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#ascriançasqueamamos #canalviva

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TV
Transcrição
00:00Uma criança é a coisa mais preciosa que existe, porque é um projeto de uma vida, é um projeto de ser humano, é o projeto mais importante que existe.
00:12A criança merece todo o cuidado, toda a delicadeza e todo o amor, todo o investimento para se tornar um ser pleno.
00:21Se a gente é uma criança feliz, uma criança bem realizada, a gente carrega com a gente essa criança o resto da vida, acho que é um pouco por aí.
00:30Legenda por Sônia Ruberti
01:00Eu tô com vocês, viu? Essa festa na verdade retrata apenas um momento de crise da família, é um trauma pessoal da minha mãe que tá se extrapolando pro social, mas vocês tem que compreender que não tem nada a ver, nada a ver.
01:13Eu tive uma infância muito especial, porque a minha mãe me levou.
01:43Com indicação de alguém pra me levar, pra me fazer uns testes, pra me inscrever numa agência de crianças, atores mirins.
01:52Na verdade eu nunca tinha pensado em ser ator quando eu era criança, eu acho que foi alguma coisa que a minha mãe sacou, vendo o meu jeito, eu era muito palhaço, muito brincalhão, eu era muito desenvolto, eu tinha facilidade de comunicação, de conversar.
02:06Então eu acho que ela, não sei de onde ela ouviu falar de uma agência e decidiu me inscrever.
02:13Foi uma coisa que não partiu de mim, não era uma iniciativa, um desejo meu, mas que assim que eu comecei, eu adorei.
02:20E comecei a dar muito certo, comecei a fazer várias propagandas, comecei a fazer trabalhos e aquilo foi preenchendo minhas tardes.
02:26Eu ia pra escola de manhã e de tarde eu gravava, ia pro estúdio e às vezes era um comercial, às vezes era um programa de TV, às vezes era uma novela.
02:33Eu conhecia um monte de gente, eu aprendia muito.
02:36Então eu tive uma infância muito, muito especial e que já foi me preparando pra minha vida adulta, porque já foi me dando uma profissão.
02:44Eu tive esse privilégio de aprender uma profissão criança e vir com ela desde a infância.
02:50Uma profissão que me faz muito feliz, que me realiza muito. Então eu acho que eu tive uma infância muito especial, que já preparou minha vida adulta.
02:58No começo da minha carreira, eu com 9, 10 anos de idade, fazia muitos testes, era muito concorrido, era um universo muito concorrido.
03:06Tinha às vezes centenas de crianças fazendo o mesmo teste.
03:10Aí comecei a fazer algumas propagandas e logo me convidaram pra trabalhar na TV Cultura, em São Paulo,
03:16que é um lugar muito especial, talvez um dos lugares mais especiais onde eu tenho trabalhado, onde eu aprendi muito.
03:24Em projetos muito especiais também, como o Mundo da Lua, depois o Professor.
03:28Então foram anos trabalhando na TV Cultura, com conteúdo educativo e ao mesmo tempo aprendendo tudo sobre televisão.
03:34Foi a minha primeira escola.
03:36A minha única referência na profissão era meu primo, o Ricardo Blatt.
03:40Realmente um grande ator, fenomenal, eu já tinha visto ele no teatro, também fazia novelas.
03:45O Ricardo sempre foi uma inspiração pra mim, um artista inacreditável, descomunal.
03:51Sempre foi uma referência.
03:54Embora ele sempre viveu mais no Rio e eu morava em São Paulo, a gente não tinha tanto contato.
03:59Foi depois, a partir da minha adolescência, em 14, 15 anos, que eu comecei a vir pro Rio fazer alguns trabalhos.
04:06E às vezes ficava na casa dele, às vezes ele me recebia, às vezes ele me apresentava,
04:11porque ele já conhecia todo mundo lá na TV Globo.
04:14Então, o Ricardo, depois dos 16, 17, 18 anos que eu cheguei aqui no Rio de Janeiro,
04:19me recebeu e me acolheu.
04:20E até hoje é a minha única família aqui no Rio de Janeiro.
04:23É meu primo querido, amado.
04:25Você acha que eu que vou ficar com fama de irmão das tontinhas que deram a festa de 15 anos mais babaca do ano?
04:31A festa vai ser um arraso.
04:33E a sua fama, ó, é muito pior que isso.
04:35Você não sabe que você é conhecido como o cara mais chatinho do colégio.
04:39É a inveja da maioria.
04:41A Retrato de Mulher foi, pra mim, uma grande aventura.
04:44Porque foi a primeira vez que eu vim pro Rio de Janeiro sozinho fazer um trabalho por minha conta.
04:49Eu vim no Trem de Prata.
04:50Ainda existia o Trem de Prata.
04:52Então, eu vim a noite inteira no trem pra fazer um trabalho no Rio de Janeiro, sozinho.
04:57Pra ficar na casa do meu primo, Ricardo.
05:00E era meu primeiro trabalho na Globo.
05:02A Regina Duarte.
05:03Eu tava super empolgado.
05:05O personagem era maravilhoso.
05:07Um garoto super safo, super inteligente.
05:10Que resolve toda a situação do episódio ali.
05:13E entra no computador e resolve e tal.
05:16Se eu não me engano, era o primeiro trabalho da Alessandra Negrini.
05:19Ela fazia uma minha irmã que ficava me infernizando.
05:21Ela queria fazer uma festa de 15 anos.
05:24E eu tava tentando ali ajudar ou atrapalhar.
05:27E a maravilhosa Lolita Rodrigues fazia a minha avó.
05:31E a gente tinha uma parceria forte.
05:33A gente fazia planos juntos.
05:35Tinha segredos juntos.
05:37Ela fumava no meu quarto.
05:39Eu pedia pra ela não fumar e tal.
05:41Então, foi uma cena muito...
05:43Foi um trabalho muito divertido.
05:45E foi uma grande experiência também.
05:47Eu te mostro se você largar esse cigarro aí, hã?
05:50Tá.
05:51Se o Genésio tem conta lá, não tem?
05:53Tem.
05:54Como que é mesmo o nome dele?
05:55Genésio Augusto Cabral.
05:58Augusto Cabral.
06:00Tem que entrar com a senha padrão.
06:02E se eles te pegarem, Rafa?
06:04E você acha que eu marco bobeira, avó?
06:06Ninguém sabe que eu descobri a senha secreta do banco, não.
06:08Ah, éramos seis.
06:11Aí foi um momento muito especial.
06:14O SBT decidiu fazer um investimento grande em novelas.
06:19E trazer um grande elenco, estrelas, pra fazer uma novela muito bonita.
06:24E foi um grande momento.
06:26Porque se reuniu ali um elenco estelar.
06:29Estelar, cabeçado pela Irene Ravache, pelo Otton Bastos, Natália Timber, Jussara Freire.
06:38Te imagina com 14 anos de idade você contracenar diariamente com a Irene Ravache.
06:43É um privilégio de uma dimensão, um luxo tão grande.
06:49A Irene era extremamente carinhosa com a gente, atenciosa.
06:54Eu lembro num momento, por exemplo, que a Irene, no intervalo da gravação,
06:59me chamou pra um canto, porque ela queria conversar comigo.
07:02Ela viu que eu já tava adolescente, já tava começando a namorar.
07:05E aí ela falou, então, você tá namorando?
07:07Como que é?
07:08Você sabe que tem que usar camisinha?
07:10É muito importante?
07:11Toma cuidado.
07:12Aí eu não acreditei que a Irene ali, minha mãe na novela,
07:17tava ali me maternando no intervalo da gravação, nos bastidores ali,
07:23cuidando um pouco de mim também, querendo saber como eu tava crescendo,
07:27se tava tudo bem.
07:28Então, realmente, foi um momento também inesquecível.
07:32Eu não devia ter falado aquilo.
07:35Mas falei o que eu sentia por você.
07:42Desejo.
07:49É.
07:51Isso parece-me absurdo.
07:53Não é absurdo.
07:56Você me deseja?
08:00A Chiquinha Gonzaga foi, talvez, o meu último trabalho, criança,
08:06e foi a grande virada na minha vida, porque ser ator mirim, pra mim, era um hobby.
08:13Eu tinha plena noção que aquilo poderia vir a ser uma profissão ou não.
08:18Eu estudava, eu fazia faculdade, na época já, eu tava na USP, fazendo direito,
08:24e eu fazia teatro, fazia minhas gravações, mas fazia minha faculdade.
08:28E quando veio Chiquinha Gonzaga, esse convite pra esse personagem,
08:33era um personagem importantíssimo, um garoto de 16 anos,
08:37que se casou com a Chiquinha quando ela tava com 52.
08:40Então, era um caso muito polêmico, histórico,
08:43uma personagem histórica de uma dimensão gigantesca.
08:47De novo, a Regina Duarte, né, esse ícone da TV brasileira.
08:52Agora eu não seria mais filho dela, agora eu seria o marido dela,
08:54num desafio tremendo, né.
08:57Então eu vim pro Rio de Janeiro pra encarar esse desafio,
09:01pra gravar Chiquinha Gonzaga, era a última fase da minissérie.
09:05E dei tudo de mim, assim, tentei fazer um trabalho marcante,
09:11de coração, era um personagem muito apaixonado.
09:17Todo mundo esperava um ator iniciante,
09:47um jovem ator de 16, 17 anos, que iria contracenar ali com a Regina.
09:53E eu, de alguma maneira, eu em nenhum momento me sentia intimidado,
09:57porque eu comecei com 9 anos de idade, com 17,
10:03eu já tinha ali uns 8 anos de experiência, já tinha feito novela,
10:07já tinha gravado, já tinha feito teatro.
10:09Então quando eu cheguei aqui no Rio de Janeiro pra fazer Chiquinha Gonzaga,
10:12contracenar com a Regina Duarte, num desafio tão gigantesco.
10:15mas eu já tinha quase 10 anos de experiência, tinha experiência no palco,
10:21eu me sentia seguro, eu tava muito feliz com aquela oportunidade,
10:24e eu fui pra cima com tudo.
10:26Eu fui de cabeça, eu colocava poemas, eu trazia músicas,
10:31eu fiz as cenas de sedução, de romance, de paixão com a Regina Duarte,
10:38sem o menor pudor, e eu acho que foi isso que surpreendeu,
10:41como é que um rapaz de 17 anos chega tão seguro e com tanta experiência,
10:48porque ninguém me conhecia nacionalmente,
10:50ou ninguém me conhecia ainda aqui no Rio de Janeiro, na Globo,
10:54mas eu já trazia uma bagagem grande da minha adolescência.
10:57Então foi isso que me deu a segurança pra chegar aqui e fazer esse trabalho.
11:01que foi muito marcante, pra mim foi uma transformação total na minha vida,
11:06porque eu não voltei mais, eu não voltei mais pra São Paulo,
11:10eu não saí mais da Globo, eu tô aqui há 20 e poucos anos morando aqui,
11:15trabalhando na Globo, com 200 trabalhos, uma história linda,
11:18e eu acho que a grande virada foi exatamente o Chiquinha Gonzaga.
11:22Foi um momento que eu falei, acabou minha infância,
11:25acabaram os trabalhos meus de criança,
11:27e agora eu vou realmente ser um ator profissional,
11:30essa é a carreira que eu amo, deu certo, graças a Deus,
11:33eu tive uma grande oportunidade, as portas agora estão abertas,
11:37e a partir daí comecei minha vida dura.
11:40Oh, abre alas, que eu quero passar.
11:47Eu sou da lira, eu não posso negar.
11:49Abre alas, ano novo.
11:59Nunca me deixe.
12:02Não, não, não.
12:05Não, não, não.
12:08Você está tão linda esse ano.
12:12Estou linda.
12:14Estou linda, mas um pouco tonta.
12:19Muita cara de pau, você ainda permitir que essa mulherada fique ligando aqui pra casa direto.
12:33Você é casado, Arnaldinho.
12:34Chaco, não se mete, cara.
12:35Dá uma jeito, Arnaldinho.
12:37Vai lá falar com a Bete, cara.
12:38Vocês têm um filho pra criar, não pode ficar assim de briguinha.
12:41Desde criança, eu fui um leitor voraz.
12:45Eu adorava ler.
12:46Eu lia o tempo todo.
12:47Eu lembro de livros inteiros que eu li indo pra gravação.
12:52Eu entrava no ônibus e começava a ler e lia.
12:57O caminho todo indo pra gravação, depois voltando.
12:59Às vezes eu dava pra ir de metrô, mas eu pegava o ônibus pra demorar mais no caminho,
13:05pra eu poder ler mais.
13:07E isso foi...
13:08Quando começaram a surgir os textos, as novelas, as peças, eu já começava a associar.
13:13Isso parece aquilo que eu li.
13:14Isso lembra aquela outra história que eu li.
13:16Então, eu começava a trazer sugestões, trazer textos que podiam ser do personagem.
13:21Então, esse meu gosto pela literatura, principalmente, pela poesia, pelo teatro,
13:26e de tudo que eu lia, foi me alimentando na minha profissão.
13:30Eu sempre fui um ator que, quando um diretor trazia um personagem,
13:34eu conseguia fazer associações, lembrar outras referências, citar outros personagens parecidos.
13:40E sempre, eu acho que o ator tem que ter isso.
13:43O autor escreveu o personagem, o diretor vai dirigir e o autor vai dar forma a esse personagem.
13:48Então, o ator também tem que trazer elementos pra sua composição, trazer referências, trazer histórias.
13:54É muito importante a nossa pesquisa também, o nosso estudo.
13:57Eu posso explicar? Dá um tempo. Não fica assim. Vem cá.
14:00Fala sério, Tiago.
14:08Você não me quer mais, né?
14:10Meu amor, o que é isso? Não tem nada a ver.
14:18Aí, depois de Chiquinha Gonzaga, eu passei a trabalhar na Globo,
14:23começamos a fazer novelas, andando nas nuvens,
14:25Esplendor, foi muito legal, é um personagem bem rebelde.
14:28Deixa eu ver.
14:29Peraí, Flávia!
14:32Foi isso!
14:33Eu comprei a Rádio Vitrola pra te dar de aniversário,
14:35escondi lá na casa do Dino, pra você só pegar no dia.
14:38Eu arrumei um trabalho de noite, que ia dar pra pagar, mas o trabalho não deu certo.
14:42Como é que você faz uma besteira dessas por minha causa?
14:45Eu já me devolviu essa porcaria de Rádio Vitrola.
14:50Não, agora não dá!
14:52Roubaram a caixa lá da casa do Dino!
14:54E logo em seguida veio um convite pra um trabalho muito grande,
15:05num personagem protagonista, que foi O Anjo Caiu do Céu.
15:09Foi muito especial, porque não era um personagem que tinha o meu perfil,
15:14era um personagem pra um ator mais velho.
15:16O perfil original seria pra um anjo meio galã.
15:19E o Denis que sugeriu, e se a gente colocar o Caio e fazer um anjo mais atrapalhado,
15:25mais pra comédia?
15:26E a gente fez uma dessa experiência.
15:29E aí eu fui contracenar com o Tarcísio,
15:32que é um outro monstro maravilhoso, generosíssimo,
15:36que também estava super disposto à troca, à risada, ao humor.
15:42Então essa parceria desse anjinho atrapalhado
15:45com esse fotógrafo consagrado e mal-humorado
15:49criou uma dupla maravilhosa.
15:52E eu tive a honra, o privilégio de ser a dupla do Tarcísio Meira.
15:58E era um personagem muito carismático,
15:59que as crianças adoravam, que tinha desenho, que tinha música.
16:03Então foi também um personagem que ainda tinha um clima de infância
16:07e que foi muito bem recebido pelas crianças também.
16:11Você acha que eu devia ir no almoço que ela vai ter com a Naná lá na marina?
16:19Eu não só acho que você devia ir, como eu acho que você deve.
16:24E eu ordeno que você vá.
16:26Você disse que...
16:29quer dizer que...
16:31é nesse lugar que a Naná vai encontrar com o Tarso?
16:36Claro, já disse que é.
16:37Se eu tiver até que mentir por conta disso, coisa muito feia pra um querubim, né?
16:41Eu nunca pisei naquela marina, mas tive que vir com história de barquinhos,
16:45de brisa e bababá.
16:47A partir daí é uma sequência bem sucedida de trabalhos maravilhosos,
16:52de autores e diretores maravilhosos que eu tive o privilégio de encontrar,
16:58personagens lindos que eu tive a chance de fazer.
17:01Vocês não podiam ter feito isso comigo.
17:04Vocês não podiam.
17:05Eu ia vencer esse concurso.
17:07Eu ia pra Paris.
17:07Isso é um grande maquiador.
17:10Vocês arruinaram minha vida.
17:13Mas vocês vão se arrepender.
17:15Eu vou fazer vocês pagarem caro por isso.
17:18Vocês dois.
17:19Chega de hora a migação, Abelardo.
17:21Vai, vamos pra casa aqui.
17:22Abelardo, eu não vou pra casa com vocês.
17:25Pode avisar a mamuxa que nunca mais eu piso lá.
17:27Aliás, eu nunca mais vou dormir sobre o mesmo teto que vocês dois.
17:30Eu vou sumir no mundo.
17:31Vocês nunca mais vão me ver.
17:32Eu não lembro de desejar ser famoso quando era criança.
17:36Não.
17:36Eu tinha essa reserva com a fama,
17:41porque eu achava que a fama podia vir, podia passar.
17:43Eu vi muitas crianças.
17:44Isso é uma coisa muito importante.
17:46Quando eu era ator mirim,
17:48tinha grandes astros mirim.
17:51Astros que eram protagonistas,
17:53que faziam duzentas propagandas.
17:55E depois eles chegavam na adolescência,
17:58faziam dezesseis, dezessete anos,
18:00e paravam de trabalhar.
18:02Não faziam essa passagem.
18:04Às vezes é muito difícil você ser um ator mirim
18:06e depois conseguir se estabelecer como um ator adulto.
18:10Então, por ver muitos astros mirim
18:14que não fizeram essa passagem,
18:16eu não tinha essa expectativa.
18:18Eu sabia que aquilo podia ser apenas uma brincadeira de criança.
18:22Uma atividade, um hobby de criança.
18:25E depois, na vida adulta, talvez eu tivesse que seguir outro caminho.
18:28Então, eu nunca tive essa expectativa,
18:30esse desejo de ser famoso.
18:33Conforme o trabalho naturalmente foi tendo continuidade,
18:36e começaram a vir trabalhos mais maduros.
18:39E aí, essa forma se estabeleceu,
18:42e essa profissão eu me tornei realmente ator profissional.
18:44Mas eu nunca tive essa projeção, esse sonho assim, não.
18:48O amor é um sentimento que nasce no coração da gente sem ser plantado, meu pai.
18:53O amor dela por esse Rafael nasceu assim, dessa maneira.
18:58Eu não entendo você, Mário. Eu juro que eu não entendo.
19:01Ela ama o Rafael, meu pai. O que eu posso fazer, a não ser me conformar?
19:05Para mim, eu sempre busquei personagens diferentes.
19:08Sempre adorei a oportunidade de mostrar trabalhos diferentes.
19:12Por exemplo, o Lama Sonan, de Joia Rara,
19:15era um personagem muito especial,
19:17que trazia também toda essa cultura espiritual,
19:20essa filosofia do budismo que eu carrego na minha vida.
19:23Então, para mim, foi um personagem muito especial.
19:25Outro personagem muito forte também foi o Zé Pedro, de Império,
19:43novela do Agnaldo Silva, que também foi um grande sucesso.
19:47Conquistou também o prêmio Emmy.
19:49E foi uma alegria, conforme a novela avançou.
19:51O meu personagem, que era o filho primogênito,
19:57aos poucos foi se tornando o grande vilão.
20:01Personagem magnífico e também um trabalho muito desafiador,
20:05mas que foi incrível.
20:21E também é muito realizador quando, com o nosso trabalho,
20:30a gente consegue também mudar um pouco o mundo,
20:33transformar um pouco os costumes, o jeito das pessoas pensarem.
20:37Então, em Liberdade e Liberdade,
20:39a gente conseguiu fazer uma cena de amor entre dois homens,
20:43algo que nunca tinha sido feito na televisão brasileira.
20:47Aos poucos foram surgindo os primeiros casais gays,
20:51os primeiros beijos,
20:53mas não existia uma cena de amor entre dois homens.
20:57E ela foi conquistada pela gente nesse trabalho,
21:00porque foi tão delicado, o trabalho foi tão bem construído,
21:03foi tão bem escrito, tão bem dirigido,
21:06que no final da série o público queria ver os dois personagens se amarem.
21:12E foi feito de uma maneira muito especial.
21:15É uma cena que tem desejo, que tem amor, que tem paixão,
21:21ao mesmo tempo que tem medo, que tem toda a insegurança,
21:24o preconceito estava presente.
21:27Então, eu acho que foi uma cena muito simbólica, muito importante,
21:30quebrou vários paradigmas.
21:32Realmente, eu recebi muitas mensagens de pessoas agradecendo e comemorando,
21:38porque é um marco, quando a televisão atinge certos pontos,
21:42são marcos da civilização avançando.
21:45A televisão, a novela que é um registro dos nossos costumes, da nossa cultura,
21:50conforme ela demarca alguns territórios,
21:53são conquistas de toda a nossa população, de toda a nossa cultura.
21:57A grande diferença para as crianças de hoje,
22:27em dia, para a criança que eu fui nos anos 80, 90,
22:31acho que é essa coisa digital, essa coisa da internet,
22:34da conexão, do celular, de todo mundo estar o tempo inteiro conectado.
22:40Eu fui uma criança muito da rua, jogava futebol na rua o dia inteiro,
22:44pulava muro, corria em terreno vazio.
22:48E eu tenho um filho hoje, que tem 11 anos, o Bento,
22:51e o meu grande esforço é para tirar ele, às vezes, da internet,
22:57trazer ele um pouco para o lado da vida,
22:59de pegar sol, de se sujar, de andar descalço,
23:02de correr na praia, tento levar ele muito para o mato,
23:04levar ele para o sítio,
23:06para não perder essa relação direta com a natureza,
23:10no dia a dia com as coisas simples, com a comida preparada na hora.
23:13E eu tento mergulhar no universo deles.
23:16Então, toda vez que eu vejo uma criança,
23:17eu peço para me ensinar a usar um aplicativo,
23:20a usar um filtrinho,
23:22a baixar uma coisa que eu não sei baixar sozinho.
23:25Então, a minha troca com as crianças de hoje em dia,
23:28tem muita a ver de puxar elas para o mundo offline
23:32e aprender com elas sobre o mundo digital.
23:35Hoje, toda vez que eu vejo uma criança no estúdio,
23:38sem dúvida nenhuma, eu lembro de mim.
23:40Eu lembro do quanto foi importante essa fase.
23:45Eu tento estar atento a elas, sensível.
23:50Fazer daquilo uma brincadeira, como foi para mim.
23:52Nunca eu me senti trabalhando,
23:54sempre me senti brincando e aprendendo.
23:57Então, eu sempre tento transformar o estúdio
24:00num lugar de brincadeira, de aprendizado.
24:03Eu dou aula, já tem bastante tempo que eu dou aula,
24:06no Nós do Morro, principalmente,
24:07para adolescentes, para crianças pequenas.
24:11Então, para mim, é uma das coisas mais importantes
24:13que podem existir.
24:15Agora, com 40 anos, eu consegui transferir essa experiência,
24:20preparar as crianças
24:21para enfrentar os desafios que a profissão tem,
24:26como eu enfrentei.
24:27Eu amo encontrar crianças no set,
24:30amo dar aula de teatro.
24:32É uma das coisas mais realizadoras
24:35que a gente pode fazer hoje em dia.
24:38Pô, dá para você ficar calma?
24:39Você está histérica.
24:40Isso aqui é um 486, 66 MHz, tá?
24:43E eu estou te avisando que eu vou contratar um advogado
24:46para me defender em juízo,
24:48porque eu estou fora.
24:49E, aliás, se a senhora me entregar, eu nego.
24:52Eu nego até a morte.
24:54Eu dou aula de literatura aqui nessa escola
24:56já faz cinco anos, no período da tarde.
24:58Meu pai também era professor de história,
25:01mas eu sempre gostei mais de ficção.
25:04Eu gosto de poesia.
25:05Tenho um blog de poesia,
25:06depois posso passar para vocês.
25:08Eu adoro o Sérgio Vaz,
25:09o Seixão Evaristo, Carolina Maria de Jesus.
25:12O Jaci me pediu para substituir
25:14a professora Lúcia temporariamente.
25:15Eu sei que isso não vai ser nada fácil.
25:17Por isso que eu acho importante
25:18a gente se conhecer um pouco.
25:20Eu acho muito especial essa conversa,
25:22essa lembrança.
25:23Eu realmente trago um carinho muito grande
25:27da minha infância,
25:29do meu trabalho como criança.
25:31E sinto que muitas pessoas hoje
25:33me encontram e sorrim,
25:34porque ainda enxergam em mim
25:36aquele menino do Éramos Seis,
25:38ou aquele anjinho que caiu do céu.
25:41E é isso que eu quero tentar manter sempre vivo.
25:44Essa alegria, esse sonho,
25:46transformar sempre o mundo com a nossa arte.
25:50Muito obrigado por todas as codações,
25:51por essas lembranças.
25:53É quase inacreditável pensar
25:54que as pessoas acompanham
25:57essa minha trajetória há mais de 30 anos.
25:59E eu, ainda novo, com 40 anos,
26:01estou aqui doido para continuar,
26:02para passar adiante,
26:03para continuar alimentando essa troca,
26:05para continuar sendo criança.
26:07E espero que todo mundo em casa também
26:08continue sendo bastante criança.
26:10Tá bom?
26:11Obrigado.
26:11Legenda Adriana Zanotto
26:41Legenda Adriana Zanotto
26:43Legenda Adriana Zanotto
26:45Legenda Adriana Zanotto
26:47Legenda Adriana Zanotto
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