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  • há 2 minutos
Neste episódio, vamos conversar sobre o comércio atual de livros com Ivan Pereira, empresário do ramo de livros/sebo.

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Transcrição
00:01Começa agora, Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
00:07Tudo sobre literatura contemporânea, temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
00:19Olá pessoal, tudo bem? Tranquilo?
00:22Mais uma edição do Vitrine Literária, com o Francisco Grijó, aqui pela TV Vitória, podcast e YouTube do Folha Vitória.
00:33Eu falei com vocês, da última vez que a gente esteve fazendo o programa, eu conversando com o Daniel Ekerhoff,
00:41sobre livros, sobre disseminação da cultura e disseminação da literatura, dos livros.
00:49Como é que fazer o livro chegar até o público? A gente conversou muito sobre isso.
00:55E hoje, nós temos um outro convidado, também ligado à disseminação literária.
01:01Não só literária, mas também literária.
01:04Mas tudo tendo a ver com os livros.
01:08Eu me lembro, quando eu estava na universidade, isso no começo dos anos 1980,
01:13eu me lembro que havia uma série, eu fazia o curso de Direito, e havia uma série da Saraiva,
01:19que era, ela era resumida, alguma coisa assim.
01:23E eu me lembro que na contracapa estava escrito assim,
01:26o brasileiro lê desde que os preços permitam.
01:30Ou seja, um dos impedimentos para que a literatura e os livros possam ser disseminados de uma forma mais efetiva
01:43é justamente o preço deles.
01:45E existe uma alternativa às livrarias, que é uma livraria popular, também conhecida por Sebo.
01:57Quem está aqui hoje com a gente é justamente o Ivan, o Ivan Pereira,
02:02que é proprietário do Ponto de Cultura, um dos sermos mais conhecidos do Espírito Santo,
02:07que fica localizado em Vila Velha.
02:09O Ivan é um empresário do ramo dos livros.
02:13Um empresário diferente do que foi o empresário que esteve aqui na semana passada,
02:18que é o Daniel Erkenhoff, que foi um ótimo bate-papo.
02:21O Ivan é um empresário também, mas é um vendedor de livros,
02:26apaixonado por livros, apaixonado por obras raras,
02:30apaixonado por fazer o texto chegar ao leitor.
02:34Então, aqui está o Ivan do meu lado.
02:37Ivan, é um prazer te receber.
02:39Você é o primeiro dono de Sebo, o primeiro proprietário de Sebo,
02:44que aparece no Vitrine Literária.
02:46Já apareceram livreiros, editores, mas nunca alguém que seja ligado
02:51a uma visão popular do livro.
02:55Eu agradeço a você e gostaria que você falasse para a gente.
02:59O que é ser livreiro num país de poucos leitores
03:05e num país no qual o livro poderia ser mais barato e não é?
03:11Como é ser livreiro num país assim?
03:14Você falou o termo empresário, muito pesado para mim.
03:19Tudo bem.
03:20Eu entrei nessa área...
03:20Comerciante, então.
03:21Entrei nessa área, um agente literário, agente cultural,
03:27e com negócio social.
03:28Eu sempre me vi, não me vi como comerciante.
03:30Acho que isso é um problema nos sócios que eu tive,
03:33nas parcerias que eu tive,
03:34porque eu tenho uma visão muito dessa coisa do acesso.
03:38Eu acho que num país como esse, de desequilíbrio,
03:42de desnível muito grande,
03:44a gente tem essa coisa da necessidade dos bens culturais
03:48chegarem até as pessoas.
03:49E o livro é diferente.
03:52E quando você trabalha essa visão do negócio,
03:55puramente de negócio,
03:56você acaba obrigado a excluir pessoas a selecionar.
04:01Eu nunca me vi e sempre foi um problema para mim.
04:04Tanto é que eu já tive para falir várias vezes.
04:06Só que o negócio é tão interessante
04:08que a gente consegue contornar.
04:10E essa coisa do fazer esse equilíbrio,
04:14de saber quem tem dinheiro,
04:15quem pode comprar um livro,
04:18um livro raro, um livro X,
04:20um livro sofisticado,
04:21e quem não tem grana,
04:22que de repente você dá,
04:24pode dar o livro.
04:25Isso é um trabalho que a gente, eu, no caso,
04:29a gente consegue fazer no Seba, assim, fantástico.
04:32Eu me lembro que eu visitei sebos fora de Vitória,
04:37principalmente no Rio,
04:38na Leveria de São José, na Rua do Carmo,
04:40ali no Rio de Janeiro, no centro do Rio.
04:43Havia um sebo muito bom perto do Teatro João Caetano.
04:46E Vitória teve alguns bons sebos,
04:49mas os próprios sebos estão capengando.
04:53Ameaçados.
04:53Ameaçados.
04:54Tem o Torre de Papel,
04:56aqui no Vitória, né?
04:57Veredas.
04:58É.
04:58E tem aquele ali perto da UFSS.
05:01Veredas.
05:01Veredas.
05:02E tem o seu,
05:03que tem um trabalho muito bom pela internet.
05:05Você faz um trabalho de divulgação
05:07muito interessante pela internet.
05:09A minha pergunta para você é,
05:11tudo bem, você...
05:13Eu vou retomar a ideia.
05:15Como é que é trabalhar com o Sebo
05:16num país de poucos leitores?
05:19E mesmo aqueles poucos leitores
05:21não têm tanta grana para comprar livros.
05:23Então, precisam do Sebo.
05:25Como é que o Sebo entra nessa história?
05:27Não só da questão social,
05:29mas também como é que ele entra
05:30como disseminador da cultura e da literatura.
05:34Olha, é um desafio, assim,
05:36desafio muito grande.
05:39Trabalhar o equilíbrio entre o físico e o digital.
05:44porque você tem a questão do custo hoje,
05:47do tempo das pessoas.
05:48O mundo está num outro ritmo, não é assim?
05:50E essa questão do tempo para você deslocar
05:53até um espaço físico,
05:54para pegar um livro,
05:55realmente é uma coisa que a gente...
05:57Eu resisti à ideia da internet durante muito tempo, né?
06:01Mas depois eu fui vendo que não tinha jeito
06:03e rapidamente...
06:05São anos, dez anos aí nessa brincadeira,
06:08nós ousamos e investimos e gastamos
06:11e testamos várias coisas.
06:13A gente vê que isso, assim,
06:14você tem que conciliar essa coisa.
06:15Tanto é que, assim, o Sebo hoje,
06:17nosso, funciona teoricamente
06:20de segunda a quinta
06:22fechado ao público,
06:22que não está aberto,
06:24atende por rede social.
06:27WhatsApp, Instagram...
06:28Nós temos várias contas de Instagram,
06:30de coleções de livros.
06:31Eu tenho um cara que brincou esse dia, assim,
06:33o cara que consegue vender Barça hoje
06:35é um livreiro, né?
06:36Sim, sem dúvida.
06:37E nós estamos, assim,
06:38temos um público fiel
06:39de coleções, de coisas assim.
06:42Nossa Cebo é muito grande,
06:43ficou muito grande
06:44esse tempo todo,
06:45a pandemia é mais ainda.
06:46E nós temos uma particularidade.
06:48É o único Sebo,
06:48por ter um espaço grande,
06:50armazena, recebe tudo.
06:52Então, troca, doações,
06:54que ninguém quer,
06:55a gente pega.
06:57Certo, mas vocês não compram livros?
06:59Compramos também.
06:59Tem casos mais sofisticados,
07:02as coisas mais acadêmicas e tal,
07:03que a gente acaba comprando.
07:04É a única parte...
07:05O do ensino médio, né?
07:06E o do...
07:08As faculdades,
07:08os livros acadêmicos.
07:10Quem é basicamente o seu cliente?
07:12É o universitário?
07:15É misto.
07:16Tem muita da leitura do povo leitor,
07:19colecionadores de livros,
07:21o povo mais compulsivo.
07:22Esse público das coleções antigas,
07:26hoje, a gente significa um texto
07:28do nosso público.
07:30Nós temos um perfil,
07:31temos um trabalho,
07:32um perfil chamado
07:34de cultura.coleções,
07:35que trabalha só com coleções de livros,
07:37mais de 400 das coleções.
07:38E a gente, do Brasil,
07:39todo comprando,
07:40todo dia a gente manda.
07:42Tem um perfil só de coleções de livro,
07:45de leilão de livro.
07:47A cada quinzena,
07:48200 livros são colocados lá
07:50e é uma disputa por livro.
07:52É uma coisa...
07:53No mundo hoje,
07:54o povo não quer ler,
07:56o povo não lê,
07:56o povo não lê,
07:57e pessoas disputando o livro.
07:59O livro cai na rede
08:00e em cinco minutos,
08:01dois minutos,
08:02está vendido.
08:03Mas você, então,
08:04vem ao programa
08:05e diz que as pessoas estão lendo?
08:07Ou seja,
08:09existe uma estatística
08:11de que o brasileiro
08:12está melhorando
08:13o nível de leitura.
08:15Quer dizer, desculpa,
08:16acho que falei uma grande besteira.
08:17Não melhorando o nível de leitura,
08:19mas está lendo mais.
08:21Mas aí que está.
08:24Eu peguei...
08:25A última Bienal,
08:26na última Bienal,
08:27eu queria ouvir sua opinião sobre isso.
08:28Na última Bienal,
08:31os grandes autores da Bienal,
08:34os grandes popstars da Bienal,
08:37eram figuras que estão ligadas ao YouTube,
08:41são figuras que estão ligadas à internet
08:42e figuras que estão ligadas, basicamente,
08:44a um segmento adolescente.
08:47São os campeões de vendas.
08:49São os campeões de vendas.
08:50É aquela menina que escreve para as meninas,
08:53é o rapaz que escreve para os rapazes,
08:55é aquele que escreve sobre diversidade.
08:58Ótimo.
08:59Que bom, que bom que isso acontece.
09:01Mas, e o frequentador de sebo?
09:05Porque o frequentador de sebo não é um cara comum.
09:08Ele é um indivíduo que vai em busca de um livro raro,
09:11ou de um livro que ele leu há muito tempo e não tem mais.
09:16Mas, quem é esse, quem é esse, o perfil desse leitor, desse frequentador de sebo?
09:24Em parte, é esse público que garimpa, quer garimpar, né?
09:29Que passa o dia todo no sebo e quer conversar.
09:32O adolescente é específico, ele vem, quer aquele autor, aquele título, aquele assunto e ponto.
09:38E por isso que a rede social, e aí a dificuldade das livrarias e dos sebo competirem nesse mundo hoje
09:43digital,
09:44porque o cara entra pela rede social, pela internet, e o livro vai para a casa dele.
09:49E, muitas das vezes, com frete grátis.
09:51Aí que o sebo entra em cheque.
09:53Hoje os sebo estão em cheque.
09:54Por isso, porra, se você pensar bem, sendo sincero assim,
09:58se você pensar bem em termos de tempo, em termos de custo,
10:01vale muito mais a pena, se você souber o livro que você quer,
10:03pedir para a rede social.
10:04A gente manda hoje para o motoboy.
10:06A gente entrega em casa, pessoal.
10:07Por isso que a gente está fechado de segunda a quinta.
10:09Entregamos.
10:10Toda semana tem remessa de livros para ser levados.
10:13E é esse mundo moderno que a gente tem que lidar, tem que dialogar.
10:17Porque, senão, o Amazon te manda com dois dias, três dias, estar em casa.
10:20Mas vocês não têm um catálogo, né?
10:21Temos.
10:22Nós temos um acervo de 13 mil livros cadastrados.
10:25Sim, mas está à disposição?
10:29No instante virtual.
10:31Ah, no instante virtual, certo.
10:32E nós temos o nosso link, mandamos.
10:34Temos as redes sociais.
10:35E essa coisa, as opções das pessoas de casa.
10:38E a gente força isso.
10:38A gente cresceu muito.
10:40Nós temos 14 mil pessoas hoje cadastradas no perfil principal.
10:45Mais 5 mil no leilão.
10:46Mais coleções.
10:48Porque a gente vai forçando e facilita a vida.
10:51Para a gente ter um acervo muito grande, para localizar livro,
10:54sendo que nem tudo, temos 60 mil CD DVDs, mais de 5 mil CDs.
10:59Revista, mais de 5 mil revistas.
11:01Tudo você pensar em revista.
11:01Disso de vinil, não, né?
11:02Vinil também temos.
11:04Então, para você manusear tudo isso,
11:07para um cara que chega em cima da hora procurando isso, é difícil.
11:10Tem que ter um pessoal, um grupo de pessoas muito grande trabalhando,
11:13e o custo inviabiliza o negócio.
11:14Eu fiz muito isso, assim.
11:16Chegou a ter 8 pessoas trabalhando.
11:18Na pandemia, segurando todo mundo.
11:20Eu praticamente fali.
11:21Fali, todo é vendo.
11:22Estou pagando banco hoje, todo é vendo e tal.
11:24Segurando, porque eu acredito nisso como uma forma...
11:26É a minha militância.
11:27Se a minha militância política é a literatura.
11:32Ótimo.
11:33Então, nós vamos entrar num segmento, nesse papo aqui, que é o seguinte.
11:42Artistas, em geral, eles precisam do Estado.
11:47Quando eu falo Estado, é Prefeitura, é Governo do Estado e é Governo Federal.
11:50Com leis de incentivo que possam proporcionar a ele que ele faça o seu trabalho.
11:56Funciona com literatura, funciona com música, com teatro, com cinema.
12:00Cada um com sua cadeia produtiva específica.
12:07Você está buscando um trabalho na Conferência Estadual de Cultura.
12:18Como é que é o seu trabalho ali?
12:19E o que você acha que pode melhorar, no que diz respeito ao trabalho com os livros,
12:26para que esses livros possam chegar ao leitor, através da interferência do Estado?
12:32É complicado.
12:35Até porque não há uma reflexão muito profunda desse setor.
12:38Eu participei da Conferência Setorial de Cultura,
12:42e assim, com índice baixíssimo de participação representativa.
12:46Quantitativa e representativa.
12:47Você não tinha academia de letra, você não tinha os formadores de opinião,
12:51você não tinha as editoras, você não tinha o pessoal das bibliotecas.
12:55Então, todas essas pessoas têm os feedbacks.
12:58O pessoal dos cebos, das livrarias, têm seus feedbacks,
13:01que a gente, de repente, pode encontrar questões comuns,
13:04para ver como trabalhar, melhorar, diminuir esses abismos, melhorar os processos.
13:09Mas como não há essa articulação, não há esse interesse, essa desmotivação, sei lá,
13:14a gente acaba, vai para uma conferência estadual capenga.
13:17Eu estou indo lá representar, eu fui eleito delegado para a conferência,
13:20estadual e federal, até em Brasília, mas sabendo que eu estou indo representando
13:25um grupo de pessoas que lançaram ideias, propostas,
13:29mas que não representa a profundidade do abismo, de como sair desse abismo.
13:34E você atribui esse abismo a quê?
13:38Incompetências, incompetências nossas mesmo, dos fazedores do Estado, de todo mundo.
13:44Todo mundo tem um pouco de culpa nisso, das identidades, das identidades de classe.
13:49Porque a falta de querer pensar como sair do buraco é que causa o buraco só aumentar.
13:57Porque há um público que está lendo, mas há um abismo da maioria da população que não passa,
14:00o livro não passou por ela.
14:02Não passa.
14:03O sebo, você tem a ideia do sebo, o pessoal tem medo de entrar num sebo.
14:07E as pessoas, é, o popular, o indivíduo popular,
14:11na frente da loja nós fazemos um exercício direto.
14:14Todo dia tem lá duas, três, quatro estantes com livro de graça.
14:17Escola, revistas, livros, CDs e tal.
14:21E as pessoas chegam lá com uma placa de grátis, grátis,
14:26batem na porta para saber se pode pegar.
14:29Mas isso é falta de costume, né?
14:31Pois é.
14:32É preciso que haja uma cultura disso aí, né?
14:34Você vê, num livro usado.
14:35Na livraria é coisa de outro mundo.
14:38Entrar num livro, entrar numa livraria, a pessoa não se vê,
14:41a maioria da população não se vê.
14:43E é duro a gente pensar que uma sociedade está chegando a mandar um ano para a Marte
14:46e teve um indivíduo que vai morrer sem ter devido um livro.
14:49Você ter o hábito de ler, de passar, saber ler, de ter o hábito de acesso ao livro é terrível.
14:56Como é que vocês estão competindo com a disponibilização de livros digitais pela própria internet?
15:05Ela disponibiliza, uma determinada universidade disponibiliza 1.500 livros de filosofia, sociologia.
15:12Estão ali disponibilizados.
15:13Com o público, né?
15:14É, porque os cebos lidam muito com livros que estão esgotados.
15:21Aí, de repente, vem uma universidade e disponibiliza esses textos esgotados digitalmente.
15:29Quando você for me responder isso, me responde o seguinte.
15:32Eu, eu vou falar de mim, eu tenho um fetiche com o livro.
15:36Eu gosto de pegar o livro.
15:38Toda a minha, toda a minha, toda a minha, a minha vivência com o livro foi uma vivência com o
15:43livro físico, né?
15:45Meus livros, né?
15:46Todos os meus livros, inclusive, um que está aqui, ó, para quem está nos vendo,
15:51Diga a Deus ao Lorna Love, que está aqui, meu primeiro livro, o Ivan trouxe aqui para me mostrar,
15:56que está esgotadíssimo, ninguém tem esse livro.
15:58Ele até me perguntou se eu tinha.
16:00Não, eu tenho um exemplar ainda.
16:02Não, vai estar disponível, hein, no cego.
16:04Olha aí, para quem quiser, como é que você, como é que se lida com isso?
16:09Lida-se com o fato de que existe uma disponibilização de obras importantíssimas
16:15que estão aí digitais, para quem quiser ler.
16:19Maravilhoso, maravilhoso.
16:20Acho que isso, né, a democratização do acesso, a gente tem mais a que fazer.
16:24E isso não vai impedir nunca, que é o caso do que eu falei das coleções,
16:28esse perfil de coleções, né?
16:30Sempre vai ter aquelas pessoas que vão querer ter a coisa física.
16:35Essa coisa é incrível isso, assim, o jovem, você tem, mesmo que não tendo pouco dinheiro,
16:40você cria a possibilidade que o sebo tem de trocar.
16:42Tanto é que o nosso sebo, um dos fatores de ter reduzido para só sexta e sábado abrir ao público,
16:49é porque o volume de troca está tão grande, é o único sebo que troca tudo.
16:52Você chega lá, você leva lá, eu dou um valor e você pode pegar em livros.
16:55E aí virou a única opção.
16:57Aí vai um fluxo de gente tão grande que estava ocupando a semana toda com troca.
17:01E aí depende de mim, de ficar avaliando e fazer um trabalho delicado e tal.
17:06E acabou com isso, estava viabilizando o negócio.
17:09Eu sustentei prejuízo durante vários meses e foi o jeito que eu cedei, eu tive que ceder à realidade.
17:14Você trabalha com livros novos também?
17:16Não, assim, de autores capixabos, mas assim, muito pontual, né?
17:21Livro usado mesmo, assim, e muita coisa.
17:24Mas uma particularidade, Lijó, até entrando na questão aqui, é um livro como esse.
17:29Mostra a capa para quem está nos vendo, mostra a capa.
17:31Olha o livro, um livro desse vai chegar em qualquer sebo, talvez do Brasil, e vai ser jogado fora.
17:38Não entra, nem chega, os sebos não aceitam, não querem, fazem o que querem.
17:42O que as pessoas fazem?
17:44Jogam fora.
17:45Como existe o Sebo Ponto de Cultura aqui no Espírito Santo, vão levar para lá.
17:48Vem gente da Serra.
17:49Para quem não está nos vendo, é porque o que o Ivan mostrou aqui, ele mostrou um livro que está
17:56bem deteriorado.
17:58Ele está com partes que estão soltando.
18:01Então, um livro como esse, que é um livro importante, que é um título clássico, você disse que os sebos
18:07descartam.
18:08Não, nem recebem.
18:09A gente entende até, não é culpa do sebo e tal, a vontade, não tem a gente gritado, porque mesmo
18:14a pessoa oferecendo de graça, os sebos não aceitam.
18:17Por quê?
18:17Porque espaço, a questão do espaço é um problema para o sebo.
18:20E nós, felizmente, por enquanto, estamos com os dias contados naquele espaço, o espaço é gigante.
18:27E possibilitou que a gente armazenasse esses livros.
18:29Aproveita e fala, professor, onde é?
18:31Em Vila Velha, né, Henrique Moscoso, perto do shopping da terra, né?
18:36Ficamos em frente a uma loja de ventiladores e tal, grande.
18:38Estamos quase 20 anos lá, né?
18:40Seba é um ponto de cultura, hein, gente?
18:4120 anos, passou por três pessoas anteriormente.
18:45Eu caí de paraquedas nessa ideia do sebo.
18:47Você nunca tinha metido um livro?
18:49Gostava de ler.
18:50Eu morei em Brasília, eu li muito daquele período de escola e tal.
18:53E aí, vim para cá, tendo na área técnica, trabalhando com parte mais de agricultura.
18:59Sempre que fui ligado ao campo, no assino do campo e tal.
19:02Olha só!
19:03E, de repente, para os meus irmãos, o Irã, os Naúfes e tal, tem outro irmão, que junto com o
19:09Euler,
19:10na época, começou esse processo, abriu o sebo lá em Vila Velha e passou de uma mão para outra.
19:15No final, o irmão comprou o sebo lá, passou no Banco do Brasil e falou, ó, vou fechar.
19:20Eu tinha me envolvido com o processo de um projeto grande, com o Estado, dois anos, pedi conta do emprego
19:26e tal.
19:27Não deu certo o projeto no final.
19:29Aí, eu fiquei desempregado e o meu irmão falou, ó...
19:32Mas você tem um projeto, um projeto...
19:34Vários projetos.
19:35Fala para a gente, fala para a gente de alguns projetos seus.
19:39Você pode resumir sem problema, mas explica para a gente como é que é...
19:46Se existe uma demanda para esse projeto.
19:49Olha, na teoria, todo mundo adora, os prefeitões passamos...
19:53Na verdade, teve um prefeito antes da pandemia, estava tudo encaminhado para acontecer na cidade do interior.
19:57O prefeito foi lá no sebo, pedi ajuda, queria fazer um trabalho de leitura e eu viajei na ideia.
20:04E criar a ideia da cidade literária.
20:06Acho que a grande questão é essa.
20:07A gente tem que fazer o livro transpirar, o livro confrontar as pessoas, estar na frente das pessoas, no dia
20:13a dia, no cotidiano.
20:14Porque a ideia da biblioteca é uma coisa para pesquisador, para estudioso, para quem precisa do livro técnico, do livro
20:20específico.
20:22O popular, ele tem que ter essa provocação, ele tem que ter essa facilitação do que está acessível, está barato,
20:27está de graça, para que ele tenha esse primeiro contato.
20:31Nós fizemos um evento na Serra, chamamos de Intervenção Literária.
20:34Olha só, Intervenção Literária, e nessa Intervenção Literária, dois mil livros foram colocados no evento da prefeitura, de graça.
20:40E nós esquecemos de colocar a placa que era grátis.
20:43E as pessoas passavam, e assim, a gente viu que ninguém pegava nada, e o microfone estava falando o que
20:50era grátis.
20:51As pessoas, assim, receiosas e tal.
20:53Aí, pô, fizemos a placa de grátis, aí começou a sair os livros.
20:57E quem era encontrado com o livro circulando, recebia o porte de livro.
21:03Teria autorização para andar com o livro a partir dali, né?
21:06O porte de livro.
21:07E esse porte de livro tinha um número que rolava um sorteio no final de coleções.
21:12Rapaz, virou um murmurinho.
21:13E isso não foi estendido para outras cidades?
21:15Nós propomos, conversamos, estamos conversando, negociando com a prefeitura, mas a burocracia é muito grande, né?
21:20Burocracias são terríveis, desgastantes.
21:23Parece que é feita para não dar certo.
21:24Mas eu acho que sim.
21:26Apesar de todo o discurso que você passou pela gestão pública aqui, né?
21:28É difícil, sim.
21:30Estamos conversando com o Estado agora, estamos com a lei de sentença, tentando entrar na lei de fundo de cultura.
21:35Porque essa coisa, assim, autonomia, um certo autonomia, e essa coisa da periodicidade.
21:40Eu estou saturado já, já fiz vários projetos com a prefeitura.
21:43Essa coisa do evento.
21:44O cara quer que você vá lá, distribuir um livrinho, para tirar uma fotozinha, para dizer que, na estatística, que
21:49foi feita.
21:50E eu não me disponho mais a isso, assim.
21:52Acho que é uma política de continuidade, uma coisa que você possa criar o hábito.
21:55E possa mensurar o que é um ano.
21:58Uma pessoa que não tinha o contato com o livro e passou a ser provocada constantemente a ter esse acesso,
22:03a ter essa coisa facilitada, essa coisa provocativa na frente dele.
22:07Nós estamos com projetos audaciosos para caramba, assim.
22:10Não sei se contassem.
22:12Estamos entrando na lei.
22:12Estamos entrando na lei de incentivo com um projeto para o Transcall.
22:18Porque essa coisa, nós temos...
22:19Já existe o projeto, né?
22:20Mas as bibliotecas.
22:21Sim, é.
22:21Que tem o seu valor, tem o seu importância, mas a ideia do provocar as pessoas...
22:26Nós temos mais de quase 15 mil livros nessa condição.
22:29Que eu venho armazenando para fazer esses projetos, para resgatar esse livro, para que ele seja acessível a pessoas.
22:36E nós estamos articulando aí, para conversar com a Sejus, para trabalhar o preso.
22:40A ideia dos detentos, para reformar esse livro e parte desses livros irem para a biblioteca da prisão.
22:48Eles têm lá a remissão pela leitura, né?
22:50É uma forma de aumentar o acervo e recuperar esses livros e outra parte ser direcionada para as pessoas que
22:55não têm grana, que não têm condição.
22:56Ótimo, ótimo.
22:57Então, assim, são coisas baratíssimas, fácil, mas a burocracia, a coisa toda é terrível, assim.
23:04Olha, a gente só não desiste porque a gente é militante, né?
23:07E se não...
23:10Ivan, isso é admirável.
23:12É o trabalho que professores fazem, é o trabalho que viveiros fazem, que bibliotecários fazem.
23:18É quase uma abnegação, né?
23:20É porque você tem que...
23:23Não se ganha dinheiro com isso.
23:25Não, e no caso do Sebo, você...
23:27É o que eu falei, é um negócio social.
23:29Pelo menos a minha meta sempre é pagar as contas.
23:31É pagar os parceiros, as pessoas que estão envolvidas, pagar o aluguel, que é caro.
23:36Mas é um dilema, cara.
23:37É você acordar e pensar...
23:39Hoje eu leio muito pouco, assim.
23:40Você vai falar, ah, você lê muito hoje?
23:41Eu leio muito pouco.
23:42Coisas pontuais, porque a demanda para você manter o negócio funcionando é tão grande
23:47que te absorve a mente, o corpo, é um negócio assim.
23:51Eu nunca tive férias, em 15 anos nunca tive férias.
23:55E foi o nosso tempo, acabou.
23:56Ótimo, ótimo, ótimo papo.
23:58Muito obrigado, muito obrigado pelo esclarecimento.
24:01Agora, quem está nos vendo e nos ouvindo, podcast e YouTube, o cara quer conhecer o Ponto de Cultura
24:11virtual.
24:12Ele vai para onde?
24:13Instagram?
24:14Sebo Ponto de Cultura no Instagram, que você ali vai ter os links, como você viajar.
24:20Tudo.
24:21Todas as informações.
24:22E te agradeço, assim, e parabenizo, assim, a TV Vitória também.
24:26Esse tipo de iniciativas, é isso que o governo tinha que ver.
24:29Essas coisas que dão certo, que estão funcionando, que fazem ecoar essas coisas.
24:33E é aí que começa o investimento.
24:34É isso aí.
24:35É a circulação em escola, é a digitalização em parte do livro, é uma experiência que
24:40a Amazon tem, que eu já vi no Amazon, vim em outras situações, e você primeiramente
24:44digitalizar o livro para que mais gente possa mostrar a sua produção e, num momento
24:49seguinte, imprimir isso.
24:50Então, temos que pensar essas formas novas, né?
24:53Ótimo.
24:54Ivan, muito obrigado.
24:55Cara, você deu uma aula para mim aqui.
24:57Sabe?
24:57Sério.
24:59Entender essa mecânica é fundamental.
25:01Obrigado.
25:01Espero que o pessoal tenha aproveitado bastante.
25:05Pessoal, olha, terminou mais uma edição.
25:08Na semana que vem, nós vamos ter um presente de Natal, né?
25:12Nós vamos ter aqui a Bernadette Lira, que vai conversar com a gente sobre os livros dela
25:16e sobre o ato de uma mulher escrever e estar num destaque tão grande quanto Bernadette está
25:26há tanto tempo.
25:27Muito obrigado.
25:28Mais uma vez, obrigado, Ivan.
25:29Obrigado a você que está ouvindo a gente, que está assistindo.
25:33Um grande abraço.
25:35Até a próxima.
25:37Você ouviu Vitrine Literária, com o professor e escritor Francisco Grijó.
25:43Tudo sobre literatura contemporânea.
25:46Temas, autores, obras, debates, análises, curiosidades e bate-papo com autores e editores.
25:53Até a próxima.
25:54E aí
25:54E aí

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