00:00A gente viu aí na reportagem que a justiça já marcou o teste três vezes e o artista não apareceu.
00:06E o que acontece daqui pra frente? Vamos entender então melhor essa história.
00:10Aqui no nosso estúdio eu recebo a advogada da família Camila Dias e também o psicólogo Alexandre Brito.
00:16Obrigada pela participação de vocês, viu?
00:18Eles vão contar pra gente também dessas consequências emocionais na vida da pessoa.
00:23Mas antes, Camila, eu queria que você explicasse, a pessoa, ela é obrigada ou não a fazer esse teste de
00:31DNA?
00:32Não, boa tarde.
00:33Boa tarde, né? Primeiramente, não é obrigado.
00:36Isso também não quer dizer que por ela se abster disso, que a gente não pode produzir, a gente é
00:41livre pra produzir provas.
00:42E contra a gente, a gente não é obrigado.
00:44Então, se ele não quiser, ele não faz.
00:47É necessário que tenham outros tipos de provas também.
00:50Porque a sensação que dá por ele estar negando é que ele está assumindo.
00:54E não é necessário isso.
00:55Isso não é uma regra.
00:56Há uma presunção de paternidade.
00:58Ah, se não fez, então provavelmente ele é o pai.
01:03É assim que a justiça olha.
01:04Porém, como o exame de DNA por si só seria eficiente pra poder comprovar isso.
01:10Não tendo o exame, porque ele não é obrigado, precisaria de um conjunto de provas.
01:14Como é que serve como esse conjunto de provas?
01:17Então, é porque isso daí é muito antigo, né?
01:20Mas hoje seria uma mensagem, algo que correlacionasse a época da relação, suposta relação sexual, né?
01:26Entre eles, com a idade dele, testemunhas que tivessem presentes, só pra saber que houve algum tipo de relacionamento do
01:33casal.
01:34Que de fato aconteceu um romance ali naquela época.
01:37Exatamente.
01:37Mas o entendimento, então, da justiça, quando a pessoa se nega a fazer o teste de DNA, é que ela
01:44seja culpada.
01:44Isso, essa presunção já é uma súmula.
01:47Ah, negou, então a gente já tem aqui uma prova maior, vamos dizer.
01:53Se, vamos supor que ele tivesse...
01:54Mas isso vale já como uma determinação judicial?
01:56Não, não vale.
01:57No caso, por exemplo, no caso desse daí que a gente trouxe, o Chitãozinho negou.
02:02Se o...
02:04Como é o nome dele?
02:05Do rapaz aí, do homem?
02:07Esqueceu.
02:07O suposto filho.
02:08Se ele tivesse provas que corroborassem essa alegação dele de que é o filho, não precisaria do DNA.
02:14O juiz já falaria, não, ele é o filho.
02:16Só pelas provas.
02:17Que não necessariamente fosse o DNA.
02:19Só que ele não tem o DNA e também está sem provas até então.
02:23Agora, Alexandre, o que te chamou muito a atenção à medida que você foi assistindo a reportagem,
02:27foi a idade, né?
02:28Que ele foi saber da verdade.
02:30A gente imagina então a bagunça que isso fez na cabeça desse rapaz.
02:35Boa tarde.
02:36Boa tarde, Roberta.
02:37Muitas vezes, essa questão de paternidade, maternidade, conhecer a sua própria história,
02:42todo mundo tem que conhecer a sua própria história, saber sobre a sua própria história,
02:46ter direito quanto a isso, tá, pessoal?
02:49Quanto a isso de contar com 16, 15, 16 anos, né?
02:54Que você não é filho biológico do seu pai, por exemplo.
03:00Então, eu sempre digo que para crianças e jovens, a verdade, ela nunca é traumática, Roberta.
03:06Então, quando a gente está falando de crianças e adolescentes, a verdade, ela nunca é traumática.
03:11O que traumatiza é mentira.
03:13Em geral, a verdade, a gente aprende a fazer algo com ela, você faz com que ela seja assimilada à
03:19sua história.
03:20Mas a mentira, o segredo, acaba sempre produzindo alguns efeitos que podem ser traumáticos.
03:28E você sempre querer reconstruir a sua história a partir desses vazios, dessas lacunas, dessas faltas.
03:35Então, isso pode ser, de fato, um problema.
03:37Tanto que a gente está vendo que hoje ele está aí querendo dar respostas para essas lacunas,
03:43essas faltas que ele não teve nessa adolescência dele.
03:48E agora, Camila, de agora em diante, nesse caso, o que acontece com esse jovem?
03:53Como que ele pode dar o próximo passo?
03:56O processo, ele continua, né?
03:58Pelo que eu li, primeiramente, havia sido dado uma...
04:02Na primeira instância, né?
04:04Deu-se para o jovem, como se o chitãozinho fosse o pai.
04:08Isso ele recorreu e conseguiu manter a decisão como se ele não fosse, porque não tem mais provas.
04:14Então, não existem provas.
04:16Ele ainda não conseguiu, ele recorreu novamente.
04:18Agora, já está assim, já virou um processo bem longo.
04:21Parece que é um tempo, né?
04:22Então, são outras questões que estão sendo avaliadas.
04:26Infelizmente, ao que parece, a gente não pode já pré-julgar, vamos dizer assim,
04:30não tem mais nada, porque não tem uma carta, não tem...
04:34E dizendo que a mãe falou, então, fica pouco, né?
04:37E a gente, olhando do outro lado, pensa, poxa, o chitãozinho podia ir lá resolver isso rapidinho, né?
04:42Já foi intimado três vezes para fazer o DNA de forma espontânea e não foi.
04:46Mas aí, é o que também a gente sabe.
04:48Imagina chegar hoje, né?
04:49Vamos supor, chegar para o psicólogo, alguns filhos aí, supostos, não, vai lá, tem que ir lá fazer.
04:54Não, mas eu não quero, eu não reconheço isso.
04:57Então, seria muito... é muito agressivo também, do outro lado, né?
05:01Você simplesmente ir para poder prestar uma satisfação ao outro.
05:05É, o que até a Maricilda escreve aqui, ela fala, de novo, há um tempo, né?
05:08Houve a história de uma filha e agora um filho, né?
05:12Bom, o chitãozinho não é o único famoso a ter problemas na justiça por causa da investigação de paternidade.
05:20Olha só, tem uma lista aí.
05:22Vários outros famosos já se envolveram em casos parecidos.
05:25O cantor latino já assumiu dois filhos, depois do teste de paternidade.
05:32O músico Chimbinha também.
05:35E assumiu uma filha que teve num caso extraconjugal, quando ainda era casado com Joelma.
05:42O mais recente caso aconteceu em fevereiro de 2022, com Gustavo Lima.
05:48Mas a paternidade do sertanejo acabou não confirmada.
05:57O mundo dos famosos, a gente imagina que tem muita gente querendo se aproveitar da situação.
06:02Agora, trazendo para a nossa realidade, estava conversando com algumas pessoas, a gente produzindo esse estúdio,
06:09e me relataram que há até um aumento de casos quando chega a época das férias das crianças,
06:16em que muitos pais, quando pegam a criança para passar as férias, Camila, levam o filho no laboratório sem o
06:23consentimento da mãe para fazer um teste.
06:26Algum pai que desconfie disso.
06:28O pai pode fazer?
06:30Pode agir dessa forma?
06:31Isso não é legal, porque ele não é o pai até então.
06:34Se não tem a...
06:35Ah, o pai mesmo, o pai da criança.
06:37Isso, o pai da criança.
06:39E aí eu até questionei, uai, mas o laboratório pode fazer isso?
06:41Falei assim, se na certidão for o pai, pode.
06:45Sim, pode.
06:46Então pode fazer isso?
06:47Pode.
06:47Eu estava achando que era assim, alguém que estava, um homem imaginando que aquele filho pudesse ser, sabe, um conhecido.
06:53Então, porque precisa do consentimento dele, né, de quem está ali prestando.
06:58Isso, eticamente falando, não é bacana, né?
07:00Então, não existe uma regra que determine que precisa da anuência.
07:06Se fosse um estranho, sim, mas você sendo o pai, você pode fazer.
07:10E aí corre esse risco, né?
07:11O estranho não pode, então, fazer esse teste sem autorização dos pais.
07:15Suponhamos que eu esteja casada, tenho um filho no meu casamento, mas tive um relacionamento extraconjugal
07:22e pode ser que essa criança seja de outro.
07:24Só que eu não falei para o meu esposo, por exemplo.
07:26Aí eu queira chamar esse homem para poder fazer um teste.
07:28Vamos lá para a gente fazer, né?
07:30Você com o filho não pode, porque ele não, né?
07:32Ele precisa da anuência de quem já tem um registro.
07:35Então, vai ser muito mais complexo do que chega até os nossos ouvidos, né?
07:40E a Camila apontou bem, também não seria ético, né?
07:43Agora, a gente imagina, é traumático, pode, isso pode ser traumático também para uma criança, Alexandre?
07:49Ela passar, vivenciar esse processo?
07:52Pode, porque ela pode se sentir, às vezes inconsciente ou não, deliberadamente ou não, até rejeitada.
07:59Porque imagina se você tem uma família e tem um clima de dúvida, fica nessa suspensão de fato de assumir
08:08ou não.
08:08O afeto que eu dou, a responsabilidade que eu assumo, o carinho que eu ofereço, o amor que eu vivo
08:15com essa pessoa.
08:16Como é que é isso, né?
08:17Porque eu sempre falo, inclusive, que todo pai e mãe, no fundo, no fundo, são adotivos.
08:23Em que sentido?
08:24Porque você adota por meio do desejo e do amor.
08:27Você assume o filho, que pode ter sido gerado ou não por você.
08:32Então, isso é uma questão.
08:33Então, assim, nessas climas de dúvida e desconfiança, em geral, e problemas de comunicação ou supostas traição,
08:42isso acaba, sim, afetando a criança.
08:45E, por incrível que pareça, Roberta, a criança sente.
08:50Mesmo que ela não saiba, mesmo que ninguém diga diretamente.
08:53Mas ela estranha, né?
08:53O que ela está vivendo, né?
08:55Ela sente, com certeza, ela sabe que tem algo de errado ali e ela sente e ela acaba manifestando sintomas,
09:03né?
09:03Com o corpo, com o comportamento, na escola, em casa, enfim, demonstrando ali que tem algo de errado ali nessa
09:11família
09:11e que tem um desejo ali que não necessariamente esteja desejando ela.
09:15Olha só, pra gente finalizar, tem uma participação aqui da Erika Rod, que é uma pergunta pra você, Camila.
09:20Ela diz, meu filho tem 16 anos, foi registrado na época pelo padrasto, mas o pai, na época, quis registrar
09:29e eu não deixei.
09:31O pai quer fazer o reconhecimento do filho com o registro.
09:35O que devo fazer nessa situação?
09:37O meu filho, hoje, sabe de toda a verdade.
09:40Você correu grandes riscos aí, porque fez uma adoção brasileira, né?
09:44Quando uma pessoa que não é o pai fez um registro.
09:49Então, mas isso daí hoje pode ser resolvido, né?
09:52Vamos dizer assim, de uma forma menos prejudicial e ainda também pra poder agregar todo esse entorno familiar.
10:00Se o pai que registrou, registrar o que não é o biológico, né?
10:04E que ele já sabe, consentir, pode ser feita essa paternidade sócio-afetiva que a gente chama.
10:11Incluir mais alguém na filiação, que nesse caso é o biológico, mas que poderia ser outro também, nem precisava ser
10:17o pai biológico.
10:18O que aparenta ser a melhor saída aqui pra esse filho, né?
10:21Isso aí.
10:21Olha, muito obrigada pela participação de vocês.
10:23Uma boa tarde, Alexandre.
10:25E você também, Camila.
10:26Um beijo pra vocês, tá?
10:26E aí
10:27E aí