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  • há 6 horas
No 1º episódio - Camila Leão, Emanoele Gobbi e Matheus Souza conversam com Abdo Chequer, coordenador do Conselho Editorial da Rede Gazeta. Com uma trajetória de 46 anos de jornalismo, Abdo estreou na TV Gazeta em 1979 e acompanhou de perto a passagem do filme 16mm para o videotape e a evolução do telejornalismo.

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Transcrição
00:00O que é o que é? Nasceu para contar histórias. Atua levando informação para o povo. Já faz parte da
00:08rotina dos capixabas.
00:09E chega na sua casa logo cedinho, a tempo do café da manhã. Atravessou gerações sem nunca perder a credibilidade.
00:17É uma grande referência. Se você respondeu TV Gazeta, você acertou. Mas se você respondeu Ábido Checker,
00:24Bom, você também acertou. Porque essas trajetórias se misturam e hoje se encontram para celebrar.
00:30Sejam muito bem-vindos ao Papo Residência, o podcast dos residentes da Rede Gazeta,
00:35que esse ano vira videocast para celebrar os 50 anos da TV Gazeta.
00:40Eu sou o Matheus Souza, residente da 29ª Turma de Foquinhas, e estou aqui juntamente com as minhas colegas Camila
00:46Leão e Emanuele Gobi.
00:48Nossa missão aqui é para lá de especial. Nós estamos aqui para ouvir atentamente os bastidores da TV Gazeta
00:54e compreender o que é esse aniversário dela, por que é tão grandioso.
00:59E para cobrir esse projeto, a gente está aqui não só com quem viu a história acontecer,
01:04mas ajudou cada capítulo na tela.
01:06O profissional que é uma referência.
01:09Ingressou como repórter em 1979 e no início dos anos 80 passou a editar e apresentar o jornal da Globo
01:17do Espírito Santo.
01:18Foi essa experiência que impulsionou sua carreira como âncora.
01:21Em 82, mediou o primeiro debate entre os candidatos a governador do Espírito Santo,
01:27num contexto de redemocratização no Brasil.
01:30E em 83, estreou na apresentação do Bom Dia, telejornal que segue no ar até hoje.
01:35Ao longo da sua trajetória, entrevistou personalidades importantes da República,
01:39como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso, Lula.
01:43Foi mestre de cerimônias na visita do Papa São João Paulo II aqui no Brasil.
01:48marcou ali diversos momentos muito importantes do jornalismo capixaba e nacional.
01:53Ávido Checker, é uma honra ter você aqui no nosso videocast.
01:56É um prazer enorme estar com vocês.
01:58É uma grande alegria.
02:00Vocês me desculpem a emoção,
02:01porque essa história me emociona,
02:04não a minha história,
02:05mas a história da Gazeta e eu estar presente.
02:08Espero estar à altura dessa conversa.
02:11Com certeza.
02:12Sejam todos muito bem-vindos ao Papo Residência Especial de Bodas de Ouro,
02:17da TV Gazeta.
02:18Roda a fita.
02:28Ávido, você chegou na Rede Gazeta em 1979,
02:32bem no início da TV.
02:33Como era aquele momento e o que o público esperava da TV?
02:38O público esperava da TV o que a TV imediatamente já começou a entregar.
02:43Logo no começo, em 1976,
02:45quando ela foi inaugurada,
02:46já uma qualidade de imagem muito boa.
02:49Porque nós não tínhamos qualidade de imagem.
02:51Era muito chuviscada.
02:52E quando apareceu a imagem da TV Gazeta,
02:55foi uma surpresa muito grande.
02:56Para nós era maravilhoso ver uma imagem com tanta qualidade,
03:01com um áudio de igual qualidade
03:04e uma programação que já colocava o jornalismo das ruas na casa da gente.
03:09Então, o que a TV Gazeta prometeu lá nos primeiros anos
03:13foi entregue exatamente assim como prometido.
03:18Bom, e um grande marco na sua trajetória foi justamente o Bom Dia.
03:21Como foi a criação e a sua parceria com a Marisa Sampaio?
03:26Bom, isso também tem uma história.
03:28Eu fazia o Jornal da Globo e eu fazia entrevistas ali.
03:31Já começando a fazer entrevistas.
03:33O jornal era muito curto.
03:35O Jornal da Globo tinha quatro, cinco minutos.
03:38Até que um dia veio Tancredo Neves aqui, o Espírito Santo.
03:41E ele estava lançando o partido dele.
03:44E estava fazendo a Nova República.
03:46Enfim, essas coisas que a história conta.
03:48E eu o entrevistei.
03:49E eu achei aquilo maravilhoso.
03:51E eu coloquei quatro minutos de entrevista no ar.
03:55E pensei, amanhã eu estou demitido.
03:57Porque era o jornal todo, praticamente.
03:59Só que eu achei a entrevista muito boa.
04:01Não, eu não fui demitido.
04:02Ao contrário, eu fui elogiado.
04:04Então, gostaram da entrevista.
04:06Acharam muito bem feita.
04:08E, de fato, foi muito bem feita.
04:09Ele era muito bom.
04:10Falava muito bem.
04:13Bom, passou um pouquinho tempo depois disso.
04:17O Sr. Bira, que era o nosso chefe de programação.
04:21Que era o lugar do Gabriel.
04:23Atual Gabriel, né?
04:25O Sr. Bira vira para mim e falou assim.
04:26Ó, vai ter um programa novo aí.
04:28Chama-se Bom Dia, Espírito Santo.
04:30Vai ser às sete e meia da manhã.
04:34E você vai ser o âncora.
04:35Falei, eu não.
04:37Eu faço o Jornal da Globo.
04:38Vou dormir três, quatro horas da manhã.
04:41Eu não vou fazer bom dia de jeito nenhum.
04:43Vou ter que acordar na hora que eu vou dormir.
04:45Não, vai ser você.
04:46Eu falei, não, não quero, não.
04:47Passou mais uma semana.
04:48Ele chega para mim.
04:49Ó, eu conversei com o tal de Carlos Lindenberg.
04:53E ele me disse que é você mesmo que vai fazer o programa.
04:56Eu falei, puxa vida, Sr. Bira.
04:57Isso aí, não gostei.
04:59Eu disse, não, você vai gostar.
05:02Aí eu falei, então, se você me dá um tempo para eu ver como é que é esse Bom Dia.
05:06Que dia que vai ser o lançamento?
05:08Ah, esse é dia 1 ou 2 de janeiro.
05:11Eu falei, então, se você me dá uma semana para eu ver como é que é.
05:13Aí eu assisti o Bom Dia Brasil.
05:16Eu vi como é que era.
05:17Eu falei, opa, acho que dá para fazer.
05:19E falei, ok, eu topo.
05:21Vamos embora, vamos fazer.
05:22E já foi um sucesso imediato.
05:24Só que eu não acreditava que seria sucesso.
05:26Por quê?
05:26Porque eu fazia um jornal de madrugada, praticamente.
05:29Uma da manhã.
05:30Sete horas da manhã, fazer jornal, ninguém vai assistir.
05:33Foi o contrário.
05:34As pessoas assistiam, gostavam.
05:37Gostavam das repercussões.
05:38E a questão Marisa foi assim.
05:42Quando eu fui convidado, eu falei, eu aceito.
05:44Mas com uma condição.
05:46Eu quero que a editora seja Marisa.
05:49Ah, não pode ser Marisa, porque Marisa já faz isso, já faz aquilo.
05:52Eu falei, então, é a única condição que eu imponho.
05:54Vocês não aceitam?
05:55Marisa é craque.
05:57Aí eu pensei que ela não fosse aceitar.
06:00Também porque é madrugada.
06:02A gente tinha que acordar 4 da manhã.
06:04E ela topou.
06:06E foi uma maravilha.
06:07E ali se fez uma parceria que durou eternamente.
06:10E você se recorda de como foi o primeiro dia do jornal?
06:14Deu tudo certo?
06:15Aconteceu algum erro?
06:17Primeiro dia, eu me lembro.
06:18Não deu nada errado.
06:19Foi tudo certo.
06:20Porque era tudo...
06:21A gente fazia praticamente...
06:22A gente apresentava o jornal ao vivo como fazíamos os outros.
06:25Eu já tinha apresentado o jornal da Globo.
06:28Já tinha apresentado a segunda edição.
06:30Que agora é o Boa Noite.
06:34Então, eu sabia fazer ao vivo.
06:36E todas as reportagens eram gravadas.
06:39Então, foi tudo tranquilo.
06:41Meia hora.
06:41O problema foi na primeira entrevista ao vivo.
06:45Porque nós não estávamos acostumados a fazer.
06:49Fizemos uma pergunta.
06:50Fizemos a segunda.
06:51Deixamos ele falar.
06:52Quando ele...
06:53Vamos fazer a terceira pergunta.
06:54Já tinha acabado o tempo.
06:56Acabou o tempo.
06:57Acabou o tempo.
06:57E nos adaptarmos ao tempo estabelecido foi muito difícil.
07:02Muito difícil.
07:03Porque não era uma rotina.
07:05Demorou um tempo até a gente ter a cancha de saber fazer a pergunta.
07:10E deixar o tempo adequado passar.
07:12E um programa que está no ar até hoje é o E-Movimento.
07:15Como que foi a criação desse programa que é sucesso até hoje?
07:19O E-Movimento foi uma criação de duas colegas.
07:22Sueli Lievor e Tereza Balri.
07:24Porque nós vínhamos numa jornada de, às vezes, muito factual demais.
07:30Às vezes, é duro.
07:31É o hard news mesmo.
07:33E as pessoas, às vezes, reclamavam um pouco.
07:36E elas vieram com a ideia de construir um programa mais leve.
07:41Mais jovem.
07:42E que levasse, assim, uma leveza para as pessoas.
07:46E, assim, elas duas...
07:48E isso já foi contado recentemente por elas aqui na Gazeta.
07:51Elas duas criaram esse programa em movimento.
07:54Isso eu fico feliz de que tenha sido, na minha época, que eu era o editor-chefe.
08:01Hoje em dia, não sei se eu era direito.
08:02Não, editor-chefe da TV.
08:04Mas isso é uma criação absoluta delas duas.
08:07E que marca a história da Gazeta.
08:10Há outros, Matheus.
08:11Há outros programas muito interessantes que ficaram...
08:13Você quer ver, por exemplo, tinha palanque eletrônico.
08:15Quando terminava, ou quando a gente ia fazer entrevistas sobre política, e tinha muito isso,
08:21fazia-se um palanque eletrônico.
08:23Depois fazia-se, e agora, governador?
08:25O governador eleito ia dizer, e agora que eu fui eleito, o que eu vou fazer?
08:29Então, tínhamos muitos programas, assim, que fizeram a história da Gazeta.
08:33E faz um link com as pessoas na comunidade, na vida esportiva, no agroturismo e na política também.
08:42E, se for da comunidade, me lembrei agora do Gazeta Comunidade.
08:47Como foi a criação desse programa também?
08:50É muita coisa.
08:51Gazeta Comunidade foi um programa...
08:53Eu acho que a Globo é que lançou para fazer um comunitário.
08:56Isso foi uma ideia da Globo.
08:59E nós não tínhamos nem orçamento para aquilo.
09:01Como é que vai fazer?
09:02Então, seu Bira, Fábio, vamos fazer o seguinte, você faz um cinza 10.
09:07Cinza 10 é uma cor bem neutra que se fazia.
09:10Fazia um fundo infinito no estúdio, duas cadeiras vermelhas para contrastar,
09:16e veio Rose, Rose Duarte, para ser a nossa âncora daquele programa,
09:21que era o nosso programa comunitário, para dar vez e voz às comunidades.
09:26Assim que foi criado e também ficou por muitos e muitos anos.
09:2950 anos de TV Gazeta, perdão, rede, a gente se confunde porque é tão grande quanto,
09:35então a gente liga uma coisa na outra.
09:37Você viu esses 50 anos praticamente completos e praticamente de camarote.
09:41Então, a gente também queria ver de camarote e pegamos algumas coisas que mostram você,
09:47mostram coisas importantes da TV Gazeta.
09:49E a gente gostaria de ver se realmente são importantes.
09:53E a gente vai rodar na televisão.
10:0226 anos depois do lançamento da televisão no Brasil,
10:06chegamos a uma espantosa cadeia nacional.
10:09O que a senhora espera da TV Gazeta?
10:11Tudo de bom que ela pode nos dar, né?
10:14Porque atualmente tem dado muito prestígio a Vitória TV,
10:19então nós precisamos que Vitória se eleve um pouco mais, né?
10:24A presidente da Comissão Executiva Nacional das Assistentes Sociais
10:29veio ao Espírito Santo para falar sobre a organização da categoria como associação profissional.
10:35Na festa de São Sebastião, são criados pelo glorórico O Congo Amores da Lua.
10:41A festa varia em tempo e lugar de acordo com as tradições do povo
10:45e em suas três divisões significam o começo e o fim de uma luta.
10:59Deputado, se as eleições diretas serão decididas pelo Congresso Nacional
11:04pela aprovação de uma emenda, por que esses comícios populares?
11:12No estúdio conosco, o governador do estado, José Inácio Ferreira.
11:15Ele vai fazer a defesa do governo contra as acusações levadas ao Ministério Público
11:19pelo prefeito de Cachoeiro, Teodorico Ferraz.
11:21Governador, primeiro lugar, bom dia.
11:22Ábido, a gente conversa muito hoje sobre memória.
11:25Por isso a gente trouxe esse pequeno flashback, um TBT,
11:28de um pouquinho do que foi todos esses 50 anos.
11:31E como o senhor se sente, tendo feito parte disso e estar vendo agora completar 50 anos de TV Gazeta?
11:38Eu estava reparando uma coisa curiosa.
11:40Em 1976, imagens coloridas.
11:42Você sabe que não era colorido ainda?
11:44Nós não tínhamos equipamento colorido naquela época.
11:47Para fazer aquilo ali, você tinha que pegar o filme colorido,
11:51fazer a imagem colorida e mandar para o Rio de Janeiro para revelar.
11:58Nós não revelávamos colorido aqui.
12:00Então, uma imagem como essa colorida, ela tinha que ir para o Rio de Janeiro
12:04e voltava revelado lá no Rio e editado por aqui que nós tínhamos a nossa moviola.
12:11Enoque Borges, me lembrei, nosso primeiro apresentador.
12:14Então, nós não tínhamos.
12:15Essas câmaras que a gente vê aqui eram tudo preto e branco.
12:18Nós não tínhamos imagens coloridas.
12:20Para fazer alguma coisa colorida, e a primeira que eu fiz foi em 1980,
12:26a primeira reportagem colorida foi lá na Pedra Azul.
12:30Eu saí com Oliveira, que está aqui até hoje, Oliveira Alves de Oliveira.
12:34As imagens iam, nesses filmes coloridos, para o Rio de Janeiro, no ônibus da Itapemirim.
12:41Editava, revelava lá e voltava para ser editado aqui.
12:45Então, a minha memória é bastante interessante.
12:47Gostei de ver Ulisses Guimarães.
12:49Guimarães, você me falou da idade.
12:50Eu posso falar, eu estou com 71 anos, eu faço 71 anos agora em novembro.
12:55Eu tenho a sensação de que eu estou mais velho que Ulisses Guimarães ali.
12:58Hoje eu estou mais velho que ele.
13:00E eu já achava ele bem velho.
13:02Então, assim, não há como você fugir do tempo.
13:05O tempo vem e você tem que vivê-lo da melhor forma possível.
13:09Com certeza.
13:10Você entrou bem novinço.
13:11Como é que é?
13:12Você entrou bem novinço.
13:13Eu entrei com 24 anos de idade aqui na Gazeta.
13:19Similar ao que a gente está vivendo agora.
13:21Que legal.
13:22E o tempo traz muitas transformações, né?
13:25Você conta para a gente, super curioso isso, desse processo de edição, que hoje em dia é completamente diferente.
13:30O senhor também acompanha do ao vivo para o VT, do analógico para o digital.
13:35O que você acredita que trouxe a TV Gazeta esses 50 anos?
13:38E o que vai fazer a TV Gazeta chegar a 100 anos, 150 anos?
13:42Mas, olha, não tenha dúvida de que é você fazer sempre a renovação tecnológica, sempre.
13:47Você tem que estar sempre igualmente veloz, acelerado, para você não se perder no tempo, não ficar para trás.
13:56Dessas mudanças, dessas mudanças, a que mais me surpreendeu foi o VT.
14:00Porque você trabalhava com filme.
14:02É como eu estou te falando.
14:04Você chegava na redação com o seu filme e eles davam para você, por exemplo, como é que media isso.
14:11Era em pés, pé de filme.
14:14Então, você recebia, por exemplo, reportagem especial, você está levando aí...
14:19Reportagem especial, não, reportagem comum, 120 pés.
14:21120 pés significava mais ou menos 4 minutos.
14:26Você tinha que, naquele tempo de 3, de 40 pés, de 124 minutos, você tinha que fazer sua reportagem e
14:34não podia errar.
14:35Então, nós aprendíamos a roteirizar.
14:38Conversava com o cinegrafista e dizia exatamente...
14:42Mostrava o off para ele, a sua leitura de off.
14:44Ele lia aquilo e roteirizava como é que ele ia trabalhar com a câmera.
14:48E sugeria mudanças no texto para facilitar a vida dele como cinegrafista.
14:55Tínhamos que chegar mais ou menos 5 da tarde na TV.
14:57Aquilo ia para ser revelado.
14:59Depois que revelava, ia para a moviola.
15:02A moviola era o equipamento onde você cortava o filme e editava.
15:07E era assim.
15:08Depois veio o VT.
15:09Com o VT acontece uma transformação.
15:12A gente parece bruxaria.
15:13Porque você não precisa voltar ao filme.
15:16Eu errei.
15:17A gente erra numa abertura, esquece alguma coisa.
15:21E aquilo deixava a gente enlouquecido, porque vai perder o filme.
15:24E muitas vezes você realmente não conseguia gravar.
15:27Você errava uma vez, errava a segunda vez, ficava muito nervoso, errava a terceira.
15:32E aí você já não conseguia mais gravar, porque o filme acabou.
15:36Acabava em 3, 4 minutos.
15:38Essa é uma memória interessante.
15:40Quando veio o VT, não.
15:42Você podia gravar, regravar, podia voltar ao filme.
15:45E eu achava, pode voltar ao filme?
15:47Pode, pode voltar ao filme.
15:48E pode gravar de novo em cima?
15:50Pode, porque não é filme, é outra coisa.
15:52Então isso para mim foi o que mais me surpreendeu nesses anos todos.
15:56Isso foi uma revolução.
15:57Depois do que eu vi, são evoluções dessa revolução, da passagem do filme para o VT.
16:04Que interessante.
16:05E o que do fazer jornalístico, desse início de TV Gazeta, o senhor acredita que é essencial a gente manter
16:12ou resgatar?
16:13E o contrário também.
16:14O que foi surgindo com o tempo que é essencial para o fazer jornalístico da Gazeta hoje?
16:19A essência não muda.
16:21Você vai fazer com filme, ou vai fazer sem filme, vai fazer só escrevendo, ou vai fazer com VT, ou
16:27vai fazer com o digital.
16:30Da maneira como for o mais moderno hoje, o que não muda é o seguinte, você tem que contar a
16:35verdade.
16:37A forma como você conta muda.
16:40O conteúdo é que não pode mudar.
16:42Como é que você conta uma história.
16:45Essa história tem que ter começo, meio e fim.
16:48Onde, como, quem, quando, por quê, quanto.
16:52Isso tudo você tem que ser muito fiel.
16:55E se você souber fazer isso, fica de ótima qualidade.
16:59Seja no VT, seja no filme, seja no digital, ou seja no papel.
17:05Eu acabei de ler um conto agora do Tolstói.
17:09É uma coisa incrível, que você não consegue parar de ler.
17:12E está lá num papel, escrito em 1870, e é fantástico.
17:18Então, a maneira como se faz, é que faz a diferença.
17:25Rábido, a gente vai ser um pouco mais pessoal para a gente.
17:29Aqui agora, não tanto do senhor, mas em parte sim.
17:32Que o tema da nossa residência, ela é o jornalismo de confiança na época da desinformação.
17:37Então, a gente queria saber, em sua visão,
17:40e nessa época em que tem tantos deepfakes e as,
17:44em que é tão difícil você confiar em alguma coisa,
17:47e mesmo se você confia, ela pode ser jogada como se fosse nada,
17:51ou descredibilizada tão facilmente.
17:53O que você acha que o senhor sabe, que o senhor poderia falar,
17:57não, eu realizei isso para manter a minha credibilidade,
18:01e eu acho que vocês, residentes, também podem fazer.
18:04E vocês, pessoas no geral, repórteres no geral,
18:07ainda podem fazer para manter, nessa época,
18:10tão confusa da gente em essa questão?
18:14Eu acho que você tem que sempre ser fiel aos fatos.
18:19Você não pode fugir dos fatos porque você tem uma opinião.
18:24A opinião, ela contamina seu pensamento.
18:29A opinião, ela atrapalha o seu modo de pensar.
18:34Em jornalismo, isso é gravíssimo.
18:36Você tem que apurar o fato como ele é de verdade.
18:39O que é que nós estamos apurando?
18:41Qual a importância desse fato?
18:44Quando?
18:44Como que se deu?
18:46Isso tudo você não pode falhar.
18:47Porque a mentira sempre existiu.
18:50A mentira sempre existiu.
18:51Na minha época, existia mentira.
18:55Assim como hoje, existe a mentira.
18:57Só que ela ganhou, como é que eu digo, mais profundidade.
19:01Ela é mais grave hoje do que era na minha época,
19:03mas sempre existiu também.
19:05Você não pode errar com os acontecimentos.
19:08Na medida em que você vai relatar um fato,
19:11você tem que ser exato.
19:14Segundo, é a sua vida pessoal.
19:15Não deixe que a sua vida pessoal seja contaminada
19:19por certas convivências, por certas companhias.
19:23Por exemplo, hoje nós temos que ficar,
19:26já tínhamos que ficar, e eu sempre evitei.
19:28Ah, a lição.
19:29Eu sempre fiquei longe de partido político.
19:33Você não pode ter o partido político.
19:35Porque se você tem um partido político,
19:38você tende a pensar daquela forma.
19:41Aí você tende a ter uma opinião sobre aquilo.
19:44e a sua opinião pode contaminar a sua pesquisa,
19:48a sua busca de informação.
19:50Então, esse é um erro que nós não podemos cometer.
19:52Você tem que ser apartidário, não é bem isento.
19:57A isenção vem do seu apartidarismo.
20:00Você não pode ser neutro, mas você pode ser isento.
20:03Certo?
20:03Então, isso tudo vai formando o seu comportamento
20:07como jornalista.
20:09Não sei se eu fui claro.
20:11Conselhos muito valiosos.
20:12E a gente trouxe, a gente brincou com o senhor
20:14que a gente trouxe uma surpresa.
20:16E o senhor mencionou o nome da nossa surpresa
20:18sem nem saber que ele tinha deixado um recado para você.
20:21A gente trouxe um vídeo do Oliveira,
20:24que é cinegrafista por 50 anos aqui na TV Gazeta.
20:28E ele trouxe uma pergunta para o senhor.
20:29Bora conferir?
20:32Abre o cheque, meu amigo.
20:34Pena que é um flamenguista, né?
20:35E eu, batafoguense.
20:37Mas, Bidu, o que você falaria para essa molecada que está chegando agora?
20:43Cheio de ideia, cheio de esperança,
20:46de tesão pelo trabalho.
20:49O que você falaria para esse povo?
20:50Meu caro, meu caro, meu caro Oliveira.
20:53Que coisa boa.
20:55Nós estávamos numa reportagem.
20:57Olha bem, o que é isso, hein?
20:58Isso é 1980, mais ou menos.
21:01E havia uma discussão numa comunidade lá da Pedra Azul.
21:05Porque estavam arrebentando pedras para fazer a estrada, o asfalto.
21:10E a comunidade ficou com medo de, com as explosões próximas à Pedra do Lagarto,
21:16aquele lagarto tombasse, porque ele é fixo apenas na parte de baixo.
21:20Então, aquilo caía.
21:21Se caísse, o lagarto ia perder a atração turística para aquele lugar.
21:27E nós fomos escalados para fazer a reportagem.
21:29A comunidade já me procurou naquela época.
21:32Isso, realmente, eu fico impressionado.
21:34Eles me procuraram em 1980, 81.
21:37Nós fomos para lá.
21:38Não sei como é que eles me acharam.
21:41Hoje tudo é perto.
21:43Naquela época tudo era longe.
21:44Eles me localizaram, contaram do problema.
21:47Eu me lembro muito bem.
21:49Era o seu Antônio Monteiro e o seu Júlio Pinho, os membros daquela comunidade.
21:55Então, nós fomos lá fazer a reportagem sobre essa possibilidade.
21:59Eu, Oliveira e equipe.
22:02Filme colorido.
22:04E nós fizemos uma bela reportagem ali, sabe?
22:06E eles mudaram a posição do dinamitador por causa da nossa reportagem.
22:11Então, o dinamitador que estaria do lado esquerdo da margem passou para o lado direito da margem.
22:17Isso agradou a comunidade e o problema se resolveu.
22:20O que eu diria, Oliveira?
22:21Eu diria o seguinte, cara.
22:26Não faça da sua carreira jornalística uma coisa pequena, mesquinha, boba, vazia.
22:34Vá atrás dos grandes problemas e tente ser um parceiro.
22:38Um parceiro da comunidade.
22:40Você passa a ser respeitado.
22:42Mas você precisa ser verdadeiro.
22:44Você não pode mentir.
22:45Você não pode chegar lá e...
22:48Chegou lá na Pedra Azul e mentir porque aquilo te agrada.
22:53Você tem que trazer a realidade das coisas.
22:55A posição de um, a posição de outro.
22:57Sempre o outro lado.
22:59Sabe?
23:00Eu digo sempre para a turma.
23:01O outro lado tem que ser ouvido verdadeiramente.
23:04Não para apenas cumprir o compromisso jornalístico.
23:08Você tem que querer ouvir o outro lado.
23:10Porque, às vezes, o outro lado está certo e você está errado.
23:13Então, busque sempre o certo.
23:15O que eu digo para a molecada?
23:17Digo o seguinte, molecada.
23:18Jornalismo é maravilhoso.
23:21O jornalismo é algo que abarca a própria democracia.
23:27Quando você participa dos debates,
23:30quando você quer vivenciar uma vida justa para as pessoas,
23:34quando você quer o bem comum,
23:36você quer que o benefício que nós temos de um lugar maravilhoso como este aqui
23:42não seja só para nós, seja para todos.
23:45E como é que você, com o jornalismo,
23:47faz com que melhore a qualidade de vida das pessoas,
23:50melhore a renda das pessoas,
23:52melhore o IDH de um país,
23:54melhore a educação de um país.
23:56Se a gente consegue isso,
23:58essa luta não tem fim.
24:00Ela é sempre boa.
24:01Ela é sempre útil.
24:02Então, a gente é sempre feliz.
24:03Está sempre bem.
24:04Está gostando de viver a vida.
24:07Quantos conselhos valiosos.
24:08Dá vontade de ficar aqui a manhã inteira, a tarde inteira,
24:11te ouvindo.
24:12Ábido, muitíssimo obrigada.
24:14Porém, temos o tempo,
24:15que o senhor contou para a gente também.
24:16É um desafio nosso manter o tempo ali com o entrevistado.
24:19Mas foi uma honra conversar com o senhor.
24:21E a gente queria propor aqui uma dinâmica final.
24:23Porque o nosso videocast é justamente sobre a história
24:26dos 50 anos da TV Gazeta.
24:28E a gente trabalha ali com o passado, presente e futuro.
24:31Então, no próximo episódio,
24:32os nossos amigos,
24:33Ana Lufa Gundes e Thiago Taan,
24:35vão entrevistar o Bruno Dalvi,
24:37que é editor-chefe do jornalismo da TV Gazeta atualmente.
24:42E a gente queria propor aqui uma troca de bastão.
24:44A gente gostaria que o senhor fizesse uma pergunta
24:46para o Bruno Dalvi.
24:47e ele vai iniciar o nosso próximo episódio
24:49respondendo essa pergunta.
24:51Então, a pergunta que o senhor tiver,
24:53a gente vai conversar muito com ele sobre inovação,
24:56sobre quais são as expectativas
24:57para esses 50 anos se tornarem 100,
24:59o que tem acontecido aí no jornalismo atualmente.
25:04Eu não tinha pensado em fazer uma pergunta para o Bruno, não.
25:08Porque eu e o Bruno,
25:10o Bruno está comigo desde que ele tem, sei lá,
25:1222 anos de idade ou menos, né?
25:14Ele sempre foi muito dinâmico, competente.
25:19Eu o escalei para ser chefe em Linhares
25:21numa situação difícil.
25:23Ele foi para lá moleque, sabe?
25:25Eu acho que ele tinha 24 anos
25:26quando ele assumiu a chefia lá em Linhares,
25:30numa situação de muita crise.
25:32Assim, uma pergunta para o Bruno,
25:34eu acho que eu, assim,
25:35eu acho que eu,
25:36assim, pegando de chofre, assim,
25:39eu diria,
25:41Bruno Dalvi,
25:42você realmente está comprometido
25:45a fazer do jornalismo da Gazeta
25:49um jornalismo ainda melhor,
25:51mais próximo das pessoas,
25:53comprometido com a justiça,
25:55com o melhor para a sociedade onde você vive?
26:01Pergunta anotada.
26:03No próximo episódio,
26:04a gente confere a resposta do Bruno Dalvi
26:06e a Abdo, mais uma vez,
26:07muito obrigada por esse papo tão especial
26:10que, com certeza,
26:10vai ficar marcado na nossa vida
26:12e na vida de quem escutou para sempre.
26:13Fiquei tão nervoso
26:14quanto na estreia do Bom Dia.
26:16Obrigado a vocês, tá?
26:17Pelo carinho, sabe?
26:21Pela, sei lá,
26:22pela simpatia,
26:23pela maneira como me acolheram,
26:25pelo respeito que me dedicaram.
26:26Muito obrigado.
26:27E para você que acompanha a gente,
26:29o nosso muito obrigado
26:30e até o próximo.
26:31Fiquem ligados.
26:33O próximo episódio
26:34do nosso videocast especial
26:3550 anos da TV Gazeta.
26:37E para você que acompanha a gente,

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