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  • há 2 semanas
A morte da atriz Olívia Newton John depois de 30 anos de luta contra um câncer de mama reascende o debate sobre o assunto.

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Transcrição
00:00Olha só, se você é das décadas de 70, 80 e 90, com certeza já viu essa cena, olha aí.
00:29O filme Greasy nos tempos da brilhantina foi um dos maiores sucessos do cinema
00:36e a atriz Olivia Newton-John, ao lado de John Travolta, se transformou em uma grande estrela, né?
00:42Só que em 1992, gente, ela foi diagnosticada com câncer de mama.
00:48Foram 30 anos de luta contra a doença, até que ontem Olivia nos deixou.
00:54Ela morreu aos 73 anos, mas deixa um grande legado, além dos filmes e discos, é claro.
01:00Olivia investiu grande parte de sua fortuna em uma fundação de combate ao câncer
01:06e também para ajudar pessoas em tratamento contra a doença.
01:10E esse é o nosso assunto do quadro E aí, doutor?
01:14Faz o seguinte, pega logo aqui o celular, manda para a gente suas dúvidas,
01:17porque hoje a gente vai falar sobre o câncer de mama.
01:20É o assunto do nosso quadro E aí, doutor?
01:22Eu recebo aqui no nosso estúdio, tenho a honra de receber o oncologista,
01:26o doutor Wesley Vargas, do Neonúcleo Especializado em Oncologia.
01:31Doutor, obrigada pela sua participação.
01:34Boa tarde, seja bem-vindo, viu?
01:35Boa tarde, Roberta.
01:36É um prazer, é uma honra estar aqui no seu programa.
01:39E hoje você veio trazer boas notícias.
01:41A medicina vem evoluindo, né?
01:44E quem vem enfrentando um tipo de câncer, no caso, a gente acabou de ver o caso da Olivia, né?
01:50Que infelizmente nos deixou, mas a gente sabe o quanto a medicina tem evoluído, né?
01:55Graças a Deus.
01:56Sobre o caso da Olivia, eu queria dizer o seguinte, a Olivia foi uma vencedora.
02:00Ela viveu 30 anos com uma doença absolutamente mortal.
02:05Então, ela conseguiu lutar contra a doença durante 30 anos.
02:10É óbvio, eu não sei as condições que levaram ela a chegar o momento em que perdeu a luta.
02:16Mas ela ganhou praticamente uma metade da vida dela de sobrevida.
02:22Então, é uma coisa que tem que se considerar.
02:24Foi uma vencedora.
02:25E aí, hoje, o que tem de mais moderno no mundo para combater essa doença?
02:33O câncer de mama é uma doença muito comum, muito comum nas mulheres.
02:39E o conhecimento do câncer de mama tem feito diferença no tratamento.
02:44E, cada vez mais, ele está se tornando mais individualizado.
02:48Ou seja, antigamente a gente tratava o câncer de mama como se fosse receita de bula.
02:53Ah, paciente tem câncer de mama, vai tomar o remédio XYZ.
02:57Agora, nós pegamos esse câncer de mama e estudamos o seu comportamento biológico,
03:03o seu comportamento genético, inclusive, para poder tratá-lo de acordo com cada modificação.
03:11Isso consegue, muitas vezes, ter uma sobrevida, uma sobrevivência muito grande.
03:17E o que está na moda agora é o exame de True Check, que saiu, que foi noticiado,
03:24está sendo bem noticiado pela imprensa, que é a detecção precoce do câncer de mama por exame de sangue.
03:30Exame de sangue.
03:32Exatamente.
03:33Na verdade, isso não está disponível ainda.
03:37Nós já fazemos a biópsia líquida para alguns tumores.
03:40Esses tumores que a gente mais usa são os tumores de intestino e tumores de pulmão, em casos avançados.
03:48Para casos de câncer de mama, eles estão começando a ser examinados, estão começando a ser estudados agora.
03:54Pode ser que no futuro, daqui uns dois, três anos, eles estejam mais acessíveis, mas hoje ainda é muito caro.
04:03São alguns milhares de reais.
04:06E não é disponível para todo mundo.
04:08E nem está indicado para todo mundo.
04:10Agora, nos estudos que foram apresentados, ele mostrou uma precisão interessante, sem falso positivo.
04:18Quer dizer, os que deram positivo tinham câncer de mama.
04:22O grande problema é que você não consegue localizar o câncer de mama.
04:26A mulher teve o câncer de mama, operou, fez e tem o True Check positivo, você não sabe aonde ele
04:35está.
04:35É isso que eu ia perguntar, né?
04:37Se ele dispensaria esse exame de sangue, dispensaria a mamografia?
04:40Não.
04:41A mamografia ainda é o padrão ouro.
04:44Muito provavelmente, esse exame de True Check vai fazer diferença naquelas mamografias que são duvidosas.
04:52Talvez ele traga a mamografia um ganho no diagnóstico, na precisão do diagnóstico.
05:00Entendeu?
05:01E nos casos de pacientes que estão em tratamento, a presença do DNA circulante tumoral significa que ainda tem células
05:08tumorais circulantes.
05:10Então, talvez para o segmento.
05:12Nós ainda não sabemos o que vai fazer.
05:13Foram, acho que, 5 ou 6 mil pacientes examinados no estudo.
05:17Isso precisa de trazer para um âmbito populacional para a gente ver a aplicabilidade disso.
05:22Ó, já tenho várias perguntas aqui no Facebook para o doutor.
05:25Inclusive, muita gente te elogiando.
05:26Falou que foi muito bem atendida pelo senhor lá no Neol.
05:29Mas antes, eu vou convidar aqui para o nosso bate-papo a Ieda Marta.
05:33Gente, ela foi curada recentemente do câncer.
05:35Você vai contar melhor para a gente como que foi o tratamento.
05:38Boa tarde, Ieda.
05:40Ei, boa tarde.
05:42Boa tarde a todos.
05:44Boa tarde.
05:45Conta para a gente como é que foi o tratamento, né?
05:46Primeiro, vamos voltar lá no diagnóstico também, quando você soube.
05:50Sim, então, eu assim, anualmente, né, eu faço a mamografia.
05:57Isso para mim, né, já é um compromisso comigo mesma.
06:01E mesmo nos anos da pandemia, né, eu não deixei de fazer.
06:06E hoje, agradeço a Deus por isso, porque foi no exame anual que normalmente eu faço check-up
06:14e é que foi diagnosticado, né, o meu câncer de mama.
06:18Então, eu fui diagnosticada em janeiro, né?
06:22E aí, imagina uma notícia dessa, né?
06:26O que que acontece na vida da gente.
06:29Então, eu logo, né, tomei as providências e fiz os exames que eram necessários.
06:35Fiz a cirurgia e, graças a Deus, né, por ter sido diagnosticado, assim, com câncer bem precoce,
06:43eu não precisei fazer a quimioterapia, mas eu precisei fazer a radioterapia, né?
06:49Então, eu fiz as sessões de radioterapia.
06:53E agora, né, é aquele procedimento de medicação que eu tomo durante cinco anos, né,
07:02comecei a tomar já assim que eu terminei a radioterapia, mas eu me considero curada,
07:08eu não tenho mais câncer, tá?
07:11Graças a Deus.
07:12A gente tem até a foto aí, nós te entrevistamos na época,
07:16quando foi sua última radioterapia, não é isso?
07:20Sua última sessão?
07:20Sim, sim, sim.
07:22O que esse momento representou pra você, Ieda?
07:26Oi, desculpa.
07:27Pode repetir?
07:28O que esse momento representou pra você?
07:31Na minha última radioterapia?
07:34Isso.
07:35Sim, foi um momento, assim, de glória, né, de gratidão,
07:41gratidão a Deus, a gratidão às pessoas,
07:43que eu tive muito acolhimento durante o meu processo,
07:48muito, muitas orações, muitas forças positivas das pessoas,
07:53eu, assim, nunca imaginei que num momento, né, desse, de doença difícil,
07:59né, as pessoas fossem me acolher tanto.
08:03Então, assim, em qualquer local ou qualquer procedimento que eu tivesse que fazer,
08:08se eu dissesse, eu estou com câncer de mama, né, ou que fosse outro qualquer,
08:14assim, o acolhimento é totalmente diferenciado.
08:17Então, assim, gratidão, gratidão, sabe?
08:20Eu sei que hoje eu tenho que fazer esse tratamento, né,
08:24tenho que tomar os devidos cuidados,
08:26mas, como disse, né, o meu médico cirurgião,
08:31ele falou assim, você não tem mais câncer.
08:34Então, eu me considero hoje curada.
08:37E Eda, uma vitoriosa.
08:40Você é uma vitoriosa, Eda, uma vitoriosa.
08:43Uma vitoriosa, com certeza.
08:46E, assim, o meu lema também agora é sempre pedir às mulheres,
08:50não deixam de fazer a mamografia, né, normalmente, dependendo da idade.
08:58Uma questão muito importante que eu quero até aproveitar e perguntar aqui para o doutor Wesley,
09:01porque fala assim, muito, ah, fazer a mamografia.
09:03Tem lugar que a gente ouve, ah, é 35 anos, tem lugar que a gente ouve 37, 40.
09:07E aí, doutor, a partir de que momento que a gente tem que fazer esse rastreio?
09:11Bom, como eu falei para você, a gente tem modificado o tratamento do câncer de mama
09:18e conhecido melhor as pacientes.
09:20Então, pacientes, por exemplo, que têm história familiar, mãe, irmã, primas, tias com câncer de mama,
09:26elas começam o seu acompanhamento mais cedo, aos 35 anos.
09:31Aos 35 anos, a mama geralmente é mais densa,
09:35mas tem que se começar a fazer a investigação mais ou menos nessa faixa etária.
09:39Não só a mamografia, mas a mamografia associada à ultrassom de mama.
09:45Entendeu?
09:46Uma complementa a outra.
09:47E depois começa aos 40 anos anual, vai fazer anual.
09:53Não tem necessidade, grande necessidade, de ficar fazendo duas mamografias por ano.
09:58Muda muito pouca coisa, só em casos pontuais em que a gente acaba fazendo isso.
10:02Mas, normalmente, não tem necessidade disso.
10:04E eu quero dizer também que o governo do Estado do Espírito Santo,
10:07não o governador, mas o Estado do Espírito Santo, de maneira geral,
10:12tem mamografia para praticamente todas as mulheres disponíveis na rede pública.
10:18Ah, demora, demora, porque os profissionais que fazem são poucos e é muita gente.
10:23Mas todas têm condições de fazer mamografia.
10:27Às vezes, as pessoas esperam chegar outubro, que é outubro rosa,
10:30e aglomera e aí não consegue.
10:32Mas durante o ano inteiro é oferecido mamografia e ultrassom.
10:35Olha, a gente quer, aqui a pergunta da Maria das Graças,
10:39ela fala que tem duas tias e um primo que morreram com a doença.
10:43Isso é genético, doutor?
10:45Ela pergunta.
10:46Isso é uma coisa interessante.
10:47Existem alguns fatores de risco para câncer de mama.
10:51O primeiro fator de risco para a mulher ter câncer de mama é nascer a mulher.
10:56Entendeu?
10:57Mas existem outros fatores de risco, por exemplo, tabagismo, por exemplo, a obesidade,
11:04o uso de dietas com gorduras polissaturadas, gorduras trans.
11:10Então, tem que ter uma dieta mais mediterrânea, com grãos integrais, essas coisas todas.
11:18Diminui o risco, não impede, mas diminui o risco.
11:21Muita fruta, exercício físico, controle e baixa ingesta alcoólica também.
11:27Agora, 10 a 20% dos pacientes têm fatores genéticos do câncer de mama.
11:33Se você fala assim, ah, então é de 5 a 10%, perdão.
11:36Você fala assim, então é pouco.
11:37Não é pouco quando você pega uma estatística de 50 mil casos novos por ano.
11:43E aí já deixa de ser pouco.
11:4650 mil casos por ano, casos novos por ano, é como se uma cidade, por exemplo, do tamanho
11:52de Aracruz, todo mundo tivesse câncer de mama.
11:57Então, você tem que parar e pensar que é uma situação que você tem que levar em consideração.
12:01No caso da...
12:03A pergunta da telespectadora.
12:06Da telespectadora.
12:07Maria das Graças.
12:08Se tiver casos de câncer de mama ou câncer de ovário, ela tem que procurar o seu ginecologista
12:15e falar, olha, tem casos de câncer na família, câncer de mama e câncer de ovário.
12:20Então, esses são fatores de risco genéticos importantes.
12:24Existe uma síndrome genética que é mutação dos oncogênios do BRCA1 e BRCA2.
12:33Eles podem causar câncer de mama e de ovário e câncer de próstata em homem e câncer
12:38de mama em homem.
12:40Não sei se vocês se lembram do caso da Angelina Jolie.
12:44Sim.
12:45Ela retirou, né?
12:46Todo...
12:46Tirou a mão.
12:47Eu até vi uma piada de um camarada que, desculpa, não sabe o que está falando, mas...
12:53Ele disse assim, Angelina Jolie vai mandar arrancar os dentes para evitar que tenha cárie.
12:57Na verdade, a Angelina Jolie, ela apresenta expressão e hiperexpressão do BRCA1 e do BRCA2.
13:04Ela tinha 98% de chance de desenvolver câncer de mama e ovário.
13:11O que que ela fez?
13:12Ela tirou as mamas, colocou o silicone, tirou os ovários e faz reposição hormonal.
13:17E tudo isso, né, com acompanhamento médico, né?
13:19Com acompanhamento médico.
13:20Uma recomendação médica.
13:21Se você recebe o diagnóstico, olha, você tem uma síndrome genética e que você tem
13:2798% de chance de ter até os 35 ou 45 anos câncer de mama, é melhor você tirar a
13:34mama
13:34e faz a mastectomia, que a gente chama de mastectomia, deixa a pele, a gordura, tira só a glândula
13:40e bota silicone.
13:42Quer dizer, praticamente toda mulher hoje quer botar silicone.
13:45Então, praticamente não muda o que nós estamos vivendo hoje.
13:47Ó, a gente tá falando hoje dos avanços da medicina pra combater, né?
13:52A gente vê aí muitas mulheres, a gente sabe que é o câncer que mais acomete as mulheres
13:55no mundo.
13:56Agora, doutor, mostra pra gente essa outra novidade, que na verdade já vem sendo usada
14:02aqui no nosso mercado, né?
14:03Isso é uma touca que ajuda a prevenir a queda do cabelo?
14:09Essa é uma touca usada na quimioterapia.
14:13Essa é um modelo que nós vamos substituir agora.
14:15Agora, nós estamos trazendo um modelo em inglês, que é melhor do que esse aqui.
14:18Não na eficácia, mas essa, por exemplo, fica úmida.
14:21Então, a outra não fica úmida, vai começar a usar daqui a alguns dias.
14:27E essa touca, ela é colocada numa geladeira especial e ela fica congelada e é colocada
14:32durante a aplicação da quimioterapia, um pouco antes, durante e um pouco depois.
14:37E diminui a queda do cabelo.
14:39Ela é muito usada em câncer de mama.
14:40Ela funciona melhor para o câncer de mama.
14:43Então, nossas pacientes todas recebem a opção de usar a touca.
14:47Doutor, eu espero recebê-lo aqui muitas outras vezes para trazer mais novidades, mais expectativa
14:54de vida, da melhoria da qualidade de vida para todos nós.
14:57Muito obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo, viu?
15:00Muito obrigado pela oportunidade.
15:02Um abraço a todos, a quem mandou mensagem.
15:04E posso mandar um abraço?
15:06Claro, claro.
15:06Um abraço para a Dani, a minha filhinha de 11 anos está assistindo a gente.
15:10Beijo, Dani.
15:11Eu quero mandar um beijo também para a Ieda, que participou com a gente aqui na entrevista.
15:15Uma vitoriosa, venceu o câncer de mama.
15:17A Rita de Cássia também mandou um relato muito bacana aqui com a gente no Facebook.
15:21Hoje tem uma vida normal também.
15:24Obrigada, viu, doutor?
15:25Beijo, Dani.
15:26Tchau.
15:26Tchau.
15:27Tchau.
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