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  • há 15 minutos
Mulheres vítimas de violência doméstica precisam de apoio para se protegerem dos agressores que, na grande maioria, são os próprios companheiros. Cerca de 58% dos feminicídios têm como local de ocorrência uma residência.

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Transcrição
00:00aqui no estado, seria muito maior se elas não contassem com o apoio de projetos sociais,
00:06como o Rede Mulher lá de Guarapari, que você vai conhecer agora.
00:09Atualmente, mais de 700 vítimas de violência doméstica são atendidas lá na Cidade de Saúde por esse projeto.
00:16Acompanhe, balança!
00:19Marcas que ficam para a vida toda.
00:24Violência doméstica.
00:26Quando a gente fala desse assunto, dá até a sensação de que estamos falando de notícia repetida.
00:33Mas não se trata disso, não.
00:36Infelizmente, essa é uma grande realidade do país e também do estado do Espírito Santo.
00:43A cada dia, a cada semana, a cada mês, lamentavelmente, uma nova vítima, uma nova história de violência para contar.
00:53Essa mulher é vítima de um ex que não aceita o fim do relacionamento.
00:58Antes do término do casamento, brigas e xingamentos.
01:02Primeiro foi o xingamento, aí já chegou a jogar em mim uma panela e tal, mas aí nunca tinha partido
01:11da impressão física ele mesmo, entendeu?
01:14Aí foi quando eu resolvi botar um ponto final que ele me agrediu.
01:17Acho que eu tenho marcas no corpo até hoje, né? Que ficou marca.
01:20E olha que, segundo a mulher, era ela quem fazia de tudo pela família, inclusive sustentar a casa.
01:29Sempre trabalhei, graças a Deus.
01:32Ele não trabalhava, eu ficava só em casa.
01:35E a gente engerou, uma hora a gente cansa, né?
01:37Daí em diante, a vida da jovem virou de cabeça para baixo.
01:42Afinal, o ex continuava atrás dela.
01:45Me ligava, ameaçava, falava que estava me vendo, que sabia onde eu estava, ia no meu serviço, entendeu?
01:52Fazia escândalo lá, eu tinha que ficar escondido nem lá dentro, lá no meu serviço, lá até ir embora.
01:58Aí tinha polícia aí, mas não conseguia pegar ele.
02:01A mulher revela que não consegue sair de casa tranquila.
02:05Não tem liberdade para fazer absolutamente nada.
02:08Com medo do que pode acontecer.
02:10A gente vive com medo, né? A gente vive onde vai, fica olhando para os lados.
02:15Se está chegando no serviço, a gente, de vez em quando, a maioria das vezes, o pessoal já sabe da
02:21situação.
02:21Já fica esperando eu chegar para ver se ele está por perto, se ele está perto, já me liga, me
02:25avisa.
02:26Para você ter uma ideia, o assunto é tão sério que de janeiro a junho deste ano,
02:3319 mulheres foram vítimas de feminicídio aqui no estado do Espírito Santo.
02:38E olha que já estamos no mês de julho, quase chegando a agosto.
02:43E os casos não param de acontecer.
02:46Essa semana foram várias as histórias de mulheres vítimas de violência doméstica.
02:52Uma delas foi essa mulher de 21 anos que está grávida de 7 meses.
02:57Nem o fato de estar gestante evitou que ela fosse agredida pelo namorado de 19 anos.
03:03Foi por causa de um lanche que eu pedi, aí ele reclamou que tinha que ter bacon.
03:12Só que eu não queria bacon, aí do nada ele foi e me deu uma porrada, que ele já estava
03:16bíblico já também.
03:17O casal mora com outros familiares em Cariacica.
03:21A jovem relata que mantinha um relacionamento com um agressor há 3 anos.
03:25E nesse tempo, apanhou outras vezes.
03:39Por causa das agressões e pelo fato de estar grávida,
03:43ela foi socorrida pelo SAMU e levada ao Hospital Estadual de Urgência e Emergência em Vitória.
03:48E passa bem.
03:50Está melhor agora, porque não dava nem para ficar assim.
03:55O agressor foi encaminhado para o plantão especializado da mulher na capital e autuado pela Lei Maria da Penha.
04:02Ele foi encaminhado para o centro de triagem de Viana.
04:06A mãe do suspeito chora ao falar sobre a prisão do filho.
04:10Eu penso que ele é uma doença, ele fica preso mesmo, repensa, repensa, nunca vai acontecer isso.
04:16Para você ter uma ideia, 58,9% dos feminicídios têm como local de ocorrência uma residência.
04:24Em mais de 89% dos casos, o autor do crime é um companheiro ou ex-companheiro da vítima.
04:31Segundo a representante da rede Mulher de Guarapari,
04:35um projeto social que atende mulheres vítimas de violência,
04:39não existe um perfil específico da mulher que sofre esse tipo de crime.
04:44A violência que acontece dentro de casa, não escolhe se a mulher é pobre, se a mulher é rica, se
04:49é negra, se é branca, amarela.
04:51Quase a maioria sofre e sofre as mesmas causas, sempre são os mesmos assuntos.
04:58Por sinal, a Rede Mulher é que dá apoio a essa vítima e outras mais de 700 só em Guarapari.
05:06A gente chega até o problema, encaminhamos ela à Delegacia da Mulher e a gente acompanha desde quando vai.
05:15A maioria das vezes a gente acompanha a Delegacia da Mulher e a medida protetiva.
05:23Sempre a gente consegue ir muito rápido, porque a rede está acompanhando e daí a gente consegue tirar ou do
05:31Estado, se tiver necessidade,
05:33a gente consegue abrigo, a gente oferece o acompanhamento psicológico, acompanhamento médico.
05:40A mulher chegou até a rede depois que o ex tirou tudo o que ela tinha.
05:46Ele vendeu minhas coisas tudo, né? Vendeu tudo. Eu não tenho, estou começando, estou tentando começar do zero agora, né?
05:54Vendeu minhas coisas tudo, porque eu saí, deixei tudo, porque medo de ele voltar, né?
06:00E quando eu voltei já não tinha mais nada de casa. Até minhas roupas. Até a roupa minha ele desfeita,
06:06ele rasgou, ele jogou fora.
06:08Atualmente, ela recebe ajuda de cestas básicas, fraldas e até de aluguel, para se ver livre do ex-agressor.
06:17A Rede Mulher se une agora com o projeto Soldados da Solidariedade de Vila Velha, para tentar aumentar os atendimentos.
06:25A ideia é ter uma unidade mais próxima da capital.
06:28Devido à necessidade em apoiar, resolvemos abraçar a causa, os soldados da solidariedade, todos os soldados,
06:37convocando a sociedade em geral, para nos ajudar a criar uma filial da Rede Mulher,
06:44para que a gente possa atender essas famílias, essas mulheres que não têm o que comer,
06:49perdem seus móveis, sua casa, sua dignidade.
06:53E nós estamos aqui para dar dignidade a elas.
06:55E de pouquinho em pouquinho, um vai colaborando com a vida do outro e o bem-estar de todos.
07:02A mulher vítima do ex faz questão de alertar outras mulheres, que também são agredidas por companheiros e ex-companheiros.
07:12Nunca dê a segunda chance, né? Nunca dê, porque... e não é que acredite na mudança, que eles não vão
07:17mudar.
07:17Não adianta, não vão mudar mesmo, entendeu?
07:20E mesmo se tiver pacato, desconfia, porque às vezes o perigo está aí.
07:24É nessa hora que eles se desaproveitam, quando a gente acha que está tudo bem.
07:28Então sempre fica alerta.
07:36Não é fácil passar por isso não, viu?
07:39Olha, se você que está nos acompanhando pode contribuir de alguma forma, né?
07:42Para fortalecer esse projeto Rede Mulher, lá de Guarapari,
07:46ou se você precisa ou conhece de alguém que sofre violência doméstica e precise da ajuda desse projeto,
07:53entre em contato com eles.
07:54O telefone está aí na tela, 2799204-2896.
07:59Tem também o Instagram, arroba-rede.mulher.es, que você pode ajudar.
08:04Ou até mesmo por meio dos Soldados da Solidariedade, que já funciona lá em Vila Velha.
08:09Porque eles querem trazer esse projeto aqui para a Grande Vitória também.
08:12São mais de 700 mulheres atendidas pelo projeto de Vila Velha.
08:16Eu nunca tinha ouvido falar dessa Rede Mulher.
08:18E aí você veja a importância desse tipo de projeto social para apoiar as mulheres, né?
08:24O governo, as prefeituras têm aí o seu trabalho também voltados para a questão da mulher que sofre violência,
08:31mas a importância de projetos sociais que possam ajudar também de alguma forma.
08:36Ajude, está aí os contatos.

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