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  • há 2 semanas
O congelamento de óvulos é uma alternativa eficaz para quem pensa em ter um bebê de forma planejada, mais tardiamente. Por ser uma importante garantia, o processo permite que decisões importantes como a maternidade, possam ser tomadas com mais cautela. Saiba tudo sobre esse assunto com nossas ginecologistas, Layza Borges e Patrícia Leite, no programa de hoje.

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00:07Olá, sejam bem-vindos ao Checkup Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:13maiores especialistas em saúde do Estado. Gente, hoje vamos falar sobre congelamento de óvulos,
00:20um assunto cada vez mais frequente nas rodas de conversas de mulheres que deixam a maternidade
00:25para mais tarde, depois da entrada do mercado de trabalho. Vamos tirar todas as dúvidas sobre o
00:30assunto com duas grandes especialistas. Seja bem-vinda, ginecologista, doutora Patrícia Leite.
00:37Obrigada, obrigada pelo convite. Doutora Laysa Merizio Borges, doutora Laysa que está com a gente no
00:44Checkup Saúde, nas colunas diárias lá no Vida Saudável. Doutora, a senhora é especialista em
00:50reprodução humana. Conta um pouquinho para além do assunto de hoje, que é o congelamento de óvulos,
00:55o que a sua especialidade trata?
00:58Então, inicialmente é um prazer estar aqui, né? Lá no Instituto de Medicina Reprodutiva,
01:03nós fazemos, além do congelamento de óvulos, o tratamento de fertilização in vitro,
01:08inseminação intrauterina, indução da ovulação para coito programado e esses tratamentos estão
01:15voltados para ajudar casais que não conseguem engravidar naturalmente. Inclusive, mulheres que
01:20desejam postergar a maternidade e congelam seus óvulos, no futuro terão que recorrer
01:26à fertilização in vitro para ter o bebê, para utilizar esses óvulos e ter o seu bebê.
01:32Ah, então vamos entender um pouquinho sobre o tema de hoje, né? O que é congelar os óvulos?
01:38O que são óvulos e o que é esse congelamento, doutora?
01:41Então, a mulher, diferente do homem, ela não tem renovação dos seus óvulos. Então,
01:48quando nós somos geradas no útero da nossa mãe, os óvulos que nós vamos usar durante
01:54toda a nossa vida são produzidos e são armazenados nos ovários e quando a gente entra na puberdade,
02:02né? E começa a menstruar, ovular, a gente vai ter um consumo progressivo desses óvulos
02:07sem que haja uma reposição. Esse consumo, ele é progressivo, ele é contínuo ao longo
02:13da vida, mas o que nós observamos é que ele é mais intenso a partir dos 30 anos, assim
02:20como a qualidade dos óvulos diminui também a partir dos 30 anos, porque os óvulos que
02:26não são utilizados, eles começam a sofrer alterações estruturais e isso pode diminuir
02:31a taxa de fertilidade, aumentar o risco de abortamento, aumentar o risco de ter um bebê
02:37com síndrome. Então, no sentido de preservar esse envelhecimento dos óvulos, o alerta é
02:45se a mulher chegar por volta dos 30 anos e não tiver uma perspectiva de gravidez em
02:51curto prazo, ela deve congelar os óvulos a fim de paralisar esse processo do envelhecimento.
02:58Então, nós fazemos o procedimento em que a gente faz a captação de óvulos e esses óvulos
03:03ficam congelados no laboratório de reprodução assistida.
03:07Mas vamos entender, assim, o beabá. Aqui a gente tá pra desvendar tudo pra vocês, contar
03:13o passo a passo. Cada mulher nasce mais ou menos com quantos óvulos?
03:17Muitos, 6 milhões em média.
03:196 milhões. Cada menstruação, a gente, na verdade, tá perdendo um óvulo, seria isso?
03:24Na verdade, a gente perde muitos. A partir do nascimento, essa perda, ela já acontece.
03:30Mesmo sem menstruar.
03:31Mesmo sem menstruar. E aí, quando a mulher começa a menstruar, ela tem mais ou menos ali
03:36uns 400 mil. E aí, ela começa a menstruar, mas todo mês ela tem um recrutamento de muitos
03:43óvulos e uma perda também de muitos folículos, né? Ela utilizando ou não, esses folículos
03:49vão se perder. Utilizar seria fecundar?
03:53É, fecundar. Ou se ela fizer o tratamento, né, do congelamento de óvulos, é muito comum
03:58essa dúvida, né? Se eu congelar meus óvulos, eu vou ter uma diminuição da minha reserva?
04:03A resposta é não, porque aqueles óvulos que foram recrutados naquele ciclo, já seriam
04:10recrutados em um ciclo...
04:11Já seriam perdidos.
04:12Sem tratamento, né? Então, ela só vai utilizar os óvulos daquele ciclo.
04:17Então, a cada menstruação, a gente vai perder um número de óvulos. Esses óvulos, sendo
04:23fecundados, podem dar origem aí ao nosso bebê, tão esperado, ou vai descer na menstruação.
04:30Seria isso?
04:31É, se não houver a fecundação, né, o endométrio vai descamar e a mulher vai menstruar e aqueles
04:37folículos que foram recrutados vão se perder.
04:40E aí, antes disso acontecer, caso ela opte pelo congelamento, são retirados esses óvulos
04:46antes desse descolamento aí do endométrio, é isso?
04:49É. O tratamento em si, ele é realizado em um ciclo menstrual. Quando a paciente menstrua,
04:56a gente usa hormônios indutores da ovulação pra fazer com que esses folículos cresçam.
05:02Porque num ciclo natural, ela vai ovular um óvulo, né, normalmente. Mas quando a gente induz
05:08a ovulação, a gente promove o crescimento de mais folículos. E esse é o objetivo, que
05:14a gente congele um número maior de óvulos, pra que ela tenha uma segurança maior de conseguir
05:20engravidar no futuro com esses óvulos congelados. Então, o processo demora aí cerca de 10 dias
05:25de uso de hormônios, ela vai fazer ultrassom pra monitorar esse crescimento. E aí, por volta
05:31do 12º dia, é feita a coleta dos óvulos no centro cirúrgico com anestesia, via vaginal,
05:38não tem corte, em que a gente faz a aspiração dos folículos com esses óvulos e os óvulos
05:44maduros são congelados no laboratório de reprodução.
05:47Doutora, é um tratamento muito moderno, né? Mas ele já existe há algum tempo?
05:52Ele tem segurança comprovada? Há quanto tempo existe essa opção do congelamento de óvulos?
05:57Sim, então, o congelamento de óvulos, ele é antigo, mas nos últimos anos ele se tornou
06:03mais seguro e mais eficaz, por conta da evolução da tecnologia. Então, antes a gente tinha o
06:11congelamento lento, que não garantia o sucesso no descongelamento, havia ainda muita perda
06:18no descongelamento. Então, mais recentemente, há cerca de 10, 12 anos, a gente começou a
06:23dominar a técnica do congelamento rápido, que é a vitrificação. Então, através dessa
06:29técnica, a gente consegue ter muita segurança no descongelamento e um aproveitamento de
06:34aproximadamente 70% dos óvulos que foram congelados.
06:38E aí me chama a atenção algo que a senhora falou, que é que esses óvulos vão envelhecendo
06:43e aí teria uma idade, aí a partir dos 30, se você ainda, de repente, não casou, ou já
06:50tem um relacionamento, mas não quer ter filho, ou mas pensa que um dia pode mudar de ideia.
06:57Esse período seria o quê? A partir dos 30 anos, já seria ideal? Quais são os requisitos
07:03para esse congelamento? Ou uma menina de 18 anos pode falar, não, doutora, eu já quero
07:08ter o meu óvulo de 18 congelado. Quais são os critérios?
07:11Então, a gente sempre tem que individualizar, né? A gente fala 30 anos, mas é muito importante
07:18atentar para a história familiar, porque se essa mulher tem uma história familiar de
07:24menopausa precoce, né? O olhar para ela vai ser outro e talvez precise mesmo antecipar
07:30a investigação da reserva ovariana para uma idade mais jovem, como 18 anos, né? A gente
07:36tem algumas síndrome genéticas que levam à menopausa precoce. Então, o ideal é que
07:42o ginecologista seja o protagonista dessa história, que ele sempre esteja atento, não só à anticoncepção,
07:50mas também ao planejamento reprodutivo. Então, solicitar esses exames, fazer uma pesquisa
07:56da reserva ovariana, né? Por volta dos 30 anos. E com base nesses exames, estimar, né?
08:03Para a paciente, o tempo ali que ela tem, né? E qual é a melhor conduta de acordo com o
08:09contexto dela, né?
08:11Então, tem que individualizar.
08:12Eu acho que o papel da doutora Patrícia também, né, doutora? Porque isso que a doutora Laysa falou,
08:17quando a gente entra na idade fértil, começa a ter chances de engravidar mesmo nos relacionamentos
08:24sexuais, a maior preocupação é em não engravidar, né? E eu acho que enquanto a mulher não coloca uma
08:31decisão do casal em ter um filho, essa é a principal preocupação. E aí, na fala da doutora Laysa,
08:38eu fico pensando que muita gente deve estar se questionando. Ué, então eu tenho que falar agora
08:41para a minha ginecologista, será quanto tempo eu posso esperar? Mas pelo que eu entendi,
08:45essa é uma preocupação do médico. Quais são esses exames? Como é que funciona essa rotina no consultório?
08:51Na verdade, essa é uma decisão que vai ser compartilhada, né, do ginecologista com o paciente.
08:57Então, fazer uma individualização do caso, quantos filhos ela deseja ter, se ela tem uma certeza
09:03de que quer ser mãe ou não, se ela tem algum relacionamento já afetivo estável, que ela já pode
09:10começar a pensar. Então, a gente vai fazendo uma programação de acordo com cada paciente.
09:15E o ideal é ela começar após os 30 anos, né? A gente tem até um slogan que fala
09:2030 ou congelou, para que a gente comece a pensar nisso daí.
09:24E os exames que a gente vai fazer são exames simples, que a gente faz de rotina, né, corriqueiros.
09:29É um exame de sangue, o principal que a gente faz é o antimileriano, que é uma dosagem
09:34dessa reserva ovariana. Esse exame, ele consegue fazer uma estimativa de mais ou menos quantos
09:39óvulos ela ainda teria, quanto tempo de vida fértil ela ainda tem.
09:44Daqueles 400 mil que chegaram ali, como é que está a reserva dela, independente da idade?
09:50É, porque isso tem um caráter genético também. Então, eu com 35 anos posso ter uma reserva
09:55diferente de você com 35 anos. Por isso que esse exame é importante ser feito para cada paciente
10:01e avaliar do caso a caso. Se ela tem uma história de mãe que entrou mais precocemente na menopausa,
10:07se ela tem algum problema de saúde, como endometriose ou ovário policístico, pode dificultar uma gestação
10:13futura, já vale a pena ela começar a pensar sobre isso. Então, esses exames são importantes
10:18para que ela faça um planejamento cuidadoso sobre o desejo reprodutivo. Apesar, nessa idade, né,
10:24a gente começar só a querer não engravidar, também é importante que o ginecologista pense
10:28e quando ela quiser engravidar, mesmo que ela não esteja ainda com esse pensamento
10:33no momento atual, é importante o ginecologista fazer essa previsão para ela em conjunto.
10:39E esse exame antimuleriano, como que ele funciona? Ele é invasivo? Como que ele é feito?
10:43É um exame de sangue, que pode ser, ele é sem jejum, você pode fazer em qualquer época do ciclo
10:48menstrual,
10:49então qualquer dia do mês você pode fazer. Se essa paciente não usar o anticoncepcional,
10:54a gente ainda pode acrescer algumas informações. Então, a gente pode ainda associar, por exemplo,
10:58o FSH, que é um outro hormônio que também avalia a reserva ovariana, e o ultrassom endovaginal
11:05para avaliar a contagem dos óvulos, a gente chama de contagem de folículos antrais,
11:10que são os pré-óvulos que estão ali para serem liberados naquele mês.
11:14Então, são exames simples que a paciente não tem grandes recursos financeiros
11:18ou não é muito invasivo e que pode ser feito com tranquilidade.
11:23Doutora, mas a gente estava aqui conversando um pouquinho,
11:25porque a gente bate papo antes do programa começar.
11:28E a doutora Patrícia me contou que ela mesmo tem os óvulos congelados.
11:33Conta então um pouquinho para a gente da sua experiência como paciente,
11:37como que foi essa decisão?
11:39É, então, quando a gente acaba ficando no lugar do paciente,
11:43a gente começa a pensar para a gente também, né?
11:46Então, a gente informa as pacientes, mas pensa para nós.
11:48E aí eu cheguei nessa idade em que eu precisava definir se eu tinha desejo reprodutivo,
11:54eu não tinha um parceiro definido naquela época quando eu congelei para decidir
11:58e na dúvida se eu gostaria de ter ou não, como eu estava mais focada na carreira, né?
12:03Nos planos que a gente tem, às vezes, profissionais ou em fase da vida mesmo.
12:07Que é muito comum hoje a gente adiar, né?
12:10Primeiro eu vou fazer um mestrado, depois doutorado, vou trabalhar, vou depois, depois, depois.
12:15Isso mesmo, e os óvulos eles não esperam, né?
12:17A gente teve essa evolução social e econômica, né?
12:21A mulher no mercado de trabalho hoje tem um espaço cada vez maior e mais importante, né?
12:26Como socialmente falando para a gente, mas os óvulos estão lá sendo liberados todos os meses,
12:32independente de usar o anticoncepcional ou não, independente de estar ovulando ou não.
12:36E aí a gente precisa pensar.
12:38E eu cheguei nessa fase em que eu estava precisando definir para mim, né?
12:42Qual seria o meu desejo reprodutivo ou não e decidi congelar.
12:47Foi super tranquilo para mim, não tivemos dificuldade.
12:50A Lays é medidor nesse processo.
12:52O processo é rápido, não demora muito tempo.
12:55São, em média, 10 a 14 dias por paciente.
12:58A gente faz algumas medicações para ir estimulando esses óvulos a crescerem.
13:02Vai fazendo ultrassom, vai sendo acompanhado esse crescimento.
13:07E em torno de 10 a 14 dias esses folículos, né?
13:10Esses óvulos estão prontos para serem captados.
13:13Aí vai para o centro cirúrgico.
13:15Uma anestesia leve.
13:16Você dorme.
13:17O procedimento, alguns minutinhos você já acorda.
13:20E é liberado para casa.
13:21E tem um futuro reprodutivo mais garantido para você pensar com mais tranquilidade
13:26qual decisão você quer fazer.
13:29Doutora Lays, e quanto tempo esses óvulos podem ficar congelados?
13:33Então, hoje a gente não tem um prazo, né?
13:36Antes até a gente tinha um prazo, mas com a evolução da tecnologia na reprodução,
13:42a gente fala de eterno, né?
13:43Então, é quando a mulher realmente sentir que é o momento dela realizar esse sonho, né?
13:50Da maternidade.
13:51Aí ela pode recorrer aos óvulos congelados.
13:54A gente teve recentemente casos de artistas que ficam grávidos, como a Cláudia Raia,
13:59muito tardiamente.
14:00Eu acho que o dela foi até naturalmente, né?
14:03Mas o tempo da mulher, ela pode esperar até quando para poder engravidar?
14:09O que é recomendado?
14:10O que entra dentro do saudável?
14:13Então, isso só é permitido porque o útero não envelhece.
14:17Então, a mulher pode receber embriões de óvulos congelados, né?
14:22Quando em idade jovem ou de uma doadora, de acordo com o CFM, o recomendado é que seja
14:30até os 50 anos.
14:32Mas, se o médico julgar que não existe um risco para essa paciente engravidar depois
14:39dos 50, né?
14:40Individualizando o caso, até depois dos 50 a gente pode transferir os embriões para
14:45essa paciente.
14:46E a qualidade desses óvulos, doutora, ela fica comprometida com o tempo?
14:51Então, essa pergunta é interessante porque, às vezes, o congelamento de óvulos, ele é
14:58enxergado como um congelamento que vai resolver todos os problemas, né?
15:04Então, é muito importante a gente lembrar que a gente está preservando o potencial reprodutivo
15:11daquele momento em que os óvulos foram congelados.
15:14Então, se a paciente congela óvulos jovem, ela vai ter um potencial reprodutivo bom, né?
15:21Uma fertilidade, uma taxa de gravidez boa quando ela for usar.
15:25Mas, se ela já congela numa idade avançada, né?
15:28E aí, acima de 40 anos, principalmente, começa a ter um comprometimento importante da taxa
15:34de gravidez.
15:34O que a gente vai conseguir preservar é a taxa de sucesso daquela idade de 40 anos.
15:41Então, é importante que a paciente seja muito atenta a isso, porque quanto antes ela
15:46fizer o congelamento, melhor é o prognóstico reprodutivo, melhor é a taxa de sucesso.
15:52Outro ponto é que, quando ela congela muito tarde, a gente precisa congelar um número de
15:58óvulos muito maior para que ela tenha sucesso.
16:00Isso, porque a gente tem maior risco de óvulos alterados, embriões com problemas genéticos.
16:07Isso é testado, doutora?
16:09Sim, a gente pode fazer triagem genética do embrião antes de transferir para o útero.
16:15Todos fazem?
16:16É recomendado a partir dos 40 anos.
16:18Então, se ela congela mais tarde, ela vai ter uma taxa de sucesso menor, um custo maior,
16:25porque ela vai precisar, talvez, fazer mais de uma coleta de óvulos para ter a quantidade
16:30suficiente para ficar segura.
16:32Porque não adianta ela congelar 4, 5 óvulos, né?
16:36Isso não dá uma segurança.
16:37De acordo com a idade, a gente sabe que o ideal é congelar em torno de 15 ou mais óvulos.
16:43E quanto mais tardiamente, mais óvulos a gente precisa congelar.
16:47Então, o foco é que o ginecologista não permita que a paciente perca esse momento da vida dela.
16:56Então, alertar a paciente sobre a importância de pensar sobre isso, ainda que a cabeça dela,
17:02naquele momento, não esteja voltada para a gravidez.
17:05Mas que aquele momento é o momento mais oportuno dela congelar os óvulos,
17:11para que depois, no futuro, ela não se arrependa.
17:13Sim, a gente está falando de prevenção, né?
17:16E muitas vezes o próprio paciente não entende o momento da prevenção.
17:19É o profissional de saúde que tem que estar atento a isso.
17:21Exatamente.
17:22E a gente da reprodução lida muito com pacientes que chegam muito tarde.
17:27Frustrados.
17:28Frustrados.
17:28Se sentindo, eu imagino, que desavisados,
17:30porque não tiveram cuidado de um ginecologista que olhou por esse ponto de vista.
17:35Exatamente isso.
17:36Assim, poxa, ninguém me falou.
17:37Eu não sabia.
17:38Se eu soubesse, eu teria congelado.
17:40Então, a paciente tem esse direito de saber o que ela vai fazer com a informação.
17:46A gente não sabe se ela vai congelar ou não.
17:49Mas ela precisa ser orientada pelo médico dela, em quem ela confia,
17:54que a acompanha anualmente.
17:56Então, é um movimento que a gente tem feito lá no Instituto,
18:00nesse sentido de trabalhar em conjunto com os ginecologistas.
18:04Porque talvez também o ginecologista não fale, não peça exames,
18:08porque ele não tem tanta destreza.
18:11O domínio, né?
18:11Exatamente.
18:12De entender esses exames.
18:14Então, precisa educar o profissional para que eduque a população nesse sentido.
18:19E por isso, gente, a importância de trazermos esse tema aqui,
18:23que às vezes parece muito longe da sua realidade,
18:26ou você não pensa em engravidar hoje.
18:28Mas as coisas mudam com o tempo.
18:30E aí, eu queria saber da doutora Patrícia,
18:32como é que tem sido o perfil dessas mulheres
18:35que procuram o congelamento dos óvulos em consultório?
18:38A idade tem diminuído?
18:40Tem aumentado?
18:41Qual é o padrão de mulher que aparece, doutora?
18:44Hoje, a gente tem tido uma conscientização maior das mulheres, né?
18:49Assim como o seu programa,
18:50a gente vai tendo mais informação sobre o congelamento de óvulos,
18:53sobre a finitude da fertilidade feminina,
18:56que até certo momento a gente ainda não tinha tanta noção, assim,
19:00de como era, até quantos anos a gente pode tentar, né?
19:03A gente vê na mídia mulheres mais velhas engravidando.
19:06Mas é importante a gente lembrar disso.
19:08A diferença de homens e mulheres, né?
19:10Os homens vão tendo a produção de espermatozoides ao longo da vida
19:14e sendo renovados.
19:15E a mulher não.
19:17Ela já nasce com os óvulos e eles vão reduzindo ao passar do tempo.
19:20Então, a gente tem tido casos mais jovens de pacientes já interessados
19:26a partir dos 30 anos.
19:27Mas ainda hoje, a grande maioria das mulheres que fazem congelamento de óvulos
19:31são mulheres próximas aos 38 anos.
19:34Quando ela já começou a definir sobre o futuro reprodutivo,
19:38na verdade, ela já começou a pensar e foi deixando o tempo passar.
19:42E o ideal é que elas tivessem esse pensamento junto com os ginecologistas
19:45já a partir dos 30 anos.
19:47que a gente já começasse a fazer essa previsão, essa informação
19:50e a dosagem dos exames de forma regular
19:53para ver se essa reserva vem acompanhando a idade,
19:56se ela tem a quantidade de óvulos compatível com a idade dela
19:59ou se está uma reserva diminuída
20:01para a gente alertar o tempo correto junto com a paciente
20:04de quando definir o planejamento reprodutivo.
20:07Ou antecipar o sonho da gravidez
20:09ou talvez congelar se for a realidade dela.
20:12Então, o ideal é que a gente pensasse até os 35 anos
20:16sobre esse planejamento.
20:18E aí a senhora falou, doutora Laysa, também sobre a menopausa.
20:21O que é a menopausa?
20:24A menopausa é uma data, na verdade, da última menstruação da mulher.
20:28É um diagnóstico que a gente faz retroativo.
20:31Ou seja, eu preciso esperar um ano em que ela está sem menstruar
20:34para dizer que ela entrou na menopausa.
20:37Então, é uma data, é um marco.
20:39Mas aí a gente tem exames, dentro desses exames,
20:42a gente começa a perceber que a menopausa está chegando.
20:45Seria a época que a gente não libera mais os óvulos?
20:48Isso.
20:49A menopausa é uma data em que você finalizou a sua vida reprodutiva.
20:53Então, você não tem mais a liberação dos óvulos ali.
20:56Mas o ideal é que a gente converse com essa paciente
20:59e ela avalie antes dessa chegada.
21:01Porque anos antes dela parar de menstruar,
21:04os óvulos já estão reduzindo uma velocidade drástica
21:07e, principalmente, a qualidade desses óvulos.
21:10Assim como a gente também vai perdendo colágeno na pele,
21:13os óvulos também vão perdendo.
21:16Então, a qualidade desse óvulo de se dividir,
21:19de ser capaz de formar um embrião,
21:21também vai caindo com a idade.
21:23Então, existem exames para a gente estimar a data da menopausa,
21:28mas o ideal é que a gente não espere a definição dessa data
21:32para ela começar a pensar no congelamento de óvulos.
21:35O ideal é que sejam anos antes dessa queda da fertilidade.
21:39Doutora Laysa, e a senhora tem na clínica um material
21:44que a gente pode disponibilizar.
21:46Conta um pouquinho sobre isso, já que a gente está falando
21:48de informação de qualidade aí para você que está em casa
21:50e quer entender um pouquinho mais sobre esse assunto,
21:52que é complexo, mas que faz parte do nosso dia a dia.
21:56Sim.
21:57A partir dessa percepção que a doutora Patrícia trouxe,
22:00de que as mulheres procuram muito tardiamente
22:03para fazer o congelamento de óvulos
22:06e de que elas têm poucas orientações,
22:09nós criamos no Instituto de Medicina Reprodutiva
22:11um programa chamado Fertilife,
22:14em que nós ofertamos justamente essa investigação
22:18da reserva ovariana, orientações,
22:22individualizamos os casos para orientar essa paciente
22:26sobre o que ela deve fazer, de acordo com os exames dela,
22:30de acordo com o desejo dela reprodutivo
22:32naquele momento, para o futuro.
22:34Então, algumas mulheres nós vamos orientar
22:36simplesmente a aguardar o próximo ano e repetir de novo.
22:40Ou outras a gente já vai falar,
22:42olha, sua reserva já está começando a diminuir,
22:44é importante você congelar agora,
22:47porque se você deixar para depois,
22:48pode ser que a gente não tenha mais óvulos para congelar.
22:50Então, nesse sentido, nós criamos esse programa
22:54chamado Fertilife,
22:55que é para aqueles ginecologistas
22:57que não se sentem confortáveis em conduzir esses casos,
23:01poderem encaminhar seus pacientes
23:02para que a gente possa fazer isso
23:04e depois compartilhar com o próprio ginecologista
23:07o nosso resultado,
23:09o que nós tivemos de percepção em cada caso.
23:11Ou a própria paciente também nos procurar.
23:14E além disso, nós escrevemos um e-book
23:16com esse objetivo,
23:18de orientar tanto os ginecologistas
23:21quanto as próprias pacientes
23:23nesse sentido,
23:24sobre a fertilidade,
23:26sobre a queda da fertilidade,
23:28sobre as causas,
23:30sobre quais os exames devem ser feitos,
23:32a partir de quando.
23:33Então, nós gostaríamos de disponibilizar
23:36esse material gratuitamente.
23:38E aí nós vamos deixar o QR Code,
23:40o site...
23:40O QR Code já está aqui para vocês, gente.
23:43E aí fica disponível essa informação de qualidade
23:46tanto para os profissionais da área da saúde,
23:49os ginecologistas,
23:50mas também os clínicos,
23:52quem é do serviço público,
23:53quem é do serviço privado
23:55e para você que é paciente também.
23:57Então, eu queria agradecer
23:58esse presente aqui
23:59para os nossos ouvintes
24:01que a doutora Laysa está deixando.
24:02Muito obrigada, doutora.
24:04Obrigada a você, Alice.
24:05Foi ótimo estar aqui.
24:07Doutora Patrícia Leite,
24:08um prazer recebê-la aqui.
24:10A sua estreia no Check-Up Saúde
24:11e volte sempre.
24:12Obrigada.
24:14Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
24:16Te espero na semana que vem.

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