Partilha comigo, em silêncio, o meu recolhimento nesta noite longa e melancólica.
Hoje sinto que nada sou, nada tenho, tudo me parece frágil e sem nexo.
Deixa-te embalar pelo tic-tac do meu velho relógio de caixa alta que solidário empresta à noite, mergulhada em silencio, um sinal de vida. Senta-te aqui, a meu lado, escuta a melodia fascinante do fogo a crepitar de força e vida nesta noite triste e fria. As chamas, crepitando, compõem uma nostálgica e estranha melodia que convidam ao silencio, à meditação e à fuga. Queria ter-te aqui, sentindo este aroma da lenha queimada. Queria que caminhasses comigo nas minhas distantes e mágicas recordações. Encontro-te por toda a parte! Fundes-te na chuva que cai e indiscreta me espreita pela janela. Projetas-te no vento que me bate à porta e chama baixinho o meu nome. Ressurges esculpida no contorno das sombras para me lembrar que existo e que há mundo e vida lá fora. Não vás embora, pelo menos tu Saudade, fica comigo. Preciso da tua mão amiga a servir-me de bastão para me apoiar nesta hora que sinto tudo estar fugindo e que eu, nada sou, nada tenho, a não ser vazio e mágoa.
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