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#ascriançasqueamamos #canalviva

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Transcrição
00:00A criança ter o tempo dela de poder brincar, de estar com os amigos, de correr.
00:05E eu fico vendo eles correrem pra lá e brincar, de pique, brincar, essas coisas todas me remetem à minha infância.
00:12Nós andávamos pelados, corria, traz de bola, entendeu?
00:16Não tinha muito essa coisa, era muita inocência, muita pureza.
00:20Então, criança pra mim é este universo que eu vivi lá atrás.
00:30Música
00:58Lá deu os bois, senhor Genal.
01:00É? Que tal, hein, tu, hein?
01:02Uma belezura!
01:04Ué, já separei os boizinhos?
01:05Já, viu?
01:06Separou o que, seu moleque?
01:07Ué, o nosso trato, senhor Genal?
01:09Que trato?
01:10Trato nenhum, né? Fecha esse bico.
01:13O que é, Daniel?
01:14Trato nenhum.
01:16Rapaz, os meus boizinhos já estão lá com medo de dormir a lavoura.
01:19É, vão ficar do globo que está vendo.
01:22Como eu fui uma criança assim, de origem muito humilde, eu morava no Morro Borelo, numa favela.
01:30Muito diferentemente de hoje, a gente corria muito, a gente brincava.
01:35Tinha uma brincadeira que era assim, uma coisa bem corroma, chamava-se Pique Bandeira.
01:40Isso aí era entretenimento de todas as crianças.
01:43Do meu tempo, é lá, por cinco, seis anos, a gente brincava muito disso.
01:49Diferentemente de hoje, as crianças de hoje não têm mais esse, digamos, esse aplicativo.
01:56O aplicativo deles todo está aqui no telefone.
02:02Corria muito, a gente brincava, era muito jogo de bola.
02:06Corria-se muito descalço.
02:08A gente não tinha o problema dessa agressividade, desses perigos que hoje tem, né?
02:19Que, ah, não pode ir ali porque se for tascado passar uma moleque ali e tirar o seu celular
02:25e fazer alguma maldade.
02:27Não se tinha muito.
02:29O nosso tempo era muito, muito mais puro.
02:32Eu comecei a minha vida artística muito sempre.
02:37É assim, eu não tinha pretensão.
02:40Ainda não pensava em que ser futuramente.
02:45Não tinha o desejo de ser nada.
02:48Um ser criança, correr e jogar bola.
02:51E como eu morava num local onde era muito usado como locação de cinema,
03:00eles estavam fazendo um filme.
03:03E nós, ou seja, eu também, como criança curiosa, já naquele tempo,
03:09ficava aquela criançada toda ao redor da filmagem.
03:13Até que um diretor perguntou para um amigo, um amigo meu que estava ao meu lado,
03:18se ele queria trabalhar em cinema.
03:21Eu me antecipei, né?
03:23E falei, eu quero.
03:25Aí mudou a minha vida.
03:26Você falou, você quer? Então vem cá.
03:27Vai fazer um teste aqui.
03:30Você vai fazer o seguinte.
03:31Você vai lá, volta correndo, dá um tapa na cabeça dele e dá uma risada.
03:36Porra, isso era o que a gente fazia.
03:38Então quando o diretor pediu para eu fazer isso,
03:41para mim foi muito fácil.
03:43Foi mole.
03:44Fui lá, dá um tapa na cabeça do exame.
03:46Comecei a rir.
03:47Ele falou, ótimo, gostei de você.
03:49Você vai filmar com a gente.
03:50Sexta-feira a gente passa aqui para te apoiar.
03:53Tá bom.
03:54Realmente na sexta-feira eles foram lá em casa.
03:57Chegaram lá, falaram com a minha mãe e pediram.
03:59Tudo já são, a minha mãe estava, o teu pai não estava.
04:01Minha mãe, tá bom.
04:02Pode ir.
04:03Naquele tempo não tinha essa maldade que tem hoje.
04:05Se alguém chegar e pedir o seu filho ou querer levar o seu filho.
04:09Naquele dia, naquele tempo era completamente normal.
04:12Tá bom.
04:13Que vai com você, vai.
04:14Então tá bom.
04:15E aí eu fui fazer o primeiro filme chamado Cinco Vezes Favela.
04:19E aí eu fui lá.
04:20Fiz o Cinco Vezes Favela.
04:22A gente saiu, foi filmar no Caju.
04:25Fazer parte de uma família pobre.
04:28A gente devia do lixo para sobreviver.
04:31E eu estava fazendo isso.
04:33Aí do lixo, a gente catando, procurando as coisas.
04:38Bom, isso foi Cinco Vezes Favela.
04:41E aí veio o segundo filme.
04:44Que foi o Assalto ao Trempagador.
04:46Só que depois daí do Assalto ao Trempagador,
04:50começou a bater em mim aquela vontade de querer mais.
04:56Mas, mesmo assim, da criança, a gente meio que...
05:02Aquilo entra na cabeça e sai.
05:05Aí entra o futebol.
05:06Você vai jogar bola, vai correr, você descarta isso.
05:10Mas eu comecei a sentir uma certa atração já querendo mais.
05:16E aí, pronto.
05:18Veio o meu terceiro filme.
05:21Chama-se Fábula.
05:24Fábula é um filme que foi uma história que veio
05:28examinada pelas Nações Unidas
05:30para retratar o que a gente está vivendo hoje.
05:34Fábula contava a história de quatro crianças pobres
05:38que viviam perambulando aquela vida
05:40e que precisava de uma escola de educação,
05:43porque senão nós seríamos bandidos lá na frente.
05:46Ou seja, o Brasil, o mundo estaria cheio de bandidos se não cuidassem das crianças.
05:50Esse era o grande tema de Fábula.
05:54Eu estava com nove, dez anos.
05:56Eu voltaria para o morro e minha mãe tinha falecido
06:00quando eu estava fazendo o Assalto ao Trempagador.
06:02E aí, eu fiquei.
06:04Ficou com meu pai e minha avó.
06:06Eu fui fazer este filme Fábula
06:08onde eu fiquei quatro anos na companhia deles, cuidando de mim.
06:12E quando terminou o filme Fábula,
06:14o produtor não queria que eu voltasse para o morro.
06:17E pediu meu pai para que eu fosse morar com ele.
06:20Ele ensinou meu pai do antigo.
06:22Meu pai consentiu.
06:23Perguntou para mim, você quer morar com ele?
06:24Eu falei, quero.
06:25Porque eu não queria voltar para o morro.
06:27Porque eu tinha ali a minha casa.
06:29Nós éramos muito humildes.
06:31E eu sabia.
06:33A minha casa no morro era uma casa muito pobre.
06:36Era uma casa feita de pau a pique.
06:39Aquela casa feita de barro.
06:41E me lembro que uma chuva caiu.
06:44Tinha uma parede.
06:45E meu pai fez dessa parede.
06:48Pegou um lençol, um cobertor.
06:49E ali era a outra parede.
06:51Então, eu tinha aquele universo muito ruim.
06:54Então, quando me apresentou um outro,
06:57eu sabia que eu queria aquele outro universo.
07:00Eu queria morar num apartamento.
07:01Onde eu tinha um quarto.
07:02Onde eu tinha cama.
07:03Diferentemente lá do morro.
07:05Quando meu pai perguntou, você quer morar com ele?
07:07Eu falei, quero.
07:08Bom, fábula terminou.
07:09A gente correu o mundo.
07:11Praticamente.
07:12Fomos a alguns festivais.
07:13Crianças.
07:14Quando voltou para o Brasil.
07:17Para fazer o lançamento do filme.
07:20Do filme fábula lá em São Paulo.
07:22Eles me levaram no programa da Hebe Camargo.
07:25Aí fomos lá para o programa da Hebe.
07:28Cara, eu me lembro que falei tanta besteira.
07:31Saí do programa.
07:33A Hebe ria.
07:34Se desmanchava de rir.
07:36Eu saí do programa.
07:37O Marcos Lázaro, que era o grande empresário da época.
07:42Quando eu saí do programa, ele me chamou lá em cima.
07:46E falou que queria que eu fizesse novela.
07:50Aí, aconteceu.
07:52Meu pai foi lá e fez contato.
07:54Ao que?
07:55Autorizou.
07:56E fui fazer a primeira novela.
07:57Chamava-se A Última Testemunha.
07:59Era uma novela onde eu fazia.
08:01Era chat.
08:02Aí tinha lá o Walter Avanciniano, diretor.
08:07As coisas foram acontecendo paulatinamente.
08:10Muito intuitivamente.
08:12Não era uma coisa assim muito que eu corria atrás.
08:15As coisas foram assim.
08:17Meio que predestinadamente, digamos assim.
08:21As coisas foram acontecendo.
08:23Uma atrás do outro.
08:24Eu terminava um trabalho.
08:26Tinha um convite para outro.
08:28E a coisa foi acontecendo.
08:30Quando eu me dei conta, eu estou nesse meio.
08:33Eu não sei fazer outra coisa a não ser isso.
08:38E eu não queria mais outra coisa.
08:40Eu sabia.
08:42Tinha noção que era difícil.
08:45Você ficava contratado por um período.
08:49Por seis, por oito, nove meses.
08:51Depois começava de novo.
08:53Você tinha que correr atrás.
08:54E eu estava pronto para isso.
08:56E aí comecei já.
08:58Mas as coisas foram acontecendo muito assim.
09:01Muito gratas para mim.
09:04Acontecendo.
09:05Viam caindo mesmo assim no meu colo.
09:07Convite, convite e convite.
09:09E eu só monitorando aquilo.
09:11A minha carreira, graças a Deus, foram acontecendo muitas coisas.
09:16Foram tudo assim.
09:17Muito convite.
09:18Todos os trabalhos que eu fiz, com exceção de cinema.
09:21Depois eu voltei para cinema.
09:23Mas foi muito acontecendo.
09:27Sabe?
09:28Foram chegando para mim.
09:30E eu só...
09:31Ok.
09:32Aceito, aceito.
09:33Então o que você está esperando?
09:34Eu já não falei que lhe presta aquele dinheiro, senhor?
09:37Falou, né, Zaqueu?
09:38Mas eu fico pensando, né?
09:40Como é que um camarada que nem você vai fazer isso, Zaqueu?
09:43É assim.
09:44Que garantia que eu te dei que vou voltar e devolver o dinheiro.
09:47E alguém lhe pediu garantia?
09:49Ah, pediu não, né?
09:51Mas por que você vai fazer isso, Zaqueu?
09:56Por quê?
09:57Porque você vai fazer uma coisa que eu sempre tive vontade de fazer, Anastas.
10:01Só que eu nunca tive coragem.
10:03É.
10:04De me aventurar por esse mundo afora.
10:06É impressionante que esse trabalho nosso cria vínculos.
10:12Eu criei um vínculo assim...
10:15Adotei uma mãe em São Paulo que foi a Jacira Sampaio.
10:20Ela cuidou muito de mim.
10:22Até mesmo no trabalho, pra eu decorar.
10:25Ela me ajudava a fazer isso.
10:27Me dizia como eu deveria fazer.
10:30Eu tenho a Jacira Sampaio, assim, uma gratidão enorme por ela ter aparecido na minha vida.
10:38Que mãe é mãe, né?
10:40E ela cuidou de mim como se fosse um filho.
10:43A minha vida artística, eu posso dizer que foi assim...
10:47Toda ela, assim...
10:49Presente de Deus.
10:50Um presente.
10:51As coisas foram acontecendo.
10:52E muita...
10:53Que eu vejo hoje, diferentemente, alguns artistas, né?
10:55Correndo atrás.
10:56Eu não tive isso.
10:57Tive um período em São Paulo, em São Paulo que era o grande universo produtivo, né?
11:04Ou seja, tudo o que acontece, ou seja, acontecia no mundo artístico que tinha...
11:09Ou seja, quatro televisões, né?
11:12Quatro emissoras, que era a Tupi, a Bandeirantes, que não fazia novela, a SLC, a Record, faziam...
11:19Que era o campo que tinha para os artistas.
11:23Diferentemente do Rio, porque no Rio tinha a Globo, tinha a Tupi, mas a Globo estava assim, né?
11:31Pegando.
11:32E quando São Paulo terminou, praticamente terminou, fecharam-se as televisões, eu voltei para o Rio
11:38e com o desejo de trabalhar na Globo.
11:42Esse era o grande desejo meu.
11:44Assim, como todos os artistas da época, todo mundo, depois de 70, a Globo foi assim, um vulcão, né?
11:52Subiu e todo mundo queria Globo.
11:54Eu também queria.
11:55Eu sei dessa dúvida.
12:08É, tô... tô cheio!
12:10Por bem que podia ter me levado com eles para ser peão de banhadeira.
12:15E agora?
12:16Como é que eu vou aparecer na frente da Dásdão?
12:18É, depois de ter inventado tanta mentira para elas.
12:25Você tá sabendo, doutor?
12:37E quê?
12:38Que as mochas do Bataclan tá querendo sair ao lado das freiras na procissão do patrueiro?
12:43O quê?
12:44É, essas moinhas que passam a noite inteira dançando tango.
12:47Eu escuto lá da minha casa.
12:49Agora elas querem sair no domingo.
12:51O que será que elas querem fazer, doutor?
12:53Cantar ou dançar na procissão?
12:55Quando eu terminei...
12:57Gabriela...
13:01Gabriela com o Walter Avancini.
13:04Eu me lembro que no meio da gravação o Walter Avancini parou e chamou todo mundo,
13:08o elenco inteiro e falou que apresentou o Talma, Roberto Talma, como diretor da novela.
13:14Ali ele passou a ser diretor.
13:16E aí foi muito legal, era muito amigo do Talma, então comecei a fazer muitos trabalhos na Globo,
13:20era um bicho até o Talma.
13:21Era um bicho até o Talma.
13:23Por conta disso.
13:24O Herbal Ossano, que também era diretor, me convidou e falou assim, criou louco.
13:30Olha só.
13:31Tem uma novela aí.
13:32O personagem vai ser uma bosta.
13:34Uma bosta.
13:35Mas isso é pequenininho.
13:36Mas dependendo de você ele pode crescer.
13:38Vai fazer?
13:39Falei, quero.
13:40E era um personagem assim.
13:42Pequenininho.
13:43Aí o que?
13:45Aí fui lá fazer.
13:47Que era com a boca.
13:49Você tá falando de gás?
13:51Vem eu falar, monestado.
13:52Tô?
13:53Tá.
13:54Só que eu fui deixando pra lá, pra amanhã, pra depois, pra depois, depois, pra depois.
14:01E ainda tô aqui, fincado nesse chão, feito água.
14:04E foi uma série, né?
14:06De novelas, onde o Benedito, assim, me tinha como pé de coelho dele.
14:11Ele até chegava a dizer.
14:13Antes dele escalar a novela, o primeiro a ser escalado era o Cosme.
14:17Ele me escalava e depois fazia o elenco.
14:20Então, aí foi fácil pra mim, né?
14:23Que aí eu construí os personagens que ele escrevia.
14:29Ele dizia isso mesmo.
14:31Falaram, é isso mesmo, Benedito?
14:32Ele falava, é isso, meu filho, tá certo?
14:34Não muda, não.
14:35É isso que eu quero.
14:36E aí a gente continuou essa trajetória.
14:39Esses trabalhos, um atrás do outro, vários trabalhos do Benedito, dentro da televisão.
14:46E eu participei de todos eles.
14:49Gente, olha pra isso.
14:51Tô dizendo que deixei os dois juntos lá.
14:53E é.
14:54E nessas arturas, tia, já deve de estar na maior da safadeza.
14:58Ô, gente.
14:59Mas o Peter tá ficando maluco, tá, é?
15:01É o que eu tô lhe dizendo.
15:03Ele tá bolindo no vespeiro da pior qualidade, não sabe?
15:06Eu quero pegar a estrada com ele, mas eu só fico em dúvida.
15:14Por causa que não haveria de deixar minha Rita aqui sozinha.
15:23Mas um dia você volta, Arcide, pra me visitar.
15:27É.
15:28Você era meu filho Arcide que morreu e que voltou como um chiquinho forró.
15:39Nós pode não se encontrar mais nessa vida, mas em outra a gente se encontra outra vez.
15:50Por causa que nós somos mãe e filho.
15:55Coisa mais bonita de ouvir.
16:00Benedito é muito humano.
16:02Você é muito humano.
16:03E ele tinha um carinho por mim muito grande.
16:05Ele, o Mário Lúcio, o Mário Lúcio baixo, que quem era o diretor geral que mandava na televisão.
16:11Eu tinha eles como meus pais.
16:14Então, o Mário me contratava e o Benedito escrevia.
16:18O Benedito escrevia e o Mário Lúcio me contratava.
16:21Era uma novela mais da outra, né?
16:23Eles ainda não são o noivo, Maria.
16:25Mas vão ficar.
16:27Você meceu nos doces, Anastácio?
16:29Eu?
16:30Eu não.
16:31Eu juro aqui, ó.
16:32Ai, anda daqui, Anastácio.
16:34Eu não confio em você.
16:35Anda, anda.
16:36Ora, eu não fui pra escola porque a dona Miricena me queria ir aqui.
16:38Então daqui eu não saio.
16:40Ai, eu tô que não me aguento de tão nervosa.
16:44Você não me amola, Anastácio.
16:46Até parece que a sua mão quem vem pedir.
16:48Naquele tempo, você fazia um trabalho e ficava desempregado, né?
16:53Fazia a novela, era a obra certa.
16:56Terminava o trabalho, você tava correndo atrás do outro.
16:59Mas, pra mim, tudo foi acontecendo um atrás do outro.
17:02E até que, ao final de Paraíso, eu falei pra Neuza.
17:08Era muito minha amiga, Neuza Amaral.
17:10Ela falou assim, ela também trabalhava.
17:12Fazia um personagem, a Zefa Cheira Cheira.
17:15E a gente se gostava muito.
17:17Aí eu falei, pô, Neuza, tô preocupado pra terminar a novela.
17:21Pô, daqui a pouco.
17:22Tô desempregado.
17:23Aí ela falou assim, você quer ser afirmado na casa?
17:28Falei, claro.
17:29Falei, então, você vai lá falar com o Maio Lúcio.
17:33Falei, eu?
17:34Falei, sim, falar com o Maio?
17:35Não vou nada.
17:36Não vou, não.
17:37Ela falou, você vai lá sim.
17:39Eu vou lá, pegou o interfone.
17:42Ó, o Cosmes vai em cima pra falar com você.
17:45Assim mesmo.
17:46Aí eu fui subir, né?
17:48Tremendo todo.
17:49Aí, cheguei lá, tudo humildezinho.
17:53Cinematicinha e eu também.
17:55Falei, é, pois é.
17:57Eu queria falar com o Flor, porque vai terminar a novela.
18:00Aí, um tempo de trabalho, não queria ficar direto.
18:04Aí ele falou, você quer ser funcionário?
18:07O que é isso?
18:08O que é?
18:09Tá bom.
18:10Vai lá gravar, depois a gente resolve.
18:12Aí eu desci pra gravar.
18:14Aí cheguei lá, né?
18:15Cremendo.
18:16E aí, falou com ele.
18:17Falei.
18:18Falei.
18:19Falou o quê?
18:20Falei.
18:21Falei.
18:22E aí, foi.
18:24Ah, mais ou menos 15 dias depois, uma coisa assim.
18:27Eu recebo a telefonia de casa, de que estava sendo posicionado pra fazer parte do quadro de funcionário
18:35que eu ganhei, agradeci, agradeci, agradeci.
18:41Liguei com a Neuza e falei, tá bom, tá bom, tá bom.
18:45E aí, foi isso.
18:47Graças a Deus.
18:49Graças ao Bené, Santo Bené, Santo Mário Lúcio.
18:55E onde eu estou até hoje.
18:57Ô, Otávio, você falou da morte da mulher do prefeito e do seu Alfredo?
19:01Ô, Seu Zé, infelizmente, a matéria é de cá, pô.
19:04Ô, Otávio, você falou da renúncia?
19:08Pois é, ainda não, né?
19:09Tô esperando o seu Vadim liberar a cópia da carta.
19:12Não tem carta nenhuma, não, viu, Otávio?
19:14Ah, como não tem carta?
19:15É que o seu Vadim tá querendo que o prefeito renuncie a renúncia.
19:21Eu não vou assumir esse abacaxi aqui, não, viu?
19:24Eu trabalhei com quase todos os autores.
19:30Ivani Ribeiro, Braulio Pedroso, Walter Negrão, Glória Pérez, Gilberto Braga, Valcy Carrasco, Silvio de Ateneu, Mário Prata...
19:43Não vai tirar a toa, não!
19:45Não vai parar essa luta de nenhum!
19:47Ele vai morrer!
19:51Não!
19:52Juiz honesto!
19:53Juiz honesto para a luta quando a coisa fica feia!
19:55Esquece a parte do juiz honesto!
20:05Ai, vai ser um massacre!
20:08Como tudo na vida, você precisa, um fator fundamental chama-se sorte.
20:14Eu vejo o livro Hamilton na Fórmula 1, você tem que ter sorte.
20:18Às vezes o teu pneu fura na última volta e você leva lá e ganha.
20:24Então, você faz parte do que eu tive.
20:27Eu tive muita sorte em toda a minha trajetória.
20:31A sorte foi lhe encontrar.
20:35O que você tá dizendo?
20:37Perdoe-eu.
20:39Veio que você requebra de uma tesoura.
20:42Cara, agradecido.
20:45É o meu jeito mesmo.
20:47Eu não ofende com a pergunta, mas eu posso voltar para visitar a Manuela?
20:53Pode?
20:54Ah, com gosto.
20:57Ah, com gosto.
21:00Meu último trabalho foi, Salve-se quem puder, a novela das sete.
21:17que começou no início da pandemia, e a gente teve que, em determinado momento, parar por uma questão de cuidado.
21:30E aí se reestruturou, se refez todo, pois a gente começou a trabalhar com máscara, todo mundo aparamentado,
21:38a equipe também, todo mundo aparamentado, com plástico no meio, dividindo as cenas.
21:46A gente passando, dando espaço, não tinha o contato físico.
21:53Todo esse cuidado foi muito bem feito, muito bem administrado.
22:00A televisão teve esse cuidado, esse carinho com a gente, de buscar.
22:06A gente não ia com o nosso carro para a televisão, a gente ia com o carro, a televisão mandava,
22:11com o motorista, com o carro próprio, com divisão, com álcool, com todos esses cuidados.
22:19E a gente voltou a gravar e fez a segunda parte, a novela foi reduzida, resumindo, a novela encolheu.
22:27A novela teria, inicialmente, 170 capítulos, e a gente conseguiu terminar a novela com 109 capítulos.
22:35Ficou muito legal, né? E a gente conseguiu terminar a novela.
22:41Ai, ai, pai. Devadando.
22:43Pronto, pronto, pronto, pronto.
22:44Pronto, filha, agora vai estar legal. Só falta eu ir lá falar com esse Zezinho.
22:48Como é que ele mete você numa briga dentro de um ônibus, minha filha?
22:51A culpa não foi dele, pai.
22:53Como não foi? Então, sabe ele fugiu do nada?
22:55Começou com aquela Josimara implicando com o passageiro no ônibus.
22:58O Zezinho não fez nada de errado.
22:59Tá bom, tá bom, tá bom. Eu não vou falar nada disso.
23:03Mesmo assim, eu acho melhor você ficar longe desse rapaz, né?
23:06Ih, pai. Isso ia me doer mais do que os machucados.
23:12Eu não sou, assim, uma pessoa alegre.
23:16Eu faço dos meus ambientes alegria.
23:21Eu não devo muita seriedade com o universo quando eu estou.
23:28Eu tento brincar o máximo que eu posso, né?
23:33Ainda jogo minha bola e dou minhas corridas.
23:39Corro, às vezes, descalço pela praia.
23:42Eu tenho dois filhos, Quintas Alves, a Raíza e o Gustavo.
23:47Eles estão estudando, se formando.
23:51Eu acho que a gente está, assim, na trajetória certa.
23:55Eu acho que a questão de tempo vai demorar tempo.
23:59Mas eu acho que a gente vai passar por essa história feia que foi contada.
24:07Essa história criada, que foi criada pelos fascistas,
24:12dos nossos educadores brancos,
24:15que fizeram, que contaram a história do jeito deles,
24:18botando sempre a figura do livro lá embaixo.
24:20Eu acho que a gente está lutando para sair desse patamar, digamos assim.
24:30A gente está conseguindo sair desse patamar,
24:32desse patamar bem melhor, que é através da educação.
24:37Tá bom.
24:38Você disse que vai esperar o casamento do Neco Cabelinho, não é mesmo?
24:41Eu quero ver, ah, depois, o que você vai dizer.
24:44Que desculpa você vai dar.
24:45Ô, Marlene, o que você estava conversando lá fora?
24:48Se era para vocês ouvirem, eu não tinha ido lá fora para conversar.
24:51Mas enquanto você conversa, a comida não está na mesa.
24:55Se estava com tanta fome, por que não foi nenhum dos três?
24:57Ah, porque eu sou macho.
25:01Como eu comecei muito criança, eu tenho um carinho muito grande pelas crianças.
25:05Peço a vocês, vocês que me acompanharam nos meus trabalhos,
25:11Respeitem as crianças, valorizem as crianças, ouçam as crianças e sejam crianças também.
25:20E assim, vamos lá.
25:50Legenda por Sônia Ruberti
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