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  • há 3 semanas
Como ajudar uma pessoa a parar de fumar?

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Transcrição
00:00Agora a gente muda de assunto, hoje é o dia mundial de luta sem o tabaco e o número de
00:05pessoas que procuram um sistema público de saúde
00:08para alargar o cigarro vem aumentando. Olha só, em 2021, mais de 100 mil pessoas procuraram esse tratamento.
00:17Isso representa um aumento de 35% em comparação com o ano de 2020.
00:23No período da pré-pandemia, a maior prevalência de fumantes no Brasil era na faixa etária de 55 a 64
00:32anos e a menor em indivíduos de 65 anos ou mais.
00:37Já a partir do primeiro trimestre de 2022, a maior prevalência foi observada nos brasileiros com 25 a 34 anos
00:48de idade.
00:48E você aí de casa, convive com algum fumante? Eu convivo.
00:54Sabe como que a gente pode ajudar a pessoa que você ama a parar, a largar o vício de uma
01:02vez por todas?
01:03Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:05Aqui a gente recebe a pneumologista, doutora Jéssica Polesi. Muito obrigada, doutora, pela sua participação.
01:12A gente também recebe aqui a Letícia Almeida, que já vai contar a história dela pra gente.
01:15A gente parou de fumar há 14 anos. E a gente também convida aqui pro nosso bate-papo a Graziele
01:22Santiago, que é psicóloga.
01:23E também vai ajudar com a gente, com as dicas, como que a família pode ser esse suporte tão importante
01:29pra essa decisão.
01:31Letícia, primeiramente, boa tarde, maravilhosa.
01:34Boa tarde.
01:34Finalmente tô te conhecendo pessoalmente aqui no programa. Seja bem-vinda.
01:39Obrigada.
01:39Eu queria que você contasse um pouquinho da sua experiência com o cigarro.
01:43Tem 14 anos que você deu um basta nele na sua vida.
01:47Dei, deu um basta.
01:49Comecei fumando, gente, tipo assim, escola, né?
01:52Fala mais pertinho.
01:53Estudava à noite e com influência dos amigos, né?
01:56Que a gente queria, né?
01:57Ser mais adulto, mais descolado hoje, né?
02:01Que eles falam, né?
02:03E comecei a fumar.
02:04Começa com um.
02:05Comecei com o cigarro daqueles mais esquisitos, né?
02:08Paraguai, Ué, se tudo, com qualquer coisa.
02:11Aqueles que eram geladinhos.
02:14E influência de amigos mesmo, né?
02:17E um dia, já bem mais velha, trabalhando e tudo,
02:22comecei a sentir muita coriza, sinusite, às vezes muita falta de ar.
02:27E um dia eu falei, não vou mais fumar, não quero.
02:31Decidi de vez, não foi tratamento, não foi por influência de ninguém.
02:35Falei, não vou mais fumar.
02:36Por livre, espontânea vontade.
02:38Livre, espontânea vontade.
02:40Parei.
02:40Aí um dia, na roda de amigos lá, a gente, né, tá na bebedeira e tudo,
02:44eu falei, vou tentar, né?
02:45Menina, pra quê?
02:46Não, você depois de parar, você inventou de se arriscar.
02:50Dez dias depois, eu tentei.
02:52E aquilo, ele veio de um jeito, parecia que tava queimando.
02:56E dali, não coloquei mais, né?
02:59E depois que eu parei de fumar, eu tenho gente na família que ainda fuma, né?
03:05Eu adquiri uma alergia.
03:09Eu senti alguém tiver metros de mim fumando cigarro,
03:13já entope tudo, já dá aquela ansa, aquela falta de ar.
03:18E eu tenho fumante em casa, eu sou casada, meu esposo fuma dentro de casa,
03:24a minha mamãe fuma também.
03:26Então, a galera que tá ao redor, que a gente acaba fumando junto com eles ainda, né?
03:30A doutora Jéssica tá aqui pra justamente explicar pra gente, né?
03:33Primeiro, né, a respeito da sua alergia que você desenvolveu,
03:36mas antes disso, doutora, queria que você comentasse por quê?
03:40Que bom que a Letícia foi muito determinada,
03:43mas por que que é tão difícil assim?
03:45Não é tão simples a pessoa largar o vício.
03:48Então, no hábito do cigarro, a gente tem dois componentes principais,
03:53que é a dependência química mesmo e a dependência psicológica,
03:57que é uma outra coisa muito importante no hábito de fumar.
04:00A nicotina realmente dá uma dependência química,
04:03como se fosse uma droga, é uma droga na verdade,
04:05que causa dependência e você vai precisando de doses cada vez maiores, é assim.
04:09E também a gente tem o fator hábito.
04:12O cigarro, normalmente, ele entra em momentos de diversão,
04:17ou ele entra como alívio de estresse,
04:19ou ele entra no momento de lazer, de confraternização entre amigos,
04:25ou ele entra numa pausa durante um trabalho.
04:27Então, ele entra em alguns momentos da vida do indivíduo que são normais,
04:32e aí ele tem um local muito frequente, é um hábito mesmo.
04:36Então, tem pessoas que não dormem sem acender um cigarro primeiro,
04:40ou a primeira coisa que fazem quando acordam é acender o cigarro,
04:45é sempre naquele horário, colocam um cafezinho e tem que acender um cigarro.
04:49Então, aquilo ali fica muito importante,
04:50é uma coisa, um companheiro muito presente na vida daquela pessoa e muito frequente.
04:55Isso também é um problema, tanto para aliviar o estresse, fazer dormir,
04:59aí vem uma série de coisas que as pessoas falam,
05:02mas também a parte química mesmo.
05:04Então, a gente, quando aborda um paciente que vai parar de fumar,
05:07eu sempre comento que ele tem que ter muita determinação de encarar o sofrimento que vai vir,
05:12porque parar de fumar é sempre um sofrimento.
05:14Então, tem aquele papo, ah, é falta de vergonha, não é bem assim, não,
05:18é bem mais complicado que isso.
05:20E existe uma parte química que o corpo pede,
05:22o paciente tem palpitação, ele tem sudorese,
05:25ele tem a impressão de que vai desmaiar, ele fica muito ansioso,
05:29ele tem insônia, ele fica realmente desconfortável, isso é real.
05:33É uma abstinência comparada a qualquer outro tipo de droga.
05:35Exatamente, ele tem a abstinência química mesmo,
05:38além de toda a parte psicológica que vem,
05:41e aí essa parte psicológica fica na vida do indivíduo,
05:44sempre que ele tem uma memória de estar naquele grupo de amigos,
05:48bebendo uma cerveja ou tomando um café,
05:51ele vincula o hábito do cigarro e aquilo puxa na memória
05:54e fica uma coisa muito marcada.
05:56E dói, vamos dizer assim, e dói muito tempo.
05:58Então, realmente é um hábito muito complicado,
06:02a indústria do tabaco, ela se reinventa e traz novidades,
06:06traz coisa colorida, traz coisa com cheirinho para pegar o mais jovem.
06:10Na verdade, ela quer pegar o indivíduo,
06:13botar ele na dependência química e psicológica do cigarro
06:16para poder adquirir, comprar, ou seja, movimentar o mercado.
06:21Agora, Grazi, muito importante que a doutora disse,
06:23que o cigarro para quem fuma, para quem convive com alguém que fuma,
06:27que é o caso da Letícia, também na casa dela,
06:29eu também, tem familiares que fumam.
06:31A gente percebe muito essa associação do cigarro com os momentos de lazer,
06:36de relaxamento, de estresse.
06:38Queria que você comentasse por que essa associação
06:41e como que a pessoa pode fazer essa substituição.
06:45Sim.
06:47O fumante geralmente tem o cigarro como um amigo, né?
06:51Ali na solidão dele, ele tem como amigo.
06:54Se ele está triste, ele fuma.
06:56Se ele está ansioso, ele fuma.
06:57Ele acha que vai tapar o buraquinho.
07:00E geralmente fala bem assim, é típico do fumante.
07:04Ah, eu estou...
07:06Tira meu nervosismo, meu estresse.
07:08Mentira, aumenta.
07:10Até porque a nicotina aumenta, né?
07:12Então, ele é um aliado para deixar todo fumante estressado.
07:17Agora, para ajudar, eu acho muito importante quando tem alguém ou da família ou amigo,
07:24não abordar com aquela palestrinha, com aquele sermão, porque todo fumante sabe que faz mal.
07:30Não, e ele odeia ser cobrado.
07:32Odeia, odeia.
07:33Olha a cara da Letícia, daqui a pouco ela vai falar.
07:36Eu acho que o jeitinho de pegar é, se aquele seu colega, seu amigo, seu irmão, está começando
07:44uma atividade física e está gostando e relata, e você começa a perguntar, como que está?
07:50Ah, não sei o que.
07:50Aí você pode entrar num assunto bem delicadamente, para não ser invasivo.
07:57Ah, sem o cigarro, diminuindo o cigarro, acho que vai aumentar a sua resistência.
08:04Procedimento estético, mulher, principalmente mulher, né?
08:09Pode ser uma bortimanha, né?
08:11Ótimo, ótimo para abordar, assim.
08:14Mas não impondo, porque você acaba afastando, você acaba gerando um embate ali, uma discursão
08:22desnecessária, ele vai se afastar.
08:25Então, assim, sempre devagar, sempre devagarzinho.
08:28Mas é um vazio que ele tenta preencher, que nunca vai preencher, né?
08:33É isso mesmo, Letícia.
08:34Quando as pessoas ficavam assim no seu ouvido, para de fumar, larga esse cigarro.
08:38E isso fazia com que você ficasse cada vez mais afastada daquelas pessoas?
08:43Era chato ouvir isso?
08:45Roberta, na realidade, eu vou falar para você o seguinte.
08:48Quando eu comecei a fumar, ninguém da minha família sabia que eu fumava.
08:52Nem minha mãe, nem meu pai, porque eu, mesmo minha mãe sendo fumante dentro de casa,
08:56era por respeito, que eu achava que ela ou ia levar uma costa daquela boa, né?
09:02E no meio escolar, não, era legal e tudo.
09:05Quando eu comecei a trabalhar até um outro nível de pessoas ao meu redor,
09:10alguns estavam fumando comigo, normal.
09:11Eu disse, não, menina, poxa, você é tão bonita, né?
09:14É a época mais nova, né?
09:15Então, você é tão bonita, para de fumar.
09:17E eu namorei um rapaz, um tempo, e quando a primeira vez que eu saí com ele,
09:21eu fui lá, minha filha na mesa e pá, acendi um cigarro, para quê?
09:24Ele falou assim, poxa, menina, você é tão bonita, para de fumar.
09:27E aquilo acendeu aquele alerta, né?
09:30Que a gente não sente que a gente está cheirando a cigarro, o cabelo da gente,
09:34muda, igual ela falou, muda o aspecto do rosto da gente, tudo.
09:38E ali eu já desencadei aquela situação, assim, não, tem alguma coisa errada, eu parava de fumar.
09:43A minha mãe veio descobrir que eu fumava na primeira vez que eu vinha aqui,
09:47para falar com a Juliana que eu fumava.
09:52Chegou em casa, levou o brigueiro.
09:54Porque lá em casa ninguém descobriu, porque eu fumava, eu era discreta,
09:58chegava em casa, tomava um banho, mas fica aquele resquício.
10:00Mas minha mãe, como ela fumava, não tinha como ela saber descobrir.
10:04Ela descobriu, foi aqui.
10:06Você conseguia dar aquele disfarce, né?
10:08É, mas aí, por causa da saúde da gente, a gente tem que abolir essa situação, mas...
10:13Você chegou a fumar quantos maços por dia? Chegou a fazer essa conta?
10:16Não, eu não era aquela fumante louca pelo cigarro, não.
10:22Quando eu estava no trabalho, aquela coisa que vai e vem, era um maço.
10:25Mas quando você juntava a galera, né, aquela coisa, quando você vê, isso já estava no segundo.
10:30E era aquele negócio assim, que antigamente, eu não sei se é o jeito de hoje, né,
10:34fumar era uma questão de status, né?
10:36Você pegava aquele maçã de cigarro, colocava em cima da mesa as marcas mais, né, coisa lá.
10:42E hoje, você pode ser a marca que foi, que as pessoas já te olham e já dizem,
10:46Nossa, você fuma, né, aquela coisa e tal.
10:48Então, eu mesmo decidi, meu esposo, ele fuma, mas não fuma na rua, ele fuma só dentro de casa.
10:55E quando alguém fala assim, ah, Arilton, não sei o quê, ele, nossa, não, mas é fumante.
11:01Fuma, vira, não cai embora, vai dentro de casa.
11:04E eu que sofro, eu que lute. Para, tá?
11:06Agora, muito importante, já já a gente vai até mostrar uma reportagem que mostra uma nova onda aqui pra fugir
11:13do tabaco, né?
11:15Pra fugir, na verdade, do cigarro.
11:17Essa nova geração tá recorrendo aos cigarros eletrônicos.
11:21A doutora Jéssica tá aqui pra falar também sobre esse assunto.
11:25Mas olha só que interessante.
11:26Eu sei porque lá em casa a gente já viveu isso, vivi isso até com minha mãe.
11:29Muitas mulheres que são fumantes dizem que não largam o cigarro com medo de engordar.
11:35E aí a gente vai agora tirar essa dúvida, é mito ou verdade?
11:38Pela internet a gente conversa com a nutricionista Letícia Matraque.
11:42Boa tarde, Lê.
11:43Diz aí pra gente.
11:44Boa tarde.
11:45Pois é, olha só.
11:48A gente sabe que a nicotina pode agir no nosso organismo de uma maneira que pode sim dar um acelerado
11:55no nosso metabolismo.
11:57Mas, porém, contudo, todavia, o que pode acontecer?
12:02Você vai criando muitas toxinas no seu corpo ao longo do tempo.
12:06E essas toxinas vão prejudicar a metabolização de gordura.
12:11Então, como vocês falaram aí da parte de estética, que eu acho que é uma pegada legal pras pessoas que
12:19estão aí preocupadas em parar de fumar,
12:21mas não só na estética, a saúde de uma maneira geral, sabe?
12:25E se você está aí com dificuldade de emagrecer e está fumando, lê do engano seu, achar que se você
12:34parar de fumar, você vai engordar.
12:36O que acontece?
12:37É um vício como o outro qualquer.
12:40Como você está viciado na nicotina, no cigarro, então vai sim, você vai acabar, quando acaba de, você para de
12:50fumar, o processo de parar de fumar,
12:52você pode criar o link e transferir essa compulsão por um outro, por um outro alimento das vezes.
13:01E muitas das vezes as pessoas acabam substituindo a nicotina pelo doce.
13:05Então, toda hora abre uma bala, toda hora vai comer algum chupá-chiclete, e aí que é o problema que
13:12as pessoas acham que acabam engordando sim, tá?
13:15Então, se você cria toque em cima do seu organismo, você não consegue metabolizar gordura.
13:21Uma das coisas que eu faço sempre no meu consultório, quando os pacientes me procuram, estão sim, nesse período de
13:28parar de fumar,
13:29a gente entra com um protocolo, um protocolo eficiente, que é para desintoxicar o organismo.
13:35Esse protocolo detox, ele é fundamental para ajudar a liberar mais rápido possível as nicotinas e as toxinas que o
13:43corpo vem carregando ao longo dos anos com o uso do cigarro, né?
13:49E com isso, eles conseguem, e é rápida a resposta, eles conseguem sim melhorar a abstinência.
13:57Perfeito, doutora Letícia, muito bem explicado.
13:59Você tocou numa palavra aí, agora chamada, né, desintoxicação.
14:03Deixa eu aproveitar esse gancho e fazer essa pergunta aqui para a doutora Jéssica.
14:07Porque no caso da Letícia, por exemplo, 14 anos já sem fumar, é possível ela recuperar o pulmão de antes,
14:15doutora?
14:15É, no hábito do círculo, no tabagismo, como a gente fala, existem algumas lesões que são irreversíveis, né?
14:22Por exemplo, a doença pulmonar obstrutiva crônica, que é o enfisema, uma vez instalado, você não tem tratamento,
14:28a única coisa que interrompe a perda funcional é a interrupção do tabagismo mesmo.
14:35Isso é irreversível.
14:36Se chegou num certo grau, você consegue aliviar sintomas, mas a doença já está instalada.
14:42Em termos de câncer de pulmão, mesmo interrompendo o tabagismo, os cânceres persistem muito tempo.
14:49A possibilidade de câncer de pulmão, de cabeça e pescoço, de pâncreas, de mama, enfim, inúmeros.
14:57O que pode melhorar é a parte alérgica, né?
15:01Tanto o tabagismo ativo quanto o passivo, que a gente chama de ambiental, que é alguém que fuma no ambiente.
15:08Eles pioram muito a parte alérgica.
15:11Então, quem tem asma vai ter mais predisposição a ter exacerbação, a ter crises.
15:15Quem tem rinite vai ter mais crises quando fumando.
15:19Em alguns casos, em criança, o tabagismo ambiental, passivo, no caso, ele é capaz de causar a asma nas crianças
15:29mesmo.
15:30Vai ter mais gente chiando por perto de alguém que fuma.
15:34Então, enfim, de uma maneira geral, a gente tem doenças irreversíveis e algumas, principalmente as alérgicas, elas podem melhorar, uma
15:42vez que você tira tanto o tabagismo ativo quanto o passivo.
15:46Eles são piorados com a fumaça, com aquela coisa ambiental e se você retira, pode melhorar.
15:52Olha só, tem aqui uma chuva de comentários no nosso Facebook.
15:56Eu vou ler a participação da Vera Lúcia.
15:58Ela diz, Roberta, eu fumo, mas eu fico irritada quando alguém manda parar de fumar.
16:05Olha, Grazi, calma que tem mais.
16:07E ela diz, não são poucas pessoas, eu sou uma pessoa muito ansiosa e eu não consigo parar de fumar.
16:14Já tentei todos os meios.
16:16Não consigo.
16:18Calma que a gente vai te ajudar agora, Vera Lúcia.
16:21Grazi, vamos lá.
16:22Primeiro, ela já falou que ela fica irritada quando alguém fala para ela parar de fumar.
16:26E aí, como que os amigos, primeiro de tudo, ela precisa pedir ajuda também?
16:30É, porque ninguém vai adivinhar o fumante ali, está achando que ele está numa boa.
16:34E se incomoda ela, as pessoas falarem, né, porque incomoda mesmo, né,
16:40ah, isso faz mal, você vai morrer cedo, e ela se afasta, eles estão achando que ela não quer parar
16:46de fumar.
16:47Então, ela tem que pedir primeiro a ajuda.
16:49E essa ajuda de...
16:51E ela disse que ela não consegue.
16:53Se ela não consegue, é porque ela já tentou.
16:55Você acha que ela já tentou?
16:56Não, eu acho que não.
16:58Ah, você acha que então que ela não tentou?
17:00Diz aí pra gente, tá, Vera Lúcia?
17:01Ela falou assim, já tentei todos os meios.
17:04Todos os meios.
17:04E não consigo.
17:06Será que foram todos mesmo, né?
17:08Olha, tem muitos, tá?
17:09Como trabalhar esse psicológico para se fortalecer?
17:12Pois é, hoje no consultório aparecem mais pais de adolescentes por causa do cigarro eletrônico, né?
17:22Por quê?
17:23Principalmente que tentou primeiro com o adolescente, o jovem, a impor, né, aquela autoridade.
17:30Não quero descobrir lá dentro da mochila alguma coisa, porque não tem cheiro, né, aquele aroma de morango, de...
17:36Não quero, e briga, e briga na escola, não sei o quê, e leva isso para o consultório para o
17:43psicólogo tratar isso.
17:48É muito mais fácil do que um fumante já adulto, tá?
17:52Do adolescente compreender isso, porque é numa conversa, é num bate-papo, não com o pai e a mãe impondo.
17:59Aí tem que ser conjunto, conversar com o adolescente, explicar os riscos sem impor, sem falar...
18:09Mas no caso da Vera, por exemplo, né, que a gente vê aqui que ela já tem já um caminho
18:14com o cigarro.
18:16Como que ela pode se fortalecer nessa determinação?
18:19É, ela falou que tentou quase de tudo, né?
18:23É, procura uma ajuda psicológica, que eu acho que seria bom, não sei quais tipos de ajuda que ela...
18:32Mas o SUS também tem, tem um apoio, tem palestras, né, sobre tabagismo, tem grupo de apoio.
18:41E a gente vê que está crescendo, que é a notícia que a gente deu aqui no início do programa,
18:46gente.
18:46Esse apoio que é oferecido pelo SUS é oferecido em 43 municípios aqui do nosso estado.
18:52É só ir a um posto de saúde, doutora?
18:55É, alguns postos maiores têm esse serviço e ele é bem estruturado.
18:58Ele oferece apoio psicológico, tem grupos de apoio e ele fornece as medicações.
19:03Eu ouvi a Vera aí falando e a gente vive isso no cotidiano.
19:08Realmente as pessoas tentam, às vezes, várias vezes até conseguir parar de fumar.
19:12A orientação que eu falo é, não desista.
19:15Tentou, não conseguiu, vamos tentar de novo.
19:17O que a gente pode tentar dessa vez?
19:19Qual é a estrutura emocional daquela casa?
19:23Como é que ela está com o marido?
19:24Como é que estão os filhos?
19:26Como é que aquilo é recebido dentro da residência?
19:29Como ela está se sentindo?
19:30Como é que ela está emocionalmente?
19:32Porque você imagina que eu vou mexer num grande companheiro, um grande amigo,
19:35de todas as horas dela, vou tirar esse apoio dela, eu vou colocar o quê nesse lugar?
19:41Às vezes a chegada de um filho, a chegada de um neto, eu vejo muita gente parando de fumar nessa
19:45situação.
19:46É engraçado.
19:47Não com o filho, mas com o neto.
19:48É uma criança que quer que chegue com o pulmão melhor.
19:51Enfim, como é que está aquela estrutura emocional para aquela pessoa ficar sem o cigarro?
19:56Porque a medicação a gente consegue fazer, ela vai diminuir aquela fissura, a insônia.
20:02A gente consegue amenizar os sintomas físicos.
20:05Mas o que mantém essas pessoas fumando, na grande maioria das vezes, é o emocional.
20:09E mais ainda, elas sabem que aquilo faz mal, elas sabem disso tudo.
20:14Então, ficar repetindo, você vai ter câncer, vai ter problema do pulmão, isso não faz efeito,
20:19porque as pessoas já sabem disso.
20:21E aí, nessa hora, eu gosto muito da abordagem das escolas.
20:25Porque, normalmente, as crianças têm aquele apelo mais afetivo.
20:29Então, uma criança falando para um pai, uma criança falando para um avô, tem um impacto maior.
20:35E eu gosto muito disso aí.
20:37A criança é chatinha e ela é treinada na escola a chegar e falar a verdade.
20:43Isso vai te matar, mamãe.
20:45Então, isso tem um apelo que eu acho que é significativo.
20:48Doutora, você tocou no ponto que a gente mais tem tristeza quando a gente associa ao cigarro
20:54porque quando a gente fala do câncer, há pouco tempo a gente perdeu a cantora Rita Lee
20:58para um câncer de pulmão provocado pelo cigarro.
21:02Na autobiografia da cantora, lançada pela família logo depois da morte dela,
21:07Rita disse que sabia que um dia a vida lhe cobraria um pedágio
21:12por ter sido fumante durante quase toda a sua existência.
21:16E esse pedágio veio, viu gente, com o câncer.
21:19Rita só parou de fumar depois que decidiu que faria o tratamento contra o tumor.
21:25É isso mesmo, doutora?
21:26Uma hora a conta chega, ninguém sai ileso?
21:30Chega.
21:31Chega e para alguns muito cedo, né?
21:33Para alguns muito mais tarde, mas assim, eu às vezes eu ouço muito um outro comentário
21:41que as pessoas falando assim, ah, fulano de tal viveu 95 anos, fumou a vida inteira e nunca teve nada.
21:47Eu falo, olha, deve ter um ou dois casos assim, porque a maioria não é assim.
21:52Aí eu ainda, ainda eu entro.
21:54A maioria tem doença, quando não é cardíaca, é respiratória, é câncer, é câncer em lugar distante,
22:01tipo estômago que você não estava esperando, é câncer de útero, é câncer de locais distantes relacionados ao cigarro.
22:09Sem contar a parte cardiovascular, né, relacionada ao cigarro, que é muito grave.
22:13Então assim, a conta chega, pode chegar um pouquinho mais cedo ou um pouquinho mais tarde, mas vai chegar.
22:19Aqueles que conseguem chegar aos 95 anos igual, aquele conhecido, é a exceção, é a exceção, a raridade, são poucos
22:26que chegam.
22:27Letícia, o que mudou na sua vida? De que forma que a sua vida melhorou, se transformou depois que você
22:33parou de fumar?
22:34Além do bolso?
22:36Além do bolso?
22:37Além do bolso? Eu acredito que melhorou bastante.
22:42A minha respiração melhorou, ataque de asma que eu tinha direto, que eu usava até bombinha, né, melhorou bastante.
22:52Aquilo, aquela ilusão de ficar com o negócio no dedo, né, a minha autoestima nessa parte de cigarro, essas coisas,
22:59melhorou bastante.
23:00A sua disposição pra fazer coisa?
23:02Melhorou também, porque na época, quando eu tinha igual, a doutora, você tava falando que se a gente, a pessoa
23:07engorda, eu tive ganho de peso sim, mas depois procurei tratamento, uma coisa e outra, mas tive a abstinência sim,
23:16tá?
23:16Você tem o que você quer.
23:17Foi a pior fase, Letícia?
23:18Foi um pouco.
23:19Aí, como eu trabalhava perto da beira da praia, no meu horário de almoço, eu ia caminhar, caminhava de Coqueral
23:26de Itaparica até a Praia da Costa, ia voltar.
23:28No meu horário de almoço, chegava, fazia até academia.
23:31Então, aquilo, eu acho que aquilo tirou, né, você fazer uma atividade, você procurar algo pra você fazer pra suprir
23:39aquilo ali, eu acho que melhorou muito na minha vida, sim.
23:42Muito bacana.
23:43Eu me arrependo de ter começado aquilo ali, não era pra ter nem colocado na boca, isso eu me arrependo
23:51muito.
23:52Olha só o comentário aqui da Maria Luzinete Soares, boa tarde pra todos vocês, eu já fumei muito, hoje não
23:57fumo mais.
23:58E ó, ela frisa, já fiz tratamento pelo SUS, tem que procurar ajuda, viu? Estou assistindo o programa.
24:06Agora, esse relato da Letícia, Grazi, é muito importante a gente buscar essas substituições de prazer?
24:13Ela descobriu na caminhada, por exemplo?
24:14Sim, tem, tem como. Sempre procurar o que te dá prazer. Em tudo na vida, não só do cigarro, não,
24:22essa troca, né?
24:23Vamos procurar o que dá prazer. Ela foi na caminhada, ela percebeu que próximo ao trabalho, ela tinha ali um
24:30instrumento muito perto dela, muito próximo, que ela podia fazer a caminhada.
24:38Meditação, atividade física, alguma coisa que te dê prazer. Tem gente que, ah, eu não gosto de malhar, mas eu
24:43gosto de dançar, então vão pra um fit dance, pra um zumba, alguma coisa assim.
24:48Em grupo, quer fazer atividade em grupo, na praia, eu acho que tem sim e dá pra fazer.
24:54Alternativas, né? Deixa eu voltar a falar com a Letícia Matraque, porque, olha, eu tava até conversando hoje com a
24:59minha editora-chefe, Adriana Marques, ela disse, Letícia, que ela buscou ajuda e uma das orientações foi isso aqui, olha,
25:07água ajuda.
25:09Sim, a água ajuda muito, sim, porque a água te ajuda nesse processo de jogar as toxinas pra fora, como
25:18eu havia falado, fazer esse protocolo de detox, colocar muito nutriente pra dentro.
25:23E, assim, na vida, né, a gente tem que aprender a beber água. E eu sempre ajudo todo mundo a
25:30calcular a quantidade de água, que seria o mais importante.
25:34Não são só dois litros, vai depender de cada peso, do peso de cada pessoa. Então, meus pacientes que eu
25:41incentivo muito ao consumo da água, não só pra desintoxicar, mas pra vida inteira, né?
25:47Pra você hidratar, conseguir transportar os nutrientes de uma maneira certa pra dentro dos lugares que eles têm que ir.
25:53E aí, você tem que calcular mais ou menos assim, ó.
25:574, 45 ml por quilo de peso corporal. Esse seria o melhor de todos, se a pessoa conseguir.
26:05Agora, se você vai começar a beber água, se você só bebe, às vezes, um copo de água por dia.
26:10Tem paciente que chega, primeira vez lá no meu consultório, que fala assim,
26:13gente, eu já não bebi água. O dia inteiro sem beber água. Então, os dois litros já servem. Mas, às
26:19vezes, tem que beber mais. Se você faz mais esporte, você tem que beber mais água.
26:23Agora, o que eu gostei muito foi, da fala da doutora, de trocar. Porque, normalmente, tem a abstinência e essa
26:32troca. A Letícia, me achará, ela conseguiu achar na caminhada, né? Substituir isso.
26:38E a meditação, gente. Meditação é sensacional. E tentar não trocar por doce, porque, de fato, as pessoas acabam...
26:46Uma coisa que é interessante é que, quando a pessoa fuma, ela não sente muito paladar, não sente o paladar
26:52das coisas, né?
26:53Ela perde esse paladar. E ela começa a aprender o sabor das coisas. E, por este fato, pode ser que
27:01ela comece a ter mais prazer na comida e pode, sim, aumentar o peso.
27:07Então, por isso que é importante ter uma equipe multidisciplinar. Com essa equipe multidisciplinar, no SUS tem...
27:15Ou, se a pessoa tem condição de ir até um consultório, sim, ir atrás de um nutricionista, de um psiquiatra,
27:20de um psicólogo, do educador físico, pra ajudar nesse sentido.
27:24Perfeito. Obrigada, Letícia Matraca, pela sua participação.
27:27Eu que agradeço.
27:28Pela sua contribuição aqui com a gente. Um beijo pra você, boa tarde.
27:31E pra gente finalizar, o nosso tempo tá super estourado aqui, mas, doutora Jéssica, tem muita gente fazendo a substituição
27:37do cigarro pelo cigarro eletrônico.
27:41Qual é o risco disso?
27:42Vamos lá. Nós temos números alarmantes de jovens e adolescentes entrando no hábito do tabagismo pela via do cigarro eletrônico.
27:51O papinho manso de que não faz mal, de que é natural, de que é só um vaporzinho d'água,
27:58é mentira.
28:00Apesar de muito recente, já tem trabalhos mostrando doença pulmonar, doença pulmonar grave relacionada ao cigarro eletrônico,
28:07maior possibilidade de câncer e de problemas respiratórios.
28:11Então, é balela, cigarro eletrônico faz mal, faz tanto mal ou mais do que o cigarro normal.
28:17Perfeito. Muito obrigada, doutora Jéssica.
28:19Obrigada, Grazi.
28:20Letícia, maravilhosa, uma receba super positiva.
28:24Eu que tenho a honra de recebê-la aqui no nosso estúdio.
28:26Volte sempre, viu?
28:28Manda um abraço pro marido.
28:29Obrigada.

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