00:01Cabeça, mão e nuca. Marcas de um relacionamento abusivo que durou sete anos.
00:06A violência ocorreu na casa da família, na frente dos filhos do casal de um, dois e quatro anos.
00:13As crianças acabam ficando porque o mais novo tinha ficado dormindo, eu tinha botado ele na cama e de dois
00:19anos ficou chorando, né?
00:20Mas eu não tinha como, porque se eu fosse entrar pra pegar eles pra mim e sair correndo, eu ia
00:25acabar morrendo.
00:25Realidade que já fez parte da vida desta supervisora comercial que não será identificada.
00:32Na infância, ela presenciou o relacionamento conturbado dos pais.
00:36Sou mais velha, de mais três irmãos, né?
00:40E infelizmente os meus pais tinham problemas com álcool, drogas.
00:46E durante a minha infância e pré-adolescência eu vivenciei vários momentos de agressão física e também verbal dos meus
00:55pais.
00:55Na tentativa de fugir do lar violento, não imaginava que o primeiro casamento também seria marcado por abusos.
01:03Eu comecei a namorar e logo fui morar junto porque eu queria meio que me livrar dessa situação que eu
01:09vivia.
01:09Em casa, num ambiente desestruturado, fui morar junto e depois com o tempo também tive problemas de agressão física, verbal.
01:20De janeiro a maio deste ano, mais de 9 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica aqui no Espírito Santo,
01:27segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública.
01:30Um aumento de 6% em comparação ao mesmo período do ano passado.
01:35O que piora ainda mais esse cenário é que muitas dessas agressões acontecem na frente dos filhos do casal.
01:43São crianças e adolescentes que crescem em um ambiente hostil e que desenvolvem traumas por conta das violências vividas.
01:52Cada criança vai reagir de um jeito, mas em geral a criança fica mais inibida, ou ela fica irritada,
01:59ela não consegue comunicar o que está acontecendo, ela pode ter problemas de aprendizagem, por exemplo, redução de rendimento na
02:06escola.
02:07Para ajudar nesse processo, as prefeituras de Vila Velha, Serra, Cariacica e Vitória oferecem atendimentos para as mulheres e para
02:15os filhos.
02:16Só na capital, entre janeiro e maio deste ano, 2.121 pessoas foram atendidas na Casa Rosa.
02:23Eles têm que digerir, entender o que aconteceu.
02:27Isso não quer dizer que eles vão esquecer.
02:30Eles vão dizer, não aconteceu, não existiu, não é isso que a gente faz.
02:35A gente vai fazer com que eles entendam o que aconteceu, com que eles façam a digestão desse acontecimento,
02:42para aí sim eles conseguirem passar por isso.
02:47O nosso objetivo aqui é que eles lidem com a violência de uma forma menos dolorida,
02:51que seja menos sofrido, que eles pensem naquilo de uma forma menos doída.