- há 4 semanas
Superação e amor infinito entre pais e filhos
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NotíciasTranscrição
00:00Para tudo, você vai se emocionar, nós vamos contar duas histórias inspiradoras
00:05que mostram como o amor de pai é transformador, minha gente.
00:11O Tony, ele cria sozinho o Benjamin de um ano e meio.
00:16E o Kleber, é um outro pai que também está aqui com a gente,
00:20ele virou a vida do avesso para ajudar o filho Flávio,
00:24que também está com a gente aqui no nosso estúdio.
00:27Então, vamos bater um papo com esses paisões que fazem tudo pelos filhos?
00:32Vem cá, participa com a gente que eu já recebo aqui.
00:34Olha, então, o Tony, cadê o Benjamin?
00:36A gente também tem que incluir o Benjamin aqui.
00:38Deixa a criança fazer bagunça, viu?
00:40O Tony está aqui com a gente, o Flávio, que é o filho do Kleber.
00:45Vamos começar então por ordem.
00:46Pode trazer o Benjamin aqui?
00:48Pode trazer?
00:49Se ele fizer bagunça, a gente deixa ele solto no estúdio.
00:52Kleber, conta para a gente.
00:53Estamos aqui com o Flávio, um pouquinho da história de vocês
00:57e por que vocês foram convidados para estarem com a gente hoje aqui.
01:01É, a história é longa, né?
01:04Nós vamos ter que reduzir isso aqui.
01:06Bom, a história começa quando o Flávio começa a usar droga,
01:09aos 10 anos de idade, lá nos Estados Unidos.
01:12E aí o tempo foi passando, as coisas só foram piorando, né?
01:16O controle.
01:16Eu não tinha a mínima ideia de como lidar com essa situação.
01:19Então, eu brigava, eu batia, eu era bem inconsequente nas minhas ações
01:25porque eu não conhecia esse mundo.
01:27E aí, então, ele foi feito uma deportação voluntária
01:30depois de ele ter passado por algum período preso por causa de droga.
01:34E aí passou um ano.
01:36Eu vim porque o consumo dele aqui aumentou,
01:39ele teve contato com o crack,
01:41os meus pais foram ficando desesperados,
01:43meu irmão me cobrando um posicionamento
01:45porque, afinal de contas, era um adulto já usando droga dentro de casa com dois idosos.
01:50Então, eu decidi vir, aí vim,
01:52e quando eu chego, ele passa uns 3, 4 meses sem usar droga,
01:55logo depois ele começa a cair feio.
01:58E aí eu entrei em desespero, fui para a Rede Abraço,
02:00fui para todos os órgãos que existiam disponíveis para poder fazer um acolhimento.
02:04Mas eu não conseguia fazer o acolhimento
02:06por possibilidade dele mesmo,
02:08como nós falamos naquele caso daquela mãe nessa semana que passou.
02:13Enfim, consegui uma clínica,
02:14internei lá no Balneário Carapebus,
02:17e aí, com o tempo, eu percebi,
02:20eu queria entrar nesse mundo,
02:21eu queria conhecer por que que acontecia isso,
02:23por que meu filho está usando droga,
02:25o que que eu posso fazer para ajudar.
02:27E eu sofria muito como codependente.
02:29Então, eu fiz uma proposta para o dono da instituição,
02:33porque eu já não conseguia mais pagar,
02:34que era involuntário.
02:36E aí ele falou, mas o que que a gente vai fazer?
02:38Bom, eu sou chefe de cozinha,
02:39então eu vou cozinhar para vocês em troca do tratamento do Flávio.
02:42Começou assim.
02:44Gente, ele se internou junto com o filho,
02:48nessa clínica de reabilitação, foi isso?
02:50Isso.
02:51E trocou isso em troca,
02:53tudo isso em troca de trabalho.
02:55Em troca de trabalho, exatamente.
02:56Primeiro eu internei,
02:58depois acabou as condições financeiras.
03:00E aí, então, eu falei, agora só tem um jeito,
03:02eu vou cozinhar.
03:03Só que era muito longe,
03:04eu morando em Vila Velha,
03:05lá em Balneário,
03:06eu falei, não, eu vou ficar aqui junto com vocês.
03:08Na época, o Ebenezer,
03:10que é dono lá da oficina de gente,
03:11falou assim, não, Kleber, isso não é possível.
03:13Eu falei, não, é possível,
03:14eu vou ficar com o meu filho.
03:15E ele falou, então tá,
03:16eu nunca vi isso na história,
03:18então fica.
03:18Ele arrumou um quarto para mim,
03:20e eu fiquei lá nove meses,
03:22vamos dizer assim,
03:23internado junto com o Flávio.
03:24Ô, Tony, pode deixar o Benjamin à vontade, viu?
03:27Se ele quiser ficar aqui rodando,
03:28pode ficar tranquilo.
03:29Flávio, o que que essa atitude
03:31do seu pai representou para você?
03:35Como é que eu explico isso?
03:37Como é que você explica?
03:39O que que representou para mim?
03:41Eu perguntei a pergunta aqui.
03:42Essa atitude do seu pai
03:44em se internar voluntariamente
03:47para te ajudar,
03:48para te tirar dessa vida,
03:49o que que isso representou para você?
03:52Representou o amor que ele tem por mim, né?
03:54Porque ele deixou de trabalhar,
03:57porque ele era cozinheiro profissional,
03:58era na época,
03:58e podia estar arrumado em um lugar,
04:01em um restaurante top, chique,
04:03e decidiu não,
04:04e ficar lá comigo para custear,
04:06para eu poder ter o tratamento
04:07que eu precisava.
04:08Isso fez toda a diferença para você?
04:10Completamente.
04:11Se ele não tivesse feito isso,
04:12eu acho que hoje ele ia estar
04:14em meio desses lugares,
04:15jogado na rua.
04:18Quando o seu pai tomou essa decisão,
04:21qual foi a sua reação na época?
04:24Ah, eu meio que falei,
04:26não, vamos embora,
04:26eu também já estava no sentimento
04:29que eu não queria mais fazer,
04:30o tratamento e tal,
04:31mas acabei ficando e...
04:34tem explicação.
04:36Mudou todo o caminho, né?
04:37Mudou, diferenciou tudo.
04:39E hoje aqui a gente também tem
04:41um outro paizão,
04:42que faz tudo pelo filho,
04:44o Tony, gente.
04:46Tony, resume um pouquinho da sua história,
04:48você é pai solo,
04:50cuida sozinho do Benjamin,
04:52não é isso?
04:52É isso aí, boa tarde a todos.
04:54É, Roberta,
04:55não é fácil não, tá?
04:57Eu estou vendo.
04:58Não é fácil não, tá?
05:00Pode soltar o Benjamin aqui,
05:01vem cá, vem aqui, gente.
05:02Não é fácil não,
05:02como vocês veem,
05:03ele é um menino muito inquieto,
05:05ele é muito bagunceiro.
05:08Eu estou com ele
05:09desde quando ele tinha seis meses, né?
05:10A gente, eu e a mãe dele,
05:11a gente teve o desentendimento, né?
05:13Então aí, resolvi entrar,
05:16pedir a guarda dele, né?
05:17Então ele está comigo, né?
05:19A mãe dele, infelizmente,
05:20não participa de nada, né?
05:21Até porque também ela está longe, né?
05:22Então, é tudo eu mesmo sozinho.
05:25É médico, é roupa, é comida,
05:28é tudo.
05:29A minha irmã fica pelo final de semana
05:30para eu trabalhar quando ela pode.
05:31Às vezes também ela não pode,
05:32também eu também não vou trabalhar.
05:33Eu trabalho com a motorista de aplicativo,
05:35até porque, né, flexível, né?
05:36Então posso trabalhar
05:37nos momentos que eu estou sem ele.
05:38Mas 24 horas por dia,
05:40é esse rapazinho aí
05:41que toma conta da minha vida.
05:42Ele toma conta da minha vida
05:43na realidade, né?
05:44Nem eu que tomo conta dele, né?
05:45Porque é tudo em função dele,
05:47como vocês veem,
05:47é desse jeito o dia todo.
05:48E de que forma que a sua vida se transformou?
05:52Assim, eu aprendo a cada dia com ele,
05:54porque, na realidade,
05:55eu chamo ele de meu herói.
05:57Aí muita gente fala,
05:58mas por que você chama ele de seu herói?
05:59Eu falo que ele é meu herói
06:00porque, na realidade,
06:01quando ele surgiu na minha vida,
06:03ele deu, tipo assim,
06:04eu dou uma quietada também na minha vida,
06:07ver a vida com outros olhos também.
06:08Hoje, tudo que eu faço,
06:10eu penso três vezes antes de fazer,
06:12se der errado,
06:12porque eu sei que vai
06:15atingir ele, né?
06:16Então, mudou a vida completamente.
06:18A vida da gente, assim, muda,
06:20assim, a gente passa a ver
06:23a vida do jeito mais bonito,
06:25a gente enfrenta os problemas
06:27da maneira mais voraz,
06:29mais feroz, assim,
06:30a gente fica meio sem medo
06:31para poder enfrentar a vida
06:32tudo por ele.
06:34Bom, de todos os desafios,
06:36para você, qual é o maior
06:37dessa paternidade solo?
06:39Ah, desafio,
06:41todos são desafios, Roberto,
06:43porque a gente aprende,
06:45a gente aprende,
06:46cada dia eu aprendo um pouquinho, né?
06:47Porque ser pai solo,
06:49ainda solteiro,
06:49não ter uma rede de apoio,
06:51a gente tem que se virar
06:52nos 30, nos 40, nos 50.
06:55Não tem, assim,
06:55eu não posso dizer para você
06:56que você tem um desafio maior,
06:58mas quando ele fica meio doentinho,
07:00eu fico,
07:01eu fico
07:02meio baqueado também,
07:03porque
07:04dá aquela vontade
07:05de puder se passar para a gente,
07:07agora ele ficou seis dias internado,
07:08eu fiquei internado com ele também, junto, né?
07:10Então, assim,
07:11mas não tem um desafio maior,
07:11todo dia é um desafio diferente,
07:13porque todo dia
07:14é uma coisa nova que aparece,
07:16né?
07:16Todo dia ele está de um jeito,
07:18aí tem hora que você dá água,
07:18não quer água,
07:19quer comida, não quer comida,
07:20quer dormir, não quer dormir,
07:21o desafio é todo dia,
07:23todo dia, todo dia.
07:24Eu não sei o que é ter
07:25oito horas de sono
07:25e já tem um ano.
07:28Para ver o que a mãe sofre,
07:29né?
07:29Para ver o que a mãe sofre.
07:31Que bom que o pai
07:32que está falando isso,
07:33ele faz para o pai,
07:34não é de mãe para o pai.
07:36Isso aí.
07:36É por aí, Kleber,
07:38acho que vocês dois
07:40têm aqui
07:41uma conexão,
07:42esse sentimento paterno
07:44de amor incondicional
07:46pelo filho,
07:46pode deixar ele aqui à vontade,
07:48é esse sentimento
07:49que conecta,
07:50né,
07:51por exemplo,
07:51a sua história
07:52com a do Tony?
07:54Ah,
07:54com certeza,
07:55Roberto,
07:55inclusive,
07:55eu quero parabenizar mesmo
07:57o Tony,
07:57porque eu passei a ser
07:58mãe e pai
07:59aos dez anos,
08:00nós nos divorciamos
08:02e a mãe optou
08:03de não ficar com ele,
08:04e eu falei,
08:04então,
08:05eu não podia,
08:06eu trabalhava muito intenso
08:07nos Estados Unidos,
08:08a vida é muito intenso,
08:08você tem que trabalhar,
08:10mas eu fico pensando aqui,
08:11eu com dez anos,
08:12ele já era de uma certa forma
08:13um pouquinho independente,
08:14mas eu vejo a minha idade
08:16que ele tem,
08:16ele não é independente,
08:17ele depende muito,
08:18então eu queria parabenizar
08:19o Tony,
08:20realmente assim,
08:21fantástico,
08:23não dá para falar muito,
08:24nós estamos acabos chorando.
08:25quem não chora,
08:26quem não se emociona,
08:27né?
08:27Agora,
08:28o Tony disse que ele aprende
08:30muito com o filho,
08:31aprende diariamente.
08:32No seu caso,
08:33Kleber,
08:34o que você mais aprendeu
08:36com a experiência
08:38depois de tudo
08:38que você e o Flávio
08:40viveram?
08:41Aprendi o que é amor,
08:42e aí eu vou explicar
08:43rapidamente isso.
08:45Quando ele estava
08:45no auge da drogadição
08:47sendo preso
08:47lá nos Estados Unidos,
08:48uma pessoa que eu conheci
08:49rapidamente
08:50passou por mim
08:51e falou assim,
08:52ei, você precisa,
08:53você está fazendo tudo errado
08:54com o seu filho.
08:55E eu olhei,
08:56quem é esse cidadão,
08:57não me conhece?
08:58E eu falei,
08:58como assim?
08:59Ele falou,
08:59não, você precisa dar amor.
09:00Mas eu dou amor.
09:02Ele,
09:02qual foi a última vez
09:03que você falou
09:03e eu chamo
09:04para o seu filho?
09:05Eu não recordava.
09:06A partir daquele momento,
09:07eu fui mudando a minha história,
09:08porque eu perguntei a ele assim,
09:10então se eu der amor,
09:10ele vai parar de usar droga?
09:12Ele falou,
09:12não, você não entendeu nada.
09:13A sua obrigação
09:14é dar amor.
09:15Se ele vai receber
09:16o amor que você está dando,
09:18é outra situação.
09:19Então,
09:20ao longo dessa época,
09:21até hoje,
09:22eu aprendo a dar amor.
09:23Eu brigo,
09:24eu chamo atenção,
09:25eu sou mãe e pai,
09:26eu corrijo
09:27quando tem que corrigir,
09:29eu abraço,
09:29tem que abraçar,
09:30eu choro junto com ele,
09:32mas assim,
09:32o amor prevalece
09:33em todas as situações.
09:34De que forma que
09:36tudo isso mudou
09:37a relação de vocês dois,
09:39Flávio?
09:40Antes,
09:41antes a gente discutia muito,
09:43brigava,
09:44não tinha aquela conexão.
09:47Hoje em dia,
09:47a gente consegue sentar
09:48e conversar.
09:49Ele me explicava
09:50na base do amor,
09:50não na base da gritaria,
09:52da porradaria.
09:53Da autoridade.
09:54A autoridade é,
09:55hoje ele sente,
09:56a gente conversa.
09:57Meu filho é isso,
09:57não tapa.
09:58Se tornaram até amigos?
10:00Amigos.
10:01Muito mais amigos.
10:02Muito mais amigos.
10:04Tony,
10:05e para você?
10:06Há um ano e meio
10:07a sua vida mudou.
10:08Ele está ali, gente,
10:09o Benjamin está no nosso espaço
10:10do meu Anay Costa,
10:11daqui a pouquinho
10:11vai ensinar uma receita deliciosa.
10:13Obrigada, Anay,
10:14a gente te agradece,
10:15viu?
10:15Você tem a rede de apoio
10:16aqui no Fale Espírito Santo, né?
10:19O que você também tem aprendido
10:21sobre a vida,
10:22sobre esse sentimento
10:24maravilhoso da paternidade
10:26com o Benjamin?
10:28Eu acho que,
10:29para mim, assim,
10:30no dicionário tinha que ter
10:31uma palavra para substituir amor,
10:32porque amor é muito pouco
10:33o que eu sinto por ele.
10:35Esse menino, para mim,
10:36na minha vida, ele é tudo.
10:37Ele é tudo.
10:38Hoje, a minha vida,
10:39como eu falo,
10:39é baseada nele
10:41e, como eu falei,
10:43eu aprendo a cada dia com ele,
10:44né?
10:44Eu aprendi a ser um cara
10:47melhor do que eu já era.
10:49Não que eu fosse um cara
10:50irresponsável,
10:51mas, como eu falei,
10:52a gente passa a ver a vida
10:53com os olhos completamente
10:54diferente, né?
10:56Eu sempre fui um cara que,
10:57assim, eu fui criado no meio
10:58de um monte de mulher, né?
11:00Então, eu sei muito bem
11:00o que elas passam.
11:01Mas hoje, eu sei muito mais
11:02o que uma mãe passa.
11:05Eu também queria, também,
11:06parabenizar, também,
11:07as mães solteiras, também,
11:08em solos, também,
11:08que cuidam dos filhos,
11:09porque eu, hoje, nessa posição,
11:10eu vejo que é muito difícil.
11:14E aproveitar, também,
11:15fugindo aí do contexto,
11:17e aproveitar para os pais, aí,
11:18que são afastados dos filhos,
11:20que vocês parem para pensar um pouquinho,
11:22repensem um pouco,
11:23porque eu acho que não tem coisa
11:25melhor na vida de um homem
11:26para poder completar a vida da gente
11:28do que um filho na vida da gente.
11:30Eu acho que dá tempo, ainda,
11:31de você repensar,
11:32se reaproximar da mãe.
11:34Eu, sinceramente, falando,
11:35eu gostaria muito que a mãe dele
11:36fosse mais próximo a gente,
11:37mas são coisas da vida,
11:39mas, no futuro,
11:39a cabeça, as pessoas mudam, né?
11:42Eu não tenho raiva dela, nem nada,
11:43eu acho que ela é mãe,
11:44um dia, ele vai conviver com ela, sim,
11:46porque é uma coisa,
11:47é uma coisa,
11:47é outra coisa, é outra coisa.
11:49E os pais, aí,
11:50que são afastados dos filhos,
11:51aproveitar o dia dos pais domingos
11:52para poder dar uma assistência,
11:54porque, gente,
11:54eu, sozinho,
11:55eu sei que não é fácil.
11:56Imagina uma mulher,
11:58sozinha, financeiramente,
11:59cuidar de filho,
12:00é complicado.
12:01Então, os pais, aí,
12:02que puderem repensar um pouco na vida,
12:04eu gostaria de deixar esse recado.
12:05O recado está dado.
12:06As pessoas aqui no Facebook
12:07estão elogiando as histórias lindas
12:09que nós trouxemos.
12:10Obrigada pela participação de vocês
12:12e recebam, tá?
12:14O forte abraço de toda a equipe.
12:16Pode deixar o beijaminho aqui com a gente, tá?
12:18Pode ficar à vontade aqui,
12:20que hoje a gente está,
12:21ele está com rede de apoio, tá?