás dele,
16:01não querendo que ele devolvesse o dinheiro,
16:03exatamente,
16:04é,
16:05é,
16:06idiota,
16:09tem que ser preciso só,
16:12como é que importa aqui?
16:33Dinheiro na mão é Vendaval,
16:41é Vendaval,
16:43na vida de um sonhador,
16:47de um sonhador.
16:49O astro que era,
16:52ele tinha algumas adivinhações,
16:55e vamos gravar numa churrascaria,
16:59ele estava paramentado,
17:01mas o Daniel falou,
17:02falta alguma coisa,
17:02falta um turbante nessa cabeça,
17:06não tinha,
17:06ninguém tinha turbante,
17:07ele pegou a calça de um figurante,
17:09e rasgou,
17:10mandou improvisar,
17:11cruzaram o turbante na cabeça,
17:14aquele turbante ficou um símbolo,
17:15até hoje,
17:16quando o Rodrigo Lombardi fez,
17:19a dificuldade era repetir aquele turbante,
17:22e,
17:25nossa,
17:27foi lindo o astro também.
17:29Eu creio que todos me conhecem,
17:31para os senhores que não me conhecem,
17:34eu quero me apresentar,
17:35sou o professor Herculano Quintarilha,
17:39muito obrigado,
17:41muito obrigado,
17:41é isso mesmo,
17:43Quintarilha,
17:45por favor,
17:46aqui para o cavaleiro,
17:47para a senhora.
17:47Ah,
17:49o outro,
17:50fazer dois personagens,
17:52o Paulo de la Santa e o Denizar,
17:56você vê que desafio,
17:58é bom esses desafios,
18:01aí,
18:04nas reuniões,
18:06primeira reuniões,
18:07você,
18:08ao Denizar,
18:09vai ter um chapéu,
18:10uma aba,
18:11porque o Paulo de la Santa,
18:13começa a ver uma pessoa parecida com ele,
18:15o que é isso,
18:16nós estávamos conversando,
18:18o que é isso,
18:19é um sósia,
18:20é uma,
18:21é um duplo,
18:23né,
18:24a Belmira me disse,
18:25que a Glorinha foi embora com o pai,
18:28adorei fazer,
18:28deu muito trabalho,
18:29mas adorei,
18:30você,
18:31é o melhor filho,
18:33que um homem,
18:34desejaria ter,
18:37engraçado,
18:39porque,
18:41o Denizar,
18:42já me disse,
18:43isso uma vez,
18:46poxa,
18:53Deus nos acuda do Silvio de Abreu,
18:56com a Marieta Severo,
18:58aquele cara que era bem vestido,
19:00rico,
19:01cenário lindo,
19:03cheio de livros,
19:05quadros,
19:06bonitos,
19:07tinha um clima,
19:10parecia um,
19:10um viúvo meio perigoso,
19:12que teria,
19:13matado mulheres,
19:15que casaram com ele,
19:16como foi que você descobriu,
19:18que eu tinha vindo para cá,
19:20você é a sede da organização,
19:22é aqui,
19:23se você,
19:24pretende ser,
19:25um leão,
19:27é evidente,
19:27que você só podia vir para cá,
19:29Passione,
19:30e era um casal muito engraçado,
19:32porque,
19:33eles eram apaixonados,
19:35e tinham,
19:37enfim,
19:37os acontecimentos,
19:38as suspeitas,
19:39os ciúmes,
19:41e,
19:41é,
19:43uma novela,
19:44grandiosa,
19:46assim,
19:46né?
19:46Você fez tanta aula de tango,
19:49e nunca mais nós temos para dançar,
19:51né?
19:52É verdade,
19:53acabei ficando muito triste,
19:55bem que eu precisava me distrair,
19:59ficar um pouco alegre.
20:01Dá um beijo.
20:02bug-hug,
20:07né?
20:07Que são os anos 70,
20:09então,
20:10toda a história das músicas,
20:13da roupa,
20:14né?
20:14Da bebida,
20:15do que,
20:16né?
20:16E o,
20:17eu achei muito interessante,
20:19uma coisa que o,
20:21o Ricardo Watson assumiu para ele,
20:23assim,
20:24na coletiva,
20:25ele falou assim,
20:26não,
20:26não vai ter na novela,
20:27na época tinha muito cigarro e bebida,
20:30mas como é uma novela das 18 horas,
20:33eu tirei cigarro e bebida,
20:35isso é uma postura minha,
20:37que eu assumi,
20:38porque não é bom,
20:39às 18 horas,
20:40que isso esteja na televisão.
20:44Olha,
20:44eu adorei essa,
20:46essa atitude,
20:47assim,
20:47o autor tem concordado com isso.
20:50Dizem que os homens mais velhos,
20:52gostam das meninas mais jovens,
20:54né?
20:54É a pura verdade,
20:56né?
20:56Você está uma gata,
20:57você é um galanteador,
21:00seu pai é um galanteador,
21:02muito obrigada,
21:03Vicente.
21:03Podemos começar com os nossos trabalhos,
21:05amor?
21:05Claro,
21:06sim,
21:07mas só um momentinho,
21:08ginástica,
21:09só duas pessoas não tem a menor graça.
21:12Mas está vindo mais gente?
21:13Não foi o combinado.
21:15Pai?
21:16O senhor do Ilho,
21:17que era meu tio,
21:18irmão do papai,
21:19mandou avisar que o senhor Leopoldo
21:20não está passando muito bem.
21:22Aí,
21:23vamos puxar um táxi aí,
21:25então,
21:25e aí estava uma tia junto,
21:28eu fui com a mamãe botar uma roupinha e tal,
21:30estava de pijama,
21:31descemos,
21:32e eles já tinham revelado para a minha tia
21:34que alguma coisa tinha acontecido muito grave.
21:37Entramos no táxi,
21:38e a caminho de lá,
21:40a minha tia ficou,
21:43a mamãe percebeu alguma coisa,
21:46e aí uma hora falou assim,
21:48o carro está fazendo uma curva,
21:51ou é a minha cabeça,
21:52tal,
21:52tal.
21:52O carro estava fazendo uma curva realmente,
21:55mas ao mesmo tempo ela estava tendo um AVC,
21:58um derrame.
21:59E aí eu parei na porta de um médico,
22:04subi,
22:04pedi socorrer,
22:06desceu com o aparelho de pressão,
22:08mandou ir para um pronto-socorro de Tucuruvi,
22:11aí eu fui para a oficina,
22:13para socorrer lá o papai,
22:15e quando eu cheguei lá,
22:16tinha,
22:16marcenaria tem aquelas tábuas e tudo,
22:19que acabam virando móveis,
22:21e aí o corpo do papai já estava sobre essas madeiras,
22:25e com as velas acesas,
22:27e tinha gente em volta ali na portinha lá de Jaçanã,
22:33aí me contaram que quando ele foi fazer uma entrega,
22:36ele saiu da oficina,
22:37e para abrir o caminhãozinho assim,
22:41teve um infarte fulminante,
22:42e a mamãe ficou internada sete meses,
22:46e nunca ela acordou,
22:48nunca acordou,
22:49ela entrou num estado vegetativo,
22:51que hoje em dia eu entendo melhor,
22:52mas na ocasião eu não entendia,
22:55aí eu montei um hospital em casa,
22:57uma salinha lá,
22:58eu levei balão de oxigênio,
23:00e tudo,
23:00e assim a gente viveu,
23:02quase 12 anos,
23:05a mamãe dormindo,
23:06acabei perdendo o papai e a mamãe,
23:08praticamente no mesmo dia,
23:10na vida a gente tem,
23:11tem perdas e tem ganhos,
23:14isso é,
23:16eu acho que acontece com todo mundo,
23:18essa,
23:19essa,
23:20essa matemática,
23:22vamos dizer,
23:23tem a minha irmã ainda,
23:25lá em São Paulo,
23:26a gente se ama,
23:27a gente se dá muito bem,
23:28a Graça é minha maior fã,
23:30assim,
23:30enquanto eu acordar,
23:33e,
23:33né,
23:34tiver,
23:34enfim,
23:35cabeça,
23:36tiver,
23:37eu estarei trabalhando,
23:38estarei correndo atrás das coisas,
23:40porque é vital para mim,
23:42é importantíssimo,
23:43é como respirar,
23:46é como respirar,
23:47é que eu,
23:48eu continuo fazendo aula de,
23:49de voz,
23:51um pouco de canto,
23:52eu continuo fazendo academia,
23:55eu continuo tentando aprender teclado,
23:58e assim eu vou,
23:58eu vou tocando,
23:59e gosto das aulas,
24:02eu gosto de aprender,
24:04e também leio,
24:06sempre que eu posso,
24:07estou lendo coisas,
24:09e eu gostaria de ver todo mundo bem,
24:11sabe,
24:11o mínimo que eu posso fazer,
24:13é isso,
24:13é ajudar onde eu posso,
24:15eu,
24:16eu,
24:17nem,
24:18nem convém mencionar aqui,
24:19mas,
24:20eu,
24:20eu felizmente,
24:21eu tenho,
24:22várias responsabilidades,
24:24de várias pessoas,
24:26que são quase família,
24:28né,
24:28assim,
24:30então tem,
24:31pelo menos,
24:31cinco departamentos assim,
24:34e outros anônimos,
24:35que eu tento ajudar,
24:37de todas as maneiras,
24:38não só de uma maneira material,
24:40mas de uma maneira,
24:41de coração mesmo,
24:43de amá-los,
24:45de prestar atenção neles,
24:47e isso não é,
24:48é da minha natureza,
24:50da minha natureza,
24:50eu agradeço,
24:51ter sido feito dessa,
24:53dessa forma,
24:54dessa matéria,
24:55porque é a única maneira,
24:56que eu tenho de ser,
24:58eu só sei lidar dessa maneira,
25:01e é uma maneira de,
25:02também,
25:03é o mínimo que eu posso fazer,
25:04para retribuir,
25:05tanto amor,
25:05que vem de lá para cá,
25:07então,
25:08eu tenho,
25:09eu tenho a consciência,
25:11que eu,
25:11eu tenho que devolver isso,
25:13e é muito bom,
25:15tem sido muito bom,
25:15porque bate e volta,
25:17bate de lá para cá,
25:18e volta para eles também,
25:19sou,
25:20sou feliz,
25:21muito feliz,
25:22graças a Deus,
25:24felizmente,
25:25sou uma pessoa feliz,
25:26graças a Deus,
25:27ser da toa,
25:32é,
25:33tanta coisa,
25:36é,
25:37aprender uma coisa,
25:39básica,
25:39gostar do,
25:41do semelhante,
25:43gostar de,
25:45é,
25:45seguir a tua natureza,
25:48em relação a,
25:50acertos,
25:51em relação a,
25:52a,
25:52a,
25:52a falhas,
25:54a erros,
25:54é,
25:56é,
25:56poder fazer uma,
25:58é,
25:59devolver,
26:00as coisas que estão,
26:01na literatura,
26:03estão na dramaturgia,
26:05estão sob a forma de letras,
26:07você transformar isso em vidas,
26:10transformar isso em espírito,
26:12que pode ser no palco,
26:13na televisão,
26:14no cinema,
26:15e você acrescentar,
26:17para as pessoas que estão assistindo,
26:19você levar,
26:20levar conhecimento,
26:21você levar educação,
26:23você levar amor,
26:24você levar carinho,
26:25você mostrar o que que é o ódio,
26:27o que que é uma alma,
26:28mastigada,
26:30sabe,
26:30corroída,
26:32isso é bonito,
26:32ser ator,
26:33é tanta coisa,
26:34que não dá para enumerar tudo,
26:36só isso,
26:37é amar.
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