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TVTranscrição
00:00Ser criança é viver as experiências sem se preocupar com as consequências ou com o que pode acontecer ali naquele momento.
00:11Acho que quanto mais a gente cresce, mais a gente vai vendo que existem consequências,
00:16que aquela situação pode se desdobrar em milhares de situações.
00:19E quando você é criança, você está ali e você curte viver o momento que você está.
00:30O que é essa, mãe? Está nervosa?
01:00Que cara? Não, estou aqui, estava aqui pensando, filha. Que cara?
01:03Eu não gosto quando você fica com essa cara.
01:05Que cara?
01:07Mãe, de alguém que está com um problema, que tem que pensar muito. Você não está feliz?
01:12Eu venho de uma família muito grande. A minha bisavó teve 18 filhos.
01:16Durante muitos anos, todo final de semana a gente ia para a casa de uma tia e eu vivia com os meus primos.
01:22Eu tive toda a fase de ralar o joelho no chão de pedra, arranquei tampão de dedão.
01:28Então eu vivia a fase muito criança em Santo André, muito perto da minha família, muito perto dos meus primos.
01:33Então eu fui muito criança no período de ser criança.
01:37Eu comecei na publicidade aos nove meses.
01:40Eu fui agenciada, obviamente uma agência de publicidade.
01:42E o meu primeiro registro é um comercial de fralda, depois de eu ter feito um concurso sobre o bebê mais bonito do Brasil.
01:52E a partir dali eu comecei na publicidade.
01:55Foi uma decisão dos meus pais.
01:56A minha mãe foi abordada no shopping, porque segundo relatos da minha família e de pessoas próximas,
02:04diziam que eu era um bebê com um olhar muito expressivo.
02:06E a gente acreditava muito que tinha um estereótipo ou um biotipo específico para a publicidade ou para a televisão.
02:15E assim que eu cheguei na agência eles precisavam de um biotipo latino.
02:19E o que eles precisavam, as minhas características eram as que mais se encaixavam.
02:24Eu comecei na televisão aos cinco anos.
02:29Modern, eu acredito que foi a minha primeira grande experiência de dramaturgia.
02:33Era uma série que retratava a realidade de diferentes mães, que tinham ou não companheiros,
02:39que viviam grandes questões profissionais ou não.
02:43E eu era filha de uma chefe de cozinha.
02:46E foi o meu primeiro contato com textos grandes, eu não sabia ler ainda.
02:51Eu tinha cinco anos, eu não sabia ler ainda.
02:53Quem me ajudava a decorar os textos era a minha mãe.
02:56Ela repetia o texto, eu repetia logo em seguida até que eu decorasse.
03:00Então aquela dinâmica fez com que eu me apaixonasse por tudo aquilo.
03:05Era um mundo onde eu estava contando uma história, numa realidade totalmente diferente da minha.
03:10E foi a minha primeira grande experiência vivendo o que seria o meu sonho dali pra frente.
03:16O João não vem, mãe?
03:17Ele vem, mas come filha, senão vai esfriar.
03:19Eu não quero isso.
03:20Isso, é berinjela.
03:22Você experimentou, Bel?
03:23Eu não gosto.
03:24Como é que você sabe?
03:25Sabendo.
03:25Tá uma delícia, viu?
03:27O meu, você tá comendo.
03:28Não, vai esperar o João.
03:29Cadê o João?
03:31Tá atrasado.
03:32Engraçado, ele sempre chega muito antes do jantar e fica mexendo o saco porque tá com fome.
03:36Vou ligar pra ele.
03:37Enquanto isso, come filha.
03:41Eu gostava muito daquela situação, eu gostava muito daquela realidade.
03:46Porque com cinco anos, você ou vai pro parquinho, ou você brinca com seus irmãos, se você tiver.
03:51Ou você brinca com seus primos.
03:53Eu brincava com gente muito mais velha.
03:55Então era uma diversão.
03:56O meu parquinho era um estúdio.
03:58Então eu amava aquela realidade e toda aquela responsabilidade que eu nem entendia que era uma responsabilidade.
04:07Mas realmente, ali era o meu parquinho.
04:09A senhora, por favor, podia trocar de roupa, escovar o seu dente e fazer o dever que já passou da hora?
04:15Parar de pensar besteira?
04:16Mãe, eu te conheço.
04:17Mas por favor, não inventa nada, não.
04:20A gente tá muito feliz aqui.
04:23Não estraga as coisas, tá?
04:24E agora você que ficou com a cara.
04:26Ó a cara.
04:26Foi a primeira vilã mirim da história da televisão brasileira.
04:32A Rafaela, ela surgiu na minha vida através de um produtor de elenco que me viu em Modern.
04:38E queria uma criança com as minhas características físicas pra fazer a filha da Giovanna Antonelli.
04:44Essas eram as primeiras informações que a gente tinha.
04:47Com o passar do tempo, a gente foi descobrindo mais da personagem.
04:50Eu recebi um texto.
04:51E esse texto já falava diretamente entre o embate entre a Rafaela, que era a minha personagem,
04:57e a Helena, que depois eu viria a saber que seria a Thaís Araújo.
05:01E logo de cara, já era uma coisa dela tentar colher informações pra mãe.
05:07Porque a mãe tinha um caso com o patrão, que era o marido da Thaís Araújo.
05:14E eu lembro que existia uma preocupação muito grande e uma estrutura muito grande por trás da Rafaela,
05:19justamente por ter essa história da vilania.
05:22Houve um acompanhamento psicológico, existia uma conversa antes mesmo da gente começar a gravar.
05:28Eles chamaram minha mãe pra que a minha mãe estivesse ciente de tudo que tava acontecendo.
05:32Eu fui até uma psicóloga, tudo era muito conversado, tudo era muito claro.
05:37Eu sempre fui muito boa menina, eu sempre fui muito boa filha.
05:42E nunca foi do meu feitio nenhuma das atitudes da Rafaela.
05:45Então eu acho que isso deixava meus pais mais seguros ainda,
05:49de que não haveria uma interferência na minha personalidade.
05:52Mas existiu uma estrutura toda por trás da personagem,
05:56pra que realmente eu tivesse suporte emocional pra viver e contar aquela história.
06:00Quero tomar café lá na casa da Helena.
06:02Não, vai ficar querendo, pode sentar aí.
06:04Já te disse que eu não quero a senhora zanzando por lá.
06:07Vai tomar café da manhã aqui comigo, pronto, estamos conversadas.
06:09O café de lá tem muito mais coisas gostosas.
06:12O daqui tá tão churuca.
06:14Mas agora tá toda metida só porque tá morando em casa de rico, é?
06:18Tá se achando, garota?
06:19A gente devia ter ido embora com o Maradona.
06:21Não aguento mais ficar no Rio.
06:23Você briga comigo o tempo todo, me bota de castigo.
06:27Antes de começar qualquer trabalho, eu busco sempre referências.
06:32E isso desde ali.
06:33Eu fui ajudada pela Rosana Garcia, que era a preparadora infantil.
06:39Ela era meu braço direito na história.
06:41Ali eu já tinha a responsabilidade de decorar os textos.
06:44Mas ainda existia um cuidado de eu não levar esses textos pra casa.
06:48Todos os textos eram decorados no set com a Rosana Garcia.
06:52Então ela sempre falava,
06:53Clarinha, lembra aquele filme que eu falei pra você ver?
06:56Por que você não joga o olhar aqui agora?
06:58Por que você não faz desse jeito?
07:00Então eu fui entendendo onde encaixar cada uma dessas reações através da Rosana Garcia.
07:05Eu vi o beijo que vocês deram.
07:11Atrás das portas agora é?
07:14Não.
07:14Eu entrei sem querer e vi.
07:16E gostei.
07:18Ah, gostou?
07:18Gostei.
07:19Mãe, casa com o Maradona?
07:20Ah, não, para.
07:23Para, para, para, para.
07:26Eu lembro que na época, principalmente os senhorzinhos e as senhorinhas, eles não gostavam de mim.
07:33Porque eles falavam que eu era malvada.
07:35E eu lembro de um episódio muito específico.
07:37De eu ter muita consciência do que estava acontecendo entre realidade e ficção.
07:42E uma senhorinha pedi pra eu sair de perto dela num supermercado.
07:46Eu lembro disso muito claro.
07:47E aí eu olhei pra ela e falei assim, não, mas é só na novela.
07:51Eu sou boazinha.
07:52Eu lembro exatamente de ter dito isso.
07:54E eu acho isso muito legal olhando pra trás.
07:56Porque eu vejo que eu tinha feito de uma forma convincente.
08:00Que as pessoas estavam renegando a Rafaela.
08:03Porque a personagem era uma personagem a ser renegada.
08:06Era uma personagem a ser, não digo odiada, mas a não ser admirada ou amada.
08:12Que é, hein?
08:13Eu acredito que muito da minha personalidade veio dessa diferença.
08:43De viver Rio-São Paulo.
08:46Eu mudei aos nove.
08:48Eu saí de Santo André.
08:50Fui com a minha avó pro Rio de Janeiro.
08:52Porque os meus pais são contadores.
08:53Eles têm um negócio próprio.
08:54Então eles não tinham como me acompanhar.
08:57E uma semana de cada mês, quando eu estava mais tranquilo no escritório dos meus pais.
09:00A minha mãe ficava.
09:02E existia um cuidado da Rede Globo de me mandar todo final de semana pra São Paulo.
09:07Então eu não sentia tanta diferença de estar perto dos meus pais.
09:11Porque, querendo ou não, eu estava ocupada.
09:14Então ou eu estava na escola, ou eu estava gravando, ou eu estava em São Paulo.
09:18Eu lembro muito claramente da minha mãe sentar comigo e falar assim.
09:22Seguinte.
09:22Você trabalha, você se tornou uma pessoa pública, mas não quer dizer que você seja melhor que ninguém, ou não te diferencia de ninguém.
09:32Você tem um trabalho, você aparece na TV, mas isso não te faz melhor que ninguém.
09:37Então você não tem o direito, e eu te eduquei, pra que você não se sentisse no direito de tratar ninguém de forma diferente.
09:44Você tem que tratar da mesma forma, desde a pessoa que você encontra na hora que você chega, até a pessoa que você encontra na hora de ir embora.
09:53Então, trate todas as pessoas da mesma forma, e lembra que você não é melhor que ninguém.
09:59Você continua tendo a sua família, você continua tendo a sua casa, mesmo você tendo essa responsabilidade.
10:05Isso não te diferencia de forma nenhuma.
10:07Então, esse estrelato ou essa superioridade não aconteceu, porque eu tive uma base familiar muito forte e muito presente.
10:16Aqueles dois já estão se desentendendo.
10:19Vovó, eu vou lá e resolvo tudo.
10:22Resolve como? Os dois são feitos cão e gata?
10:26Eu vou botar os dois na linha, vó. Você vai ver.
10:32Quero ver.
10:33Depois da Rafaela, surgiu o Morde a Sopra.
10:38O convite aconteceu meses depois.
10:42E eu me lembro de estar feliz de voltar pro Rio de Janeiro.
10:45Porque sempre que acabava um projeto, eu voltava pra São Paulo.
10:49Voltava a morar com os meus pais.
10:51E ficava na expectativa de acontecer alguma coisa, de ver o que eu faria.
10:56E eu lembro que surgiu o Morde a Sopra.
10:58E eu fiquei muito, muito, muito feliz de voltar.
11:00Porque eu tinha grandes amigas que eu tinha recém-feito no Rio de Janeiro.
11:04E Valsir Carrasco é sempre um acontecimento.
11:07Em Morde a Sopra, ele me deu uma mini vaca de presente.
11:10E eu lembro que eu me divertia muito.
11:13Na novela teve de tudo.
11:14Teve lama na cara.
11:16Teve tortada.
11:17Teve briga.
11:19Então, foi uma aventura viver a novela.
11:21Mas que eu ficava muito feliz de receber os capítulos e saber o que viria na próxima semana.
11:27Quer parar, seis dois?
11:28Vocês não entendem, Juiz?
11:31Tunica, fica fora disso.
11:32Nós sermos adultos, a gente se entende.
11:35Tunica, você gosta de dinossauros, não gosta?
11:36Então olha bem.
11:38Eu vou te mostrar o último dinossauro da face da Terra.
11:41Teu pai.
11:41Quieto os dois.
11:43Eu resolvo tudo e acabo com a guerra.
11:46Pai, você aceita casaca, Júlia?
11:49Júlia, você aceita casaca, pai?
11:50Aceito.
12:02Pedir de filho eu tenho que aceitar, né?
12:06Quem anda logo?
12:07Beija?
12:08Foi ela que pediu.
12:10Então você vai ter que me beijar.
12:11Você acha que eu preciso que alguém me peça pra te beijar?
12:14Não?
12:16Não?
12:17Surda.
12:21Você acha que alguém me peça?
12:23A CIDADE NO BRASIL
12:53A CIDADE NO BRASIL
13:23A CIDADE NO BRASIL
13:25A CIDADE NO BRASIL
13:27A CIDADE NO BRASIL
13:29A CIDADE NO BRASIL
13:31A CIDADE NO BRASIL
13:33A CIDADE NO BRASIL
13:35A CIDADE NO BRASIL
13:37A CIDADE NO BRASIL
13:39A CIDADE NO BRASIL
13:41A CIDADE NO BRASIL
13:43A CIDADE NO BRASIL
13:45A CIDADE NO BRASIL
13:47A CIDADE NO BRASIL
13:49A CIDADE NO BRASIL
13:51A CIDADE NO BRASIL
13:53A CIDADE NO BRASIL
13:55A CIDADE NO BRASIL
13:57A CIDADE NO BRASIL
13:59A CIDADE NO BRASIL
14:01CIDADE NO BRASIL
14:03A CIDADE NO BRASIL
14:05A CIDADE NO BRASIL
14:07A CIDADE NO BRASIL
14:09A CIDADE NO BRASIL
14:11A CIDADE NO BRASIL
14:13Fiz Amor Eterno Amor
14:14Era uma novela da Sete
14:16Novela espírita
14:19A gente tratava sobre crianças índigos
14:22Tinha viagem no tempo
14:23Foi uma novela que eu tive que estudar bastante também
14:26Porque se tratava de espiritualidade
14:29E eu lembro que foi um convite da Betty Jean
14:32que é autora da novela
14:34e com muito cuidado
14:36a história foi contada
14:37a Clara tinha visões
14:39a personagem se chamava Clara
14:41ela tinha visões, ela via situações
14:43de outros personagens
14:45principalmente da Letícia Persilis
14:47que era a atriz que fazia a minha irmã
14:50então tinha todo um cuidado
14:52de contar da forma mais delicada possível
14:54de pontuar todos os detalhes
14:56de não se tornar uma coisa caricata
14:58eu sonhei com você
15:06quando eu acordei
15:07você estava aqui conversando comigo
15:09essa menina é muito especial
15:11no meu sonho
15:13o Lexor ele te mandou um recado
15:15ele disse que esteve
15:17bem perto de você essa noite
15:19a minha família
15:26ela é muito dividida
15:28espiritualmente
15:29mas o meu avô é espírita
15:31então antes de começar a novela
15:33eu cheguei aí
15:34em centros espíritas
15:36para entender como eram as reuniões
15:38eu hoje em dia acredito em diferentes coisas
15:41mas uma delas é com certeza o espiritismo
15:44e por conta de ter estudado sobre isso
15:46para a Clara
15:47acredito muito
15:48acredito muito em Deus
15:49acredito muito em muitas forças
15:51em lei da atração
15:52acredito muito
15:53eu tenho um elo muito grande
15:54com a minha espiritualidade
15:56rezo
15:56rezo
15:57muito
15:58inclusive
15:58não só o Pai Nosso e a Ave Maria
16:01mas tem sempre alguma oração
16:02que me chama atenção
16:03ou que eu sou instruída a rezar
16:05eu tenho muito esse hábito
16:09vindo desde criança
16:11quando minha mãe me ensinou o Pai Nosso
16:12e que ao longo dos anos
16:14eu fui descobrindo novas
16:16orações
16:17novas vertentes
16:18novas direções
16:21de me conectar com a minha espiritualidade
16:23então é uma coisa
16:24que é muito hábito
16:25pra mim
16:25cadê a Cícia?
16:39a Cícia não vai mais voltar
16:41não vai acontecer nada com você
16:55eu vou cuidar de você
16:56eu vou cuidar de você
16:57tá?
16:57tira a mão de mim
16:59tira a mão de mim
16:59tira a mão de mim
17:00tira a mão de mim
17:01tira a mão de mim
17:02tira a mão de mim
17:02não é o que disse
17:04a culpa é sua
17:08amor à vida
17:16eu tinha 13 anos
17:17a personagem era a Paulinha
17:19eu guardo a Paulinha com muito amor
17:22no meu coração
17:22todas as personagens, mas a Paulinha em específico, ela tinha uma mensagem muito grande por trás.
17:28Eu lembro que o Mauro Mendonça Filho me ligou, perguntando se eu gostaria de fazer parte do elenco,
17:34eu olhei pra minha mãe, eu já comecei a chorar, eu já tava feliz da vida,
17:38e ele falou, é o seguinte, a Paulinha, ela tem lúpus, a gente vai te explicar,
17:42a gente vai levar você a especialistas, até especialistas, pra entender exatamente como funciona a doença,
17:47mas a gente vai retratar a realidade de uma pessoa que tem lúpus, ok? Ok.
17:52E eu lembro que eu recebia muita mensagem na época, de pessoas portadoras,
17:58e que falavam que elas estavam muito felizes de se sentirem retratadas,
18:04de finalmente haver uma visibilidade sobre a doença,
18:10então tinha um peso emocional de ter esse cuidado, de retratar a doença da melhor forma possível.
18:16Falou, Mauro?
18:17Oi, meu amor.
18:19Que bom que você chegou, eu estudia todo sozinha.
18:21Vem cá.
18:24Tchau.
18:25Tava resolvendo umas coisas lá no hospital.
18:27Vem cá.
18:28Eu não vou precisar mais tomar remédio não, né?
18:31Eu já tomo tanto.
18:32Não.
18:33Você já toma tudo o que precisa.
18:37Você tá com uma cara.
18:39Eu?
18:40Você ficou sabendo de alguma coisa ruim, alguma coisa sobre mim?
18:42Não.
18:43Não, meu amor.
18:45Com você tá tudo bem, tudo maravilhoso.
18:53Eu era neta apenas de Suzana Vieira e Antônio Fagundes e bisneta de Natália Timber.
18:59Eu sempre tomei muito cuidado de chegar muito decorada, de ter o texto sempre na ponta da língua,
19:04mas ali eu lembro que rolava uma pressão que eu colocava na situação que eu falava,
19:07não, agora eu não posso errar de jeito nenhum, agora eles trabalham há muito tempo nisso,
19:12eu preciso, eu não posso dar trabalho, eu preciso mostrar que eu sei.
19:16E isso era uma pressão que eu colocava em mim mesma, porque eles sempre foram muito receptivos.
19:21Eu fui apenas chamada de caçambinha durante anos, porque o Matheus Solano, o personagem, o Félix,
19:27o personagem do Matheus Solano, no início da história me joga na caçamba, jogou a Paulinha na caçamba.
19:34Na escola eu era chamada de caçambinha principalmente pelo porteiro da escola,
19:38ele falava, ô caçambinha, chegou a caçambinha.
19:41Então durante alguns anos estudando aqui em Santo André, esse porteiro, ele me chamava de caçambinha.
19:47Eu achava engraçadíssimo, até porque era um contexto geral que fazia sentido,
19:51então não me incomodava de jeito nenhum.
20:11E além do tempo, a Alice era uma personagem toda revoltadinha, foi minha primeira adolescente.
20:34Foi uma novela dividida em dois períodos, muitos anos antes e dias atuais, no caso em 2016.
20:41Eu era filha da Carolina Casting, que é uma das atrizes mais gentis que eu conheço no mundo.
20:47Eu sempre tive a sorte de trabalhar com pessoas muito gentis, muito legais.
20:52Eu tive mães muito incríveis, eu tive a Giovanna Antonelli, eu tive a Paola Oliveira e a Carol Casting,
20:57que foram mulheres muito marcantes na minha trajetória, que me acolheram muito.
21:04Tira o fone de ouvido e foca no dever, filha.
21:10As suas notas estão baixas, se você ficar de recuperação, adeus àquela viagem para Orlando, hein?
21:18Que estranho.
21:21Eu nem falei com a Gema sobre a sua viagem, já chegou um carnê de pagamento.
21:25Jura?
21:26Não, nem se anima que isso aqui é um engano, hein?
21:29Não, não é engano. Deve ter sido o papai que comprou, ele me prometeu essa viagem.
21:34Filha, só que o carnê está no meu nome.
21:37O que custa ficar no seu nome? Vai encrencar com isso também?
21:40Alice, eu não estou encrencando.
21:42É que isso aqui está errado.
21:44E o mais grave aqui, filha, é que o combinado tinha sido
21:47que você ia trabalhar para conseguir o seu dinheirinho para você usar na viagem.
21:52Com certeza eu ainda tenho uma criança dentro de mim.
21:55Eu estou com 20 anos, nesse ano de 2021 eu faço 21 anos, e eu acredito piamente que eu ainda estou com o pé muito mais na criança do que na jovem adulta.
22:06Eu acredito e levo muito a sério as minhas responsabilidades, mas eu acredito que seja uma forma de ver a vida.
22:13Eu sempre tento levar da forma mais leve possível.
22:16Eu sou uma pessoa muito ansiosa e eu quero tudo de uma forma muito imediata.
22:21Mas mesmo assim eu busco muito tentar trazer de volta a leveza que eu tinha quando eu tinha 9 anos.
22:28Muito mais do que a seriedade de uma adulta.
22:31Isso de forma alguma tirando a forma que eu encaro as minhas responsabilidades.
22:35Mas eu sempre tento trazer a maior leveza possível para que as coisas aconteçam e tomem proporções cada vez melhores
22:43e que eu possa lidar com as situações das formas mais tranquilas e felizes possíveis.
22:49Eu acho que quanto mais velho a gente fica, e isso eu digo no auge dos meus 20 anos,
22:54mais a gente coloca peso sobre as coisas.
22:56E quando criança a gente aproveita o momento, como eu falei.
22:59Então eu tento aproveitar e viver aquela circunstância e aquele momento,
23:03e isso eu entendi há pouquíssimo tempo.
23:05Porque quando eu fiz 18 eu achei que eu tinha que me tornar uma pessoa muito mais séria,
23:09muito mais centrada, e que eu tinha que ser menos expansiva,
23:14que eu tinha que ser uma pessoa mais incisiva.
23:17E eu entendi que não, que dá para levar de uma forma mais tranquila.
23:20E mesmo assim ser levada a sério, ter todas as minhas responsabilidades,
23:25arcar com todas as minhas responsabilidades, mas viver isso de uma forma mais tranquila.
23:30Então a minha família é tudo para mim.
23:33É minha base, é onde eu me sustento.
23:35Eu não tomo nenhuma decisão na minha vida sem os meus pais.
23:38E eu falo que finalmente chegou a fase onde eu e meu irmão somos amigos.
23:42Porque existe a fase que você briga muito com seu irmão,
23:45existe a fase que vocês têm uma diferença muito grande de idade.
23:48No nosso caso são 3 anos e 9 meses de diferença.
23:51Então a gente está numa fase que a gente se entende muito.
23:54Então a minha família é tudo para mim.
23:56Eu ganhei um presente divino há quase 3 anos atrás, que é a minha filhada.
24:01Que é uma cópia do que eu era criança.
24:05Ela é a criança mais esperta e mais geniosa que existe.
24:09Então eu sou muito ligada à minha família.
24:12E realmente quando me perguntam o que significa minha família para mim,
24:16minha família é a base de tudo que eu tenho e tudo que eu sou.
24:19Tanto profissionalmente, quanto pessoalmente, quanto de personalidade.
24:23Eu sou muito ligada à minha família.
24:24Tudo é feito para a gente não perder tempo.
24:28O mundo hoje em dia já corre por nós.
24:31Mas será que existe algum motivo pelo qual vale a pena a gente correr?
24:37Mãe, Alice, você precisa aprender o valor das coisas.
24:40Eu não quero lição de moral.
24:42Eu só quero viajar com os meus amigos.
24:44Nenhum deles trabalha, sabia?
24:45Ninguém precisa juntar dinheiro nem passar direto.
24:47Muito menos ouvir sermão.
24:49Me convence que você está comprometida com aquilo que você quer.
24:54Batalha para você conseguir o seu dinheiro.
24:57Estuda para você passar direto.
24:59Aí depois, só depois, a gente conversa sobre isso.
25:02Te odeio, mãe.
25:03Não odeia não, filha.
25:08Você só está crescendo.
25:10Tem alguns anos que eu sinto aqui para conversar com vocês.
25:13Que a gente se encontra em diferentes lugares, em diferentes horários.
25:17E eu sou muito grata por ter encontrado a minha vocação.
25:21E por ter vocês me acompanhando.
25:23Então eu quero muito agradecer quem eu encontrei nesse caminho.
25:25A todos vocês e a todos os que ainda virão.
25:29E espero que a gente ainda se encontre muito.
25:30Transcrição e Legendas Pedro Negri
26:00Legendas Pedro Negri
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