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Os convidados do Visão Crítica analisaram os principais desafios da segurança pública. Entre os maiores problemas debatidos estão os furtos e roubos de celulares e objetos pessoais, a facilidade de criminosos obterem arma de fogo e alta taxa de impunidade aos crimes praticados.

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00:00Coronel, tem uma questão, justamente fazer uma interligação em que a doutora Ivana já destacou e o doutor Ariel,
00:09essa questão do trabalho de anteceder ao crime, o trabalho de investigação, por exemplo, celular.
00:16Aí vamos voltar àquilo que nós tínhamos falado, que a doutora lembrou, da aliança.
00:22Você não poder falar num celular na rua é inacreditável.
00:26Você demorou para comprar, pagou em prestação, paga todos os seus impostos, mas aí alguém fala, é perigoso, não use o celular.
00:34Avenida Paulista é o caso clássico para isso.
00:36Eu também já fui roubado o celular, só lembra que roubaram o celular, na Avenida Angélica.
00:42Então, eu pergunto ao senhor, se roube o celular porque tem o receptador?
00:48Voltamos àquela questão.
00:49E há toda uma indústria em torno disso.
00:51Por que não há um trabalho de inteligência que é mais difícil pegar o assalto?
00:56Presumo, eu sou ignorante nessa questão.
00:58É mais difícil pegar o assaltante do celular?
01:01É mais fácil buscar o seu receptador.
01:03Porque se você não tem o receptador, fica mais difícil o trabalho do assaltante, porque ele vai vender para quem?
01:08Por que nós nunca chegamos, isso em geral, aos receptadores?
01:13Há um problema na investigação.
01:14Então, outra questão é que tem-se a impressão que há um grande crime organizado por trás disso aí.
01:20Na verdade, são várias quadrilhas que estão mexendo com isso.
01:23Tem até aquela mãezinha aí que estava patrocinando o ladrão que matou o ciclista lá.
01:28Terrível.
01:29O que... eu tenho uma visão um pouco diferente do que até foi falado aqui.
01:34Nós registramos por ano no Estado de São Paulo cerca de 3 milhões de boletins de ocorrência criminais.
01:40Tem um monte de boletins de outras questões.
01:42Três criminais.
01:43Uma vez falando com o chefe do Centro de Inteligência da PM,
01:47ele falou, quanto disso aí está vinculado ao crime organizado?
01:49Ele falou, talvez 5%, se tanto.
01:52Então, 95% não tem nada a ver com crime organizado.
01:56O crime organizado é perigoso, está presente, ameaça instituições, corrompe terrivelmente.
02:03Tudo bem.
02:04O inferno que nós temos, inclusive da sensação de insegurança, é o crime desorganizado.
02:09Esse moleque que está roubando a aliança...
02:12O PCC está vendendo cocaína na Europa por 40 mil dólares, que ele comprou por 5 mil na Bolívia.
02:17Não está preocupado com aliança.
02:19Pode ter alguém da cooperativa PCC.
02:21Ela tem carteirinha do PCC.
02:23Tem isso também.
02:24Mas o crime desorganizado, há propósito, inclusive, de alguns governadores, junto ao Legislativo Federal,
02:32de tratar do criminoso que reitera a sua...
02:35Ele ainda é primário, não foi condenado.
02:38Aquele que, de vez em quando, fala na imprensa aí, na nossa televisão,
02:42fulano com 80 passagens.
02:44Parece que passou numa catraca da delegacia, né?
02:49Um caso de Minas, mais de 100 passagens.
02:51Ele foi preso em flagrante, foi até a juíza, ah, coitadinho.
02:54É como diz o outro, roubou um celular para tomar uma cervejinha, sei lá.
02:58Não é um caso de punir já.
03:02Enfim, isso acaba sendo um incentivo.
03:05A ideia de impunidade.
03:07Eu fui, como muitos já foram, para Portugal no ano passado,
03:12e na Espanha, você sai uma hora da manhã,
03:15não passa pela cabeça da gente ser assaltado.
03:18Porque você não vai ser assaltado.
03:21Claro, tem questão de cultura e tudo mais,
03:23mas nós estamos num âmbito, numa animação criminosa tão intensa
03:33que ninguém sabe mais por onde pegar.
03:36Evidentemente que a reiteração criminosa,
03:38o sujeito que rouba duas, três, dez, vinte vezes,
03:42precisa de ser brecado em algum momento.
03:45Não é o caso, como aconteceu, acho que na Califórnia,
03:47a terceira vez você vai pegar 30 anos.
03:49Não interessa qual é o tipo de crime.
03:52Foi uma solução do Estado nos Estados Unidos.
03:55Mas alguma dessas medidas tem que ser tomada
03:57para redução dessa questão da impunidade.
04:00Um problema sério, que não tem como resolver, infelizmente, mais,
04:04é, naturalmente, a disseminação de arma de fogo.
04:07Então, qualquer Zé Mané, como se diz popularmente,
04:11qualquer moleque pobre está com um revólver na mão,
04:13ou uma pistola.
04:15Um acesso à arma,
04:17e isso, naturalmente, acaba incrementando o grau de violência
04:20que a gente experimenta.
04:22Os homicídios, nem...
04:23A gente conhece pouca pessoa no nosso relacionamento
04:26que foi vítima de homicídio, né?
04:27Mas a gente conhece muita gente que foi assaltada,
04:30inclusive o meu amigo, que está aqui na mesa, né?
04:34E isso gera a sensação de insegurança,
04:37a sensação de medo.
04:38Vocês podem observar que todos os canais aumentaram
04:41a sua faixa horária para o tratamento de violência.
04:45É uma preocupação, e isso incrementa também
04:48essa sensação de vulnerabilidade,
04:50de descrença das autoridades,
04:52de cuidar da nossa segurança.
04:53Agora, doutor Ivano, eu estava...
04:58Eu até estava conversando com a senhora
05:01antes de a gente começar o nosso programa.
05:04Eu acompanho alguns países da América Latina,
05:07assim, diariamente,
05:08porque durante uma década eu dei aula de história
05:09da América Latina.
05:10Eu acompanho especialmente o México,
05:12porque eu estudei lá, gosto de ir lá.
05:14E alguns estados do México,
05:16o crime organizado tomou os estados.
05:19Há um deles chamado Ralisco,
05:20que é um estado importante,
05:21e tem um cartel lá chamado Cartel Ralisco
05:23no Eva Reneração,
05:25que, na verdade, é o poder de fato.
05:27É ali.
05:28Tem até campos de extermínio e fornos crematórios.
05:31É um negócio, assim, inacreditável.
05:33Então, o temor que eu fico imaginando,
05:35sem não quero fazer nenhum terrorismo,
05:37é o que pode ocorrer daqui mais uma década,
05:40duas décadas,
05:41se nós não enfrentarmos seriamente essa questão.
05:44Então, indo ao poder judiciário,
05:46que, no fim, acaba sempre chegando lá.
05:49Essa é a questão que envolve a legislação.
05:53Volto à questão da legislação
05:54que eu tinha colocado a senhora.
05:56Alguns estimam que a legislação
05:58foi lembrada a questão da Califórnia
06:00pelo coronel José Vicente,
06:02não vou lembrar a legislação islâmica aqui também,
06:05longe disso, né?
06:07Mas, como é que fica isso que a senhora falou?
06:10Há uma série de brechas legais,
06:12condenada a 10 anos.
06:13Tudo bem.
06:14Porém, dois anos, um ano e meio, sai.
06:16Como é que a gente pode resolver,
06:18não no sentido também punitivo,
06:20não vai ter...
06:21Mas aí entraria, fazia um diálogo com o Ariel.
06:24Como é que fazer com que essa pessoa
06:25saia diferente do que quando entrou?
06:28Que, afinal, o sistema penal tem esse objetivo,
06:30que é recolocar,
06:31ressocializar.
06:32É esse o objetivo.
06:33Não é da vingança ou da pena em si,
06:35mas transformá-la em um cidadão.
06:38Como é que nós temos de enfrentar isso,
06:39essa questão?
06:40Pois é, professor.
06:41O Brasil é signatário de várias convenções internacionais.
06:44Palermo, Viena, ONU, Roma.
06:47E o grande desafio,
06:48quando um país se torna signatário
06:50de convenções internacionais,
06:51por exemplo, de combate à corrupção,
06:53lavagem de dinheiro,
06:54combate ao narcotráfico,
06:56é exatamente políticas públicas
06:58de prevenção a esse tipo de criminalidade.
07:01Que aqui, eu, pelo menos,
07:03com todo o meu otimismo,
07:04meu copo está sempre pela metade.
07:06Sempre.
07:06Sempre cheio.
07:07A metade para cima.
07:08Eu não vejo políticas públicas
07:11no olhar das convenções internacionais
07:14de que fazemos parte.
07:15Que seria evitar que o crime,
07:18como bem disse o Ariel,
07:20se instalasse e, principalmente,
07:22abduzisse os jovens do nosso país.
07:25Esse é um grande ponto.
07:26Não se tem política pública
07:28para trabalhar,
07:29ou pelo menos para evitar,
07:31que o crime faça esse papel
07:34de coaptar aonde o Estado não está.
07:36Esse é um ponto importante.
07:39Hoje, quando a gente fala de legislação,
07:41o Brasil demorou.
07:43O Brasil é signatário das convenções.
07:45Em 2002,
07:46a lei que definiu que é uma organização criminosa
07:50só entrou em vigor em 2013.
07:53Então, tudo o que aconteceu do PCC,
07:55que é uma organização criminosa,
07:57que nasce dentro do sistema prisional,
07:59lá nos idos de 90,
08:00até 2006,
08:02que teve um boom aqui em São Paulo,
08:04que foi onde o crime organizado mostrou a sua força,
08:07eu não tinha uma legislação
08:09que me dissesse o que é uma organização criminosa.
08:11Eu cumpria lá no 288,
08:13que naquela época era quadrilha ou bando,
08:18pena de um ano.
08:19Então, o indivíduo ia lá,
08:20explodiu uma cidade,
08:22a pena de um ano,
08:23que hoje é a associação criminosa,
08:25e a gente tem hoje uma legislação específica
08:27para o narcotráfico,
08:28de associação criminosa.
08:30Então, o Brasil, ele demorou muito
08:32para ter essa realidade
08:36de que ele tinha que combater
08:38essas organizações criminosas
08:39numa legislação diferenciada
08:41do que nós tínhamos.
08:43Hoje a gente tem várias de crime organizado,
08:45então a justiça,
08:46ela tem tentado, de alguma forma,
08:48se atualizar no mesmo sentido,
08:52ou pelo menos de convenções internacionais,
08:55de, pelo menos, tentar, de alguma forma,
08:59esclarecer ou entender
09:01o que são todas essas organizações criminosas
09:04no nosso país.
09:05Mas é uma guerra assimétrica.
09:07Eu gosto disso.
09:08Enquanto o Estado está caminhando,
09:10tem que cumprir a lei,
09:11assim tem que ser,
09:12a Constituição, o Código de Processo,
09:14o crime não tem nenhum tipo de barreira.
09:16Então, hoje um delegado,
09:17para pedir uma interceptação telemática,
09:19uma interceptação telefônica,
09:21e combater crime organizado é inteligência,
09:23ele tem todo um trâmite processual penal,
09:26que é exatamente para garantir
09:27a validade da prova.
09:29Enquanto isso,
09:30o crime está correndo quilômetros na frente,
09:34com ligações internacionais,
09:36levando droga,
09:38por todos os modais que a gente pode imaginar.
09:41O Brasil é o segundo maior consumidor
09:43de cocaína do mundo.
09:45Só perde dos Estados Unidos,
09:46não produzimos uma grama de cocaína.
09:48Toda cocaína que o Brasil consome,
09:50vem de fora.
09:51Então, são situações
09:52que o Poder Judiciário,
09:54a nível legal,
09:55a nível de estrutura,
09:57tem colocado,
09:58ou tem se preocupado,
09:59então hoje você tem,
10:00na maioria dos Estados,
10:02várias especializadas,
10:03para o juiz ser capacitado.
10:05Agora nós temos o juiz de garantia,
10:08que são os juízes
10:08que vão ter maior profundidade
10:10na inteligência.
10:11Tudo de uma forma
10:12de que quando isso chega
10:14no Poder Judiciário,
10:15ele tenha estrutura de enfrentamento
10:18a essas organizações criminosas
10:20que tomaram conta do nosso país.
10:23Ariel,
10:24você fez referência
10:25à questão dos presídios.
10:27Eu nunca estive em presídio.
10:28Eu gostaria até de conhecer,
10:30mas nunca estive.
10:32Eu mais me lembro
10:33do Carandiru,
10:34quando,
10:35primeiro daqueles tristes episódios,
10:37de 1992,
10:39próxima eleição municipal
10:40aqui em São Paulo,
10:41inclusive,
10:42foi um horror,
10:44e depois,
10:45defendeu-se a ideia
10:46de extinguir,
10:48explodir o Carandiru,
10:49tal,
10:49e aqueles presos
10:52irem para as cidades do interior.
10:54Alguns até fizeram concorrência
10:56de trazer,
10:56porque traziam um certo mercado,
10:57empregos,
10:58etc.
10:59Algumas regiões
11:00ficaram até marcadas por isso,
11:02o Pontal do Paranapanema,
11:03e por aí vai.
11:05Isso,
11:05de alguma forma,
11:06resolveu,
11:06porque havia ideia,
11:07e aí tem a ver
11:08com o filme Carandiru,
11:10com o livro,
11:12tudo isso,
11:12de que,
11:13ali,
11:14se resolver o problema
11:15do Carandiru,
11:15estaria resolvendo
11:16os problemas dos presídios paulistas.
11:18Parece que não foi bem assim,
11:19né?
11:20É, não,
11:21não,
11:21na prática não,
11:22porque também os presídios
11:24que foram levados
11:25para os locais
11:26se tornaram superlotados,
11:28as facções
11:29continuaram atuando,
11:31inclusive,
11:32saindo transporte,
11:33ali,
11:34da Barra Funda,
11:35levando as famílias,
11:37fazendo papel
11:37que o Estado
11:38não faz,
11:39né?
11:39As facções que fazem
11:41toda essa atuação,
11:43às vezes,
11:43alugam locais
11:44para os familiares
11:45ficarem lá,
11:46nas cidades,
11:48também montam lá
11:50as barracas
11:51em frente aos presídios
11:52para as pessoas
11:53passarem a noite,
11:54banheiro químico,
11:55tudo é organizado
11:57pelos grupos,
11:58não é o Estado
11:59que faz essa organização,
12:01é o crime organizado
12:03que faz.
12:04Então,
12:05isso acabou
12:06descentralizando também
12:08os problemas
12:09que nós tínhamos aqui
12:10no Carandiru.
12:11é claro que
12:12quando nós temos
12:13um presídio
12:14com 7 mil presos,
12:16como era a Casa
12:16de Detenção
12:17de São Paulo,
12:18e eu estive
12:18muitas vezes lá
12:20com a pastoral
12:21carcerária,
12:22em missas,
12:22em muitas atividades,
12:24naquela mega rebelião
12:25de 2001 também,
12:27fazendo a negociação
12:29com os presos
12:30em outros momentos,
12:32assim como estive
12:32muito na FEBEM,
12:34a FEBEM,
12:35por exemplo,
12:36a gente pode dizer
12:37que houve
12:38uma mudança
12:39significativa
12:40e importante.
12:41foi o calcanhar
12:42de Aquiles
12:43do governo
12:43do Estado,
12:45houve um forte
12:45investimento,
12:47descentralizou
12:48o atendimento,
12:50os municípios
12:51passaram a fazer
12:51as medidas
12:52em meio aberto,
12:54liberdade assistida,
12:55prestação de serviços
12:56à comunidade,
12:57e a Fundação Casa,
12:59ela tinha
12:5910 anos,
13:0010 mil internos,
13:01hoje tem 5 mil,
13:03está fechando unidades,
13:04está emprestando unidades
13:05para virar
13:06albergue
13:07para a população
13:08de rua,
13:09então é um exemplo
13:10de algo
13:10que deu certo,
13:12então a gente
13:12não pode também
13:13generalizar,
13:14nada deu certo,
13:16só transformar
13:18num muro
13:18de lamentações,
13:19então o Espírito Santo
13:21foi um Estado
13:21que deu certo,
13:23a Fundação Casa
13:24hoje mudou
13:25aquela antiga FEBEM,
13:27que era um horror,
13:28tantas fugas,
13:29tantas rebeliões,
13:30mortes,
13:31e toda aquela situação,
13:33investiu na reeducação
13:34dos jovens,
13:35com escola,
13:36com cursos profissionalizantes,
13:39com bolsa de estudo,
13:40parceria
13:41com os institutos técnicos,
13:44com a própria
13:46Instituto Técnico
13:48aqui do Estado
13:49de São Paulo,
13:50e os jovens saem
13:51com mais condições
13:52de lá,
13:53muitos passam
13:54aí nos vestibulares,
13:55outros vão
13:56para profissões,
13:57então melhorou bastante,
13:59e é isso que a gente
14:00precisa no sistema
14:01prisional,
14:02o problema
14:02é que as penitenciárias,
14:04muitos falam
14:04o preso é vagabundo,
14:06só quer ficar comendo,
14:07não,
14:07não tem trabalho lá,
14:09é só visitar lá,
14:10e vai ver que não tem trabalho,
14:12não tem parceria
14:13com as empresas,
14:14a instituição
14:16de ensino técnico
14:18não está presente,
14:19então,
14:19então quando as pessoas
14:22estão,
14:22assim,
14:22totalmente
14:23à mercê,
14:25mente vazia,
14:26a oficina do diabo,
14:27é um ditado antigo,
14:29e é isso que acontece
14:30no sistema prisional,
14:31as pessoas totalmente
14:32abandonadas,
14:33um espaço superlotado,
14:35e o crime organizado
14:36é que garante
14:38o mínimo
14:38para eles
14:39lá de estrutura,
14:40e muitas vezes
14:41os agentes
14:41nem entram
14:42internamente
14:44nas prisões,
14:45então,
14:45enquanto não mudar
14:47completamente isso,
14:48nós continuaremos
14:49sempre reproduzindo
14:51mais violência.
14:53coronel José Vicente,
14:56tem uma,
14:57não é querer falar
14:59mal de um estado,
15:00que muitas vezes
15:00alguém pode nos acompanhar,
15:02contudo,
15:02hoje nós vivemos
15:03num terreno complicado
15:04no Brasil,
15:05qualquer frase
15:05precisa tomar cuidado,
15:06precisa justificar a frase,
15:08então,
15:09mas uma coisa,
15:11e o senhor fez menção,
15:12uma coisa que me chama
15:13a atenção
15:14é o estado da Bahia,
15:15né,
15:16tem uma cidade,
15:17não sei se G que é
15:18especialmente,
15:18até passei uma vez
15:19próximo,
15:20eu conheço mais a Bahia,
15:21mas o outro lado,
15:22Feira de Santana
15:22e vai para o sertão,
15:23lá até Canudos,
15:24porque eu estudei
15:24no doutorado sobre Canudos.
15:27Os índices da Bahia
15:28são,
15:29porque há uma continuidade
15:31de governos,
15:32então,
15:32não há uma mudança
15:33de alguém falar assim,
15:34não,
15:34entrou o governo A,
15:35o governo B,
15:36e aí mudou a política
15:37de segurança pública,
15:38não,
15:38são 20 anos
15:40da mesma,
15:41presumo da mesma
15:42visão de mundo,
15:43porque afinal mesmo
15:43o partido político
15:44tem nada questionando
15:45aquele partido político,
15:46não é nada disso,
15:47estou fazendo todo,
15:48é só para falar
15:49o que acontece
15:49em alguns estados
15:50que tem esses índices
15:51tão ruins como,
15:53por exemplo,
15:53o da Bahia.
15:55A Bahia é um desastre,
15:56a Bahia e a Amapá,
15:58no meu entendimento,
15:58deviam sofrer
15:59uma intervenção federal,
16:01o grau de violência,
16:02inclusive praticado
16:03pelas polícias
16:04nesses locais,
16:05é de uma estupidez
16:06absurda,
16:08e a Bahia,
16:08curiosamente,
16:09doutor Ivana,
16:09é o estado
16:10que tem o menor índice
16:12de presos do país,
16:13inclusive proporcional
16:14à população,
16:15Bahia aprende pouco
16:17e mata muito,
16:18uma coisa inacreditável,
16:20e nós temos uma
16:20sucessão de governos
16:22que não souberam
16:24lidar com o problema,
16:25e detalhe,
16:27curioso,
16:27não é só o governo,
16:29também secretário
16:30da segurança,
16:31incompetentes
16:32para gerir
16:33o aparato policial,
16:35e todos eles
16:35delegados
16:36do Polícia Federal,
16:37os delegados
16:38do Polícia Federal
16:38são ótimos
16:39para fazer investigação,
16:41ninguém investiga
16:42tão bem como eles,
16:43mas gestão
16:44não é o forte deles,
16:45e também
16:46as nuances
16:47do policiamento,
16:49também não faz parte
16:50da experiência
16:50e conhecimento deles,
16:53então,
16:53esse é um dos problemas,
16:55mas não é só a Bahia,
16:56Sergipe está ali do lado,
16:57também tem
16:58um problema dramático
16:59de violência
17:00da polícia,
17:03o estado de Pernambuco
17:04tem uma sobrecarga
17:06de presos,
17:06tem o dobro,
17:07aqui nós temos
17:0730% a mais
17:09que é
17:09o tolerável,
17:11até pelo
17:11Conselho Penitenciário
17:13Nacional,
17:14na Pernambuco
17:16tem o dobro
17:17dos presos,
17:18das vagas,
17:20então,
17:20a Bahia
17:21está em uma situação
17:22tormentosa,
17:23realmente,
17:24e é curiosamente
17:25como se imagina,
17:26bom,
17:26o que o Brasil,
17:28a partir do Ministério
17:29da Justiça,
17:30poderia fazer
17:31para acudir
17:32esses estados
17:32que vão mal,
17:34a Inglaterra faz isso,
17:35até os Estados Unidos
17:36fazem intervenção
17:37em algumas polícias,
17:38já tem histórico disso,
17:40não são frequentes,
17:41mas existem,
17:43porque é intolerável
17:45que o governo
17:45tenha alguns controles,
17:48como o próprio
17:48Fundo Nacional
17:49de Segurança Pública,
17:51admita que o estado
17:52tenha
17:5330%,
17:5550%
17:56das mortes
17:57do estado
17:57produzidas pela polícia,
17:59quando nós falamos,
18:01o doutor Imana
18:02mencionou bem aí,
18:04o governo federal
18:04pode estabelecer
18:05limites,
18:06estabelecer regras,
18:08estabelecer
18:09capacitações,
18:10alguns fundamentos
18:12importantes
18:13para a gestão
18:14do aparato policial,
18:15não há dúvida
18:17de que uma boa gestão
18:18desse aparato policial
18:19pode ser decisivo
18:21na redução
18:22da violência
18:22dos estados,
18:23isso não está acontecendo
18:24na Bahia,
18:24infelizmente,
18:25e alguns outros estados
18:26também.
18:26Bem,
18:28eu tenho sempre
18:30minha visão
18:31sobre o tempo,
18:32eu até brinquei
18:33antes de nós começarmos
18:34como um certo presidente
18:36usou uma camiseta
18:37chamada
18:37o tempo
18:38é o senhor
18:38da razão,
18:39é bom lembrar
18:40que é um trecho
18:40de um poema francês,
18:41não é dele,
18:42mas,
18:43agora,
18:45eu acho que todos
18:46que acompanharam aqui
18:47a nossa conversa
18:48de hoje,
18:49viu quão importante
18:50é a discussão
18:51de segurança pública,
18:52o nosso objetivo
18:53central aqui
18:54foi evitar
18:55o senso comum,
18:56apresentar soluções
18:57fáceis
18:58para problemas
18:58complexos,
18:59nós nunca vamos
19:00resolver nenhum problema,
19:02muito menos
19:02da segurança pública,
19:03que no mínimo
19:04nas últimas quatro décadas
19:05é um tema
19:06muito importante
19:07nas eleições,
19:08no dia a dia,
19:09no nosso cotidiano,
19:10e a gente se sente,
19:11como foi tanto falado aqui,
19:12extremamente seguro,
19:13eu duvido que alguém
19:14se sinta seguro
19:15ao sair na rua,
19:16ou a chegar em casa
19:18e saber o que pode
19:19ter acontecido
19:20na sua casa,
19:20e isso é um retrato
19:21do Brasil
19:22e é mais grave
19:23em alguns estados.
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