00:00J. Luís Carneiro, bem-vindo à Euronews.
00:02Muito obrigado por terem aceitado o nosso convite.
00:04Desde 2010, os preços das casas e das rendas
00:07têm vindo a subir em flecha.
00:08O PS é a força política que mais tempo esteve no poder
00:11ao longo dos últimos 15 anos.
00:13Assume responsabilidades do seu partido
00:15na atual crise da habitação?
00:17Julio que é uma forma simplista de colocar as questões.
00:21Eu chamo a atenção que o grande movimento liberalizador
00:23de rendas tem a ver com o movimento
00:25da assistência financeira a Portugal
00:26e a adoção da lei de rendas na altura em 2014
00:30que liberalizou, do meu ponto de vista,
00:32excessivamente o mercado.
00:34A discussão do programa Primeiro Direito
00:35estava 80% abaixo do previsto.
00:38Sim, ou seja, há aqui um campo grande de progresso.
00:40Mas reconhece essas falhas do PS?
00:42Se formos a concentrarmos de falhas,
00:43eu podia chamar-lhe a atenção do seguinte.
00:45Desde que este governo assumiu funções,
00:47para dois anos e meio,
00:49os preços com habitação cresceram 41%.
00:53Eu chamo a atenção que a adoção da renda moderada
00:56aumentou 34% o valor das rendas.
00:58Eu tenho defendido uma estratégia nacional
01:01de habitação acessível,
01:02um serviço nacional de habitação acessível.
01:04Sobre essa medida, já tenho uma estimativa orçamental?
01:06Aquilo que eu posso garantir é que estive
01:08com a Associação Nacional de Bancos,
01:10estive com o Sr. Presidente da Caixa Geral de Depósitos
01:12e o que me transmitiram foi que há reservas,
01:14que há liquidez,
01:15para acompanhar os esforços do Estado
01:17para responder às necessidades de construção
01:20de 300 mil habitações.
01:21Mas é um plano a 10 anos.
01:23Já tenho um calendário para apresentar aos portugueses?
01:25Terei um calendário para apresentar no momento oportuno.
01:27Entretanto, no imediato, avancei com várias medidas.
01:30Uma muito importante,
01:31garantia pública em relação às rendas.
01:32A garantia pública já funciona em Espanha
01:34e funciona em França.
01:35Mas é que a garantia pública não permite
01:37automaticamente recuperar dinheiro pago
01:38nem baixar as rendas.
01:40O Estado, perante uma dificuldade
01:43que qualquer um de nós possa passar,
01:45dá a garantia ao proprietário.
01:47Depois, o particular tem de acertar contas com o Estado.
01:51Em última instância, o Estado tem as execuções fiscais
01:53para cobrar dívidas.
01:55O PS quer rever o limite da renda considerada moderada.
01:59Já nos pode dizer qual seria esse valor?
02:01Essa é uma solução que eu estou disponível
02:02para negociar com o Governo.
02:03Mas os portugueses gostariam de saber
02:04o que é que o PS acha que é moderado?
02:06Eu tenho a solução,
02:07mas não a vou revelar aqui,
02:08porque acho que tenho o dever,
02:11precisamente respeitando esse quadro negocial com o Governo,
02:14eu tenho soluções para apresentar ao Primeiro-Ministro.
02:15Em maio de 2025,
02:17quando ainda não era secretário-geral do Partido Socialista,
02:19recusou um cenário de Bloco Central.
02:21Hoje em dia, segundo várias sondagens,
02:23há uma hipótese forte de o Chega ganhar eleições parlamentares.
02:28Nesse contexto, concorda com o presidente do PS?
02:32Já seria possível, por exemplo,
02:34aliar-se à AD no Governo?
02:36João, em 20 sondagens,
02:38o PS aparece a liderar 19 sondagens.
02:42E o doutor André Ventura é o líder partidário,
02:47de longe, com a maior taxa de rejeição.
02:50Com a taxa de rejeição que tem o Chega e o doutor André Ventura,
02:53não ganharão eleições,
02:55quem as ganhará será o Partido Socialista.
02:57Mas porquê que não responde diretamente?
02:58Bloco Central, sim ou não?
02:59Não, eu já disse várias vezes.
03:03Eu já disse várias vezes,
03:04aliás, acabou de me citar,
03:06quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa de uma só palavra.
03:08Se o PS ganhar, como a maioria que carece de apoio parlamentar,
03:12aquilo que eu espero do PSD é reciprocidade
03:15com o apoio que nós temos dado ao PSD
03:19para conseguir governar.
03:20Só apoio em sede parlamentar, não?
03:22Apoio em sede parlamentar.