- há 3 semanas
Jovens demostram vários sintomas da depressão e os pais podem identificá-los
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00:00E agora eu chamo a sua atenção, chamo a atenção dos pais, dos avós, para tudo que você está fazendo,
00:04senta aí, que o assunto é muito sério, minha gente.
00:08É que acaba de sair uma pesquisa sobre a saúde mental dos jovens com idade entre 16 e 24 anos.
00:15E esse é o grupo mais afetado por problemas como a baixa autoestima e a ansiedade.
00:23Essa pesquisa foi feita pelo Instituto Cactus e mostra o panorama da saúde mental no Brasil.
00:30E os jovens são diretamente afetados.
00:34A maioria, eu estou falando aí de 78%, relatou ter se sentido feio ou até mesmo pouco atraente, ao menos
00:43uma vez, nas últimas duas semanas anteriores à pesquisa.
00:5073% relataram se sentir um pouco inteligente.
00:54E quase metade, 45%, afirmou não ter saído com os amigos no período.
01:02Vamos lá.
01:03Depressão, solidão.
01:06A gente precisa entender, identificar os sinais que mostram que os nossos filhos, os nossos netos, que mostram que eles
01:15não estão bem.
01:16E aí, a gente precisa buscar ajuda.
01:19E é buscar logo.
01:20Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:23Vem cá, participa com a gente.
01:24Aqui no nosso estúdio, eu recebo a psicóloga Larissa Lobo.
01:27Muito obrigada, Larissa, pela sua participação.
01:30A Cris Groberio, gente.
01:32Obrigada, Cris, imensamente pela sua presença.
01:35Recentemente, ela perdeu a filha para a depressão.
01:38E a gente também recebe aqui a Sheila Fontana, que também é mãe.
01:42É mãe de um adolescente de 11 anos.
01:45E ela já percebeu também esses sinais no seu filho.
01:49Sheila, boa tarde.
01:50Sejam todas bem-vindas, viu, gente?
01:52Boa tarde.
01:53Já percebeu, Sheila?
01:54Sim, sim.
01:56Uma das primeiras coisas que eles fazem é se isolar.
02:02Começa a ficar mais trancado no quarto, não quer conversar, às vezes nem quer comer, né?
02:11E aí a gente começa a perceber.
02:14Choro, à toa, do nada, eles começam a chorar.
02:19E aí a gente começa a investigar.
02:21No meu caso, com o meu filho, foi uma das primeiras coisas que eu percebi, foi isso.
02:26Agora, Larissa, como que a gente identifica, né?
02:28Porque a adolescência, por si só, já é uma fase extremamente confusa, né?
02:36Cheia de novidades, oscilações hormonais.
02:38E a partir de que momento isso chama a atenção?
02:41Para que a gente preste atenção aqui, o buraco é mais embaixo.
02:44Entendi.
02:46Boa tarde.
02:47Para começo de conversa, para a gente ter qualquer parâmetro do que está saudável
02:51e de qual ponto se torna patológico,
02:55que é preciso que esses responsáveis conheçam e estejam perto dos filhos.
02:59No período da adolescência, é normal acontecer um movimento mais de introspecção
03:04ou desse adolescente se voltar para os amigos.
03:07Então, esse vínculo acaba ficando um pouco estremecido com os pais.
03:11E é preciso resgatar e cuidar desse vínculo
03:15para que esse afastamento não dificulte os pais a perceberem os sinais de risco.
03:20Então, os sinais de risco a gente separa em três categorias, né?
03:24A gente tem alterações do âmbito emocional, alterações do âmbito cognitivo
03:28e alterações do âmbito comportamental.
03:30Então, do emocional, é se essa criança tem apresentado um choro constante,
03:34um rebaixamento de humor, ou se esse adolescente, perdão,
03:37se ele tem se tornado muito mais irritadiço do que o habitual,
03:41porque a gente sabe, como você falou, que tem algumas alterações
03:43que são específicas do período da adolescência,
03:45dessa baixa maturidade emocional.
03:47É natural, mas se essa irritabilidade tem se tornado muito constante,
03:52se no âmbito cognitivo ele tem apresentado o declínio na questão escolar,
03:59se tem apresentado um rebaixamento de resultados,
04:03enfim, habilidades que ele tinha antes, ele tem apresentado dificuldades.
04:07E no âmbito do comportamento, se ele tem apresentado isolamento,
04:11se ele tem apresentado retraimento,
04:13se ele tem se afastado de atividades que geram prazer de lazer
04:18e que ele tem diminuído ou deixado de fazer essas atividades.
04:22Então, é sempre observar essas três áreas,
04:24mas para a gente observar isso, é preciso que os pais responsáveis
04:26estejam com esse vínculo bem estabelecido.
04:29Essa irritabilidade foi um dos sintomas, um dos sinais da sua filha?
04:35Obrigada pela sua participação mais uma vez, viu?
04:37Obrigada, obrigada eu pelo convite.
04:40Sim, a Yasmin era uma adolescente que a gente falava sempre que era irritadinha,
04:43desde a infância, né?
04:44Eu acho que a depressão foi meio que crescendo com a minha filha,
04:47só acrescentando mais um sintoma.
04:49A minha filha, eu acho que por não saber queixar,
04:52aos oito anos reclamava de uma dor no coração.
04:55E essa dor do coração, a gente procurou todos os médicos,
04:57nada curou essa dor do coração e não achamos nada que pudesse trazer.
05:01Depois a gente procurou um médico pra ver sobre refluxo e tudo.
05:06Resumindo, a gente acha que já era uma angústia,
05:08uma ansiedade desde pequenininha que ela vinha carregando.
05:10Então, às vezes eles não sabem se expressar,
05:12eu acho que esse é o grande problema do depressivo.
05:14É uma grande contribuição, porque vem os sintomas que são fisiológicos, né?
05:18Tanto na depressão quanto na ansiedade,
05:20que são as opressões no peito, dificuldade de respirar,
05:23outros adoecimentos, porque o corpo somatiza,
05:26ele transforma em doença física.
05:28Então, às vezes o adolescente pode realmente,
05:30obrigada pela contribuição,
05:32pode realmente apresentar esses adoecimentos físicos
05:34sem uma justificativa biológica.
05:37E em que momento que você se deu conta, Cris,
05:39que não se tratava ali então de algo físico, né?
05:43E sim da saúde mental.
05:45Foi durante a pandemia, que eu acho que também foi um grande,
05:49agravou toda a situação da depressão,
05:51que aí realmente, além da irritabilidade,
05:54ela começou a se isolar, ficar triste, apática,
05:58desanimada, resmungou.
05:59Nossa, tudo está ruim, como se todos os dias fossem ruins para ela.
06:03Achava pouca graça nas coisas.
06:05E aí eu falei, não, tem alguma coisa errada.
06:07Filha, vamos no psicólogo.
06:09E ela aceitou, e a gente foi no psicólogo, no psiquiatra.
06:11Tratamos por um ano, e aí que a minha grande queixa com os profissionais,
06:15e um alerta, eu sei que você é excelente profissional,
06:18com todo respeito,
06:19mas que a depressão, ela pode voltar.
06:22Quando a depressão da minha filha foi embora,
06:23a gente achou que nunca mais voltaria.
06:26Acabou.
06:26Então, ela teve alta do psicólogo, do psiquiatra,
06:29tanto eu quanto meu esposo, minha outra filha,
06:31e a própria Yasmin.
06:32Ela falou, ah, então, já era, né?
06:34Tô ótima.
06:34E ela tinha mudado o perfil dela?
06:36Mudou, tava bem.
06:37Mais leve, alegre?
06:38Mais leve, alegre.
06:40Pelos relatos que a gente recebeu, depois que ela partiu,
06:43a gente percebe que ela falava sobre partir em um período da depressão,
06:48enquanto se tratava.
06:49Depois da alta, ela fala,
06:50hoje eu estou mais feliz do que triste,
06:52não vou sofrer mais essa doença.
06:54E aí a gente se surpreende com a volta abrupta,
06:55e em 20 dias ela parte.
06:58E aí que a gente tem que prestar atenção,
07:00e tentar ao máximo acompanhar os nossos filhos de perto,
07:04Sheila, você conseguiu, né?
07:07Está conseguindo fazer um trabalho com o seu filho justamente, né?
07:12Para melhorar essa autoestima e essa ansiedade?
07:15Sim, a gente está fazendo acompanhamento, né?
07:17Com psicóloga, com ele também.
07:20A cada 10 sessões, né?
07:22A psicóloga chama, quanto a mim, quanto ao meu esposo,
07:26orienta o que a gente deve fazer, comportamentos em casa,
07:30até com a irmã, né?
07:31Mas ele ainda está nesse processo, sim.
07:34Nada está bom.
07:35Às vezes eu fico até muito triste quando ele fala assim,
07:39poxa, eu tenho mais momentos de tristeza do que alegria.
07:44Então isso entristece muito a gente que é mãe,
07:47uma vez também porque eu perdi também, né?
07:49Uma sobrinha para a depressão,
07:52por conta desses comportamentos.
07:54Por quê?
07:55Por que mais momentos de tristeza do que alegria?
07:58E aí a gente começa a falar, meu filho, você tem uma família legal em casa?
08:03Você tem amiguinhos?
08:04Não, ninguém gosta de mim.
08:06Eles se sentem assim.
08:08Não, se eu for em tal lugar, ninguém gosta de mim.
08:11Na igreja, ninguém gosta de mim.
08:12Isso não é verdade.
08:14Ele se sente uma pessoa que tem um mundo dele lá dentro, sabe?
08:20E o que explica isso, Larissa?
08:21Isso a ponto de chamar a atenção e isso virar um dado alarmante
08:26nessa pesquisa que a gente acabou de divulgar.
08:29Vou fazer dois recortes, um a nível micro e um a nível mais social.
08:34Dentro do nível micro, sinto muito pelas perdas de vocês,
08:39a depressão é um transtorno que tem uma base neurológica.
08:43Então quando a pessoa entra num episódio depressivo, num transtorno depressivo,
08:47a gente tem uma desativação de todo o sistema nervoso central.
08:51Então o cérebro, ele diminui a capacidade dele com as funções que ele teria quando saudável.
08:58Em relação à percepção de prazer, em relação a uma leitura coerente dos acontecimentos
09:04e até outras funções cognitivas executivas, como a memória, atenção, raciocínio, planejamento.
09:10Junto com essa depressão geral dessas funções, a gente tem o que dentro da terapia cognitiva comportamental,
09:16a gente chama de distorção cognitiva, que é uma interpretação distorcida da realidade.
09:21Então é como se esse paciente depressivo, esse adolescente, essa pessoa,
09:25ela visse o mundo através de uma lente muito distorcida.
09:29Então ele não vai conseguir, de repente, identificar os momentos de alegria,
09:34ele vai maximizar, vai potencializar os momentos de tristeza,
09:37então ele tem essa percepção distorcida da realidade.
09:40O que deve se acontecer no contexto psicoterapêutico é o terapeuta ensiná-lo a enxergar de uma maneira mais funcional.
09:47E tem o que a gente chama de psicoeducação, que é ensinar os pais nesse processo de identificar a melhora,
09:54identificar o rebaixamento, ter um plano de prevenção de recaídas.
09:59Quando o paciente tem um transtorno, é imprescindível que tenha um plano de prevenção de recaídas
10:04para a família conseguir observar qualquer mínimo sinal de risco, porque como uma doença, pode voltar.
10:11E do ponto de vista social, saiu um parecer da Organização Pan-Americana de Saúde,
10:17recentemente, que traça, é multifatorial, os transtornos são multifatoriais.
10:22Tem o que hereditário, claro, mas tem os fatores, por exemplo, da insegurança financeira,
10:27a questão do próprio período da adolescência ser um período emocionalmente vulnerável,
10:32que está se construindo essa personalidade, se construindo esse emocional,
10:35então tudo os afeta com mais facilidade do que afetaria um adulto.
10:39Tem o fator rede social também, porque aumenta essa distorção cognitiva,
10:44porque me faz perceber o mundo do outro muito mais perfeito e o meu mundo muito mais defeituoso.
10:49Tanto que eu conversei com as mães, e daqui a pouco a gente vai conversar também com a Shirley,
10:54eu percebi uma palavra em comum entre todas vocês, a palavra comparação.
10:59O meu filho se comparava com o outro, né?
11:02Então isso se acentua com as redes sociais, por exemplo.
11:05Exatamente, se acentua.
11:06Então a gente tem essas várias explicações do ponto de vista biológico,
11:12do ponto de vista cognitivo, do ponto de vista social.
11:15Olha só o comentário aqui que a gente tem da Andressa Bastos.
11:19O meu filho, ela diz que também está assim, que era um menino tão legal,
11:24se tornou uma pessoa depressiva, está com a cabeça longe, às vezes até agressiva.
11:29É interessante que depois do que aconteceu com a sua filha, Cris,
11:33você passou a ouvir muitos relatos, né?
11:36Muitas mães te procuraram para fazer esse desabafo e pedir essa ajuda enquanto há tempo, né?
11:42De que forma que você tem ajudado essas mães?
11:44Eu tenho ajudado através da minha rede social.
11:46Meu Instagram é Cris Grobério.
11:48Aproveita para fazer uma paganda.
11:48Fica à vontade, a gente está aqui para fazer um serviço, né?
11:52Ajudar os nossos filhos.
11:53É, na verdade, desde o dia que minha filha partiu, as pessoas começaram a me telefonar
11:57e me buscar pessoalmente e também pelo Instagram.
12:00O que é que aconteceu?
12:00Você pode ajudar a gente, você pode compartilhar.
12:02E eu não vi problema nenhum em compartilhar.
12:04Na verdade, eu até falei com a Sheila, que perdeu também alguém,
12:09que uma das formas que eu estou encontrando é que as pessoas que partiram têm dignidade,
12:15elas partiram por uma doença que elas não escolheram ter,
12:18assim como quem parte por um câncer, por qualquer outra doença.
12:20Então, dar dignidade a essa forma de partir.
12:23Mas, acima de tudo, alertar, porque como a Sheila disse,
12:27que a gente fica triste, né, quando o filho apresenta uma doença,
12:30e então isso acaba com que eles não falam.
12:34A minha filha deixou muito relato.
12:36Hoje eu vou falar que estou bem porque a minha mãe está feliz.
12:38Então, eu não vou acabar com o dia da minha mãe.
12:41E a gente acredita, pelo que ela deixa escrito, que quando a doença volta,
12:45o que ela tentou foi dar conta sozinha.
12:48Eu, agora que essa doença voltou, estou realizando os meus sonhos, estou morando em Vitória,
12:52estou feliz, estou estudando, estou rendendo, vou contar isso para ninguém, vou dar conta disso aqui.
12:57E aí, quando ela tentou dar conta, ela encontrou a partida como uma forma de dar conta.
13:02E talvez se ela tivesse pedido ajuda para a gente, para a terapeuta dela,
13:05eu já, algumas crianças, porque eu converso muito, esses quatro meses eu tenho feito,
13:09eu falo que uma grande oficina com pais e com pessoas com depressão.
13:12E eles falam assim, as crianças falam, eu não vou contar tudo para o meu terapeuta.
13:17Por que eu vou contar para o meu terapeuta?
13:18Para ele contar para a minha mãe?
13:20E minha mãe ficar triste?
13:22Eu não vou fazer isso.
13:23Vou guardar para mim.
13:25Como é que você fez para o seu filho aceitar ajuda?
13:28Porque é aí também um outro processo.
13:31Ainda mais adolescente.
13:33Não, não quero ajuda, não preciso de ajuda.
13:35Foi difícil ou foi fácil esse convencimento?
13:38Não, não.
13:38Foi um pouco difícil.
13:40É difícil.
13:41Porque quando a gente vai para a sessão de psicologia, ele fala,
13:45hoje eu não quero ir, eu já converso com você, mãe.
13:49Tudo que eu quero falar, às vezes eu falo com você,
13:51não, meu filho, mas a gente tem que ir, porque lá ela vai conversar com você melhor,
13:55conversas melhores do que a mamãe.
13:57Então, eu tento sempre ir levando ele nessa conversa, mas não é fácil.
14:02Não é fácil.
14:03Eles não aceitam, eles não têm essa mesma convicção que a gente,
14:08que precisa de ajuda.
14:09Eles se acham, eles são tão pequenos, mas eles se acham autossuficientes.
14:14Como que a gente pode, então, até mesmo convencê-los?
14:17E daqui a pouquinho a gente também vai dar dicas, porque a gente sabe que um psicólogo
14:23particular também, Larissa, a gente sabe que é um custo.
14:26E nem todo mundo tem condições de pagar.
14:28Eu queria que também daqui a pouquinho você pensasse nessas dicas,
14:31para que a gente possa ajudar os nossos filhos.
14:33Mas como convencê-los?
14:34Então, a gente vai muito pela via da psicoeducação, né?
14:39Então, a psicoeducação tem que começar lá desde a infância,
14:42que é você ensinar o seu filho, ensinar as crianças, as pessoas à sua volta,
14:45sobre o que é emocional.
14:47Então, o que são as emoções?
14:48Como identificar?
14:49Como lidar com as emoções?
14:50Então, às vezes, o paciente, ele abre um quadro depressivo, ele abre um quadro ansioso,
14:56porque lá atrás ele não soube manejar, regular as emoções dele.
15:00Então, isso vai deixando de ser trabalhado e de ser cuidado,
15:04e abre lá na frente algum transtorno mais grave.
15:08Então, falar sobre as emoções, inclusive as desconfortáveis, ensiná-los a aceitar.
15:13Então, está tudo bem de vez em quando a gente está triste,
15:15é normal de vez em quando a gente ficar um pouco mais irritadíssimo,
15:18e, olha, temos essas formas mais saudáveis da gente lidar com essas emoções mais desconfortáveis.
15:24E a partir do momento, né?
15:26Passou esse quadro, a partir do momento que a gente já tem um indivíduo adoecido,
15:29é ensiná-lo que ele está adoecido.
15:31Então, falar com ele o que você está apresentando é um episódio depressivo,
15:35precisa ser tratado, você não precisa se sentir assim o tempo inteiro, né?
15:40O seu cérebro...
15:41E não precisa chegar, esperar, deixar chegar a depressão, pode ser antes disso, né?
15:45Exatamente, não precisa, na verdade, o ideal é que não se chegue,
15:48mas a gente está falando de uma área que só no momento,
15:52só recentemente que a gente começou a falar sobre psicologia e saúde mental,
15:56então, às vezes, nem os pais estão preparados.
15:59Então, a partir do momento que estamos sabendo que existem esses adoecimentos,
16:03vamos nos informar, né?
16:04Vamos falar, conversar em casa sobre as emoções, sobre os desconfortos,
16:08e encontrar formas mais saudáveis de lidar.
16:11Entrando, já entrou, a gente já tem um indivíduo com um quadro de adoecimento,
16:14ensiná-lo que aquilo é uma doença e que ele não precisa se sentir assim eternamente,
16:19ele pode tratar aquilo, que aí tem mais chance dele se deixar ser ajudado.
16:22A gente vai conversar agora com a Shirley, ela é mãe de um adolescente
16:26e sabe muito bem como é essa realidade, e ela conseguiu, né?
16:31Tem conseguido, né, Shirley, inverter esse quadro aí na sua casa?
16:35Explica pra gente como que você também tem feito isso.
16:38Boa tarde.
16:39Boa tarde a todos.
16:42Então, exatamente tudo que foi relatado entre as mães e a psicóloga,
16:48exatamente esses sinais aí que foi diagnosticado por mim.
16:53Então, eu acabei sondando mais, me aproximando mais da forma que eu fui sondando ali
17:00o que estava realmente acontecendo.
17:02Isso aconteceu no período de 11, 12 anos,
17:06já começou a apresentar esses sinais de ficar mais isolado,
17:10de não querer cortar cabelo, de não querer...
17:14Um desleixo total da aparência.
17:16Isso também afetou no ensino escolar, também tive problema de aprendizado,
17:23de falta de interesse de estar concluindo as tarefas da escola,
17:28as tarefas que eram passadas pra casa.
17:31Então, eu fui vendo esses sinais e de modo que eu não apontasse
17:35que ele estaria com uma depressão, que ele estaria...
17:37Eu não critiquei esse momento dele, esse conflito dele.
17:42Aí eu comecei a ações de onde eu pudesse mostrar a ele de um outro lado,
17:49que me identificasse qual a forma que ele gostaria de se vestir,
17:53qual o corte de cabelo, porque o caso dele afetou mais a parte da imagem também,
17:58que ele não queria...
18:00Até banho era difícil pra ele tomar.
18:04E aí foi um processo onde a gente conseguiu ir melhorando isso,
18:09um corte de cabelo.
18:11O primeiro corte que deu, ele ficou extremamente mais ainda afetado,
18:17porque chamou a atenção, mudou e os colegas repararam pra ele,
18:22ele ficou um pouco mais retraído.
18:23Mas dentro do processo, a gente foi assim, encaixando, adequando...
18:27Aquela alta imagem dele, né?
18:29No caso dele, assim.
18:31E aí hoje, a história é bem diferente.
18:34A gente conseguiu reverter, hoje ele é um menino que consegue se identificar
18:37pela forma que ele quer se vestir, a forma que ele quer se posicionar
18:42na sociedade, a forma que ele se expressa.
18:45É totalmente diferente do que há dois anos atrás.
18:47Então, a gente conseguiu, dessa forma que eu me aproximei mais
18:52pra poder identificar em forma de sondagem.
18:55De forma nenhuma, eu deixei de perceber que eu identifiquei isso nele.
19:00Que bacana!
19:00E aqui comigo...
19:02E tá dando certo, né, Shirley?
19:05Tá dando certo.
19:06É um processo diário, tá?
19:08Não é uma coisa mágica que...
19:10Porque ele é adolescente ainda, né?
19:12Então, ele sai daquela transição da criança, eles precisam achar a identidade real deles.
19:18E aí, a gente vai calcando ali...
19:20O que, às vezes, os pais querem, de certa forma, podar o jeito dele se vestir,
19:26o jeito dele gostar de pentear o cabelo.
19:29E tudo isso pode contribuir, igual essas atitudes da Shirley, Larissa?
19:33Com certeza.
19:33Podem ajudar ou podem atrapalhar?
19:35Os dois, com certeza.
19:37Nesse processo, você havia perguntado anteriormente, né?
19:40O que a gente pode fazer pra evitar, pra auxiliar?
19:43A gente tem que pensar no período da adolescência como um período de vulnerabilidade emocional.
19:49Esse adolescente, ele tá passando por uma reestruturação neurológica, neuropsicológica.
19:53Então, esse próprio cérebro vai estar estressado.
19:56Sem falar que ele vai se encontrar, acho que, numa encruzilhada de muitas mudanças,
20:00não somente internas, mas mudanças externas,
20:03de forma de tratamento dos pais, nível de exigência na escola.
20:07Às vezes, vem outras pressões, como e-vestibular, escolha de graduação, enfim.
20:14Então, ele já tá lidando ali com várias demandas e que, às vezes, não tem maturidade.
20:19Na maior parte, às vezes, ele não tem maturidade pra manejar.
20:22Então, esse auxílio dos pais faz total diferença ou tem até o poder de adoecer.
20:27Então, auxiliar esse adolescente na habilidade de resolver problemas.
20:31Os jovens, eles, às vezes, não conseguem resolver problemas e aquele problema, ele torna uma proporção muito maior.
20:37Então, auxiliar na habilidade de resolução de problema, auxiliar no processo dele, se descobrir dele, se aceitar,
20:43acolher esse adolescente, ensiná-lo a lidar com as emoções dele, inclusive as emoções desconfortáveis.
20:50Então, esse acolhimento geral, ele é um fator protetor ou um fator de risco, se não houver, muito grande.
20:56Olha só aqui, a Eliana Lu participa com a gente, ela fala, minha filha não se sente amada, ela não
21:03se aceita,
21:04ela quer ser parecida com outras meninas.
21:07E eu nunca imaginei que isso poderia ser, talvez, uma depressão.
21:11Ela até pede ajuda, pois não tem condições.
21:13Por isso que a gente tá aqui, tentando, de alguma forma, ajudar as famílias que passam por isso
21:19e, às vezes, não tem essas condições financeiras de procurar um psicólogo.
21:22Com essas dicas, né, Larissa?
21:24Além disso, é importante ressaltar, Betta, que nós temos algumas maneiras do atendimento psicológico.
21:32Grande parte dos profissionais de saúde fazem, eles têm agenda social,
21:37então, alguns atendem gratuitamente, outros por valores simbólicos.
21:40Então, é sempre interessante, ao pedir o valor daquele profissional,
21:45de se perguntar se ele tem agenda, porque muitos profissionais fazem agenda social.
21:50E a gente tem, por exemplo, nas faculdades, toda faculdade que tem curso de psicologia
21:55precisa ter um núcleo de atendimento psicológico à comunidade.
21:58Então, procurem nas faculdades aí, próxima das residências de vocês,
22:01porque normalmente tem atendimento social gratuito à comunidade,
22:06sem falar nos centros de referência e atenção psicossocial que tem em cada unidade,
22:10também costuma ter atendimento psicológico.
22:13E, Sheila, quando a Shirley falou a respeito dessas mudanças que ela estimulou, provocou no filho dela,
22:20eu percebi que você se identificou com isso também?
22:23Sim, é algo também que eu queria também estar acrescentando com a doutora e com a nossa amiga aqui.
22:29Patrícia.
22:30Patrícia.
22:30Patrícia.
22:33As pessoas que vivem ao nosso redor, elas falam muito, elas criticam muito a gente que é mãe, tia, avó,
22:42que é frescura, critica demais, impõe a gente.
22:48Não, mas você tem que falar para esse menino que você é mãe e pronto, acabou.
22:52As pessoas que estão de fora, elas não conseguem também entender que isso não é uma frescura,
22:58não é falta de pulso da gente.
23:01Quem conhece é que está ali dentro.
23:03A gente está ali dia a dia com os filhos da gente, a gente conhece cada movimento.
23:08Então, eu acho que também as pessoas que rodeiam a família deveriam respeitar isso.
23:16E é muito importante a gente estar pedindo, fazendo esse alerta,
23:20porque essa mãe, o que ela mais precisa é de apoio e não julgamento.
23:25Para você, como é que foi lidar com esses sentimentos dos outros, esses sentimentos tão alheios, né, a respeito da
23:34sua filha?
23:35Então, eu estou com um luto muito fresco ainda, eu estou com quatro meses só de perda da minha filha,
23:39aproximadamente.
23:40E uma das coisas que me segura é a certeza de ter dado todo o amor do mundo para ela.
23:45De ter dado tudo, tudo que eu pude dar.
23:47Eu usei todo o conhecimento que eu tinha, todo o amor que eu tinha.
23:50E isso faz o meu luto ser um luto mais saudável.
23:52Eu falo que a Yasmin partiu e eu não devi nada para ela em termos de amor, nem eu, nem
23:57a minha família,
23:58que ela era uma rede de apoio, uma rede de amor que ela tinha.
24:01E nem ela deveu nada para a gente.
24:04Então, assim, esse amor me sustenta.
24:06E as críticas, elas têm sido, na verdade, só uma observação,
24:11às vezes a gente como mãe acha que tem esse poder também.
24:15Tipo, você fica triste porque o seu filho está com depressão.
24:18Você ficaria triste se ele estivesse com câncer, se ele estivesse...
24:20Não é culpa dele, com qualquer outra doença.
24:23E nem com a mãe, né?
24:23Então, a gente também acha que a gente tem esse superpoder.
24:25Não, filha, a mamãe está aqui para você, por que você está triste?
24:29O meu amor basta.
24:30O amor de mãe não vai curar a depressão, não vai curar outras doenças.
24:34Temos, sim, que dar todo amor e ficar perto.
24:36Mas procurar ajuda, sempre que possível.
24:40Estimular, atividade física, várias coisas.
24:42Minha filha era uma grande confeiteira, daqui a pouco vai ter uma culinária aí.
24:46Ela foi durante a depressão, foi uma das saídas que a gente encontrou para a depressão.
24:49E ela confeitou muito bem.
24:51E aí a gente saiu mesmo da depressão nessa parte.
24:54Só que quando voltou, a gente já não estava mais preparado para que ela volte.
24:59E agora está aqui.
25:01A gente agradece imensamente por você estar, de certa forma, ressignificando toda a sua dor
25:07para ajudar também outras famílias que estejam enfrentando esse mesmo momento.
25:13E que bom que muitos ainda conseguem reverter.
25:16E só uma observação que eu não te respondi, mas as pessoas têm sido muito mais solidárias do que críticas.
25:22Elas têm me abraçado, têm me apoiado desde o início.
25:26Perfeito. Obrigada, gente, pela participação de todas vocês.
25:30Larissa, Cris, Sheila, Shirley também que participou com a gente.
25:35Obrigada, viu, pelo seu relato.
25:36E você mostrou também que, de alguma forma, é possível encontrar a saída para isso.
25:43Obrigada, gente. Uma boa tarde.