Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 8 minutos
A desconstrução de preconceitos é fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária, onde crianças e adultos possam conviver sem julgamentos. É importante falar sobre esse assunto e não permitir que preconceitos sejam internalizados.
Para discutir esse tópico, estamos aqui no estúdio com a psicóloga Luyza Sena, o advogado Marcos Vinícius Sá e a mãe de duas meninas, Naiara Costa.

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Olha gente, a justiça aceitou a denúncia contra a jovem que praticou o racismo em Linhares
00:06ao gravar um vídeo com duas adolescentes.
00:09O Ministério Público do Estado, por meio da segunda promotoria de justiça criminal de Linhares,
00:15denunciou a jovem de 19 anos pelos crimes de racismo e corrupção de menores,
00:22já que o vídeo tinha afirmações preconceituosas em relação à raça e à cor de outras pessoas.
00:30A gravação foi feita ao lado de duas meninas menores de idade.
00:34O Ministério Público pede ainda que a jovem pague uma multa para a reparação dos danos materiais e morais.
00:42E em relação às adolescentes que participaram ali do vídeo,
00:47o Ministério Público propõe que se for comprovada a prática de ato infracionário
00:53que seja aplicada ali uma medida sócio-educativa.
00:56Nós conversamos, viu gente, com o advogado responsável pela defesa da jovem e também de uma das adolescentes
01:04e ele informou que a defesa não vai se posicionar no momento.
01:08Nós não conseguimos localizar a defesa da outra adolescente.
01:12Agora, o que esse caso nos serve de alerta? O que a gente precisa refletir?
01:18Que a gente precisa falar sobre esse assunto, a gente precisa conversar sobre esse assunto
01:23para não permitir que os nossos filhos tenham esse olhar sobre o outro,
01:28um olhar preconceituoso, cheio de estigmas, o que é um crime.
01:33A gente precisa desconstruir qualquer tipo de preconceito.
01:36Vamos bater um papo sobre esse assunto? Eu conto com a sua participação.
01:39Então, senta aí no sofá da sua casa, onde você estiver, porque aqui no nosso estúdio
01:42eu recebo a psicóloga Luísa. Muito obrigada, Luísa, pela sua participação, Luísa Sena.
01:48Também recebemos aqui o advogado, Dr. Marcos Vinícius. Obrigada também pela sua participação.
01:53A Nay Costa, que está sempre com a gente ali no nosso espaço gourmet com muitas delícias.
01:57Mas a Nay, ela é mãe também de duas meninas.
02:01E eu queria que você me falasse, abrisse o coração para a gente, Nay,
02:04qual é o seu sentimento quando você viu que esse vídeo viralizou nas redes sociais?
02:08Foi notícia de norte a sul do país. Boa tarde.
02:12Boa tarde, Beto. Boa tarde a todos em casa.
02:14É muito triste, né? Ainda mais a gente, como nós, como os compais, né?
02:17Tem que ensinar, educar.
02:20E aí vem essa situação que envergonha, né?
02:23E toda vez, assim, praticamente sempre, né?
02:26Está na rotina, está como se fosse normal fazer isso, né?
02:30Esse preconceito, esse racismo, a gente está vendo sempre.
02:33Várias vezes a gente está vindo aqui falar sobre isso, sobre esse racismo.
02:37E a gente, como nós, como os pais, é ensinar e educar, né?
02:40É o que eu tento fazer em casa.
02:42Até porque as minhas, eu tenho uma de 6 e uma de 11 anos.
02:45Então, 11 anos está naquela fase da pré-adolescência, né?
02:47Então, assim, vai na escola, vê uma coisa.
02:49Chega em casa, a gente ensina a outra.
02:51E é bem complicado, né?
02:53Doutor Marcos Vinícius, a gente tem a esperança sempre na próxima geração, né?
02:59Assim, naquela que a gente está ali construindo a cada dia.
03:02A gente aprende tanto com os jovens sobre as tecnologias, as novidades, que eles acabam dando um banho na gente.
03:10Sobre catar lixo na rua.
03:12Quantas crianças ensinam para os avós, não, não pode jogar lixo na rua.
03:16Mas, por outro lado, qual é a análise que você faz em relação a essa juventude, né?
03:23No comportamento que era para ser anti-racista, né?
03:28Mas a gente, às vezes, ainda se decepciona.
03:31Boa tarde.
03:32Boa tarde, Alberto.
03:33Boa tarde a todos.
03:35Nelson Mandela falava que ninguém nasce racista.
03:39As pessoas são educadas a serem racistas.
03:42Elas são ensinadas a reproduzirem práticas racistas no seu cotidiano.
03:47Infelizmente, a gente tem visto isso aumentar e aumentar em uma proporção muito ruim.
03:53Nós temos agora o Atlas da Violência, que trouxe uma explosão do número de ocorrências policiais
03:59por crimes raciais no ano de 2023.
04:02O que, por um lado, nós temos essa tristeza, né, nesses números altos, mas também nós
04:07estamos um lado no sentido de que as vítimas de crimes raciais, elas estão procurando o
04:13poder público para que isso seja reparado, para que isso seja solucionado pelo sistema
04:18de justiça criminal.
04:19Infelizmente, nós temos visto aí também um aumento desesperador de células neonazistas
04:25no nosso país.
04:26Então, quer dizer, esses discursos de ódio contra grupos de minoria, contra negros, contra
04:32mulheres, contra gays, infelizmente a gente tem visto uma explosão desses números justamente
04:37por conta da prática desses grupos.
04:40Há um tempo atrás, agora no início do ano, jovens aqui de Linhares, no norte do nosso
04:46estado, utilizaram a internet.
04:49A início, né, era para ser ali uma brincadeira entre elas, tipo aquela brincadeira de antigamente,
04:56quem nunca, e aí começaram a ter comentários pejorativos sobre a raça, sobre outras pessoas.
05:03E a gente se pergunta, né, jovens, não era para estar justamente mudando tudo aquilo que
05:09a gente sabe que é praticado de errado, que está enraizado na nossa cultura e que a gente
05:14tanto bate nessa tecla que precisa ser mudado?
05:18E isso, ao mesmo tempo, deixa a gente tão desacreditado, sabe, Luísa, do que a gente pode esperar
05:25da próxima geração.
05:27Então, faz a gente refletir como que a gente desconstrói isso com os nossos filhos, porque
05:32é desde criança, né?
05:33Boa tarde.
05:34Boa tarde.
05:37Também é muito importante que a gente pense no diálogo, né?
05:40O diálogo é o caminho, porque as crianças, elas são criadas e todos os pensamentos delas,
05:46todas as vivências, farão parte exatamente desse conjunto de quem criou, dos pais, dos
05:51cuidadores, né?
05:51Por isso que é importante trazer esse diálogo desde novo.
05:54Não só quando surgem esses casos, mas esses casos também são exemplos, né, de como podemos
05:59debater esse assunto, mas também antes disso acontecer, antecipando, trazendo exemplos
06:04da diversidade do nosso país, de diferentes tipos de cores, tipos de tons de pele, tipos
06:10de cabelo, né?
06:11E também mostrando esse assunto, né, de forma séria, como ele deve ser tratado.
06:15Que é trazendo a questão da impunidade também.
06:17Durante aquele vídeo, a gente vê um conforto que elas têm, uma naturalidade em trazer aquele
06:21assunto, como se aquilo não fosse um assunto que fosse, né, ser punido de alguma forma,
06:27né?
06:27Então, trazer essa conscientização de que é um crime, né?
06:30E antes de trazer que é um crime, por que que isso é um crime?
06:33Mostrando exatamente essas diferenças, né?
06:35Porque se a gente quer que as crianças sejam um futuro aí, tragam um futuro pra gente diferente,
06:40é importante a gente pensar nisso.
06:42Pensar sempre no diálogo, trabalhar a diversidade e trazer também que não é comum, né?
06:47Por mais que seja comum, na verdade, não é normal a gente viver todos os dias esses
06:52casos, né?
06:52Que não é só um caso, é mais um caso que se repete todos os dias.
06:56Eu acho muito interessante quando você usa a palavra de prevenção pra não deixar que
07:00isso aconteça pra conversar com os filhos, né?
07:03Vamos pensar, assim, numa situação, criançada tá de férias e aí conhece amiguinhos novos.
07:09Como que eu posso introduzir esse assunto com o meu filho?
07:13Porque é a hora que ele conhece pessoas de outros estados, é a hora que ele se relaciona
07:17às vezes com pessoas que não só são da sala de aula dele, mas com o vizinho do bairro
07:21faz uma nova amizade também.
07:23Como que a gente pode desconstruir isso nesse momento, pensando agora nessa coletividade
07:28aí nas férias, nessa diversidade?
07:30Perfeito.
07:31Nesse caso a gente tem duas opções, uma que é de fato introduzir, levar aquele tema
07:35a debate, sejam com histórias, com uma situação que tá acontecendo ali naquele momento, por
07:40exemplo, e a outra forma é utilizando algo que já está acontecendo, né?
07:44Então, muitas vezes os cuidadores, os pais não prestam atenção nisso, deixam passar,
07:49não corrigem em determinado momento em que foi feita uma brincadeira, que na verdade
07:53não é brincadeira e chega nesse ponto, né?
07:55Então é importante a gente pensar nesses dois sentidos, em introduzir de fato, se a
08:00gente fala sobre tantas outras coisas, por que que é errado falar sobre o racismo, né?
08:04Ah, mas eu vou chegar e vou falar sobre isso.
08:06Por que não?
08:07A gente tá vendo diariamente a quantidade de casos, então é importante a gente introduzir
08:11esse assunto, sejam com...
08:13A gente vai adaptando de acordo com a idade, né?
08:15De forma lúdica, mas a gente tem várias situações atualmente que podem ser utilizadas
08:19pra trabalhar como o próprio meio das crianças, né?
08:22E estimulando também, né?
08:24Como pai, como mãe, junto aos amigos, lá em casa, por exemplo, a gente abre as portas
08:28de casa, quanto mais criança tiver perto de mim, perto dos meus filhos brincando, eu
08:33sempre me sinto mais confortável, né?
08:35Estão ali sob meus olhos.
08:36E a gente junta, você faz isso na sua casa, Anai?
08:39Muito, a gente junta, faz noite do pijama, chama as amigas, chama os primos, junta a
08:43família, né?
08:44E isso é muito importante.
08:45Você viaja muito pra Bahia, né?
08:47Muito, a gente viaja muito.
08:48Aí você vê lá suas filhas, como é que são tratadas, por exemplo, com os amiguinhos
08:51de lá?
08:52Assim, como a gente sempre conversa com elas, na verdade, na viagem, a gente não é uma
08:55lavagem cerebral, mas a gente vai conversando com elas, que é um ambiente diferente,
08:59tem pessoas diferentes, você tá numa casa onde não é sua casa, a gente sempre
09:04conversa muito com elas, no carro, elas, tá bom, mãe, a senhora já falou, mas é
09:08só pra vocês lembrarem, a gente não tá na nossa casa, se comportem, falem de maneira
09:11educada com as pessoas, agradeçam, até a forma de dar bença, eu falo isso com elas,
09:15né?
09:15Porque a gente tem o costume desde criança de dar bença, pai, bença mãe, bença avó,
09:19façam isso, porque isso é muito legal, é gratificante a gente ver.
09:23Então, assim, é o tempo inteiro, elas falam, você já falou, você já falou, mas a gente
09:26tem que continuar falando, porque hoje a internet tá assim, um joguinho que você joga, você
09:30vê que tem, às vezes, tem uma criança preta, tem uma criança branca, e eu tava vendo
09:34esses dias no jogo, exatamente isso, assim, um preconceito no jogo.
09:38Isso também acontece nos jogos online?
09:40Aí, por exemplo, eu vejo lá, ela tá fazendo, ai, mãe, eu tenho que fazer um bonequinho preto,
09:44eu tenho que fazer um bonequinho branco, porque no jogo, às vezes, se ela for negra, ou se
09:48for alguma coisa assim, às vezes, as outras outras bonequinhas não jogam, e eu não sabia
09:52disso, e aí a gente vai vendo, até no jogo, que as pessoas jogam esses jogos, esses joguinhos
09:57assim, você vê que, às vezes, ela faz um bonequinho, vai fazer um bonequinho mais escurinho.
10:01Mas por que você vai fazer um bonequinho mais escurinho? Ah, porque a gente consegue
10:03brincar mais, você vai fazer um bonequinho branco. Eu falei, mas você não é branca,
10:06você é negra, o que você tem que fazer um bonequinho branco? Então, assim, é muito
10:10difícil, e você vê, igual você vê essas meninas, por exemplo, elas tinham, com certeza,
10:14elas são as meninas bem de vida, são meninas, são brancas, mas são bem de vida, elas
10:18não são meninas que não entendem internet, que estão na internet o tempo inteiro, que
10:22vê isso acontecer o tempo inteiro, que vê racismo acontecer, que vê tudo isso acontecer.
10:26E, às vezes, quando a gente fala que é negro, acha que a gente tá se vitimilizando.
10:29Muita gente fala isso, não sabe por que é preto que tá falando, só porque é negro
10:31que tá falando. Mas não é, porque realmente isso acontece. E não só na internet, mas
10:36pessoalmente também, né? Você vai num shopping, eu já percebi muito isso por eu ser negra.
10:40Você vai no supermercado, eu já percebi isso, aconteceu isso comigo no shopping, eu
10:44fui ser atendida, da pessoa virar as costas para não me atender e atender uma outra pessoa
10:47porque ela era branca. Mas, às vezes, assim, eu não deixei, não. Eu fui comprar o produto,
10:51porque eu queria aquele produto. E aí vai ainda se tritar com a forma de ironia.
10:55Até meu marido falou assim, mas por que você comprou? Sim, porque eu precisava do produto,
10:58mas você podia ter falado, você não foi tratada bem. Ele virou as costas para você
11:02e foi tratar a outra pessoa. Por que ele fez isso? Sentiu você diferente?
11:07Eu senti triste naquela hora, mas eu falei assim, não, eu vou levar meu produto porque
11:09eu quero meu produto. Eu vou levar. Mas é muito triste, né? A gente que a gente sabe,
11:13por exemplo, ser negro sofre muito mesmo.
11:15Doutor Marcos, Vinícius, essa situação que a Nay contou agora, né? Que eu confesso que
11:18eu fiquei surpresa de levarem esse comportamento que a gente precisa acabar com isso,
11:25desconstruir, né? Que é o racismo, até para os jogos, né? Então, quer dizer que o avatar
11:30que a criança cria, então, tem crianças que são excluídas de determinadas brincadeiras
11:36online, de determinados grupinhos por conta disso. Isso também pode ser considerado um
11:42crime, essa forma de racismo?
11:43Não, o racismo, ele está impregnado no inconsciente da sociedade brasileira.
11:48Nós estamos falando de um país com pouco mais de 500 anos e que quase desses mais de
11:54500 anos, mais de 400 anos praticamente, nós vivemos sob um regime de escravidão.
11:59Então, quer dizer, isso faz parte do imaginário do inconsciente coletivo e é justamente isso
12:03que a gente tem que combater. Então, quer dizer, as próprias, vamos pegar aí, as próprias
12:07emissoras de televisão, quantas vezes na nossa infância a gente via que a empregada
12:12doméstica, o motorista, o ladrão da novela era destinado para os atores negros.
12:17Já as mocinhas, os galãs, os mais bonitos, sempre eram destinados para os atores brancos.
12:22Isso tudo faz parte da construção do imaginário coletivo do nosso país.
12:27O que que hoje a gente busca é justamente com essas pautas sendo trazidas por movimentos
12:33sociais, é justamente a gente romper essa lógica. A gente quer ver a Thaís Araújo,
12:38a gente quer ver o Lázaro Ramos como protagonistas, como pessoas que são empresários, que têm
12:43dinheiro, como eleitos, como pessoas bonitas. Então, quer dizer, é romper com essa lógica.
12:47E só para fazer um adendo da fala da colega aqui, falou-se muito da questão da responsabilidade
12:53dos pais. Ótimo, é muito importante falar sobre isso. Mas nós temos que também jogar
12:57foco sobre e a responsabilidade enquanto política pública? O que que a administração pública
13:03tem feito sobre isso? Trazer um exemplo, Roberta. Nós temos uma lei de 2003, a lei 11.369,
13:10que ela traz a obrigatoriedade de trazer os currículos escolares, de escolas tanto públicas
13:18quanto particulares do Brasil, sobre cultura e história afro-brasileira. 2003, nós estamos
13:24falando de mais de 20 anos. Essa lei, ela é totalmente ignorada. Como que as secretarias
13:30de educação estadual, municipal, elas estão fiscalizando isso? Então, quer dizer, e repito,
13:36seja em escolas públicas ou particulares. Em escolas, por exemplo, a gente pega a nossa
13:40vivência. Como nós estudamos história e geografia? A gente estudava história da Europa, geografia
13:46da Europa e da América. O continente africano, ele era totalmente ignorado e é até hoje.
13:53Então, quer dizer, se você pegar dentro das escolas públicas, a maioria dos alunos de
13:57escola pública são alunos negros. São alunos que não têm condições econômicas de pagar
14:01uma escola particular. E eles pouco sabem sobre a sua história. Então, quer dizer, é uma
14:06lei que ela é totalmente ignorada. E aí eu pergunto, o Ministério Público está fiscalizando
14:11isso? As promotorias de justiça com atribuição na educação, elas estão cobrando das prefeituras,
14:17do governo do Estado, nas escolas públicas do Estado do Espírito Santo, nas escolas particulares.
14:24Cadê a obrigatoriedade disso? Por quê? Porque nós temos que trazer isso para o debate,
14:28inclusive, dentro da sala de aula. Nós temos que falar isso em casa, enquanto pais? Temos.
14:32Mas as escolas, isso é política pública, isso é marco civilizatório. Nós não podemos
14:38achar que racismo é opinião. Ah, minha opinião, eu acho. Isso não é opinião. Isso é marco
14:43civilizatório no nosso país. E nós temos que avançar nisso. E, infelizmente, nós não
14:49temos avançado. Infelizmente, o que nós temos visto é um assunto que está estagnado.
14:55Então, quer dizer, porque muitas das vezes nem mesmo isso é tratado como prioridade
14:59em políticas públicas.
15:01E a gente não pode aceitar isso. Não dá para a gente assistir isso calado. Não dá.
15:05E, olha, é só na internet não, tá? Que o racismo precisa ser combatido.
15:09Gente, quantos e quantos casos no futebol também acendem o alerta? A gente já mostrou
15:13aqui no programa, né? Uma das principais vítimas é o jogador brasileiro, o Vinícius
15:17Júnior. Em uma postagem nas redes sociais, Vini disse que já tinha vivido mais de 19 episódios.
15:25de racismo nos últimos meses dentro de campo. Um desses casos foi um jogo contra o Sevilha.
15:32Na postagem, olha só o que o Vini disse, abre aspas, infelizmente, tive acesso a um vídeo
15:38com outro ato racista na partida deste sábado. Dessa vez, para, gente, praticado por uma criança.
15:47Lamento muito que não haja ninguém para educá-la. Eu invisto e invisto muito na educação no Brasil
15:54para formar cidadãos com atitudes diferentes dessas. E quando o caso de racismo, gente, acontece
16:02também com uma criança. Muitas vezes elas não entendem o que está acontecendo ali naquela situação.
16:08Você imagina um pai, uma mãe, vendo isso acontecer com seu filho. Lembra do caso da atriz da Giovanna
16:13Eubank? A mãe da Tite, do Bles, passou por isso em Portugal. A gente trouxe esse caso aqui para o
16:18Fala Espírito Santo. Isso aconteceu em 2022. Ela estava com os filhos em um restaurante, na praia,
16:24quando uma mulher, aos gritos, disse... Ai, gente, eu não vou nem repetir. Não. Eu me recuso a repetir o
16:30que
16:30que ela disse de Tite, de Bles. E disse, né, falou que Portugal não era lugar para vocês.
16:35Vão embora daqui. E criticou a cor da pele. A Giovanna reagiu como qualquer mãe e teve que ser contida.
16:42A polícia foi chamada e a mulher foi presa. Está sendo processada pela atriz.
16:49Eu vou conversar agora com a Cris Lainez Eferina, que é presidente do Instituto Conexão Perifa.
16:56Cris, obrigada pela sua participação. Uma boa tarde. Conta pra gente. O que você tem
17:00sentido dessa nova geração? Eles estão mais conscientes ou não?
17:08Boa tarde. Primeiramente, quero agradecer esse rico convite, né, dessa conversa tão importante
17:13que demarca um posicionamento a partir de janeiro de 2024 e não só em novembro, né?
17:19É importante a gente colocar o sentimento da nossa juventude como um sentimento revolucionário,
17:25que vem na perspectiva de romper com esse racismo estrutural e institucional que existe no nosso
17:31Brasil. A juventude hoje que está colocada, sobretudo a juventude de comunidades periféricas
17:37que tem acesso a uma educação antirracista através dos movimentos sociais, elas já começam
17:44a dizer não para isso. Então, dentro das escolas, dentro das igrejas, dentro dos campos que
17:50trazem a transformação na educação de um sujeito, né? E aí eu trago um Achimamanda,
17:57que é esse livrinho bem fininho para indicar para todo mundo, que é o perigo da história
18:02única. Sempre foi nos contado uma história única do povo negro, mas agora chegou a hora
18:08da gente começar a revolucionar contando outras histórias desses corpos negros. E aí, como
18:13bem disse o nosso advogado, a Lei 10.639, alterada para 11.645, ela garante dentro das escolas
18:23o ensino da cultura afro e da cultura indígena. Mas o que está acontecendo que as escolas
18:29não estão sendo implementadas? Porque essas meninas de Linhares passaram pela educação
18:33básica, passaram pelo ensino médio. E o que aconteceu que a gente não teve esse
18:38diálogo dentro das escolas? Hoje, a gente precisa perceber que a nossa sociedade está
18:43uma sociedade diferente, que sempre foi uma sociedade diversa e que os nossos corpos
18:48ocuparam esses espaços através desse processo diaspórico, violento que foi essa retirada
18:56do povo preto de África para o Brasil. Então, pensar nesse grande sentimento que a gente
19:02tem, quando a gente olha essas três meninas, a gente pensa, onde estava a política pública
19:07sendo garantida para essas meninas, para que elas entendam que isso é um caso de racismo?
19:12E por que ser negro é ruim? Por que ser preto é ruim? Por que namorar um homem preto
19:17é ruim? Então, a gente começa a problematizar isso a partir do momento que a gente enxerga,
19:23sabe, que ainda, sobretudo no interior do Estado, um grande trabalho dos movimentos sociais
19:29junto com o governo do Estado para se fazer no combate ao racismo.
19:34E isso não vai ser só com a gente, com o poder público, vai ser todo mundo, a mídia,
19:43vai ser as escolas, vai ser todo mundo junto.
19:46Porque a questão, o sentimento que a gente sente hoje é um sentimento revolucionário
19:51e um sentimento de mudança, que a gente precisa tocar o dedo na ferida e parar de achar
19:56que não podemos falar de racismo, né? Porque quando a gente fala de opressão,
20:00a gente precisa entender qual opressão a gente está falando.
20:03E a pirâmide que...
20:05Deixa eu aproveitar esse seu gancho e trazer aqui para a Nay, que o nosso tempo está acabando.
20:10Nay, como que você lida, como que você fortalece as suas filhas
20:14quando casos assim acontecem com elas?
20:17Então, a gente sempre conversa com elas, né?
20:19Eu sempre falo que não é legal, que todos nós somos iguais, né?
20:23Porque todos nós, a última vez eu até falei isso, gente, nós somos todos seres humanos.
20:29O mesmo sangue que corre na veia de um branco corre na nossa, não tem isso, não tem essa diferença.
20:34Então, é amar, é respeitar.
20:36E tantas pessoas, Betra, não só aconteceu esse caso, mas quantas pessoas não falam,
20:40quantas pessoas não expressam o sentimento, fica com...
20:43Quantas mulheres negras, quantos adolescentes negros ficam isso para dentro e acaba acontecendo o pior, entendeu?
20:48E é isso que ela falou também, que ele falou, as escolas, o poder público poder ajudar também.
20:51Falar sobre isso, né?
20:53Falar sobre a consciência...
20:55O dia da consciência negra não é só um dia, é o ano inteiro, não é?
20:59O maior índice de cometimento de suicídio entre jovens no Brasil, os dados apontam, entre jovens negros.
21:05Jovens negros estão cometendo suicídio porque justamente quem quer crescer numa sociedade
21:10onde o seu cabelo é apontado como feio, como ruim, como a cor da sua pele, como um demérito.
21:16Então, quer dizer, no vídeo aí do caso Linhares, o caso Intelo, o que elas falam?
21:20Ah, e você que ficou com uma pessoa preta?
21:23E apontam, então, ficar com uma pessoa preta como um demérito.
21:26Então, quer dizer, imagina como que cresce a autoestima de uma criança negra.
21:31Então, quer dizer, aí vem os processos de alisamento de cabelo, vem os processos de raspar a cabeça,
21:36deixar o cabelo sempre curtinho.
21:37Por quê? Porque somos, desde pequeno, apontados como os feios, como o que não é o corpo que deve ser
21:44tido como belo,
21:46como Crislane fala.
21:47Então, quer dizer, nós temos que contar através de outras histórias agora.
21:50Chegou a hora que nós vamos contar as nossas histórias, nós falarmos sobre os nossos filhos,
21:55sobre a textura do nosso cabelo, da beleza do nosso cabelo, da beleza da nossa pele,
21:59e para que justamente nós possamos avançar com essas coisas.
22:02E essa é uma luta de todos nós.
22:04De todos.
22:05De todos. Não é só uma pauta para o povo negro, não.
22:08Pelo contrário.
22:09É uma pauta de todos nós.
22:11Pelo contrário, porque não fomos nós que criamos o racismo.
22:13Então, quer dizer, a rigor nem seríamos nós que deveríamos falar, porque não fomos nós que criamos.
22:18Então, quem que criou que deveria trazer como frente dessa luta aí?
22:22Ó, eu queria até ter mais tempo, só que, infelizmente, o nosso tempo aqui acabou.
22:27Obrigada, Luísa, pela sua contribuição com esse assunto.
22:29Obrigada, boa tarde para vocês.
22:30Suas palavras têm chegado às famílias, aos pais, no processo de educação dos filhos.
22:34Obrigada, doutor Marcos Vinícius, Nay, também.
22:36Dá um beijo nas crianças.
22:37Obrigada, Cris, pela sua contribuição, tá?
22:40Um beijo no seu coração também.

Recomendado