00:00Fábrica de afetos, isso não é um jogo.
00:09Esse é o nome de uma empresa que desenvolve jogos e ferramentas voltadas à construção de vínculos entre pessoas
00:15com foco em conversas presenciais e experiências fora das telas.
00:20Para entender esse projeto, a gente conversa agora com a Alice Milbrats, que é criadora e CEO da marca.
00:25Bom dia para você, Alice. Seja bem-vinda ao Real Time.
00:28Muito bom dia, muito obrigada.
00:31E já que a gente está falando disso, que bom que você está aqui presencialmente, né?
00:35Sim, já que a gente está falando de olho no olho, eu fiz questão de estar aqui olho no olho.
00:40Isso mesmo. Alice, conta para a gente como é que surgiu a ideia de criar a Fábrica de Afetos.
00:45Bom, veio muito de uma inquietação minha, incomodada com a forma como hoje a gente está ficando cada dia mais superficial.
00:58nas nossas relações, pisando muito em ovos para a gente ser, para a gente falar, para a gente expor nossas histórias.
01:06Então, hoje tudo é tão rápido que isso começou a comer partes muito importantes da nossa vida.
01:15E isso faz com que a gente perca os nossos vínculos profundos mesmo.
01:19Então, assim, veio muito de uma inquietação e de uma vontade minha de a gente não perder o poder que as conexões têm na nossa vida.
01:27E aí, que tipo de estratégia vocês desenvolveram? Que tipo de ferramentas? Como é que vocês foram para a ação?
01:33E aí eu pensei, como que a gente pode materializar essa vontade de trazer as conexões de volta,
01:39tanto para a família, tanto para os amigos, quanto para os relacionamentos amorosos, quanto para o mercado de trabalho.
01:44E aí a gente criou as ferramentas de conexão, que são mais do que jogos, através de perguntas muito estudadas,
01:52onde a gente faz muita pesquisa por trás, a gente traz um jogo para cada objetivo que a gente tem.
01:58Então, se a gente quer conectar mais os amigos e a família, a gente tem o Essinão Jogo, que foi o primeiro de todos que nasceu.
02:04Fala um pouco mais desse, vai. Como é que você conecta família e amigos aí?
02:07Como é que você faz a pessoa sair de frente do celular, pelo amor de Deus?
02:12A gente primeiro começa, a partir da caixa, a gente tem uma regra muito importante que diz,
02:18é proibido o uso do celular.
02:20Então, a partir do momento em que você está com o jogo na sua mão, você deixa o celular do outro lado.
02:27E aí você tem que se ouvir, ser interessado e ser interessante.
02:33Através das perguntas certas, você vai conhecendo e podendo trabalhar todas as questões que, às vezes,
02:40vocês nunca pararam para você poder conversar, perguntar, saber sobre quem está do seu lado.
02:46É um jogo de perguntas e respostas, então, é isso?
02:48Exato.
02:49Lê uma para a gente aí, vai.
02:50Até agora, qual tem sido a melhor lembrança do seu ano?
02:55O que que você...
02:58Qual foi a sua melhor lembrança de quando você era criança?
03:01É possível você adaptar isso hoje para a sua vida também?
03:04Então, assim, a gente tem muitos relatos de, por exemplo, famílias que jogam e conseguem,
03:11através das perguntas, chegarem num espaço de perdão que antes eles não falavam, era velado.
03:17Então, conseguiram perdoar, conseguiram estar mais juntos de verdade, não só conviver, mas estar juntos, sabe?
03:24Achei interessante, já quero comprar uma caixinha dessa para mim.
03:27Mas me fala uma coisa, esse não é um jogo assim no sentido de competição, né?
03:31É uma dinâmica, é isso?
03:32Exato.
03:33A gente começou com essa dinâmica, mas a gente também está trazendo,
03:37nós somos a primeira empresa no Brasil a trazer esse mercado para cá.
03:43E aí, quando a gente começou, era muito voltado para apenas a dinâmica.
03:47Mas agora a gente já está trazendo mais jogabilidade, até competição mesmo.
03:53Então, por exemplo, nesse aqui, para estimular com que as pessoas falem mais e não economizem nada no que sentem,
03:59a dinâmica é, quando você responde a pergunta mais intensa da rodada,
04:06quem tem a resposta mais intensa ganha a carta.
04:08No final, quando vocês quiserem parar de jogar, porque o jogo não tem fim,
04:12aí a pessoa, vocês veem quem tem mais cartas na mão, que é o mais intenso.
04:16Essa pessoa pode escolher coisas para que as outras façam, como se fosse uma prenda, sabe?
04:20Sim, e também dá para você delimitar, por exemplo, vão ser 10 rodadas, quem tiver mais cartas ganha.
04:26Sim.
04:27Agora, eu queria saber como é que essa técnica pode ser adaptada, por exemplo, para o mundo corporativo.
04:32Porque, às vezes, a gente trabalha ao lado de pessoas por anos ali,
04:36e a gente sabe muito pouco dessa pessoa, né?
04:38A gente, em muitos momentos, se torna quase um robozinho ali, fazendo o que a gente tem que fazer, né?
04:43E acaba não se conectando muito bem com a equipe.
04:45Graças a Deus, não é o caso aqui, porque a nossa equipe aqui é muito unida,
04:48a gente conhece muito um do outro, mas tem empresas que as pessoas mal se falam, né?
04:53Exato.
04:54Você trouxe um ponto perfeito, assim, que é muito para onde a gente também está caminhando,
04:58que é o mercado B2B.
04:59Então, hoje a gente vende muito para o consumidor final, né?
05:02Que é o B2C.
05:03E a gente, agora, entendeu a necessidade extrema das pessoas
05:07de conseguirem, no mercado de trabalho, de onde elas passam mais tempo na vida delas,
05:13você passa mais tempo com essas pessoas que estão aqui do seu lado,
05:16do que com a sua família.
05:17Então, ali precisa ser um ambiente muito empático e como que a gente cria essa empatia, né?
05:24Então, a gente, por exemplo, agora a gente vai lançar um jogo que ele vai ser,
05:28são três fases, ele é como se fosse um RH na sua mão, assim,
05:32porque vão, o objetivo dele, a gente está fazendo em parceria com a Solids,
05:36que é uma das maiores RH tech, empresas de RH tech do Brasil,
05:40para poder trazer isso dentro das empresas.
05:44Então, você conhecer a história de quem trabalha do seu lado faz com que você tenha mais empatia
05:50e saiba por que a pessoa está agindo, como ela está agindo.
05:54E aí, isso constrói muito mais vínculos, fortalece mais vínculos
05:58e faz com que as pessoas também tenham muito mais vontade de estar ali.
06:01Porque, hoje em dia, se você parar para perguntar para as pessoas,
06:04elas estão onde elas estão porque elas buscam propósito ali.
06:07E o propósito tem muito a ver com as pessoas que estão do seu lado, né?
06:12Exatamente.
06:12O Rodrigo Loureiro, chega aqui um pouquinho.
06:14Vamos fazer um teste aqui, então, com essa dinâmica aí.
06:18Eu queria que você, Alice, tirasse uma carta, então,
06:21e fizesse uma pergunta para o Rodrigo Loureiro aqui.
06:24As frias que ele me coloca.
06:27Muito bom.
06:28Vamos lá.
06:29Você quer escolher uma cor?
06:30Tem roxo, laranja, vermelho.
06:32A gente tem esse dado aqui.
06:33Eu vou jogar o dado, então, hein?
06:35Pode ser roxo para combinar com a gravata do Marcelo.
06:37Então, tá bom.
06:40Nossa, essa é muito boa.
06:42O que você precisava ter ouvido quando era criança e ninguém te falou?
06:47Profundo, hein?
06:48Olha só, eu precisava ter ouvido para ser menos teimoso.
06:53Acho que é uma boa definição.
06:55Mas a sua teimosia está te levando longe, Rodrigo.
06:57Pensa nisso também.
06:57Tem o ponto positivo da teimosia,
07:00mas, às vezes, quando você bate o pé em algo errado, não é legal.
07:03É verdade.
07:03Vai, só para não dizer que eu não fui legal com você,
07:07eu vou deixar ela fazer uma pergunta para mim também.
07:08Ah, tá bom.
07:09Pode ser que cores que tem aí, Alice?
07:12Ó, tem azul, vermelho, roxo e laranja.
07:15Pode ser azul, vai.
07:17Azul é o nível mais fácil, hein?
07:19É, opa, que bom.
07:21Brincadeira isso.
07:22Um valor que é muito importante para mim é...
07:26Aí você tem que completar.
07:27Tá.
07:28Um valor que é muito importante para mim é honestidade.
07:31Acho que isso diz tudo, né?
07:33Honestidade nas relações,
07:35honestidade nos negócios,
07:37honestidade é um conceito que pode ser aplicado para tudo, né, Alice?
07:41Para tudo.
07:41E é, assim, regra básica aqui para a gente também.
07:46Exatamente.
07:46Agora, como é que foi para você lançar esse produto no meio da pandemia?
07:49Eu acho que foi o momento ideal, porque a gente tinha muito tempo, né?
07:54É, é verdade.
07:55Então, eu consegui focar muito e eu acredito que foi a época também onde as pessoas mais precisavam disso.
08:05Só que, se a gente parar para pensar, a gente aprendeu a ficar tanto em casa que hoje a gente precisa de muitos estímulos, esforço,
08:14a gente tem que se forçar a sair de casa e aí eu estou percebendo que, na verdade,
08:20parecia que na pandemia era a época mais importante para poder trazer à tona, né, as ferramentas de conexão,
08:25mas eu estou sentindo que agora, após pandemia, é muito mais importante,
08:29porque a gente está, a gente se acostumou, a gente se acostumou a ficar em casa.
08:32Hoje a gente precisa realmente, tipo, se esforçar para ir para a rua,
08:36que é onde, de fato, a gente vai conseguir se conectar, aprender a ser, aprender regras, aprender a debater.
08:43É na rua, é com as pessoas, né?
08:45Então, eu estou vendo agora como mais importante ainda.
08:48E o que você está vendo para a sua empresa nos próximos anos?
08:51Aonde você quer chegar, Alice?
08:53Ai, nossa, essa pergunta me instiga muito, porque a gente tem muitos planos, assim.
09:00Nós nos chamamos de fábrica de afetos porque é um guarda-chuva, né?
09:04Então, isso não é um jogo, é uma parte, a gente, como fomos a primeira empresa a começar com isso aqui no Brasil,
09:11hoje a gente também vai fazer três anos de empresa, a gente viu que começou a crescer os concorrentes.
09:17Então, a gente tem que cada vez mais estar se diferenciando.
09:20E agora, né, nos próximos anos, a gente quer trazer muitas experiências físicas.
09:25Então, muitos eventos, a gente está, por exemplo, com a nossa primeira pop-up agora em São Paulo, na Paulista,
09:31porque essa época do dia dos namorados é muito importante para a gente, né?
09:35Porque as pessoas querem, os relacionamentos, eles, a qualidade deles dita a qualidade da nossa felicidade, da nossa vida, né?
09:43Então, como a gente trabalha muito com relacionamento, é a época principal para a gente.
09:47Então, a gente está mirando muito nessa parte física, assim, de trazer experiências, eventos,
09:52e ser a empresa que, de fato, conecta pessoas interessantes e interessadas, né?
09:58E do ponto de vista financeiro, como é que foi colocar a empresa de pé?
10:01Vocês tiveram investimento externo, vocês fizeram rodada de investimento
10:04e hoje o negócio está indo do jeito que você queria, nesse ponto de vista?
10:07Nossa, está indo muito mais do que um dia eu podia imaginar, assim.
10:10Eu lembro que eu até brincava, que lá em casa, a minha mãe, ela sempre falou
10:14Ai, Alice, tem muita mega ideia.
10:16E meu pai mais pegava e colocava eu no chão, assim.
10:18E quando eu falei que eu queria criar uma empresa de jogos, de conexão,
10:23todo mundo falou, tipo assim, você está maluca? Vai dar tudo errado.
10:25Não vai dar em nada, tipo, melhor você seguir o caminho, né, normal, assim.
10:30E meu pai falou, não, pode ir, vai.
10:32Ele falou isso sabendo que eu podia errar, tipo assim, não, deixa ela quebrar a cara para ela aprender, sabe?
10:36Mas foi muito bom, porque isso também me deu um, um, esse senso de, tipo,
10:41eu preciso provar para ele que ele está errado.
10:43E foi maravilhoso, tipo, hoje ele é o maior fã, deve estar aí assistindo.
10:47Ele e minha mãe, assim, são os meus maiores incentivadores.
10:49Eu acho que essa é a moeda mais importante que eu tive.
10:52Uma moeda que, tipo, não tem, não é um valor monetário.
10:56Mas se eu não tivesse essa base me incentivando, a gente não teria chegado onde a gente chegou.
11:02Então, eles estão do meu lado como incentivo.
11:04E eu comecei sem investimento externo, com o que eu tinha juntado de estágios meus.
11:12E eu acho que, assim, a gente não esperava que fosse ser algo tão, fosse tomar tanta proporção, assim.
11:21E eu sempre coloco a gente, no caso, eu comecei a empresa e eu toco ela sozinha hoje.
11:26Sou a única pessoa por trás.
11:28Mas a gente não faz nada sozinha.
11:29Então, tem todo um time, como eu falei, a família.
11:32Então, assim, eu acho que essa é a moeda principal.
11:35Ó, Rodrigo, essa é a teimosia boa, hein?
11:37Exatamente.
11:38Essa é a teimosia boa.
11:38Mas olha só, Marcelo.
11:39Eu tirei uma carta, você tirou uma carta.
11:41Acho que a Alice tem que tirar uma carta aqui para a gente completar o tiro, né?
11:45É isso.
11:45Vamos encerrar essa entrevista com você respondendo uma pergunta, então, das cartas, Alice.
11:51Ai.
11:52Deixa eu ver, então, hein?
11:57Eu falo que eu sou muito boa em criar as perguntas, mas em responder.
12:00O que você tem feito que não está de acordo com a pessoa que você quer ser?
12:06Diga uma atitude que pode te ajudar a mudar isso hoje.
12:11Partindo do princípio que é uma regra ser honesto, mesmo estando aqui em TV aberta,
12:16eu acho que o que conecta a gente é, de fato, a gente se vulnerabilizar, né?
12:20Então, esse é o princípio do jogo.
12:22Então, o que eu não tenho feito que está de acordo com aonde eu quero chegar e quem eu quero ser,
12:28eu acredito que é a displicência com a rotina.
12:36Com a rotina de ter uma hora para acordar, uma hora para dormir.
12:40Hoje em dia, meu pico de criatividade para criar as perguntas é de madrugada.
12:43Aí eu vou dormir 5, 4 da manhã, mas aí acaba que isso vai minando também nossa energia, né?
12:50E aí eu acho que vai ter mais disciplina.
12:53É disciplina, então.
12:53É isso.
12:54Alice Milbrat, CEO da Fábrica de Afetos, muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
12:59Bom dia para você e boas conexões.
13:01Bom dia, muito obrigada.
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