00:00E Henrique, que está aqui com a gente também, o Papa, ele teve esse papel, então, ativo de diplomacia,
00:06com atuação muito forte em negociações de paz, reaproximação das nações e diálogo também, a gente pode falar, interreligioso.
00:13Será que o próximo vai conseguir conduzir da mesma maneira?
00:17Essa é a pergunta que todos fazem e que as pessoas também criam a expectativa, porque ele conseguiu.
00:22A gente pode falar que ele conseguiu. Será que esse feito também, o próximo vai conseguir?
00:28É, a gente pode reconhecer que o Papa Francisco deu sequência a essa tradição diplomática da Igreja e também do Vaticano.
00:37A gente teve, acho que vale a pena adicionar também na lista, que a Deise trouxe tão bem,
00:42na década de 70, o conflito de Beagle entre a Argentina e o Chile, aqui, vizinhos nossos, que estavam ali em pé de guerra.
00:51E foi o Papa João Paulo II que teve a incumbência de trazer paz e determinar quais seriam a porção daquele estreito ali para cada um dos países.
01:01O Papa Francisco também, trazendo mais para a nossa região, teve um papel muito importante nas negociações de paz na Colômbia,
01:08com as forças guerrilheiras ali da Farc e o governo.
01:12Enfim, uma intervenção ali que foi muito bem vista.
01:15Agora, o tom subiu. A gente está num momento muito delicado de conflitos entre Rússia e Ucrânia,
01:22que possivelmente podem envolver outros atores, e no Oriente Médio também.
01:26E agora, como eu disse antes, falando também sobre a questão de Indipaquistão.
01:31Então, o próximo Papa, com certeza, vai dar sequência a essa tradição,
01:35porém, as armas vão ser diferentes, o jogo vai ser um pouco mais delicado também,
01:41porque nós estamos falando de conflitos que têm um potencial de uma escalada global.
01:46São conflitos regionais que, quanto mais se acirram, quanto mais sérios vão ficando,
01:52podem assumir um caráter global muito rapidamente.
01:56Então, o próximo Papa vai ter um desafio muito grande também de jogar a essa altura.
02:01Professor Marcos Vinícius, à espera do conclave.
02:04Essa decisão vai ser muito importante para o mundo, não só para a Igreja Católica, mas para todo mundo.
02:11É, porque, Elisange, nós estamos aí num período complicado, não é?
02:15Da história do mundo, nesse processo todo de polarização que a gente observa do ponto de vista político.
02:23E o Vaticano, como foi mencionado, tem ali, a Santa Sé tem o seu serviço diplomático,
02:29que tem enorme experiência em lidar com vários dos problemas existentes,
02:36tem um poder de persuasão relevante,
02:38e, muitas vezes, é uma ponte para a conversa entre grupos, não é?
02:43Se nós pensarmos que o Vaticano foi extremamente importante no degelo das relações Cuba e Estados Unidos,
02:52nós temos aí muito claro que existe um papel importante a ser desempenhado.
02:57E, claro, que uma coisa muito relevante a enfatizar também
03:01é que a perspectiva do Vaticano com relação ao tempo também é diferente, não é?
03:07Foi mencionado aí o conflito entre Chile e Argentina com relação ao canal de Beagle,
03:14e ali nós vimos que o trabalho da Igreja, do cardeal,
03:17que foi destacado para cuidar da questão, demorou oito anos.
03:21Não é um processo de mediação e, claro, que um pontificado permite a Igreja ter esta longevidade de perspectiva com relação ao tempo.
03:32E nesse contexto todo é que nós começamos a ver que a forma como o novo Papa vai se comportar
03:41num mundo cada vez mais polarizado é extremamente importante.
03:45Afinal, não é? Hoje em dia, se você fala uma coisa que a pessoa não gosta, você já é imediatamente cancelado.
03:52As pessoas têm esta questão, esta sensibilidade muito elevada quando se fala alguma coisa que não lhes agrada.
04:01Então, é muito complicado a função aí de você ser um líder mundial,
04:05mas é extremamente importante que você tenha, num contexto em que você observa tanta imaturidade de líderes políticos,
04:14alguém a quem você possa recorrer que tenha, não somente a sabedoria do tempo,
04:20mas que também tenha a capacidade de ser um bom conselheiro
04:24e, principalmente, alguém que tenha a capacidade de influenciar.
04:28Então, é disso. Esse é um aspecto importante que se espera também do Papa.
04:32Um conselheiro, num mundo que, muitas vezes, as lideranças políticas são extremamente imaturas.
04:39Nove horas e vinte e sete minutos.
04:41Repita.
04:42São nove e vinte e sete.
04:44Seguimos aqui na nossa cobertura especial a respeito do funeral do Papa Francisco.
04:50O Fábio Piperno também está conosco nesta manhã.
04:53O Piperno e cada Papa tem a sua característica.
04:57A gente tem aquele que é um baita comunicador.
05:01O próprio Francisco, e por suas ações também, acho que o Papa João Paulo II também foi uma figura
05:06muito importante no que diz respeito a esse diálogo com novos fiéis, com os antigos também,
05:11numa época ainda sem rede social, sem grande exposição.
05:15E o Papa Bento XVI, só para ficar nos mais recentes, conduzindo de uma maneira mais intelectual o seu mandato.
05:24E aí, diante do próximo conclave, não dá para a gente prever o que vai sair daí.
05:28Se um mais comunicativo, ou se um mais intelectual, ou se uma junção de todas essas coisas.
05:35Por que não, né, Piperno?
05:36É, por enquanto fica muito difícil a gente prever qualquer coisa, até porque aqueles cadeais
05:42que vêm sendo mais perfilados aí pelos veículos de comunicação de todo mundo,
05:46eles vêm dos mais diferentes espectros e culturas, né?
05:50Então, muitos deles são claramente mais ligados aí, por exemplo, à questão do trabalho pastoral.
05:56Outros se envolvem mais diretamente em causas de atendimento a pessoas mais fragilizadas,
06:05aqueles que atuam contra conflitos armados.
06:09Por exemplo, o patriarca de Jerusalém, que é um dos nomes que vem sendo muito cotado nos últimos dias,
06:16o Piazza Bala, ele é, enfim, alguém que inclusive já conta com um lobby contrário
06:23liderado pelo governo de Israel.
06:26Então, vejam, no caso, por exemplo, dos cardeais dos Estados Unidos,
06:33até para que as pessoas entendam, os Estados Unidos,
06:37embora não estejam entre os mais tradicionais países católicos do mundo,
06:42e o catolicismo lá está bem longe de ser a religião hegemônica,
06:47os Estados Unidos têm um grupo de dez cardeais.
06:51É o segundo maior grupo do mundo.
06:54Agora, também não há, digamos, uma unidade intelectual e ideológica
07:00entre esses dez integrantes agora desse grupo de, enfim, de cardeais.
07:06Há, por exemplo, um cardeal muito próximo do presidente Trump.
07:09Há um outro que ele acaba provocando muita rejeição, por exemplo, por parte dos republicanos,
07:19especificamente o, ele se chama Blaise Joseph.
07:24Ele é um cardeal que, inclusive, ele fez uma oração na abertura da última convenção do Partido Democrata.
07:33Então, esses perfis, eles são muito diferentes e fica muito difícil a gente imaginar
07:39qual o rumo que a igreja vai tomar a partir das posições do seu próximo Papa.
07:44Perfeito. Fábio Piperno aqui com a gente também, nessa programação especial do Jornal da Manhã da Jovem Pan.
07:51Agora, nove horas e trinta minutos.
07:53Fábio Piperno segue com a gente aqui nesta manhã.
07:56Ô, Piperno, você falava dos cardeais americanos,
07:59acho que é Raymond Burke, né, que talvez um dos mais citados também,
08:03com possibilidade que tem uma outra visão do que o próprio Papa Francisco.
08:09Francisco, a minha dúvida é a seguinte, Piperno, talvez de muita gente também,
08:12será que teríamos mais um Papa americano em sequência?
08:16Ou será que isso não é levado em consideração, será que isso não é levado em conta?
08:20E aí a gente já citou aqui em outros momentos,
08:22o crescimento do catolicismo na África,
08:25a questão da própria Ásia,
08:27ou o retorno para um Papa europeu,
08:29quem sabe um Papa italiano novamente.
08:31Veja como tem várias nuances aí a serem consideradas
08:35e que a gente não sabe como é que isso vai se dar na cabeça
08:38de quem vai eleger o futuro santo padre, né?
08:40É claro que são 136, 133 cardeais que participarão do conclave,
08:46portanto, 133 papáveis,
08:49embora um grupo muito mais restrito
08:53seja presença constante em todas as especulações,
08:58principalmente da imprensa italiana nesses últimos dias.
09:01De qualquer forma, você citou, por exemplo, um cardeal americano.
09:04Esse é o cardeal tido como mais conservador
09:07e próximo, e seria o preferido do presidente Donald Trump.
09:12O outro que eu citei há pouco, o Blaise Joseph,
09:15é um cardeal também americano, igualmente americano,
09:18mas, em compensação, tem mais ligações com o Partido Democrata.
09:23Ele, inclusive, disse que chegou,
09:25ele é o arcebispo de Chicago
09:27e chegou a declarar, inclusive, que nas igrejas dele
09:33nenhum imigrante vai ser retirado à força.
09:37Então, vejam só como as posições,
09:39elas são antagônicas dentro da igreja de um mesmo país.
09:44Agora, imagina se a gente olhar para o mundo todo
09:48a multiplicidade de posições que a gente vai acabar encontrando.
09:53De qualquer forma, há, sim, uma atenção muito grande
09:59para a África e para a Ásia,
10:02porque são as duas regiões do mundo
10:04onde o catolicismo mais cresce.
10:07A Itália fez papos durante vários séculos consecutivos,
10:11até que isso tenha sido rompido
10:16com a escolha do então cardeal Carol Voitilo,
10:21João Paulo II.
10:22Depois disso, um papo alemão,
10:24em seguida, um papo argentino.
10:27Mas a Itália gostaria de voltar a ter um papo,
10:31retornando àquelas tradições antigas.
10:35A Itália tem 17 cardeais
10:38e, certamente, o país se mobiliza em torno de alguns desses nomes
10:47e, dentre eles, os mais cotados são os cardeais Parolin
10:52e o Pizzaballa, que eu acabei de citar.
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