- há 4 semanas
No Checkup Saúde, Alice Sarcinelli conversa com o Dr Alberto Stein, cirurgião do aparelho digestivo, e a Maria Machado, coordenadora da Central de Trabsplantes do ES.
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00:00Olá, bom dia! Está no ar o nosso Check-Up Saúde, o programa que coloca você frente a frente com
00:06os maiores especialistas em saúde do Estado.
00:17Hoje vamos falar sobre um tema que pode salvar vidas, a doação de órgãos.
00:22Nos últimos cinco anos, o interesse por esse assunto aumentou em 40% entre os brasileiros.
00:28Os dados são de um levantamento do Google Trends.
00:32Essas imagens impressionantes dão a ideia do drama que este homem vive há mais de uma década.
00:38Com 1,82 metros de altura, ele chegou a perder 34 quilos.
00:45Mesmo vivendo a pior fase da vida, Luiz Perillo nunca pensou em desistir dessa batalha.
00:53Dois anos depois, é assim que ele está agora.
00:55O arquiteto de 34 anos acaba de ter alta do hospital, onde ficou internado por 872 dias.
01:04Quando eu via a rede social, mostrava, né?
01:07Todo mundo se divertindo.
01:13E eu preso.
01:17Luiz levava uma vida normal em Brasília, onde nasceu e se criou.
01:21Estava na faculdade, cheio de planos.
01:24Em 2009, quando ele tinha apenas 19 anos, teve uma trombose na perna esquerda.
01:29Começava um período longo e desafiador.
01:32Mas ele estava longe de imaginar o que ainda viria pela frente.
01:37Era um jovem, descobrindo a vida, né?
01:42Descobrindo a minha profissão.
01:45Correndo atrás de sonho.
01:48A trombose é a formação de um coágulo dentro do vaso sanguíneo ou do coração,
01:52que impede a circulação normal do sangue.
01:55Na época em que isso aconteceu, o arquiteto passou por tratamento.
01:59Mas ninguém imaginava que o pior estava por vir.
02:02Nove anos depois, ele teve outras duas tromboses.
02:05Agora no fígado e no intestino.
02:07Luiz ficou em coma por dez dias.
02:09O psicológico manda muito na nossa recuperação.
02:15O arquiteto conseguiu tratamento em um hospital referência aqui de São Paulo.
02:19Mas os desafios continuaram.
02:21Os problemas de trombose comprometeram vários órgãos de Luiz.
02:25A única alternativa era fazer o transplante.
02:27O arquiteto precisa de novos órgãos.
02:30Estômago, pâncreas, fígado, intestino e um rim também.
02:34Tudo isso terá de ser feito em uma única cirurgia, com um único doador.
02:38Que não fosse só uma camiseta de campanha que as pessoas utilizam num dia determinado ou numa semana determinada.
02:47Eu quero que as pessoas vejam a do e você entendam que ela está aqui para conscientizar a população
02:58e mostrar a importância da doação de órgãos.
03:00No Espírito Santo, 2.411 pessoas aguardam na fila por um transplante de órgãos.
03:07Somente no ano passado, 3 mil pessoas faleceram por falta de doação aqui no Brasil.
03:13Pelo sistema, o cidadão poderá escolher qual órgão deseja doar.
03:18Esse é um gesto de generosidade e solidariedade que pode fazer toda a diferença na vida de alguém que espera
03:25por um transplante.
03:26Mas muitas vezes, mitos, falta de informação, podem impedir as pessoas de se tornarem doadoras.
03:33No Check-Up Saúde de hoje, conversamos com o Dr. Alberto Einstein, cirurgião do aparelho digestivo,
03:40e Maria Machado, coordenadora da Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Saúde.
03:47Sejam bem-vindos, Maria, Dr. Alberto.
03:51Obrigado, Alice, sempre um prazer estar com você.
03:54Temos então na mão hoje um programa para estimular as pessoas a serem doadores de órgãos,
03:59mas explica para a gente, Maria, o que é a doação de órgãos?
04:03A doação de órgãos é um ato de generosidade, em que a família diz sim para a doação,
04:09e é nesse momento que as pessoas que aguardam por o transplante podem ter a sua saúde restabelecida.
04:16Doutor, e vamos começar a pegar um caso emblemático, que foi o caso do apresentador Faustão, né?
04:21Faustão passou por um transplante de um órgão do coração,
04:26menos de seis meses depois teve problemas nos rins,
04:29passou também por um transplante de rins.
04:32A gente quer falar também sobre essa questão da fila, que teve muita gente aí,
04:37será que dinheiro compra o lugar na fila do transplante ou não?
04:40Mas, por ora, o que eu queria saber do senhor?
04:42É seguro fazer dois transplantes num intervalo tão curto?
04:47Sim.
04:48O número de transplantes, a sequência de transplantes, ela é, obviamente, dependente de cada caso.
04:56Então, existem possibilidades de a gente fazer até dois transplantes simultâneos,
05:01como o fígado e o rim na mesma cirurgia.
05:04Claro que a cirurgia se torna ainda mais delicada,
05:08mas sim é possível fazer em conjunto, exemplo, fígado e rim ao mesmo tempo e na sequência.
05:16Porque é comum os pacientes que recebem um órgão de transplante,
05:21seja ele coração, fígado,
05:24os remédios que são dados para não haver rejeição,
05:27os imunossupressores, que todo paciente de transplantes sólidos tem que tomar
05:32para não haver rejeição do órgão, eles podem, como efeito colateral, afetar o rim.
05:38E muitos desses pacientes, isso não é só no Faustão,
05:41então tem outros, vários outros pacientes que precisaram,
05:46num futuro, seja ele tão precoce igual o Faustão,
05:49às vezes até um pouco mais de tempo,
05:51alguns anos depois,
05:52de um transplante de rim,
05:55porque além das doenças, né,
05:57hipertensão, diabetes,
05:59os remédios para não dar rejeição, eles podem atacar o rim.
06:02A gente às vezes está acompanhando, né,
06:04a vida, seja dos famosos, das pessoas que estão à nossa volta,
06:07e a gente comemora, conseguiu o transplante,
06:10conseguiu a doação,
06:12mas também vem aquela dúvida,
06:13essa é uma sentença de vida para a pessoa
06:16ou a chance de rejeição é muito grande, doutor?
06:19Não, hoje a medicina evoluiu muito,
06:21a gente aprendeu muito,
06:22desde a década de 60,
06:24que a gente faz,
06:25a medicina está evoluindo nos transplantes,
06:28e a gente hoje domina os critérios da rejeição,
06:33como tratar, como prevenir,
06:35mesmo assim tem alguns pacientes que,
06:37apesar de todo o esforço,
06:39apesar de todos os medicamentos,
06:41eles podem desenvolver rejeição,
06:43mas a grande maioria não desenvolve,
06:45e um alerta para quem é paciente,
06:48quem foi transplantado já.
06:49Uma das principais causas de rejeição é não tomar a medicação corretamente.
06:54Isso é muito comum ali,
06:56em pacientes mais jovens,
06:58em adolescentes,
06:59que às vezes passam por aquela fase do final da adolescência,
07:03de uma certa revolta,
07:05de não conseguir,
07:07às vezes,
07:08ter a disciplina de tomar os remédios,
07:10e aí perde o órgão,
07:12aí precisa entrar de novo na fila.
07:13Chegou o mais difícil, né,
07:14que é conseguir o órgão,
07:15acho que o apoio psicológico é fundamental.
07:16Fundamental, fundamental para esses pacientes transplantados,
07:20precisa de uma rede de apoio,
07:21e a gente tem que enaltecer o nosso sistema único de saúde,
07:26porque esses medicamentos,
07:28eles são oferecidos pelo SUS,
07:30ele não precisa pagar por esses remédios,
07:34então, existe uma,
07:35eles conseguem esses remédios diretamente do SUS,
07:38sem custos,
07:39mas depende de uma dedicação,
07:42de ficar fazendo exames periódicos,
07:45ficar pegando as medicações,
07:47tomando elas corretamente,
07:48isso eu costumo dizer para os meus pacientes transplantados,
07:51eu faço transplante de fígado,
07:53que como vocês tiveram a chance de uma nova vida,
07:57vocês têm que cuidar muito bem desse órgão,
07:59e o que vocês podem fazer para cuidar bem desse órgão,
08:02fazer os exames periódicos com as equipes,
08:04e tomar corretamente os medicamentos.
08:06Perfeito, e Maria, conta um pouquinho para a gente,
08:09como é que funciona a doação de órgão,
08:11e eu também quero saber um pouquinho do dia a dia de vocês,
08:15lá na central de transplantes.
08:17A doação, ela tem três eixos, né,
08:20a notificação e a doação,
08:22que acontece dentro do hospital,
08:23a central, que é responsável pela logística e distribuição desses órgãos,
08:27e o centro transplantador,
08:29que é quem vai receber esse órgão e transplantar os receptores.
08:32Então, alguém liga e falou,
08:33chegou um coração para a central,
08:36O hospital notifica?
08:38É, o hospital notificador,
08:39ele comunica a central que tem um protocolo de morte cerebral,
08:43que vai abrir um protocolo de morte cerebral, né,
08:45e a partir desse momento,
08:47a equipe que está dentro desse hospital
08:49vai conduzir esse diagnóstico,
08:52e uma vez esse paciente tendo o diagnóstico, né,
08:54de morte cerebral,
08:56a central vai auxiliar na distribuição e logística desses órgãos.
09:01E como que é essa logística?
09:03Eu já vi vocês indo de helicóptero,
09:06como que funciona isso, doutor?
09:08Vocês vão captar o órgão lá no hospital,
09:10onde o paciente teve a morte cerebral,
09:12e depois trazer esse órgão para ser transplantado.
09:15Eu costumo dizer que a parte da logística
09:17é a parte mais apaixonante e difícil do transplante,
09:22porque a equipe,
09:24tanto a equipe da central estadual de transplantes,
09:28como a equipe que fazem os transplantes, né,
09:31elas vivem 24 horas, 365 dias disponíveis
09:35para o transplante acontecer.
09:37Não existe desligar a equipe,
09:39não existe desligar,
09:40não tem feriado, não tem Natal,
09:42não tem ano novo,
09:43nós estamos sempre a postos para receber essa ligação.
09:47E eu costumo dizer que quando a gente recebe essa ligação
09:50e vai acionar o paciente que está na fila,
09:52esse é o momento ímpar, né,
09:55de você receber aquela mensagem,
09:57olha, saiu seu coração,
09:59saiu seu fígado, vem para o hospital.
10:00E isso, o cirurgião,
10:02quem está coordenando toda essa equipe,
10:04tem que contar com o tempo de deslocamento
10:07até esse órgão,
10:09até esse local onde está esse doador,
10:11isso pode ser aqui dentro do estado,
10:13mas a gente já foi buscar órgãos fora do estado,
10:16daí a gente tem que contar com o apoio,
10:18às vezes, da FAB,
10:19que tem um apoio muito bacana com a gente,
10:23disponibilizando as aeronaves da FAB,
10:25a gente vai junto com o pessoal militar, né,
10:29a gente fica,
10:30às vezes, a gente não é militar,
10:32mas entra dentro daqueles aviões militares
10:34que tem a conformação totalmente diferente
10:36de um avião de carreira, né.
10:39Então, a equipe vai, às vezes,
10:41vai na Bahia, no norte do país,
10:44e com tudo isso,
10:46a gente monta quanto tempo que vai demorar
10:48para o órgão chegar dentro do hospital,
10:50onde vai ser feito o transplante.
10:52Então, tudo isso se chama logística.
10:54Pode ser de carro, pode ser de avião,
10:55pode ser de helicóptero,
10:57então vai depender do caso.
10:59Perfeito.
10:59E aqui, para a gente,
11:00a sua pergunta é muito importante.
11:02Vamos ouvir agora a dúvida
11:05de um telespectador do Check-Up Saúde.
11:07Ei, meu nome é Dizinho.
11:09Quais são os critérios para a doação de órgãos?
11:13Bom, é uma ótima pergunta, né,
11:15quais são os critérios para a doação de órgãos?
11:18Eles, existe uma regra, né,
11:21uma ordem que a gente segue.
11:24Os pacientes, os doadores,
11:26eles não podem conter,
11:28ou estar com o diagnóstico de câncer
11:30em atividade,
11:31então isso é uma contraindicação
11:33para ele ser doador,
11:35exceto alguns tipos bem específicos de tumor,
11:38alguns tumores de comportamento benigno,
11:41como os tumores de pele,
11:43mas isso são situações excepcionais
11:45que acho que não dá tempo de a gente explicar.
11:47Mas de uma forma geral,
11:49os pacientes que têm câncer,
11:50eles não podem doar.
11:52Uma outra contraindicação
11:53é a gente avaliar o estado daquele paciente
11:57que desenvolveu morte encefálica.
11:59Às vezes, além da morte encefálica,
12:00ele está com uma infecção muito grave.
12:03Pegou uma pneumonia,
12:04geralmente eles estão em UTI, né,
12:06pegou uma pneumonia na UTI
12:08e está precisando de drogas vasoativas
12:10para manter a pressão,
12:12isso vai deteriorando os órgãos a ser doados
12:16e aí, às vezes, a gente não pode captar
12:18pela condição clínica daquele paciente,
12:21pela idade dele, às vezes, muito avançada.
12:24Aí você vai somando pontinhos
12:25e você vai avaliando.
12:27Mas de uma forma bem genérica,
12:29pacientes com doença maligna, câncer,
12:33não pode doar,
12:34infecções graves,
12:35onde os órgãos já estão comprometidos pela infecção
12:39e algumas, basicamente,
12:41são essas as contraindicações.
12:44O resto, a maioria dos outros pacientes,
12:47eles acabam podendo, sim,
12:48ser um doador.
12:49Então, a grande maioria, Alice,
12:51é o contrário,
12:52a grande maioria dos doadores,
12:54eles podem doar.
12:56E, Maria, quais órgãos que podem ser doados?
13:00Córnea, vamos começar, né,
13:01eu gosto de começar pelos tecidos, né,
13:03então, córnea, osso, válvulas, órgãos,
13:08podemos doar coração, pulmão, fígado, rim,
13:14pâncreas, intestino.
13:15Então, assim, um doador pode salvar até 12 pessoas.
13:22E, doutor Alberto,
13:22como que a gente aborda a família para doação de órgãos?
13:26Como incentivar quem está em casa a essa doação,
13:29a esse ato de esperança?
13:31Alice, isso é um tema muito importante,
13:33porque sem doação, não há transplante.
13:37E a pessoa mais capacitada aqui na nossa rodinha de conversa
13:41para explicar sobre isso é a Maria.
13:43Maria.
13:44Bom, assim, a doação, né,
13:47é o momento mais importante que a gente tem dentro do processo,
13:50que é quando essa família vai ser entrevistada.
13:53A gente tem que entender que é um momento de dor,
13:56é um momento em que ela acabou de perder, né,
13:59o seu ente querido.
14:01Muitas vezes, num diagnóstico muito rápido,
14:05muito abrupto, né,
14:06a pessoa, às vezes, estava almoçando
14:07e foi se deslocar,
14:09teve um acidente de carro,
14:11e aí, né,
14:12teve um traumatismo crâniano,
14:14e esse parente foi a óbito, né.
14:16Então, a família tem que tomar uma decisão muito rápida.
14:19E esse é um dos grandes momentos que a gente
14:22tem toda uma equipe dentro desse hospital,
14:24que são enfermeiros, psicólogos,
14:27a equipe médica,
14:28que faz parte da CIDOT,
14:30que é uma comissão inter-hospitalar de doação de órgãos,
14:32é que vai acolher essa família,
14:34explicar todo o diagnóstico
14:36e fazer a entrevista para a doação.
14:38Porque a doação de órgãos é um direito da família, né.
14:41Então, a equipe, ela tem que dar esse direito à família
14:43de dizer sim ou não para a doação dos órgãos.
14:46Se você me permite, Alice,
14:48isso tudo é treinado.
14:49A equipe da CIDOT, ela treina,
14:51a equipe da Maria, ela treina os profissionais
14:54para comunicar, não é fácil, né.
14:56Um protocolo.
14:57Existe um protocolo e treinamento constante
14:59para aumentar o número de doação.
15:01E aí, a gente estava falando sobre aquela questão da fila, né.
15:04Muita gente ainda acha que pode roubar um órgão e vender, né.
15:09Tem aquele mito,
15:10acordei numa banheira de gelo e perdi um rim.
15:14Existe um mercado paralelo de órgãos
15:17que não seja feito pelo Sistema Único de Saúde?
15:20Existe, como o caso do Faustão,
15:21ele poderia ter comprado um órgão, né,
15:24uma pessoa que é milionária, ela pode?
15:27Não, Alice, isso não existe.
15:28Isso, isso não existe.
15:30No Brasil, isso não existe.
15:32A gente confia muito no sistema de transplante do Brasil,
15:36ele é um exemplo.
15:37Se existe uma coisa no Brasil que funciona,
15:39é o sistema de transplante.
15:42Ele é muito idôneo,
15:43existe uma fila que é controlada
15:45pelas centrais estaduais e centrais nacionais.
15:48Então, eu como, eu trabalho no hospital privado,
15:51faço transplante no hospital privado.
15:52Eu, no momento que eu listo esse paciente,
15:56quem controla a fila é ela.
15:57Eu não fico sabendo se o meu...
15:59Eu até tenho uma lista dos meus doentes,
16:01mas ela que, quando aparece um órgão,
16:04ela que diz, olha,
16:05saiu o órgão especificamente para o seu paciente.
16:08E eu posso ter outra equipe também com outros pacientes,
16:12mas quem distribui isso é o governo estadual,
16:15o governo federal.
16:15Mas, Maria, a gente consegue acompanhar essa fila
16:18ou está só você vendo a posição ali?
16:20Aqui no estado, essa fila,
16:22ela fica possível de ser vista pela população,
16:24por quem está precisando?
16:26Como que é?
16:26Exatamente.
16:27Você pode acompanhar essa fila,
16:30os pacientes são listados,
16:32de acordo com o órgão que ele vai receber.
16:35E quem está na fila, o receptor,
16:38ele recebe um numerozinho chamado RGCT,
16:42que é a identificação dele.
16:43Então, com esse número, ele entra no sistema,
16:46que é o sistema nacional,
16:47digita lá e ele vai saber a posição dele,
16:50quantas ofertas ele recebeu de órgãos,
16:53quantas vezes aquele órgão não foi apropriado para ele.
16:56Então, o receptor, o paciente,
16:58ele tem total controle sobre a sua colocação na fila.
17:02Transparência.
17:03Transparência.
17:03Só que tem que deixar bem claro, Alice,
17:05que existem critérios clínicos.
17:08Nem sempre, óbvio que o paciente que está em primeiro da lista,
17:11ele vai receber primeiras ofertas.
17:14Mas, talvez, por discrepância de tamanho,
17:18discrepância da qualidade do órgão,
17:21ele pode ser recusado para aquele primeiro da lista,
17:23por alguma questão técnica que a equipe julgou,
17:27e passar para os próximos.
17:29Muitas vezes, a gente tenta seguir a lista à risca.
17:33O órgão saiu, vai para o primeiro.
17:35Mas, existem situações esporádicas,
17:38onde aquele órgão pode ir para o segundo,
17:40se a equipe julgar que não é o melhor órgão para aquele,
17:43naquele momento.
17:45Mas, isso tem que ficar muito bem definido, né?
17:47Porque, por exemplo, a gente liga para o médico
17:49e oferta aquele órgão para aquele paciente.
17:51Se o médico, aquele órgão não tinha condições clínicas
17:54de ser transplantado naquele paciente,
17:56ele fala, olha, eu recuso para esse paciente,
17:58isso tudo é feito por documento,
18:00e aí, a gente passa a próxima oferta,
18:06aí a gente liga.
18:07Pode ser nem que seja para aquela equipe,
18:08pode ser para outra.
18:09Então, é paciente a paciente.
18:11Eles têm uma hora para poder recusar essa oferta,
18:14e só a partir do momento que ele tem certeza
18:16que aquele órgão é para aquele paciente,
18:18é que a gente coloca transplante sem confirmação.
18:22E vamos para os mitos e verdades,
18:24porque nós queremos que você não tenha dúvidas
18:27ao doar um órgão de um parente
18:30ou autorizar a sua própria doação.
18:32Queremos saber, Maria, Alberto,
18:35um único doador só pode doar um órgão.
18:38Isso é mito, né?
18:40Um doador pode doar vários órgãos.
18:43Então, é uma esperança para várias famílias.
18:45Para várias pessoas, isso.
18:47E a gente também quer saber,
18:49será que os idosos podem doar órgãos?
18:51Isso é verdade?
18:52Até que idade a gente pode ser doador?
18:55Isso é verdade.
18:57Não existe uma idade máxima para ser um doador.
19:02Para você ter ideia, nos Estados Unidos,
19:03tem relatado doadores acima de 95, 100 anos
19:08que doaram o fígado e o fígado funcionou perfeitamente.
19:12É claro que existem outros critérios.
19:14A gente chama esse doador de critérios expandidos.
19:19Então, é um mito.
19:20Você pode, sim, doar idosos.
19:23Não tem idade para doar.
19:24Não tem idade.
19:25Maravilha.
19:26E a gente quer saber ainda sobre o caso do Faustão.
19:29Pessoas mais ricas que estão na fila,
19:32conseguem órgãos primeiro?
19:34Alias, isso é ótimo você ter perguntado
19:37para a gente esclarecer bem essa questão do Faustão,
19:39que até hoje dá muita dúvida.
19:42Não é verdade isso.
19:43A lista, ela é correta.
19:46Existe uma priorização, como a gente mostrou,
19:49falou anteriormente.
19:51O que pode acontecer e que a gente sabe
19:53por próprios relatos da mídia e da central,
19:57do hospital que realizou esse procedimento no Faustão,
20:01é que o órgão, inicialmente,
20:03ele era mais compatível em relação ao tamanho,
20:07é o peso do paciente, que era o segundo da lista,
20:10que era o Faustão Silva.
20:12E por isso que ele recebeu o órgão.
20:15E ele recebeu, e todo paciente que precisa
20:17de um segundo transplante, no caso,
20:19já falando do transplante do rim,
20:21ele ganha priorização.
20:22Então, o paciente que já foi transplantado,
20:25ele ganha priorização em relação aos outros pacientes,
20:29porque a situação dele é mais urgente e mais grave.
20:32Porque a gente não só transplanta por ordem da fila,
20:36de chegada na fila,
20:37a gente também transplanta por ordem de gravidade.
20:41E a gente quer saber, Maria,
20:43a família do doador não terá custos com a doação.
20:47Verdade ou mito?
20:48Verdade, ela não tem nenhum custo com essa doação.
20:52E pessoas sem identificação,
20:55elas automaticamente se tornam doadoras.
20:58É verdade?
20:59Mentira, é um mito, tá?
21:01O paciente tem que estar identificado.
21:04Uma vez que ele não está identificado,
21:05ele não pode ser um doador.
21:07E após a doação de órgãos,
21:10o corpo precisa ser sepultado com o caixão lacrado?
21:14Mito.
21:15Mito?
21:15Mito.
21:16O corpo, ele é recomposto, né,
21:19condignamente dentro da lei.
21:21Então, não vai ter nenhum impacto no velório.
21:24A equipe, ela entrega o corpo para a família condignamente.
21:27Alice, só acrescentando,
21:30a cirurgia para a remoção dos órgãos para a doação
21:33é extremamente complexa.
21:35É uma cirurgia, é feita em centro cirúrgico,
21:37sob todos os cuidados, né,
21:39de assepsia, antissepsia.
21:41E após a remoção dos órgãos,
21:43é obrigação da equipe que removeu os órgãos,
21:46recompor ele,
21:46esse órgão,
21:47como se fosse uma cirurgia eletiva,
21:50feita ainda em vida.
21:51Então, a gente recompõe completamente
21:53para, obviamente,
21:55dar dignidade a esse doador.
21:58E aqui o nosso compromisso é com a saúde pública.
22:01Quem quiser ser doador de órgãos
22:03vai poder registrar o desejo no site
22:06ou no aplicativo do CNJ,
22:08o Conselho Nacional de Justiça.
22:10Isso vai garantir que os parentes
22:12e o sistema de saúde
22:14tenham conhecimento da decisão.
22:16O site é o www.aedo.org.br.
22:23Mas vale lembrar, né,
22:25que essa é uma manifestação
22:27do seu desejo de ser um doador,
22:29de deixar aí claro para a sua família.
22:31Mas quem vai decidir
22:33é a sua família,
22:34é ela que vai autorizar
22:35a retirada desses órgãos.
22:37Então, tem que,
22:38mesmo se cadastrando, né,
22:41tendo esse certificado digital,
22:43a família, ela tem que estar ciente
22:44para poder, na hora certa,
22:46ela autorizar essa adoção.
22:48Maravilha!
22:49Maria, muito obrigada
22:50pela sua presença,
22:51pelos esclarecimentos.
22:53Eu que agradeço.
22:54E vamos conversar mais
22:56sobre esse tema, né,
22:58e deixar bem claro
22:59o nosso desejo
23:00para que a gente possa salvar
23:01muitas vidas ainda.
23:03Doutor Alberto,
23:04muito obrigada.
23:05Alice, mais uma vez,
23:06obrigado pelo convite,
23:08falar desse tema
23:08tão apaixonante para nós, né, Maria?
23:10E que venham mais doações
23:13para a gente poder
23:16levar a saúde
23:17para quem está esperando
23:18nas filas, né?
23:20Nós ficamos por aqui,
23:21eu deixo você
23:22com uma reflexão.
23:23Domingo que vem,
23:24eu te espero
23:25no Check-Up Saúde.
23:26Até lá!
23:27Um dia me perguntaram
23:29o que uma pessoa
23:30que é paliativada sente.
23:33E o que eu tenho a dizer
23:34para vocês é que
23:36você começa a enxergar
23:37a vida de outra forma.
23:39você quer dizer
23:40para as pessoas
23:41que você ama,
23:43que eu os amo,
23:46você se arrepende
23:48de não ter aproveitado mais
23:49o que você poderia ter feito.
23:51Às vezes você deixa
23:52de fazer alguma coisa
23:53por preguiça,
23:54encontrar amigos,
23:55um almoço de família,
23:57e se você tivesse
23:58mais chace,
24:00com certeza você faria.
24:02Não deixaria de ir.
24:04Acho que é isso.
24:06Seu olhar muda completamente.
24:08sobre a vida.