- há 2 semanas
Neste episódio, convidamos os médicos Alberto Stein e Vitor Fiorin para conversar sobre as recomendações para uma vida após a vitória contra o câncer.
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NotíciasTranscrição
00:08Olá, sejam bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com
00:14os
00:14maiores especialistas em saúde do Espírito Santo. Você conhece alguém que já teve câncer? Qualquer
00:20tipo de câncer. Como será que é a vida após uma doença que acomete muito a população brasileira
00:28e mundial? É a segunda causa de morte em todo o planeta. A gente vai conhecer sobre esses dados
00:34e vai entender como que é viver após o câncer. Vamos conhecer histórias inspiradoras de pacientes
00:41que passaram pelo tratamento e estão aí seguindo a vida a todo vapor. Vou apresentar para vocês
00:46os nossos grandes especialistas. Seja bem-vindo, doutor Alberto Sten, cirurgião do aparelho digestivo.
00:53Obrigado, Alice, mais uma vez. É um prazer estar com você e com o Vitor, falando sobre um tema tão
00:59importante e existe sim vida depois do câncer. Então, quem quiser tirar os mitos e saber como que é a
01:10vida,
01:11a gente está aqui para tentar trazer essa informação. Obrigado.
01:14Maravilha. E seja bem-vindo também, doutor Vitor Fiorin, oncologista.
01:19Obrigado, Alice. Obrigado, Alberto, pelo convite também. E vamos conversar de um tema tão importante
01:25como a vida depois do câncer.
01:28Perfeito. Vamos começar entendendo, então, o que é o câncer, né? O que é essa doença, doutor?
01:34O câncer, então, é um grupo de doenças. São mais de 200 doenças diferentes em que chamam de tumor maligno.
01:42O câncer, normalmente, nasce em um órgão específico e esse órgão, e esse tumor pode ir para algum outro órgão.
01:50Isso é uma das características mais importantes do câncer. Ele pode dar uma coisa chamada metástase.
01:54Ele tem essa capacidade de nascer em um lugar e ir para outro lugar.
01:58Então, essa é uma das características mais importantes do tumor maligno, também chamado de câncer.
02:03E quando detectado precocemente, a gente fala tanto em prevenção aqui no check-up saúde, nos cuidados,
02:08Muita gente fala, não quero ir no médico não, senão ele vai achar alguma coisa.
02:12Vou fugir dos meus exames, da minha rotina.
02:14Mas a gente sabe que prevenção é fundamental.
02:17No quesito câncer, o quão importante é descobrir logo?
02:21Isso é realmente determinante?
02:23É determinante.
02:25Esse, provavelmente, é o fator que mais impacta na chance de cura do paciente.
02:30Quanto mais precoce, quanto menor o tamanho e mais localizado o câncer,
02:36maior a chance de cura desse paciente.
02:38E, doutor, quando a gente está falando em vida após o câncer, né, gente?
02:43Para isso tem que ter havido a cura.
02:44A gente ouve dizer que após certos anos é que o paciente se considera curado.
02:49Como que é essa questão numérica?
02:52Essa é uma coisa difícil mesmo para os pacientes e para a população entender.
02:56A bem da verdade é que um sobrevivente do câncer,
02:59se a gente olhar a palavra, esse paciente é um sobrevivente do câncer.
03:02Qualquer paciente que tem câncer e está vivo, em última análise, ele é um sobrevivente.
03:06Mas existem cânceres e a maioria deles nós tratamos com intenção curativa,
03:12realmente de curar esse câncer.
03:14Quando que isso acontece?
03:15A partir do momento em que você detecta o câncer, faz um tratamento,
03:21seja cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou combinação deles.
03:25E esse câncer a gente não consegue detectar nem com o exame, nem com os exames físicos, né,
03:32a gente examinando o paciente, ou com os exames de tomografia, ressonância, radiológicos ou de exame de sangue,
03:37esse paciente não tem célula detectável do câncer.
03:42O que significa que ele está curado?
03:43Significa que naquele momento ele não tem nenhuma célula do câncer detectável.
03:49Pode voltar algum dia?
03:51Sim, pode.
03:52Mas como regra, se o câncer não voltou nos primeiros 5 anos depois do diagnóstico,
03:59como regra, esse paciente tem altíssima chance de nunca mais voltar.
04:05Então, a máxima dos 5 anos é porque os principais estudos do mundo foram feitos nessa época,
04:10com esse prazo de validade, digamos assim.
04:13Não significa que o paciente vai viver só 5 anos.
04:15Não é isso, não é isso.
04:16Definitivamente não é.
04:17Mas significa que a maioria dos cânceres, quando voltam,
04:21voltam nos primeiros 5 anos depois do diagnóstico.
04:24Depois de ter voltado, depois, passou-se 5 anos do diagnóstico, fez o tratamento,
04:29não há nenhuma célula detectada, muito, muito provavelmente,
04:34isso agora é a nossa parte da humildade, né,
04:36que a gente sabe que a gente não tem controle de tudo,
04:38mas muito provavelmente esse câncer não voltará mais.
04:42Doutor, a gente liga muito o tratamento do câncer.
04:45A quimioterapia e radioterapia.
04:48E o senhor é cirurgião.
04:50Quando que o paciente vai pra cirurgia devido a um câncer?
04:54É, existem, obviamente, o visto que tu falou, existem mais de 200 tipos de câncer,
04:58mas os mais comuns que a gente vê, eles geralmente estão relacionados
05:02ou ao aparelho digestivo, ou no caso da mulher, a mama,
05:06ou no caso do homem, a próstata, mas o estômago, o esôfago, o câncer do fígado,
05:11esses que a gente falou, tá sempre entre os 5 mais comuns.
05:14E o intestino, né, o câncer do intestino, que é o segundo mais frequente,
05:18tanto em homens quanto em mulheres, o mais comum nas mulheres é o da mama,
05:22segundo o câncer do intestino grosso.
05:24No homem, próstata, depois intestino grosso.
05:28Então, acaba o aparelho digestivo sendo um grande local de tumores.
05:34Então, a cirurgia pra esses órgãos, ela é ainda o tratamento principal dos tumores dos cânceres.
05:43E aí a gente, a depender do quanto antes a gente chegou nesse diagnóstico,
05:49se ele já tem o tamanho do tumor, se ele tem comprometimento de órgãos vizinhos,
05:54dos gânglios vizinhos, ou se ele tem as raízes que a gente chama das metástases em outros órgãos,
06:00a gente planeja um tratamento.
06:02E aí a gente, hoje em dia, Alice, isso é muito importante.
06:05Todo paciente que tenha câncer diagnosticado, ele precisa ser avaliado por uma equipe multidisciplinar,
06:13onde o cirurgião, o oncologista, o radiologista, pra analisar as imagens, o radioterapeuta,
06:21a gente senta, discute e sai dali com o melhor planejamento possível.
06:28Não posso estar eu aqui na minha casinha como cirurgião, o Vitor na casinha dele,
06:32sem a gente discutir isso em uma reunião.
06:34Baseado nessa reunião, sai todo o planejamento.
06:37Não, Vitor, vamos começar com químio, depois eu entro com a cirurgia ou não?
06:41Nesse caso, é melhor fazer a cirurgia, depois fazer a quimioterapia.
06:44Então, isso é fundamental.
06:47Não tem receita de bolo, é individualizado realmente.
06:50Aqui a gente tem o compromisso de te ouvir também, e algumas histórias são inspiradoras.
06:56Hoje no programa a gente fez questão de trazer algumas delas.
06:59Vamos ouvir uma.
07:01E aí pessoal, eu sou a Larissa Belo, e hoje eu estou aqui pra compartilhar um pouquinho da minha história
07:06como sobrevivente ao câncer de mama.
07:09Eu descobri o câncer aos 32 anos de idade, quando a minha filha tinha apenas 10 dias de vida.
07:15Então, sem sombra de dúvidas, foi a fase mais difícil, mais desafiadora da minha vida.
07:21Aquela que a gente nunca imagina que vai passar, mas ela chegou pra mim.
07:25E eu consegui enfrentar esse mar de andas muito grandes, com muito otimismo, com muita fé, com muito apoio.
07:32E com a maior inspiração que era, de fato, a minha filha.
07:36E viver isso tudo, e atravessar, chegar do outro lado, foi um grande presente que Deus me deu.
07:44Eu digo que hoje o olhar para com a vida, de uma forma geral, mudou radicalmente.
07:49As coisas boas ganham um peso triplo.
07:53Em contrapartida, as coisas um pouco desagradáveis, elas se tornam irrelevantes.
07:58A gente consegue fazer essa diferenciação de uma forma muito saudável.
08:02E é o que vale, de fato. É o que vai no nosso coração.
08:06Quem já viveu o que eu vivi, vai entender, de fato, o que eu estou falando.
08:12E eu compartilho um pouco da minha história, na verdade, todo esse processo do câncer,
08:17no livro que eu decidi escrever, que é o livro Ontas de Cura.
08:20E aqui eu conto com detalhes todos os procedimentos, tudo o que eu vivi, todas as fases.
08:26É uma forma de aproximar quem esteja vivenciando algo parecido.
08:31De uma relação amorosa, que muitas vezes falta, e que é o que pode nos impulsionar
08:38para chegar lá do outro lado, onde está a nossa cura.
08:41Um beijo. Obrigada pelo convite.
08:45Obrigada, Larissa. Parabéns aí pelo enfrentamento.
08:48A gente sabe que o câncer tem muito a ver também com a questão genética.
08:52Eu imagino que quem passa pela doença deve ficar preocupado em relação aos seus familiares,
08:58a ter passado isso geneticamente para um filho. Isso acontece, doutor?
09:02Acontece. Esse é um dos medos mais comuns do consultório.
09:05A bem da verdade é que o câncer só é passado de geração para geração, digamos assim,
09:11em menos de 10, em cerca de 10% dos casos.
09:14Ou seja, de cada 10 cânceres, um, a gente realmente consegue identificar uma causa,
09:19um gene que provavelmente originou de maneira importante esse câncer.
09:25Mesmo que o paciente tenha esse gene, por exemplo,
09:29não necessariamente ele vai passar esse gene para o filho ou para a filha.
09:33Isso é importante o paciente entender.
09:35se você tem um gene relacionado ao câncer, cerca de metade, é uns 50% provavelmente,
09:41a probabilidade dele passar esse gene para o filho ou para a filha.
09:46E como é que se passa isso?
09:48É por meio do espimatozoide ou do óvulo.
09:50Isso é de maneira aleatória.
09:51Então isso não pode ser um sentimento de culpa, de maneira nenhuma.
09:54Isso é muito importante.
09:56Caso tenha um câncer relacionado à genética, isso é o acaso.
10:00E você não tem nenhuma responsabilidade de ter passado ou não isso para o filho ou para a filha.
10:06É, porque eu imagino que alguns casais até devam se questionar.
10:09Caso ainda não tenham tido filho, será que eu vou ter filho?
10:12Será que eu não vou ter filho?
10:14E por a gente ouvir muitos médicos perguntarem na rotina,
10:18tem histórico de câncer na família?
10:20Eu acho que ficou uma ideia de que esse número era ainda maior.
10:23Vamos ouvir mais uma história, gente, inspiradora aqui para vocês.
10:28Olá, meu nome é Dioceia, tenho 52 anos.
10:32Vim falar um pouco da minha história,
10:35onde há três anos atrás, aproximadamente,
10:38eu descobri uma adenocarcinoma no meu esôfago.
10:42E logo depois do tratamento, fazendo o tratamento,
10:46descobri que nas minhas trompas também havia outro tipo de câncer,
10:52onde era uma neoplasia epiterial.
10:54Aí comecei a lutar contra os dois tipos, né?
10:58E graças a bom Deus, tive vitórias.
11:01Fui até diagnosticada que estava curada, né?
11:05Sendo que depois teve uma reincidência e descobrimos que havia metástase.
11:11E desde então, eu estou lutando com essa metástase,
11:15fazendo quimioterapia, radioterapia, e não deixei que isso me abatesse.
11:20Graças a bom Deus, primeiro lugar, minha família e a equipe médica,
11:25que me ajudou muito.
11:27Eu venci, vou vencer sempre, e com isso eu vou viver.
11:31Eu tenho fé em Deus que eu não vou desistir nunca.
11:36Parabéns, Jusé, eu também tenho fé, como você,
11:39e desejo toda a saúde na sua recuperação.
11:42Doutora, ela fala sobre metástase, ela fala sobre fé.
11:46São dois assuntos que eu queria trazer aqui para a Rota.
11:48O que é a metástase?
11:50A metástase é quando o tumor primário, ele nasceu em um órgão,
11:57vamos usar o exemplo dela do esôfago,
12:00e ele deu raiz, ou espalhou para outros órgãos.
12:04Então, pode ser para o fígado, para o pulmão, para o osso,
12:08para o peritônio, que a gente chama que é a camada que reveste o intestino.
12:11Isso são metástases.
12:13E uma coisa que a gente, hoje em dia, quer ressaltar,
12:18que o diagnóstico de metástase, ele não é igual ao diagnóstico de fim de vida,
12:22ou de morte.
12:23E hoje, para muitos tumores, os tratamentos, eles estão gerando
12:29ou levando esses pacientes a se comportarem como doentes crônicos, que a gente chama.
12:34Então, hoje, tem pacientes com metástases, por exemplo, do intestino grosso para o fígado,
12:39onde eu já consegui fazer cirurgias por quatro, cinco vezes para remover essas metástases.
12:44O Vito faz três, quatro linhas de tratamento de quimioterapia,
12:48e os pacientes estão aí, cinco, seis, aquele número de cinco anos.
12:52Eu tenho um paciente, a gente tem pacientes que têm metástases,
12:56que estão há cinco, seis anos tratando essas metástases,
12:59o que a gente chama, capacitando elas com qualidade de vida,
13:03isso é importante, porque quando se fala...
13:06Não é sobrevivendo.
13:07Não é sobrevivendo.
13:09É claro que, é óbvio que quando a gente descobre na doença metastática,
13:14as chances de cura são menores, mas evoluiu os tratamentos.
13:17Então, é importante se buscar especialistas em cada área para ver as melhores escolhas de tratamento,
13:26porque existe, sim, tratamento, vida, e alguns pacientes podem chegar a sobrevidas de cinco, seis anos,
13:34mesmo metastáticos, Alice.
13:36Isso é uma grande verdade.
13:36E essa questão da fé?
13:38Isso é uma coisa muito importante.
13:40Tem alguns estudos que mostram que a espiritualidade, a fé,
13:46e aí aqui a gente não está falando especificamente de uma, da A, da B ou da C,
13:50mas essa fé, ela melhora o estado geral do paciente,
13:55melhora a qualidade de vida.
13:58O paciente que tem fé costuma ter menos efeito colateral da quimioterapia,
14:04e alguns estudos mostram até alguma relação, em relação à temporalidade.
14:09Então, isso, a gente aprende cada vez mais sobre isso,
14:13a gente respeita muito a individualidade do paciente,
14:17mas, a bem da verdade, na prática, e mesmo nos estudos,
14:21e tem um estudo até muito interessante da Sociedade Brasileira de Oncologia,
14:25que tem um debate grande sobre isso,
14:27que mostra a importância da espiritualidade naqueles que a têm,
14:30e o importante do respeito e da fomentação mesmo
14:34dessa espiritualidade no sentido positivo,
14:37no sentido de ajudar a enfrentar as dificuldades
14:40que são inerentes ao processo do diagnóstico e do tratamento.
14:44Perfeito. E a gente quer ouvir mais um caso. Vamos lá.
14:48Olá. Meu nome é Venceslau. Também sou conhecido como Benzão.
14:52Resido em Jacaraípe, no Espírito Santo.
14:54Sou engenheiro agrônomo, sou motociclista, sou vascaíno.
14:57E, de um certo tempo para cá, passei a ser um lutador,
15:00porque eu luto contra um câncer.
15:02Esse câncer foi descoberto em abril de 2021
15:05e tem sido acompanhado pela equipe do doutor Vitor Fiurim.
15:09Em agosto desse mesmo ano, de 2021,
15:12eu fui submetido a uma cirurgia,
15:14onde foi extraído todo o esôfago e parte do meu estômago
15:18pelo doutor Alberto Stur e sua equipe.
15:22Desde então, eu tenho usado essa bolsa que vocês estão vendo aqui,
15:25que é para coleta de saliva, que eu não tenho o esôfago, né?
15:29E bebidas que eu bebo, cervejinha de vez em quando, líquido,
15:33algumas, vinho, etc.
15:35E a minha alimentação é interal.
15:37Via interal.
15:39Mas, eu tenho agora sido, periodicamente,
15:4215, 15 dias eu faço quimioterapia para acompanhar,
15:45o meu câncer está debelado,
15:47eu estou me sentindo muito bem,
15:50e faço exercício, piloto, ando de carro, trabalho em casa.
15:55E agradeço a toda a equipe que me acompanha,
15:58meus familiares, sem eles não tinha condição,
16:01o apoio da minha esposa, que é a minha enfermeira,
16:04minha querida esposa.
16:05E a benção de Deus tem que ter me conservado até hoje.
16:10Venceslau, sua alegria de viver chegou aqui até nós, com certeza.
16:14Vamos comentar um pouquinho o caso dele?
16:17É, o senhor Venceslau é uma figura, né?
16:21Como vocês estão vendo aí, um paciente querido.
16:23E é mais um exemplo, né, Alice,
16:28dessa capacidade multidisciplinar, né,
16:30de vários especialistas, cirurgiões, ecologistas,
16:33ele passou por vários tratamentos,
16:35ele tem, e conseguiu superá-los, né,
16:39com o apoio de uma rede de familiares também super importante.
16:43Então, quando você tem, quando você agrega a família
16:47em todo esse processo, né,
16:48além da espiritualidade,
16:50quem tem essa rede de apoio de amigos,
16:52isso faz muita diferença no sucesso do tratamento.
16:55Isso é fundamental.
16:57A gente vê uma relação positiva de,
16:59quanto mais abraçado esse paciente é pela família,
17:03pelos amigos, melhor o desfecho dele, sem dúvida.
17:07E voltar a trabalhar, doutor?
17:09O paciente pode voltar a trabalhar depois de quanto tempo?
17:12Ele pode trabalhar durante o tratamento.
17:14Aliás, isso é muito importante.
17:17Até comentar um aspecto financeiro, por exemplo.
17:20Boa parte dos pacientes são autônomos do Brasil.
17:23E eles dependem do seu próprio trabalho
17:26para poder render uma casa.
17:28Muitas mulheres com câncer de mama, por exemplo,
17:30são as provedoras da casa.
17:32Homens com câncer de próstata,
17:34o benzão, por exemplo, era o provedor da casa.
17:37Então, durante o tratamento, ele continuou trabalhando.
17:40Existem benefícios,
17:41Se o paciente tiver condições, ele deve continuar trabalhando.
17:44Ele pode ser adaptado à sua função.
17:47Existem funções.
17:48O paciente que tem um trabalho,
17:49que exige um esforço físico maior,
17:51ele pode fazer um cargo, talvez, mais administrativo,
17:55levar documentos.
17:56E, com isso, ele mantém a amizade do trabalho,
17:59ele mantém a rotina e mantém o salário dele.
18:02Porque o que acontece, muitas vezes,
18:04durante o tratamento do câncer,
18:05é que o custo aumenta,
18:07porque, muitas vezes, o paciente tem que comprar remédio,
18:09o plano de saúde fica mais caro,
18:12ele tem que se deslocar, muitas vezes,
18:14para o hospital, para as clínicas, por exemplo,
18:16onde a gente já trabalha.
18:18E o que acontece é que o rendimento cai.
18:21Porque uma hora que ele estaria trabalhando de manhã,
18:23às vezes, ele está acompanhando na consulta,
18:25com cirurgião.
18:27Na tarde, ele tem quimioterapia.
18:29Então, é muito importante o paciente trabalhar,
18:31se possível, durante e após.
18:34É assim que ele quiser.
18:35É assim que eu respondo para ele.
18:36Quando é que você quer voltar?
18:37Hoje, amanhã, depois de amanhã?
18:38É assim que a gente responde para eles, normalmente.
18:41Doutores, eu imagino que um risco muito comum
18:44seja um medo.
18:46Será que tem risco do câncer voltar?
18:49Isso deve passar muito pela cabeça dos pacientes.
18:52Tem risco?
18:53Vamos falar de números, para começar.
18:55Sim, esse risco existe.
18:57Esse risco, como a gente comentou,
18:58normalmente são nos primeiros anos,
19:01mas ele também existe,
19:03mesmo depois dos fatídicos, cinco anos.
19:05Bem, na verdade, é que ele vai decaindo ao longo do tempo.
19:08Mas é importante o paciente entender que,
19:11apesar do medo do câncer voltar,
19:13ele não pode impedir o paciente de viver.
19:16O que acontece, muitas vezes,
19:18é um estresse pós-traumático,
19:21é um medo, uma depressão,
19:24uma fadiga.
19:25Toda a memória, durante o tratamento,
19:28ela é uma experiência,
19:31ela deixa cicatrizes, às vezes,
19:32é uma verdade, mas a cicatriz não pode impedir o paciente
19:36de criar novas experiências.
19:38Então, esse medo existe.
19:40Como que a gente lida com esse medo?
19:42De maneira saudável,
19:44praticando atividade física,
19:46diminuindo o consumo de bebidas alcoólicas,
19:48interrompendo o tabagismo,
19:50interrompendo o uso do cigarro.
19:52É um fundamental.
19:53Dietas saudáveis, indo ao seu médico.
19:56Apoio psicológico, apoio da família, fé,
19:59tudo isso ajuda muito o paciente a conviver com o medo.
20:04Mas o medo não pode impedir o paciente.
20:07Doutor, e esse medo se representa de que forma?
20:10Como que vocês detectam esse medo no paciente?
20:12Como que são as histórias?
20:13Sim, é muito comum a atenção pré-um exame de imagem,
20:18uma tomografia, né?
20:19Os pacientes ficam tensos na hora de fazer uma tomografia
20:22para saber se deu alguma coisa,
20:24se o tumor voltou, se não tomou, não voltou.
20:26E isso faz parte.
20:27Então, um dos critérios que a gente avalia na grande maioria das vezes
20:31são, além do exame físico, clínico,
20:33com visitas periódicas ao cirurgião ou ao oncologista,
20:37a gente lança mão de exames complementares,
20:39como exames de sangue, tomografia,
20:41para saber se realmente está livre ou não.
20:43Então, toda vez que ele vai fazer esses exames,
20:46gera aquela angústia para saber se ele está com retorno do tumor ou não,
20:49mas entender que isso faz parte do processo.
20:52E, às vezes, o quanto antes a gente diagnosticar,
20:54a gente também é capaz de tratar adequadamente,
20:59melhorando o desfecho.
21:00Então, não perder esses exames periódicos por medo.
21:05Isso pode atrasar o início de um tratamento,
21:08e prejudicar o desfecho final.
21:11E eu queria acrescentar ao ouvido que, às vezes,
21:13tem gente que gosta que não,
21:15mas as associações de pacientes que já tiveram aquele mesmo tumor,
21:20conversar em alguns chats, Facebook,
21:25associações, por exemplo, de pacientes com câncer de estômago,
21:28às vezes compartilhando a sua dor.
21:30Isso ajuda muito, né?
21:32Olha, eu também tive esse problema, também tive isso.
21:34Acho que isso ajuda muito a controlar esse estresse
21:38pós um tratamento oncológico.
21:39O Amar a Vida, né?
21:40O Amar a Vida é um grupo que faz,
21:43é um grupo de voluntários,
21:45que tem uma canoa havaiana,
21:48que as pacientes vão pilotando a canoa havaiana.
21:50Elas até, teve um barco que foi de somente pacientes
21:54que competiram no campeonato estadual de canoa havaiana.
21:57Então, olha que legal, olha que reintegração, né?
22:00Ele faz parte da sociedade, como qualquer outra pessoa.
22:04Isso é muito importante.
22:04E a gente teve a Larissa Belo aqui,
22:07que falou do livro dela também, né?
22:09Então, você aí que tem um diagnóstico agora
22:11de câncer de mama,
22:13quer conhecer um pouco sobre o assunto,
22:15quer usar uma rede de apoio externa à sua família,
22:19conhecendo as histórias de outras pessoas,
22:21tudo pode ficar mais fácil.
22:22E a gente sai daquela pergunta,
22:24por que comigo, né?
22:26Porque vem o diagnóstico, o médico explica como.
22:29Mas eu imagino que diante de qualquer doença,
22:31a pergunta de por que eu,
22:33e parece que é só comigo,
22:35quando a gente conhece a história de outras pessoas,
22:37a gente vê que não é tão isolado assim de acontecer.
22:41Gente, se você gostou do tema de hoje,
22:43quer sugerir perguntas,
22:45quer participar aqui também contando a sua história,
22:48me siga nas redes sociais,
22:49arroba doutoralicesarcineli.
22:51Aqui, você é o protagonista.
22:53Nós estamos quase chegando ao fim,
22:55e eu vou dar a palavra aos doutores
22:57para dar uma palavra de incentivo
22:59para você que tem câncer,
23:01que está em tratamento,
23:02que conhece alguém que teve,
23:04ou tem câncer ainda.
23:05Dou a palavra para vocês.
23:07Doutor Alberto.
23:08Obrigado, Alice, mais uma vez.
23:10Eu acho que a mensagem que eu e o Vitor,
23:12a gente que isso transmitia,
23:14é que existe sim vida,
23:16qualidade de vida.
23:18Existe pacientes que voltam a trabalhar,
23:20mesmo com a doença ainda,
23:23sem o diagnóstico de cura, né?
23:26Vamos dizer assim.
23:26Porque só o tempo vai dizer ali,
23:29se aquele paciente está realmente curado ou não.
23:31E você ficar fixado,
23:34às vezes, nesses cinco anos,
23:36você deixa de viver o tempo
23:38que você tem ali de qualidade.
23:40Então, nosso objetivo é, sim,
23:43insistir em tratamentos,
23:44às vezes cirurgias, né?
23:47Quimioterapias,
23:48mas também entender
23:49qual é a vontade do paciente,
23:51e tentar reinserir ele novamente
23:54à sociedade, né, Doutor?
23:56Isso é muito importante.
23:57A gente agradece mais uma vez
23:59a oportunidade
24:00e passar aqui,
24:01viva cada dia,
24:02porque o futuro,
24:04a gente não sabe como vai ser.
24:06Perfeito.
24:07Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
24:09Te espero no próximo.
24:11Até semana que vem.
24:13Transcrição e Legendas por Quintena Coelho