- há 2 semanas
Um papo sobre folclore, viagens e ES, tudo conectado à literatura, com o escritor e jornalista, Jonas Reis.
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NotíciasTranscrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem? Mais uma edição do Vitrine Literária com Francisco Grijó, pelas plataformas da Rede Vitória, página de
00:28vídeo do Folha Vitória.
00:30Nós estamos quase chegando ao episódio de número 70.
00:35Todas as pessoas que vieram aqui falaram sobre literatura, pessoas ligadas à produção de livros, à escritura,
00:44escritores, poetas, contistas, romancistas, produtores de livros, editores, leitores, professores, ou seja,
00:53uma gama muito grande de pessoas ligadas à literatura, para a gente poder sempre trazer para você
00:59uma discussão acerca do que é a produção literária do Espírito Santo.
01:04Hoje eu trago uma figura muito interessante aqui no programa, para a gente conversar,
01:11que é, na verdade, um jornalista.
01:13Um jornalista que também é escritor ou um escritor que também é jornalista.
01:19Uma figura muito conhecida aqui em Vitória, que faz um trabalho há muito tempo ligado à cultura do Espírito Santo
01:25e com um ponto muito interessante.
01:28É uma figura, eu já vou adiantar, que tem um amor muito grande pelo Brasil e pelo Espírito Santo.
01:35E por Vitória.
01:36Nós vamos conversar hoje com o Jonas Reis, que está aqui do meu lado.
01:40Jonas, muito obrigado por você ter aceitado o convite.
01:43Jonas, que é membro da Academia Espírito Santo de Letras, é um jornalista que é uma referência
01:48para algumas gerações aqui no Espírito Santo e que mostra a sua veia literária
01:54e uma veia bastante pulsante, embora veias não pulsem, quem pulsa é a artéria,
01:59mas é uma veia bastante pulsante no que diz respeito à produção de ficção.
02:06Mas eu vou começar, Jonas, perguntando a você o seguinte, literatura e jornalismo, qual é a sua preferência?
02:14Bom, primeiro, muito obrigado, Grijó, é um prazer muito grande estar aqui no programa,
02:18as pessoas veem muito o Vitrine e comentam muito, é realmente um prazer, muito obrigado.
02:26Olha, a minha origem é o jornalismo.
02:29Passei muitos anos no jornalismo e passei por todos os veículos de Vitória.
02:35Gazeta, Tribuna, Rádio, comecei na Rádio Espírito Santo.
02:38Você começou com rádio?
02:39Comecei no rádio, com o Oswaldo Oleari.
02:42Oswaldo Oleari, grande figura.
02:43É, eu era técnico na Teleste, era técnico e resolvi que aquilo não era aquilo que eu queria para mim.
02:51Então, um dia eu pedi demissão, simplesmente, entrei no vestibular da UFSS e fui fazer jornalismo.
02:55Com dois meses na UFSS, eu procurei a Rádio Espírito Santo, o Oleari estava lá atrás de uma mesa e
03:01disse,
03:01ó, estou querendo trabalhar nisso.
03:02Ele me deu um gravador desse tamanho, um nacional desse tamanho, vai na rua e me traz alguma coisa.
03:08Aí eu fui no Mercado da Vila Rubi e encontrei Luiz Boaz.
03:11Doutor Luiz Boaz, estamos na casa...
03:13Pais!
03:13Que era ali na Santa Casa, ali perto da Santa Casa.
03:15Encontrei o doutor Luiz Boaz, que era uma figura conhecidíssima na cidade, né?
03:19Doutor Luiz, me dá entrevista aqui e tal, comecei a me levar de volta para o Oleari e falei, está
03:23empregado.
03:24Ah, que maravilha, que história ótima, cara!
03:26Muito legal.
03:27O Oleari está aí.
03:28Bem o Oleari, é bem ele mesmo.
03:29Bem o Oleari.
03:31Sim, aí você...
03:32Mas aí, essa origem em mim é o jornalismo.
03:34Passei por esses veículos todos, fui até chefe de reportagem da TV Gazeta, trabalhei no vídeo, na TV Educativa,
03:41trabalhei no jornal Tribuna, em Política, em Caderno 2, na Gazeta, em Política, fui substituto de editores na Gazeta durante
03:49muito tempo.
03:49E trabalhou como redator?
03:51Como redator, fui chefe dos redatores da Gazeta.
03:54Mas depois você começa a ver que o jornalismo tem uma ingratidão no sentido da sua manutenção posterior, no futuro.
04:03Eu senti que aquilo não ia me dar muita segurança no futuro.
04:08Então, estudei, fiz direito, além do jornalismo, depois do jornalismo fiz direito,
04:12e fiz um concurso para o Tribunal de Contas, passei quase 20 anos no Tribunal de Contas.
04:17E esse período do Tribunal de Contas é que eu dei uma parada na literatura.
04:22Sim, mas peraí, você trabalhando com burocracia, que o Tribunal de Contas é burocracia,
04:28mas você continuava com a veia literária, você continuava com a paixão literária.
04:32Exatamente.
04:33E como é que você começou a colocar isso em prática?
04:35Como é que você sai do jornalismo e se dedica à ficção?
04:38Porque eu quero mostrar a vocês, para quem está nos vendo, quem está nos ouvindo,
04:43mas eu estou aqui com um livro chamado A Volta do Santo que Ouvia.
04:49Eu li esse texto ontem.
04:51Ontem.
04:52Eu conhecia já o trabalho de Jonas, mas eu li esse texto ontem.
04:57E me impressionou muito a sua veia literária.
05:02Ou seja, eu não vejo esse texto como um texto de um jornalista.
05:07Eu vejo como um texto de um escritor.
05:09Nós vamos conversar sobre ele, mas quando é que você se desliga do jornalismo e vai
05:15só se dedicar à literatura?
05:16Sim.
05:17O primeiro livro que eu fiz foi ainda no jornalismo, então tem um teor jornalístico.
05:22Chamava-se Em Nome do Espírito Santo, que retrata aquela disputa política muito importante
05:28pelo Espírito Santo, do Vitor Boaz Cabo Camata.
05:32Esse foi o primeiro.
05:33Sim, esse é anos 90, né?
05:34Exatamente, anos 90.
05:35Depois desse livro, então eu fui para o serviço público, fiz uma carreira longa no serviço público.
05:40Na Volta, então, aí eu fui dar vazão a essa veia mais de escritor, a literatura,
05:46porque era um negócio latente.
05:47Eu escrevia crônicas, participei do primeiro concurso que Vitória, que a Prefeitura de Vitória
05:52fez sobre crônicas sobre a cidade.
05:55Que você, inclusive, escreveu sobre Vitória no futuro.
05:57Exatamente.
05:58Eu também escrevi rumo à estação Vitória, e foi colocado em primeiro lugar.
06:02Tinha Marcos Tavares, tinha esse pessoal todo muito bem.
06:05Só o pessoal de peso, né, cara?
06:06Mas me diz assim, peraí, quando é que foi publicado isso?
06:09Quando é que foi escrito?
06:10O quê?
06:11Esse texto?
06:12Já tem 30 anos.
06:13Então você pensou em Vitória 30 anos depois?
06:16Não, pensei em Vitória nos 500 anos.
06:19Nos 500 anos, então...
06:21Ainda falta o quê?
06:22Falta uns 35 anos.
06:23E você pensa o quê de Vitória no futuro?
06:25Rapaz, o texto que a gente fez na época era uma fantasia, né?
06:30Você não tem mais trânsito no centro da cidade, os carros param fora e aqui dentro
06:35o transporte é feito por uma espécie de carruagem, uns veículos com uma tração mais
06:40tranquila, sem esse tumulto todo que a cidade tem hoje, né?
06:43Então a cidade seria das pessoas.
06:47Você colocou Vitória no futuro contradizendo toda essa ideia científica de carro voando,
06:54de teletransporte, você volta ao bucolismo de Vitória.
06:58Exatamente.
06:58É isso?
06:59Refaz o bucolismo da cidade porque é um negócio que me dá muita saudade.
07:03Eu peguei como garoto na época do bonde.
07:06Então eu tenho saudade da Vitória Antiga.
07:08Quando a gente vai a Lisboa, eu estive em Lisboa em abril, você vê o bondinho, dá vontade
07:14de entrar no bondinho e ficar rodando e tal porque você sente saudade de Vitória Antiga.
07:17É diferente o bondinho lá, né?
07:19Mas aqui era uma maravilha.
07:20A gente pegava o bondinho, andava muito lentamente, você pegava carona, quando o trocador vinha
07:25você pulava, quer dizer, Vitória Antiga era uma paixão.
07:30E quando eu falei logo no início que você era um apaixonado por Vitória, Espírito Santo
07:35e Brasil, é porque você tem dois livros que deixam isso de forma muito clara e muito emblemática.
07:42Um é esse aqui, Viagem à Alma do Brasil, está aqui diante de mim, quem puder ver, estará vendo,
07:49quem está nos ouvindo, Viagem à Alma do Brasil, é esse texto.
07:54E o outro texto é esse que eu mostrei.
07:56Nesse primeiro texto, que é esse aqui, a volta do santo que eu via, você fala sobre o enterro do
08:05divino.
08:06E você faz uma miscelânea muito bem armada, quando a gente usa a expressão miscelânea
08:14parece uma coisa despejorativa, mas não é.
08:15Você faz uma mistura muito bem armada do folclore com a cidade, com personagens reais.
08:25Fala um pouco pra gente disso.
08:26O que motivou você a produzir um texto em que você misturou todos esses elementos?
08:31É, o folclore é um negócio apaixonante, né?
08:39Você se transporta para situações que normalmente você não vive, né?
08:45Então o folclore está à nossa volta aí, mas a gente não frequenta muito o folclore, né?
08:49Então a ideia era mostrar um personagem que tivesse aquela paixão das pessoas por ter um herói,
08:57por ter um salvador da pátria, um cara que possa ouvir todo mundo.
09:01A gente criou um personagem desses, depois ele atende as pessoas, ouve as pessoas,
09:06depois eles caem em desgraça, entendeu?
09:08E no final volta de novo ao amor das pessoas e vão fazer então a procissão do enterro dele.
09:14O santo do enterro dele.
09:15É o santo.
09:16Isso é sensacional.
09:17Certo, mas você mistura personagens.
09:19Você fala em Rogério Medeiros.
09:20Você até é Rogério Medeiros.
09:22Eu identifiquei Rogério Medeiros ali, que é o grande fotógrafo, o grande jornalista,
09:25uma figura importante aqui no Espírito Santo.
09:27Essa mistura é intencional, mas essa homenagem que você faz, ela tem uma função?
09:35Ou seja, Rogério é importante nesse texto?
09:38E por quê?
09:39Sim, o Rogério é importante porque ele tem uma vida cultural com a cidade e com o Espírito Santo.
09:45Rogério, desde muito tempo, se dedicou à saúde do Espírito Santo, à cultura do Espírito Santo,
09:52à manutenção das florestas do Espírito Santo.
09:55Então, Rogério Medeiros é uma figura que tem que ser lembrada sempre.
09:58Infelizmente, hoje está doente, perdeu aquele vício, mas era uma pessoa dinâmica,
10:03muita energia e representava muito bem o Espírito Santo.
10:07Escrevia no Jornal do Brasil e o Espírito Santo se via representado nacionalmente através do Rogério.
10:12Então, é uma homenagem que a gente faz a ele e especialmente pelo carinho que ele tinha,
10:18pelo acompanhamento que ele fazia dos indígenas do Espírito Santo, caíras velhas.
10:25Eu percebi também que você faz nos jogos intertextuais,
10:29há uma passagem que você fala caminhando e cantando e seguindo,
10:33que é uma referência direta à canção, né?
10:37A canção, para não dizer que não falei das flores, do Geraldo Vandré.
10:40Mas, você usa o intertexto, me pareceu, tá?
10:48Quem vai dar a última palavra é você.
10:50Me pareceu que você usa o intertexto com uma função.
10:53Ele tem um motivo para estar ali.
10:56Não é apenas uma homenagem, não é apenas uma citação.
11:01Você é partidário daquela ideia de que os textos literários nascem de outros textos?
11:07Com certeza.
11:08A intertextualidade é uma ocorrência frequente na literatura.
11:14Ninguém, você hoje não inventa mais nada, né, Grigio?
11:17Você está ligado a textos escritos antes dos seus
11:21e você vai ter os seus textos reescritos depois por alguém,
11:26num outro livro, numa outra história e tal, vão lembrar os seus textos.
11:30Então, é tudo interligado, muito interligado.
11:32Então, a gente sabe que isso ocorre e é uma forma de você fazer com que a vida vá girando,
11:38né?
11:39Vai girando, as coisas vão acontecendo e retornem e continuam e vai andando para frente.
11:45Você fez, nesse mesmo livro, uma grande homenagem
11:47às pessoas que antecederam você na academia.
11:51Você fala do bispo, você fala do Zé de Chieta, você fala de Guilherme Santos Neves,
11:56que é o nome do folclore, né?
11:59É verdade.
11:59Do Espírito Santo.
12:00E é dedicado a ele, o livro.
12:03Uma coisa que... Por que você fez isso?
12:06O que isso tem a ver com o livro?
12:08Sim.
12:08Veja bem, esse livro, ele foi...
12:11Pode mostrar para o pessoal.
12:12Esse livro foi preparado especificamente em função da minha eleição para a Academia de Letras,
12:18que ocorreu em 2022.
12:21Eu entrei logo depois de você.
12:22Então, com essa eleição para a Academia, eu pensei em fazer uma publicação de textos curtos
12:28que pudesse ser distribuída na posse.
12:31E realmente foi.
12:31Esse livro não foi vendido, não está à venda.
12:34Eu tenho livros lá, se alguém tiver interesse, eu ainda tenho livros lá.
12:37Se alguém quiser esse livro, como é que faz para fazer?
12:39Só me procurar.
12:40Eu estou no Facebook, as pessoas me acham fácil no Facebook.
12:43Eu tenho ainda alguns exemplares.
12:45Então, foi feito, foi distribuído na posse com textos curtos que eu acho mais fáceis de ler, né?
12:52É um livro curtinho, fácil de ler e faz esse tipo de homenagem.
12:55Eu aproveito a posse para falar, como o nosso regulamento lá orienta, né?
13:02Para falar dos antecessores na cadeira 10, que é a que eu assumi.
13:06Então, eu dou toda a história da cadeira 10, chamando essa cadeira de a cadeira do santo.
13:13Porque o nosso patrono na cadeira 10 da Academia Espírito Santo Tens e Letras
13:17é o padre Anchieta, hoje São José de Anchieta.
13:20São José de Anchieta.
13:21E o número 10, ele é emblemático, né?
13:23Bem emblemático.
13:24Mas o número 10 é o nome de Pelé, que é uma figura importantíssima.
13:28Agora, por falar em amor pelo Espírito Santo, tem esse livro aqui,
13:33Viagem, Alma do Brasil, que é um romance com uma linguagem literária profunda.
13:39Você não, me parece que você não é chegado a roubos linguísticos, não.
13:48Mas você usa o recurso da literatura.
13:51Então, se existe algum vestígio do jornalista Jonas Reis, ele sumiu aqui.
13:59A mim me pareceu.
14:00Eu não terminei de ler o livro ainda, estou lendo.
14:03E você começa em Manaus, você vai descendo.
14:07De onde surge essa ideia?
14:09E você tem essa paixão pelo Brasil mesmo?
14:11Sim.
14:12A paixão pelo Brasil é antiga.
14:14Eu começo o livro dizendo isso, né?
14:16O Brasil era uma voz chamando ao longe.
14:19E eu nunca conseguia ir.
14:21Tinha todas essas amarras do trabalho profissional no jornalismo,
14:26depois no serviço público.
14:28Quando eu me livrei disso, em 2012,
14:30eu aposentei no Tribunal de Contas e falei,
14:32eu vou escrever.
14:33E aí, eu atendi esse chamado do Brasil.
14:36Eu resolvi percorrer o Brasil.
14:38O livro percorre todas as regiões do Brasil.
14:42A gente desce todo o Rio Amazonas de Manaus até lá na Foz.
14:46E a gente mostra a cultura do Brasil, a vida do Brasil, as pessoas no Brasil.
14:51Mas você não mostra isso como jornalista, você mostra isso como narrador.
14:54A ideia era fazer literatura.
14:57A ideia era fazer literatura.
14:58Então, você tem histórias e cultura e coisas que aconteceram no Brasil
15:05que muita gente não conhece.
15:06Lugares onde as pessoas não têm a menor ideia de que existam.
15:10Aldeias indígenas.
15:12Por exemplo, a gente, quando passa por Minas, a gente vai na aldeia Krenak,
15:17que agora está na moda.
15:18Mostra isso aí.
15:19Porque o Ailton Krenak foi para a Academia Brasileira de Letras.
15:23Para o pessoal que está vendo, a gente aí na tela,
15:26isso aqui é uma borduna Krenak que eu trouxe.
15:30Passei três dias na tribo e ganhei isso aqui do presente.
15:33Foi usado numa briga dos indígenas Krenak, da aldeia Krenak,
15:38contra a Vale do Rio Dozo, por causa dos problemas que eles têm
15:41com a passagem da ferrovia lá na tribo.
15:43Então, é uma arma, é uma canela de boi,
15:48joelho de boi enfiado numa madeira de lei da região.
15:52Isso aqui pega para você ver.
15:55Rapaz, uma porretada disso, uma borduna, cara.
15:59Mas deixa eu me fazer uma pergunta a você.
16:02Você fez esse Viagem ao Almo do Brasil,
16:05à lá Euclides da Cunha?
16:06Ou seja, você misturou elementos ficcionais
16:09ou tudo que está aí,
16:12você transformou em literatura, mas existiu realmente?
16:15Absolutamente, tudo que está no livro é realidade.
16:19Você não criou nada?
16:20Não criei nada.
16:21O que você encontrar ali,
16:23ou aconteceu ou está acontecendo, entendeu?
16:27É o Brasil.
16:28É o Brasil pé no chão.
16:30Porque eu não vou para os hotéis ricos,
16:33eu não vou para...
16:34Sabe, chegava em alguns lugares
16:36sem lugar de dormir, ia procurar.
16:39Onde é que eu vou ficar?
16:40Onde é que eu vou comer?
16:40Você estava sozinho?
16:42Sozinho, mochila nas costas, percorrendo o Brasil.
16:44E ficou um negócio muito interessante.
16:46Tem um barco fantasma que me fascinava
16:49desde a época do jornalismo,
16:50porque afundou no Rio Amazonas.
16:53Sim, sim.
16:54Não é?
16:54Sim.
16:55E matou 300.
16:56Morreu 300 pessoas.
16:57300 pessoas.
16:58Levava 500, morreram 300 pessoas.
17:01E depois eles tiraram, né?
17:02Exatamente.
17:02Teve um cara, um ricasso que comprou.
17:04É, tiraram o naviozinho lá do fundo do rio
17:08e rebatizaram.
17:10E eu falei, eu vou fazer uma viagem nesse navio.
17:12E fiz o mesmo percurso trágico que as pessoas fizeram.
17:17Claro que com menos bagagem, né?
17:19Com menos.
17:20Porque ele afunda por causa do exército, né?
17:21Sim, aí limitaram o número de passageiros, de bagagem e tal.
17:25Você fez essa viagem?
17:26Fiz essa viagem.
17:26Sai de Santarém, no Pará, e vai até Óbidos.
17:30Que é Óbidos, também no Pará,
17:32onde o rio faz um entroncamento, faz um pescoço.
17:35E é onde ele é mais fundo.
17:37E ali, quando o naviozinho parou,
17:39é um grande barco, um pequeno navio.
17:42Quando ele parou, eles tinham muito engradados de refrigerante
17:46que eles compraram, estavam carregando e tal.
17:50As pessoas chegaram para a murada do navio,
17:54o navio tombou, aquelas grades correram e ele afundou.
17:58Correu um monte de gente lá.
18:00E eu fiz esse trajeto à noite.
18:02Achei que seria um negócio tranquilo, nada.
18:04Pegamos um temporal, um negócio violentíssimo.
18:06À noite, o barco sai 11 horas da noite
18:09para chegar de manhãzinha no destino.
18:12E passei um sufoco lá.
18:14Quase que não volto aqui para contar essa história.
18:17Mas, tudo bem.
18:19Quer dizer, então, esse livro,
18:22ele é um texto literário que é informativo.
18:26Exatamente.
18:27Então, você não abandonou a veia jornalística.
18:30Porque o objetivo do jornal,
18:32o objetivo do texto jornalístico é informar.
18:34Então, uma pessoa que lê isso aqui,
18:37uma pessoa que lê esse livro,
18:39ela não tem o direito de ler como livro de ficção.
18:42Não.
18:43Não tem.
18:44Não é ficção.
18:45Não tem ficção aí.
18:46Mas, vem cá, você não acha que isso é injusto com o leitor?
18:50Ou seja, leitor,
18:52você vai ser obrigado a ler esse livro aqui como realidade, hein?
18:55É dizer, o leitor não pode imaginar que isso seja fantasioso.
18:59É real.
18:59É real.
19:00Mas, você não diz isso.
19:01Não, não.
19:01Mas, é real.
19:02Mas, eu creio que o próprio título indica isso.
19:05Porque é uma viagem ao Brasil real.
19:07A alma desse país.
19:09Entendeu?
19:10Eu não estou inventando o Brasil, não.
19:12Eu fui para conversar com as pessoas na rua.
19:15Sentar com o sujeito, conversar.
19:17Como é que é a sua vida?
19:18O que você faz?
19:19Como é que é as coisas?
19:19Isso tem demais aqui.
19:21E acho que é o mais bonito do livro.
19:23As pessoas têm voz no livro.
19:25A pessoa mais comum de uma vilazinha distante chega aqui e fala da história dela.
19:33Entendeu?
19:33Então, eu tenho, sabe, Grijó?
19:36A gente tem alguns livros publicados.
19:38Tem outros que estão aí na fila.
19:39Tem um sendo avaliado lá agora na Lei Rubem Braga.
19:44Mas, a minha paixão é esse livro aqui.
19:47Tem saudade de voltar.
19:50Fazer tudo.
19:51Refazer a viagem.
19:52Tá.
19:52E, tudo bem.
19:53Eu consigo entender isso.
19:54Mas, você enveredou também pela literatura infantil e juvenil.
19:58Sim.
19:59Né?
19:59Você tem esse livro aqui.
20:00Sim.
20:01A Lenda do Lagarto Azul.
20:03Que é Espírito Santo.
20:04Que é Espírito Santo.
20:04Que é ilustrado.
20:06Isso.
20:08Escrever para criança.
20:09Como é que é isso?
20:10Eu confesso a você.
20:11Eu não sei.
20:12Não consigo.
20:13Já tentei.
20:13Não consigo.
20:14O que é escrever para criança?
20:15É um desafio muito grande.
20:17Porque, ó.
20:17Lilian Meneguti já esteve aqui.
20:19Paulo Sodré esteve aqui.
20:20Pedro Nunes esteve aqui.
20:22Francisco Aurélio esteve aqui.
20:24Pessoas.
20:25Aline Dias esteve aqui.
20:26Pessoas que escreveram para criança.
20:28Luiz Sérgio IV.
20:29Sim.
20:29Deu uma aula aqui de literatura infantil.
20:33Eu quero saber o Jonas que foi fazer uma viagem pelo Brasil.
20:38O Jonas que é um apaixonado pelo folclore.
20:41O Jonas que era jornalista.
20:44O Jonas que trabalhou no Tribunal de Contas.
20:48Todos esses Jonas se juntam para fazer um texto infantil.
20:53Essa história é a seguinte, Grinjó.
20:57Eu tenho dois netos.
20:59Dois meninos.
21:00É um grande motivo.
21:01Então, o primeiro incentivo foi esse.
21:04Nasceu um menininho.
21:05Aliás, meu filho estava fazendo MBA nos Estados Unidos.
21:08Quando o menino nasceu, eu despingolei para lá.
21:10E é americano o menino?
21:11O menino é americano, mas voltou.
21:13Está no Brasil.
21:14Eles moram em São Paulo.
21:16E isso me incentivou.
21:18Eu tenho paixão pelos meninos, dois garotos.
21:21Vou constantemente.
21:22Sábado agora eu estou indo para São Paulo.
21:24E isso me incentivou.
21:25Eu comecei a conversar muito com eles e saber das coisas que eles gostam.
21:29O que eles gostam de ouvir.
21:30O que eles gostam de ler.
21:31Leem muito.
21:32Porque o pai lê demais.
21:33Então, eu pensei em uma situação no Espírito Santo que juntasse ficção com realidade.
21:40Então, o que o livro é?
21:41O livro fala do lagarto da pedra azul, mas é ficcional.
21:46Então, é uma história em que o lagarto da pedra azul era um animal real, vivo.
21:52Dois garotos saem daqui do litoral e vão ajudar o povo da montanha a se entender com o lagarto.
21:59Porque o lagarto estava extrapolando a vida dele lá nas montanhas.
22:04Os meninos, para solucionar o problema, petrificaram o lagarto.
22:08Só que a questão é que esse lagarto, o livro termina assim, ele pode voltar à vida a qualquer momento.
22:16Entendeu?
22:16Então, nas conversas que eu tinha com os meus netos, a gente começou a idealizar uma coisa desse tipo.
22:23E o resultado é isso aqui.
22:24É realidade misturada com ficção.
22:27Você pretende continuar nessa linha?
22:31Sim.
22:32Eu tenho ideia de outro trabalho nessa área.
22:34É infanto-juvenil, não é?
22:36Não é infantil, é infanto-juvenil.
22:37Apesar de ter um ilustrador muito bom de São Paulo, que trabalhou no livro.
22:42Mas, apesar de não ser para os menores, é infanto-juvenil.
22:46E me deu uma grande satisfação esse livro, que foi percorrer escolas do Espírito Santo.
22:51Quem quiser adquirir esse livro, faz como?
22:53Está na Amazon. Se tiver algum problema na Amazon, me contacte pelo Facebook e eu dou um jeito de passar
23:01o livro.
23:03Todos os seus livros estão disponíveis?
23:05Está na Amazon.
23:05Menos, claro, o...
23:06É esse aqui não.
23:07Esse aí é de graça, né?
23:08Esse aí é de graça, não foi feito para comer.
23:10Mostra esse outro livro aí, fala para a gente, porque esse eu não conheço.
23:12Esse aqui?
23:13Não conhece?
23:13Esse aqui, o Grijó, ele tem a base daquela história que você citou no início do Divino.
23:21A história do Divino é uma história mais longa.
23:24Certo.
23:24É.
23:25Você, quando vê nesse livro aqui, você tem a história do enterro dele, né?
23:29Depois de tudo o que ele passa antes dessa procissão do enterro, está aqui nesse livro.
23:36Mostra para quem estiver nos vendo, mostra a capa do livro.
23:39Se alguém quiser ter esse livro, como é que faz?
23:42Pode procurar também na Amazon.
23:43Na Amazon.
23:44Você tem lá o livro digital e se não encontrar mais lá, isso aqui também tem em casa.
23:51Maravilha.
23:52Só contactar comigo.
23:53Jonas, que prazer, cara.
23:54Que prazer conversar com você.
23:55Valeu, muito obrigado.
23:57Espero que você volte.
23:58Bacana, cara, bacana.
24:00É um aprendizado mesmo sobre essa questão do folclore e eu tenho sempre muita essa dúvida
24:08sobre como contrabalançar jornalismo e literatura.
24:11É.
24:11Que eu acho muito difícil.
24:12Obrigado.
24:13Tá bom, muito obrigado.
24:14E eu que agradeço.
24:16Pessoal, foi um ótimo papo, como sempre.
24:19Na semana que vem nós vamos ter um outro jornalista aqui conversando.
24:23É a primeira vez que nós vamos repetir um entrevistado, que é o José Roberto Santos Neves,
24:30que também é jornalista e também é escritor.
24:33E até semana que vem.
24:34Valeu, gente.
24:35Um grande abraço.
24:37Você ouveu Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
24:44Tudo sobre literatura contemporânea.
24:46Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
24:53E aí
24:54E aí
24:55E aí
24:56E aí
24:56E aí